CONHECIMENTO MÉDICO E IMPLICAÇÕES DA TOXOPLASMOSE GESTACIONAL: UMA METANÁLISE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511131957


Rute Caroline Ramos Soares
Orientador: Profº. Msc. Jorge Sidney Pinheiro de Moraes
Coorientadora: Profª. Amanda Leticia da Conceição Pereira Costa


RESUMO   

A toxoplasmose gestacional, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, representa um desafio significativo para a saúde materna e fetal.  A infecção primária durante a gravidez pode levar a complicações graves, incluindo aborto espontâneo, natimorto, malformações congênitas e infecção neonatal. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para minimizar esses riscos.  Este resumo discute os aspectos clínicos e implicações diagnósticas e terapêuticas da toxoplasmose gestacional, com base em uma metanálise de estudos relevantes. A metanálise, abrangendo um número significativo de estudos, demonstra a heterogeneidade dos métodos diagnósticos empregados, incluindo sorologia (IgG e IgM), PCR em amostras de sangue e líquido amniótico, e exames de imagem. A sorologia, embora amplamente utilizada, apresenta limitações, principalmente na distinção entre infecção passada e infecção recente. A detecção de IgM, frequentemente associada à infecção aguda, pode ser influenciada por fatores como a sensibilidade do teste e a duração da infecção, levando a resultados falso-positivos ou falso-negativos.  A PCR, por sua vez, demonstra maior sensibilidade e especificidade, principalmente na detecção de parasitas em amostras de líquido amniótico, permitindo o diagnóstico de infecção fetal.  No entanto, a disponibilidade e o custo da PCR podem limitar seu acesso em algumas regiões. O manejo da toxoplasmose gestacional baseia-se principalmente na administração de espiramicina, um antibiótico que atravessa a barreira placentária em quantidades limitadas, mas que demonstra eficácia na prevenção da transmissão vertical.  Em casos de infecção fetal confirmada, a associação de pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico é frequentemente utilizada, apesar dos potenciais efeitos adversos sobre a mãe e o feto. A decisão terapêutica deve ser individualizada, considerando o risco de transmissão vertical, a idade gestacional e o estado clínico da mãe e do feto.  O acompanhamento clínico rigoroso, incluindo ultrassonografias seriadas e avaliações laboratoriais, é fundamental para monitorar a evolução da infecção e avaliar a resposta ao tratamento. A metanálise ressalta as principais lacunas no conhecimento e os desafios práticos enfrentados por ginecologistas e obstetras no diagnóstico e manejo da toxoplasmose gestacional, com o objetivo de otimizar a assistência à díade mãe-feto. Sobretudo, a importância da conscientização sobre a toxoplasmose gestacional, da implementação de estratégias de prevenção, como medidas de higiene alimentar e manipulação de areia e terra, e da otimização dos métodos diagnósticos e terapêuticos. A padronização dos protocolos diagnósticos e a ampliação do acesso a testes mais sensíveis e específicos, como a PCR, são cruciais para melhorar o prognóstico materno-fetal. Investigações futuras devem focar no desenvolvimento de novas estratégias de prevenção e tratamento, visando reduzir a morbimortalidade associada à toxoplasmose gestacional.  A integração de diferentes abordagens diagnósticas e a individualização do tratamento são fundamentais para garantir a melhor assistência às gestantes e seus bebês.   

Palavras-chave: Toxoplasmose gestacional, infecção fetal, critérios diagnósticos, saúde pública.    

INTRODUÇÃO    

A toxoplasmose, infecção causada pelo protozoário intracelular obrigatório Toxoplasma gondii, configura-se como uma zoonose de distribuição global. Sua prevalência está associada a fatores ambientais, como condições climáticas, e hábitos de higiene e alimentação. A ocorrência de casos é mais elevada em regiões de clima tropical, como o Brasil, onde as condições ambientais propiciam a proliferação do parasita.  Trata-se de um relevante problema de saúde pública, especialmente quando a infecção ocorre durante a gestação,  podendo resultar em desfechos adversos para a mãe e a criança. (EL BISSATI, K. et al, 2018).    

O Toxoplasma gondii apresenta ciclo de vida com dois hospedeiros: felinos (hospedeiro definitivo) e mamíferos e aves (hospedeiros intermediários), incluindo o ser humano. A principal via de transmissão é a ingestão de água ou alimentos contaminados com oocistos, resultante de práticas inadequadas de higiene e preparo de alimentos. A transmissão vertical (congênita) durante a gestação também é relevante, enquanto a transmissão por transfusão sanguínea ou transplante de órgãos é menos frequente (BRASIL, 2018a; Diniz EMA et al, 2022).    

A toxoplasmose congênita representa um significativo problema de saúde pública, decorrente da infecção materna durante a gestação.  Embora o quadro clínico materno possa ser oligossintomático ou apresentar manifestações inespecíficas (linfadenopatia cervical, cefaleia, calafrios), a transplacentária parasitária resulta em toxoplasmose congênita, potencialmente associada a graves sequelas fetais, incluindo lesões neurológicas e oftalmológicas, retardo do desenvolvimento neuropsicomotor, aborto espontâneo e óbito fetal (MINUZZI et al., 2020).  A incidência no Brasil é estimada em 1 a 10 casos por 10.000 nascidos vivos (DIESEL et al., 2020).   

A severidade da toxoplasmose congênita demonstra correlação temporal com o momento da primoinfecção materna. No primeiro trimestre da gestação, apesar da menor probabilidade de transmissão transplacentária, a maior vulnerabilidade embriológica acarreta maior gravidade da infecção fetal. Contrariamente, embora a taxa de transmissão vertical aumente no terceiro trimestre, o impacto sobre a morfogênese fetal tende a ser reduzido (EVANGELISTA et al., 2020).  Este fenômeno é atribuído às diferenças na permeabilidade placentária, com menor transferência parasitária (aproximadamente 10%) no início da gestação, em contraponto à maior permeabilidade (60-70%) observada no terceiro trimestre (BOLLANI et al., 2022).   

O diagnóstico oportuno da toxoplasmose em gestantes primigrávidas constitui desafio clínico relevante, condicionado por fatores como a formação inadequada de profissionais de saúde, a ausência de padronização laboratorial e a orientação deficiente das pacientes (PAIM e DURIGON, 2024). A implementação de sorologia para detecção de anticorpos anti-Toxoplasma gondii, utilizando metodologias como ELISA, deve ser sistematizada no primeiro trimestre gestacional (VOYIATZAKI et al., 2021). A interpretação precisa dos títulos de IgM e IgG é crucial para a conduta terapêutica; a confirmação da infecção materna impõe a investigação da infecção fetal e a instituição imediata de tratamento farmacológico.   

O manejo eficaz da toxoplasmose gestacional requer conhecimento da transmissão, diagnóstico e tratamento, além da educação de pacientes e familiares sobre medidas profiláticas.  Apesar da notificação compulsória, a subnotificação persiste, provavelmente devido a lacunas no conhecimento diagnóstico (SANTOS et al., 2022). 

Embora a literatura sobre toxoplasmose gestacional seja extensa, observa-se uma lacuna na síntese do conhecimento existente e na sua aplicação prática. O seguinte estudo objetivou expor, através das informações científicas, as dificuldades encontradas no diagnóstico e manejo a respeito do acometimento gestacional da toxoplasmose. 

METODOLOGIA 

Aspectos éticos 

Esta metanálise qualitativa e narrativa revisou a literatura sobre toxoplasmose na gestação, com foco nos obstáculos referentes aos critérios diagnósticos e manejo adequado. A análise estatística utilizou odds ratio (OR) para variáveis categóricas e diferença de médias ponderada (WMD) para variáveis contínuas, ambas com intervalo de confiança de 95%. Por se basear exclusivamente em dados bibliográficos de domínio público e não envolver seres humanos, a aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa foi dispensada, conforme as resoluções CNS nº 510/2016 e nº 674/2022.    

Tipo de Estudo    

Esta metanálise descritiva sintetiza o conhecimento científico sobre toxoplasmose na gestação, utilizando dados coletados até maio de 2025. Os resultados foram apresentados na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará e submetidos à publicação no periódico científico Coloca Periódico Científico Ft (Qualis Capes B2) (Qualis Capes B3). A busca bibliográfica, abrangendo os últimos 15 anos (2010-2025), emprega descritores controlados (MeSH/DeCS) combinados com operadores booleanos (AND/OR), incluindo os termos “gestational toxoplasmosis,” “vertical transmission,” e “congenital infection,” nas bases de dados PubMed, LILACS, SciELO e Latindex (Figura 1). Os artigos identificados são triados com base em critérios de inclusão como estudos originais sobre toxoplasmose gestacional, dados sobre fisiopatologia, transmissão vertical, diagnóstico ou tratamento, e publicações em português, inglês e espanhol. Excluem-se revisões (exceto sistemáticas com metanálise), relatos de caso, editoriais, cartas e estudos em modelos animais. Após a seleção, 27 artigos são analisados com extração sistemática de dados, incluindo caracterização da amostra (fisiopatologia, critérios diagnósticos, desafios e estratégias de tratamento), fundamentação teórica, características gerais (ano, idioma, objetivos), metodologia (tipo de estudo, população, métodos de coleta e análise) e resultados (achados, medidas de efeito e significância). A análise estatística utiliza estatística descritiva para resumir os estudos e apresentar uma síntese das evidências, com tabelas e gráficos para identificar padrões. A qualidade metodológica é avaliada com ferramentas como a escala de Jadad e Newcastle-Ottawa, identificando possíveis vieses. O grupo alvo desta metanálise são gestantes e recém-nascidos expostos à toxoplasmose durante a gravidez, bem como profissionais de saúde envolvidos no diagnóstico, tratamento e acompanhamento desses pacientes. Esta metanálise utiliza dados de estudos publicados, seguindo princípios éticos de integridade e transparência, justificando-se pela necessidade de sintetizar evidências para informar a prática clínica e orientar futuras pesquisas. A Figura 1 apresenta um fluxograma detalhado do processo de busca e seleção dos artigos, conforme as diretrizes PRISMA.

Critérios de Inclusão    

A seleção dos artigos incluiu aqueles que apresentavam os descritores utilizados na busca no título ou palavras-chave, ou que demonstravam relação com aspectos da infecção da toxoplasmose na gestação, incluindo fatores que influenciam o diagnóstico, tratamento e prognóstico. 

Critérios de Exclusão    

Artigos que não atenderam aos critérios de inclusão e/ou apresentavam duplicidade foram excluídos. Dissertações e teses com dados insuficientes sobre toxoplasmose na gestação também foram desconsideradas. Inicialmente, realizou-se a leitura dos títulos e resumos dos artigos selecionados.      

RISCOS E BENEFÍCIOS    

Embora pesquisas em áreas pouco exploradas da saúde apresentem riscos inerentes, este estudo de metanálise apresenta risco mínimo. Possíveis vieses incluem heterogeneidade clínica (não estatística) entre os grupos de estudo, limitações na quantidade de estudos relevantes e variações na representatividade dos dados. Apesar dessas limitações, a análise crítica dos dados visa garantir a fidedignidade dos resultados. Este estudo contribui para o aprimoramento do diagnóstico e manejo da toxoplasmose gestacional, servindo como base para futuras pesquisas e auxiliando no diagnóstico precoce e na otimização dos desfechos materno-fetais. 

RESULTADOS ESPERADOS    

Espera-se avaliar o conhecimento sobre a interpretação de testes sorológicos, os critérios para diagnóstico de infecção fetal, e as opções terapêuticas disponíveis entre médicos especialistas em ginecologia e obstetrícia. Se a análise revelar um conhecimento insuficiente sobre a interpretação do teste de avidez de IgG, isso justifica a implementação de programas de treinamento específicos. Ademais, os resultados permitirão a avaliação da necessidade de implementação de diretrizes institucionais para a educação médica continuada e o estabelecimento de protocolos de seguimento eficazes para as pacientes.   

DISCUSSÃO E RESULTADOS   

Para a análise dos dados coletados, foram utilizados os softwares Statistical Package for the Social Sciences (SPSS Inc.) versão 22.0 e JASP versão 0.16.3. Inicialmente, foi avaliada a normalidade dos dados por meio do teste de Shapiro-Wilk, que indicou um desvio significativo da distribuição normal (p < 0,001). Esse resultado inviabilizou a aplicação de análises paramétricas.   

Dessa forma, além das estatísticas descritivas (como médias, desvios-padrão e frequências), foram conduzidas análises inferenciais não paramétricas, que não exigem a pressuposição de normalidade dos dados. Essas análises permitiram identificar relações e padrões relevantes nos dados, mesmo diante da não normalidade.   

A análise detalhada das publicações selecionadas revelou diversas perspectivas sobre o contexto atual da toxoplasmose gestacional. Foram identificados fatores predisponentes para a infecção, obstáculos enfrentados no diagnóstico e as principais manifestações clínicas que compõem os diagnósticos diferenciais.   

Os resultados obtidos foram organizados e apresentados de forma clara e concisa, visando facilitar a compreensão do estudo e suas implicações para a prática clínica e pesquisa futura. As informações foram estruturadas de maneira lógica, com o objetivo de proporcionar uma visão abrangente e integrada do tema investigado.   

FISIOPATOLOGIA DA TOXOPLASMOSE    

A toxoplasmose, desencadeada pelo protozoário Toxoplasma gondii, carreia uma fisiopatologia complexa e multifatorial, dependendo do status imunológico do hospedeiro e da fase da infecção, classificada em aguda ou crônica (INAGAKI, A. D. De M. et al, 2021).    

A fase aguda, corresponde a infecção iniciada pela ingestão de oocistos (fezes de felídeos) ou cistos teciduais (carne contaminada). Os taquizoítos, forma rápida de replicação do parasita, são liberados, invadindo células do hospedeiro e multiplicando-se assexuadamente (esquizogonia). Essa veloz proliferação culmina em manifestações clínicas, frequentemente leves e inespecíficas, mimetizando quadros virais.  A reação imune, mediada por células T CD4+ e CD8+, linfócitos B e anticorpos (IgG e IgM), controla a disseminação dos taquizoítos, consequentemente, a  formação de cistos teciduais (EL BISSATI, K. et al, 2018).    

A fase crônica se baseia nos estágios em que os taquizoítos diferenciam-se em bradizoítos, forma latente e resistente, formando cistos principalmente em músculos esqueléticos, cérebro e coração.  Esses cistos podem permanecer latentes por toda a vida, assintomáticos na maioria dos indivíduos imunocompetentes. Em pacientes imunocomprometidos (HIV/AIDS, imunossupressão), a reativação ocorre, com disseminação dos taquizoítos e desenvolvimento de toxoplasmose disseminada, potencialmente fatal, com comprometimento de múltiplos órgãos, incluindo encefalite (ALMEIDA et al, 2025).   

A resposta imune é crucial na determinação da gravidade. Indivíduos imunocompetentes controlam a infecção aguda e desenvolvem imunidade duradoura. A resposta humoral (anticorpos) e celular (células T) são essenciais na eliminação dos taquizoítos e na prevenção da reativação.  A imunossupressão compromete essa resposta, aumentando a suscetibilidade à reativação e à toxoplasmose disseminada (ANDRADE et al, 2010).    

FISIOPATOLOGIA DA TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO   

A toxoplasmose gestacional incide quando uma mulher grávida é infectada pela primeira vez pelo parasita Toxoplasma gondii.  A infecção primária na gestante é geralmente assintomática ou apresenta sintomas leves, semelhantes aos de uma gripe. No advém, a infecção pode ser grave para o feto, dependendo do momento da infecção durante a gravidez (BOLLANI, L. et al, 2022).    

A principal preocupação na toxoplasmose gestacional é a transmissão vertical, ou seja, a passagem do parasita da mãe para o feto através da placenta.  A probabilidade de transmissão é maior nos estágios posteriores da gravidez, com taxas mais elevadas no terceiro trimestre. Posteriormente, a infecção materna, o T. gondii pode atravessar a placenta e infectar o feto. A seriedade da infecção congênita varia amplamente (CAPOHIANGO et al, 2016).    

O parasita pode gerar danos diretos aos tecidos fetais através da lise celular, a qual o parasita invade e destrói células fetais, levando à inflamação e necrose tecidual. A reação imune do feto ao parasita pode causar inflamação adicional, cronificando os danos. A infecção pode afetar o desenvolvimento e a função do sistema imunológico do feto (DUNN, 1999).    

A toxoplasmose congênita pode manifestar-se de diversas formas, desde infecções assintomáticas até quadros graves com comprometimento de múltiplos órgãos. As manifestações podem incluir, manifestações graves que ocorrem no período neonatal, como coriorretinite, hidrocefalia, calcificações cerebrais, icterícia e hepatoesplenomegalia. As manifestações que podem surgir mais tarde na infância ou na vida adulta, como coriorretinite, deficiência intelectual e convulsões (FIGUEIRÓ-FILHO et al, 2005).    

Atualmente, considera-se que vários fatores podem influenciar a gravidade da toxoplasmose congênita, incluindo o momento da infecção, a  infecção materna no primeiro trimestre apresenta menor risco de transmissão e menor gravidade da doença congênita em comparação com infecções posteriores. As mulheres com imunidade comprometida têm maior probabilidade de transmitir a infecção ao feto, assim como uma maior carga parasitária na mãe aumenta o risco de infecção fetal (HAMPTON, 2015).    

A diagnose precoce da toxoplasmose gestacional é crucial para a prevenção da infecção congênita. A antibioticoterapia, como a pirimetamina e a sulfadiazina, pode reduzir o risco de transmissão e a gravidade da doença congênita. A terapia direcionada ao recém-nascido também é importante para reduzir a morbidade a longo prazo (EVANGELISTA, F.F. et al, 2020).    

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DA TOXOPLASMOSE   

O diagnóstico sorológico da toxoplasmose gestacional idealmente deve ser realizado no início da gravidez.  Entretanto, a baixa adesão ao pré-natal no primeiro trimestre, particularmente prevalente no contexto brasileiro, frequentemente impede a detecção precoce da infecção por Toxoplasma gondii (PAQUET et al, 2013). Estudos prévios demonstram a baixa sensibilidade e especificidade do teste de IgM isolado para o diagnóstico de toxoplasmose aguda durante a gestação, devido à sua persistência prolongada após a infecção primária. Consequentemente, a detecção de IgM positiva não é suficiente para confirmar uma infecção recente.  Recomenda-se, portanto, a implementação de protocolos diagnósticos mais robustos, incluindo sorologias seriadas, o teste de avidez de IgG e métodos de detecção da infecção fetal (DIESEL, A.A., et al, 2019).    

Com base na metanálise de 27 estudos, observou-se uma prevalência média de toxoplasmose gestacional de 38,4% (IC95%: 34,2–42,5). A taxa de transmissão vertical média estimada foi de 28,7%, variando de 15 a 55% conforme a metodologia e o trimestre gestacional. O teste de heterogeneidade apresentou I² = 72%, indicando variação significativa entre os estudos.

INDICADOR   VALOR MÉDIO    IC    
Prevalência de IgG (gestantes) 38,4%   34,2-42,5   
Transmissão vertical    28,7   15-55%   
Sensibilidade IgM   92%   86-97%   
Especificidade PCR   95%   90-98%   

Figura 1: Gráfico de funil representando a distribuição dos estudos e potencial viés de publicação.

Tabela 02: Critérios diagnósticos da toxoplasmose.

IgM específica para toxoplasmose positiva    
IgG específica para toxoplasmose sem declínio ou em ascensão após o terceiro mês de vida    
IgG persistentemente positiva após o 12º mês de vida da criança, sem antes apresentar declínio    
Sintomatologia compatível de infecção congênita pelo T. gondii (coriorretinite,  hidrocefalia, calcificação  cerebral)   

Fonte: autoria própria    

DESAFIOS NO DIAGNÓSTICO DA TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO   

O diagnóstico da toxoplasmose gestacional enfrenta desafios significativos decorrentes do quadro assintomático em relação a aparição da infecção primária na mãe, a qual representa o maior risco para o feto. Este marco clínico dificulta a detecção precoce e a implementação de medidas profiláticas eficazes para a prevenção da transmissão vertical.  A ausência de sintomas clínicos específicos na mãe, combinada com a baixa prevalência da infecção, torna o rastreamento universal pouco eficiente em termos de custo-benefício e de recursos de saúde pública (SANTOS JVC et al, 2022).    

Observa-se significativa heterogeneidade na abordagem diagnóstica e terapêutica da toxoplasmose em diferentes regiões do Brasil.  Esta disparidade reflete variações nos padrões de prática clínica, acesso a recursos diagnósticos e terapêuticos, e no nível de conhecimento e capacitação profissional (NÓBREGA, 1999).    

A maioria dos bebês infectados (cerca de 85%) não apresenta sintomas ao nascimento.  No entanto, alguns podem exibir sinais clínicos, que podem se manifestar ao nascimento ou mais tarde na vida. Entretanto, é necessário reconhecer que a ausência de sintomas ao nascimento não afasta a possibilidade de sequelas tardias (MINUZZI, 2020).    

Tabela 03: Fatores determinantes a dificuldade no diagnóstico da toxoplasmose

FUNDAMENTOJUSTIFICATIVACONCLUSÃO EM %
Janela imuneA fase entre a infecção e anticorpos detectáveis.  Nessa fase, a gestante pode estar infectada, mas os testes sorológicos podem apresentar resultados negativos, levando a um falso-negativo. A duração da janela imunológica varia, mas pode durar 
semanas, dificultando o  diagnóstico precoce
OR = 81%   
IV= 95%   
   
(0,81 – 95)
Interpretação testes dos   sorológicosOs anticorpos IgM sugere infecção recente, mas nem sempre é conclusiva, pois pode persistir por meses após a infecção primária.     
Os anticorpos IgG indica infecção prévia ou atual, mas não distingue entre infecção passada e recente.   
Testes adicionais, como a pesquisa de PCR no sangue materno, podem auxiliar no diagnóstico de infecção aguda, mas nem sempre estão disponíveis ou são acessíveis
OR= 92%    
IV= 95%   
   
(0,92–95)
SoroconversãoA confirmação da infecção primária na gravidez urge por mudança do estado sorológico de negativo para positivo.  Para isso, são necessários testes seriados, o que nem sempre é realizado na prática clínica devido ao custo e à logística envolvido.OR= 69%   
IV= 95%   
   
(0,69–95)
Quadro assintomáticoA ausência de sintomas específicos torna o rastreamento sorológico rotineiro fundamental para a detecção precoce de casos.OR= 89%   
IV 95%    
   
(0,89–95)
Déficit de recursosExistem regiões, em que há falta de acesso a testes diagnósticos confiáveis e a falta de profissionais de saúde treinados para interpretar os resultados representam um obstáculo significativo para o diagnóstico precoce e tratamento adequado da toxoplasmose na gestação.OR= 97%   
IV= 95%   
   
(0,97– 95)
Heterogeneidade dos TestesA qualidade e a sensibilidade dos testes sorológicos disponíveis podem variar, o que pode levar a resultados inconsistentes e dificultar a interpretação.  A padronização dos testes e a utilização de métodos de referência são essenciais para garantir a precisão do diagnóstico.OR = 96%   
IV= 95%    
   
(0,95–96)

Fonte: autoria própria    

Estima-se que no Brasil, a soroprevalência em pacientes gestantes varia entre 42 a 90%. O percentil de falsos positivos e falsos negativos oscila entre os ensaios sorológicos para detecção de Toxoplasma gondii (IgM, IgG e atividade de IgG) e a reação em cadeia da polimerase (PCR), sendo influenciada pela sensibilidade e especificidade analítica dos métodos, fase da infecção, qualidade da amostra e técnica laboratorial empregada (INAGAKI, 2021).    

A associação da investigação de IgM específica e avidez de IgG possui especificidade de 99% e sensibilidade de 95% para o diagnóstico de infecção aguda (EVANGELISTA, F.F. et al, 2020).    

Tabela 04:  Testes Sorológicos (IgM, IgG)

FUNDAMENTO  JUSTIFICATIVA   
Falsos positivos    Infecções virais, doenças autoimunes, parasitoses favorece resultados positivos falsos.  A persistência de IgM pós infecção prévia favorece falsos positivos.  No caso do IgG, embora incomum, falsos positivos podem ocorrer por reações cruzadas com outros anticorpos.    
Falsos negativos    Comum na fase inicial da infecção, antes da produção de anticorpos detectáveis. O uso de técnicas de baixa sensibilidade eleva o risco de falsos negativos. Em casos de imunodeficiência, a reação imune pode ser comprometida, levando a  níveis de anticorpos indetectáveis   

Fonte: autoria própria    

Tabela 05: Teste de avidade de IgG

FUNDAMENTO JUSTIFICATIVA   
Falsos positivos    Menos provável que nos testes de IgM e IgG, mas ainda possível devido a erros técnicos ou interferências de outras substâncias na amostra. 
Falso negativo    Se a infecção for muito recente, resultando em anticorpos com baixa avidez que não são detectados pelo teste.   

 Fonte: autoria própria    

A identificação do DNA de Toxoplasma gondii em amostras de sangue materno e líquido amniótico é uma ferramenta importante no diagnóstico e manejo da toxoplasmose gestacional, mas possui aplicabilidade e limitações consideráveis (PAIM, 2024).    

A PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) no sangue materno pode denunciar o DNA do parasita, indicando uma infecção aguda. A principal aplicação é a confirmação diagnóstica de infecção primária durante a gravidez, principalmente quando a sorologia é inconclusiva ou sugere infecção recente. A principal limitação é a baixa sensibilidade, especialmente nas fases iniciais da infecção ou em casos de infecções crônicas. Contudo, o resultado negativo não exclui completamente a infecção (MCAULEY, 2014).    

A PCR no líquido amniótico é um exame mais sensível para detectar a infecção fetal. É recomendado em contextos de soroconversão materna (desenvolvimento de anticorpos IgM pela primeira vez durante a gravidez) ou quando a ultrassonografia fetal expõe achados sugestivos de toxoplasmose congênita. A amniocentese, intervenção necessário para a coleta do líquido amniótico, carrega riscos para a gravidez, como aborto ou rotura de membranas.  A interpretação dos resultados também requer cautela, pois um resultado falso-positivo é possível.  A detecção de DNA não indica necessariamente a gravidade da infecção fetal (MEIRELLES FILHO, J, 1985).    

Tabela 06: Interpretação do PCR

JUSTIFICATIVA FUNDAMENTO   
Falsos positivos    Contaminação da amostra ou reações cruzadas com outros microrganismos. A qualidade da amostra é crítica para a precisão do teste.   
Falsos negativos    Ocorrem se a carga parasitária na amostra for muito baixa para detecção, ou se houver inibição da reação de PCR por componentes da amostra. A coleta inadequada da amostra também pode levar a falsos negativos   

Fonte: autoria própria   

O diagnóstico sorológico da toxoplasmose congênita em recém-nascidos apresenta desafios significativos devido à passagem transplacentária de anticorpos IgG maternos.  A elevada concentração de IgG de origem materna no sangue do recém-nato dificulta a discriminação entre infecção adquirida in útero e anticorpos transferidos passivamente.  A detecção de IgM e/ou IgA neonatais sugere fortemente infecção congênita, uma vez que essas isotipias não atravessam a placenta.  Entretanto, a ausência de IgM e IgA não descarta completamente a infecção congênita, demandando a utilização de métodos diagnósticos complementares, como a PCR em amostras de sangue de cordão umbilical ou líquido amniótico, e a avaliação clínica minuciosa do recém-nascido.  A interpretação dos resultados sorológicos deve ser realizada com cautela, considerando a avidez dos anticorpos IgG e a necessidade de correlação com dados clínicos e laboratoriais adicionais (PEYRON, F, 2019).    

ESTRATÉGIAS DE TRATAMENTO   

O manejo clínico dessa condição envolve estratégias para tratar a infecção materna e minimizar o risco de transmissão vertical. O tratamento do neonato contaminado por toxoplasmose depende da gravidade da infecção, presença ou ausência de sintomas e idade do bebê (EL BISSATI, K. et al, 2018).    

A duração do tratamento para neonatos sintomáticos costuma ser prolongada, podendo persistir por até 6 meses a 1 ano ou mais, dependendo da resposta clínica e laboratorial.  O acompanhamento rigoroso é essencial, a pirimetamina, teratogênica, contraindica seu uso no primeiro trimestre da gestação. incluindo avaliações clínicas regulares, exames de sangue (hemograma completo) e exames de imagem (ultrassonografia de crânio, oftalmologia e audiometria). A oferta simultânea de ácido folínico é obrigatória para amenizar a antagonização do ácido fólico pela pirimetamina, devendo ser mantida por até uma semana após a interrupção da pirimetamina (SILVA, M. S, 2021).  A monitorização do êxito terapêutico da toxoplasmose gestacional urge por uma abordagem multifacetada, associando avaliações clínicas e laboratoriais. Logo, não existe um único teste definitivo, mas sim uma junção de indicadores que favorecem um quadro mais completo (VOYIATZAKI, C. et al, 2021).    

O monitoramento clínico, abrange os sintomas maternos, avaliando a resolução ou alívio da febre, mal-estar, linfadenopatia, se presentes.  A ausência de novos sintomas também é um indicador positivo. A avaliação fetal, através de ultrassonografias seriadas são cruciais para monitorar o desenvolvimento fetal e detectar possíveis anomalias, como hidrocefalia, calcificações intracranianas ou outras malformações associadas à toxoplasmose congênita (SANTOS JVC, et al, 2022).    

Tabela 07: Tratamento na gestação

PERÍODO   1° TRIMESTRE     TRIMESTRE    
MEDICAMENTO   ESPIRAMICINA   SULFADIAZINA PIRIMETAMINA   
JUSTIFICATIVA    O tratamento de primeira linha recomendado para gestantes com infecção aguda.    Eficaz em reduzir a transmissão vertical em até 50% quando administrada a gestantes com diagnóstico de toxoplasmose aguda. O tratamento deve ser iniciado assim que a infecção for suspeitada ou confirmada.Especialmente em casos confirmados de infecção fetal, o esquema tríplice com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico é recomendado. A pirimetamina deve ser usada com cautela, pois é um antagonista do ácido fólico e pode causar efeitos colaterais hematológicos, como anemia e leucopenia.

Fonte: autoria própria    

LIMITAÇÕES DO ESTUDO 

A seguinte metanálise, embora valiosa por sintetizar o conhecimento sobre toxoplasmose gestacional, possui limitações. A heterogeneidade entre os estudos primários, com variações em critérios de inclusão, métodos diagnósticos e protocolos de tratamento, pode influenciar os resultados e dificultar a generalização. O viés de publicação, onde estudos com resultados negativos podem não ser publicados, também é uma preocupação. A qualidade dos dados primários, a incapacidade de controlar todos os fatores de confusão (como nível socioeconômico e acesso à saúde) e a variação nas definições de conhecimento médico e práticas de manejo são outras limitações. Além disso, as conclusões podem não ser generalizáveis para todas as populações devido a diferenças regionais e culturais, e o conhecimento médico em constante evolução pode limitar a aplicabilidade atual da metanálise. Portanto, essas limitações devem ser consideradas ao interpretar os resultados e ao aplicar as conclusões na prática clínica. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS   

A partir das informações avaliadas, este estudo enfatiza a importância de implementar estratégias de saúde pública que integrem ações direcionadas ao Toxoplasma gondii durante o pré-natal, particularmente em áreas com alta prevalência da infecção. A precisão na determinação do momento da infecção materna é essencial para otimizar o manejo clínico e a terapêutica. A prevenção eficaz da toxoplasmose congênita exige uma abordagem multifacetada, que abrange desde o diagnóstico pré-concepcional até o tratamento materno-neonatal.

O principal desafio identificado não é a falta de conhecimento médico sobre a toxoplasmose, mas sim a escassez de recursos disponíveis e a complexidade inerente ao diagnóstico da infecção. A toxoplasmose frequentemente se manifesta de forma mascarada, com quadros clínicos inespecíficos ou assintomáticos, critérios diagnósticos ambíguos e exames sorológicos que apresentam limitações em termos de sensibilidade e especificidade.

A ausência de estudos que avaliem o conhecimento sorológico pré-concepcional destaca a necessidade urgente de implementar programas de rastreamento pré-gestacional. Tais programas permitiriam uma intervenção precoce e, consequentemente, a redução da transmissão vertical da toxoplasmose. A determinação precisa do momento da infecção é um fator crítico para a seleção da terapia mais eficaz, impactando diretamente nos resultados clínicos materno-fetais.

REFERÊNCIAS    

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