REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511202246
Gabrielly Souza Barros1; Bruna Louzada Saez2; Camila Antunez Villagran3; Grégory Rocha Nascimento4; Lair Ferreira de Oliveira Filho5; Valeria da Silva Faria6; Kelen Charles de Oliveira Ferreira7; Analídia dos Santos Ventura8; Ana Cleides Pereira dos Santos9; Bruna Luiza Delmiro Dutra10
Introdução: A segurança do paciente é um componente da qualidade assistencial, com a enfermagem desempenhando um papel na prevenção de eventos adversos. Estima-se que uma grande parcela dos incidentes hospitalares seja evitável, frequentemente associada a falhas na comunicação e processos. Objetivo: Analisar como as ações da equipe de enfermagem, baseadas em evidências, impactam na redução de eventos adversos em pacientes hospitalizados. Resultados: A implementação de protocolos como checklists cirúrgicos e prontuários eletrônicos foi associada à redução de 30% nas infecções pós-operatórias e de 25% nos erros de medicação. Ferramentas de comunicação padronizada, como o SBAR (Situation-Background-Assessment-Recommendation), melhoraram a precisão da transmissão de informações em 39%. Programas de educação continuada demonstraram potencial para diminuir infecções hospitalares em 45%. Contudo, a sobrecarga de trabalho e a adoção irregular de tecnologias persistiram como barreiras. Conclusão: As práticas baseadas em evidências contribuíram para a redução de eventos adversos. A sustentabilidade desses resultados depende de abordagens que integrem aspectos técnicos, humanos e organizacionais, enfrentando desafios como o dimensionamento adequado de equipes e a infraestrutura tecnológica.
Palavras-chave: Protocolos clínicos; Comunicação interdisciplinar; Tecnologias em saúde; Cuidado humanizado; Gestão de riscos.
ABSTRACT
Introduction: Patient safety is a component of quality care, with nursing playing a role in preventing adverse events. It is estimated that a large portion of hospital incidents are preventable, often associated with communication and process failures. Objective: To analyze how evidence-based nursing team actions impact the reduction of adverse events in hospitalized patients. Results: The implementation of protocols such as surgical checklists and electronic medical records was associated with a 30% reduction in postoperative infections and a 25% reduction in medication errors. Standardized communication tools, such as SBAR (Situation-Background-Assessment-Recommendation), improved the accuracy of information transmission by 39%. Continuing education programs have shown the potential to reduce hospital-acquired infections by 45%. However, work overload and irregular technology adoption persisted as barriers. Conclusion: Evidence-based practices contributed to the reduction of adverse events. The sustainability of these results depends on approaches that integrate technical, human, and organizational aspects, addressing challenges such as adequate team sizing and technological infrastructure.
Keywords: Clinical protocols; Interdisciplinary communication; Health technologies; Humanized care; Risk management.
1 INTRODUÇÃO
A segurança do paciente envolve vários aspectos como a qualidade da assistência em saúde, com destaque para o papel da enfermagem na prevenção de eventos adversos. Segundo a Organização Mundial da Saúde [1], cerca de 134 milhões de incidentes hospitalares ocorrem anualmente, sendo 40% evitáveis. No Brasil, estudos recentes apontam que 60% dos erros em unidades de terapia intensiva estão associados a falhas na comunicação entre profissionais, reforçando a necessidade de estratégias estruturadas [2].
A implementação de protocolos clínicos baseados em evidências tem demonstrado resultados na redução de complicações. Pesquisas demonstram que o uso de checklists cirúrgicos diminui em 30% infecções pós-operatórias, enquanto a adoção de prontuários eletrônicos reduz erros de medicação em 25% [3]. Contudo, a sobrecarga de trabalho e o subdimensionamento de equipes persistem como desafios críticos, impactando diretamente a segurança [4].
A liderança do enfermeiro emerge como fator determinante na gestão de riscos. Estudos multicêntricos identificaram que ambientes com adequada supervisão reduzem em 20% a incidência de quedas e úlceras por pressão. Paralelamente, a educação continuada em práticas como higienização das mãos e identificação correta de pacientes tem potencial para diminuir infecções hospitalares em 45% [6,4].
Diante desse cenário, este estudo busca analisar como as ações da equipe de enfermagem impactam na segurança do paciente, com ênfase na correlação entre práticas baseadas em evidências e redução de eventos adversos. A justificativa reside na urgência de qualificar a assistência, alinhando-se às metas globais da OMS e à redução de custos hospitalares estimados em R$ 10 bilhões anuais no Brasil [5].
O problema central que norteou esta pesquisa foi: Como as práticas baseadas em evidências da equipe de enfermagem contribuíram para a redução de eventos adversos em pacientes hospitalizados? Como hipótese, assumiu-se que a implementação de protocolos estruturados, comunicação interdisciplinar efetiva e educação continuada reduziu a incidência desses eventos, conforme sustentado por evidências prévias.
Objetivou-se, de modo geral, analisar as estratégias baseadas em evidências utilizadas pela equipe de enfermagem para promover a segurança do paciente em ambientes hospitalares. Para operacionalizar essa análise, estabeleceram-se os seguintes objetivos específicos: identificar os principais eventos adversos relacionados à assistência de enfermagem; analisar a correlação entre comunicação interdisciplinar e segurança do paciente; e avaliar a eficiência de protocolos clínicos na prevenção de erros.
2 MATERIAIS E MÉTODOS
O presente estudo adotou uma abordagem de revisão sistemática da literatura, com caráter analítico e qualitativo, visando sintetizar evidências científicas sobre a relação entre práticas de enfermagem baseadas em evidências e a redução de eventos adversos em pacientes hospitalizados. Para garantir rigor metodológico, a pesquisa foi estruturada em etapas sequenciais, iniciando pela definição dos critérios de busca.
O recorte temporal concentrou-se em publicações dos últimos cinco anos, período marcado por avanços em protocolos de segurança do paciente e tecnologias em saúde, como a expansão de prontuários eletrônicos e sistemas de alerta clínico. A escolha desse intervalo justifica-se pela necessidade de analisar tendências contemporâneas e diretrizes atualizadas, como as metas globais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e as normativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
As fontes bibliográficas foram selecionadas em plataformas estratégicas para abranger perspectivas nacionais e internacionais. Utilizaram-se as bases SciELO, priorizando estudos brasileiros e latino-americanos; PubMed, para acesso a artigos de alto impacto em periódicos internacionais; e a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), com foco em documentos institucionais e políticas públicas. Complementarmente, o Catálogo de Teses e Dissertações da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) foi consultado para incorporar produções acadêmicas recentes.
Os descritores aplicados seguiram terminologia controlada, com combinações booleanas como “segurança do paciente e enfermagem” e “eventos adversos e práticas baseadas em evidências”, garantindo precisão na recuperação de artigos alinhados ao tema. Para ampliar a abrangência, incluiu-se também a análise de diretrizes clínicas da OMS, PNSP (Programa Nacional de Segurança do Paciente) e ANVISA, para contextualizar recomendações práticas.
Os critérios de inclusão priorizaram estudos empíricos (qualitativos ou quantitativos), revisões sistemáticas e documentos normativos, publicados em português, inglês ou espanhol. Excluíram-se relatos de caso e estudos anteriores a 2018, visando evitar desatualizações conceituais.
A busca inicial identificou 124 artigos, submetidos a triagem em três etapas:
- Filtragem por título e resumo, eliminando duplicatas e trabalhos fora do escopo;
- Leitura integral para avaliação de relevância e qualidade metodológica;
- Extração de dados, com síntese crítica das evidências.
Após esse processo, 32 trabalhos compuseram o corpus final da revisão, sendo 18 artigos internacionais (publicados em periódicos Q1/Q2) e 14 documentos institucionais, incluindo livros técnicos e manuais de boas práticas. Essa composição permitiu equilibrar perspectivas globais (como estratégias da OMS) e locais (como desafios específicos do Sistema Único de Saúde brasileiro).
3 RESULTADOS
Os resultados deste estudo demonstraram a implementação de práticas baseadas em evidências pela equipe de enfermagem impactou na redução de eventos adversos em pacientes hospitalizados. Os dados obtidos corroboram a hipótese inicial de que protocolos estruturados, comunicação interdisciplinar e educação continuada constituem os elementos para a melhoria da segurança do paciente, alinhando-se com as estatísticas da Organização Mundial da Saúde que estimam em 134 milhões os incidentes hospitalares anuais, sendo 40% evitáveis [4,7].
| N° | Título do Artigo | Autor(es)/Ano | Delineamento do Estudo | Fonte de Dados |
| E2 | (Estudo sobre erros em UTI) | Silva et al., 2022 | Estudo Quantitativo | Dados de unidades de terapia intensiva |
| E3 | (Estudo sobre prontuários eletrônicos) | Oliveira et al., 2021 | Estudo de Coorte | Dados de prontuários de pacientes |
| E4 | (Estudo sobre sobrecarga de trabalho) | Costa et al., 2019 | Estudo Transversal | Questionários e observação |
| E5 | (Estudo multicêntrico sobre liderança) | Aiken et al., 2022 | Estudo Multicêntrico | Dados de múltiplos hospitais |
| E8 | (Documento sobre custos hospitalares) | Brasil, 2022 | Relatório Governamental | Dados do sistema de saúde brasileiro |
| E9 | (Estudo sobre padronização de processos) | Garcia et al., 2023 | Estudo Quase-Experimental | Dados clínicos pré e pós-intervenção |
| E11 | (Estudo sobre tecnologia em saúde) | Martins et al., 2021 | Estudo Observacional | Dados de adoção tecnológica |
| E18 | (Estudo sobre protocolos de antissepsia) | Machado et al., 2023 | Ensaio Clínico | Dados de pacientes sob ventilação |
A análise identificou que os principais eventos adversos relacionados à assistência de enfermagem incluíram erros de medicação (25%), infecções hospitalares (30%), quedas (20%) e úlceras por pressão (20%). No contexto brasileiro, observou-se que 60% dos erros em unidades de terapia intensiva estavam associados a falhas na comunicação entre profissionais, reforçando a necessidade de estratégias estruturadas. Estes achados destacam a vulnerabilidade dos processos assistenciais e a urgência na implementação de medidas preventivas [8].
Conforme demonstrado pelos resultados, a utilização de checklists cirúrgicos reduziu em 30% as infecções pós-operatórias, enquanto a adoção de prontuários eletrônicos resultou na diminuição de 25% dos erros de medicação. A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) revelou-se importante com redução de 25% em erros de medicação quando implementada adequadamente, confirmando sua importância na organização do cuidado [9]
Verificou-se que falhas na transmissão de informações foram responsáveis por até 39% dos incidentes em UTIs. A utilização de ferramentas padronizadas como o SBAR (Situation-Background-Assessment-Recommendation) minimizou ambiguidades na comunicação, reduzindo os erros de transmissão de informações críticas. Unidades que implementaram esta ferramenta obtiveram melhora de 39% na precisão da comunicação, destacando o valor da padronização nos processos comunicacionais [10].
Ambientes com adequada supervisão reduziram em 20% a incidência de quedas e úlceras por pressão, com a implementação de checklists e auditorias regulares. Estes resultados reforçam o papel estratégico da liderança na criação de culturas organizacionais voltadas para a segurança [11].
Os programas de educação continuada em práticas como higienização das mãos e identificação correta de pacientes demonstraram potencial para diminuir infecções hospitalares em 45%. Abordagens baseadas em simulações realísticas reduziram em 28% a ocorrência de não conformidades relacionadas a técnicas assépticas. Contudo, a qualidade da capacitação profissional mostrou-se diretamente dependente da disponibilidade de recursos para educação permanente, fator ainda deficitário em regiões com escassez de investimentos [12,4].
A aplicação de tecnologias inovadoras mostrou contribuições para a segurança do paciente. Sistemas de código de barras para administração de medicamentos diminuíram em 50% os erros de dosagem, enquanto a integração de prontuários eletrônicos com sistemas de alerta para alergias otimizou a coleta de dados, reduzindo omissões críticas em 30%. Entretanto, a adoção destas tecnologias mostrou-se irregular em regiões com infraestrutura precária, com sistemas de código de barras sendo subutilizados em hospitais públicos brasileiros [13,24].
A sobrecarga de trabalho e o subdimensionamento de equipes persistiram como desafios críticos, impactando diretamente a segurança do paciente. Unidades com alta rotatividade de profissionais apresentaram taxas 35% maiores de erros de administração de medicamentos. O estresse ocupacional mostrou-se correlacionado com lapsos de atenção, com enfermeiros sob pressão emocional demonstrando maior probabilidade de cometer falhas na assistência [14].
A humanização do cuidado, integrada à SAE, mostrou resultados positivos na redução de eventos adversos. Unidades que incluíram a família no processo assistencial observaram redução de 30% em quedas de idosos hospitalizados. A abordagem centrada no paciente fortaleceu a adesão terapêutica e minimizou erros relacionados à despersonalização do cuidado[15,22].
A avaliação contínua de indicadores de qualidade permitiu identificar vulnerabilidades institucionais e direcionar intervenções específicas. A mensuração de taxas de infecção relacionada à assistência à saúde (IRAS) revelou que a padronização de protocolos de antissepsia reduziu em 45% a incidência de pneumonias associadas à ventilação mecânica. A transparência na notificação de erros facilitou a aprendizagem institucional e a correção de processos [16].
O estudo identificou limitações, incluindo a heterogeneidade na adoção de tecnologias entre diferentes instituições de saúde, que pode ter introduzido viés de seleção. A subnotificação de eventos adversos persistiu como desafio, potencialmente subestimando a verdadeira magnitude das não conformidades. A sobrecarga de trabalho, comum em contextos de subdimensionamento de equipes, pode ter confundido os resultados, uma vez que impacta diretamente a capacidade de adesão aos protocolos de segurança.
Em síntese, os resultados demonstram de forma consistente que a implementação de práticas baseadas em evidências pela equipe de enfermagem impacta na redução de eventos adversos, reforçando a importância de investimentos em protocolos estruturados, educação continuada e tecnologias de apoio à decisão clínica. Os achados sustentam a necessidade de abordagens multifatoriais que considerem aspectos técnicos, humanos e organizacionais para a promoção da segurança do paciente.
4 DISCUSSÃO
Os resultados deste estudo demonstram consistentemente que a implementação de práticas baseadas em evidências pela equipe de enfermagem está intrinsecamente relacionada à redução de eventos adversos em pacientes hospitalares. Esses achados corroboram a hipótese inicial de que protocolos estruturados, comunicação interdisciplinar efetiva e educação continuada constituem pilares fundamentais para a melhoria da segurança do paciente, conforme sustentado por evidências prévias [5, 17].
A análise dos dados revela que a implementação de checklists cirúrgicos resultou em redução de 30% nas infecções pós-operatórias, enquanto a utilização de prontuários eletrônicos diminuiu os erros de medicação em 25%. Esses resultados alinham-se diretamente com as metas globais da Organização Mundial da Saúde, que enfatizam a necessidade de reduzir incidentes hospitalares evitáveis, estimados em 134 milhões anualmente, com 40% sendo preveníveis. Tais dados reforçam a importância da adesão a protocolos baseados em evidências como estratégia na promoção da segurança do paciente [18].
A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) emergiu como elemento central na qualificação do cuidado, com redução de 25% em erros de medicação quando implementada adequadamente. Esses achados destacam o valor da padronização de processos assistenciais. A integração de tecnologias digitais, como prontuários eletrônicos com sistemas de alerta na otimização da coleta de dados, reduzindo omissões críticas em 30% [3,19].
No que concerne à comunicação interdisciplinar, os resultados confirmam que falhas na transmissão de informações foram responsáveis por até 39% dos incidentes em UTIs. A utilização de ferramentas padronizadas como o SBAR (Situation-Background-Assessment-Recommendation) minimizou ambiguidades na comunicação, reduzindo os erros de transmissão de informações críticas [9,10].
A liderança do enfermeiro mostrou-se determinante na gestão de riscos, com ambientes de supervisão adequada apresentando 20% menos incidentes como quedas e úlceras por pressão. Esses resultados destacam o papel fundamental da liderança na criação de culturas organizacionais voltadas para a segurança [20].
Os programas de educação continuada em práticas como higienização das mãos e identificação correta de pacientes demonstraram potencial para reduzir infecções hospitalares em 45%. Abordagens baseadas em simulações realísticas reduziram em 28% a ocorrência de não conformidades relacionadas a técnicas assépticas, evidenciando o impacto da capacitação profissional na segurança do paciente [7,21].
Contudo, persistem desafios como a sobrecarga de trabalho e o subdimensionamento de equipes, que impactam negativamente a adesão aos protocolos de segurança. Unidades com alta rotatividade de profissionais apresentaram taxas 35% maiores de erros de administração de medicamentos, especialmente em cenários de prontuários manuais [4,22]. Este cenário reforça a complexidade multifatorial das não conformidades na assistência, que abrangem desde falhas processuais até aspectos estruturais e psicossociais.
A aplicação de tecnologias inovadoras, como sistemas de código de barras para administração de medicamentos, diminuiu em 50% os erros de dosagem. Entretanto, a adoção dessas tecnologias mostrou-se irregular em regiões com infraestrutura precária, com sistemas de código de barras sendo subutilizados em hospitais públicos brasileiros [11]. Esta disparidade tecnológica representa importante barreira para a equidade na segurança do paciente.
Os aspectos psicossociais também demonstraram correlação com a ocorrência de eventos adversos. Enfermeiros sob pressão emocional apresentaram maior probabilidade de cometer lapsos na administração de medicamentos, reforçando a necessidade de programas de saúde mental. A Resolução COFEN nº 564/2017, ao enfatizar a necessidade de ambientes laborais que promovam bem-estar, busca mitigar esse cenário, embora sua implementação ainda seja incipiente em muitas instituições [12].
A humanização do cuidado, integrada à SAE, mostrou resultados positivos na redução de eventos adversos. A empatia fortalece a adesão terapêutica e minimiza erros relacionados à despersonalização do cuidado. Em unidades onde a família foi incluída no processo assistencial, conforme, observou-se redução de 30% em quedas de idosos, ilustrando como abordagens holísticas complementam protocolos técnicos [14,15].
A análise de indicadores de qualidade identificar padrões de não conformidades e direcionar intervenções [16]. A mensuração de taxas de infecção relacionada à assistência à saúde (IRAS) revelou que a padronização de protocolos de antissepsia reduz em 45% a incidência de pneumonias associadas à ventilação mecânica [22].
As limitações deste estudo incluem a heterogeneidade na adoção de tecnologias entre diferentes instituições de saúde, que pode ter introduzido viés de seleção, e a subnotificação de eventos adversos, que persiste como desafio na saúde. A sobrecarga de trabalho, comum em contextos de subdimensionamento de equipes, pode ter confundido os resultados, uma vez que impacta diretamente a capacidade de adesão aos protocolos de segurança.
Em termos de implicações práticas, os resultados reforçam a urgência de investimentos em infraestrutura tecnológica, especialmente em regiões com recursos limitados. Políticas públicas devem priorizar a adequação da relação profissional-paciente, conforme recomendado pela OMS, para mitigar os efeitos da sobrecarga de trabalho. Programas de educação continuada devem ser expandidos e integrados ao currículo permanente dos profissionais de enfermagem.
Para pesquisas futuras, sugere-se a investigação do impacto de tecnologias emergentes, como inteligência artificial para predição de complicações, na redução de não conformidades em contextos clínicos reais. Estudos em contextos de atenção primária e domiciliar são necessários para compreender as particularidades das não conformidades nesses settings. O desenvolvimento de métricas mais abrangentes que capturem variáveis psicossociais e culturais na avaliação da segurança do paciente é imperativo para uma abordagem holística.
5 CONCLUSÃO
Este estudo permitiu concluir que a implementação de práticas baseadas em evidências pela equipe de enfermagem está associada à redução de eventos adversos em pacientes hospitalizados. Os achados demonstram que a utilização de protocolos estruturados, como checklists cirúrgicos e prontuários eletrônicos, a melhoria da comunicação interdisciplinar com ferramentas padronizadas e o investimento em educação continuada foram determinantes para a diminuição de incidentes.
A análise confirmou que tais práticas resultaram em diminuições concretas nas taxas de erros de medicação, infecções, quedas e úlceras por pressão. No entanto, a efetividade dessas ações mostrou-se dependente de condições estruturais adequadas. A sobrecarga de trabalho, o subdimensionamento de equipes e a heterogeneidade na adoção de tecnologias entre diferentes instituições persistiam como barreiras para a plena implementação das estratégias.
Os resultados reforçam a importância de abordagens multifatoriais que integrem aspectos técnicos, humanos e organizacionais. A sustentabilidade das melhorias na segurança do paciente requer, portanto, não apenas a adoção de protocolos, mas também o enfrentamento de desafios operacionais e estruturais, alinhando a qualificação da assistência com as metas globais de saúde e a redução de custos hospitalares.
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gabriellybarros277@gmail.com
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2 https://orcid.org/0009-0009-7105-5803
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Universidade de Rio Verde
4 Universidade de Rio Verde
gregory20rocha@gmail.com
Orcid: 0009-0007-7984-2874
5 lair@unirv.edu.br
Fazenda Fontes do Saber s/ n Zona Rural
Mestre em Gerontologia
https://orcid.org/0000-0002-1101-8519
6 https://orcid.org/0000-0003-4548-4320
7 Graduanda em Enfermagem
Universidade de Rio verde -Unirv
kelencharles24@gmail.com
Orcid : 0009-0007-4656-6172
8 ORCID iD: 0009-0000-9390-4604
analidia@unirv.edu.br
Universidade de Rio Verde
9 Doutoranda Unievangelica Rio verde
acpenfer@hmail.com
Orcidhttps://orcid.org/0009-0001-6318-3532
10 Graduanda em Enfermagem
Universidade de Rio verde -Unirv
brunaluizaddutra@gmail.com
https://orcid.org/0009-0003-0398-8456
