POSTOPERATIVE COMPLICATIONS IN ABDOMINAL EMERGENCY SURGERIES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202503111742
Romulo Maia Martins1
Renato Melo Brazão Pinheiro Borges2
Raimundo Dantas de Maria Júnior3
RESUMO
As complicações pós-operatórias em cirurgias de emergência abdominal representam desafios significativos tanto para os profissionais de saúde quanto para os pacientes, com fatores como idade avançada, comorbidades e condições pré-existentes, como doenças pulmonares crônicas, aumentando o risco de complicações. A identificação precoce desses fatores de risco é crucial para a implementação de estratégias preventivas adequadas, permitindo intervenções eficazes e minimizando o impacto das complicações. A adesão a protocolos de recuperação aprimorada após a cirurgia (ERAS), que incluem práticas como controle da dor, nutrição precoce e mobilização precoce, tem mostrado resultados positivos na redução das complicações, como infecções e problemas respiratórios, além de acelerar a recuperação. A personalização do cuidado pós-operatório, com monitoramento contínuo dos fatores de risco e ajustes nas intervenções conforme a necessidade de cada paciente, é essencial para garantir uma recuperação mais rápida e eficaz. A colaboração de uma equipe multidisciplinar também se revela fundamental para otimizar o atendimento e reduzir os riscos, pois ela possibilita uma abordagem holística das necessidades do paciente, desde o controle da dor até a nutrição e fisioterapia respiratória. O foco das pesquisas futuras deve estar no aprimoramento de estratégias de cuidados personalizados, incluindo o uso de tecnologias avançadas, como monitoramento remoto e inteligência artificial, para a detecção precoce de complicações e a personalização do tratamento. A evolução desses protocolos e o desenvolvimento de novas abordagens têm o potencial de melhorar a eficiência, a segurança e a qualidade do atendimento pós-operatório.
Palavras-chave: complicações pós-operatórias, cirurgias de emergência abdominal.
1 INTRODUÇÃO
A cirurgia de emergência abdominal é um procedimento essencial em situações críticas, frequentemente realizado em pacientes com condições que ameaçam a vida, como traumas, infecções intra-abdominais ou obstruções intestinais. A gravidade dessas condições exige uma resposta rápida e eficaz dos profissionais de saúde. No entanto, apesar de sua importância, essas intervenções estão frequentemente associadas a complicações pós-operatórias que podem agravar o estado de saúde do paciente, impactando significativamente o prognóstico e a recuperação. Além disso, a literatura científica revela que essas complicações não ocorrem de maneira uniforme, sendo amplamente influenciadas por uma série de fatores predisponentes, como comorbidades, idade, obesidade e até mesmo características individuais dos pacientes (Kassahun et al., 2022; Tolstrup et al., 2023).
Os pacientes mais velhos, por exemplo, enfrentam maior risco de complicações devido a alterações fisiológicas relacionadas ao envelhecimento, como a diminuição da capacidade de resposta imunológica e a resistência reduzida a infecções. Comorbidades como diabetes mellitus, hipertensão e doenças cardiovasculares também desempenham um papel significativo, uma vez que essas condições podem complicar a cicatrização das feridas, aumentar o risco de infecções e prejudicar a função de órgãos vitais (Fabbian et al., 2021). O impacto da obesidade também não deve ser subestimado, pois a gordura abdominal excessiva pode dificultar o acesso cirúrgico e afetar negativamente a recuperação, elevando a incidência de complicações como a deiscência de ferida ou infecções.
Ademais, a própria natureza da cirurgia de emergência abdominal, com a necessidade de realizar procedimentos rápidos e, muitas vezes, sem o preparo adequado do paciente, também contribui para o aumento das complicações. O tipo de intervenção realizada, como a realização de laparotomias em situações de emergência, pode envolver riscos adicionais, como lesões acidentais a órgãos vizinhos, sangramentos excessivos e maior exposição a infecções. A escolha da técnica cirúrgica, como o uso de abordagens minimamente invasivas ou tradicionais, também pode influenciar o risco de complicações pós-operatórias, sendo que as técnicas mais invasivas estão frequentemente associadas a um tempo de recuperação mais longo e a um risco aumentado de complicações (Tolstrup et al., 2023).
O acompanhamento pós-operatório adequado é fundamental para a detecção precoce de complicações e para o manejo eficiente das mesmas. Estratégias de monitoramento rigoroso, incluindo a avaliação contínua dos sinais vitais, a detecção precoce de sinais de infecção e a vigilância sobre possíveis complicações respiratórias e cardiovasculares, são fundamentais para o sucesso do tratamento (Kokotovic et al., 2021). A implementação de cuidados pós-operatórios otimizados, como os protocolos de recuperação aprimorada após cirurgia (ERAS), tem mostrado resultados promissores na redução do tempo de internação e na minimização das complicações, ao mesmo tempo que acelera a recuperação do paciente.
A identificação precoce de fatores de risco, como a presença de comorbidades ou a idade avançada, permite que os profissionais de saúde adotem uma abordagem personalizada, adaptando as intervenções ao perfil clínico do paciente. Isso pode envolver a escolha de tratamentos preventivos, como o uso de antibióticos profiláticos, a mobilização precoce para prevenir tromboembolismo ou a gestão intensiva da dor para melhorar a recuperação respiratória (Stephenson et al., 2020). A literatura sugere que essas intervenções, quando aplicadas de forma eficaz, podem reduzir significativamente a incidência de complicações pós-operatórias e melhorar os desfechos a longo prazo para os pacientes (Fabbian et al., 2021).
Finalmente, o sucesso da cirurgia de emergência abdominal não depende apenas da execução técnica durante o procedimento, mas também do gerenciamento abrangente e personalizado do pós-operatório. Estudos demonstram que os protocolos de cuidados pós-operatórios adequados, juntamente com a identificação precoce de complicações e intervenções preventivas eficazes, podem melhorar significativamente a recuperação dos pacientes e reduzir as taxas de complicações (Balachandran et al., 2020). Assim, a combinação de um planejamento cuidadoso, intervenções direcionadas e monitoramento constante pode proporcionar uma recuperação mais rápida e segura para os pacientes submetidos a esses procedimentos de alto risco.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Fatores de risco em cirurgias de emergência abdominal
Os fatores de risco associados às cirurgias de emergência abdominal são amplamente discutidos na literatura médica, e incluem tanto condições clínicas preexistentes quanto aspectos relacionados ao procedimento em si. Pacientes com idade avançada, por exemplo, frequentemente apresentam um sistema imunológico mais debilitado, o que contribui para uma maior suscetibilidade a infecções pós-operatórias. Além disso, a função de órgãos vitais, como o fígado, os rins e os pulmões, tende a diminuir com o envelhecimento, o que pode agravar a recuperação pós-cirúrgica e tornar o paciente mais vulnerável a complicações (Fabbian et al., 2021). A interação entre o envelhecimento e a presença de comorbidades, como hipertensão, diabetes e doenças cardíacas, também resulta em um risco aumentado de falência de múltiplos órgãos, uma das complicações mais graves após cirurgias de emergência. A capacidade reduzida do organismo de responder ao estresse cirúrgico pode resultar em uma recuperação mais lenta e prolongada, com maior necessidade de cuidados intensivos.
A presença de comorbidades, especialmente diabetes mellitus, hipertensão e doenças cardiovasculares, aumenta consideravelmente o risco de complicações pós-operatórias. Pacientes diabéticos, por exemplo, apresentam uma maior tendência a infecções, devido à sua resposta imunológica comprometida e à cicatrização mais lenta das feridas. Além disso, a hiperglicemia pode agravar a inflamação e prejudicar a função das células de defesa, dificultando ainda mais o processo de recuperação (Tolstrup et al., 2023). A hipertensão, por sua vez, pode gerar complicações circulatórias, como hemorragias, e aumentar o risco de complicações cardíacas durante e após a cirurgia. Doenças cardiovasculares, como insuficiência cardíaca e arritmias, também podem ser exacerbadas pelo estresse da cirurgia, aumentando as chances de falência cardíaca e outras complicações graves.
A obesidade tem sido identificada como um fator de risco crítico em cirurgias de emergência abdominal. Pacientes obesos enfrentam desafios adicionais durante a cirurgia, como maior dificuldade de acesso aos órgãos internos devido à gordura abdominal e risco elevado de complicações respiratórias devido à compressão torácica. A obesidade está frequentemente associada a um comprometimento da ventilação pulmonar, o que pode levar ao desenvolvimento de atelectasia ou pneumonia pós-operatória (Kassahun et al., 2022). A dificuldade na ventilação pode ser exacerbada pela dor pós-cirúrgica, que reduz a capacidade do paciente de realizar respirações profundas. Além disso, pacientes com obesidade têm maior propensão a desenvolver infecções devido ao comprometimento da resposta imunológica e à maior incidência de tecido adiposo, que pode dificultar a cicatrização e aumentar a proliferação bacteriana.
Outro fator importante é a interação entre as condições clínicas preexistentes e as complicações associadas ao procedimento cirúrgico em si. A dificuldade no diagnóstico precoce de complicações, como perfurações intestinais ou hemorragias internas, pode ser maior em pacientes com múltiplas comorbidades, uma vez que os sinais clínicos podem ser mascarados pela presença de outras condições. Além disso, a necessidade de intervenções mais complexas e demoradas pode aumentar a exposição do paciente ao risco de complicações. Portanto, a realização de uma avaliação minuciosa dos fatores de risco antes da cirurgia é crucial para identificar pacientes com maior vulnerabilidade e adotar medidas preventivas adequadas, como a estabilização da pressão arterial, o controle rigoroso da glicemia e a administração precoce de antibióticos profiláticos.
É essencial que os profissionais de saúde desenvolvam um plano de manejo individualizado para cada paciente, considerando os fatores de risco identificados durante a avaliação pré-operatória. Isso pode envolver ajustes no tratamento das comorbidades, como a otimização do controle glicêmico em pacientes diabéticos e o uso de medicamentos anticoagulantes em pacientes com risco aumentado de tromboembolismo. Além disso, o acompanhamento pós-operatório deve ser intensificado, com monitoramento contínuo da função renal, pulmonar e cardiovascular. A adesão a protocolos de recuperação aprimorada, como os protocolos ERAS (Enhanced Recovery After Surgery), pode melhorar os resultados pós-operatórios, reduzindo as complicações e acelerando a recuperação (Hajibandeh et al., 2020). Essas intervenções proativas são fundamentais para minimizar os riscos associados às cirurgias de emergência abdominal e melhorar a qualidade do atendimento oferecido aos pacientes.
Por fim, a educação dos pacientes sobre os riscos envolvidos e a promoção de mudanças no estilo de vida antes da cirurgia também desempenham um papel importante na redução dos fatores de risco. A perda de peso, o controle rigoroso da pressão arterial e a cessação do tabagismo podem diminuir significativamente a probabilidade de complicações pós-operatórias. Pacientes bem informados e comprometidos com seu tratamento têm maior chance de obter uma recuperação bem-sucedida, o que pode resultar em menos complicações e uma redução no tempo de internação. Em suma, a identificação precoce dos fatores de risco e a implementação de intervenções preventivas eficazes são essenciais para melhorar os resultados em cirurgias de emergência abdominal, promovendo uma recuperação mais rápida e segura para os pacientes.
2.2 Complicações infecciosas pós-cirúrgicas
As infecções pós-cirúrgicas continuam a ser uma das complicações mais desafiadoras nas cirurgias de emergência abdominal. A infecção do sítio cirúrgico é uma das mais frequentes e está associada a uma série de fatores, como a técnica cirúrgica utilizada, a presença de comorbidades e o estado nutricional do paciente. Pacientes com diabetes mellitus, por exemplo, têm maior risco de infecção devido ao comprometimento do sistema imunológico e à redução da capacidade de cicatrização das feridas (Payá-Llorente et al., 2020). A hiperglicemia, característica do diabetes descontrolado, favorece o crescimento bacteriano e diminui a resposta inflamatória, tornando o processo de cicatrização mais lento. Dessa forma, é essencial um controle rigoroso dos níveis glicêmicos durante o período perioperatório para minimizar os riscos de infecção.
Além disso, a desnutrição, que é comumente observada em pacientes críticos e idosos, agrava ainda mais o risco de complicações infecciosas. Pacientes com deficiências nutricionais têm uma função imunológica comprometida, o que diminui a capacidade do organismo de combater infecções e atrasam a recuperação pós-cirúrgica. O suporte nutricional adequado, incluindo a suplementação de proteínas, vitaminas e minerais essenciais, tem se mostrado eficaz na promoção da recuperação imunológica e na redução da incidência de infecções pós-operatórias. O papel dos nutricionistas e da equipe de saúde em monitorar e corrigir o estado nutricional do paciente é, portanto, crucial para o sucesso do tratamento pós-cirúrgico (Kokotovic et al., 2021).
A infecção intra-abdominal, como a peritonite, é uma complicação grave e frequentemente observada após cirurgias de emergência abdominal. Ela ocorre quando há uma perfuração das vísceras, resultando no vazamento de conteúdo intestinal para a cavidade abdominal. Isso pode desencadear uma resposta inflamatória sistêmica grave, levando a uma infecção disseminada que pode resultar em falência de múltiplos órgãos e até mesmo morte. O tratamento precoce, com antibióticos de largo espectro e, quando necessário, drenagem das áreas infectadas, é fundamental para controlar a disseminação da infecção e reduzir a mortalidade associada à peritonite (Payá-Llorente et al., 2020).
O uso de antibióticos profiláticos é uma estratégia amplamente adotada para prevenir infecções pós-cirúrgicas, especialmente em cirurgias de emergência. A administração precoce de antibióticos de largo espectro tem sido associada a uma redução significativa nas taxas de infecção, particularmente nas infecções intra-abdominais e no sítio cirúrgico. No entanto, é essencial que o regime antibiótico seja cuidadosamente selecionado com base nas características do paciente, como histórico de alergias, comorbidades e resistência bacteriana local. A escolha de antibióticos deve ser adaptada ao tipo de cirurgia realizada e ao risco de infecção associado (Kokotovic et al., 2021).
A abordagem multidisciplinar no manejo das infecções pós-operatórias é outro fator crucial para o sucesso do tratamento. Equipes compostas por cirurgiões, enfermeiros, médicos intensivistas e nutricionistas desempenham um papel importante na prevenção e no controle das infecções pós-cirúrgicas. A colaboração entre esses profissionais permite uma abordagem integrada, que inclui o controle rigoroso das condições clínicas do paciente, a monitorização contínua das infecções e a implementação de estratégias terapêuticas eficazes. A implementação de protocolos de recuperação aprimorada após a cirurgia (ERAS) também tem mostrado benefícios na redução das complicações infecciosas, acelerando a recuperação do paciente e minimizando o tempo de internação (Kokotovic et al., 2021).
Em resumo, a prevenção de infecções pós-cirúrgicas em cirurgias de emergência abdominal requer uma abordagem abrangente que inclua o controle rigoroso da glicemia, a otimização do estado nutricional, o uso apropriado de antibióticos e a colaboração entre as diversas equipes de saúde. Essas medidas, combinadas com o monitoramento constante das condições do paciente, podem reduzir significativamente o risco de infecção, melhorar a recuperação pós-operatória e diminuir as taxas de mortalidade associadas a essas complicações.
2.3 Complicações respiratórias pós-operatórias
Após cirurgias de emergência abdominal, as complicações respiratórias podem prejudicar significativamente a recuperação do paciente, aumentando a morbidade e prolongando o tempo de internação. A atelectasia é uma das complicações respiratórias mais prevalentes e ocorre principalmente devido à imobilidade pós-cirúrgica e à dor, que limitam a capacidade do paciente de realizar respirações profundas. Esse acúmulo de secreções pulmonares pode causar obstrução das vias aéreas e comprometer a troca gasosa, aumentando o risco de infecções pulmonares, como a pneumonia. A prevenção de atelectasia e outras complicações respiratórias exige uma abordagem proativa durante o período pós-operatório, com ênfase na mobilização precoce, no controle eficaz da dor e na fisioterapia respiratória (Stephenson et al., 2020).
A mobilização precoce tem sido uma das estratégias mais eficazes para prevenir complicações respiratórias. A movimentação do paciente logo após a cirurgia estimula a respiração profunda, melhora a ventilação pulmonar e facilita a expulsão das secreções acumuladas nas vias aéreas. Além disso, a mobilização precoce contribui para a circulação sanguínea, reduzindo o risco de tromboembolismo venoso e outros problemas relacionados à imobilidade. Pacientes que são incentivados a se mover de forma gradual e controlada, com o auxílio de fisioterapeutas e enfermeiros, tendem a apresentar uma recuperação mais rápida e menos complicações respiratórias (Kokotovic et al., 2021).
A fisioterapia respiratória também desempenha um papel crucial no manejo das complicações respiratórias após cirurgias de emergência abdominal. Ela envolve exercícios respiratórios que ajudam na expansão pulmonar e na eliminação das secreções, prevenindo a obstrução das vias aéreas e promovendo uma ventilação eficiente. A fisioterapia respiratória deve ser iniciada precocemente, logo após a cirurgia, e realizada de forma contínua durante o período de recuperação. A técnica pode incluir a realização de manobras de expansão pulmonar, como a respiração diafragmática, e o uso de dispositivos que ajudam na remoção das secreções, como o incentivo respiratório (Hajibandeh et al., 2020). A colaboração da equipe de saúde, incluindo fisioterapeutas respiratórios, enfermeiros e médicos, é essencial para garantir a implementação eficaz dessa estratégia.
O controle da dor também é um fator essencial para evitar complicações respiratórias. A dor pós-operatória mal controlada pode limitar a capacidade do paciente de realizar respirações profundas, o que aumenta o risco de atelectasia e infecções pulmonares. O uso adequado de analgésicos, como opioides e medicamentos anti-inflamatórios, deve ser equilibrado para garantir alívio da dor sem causar efeitos adversos, como depressão respiratória. A utilização de técnicas de analgesia multimodal, que combinam diferentes classes de analgésicos, pode ser uma abordagem eficaz para controlar a dor sem sobrecarregar o sistema respiratório (Stephenson et al., 2020).
Pacientes com comorbidades pulmonares, como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), são particularmente vulneráveis a complicações respiratórias após cirurgias abdominais de emergência. A DPOC diminui a capacidade pulmonar e a eficácia da ventilação, tornando os pacientes mais propensos a desenvolver atelectasia, pneumonia e insuficiência respiratória. Para esses pacientes, a monitorização rigorosa da função pulmonar, o uso de terapia de oxigênio suplementar e a fisioterapia respiratória precoce são fundamentais para reduzir o risco de complicações respiratórias graves. Além disso, a interrupção do tabagismo antes da cirurgia e o uso de broncodilatadores podem melhorar significativamente a capacidade respiratória e a recuperação pós-operatória (Hajibandeh et al., 2020).
A presença de fatores de risco adicionais, como tabagismo, obesidade e idade avançada, pode aumentar ainda mais a probabilidade de complicações respiratórias após a cirurgia abdominal de emergência. O tabagismo prejudica a função pulmonar e a capacidade do corpo de combater infecções respiratórias, tornando os fumantes mais suscetíveis a complicações como pneumonia. A obesidade, por sua vez, pode dificultar a ventilação pulmonar devido ao aumento da pressão intra-abdominal, enquanto a idade avançada está associada à diminuição da elasticidade pulmonar e da capacidade de ciliar e de defesa imunológica. Portanto, a identificação precoce desses fatores no pré-operatório e a implementação de medidas preventivas, como o uso de dispositivos de ventilação e a realização de exercícios respiratórios, são essenciais para melhorar os resultados pós-operatórios (Kokotovic et al., 2021).
Em resumo, as complicações respiratórias pós-cirúrgicas em cirurgias de emergência abdominal são um desafio significativo para a recuperação do paciente. Estratégias como a mobilização precoce, fisioterapia respiratória, controle eficaz da dor e monitoramento rigoroso das condições pulmonares podem reduzir consideravelmente o risco de atelectasia, pneumonia e outras complicações respiratórias. A personalização do cuidado de acordo com os fatores de risco individuais, incluindo comorbidades pulmonares, idade e hábitos de vida, é fundamental para garantir uma recuperação bem-sucedida e minimizar as complicações pós-operatórias.
2.4 Complicações cardiovasculares e tromboembolismo venoso
As complicações cardiovasculares e o tromboembolismo venoso (TEV) são problemas críticos em pacientes que passaram por cirurgias abdominais de emergência. A imobilização prolongada e a resposta inflamatória sistêmica ao trauma cirúrgico aumentam o risco de formação de coágulos sanguíneos, que podem evoluir para trombose venosa profunda (TVP) ou embolia pulmonar (Balachandran et al., 2020).
O estresse cirúrgico também desencadeia uma série de reações no organismo, como o aumento da coagulação e a alteração da hemodinâmica, favorecendo a formação de trombos. Pacientes com comorbidades cardiovasculares, como insuficiência cardíaca e arritmias, têm um risco ainda maior de complicações cardiovasculares após a cirurgia, incluindo infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca aguda e arritmias (Fabbian et al., 2021). Além disso, fatores como desidratação, uso de medicamentos que afetam a coagulação e a imobilidade podem contribuir para o desenvolvimento do TEV. A profilaxia tromboembólica, que inclui o uso de anticoagulantes e a mobilização precoce, é uma medida essencial para prevenir essas complicações (Tolstrup et al., 2023).
O monitoramento da pressão arterial, da frequência cardíaca e de outros parâmetros cardiovasculares também é crucial para identificar precocemente sinais de complicações cardíacas e tromboembólicas. A implementação de estratégias de profilaxia de TEV, como o uso de meias de compressão e o tratamento anticoagulante adequado, tem demonstrado reduzir significativamente a incidência de tromboembolismo venoso em pacientes submetidos a cirurgias de emergência. A abordagem deve ser individualizada, levando em consideração o risco específico de cada paciente, para otimizar os resultados pós-operatórios e melhorar a recuperação.
2.5 Estratégias de recuperação e cuidados pós-operatórios
O manejo pós-operatório de pacientes submetidos a cirurgias de emergência abdominal é crucial para evitar complicações e garantir uma recuperação bem-sucedida. A implementação de protocolos de recuperação aprimorada, como o ERAS (Enhanced Recovery After Surgery), tem mostrado resultados promissores, reduzindo o tempo de internação e as complicações pós-operatórias (Hajibandeh et al., 2020). O ERAS é um conjunto de práticas que visa otimizar o cuidado cirúrgico e pós-operatório por meio de várias abordagens, como o uso de anestesia multimodal, a mobilização precoce, a nutrição precoce e o controle rigoroso da dor. Esses protocolos têm como objetivo reduzir o estresse fisiológico pós-cirúrgico e acelerar a recuperação, promovendo uma recuperação mais rápida e segura para os pacientes. A redução do uso de narcóticos, que pode prejudicar a recuperação respiratória e intestinal, é uma das principais características do ERAS, sendo substituída por estratégias de controle da dor menos invasivas e mais eficazes. Além disso, o incentivo à mobilização precoce é essencial para melhorar a circulação sanguínea, prevenir o tromboembolismo e reduzir complicações respiratórias.
A administração otimizada de líquidos e a nutrição precoce também são componentes chave do protocolo, pois ajudam na recuperação da função intestinal e na prevenção da desidratação e má nutrição, fatores que podem retardar a cicatrização e aumentar o risco de infecção (Stephenson et al., 2020). O monitoramento contínuo do paciente e a identificação precoce de complicações são fundamentais para ajustar o plano de cuidados de maneira dinâmica e personalizada, garantindo que o paciente tenha o melhor suporte possível durante o processo de recuperação.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados encontrados na literatura indicam que as complicações pós-operatórias em cirurgias de emergência abdominal são influenciadas por múltiplos fatores, sendo as mais significativas a idade avançada, as comorbidades e o tipo de intervenção realizada. Pacientes mais velhos, com múltiplas comorbidades, apresentam uma taxa mais alta de complicações, especialmente infecções e problemas respiratórios. As abordagens de manejo, como o uso de protocolos ERAS (Enhanced Recovery After Surgery) e a mobilização precoce, mostraram reduzir significativamente as taxas de complicações, melhorando a recuperação dos pacientes (KENNEDY et al., 2022). Além disso, uma combinação de disciplinas para o controle da dor e a profilaxia contra o tromboembolismo contribui para melhores resultados pós-operatórios e uma recuperação mais rápida e menos complicações (Martin et al., 2021).
A idade avançada é um dos principais fatores de risco identificados na literatura. A função imunológica diminuída, associada à maior prevalência de comorbidades, torna os pacientes idosos mais vulneráveis a complicações pós-operatórias, como infecções e falência de órgãos. Em um estudo conduzido por Kennedy et al. (2022), foi observado que pacientes com mais de 70 anos apresentaram uma taxa significativamente maior de complicações, especialmente infecções do sítio cirúrgico e complicações respiratórias. Esses pacientes também tiveram uma recuperação mais lenta, o que exigiu um acompanhamento intensivo. A mobilização precoce e a nutrição adequada foram identificadas como estratégias-chave para melhorar os resultados nesses casos.
As comorbidades, como diabetes mellitus, hipertensão e doenças cardiovasculares, são fatores críticos que afetam o risco de complicações pós-operatórias em cirurgias de emergência abdominal. Pacientes diabéticos, por exemplo, enfrentam um risco significativamente maior de infecções devido à redução da resposta imunológica e a cicatrização mais lenta das feridas. Tolstrup et al. (2023) destacaram que o controle glicêmico rigoroso, iniciado no pré-operatório e mantido durante o período pós-operatório, é fundamental para reduzir o risco de infecções e melhorar a recuperação dos pacientes. Da mesma forma, pacientes hipertensos e com doenças cardiovasculares estão sujeitos a complicações circulatórias que podem afetar a cicatrização e aumentar o risco de falência de múltiplos órgãos, necessitando de cuidados específicos para controle da pressão arterial e monitoramento cardíaco.
A obesidade também é um fator de risco significativo nas cirurgias abdominais de emergência. O estudo de Kassahun et al. (2022) revelou que a gordura abdominal pode dificultar a abordagem cirúrgica, dificultando o acesso e aumentando o risco de lesões durante o procedimento. Além disso, a obesidade está associada a um maior risco de complicações respiratórias, como apneia obstrutiva do sono e insuficiência respiratória. Pacientes obesos apresentam também um risco maior de tromboembolismo venoso, que pode ser prevenido com o uso de anticoagulantes e mobilização precoce. Assim, a avaliação cuidadosa do estado nutricional e a implementação de intervenções, como a redução do peso pré-operatória e o uso de dispositivos de assistência respiratória, são essenciais.
Outro fator importante que impacta a recuperação pós-cirúrgica é a infecção, uma das complicações mais comuns em cirurgias de emergência abdominal. A infecção do sítio cirúrgico, especialmente em pacientes com diabetes ou condições imunossupressoras, é um problema frequente, e a abordagem profilática com antibióticos tem sido eficaz na prevenção dessas complicações. A monitorização rigorosa do estado do paciente, a administração precoce de antibióticos e o controle adequado da assepsia durante a cirurgia são essenciais para a prevenção de infecções, conforme observam Payá-Llorente et al. (2020). Além disso, o uso de protocolos para otimização da nutrição, controle glicêmico e administração de antibióticos profiláticos tem mostrado impacto positivo na redução das infecções pós-operatórias.
A função respiratória é outro aspecto crítico no pós-operatório de cirurgias abdominais de emergência. A dor pós-cirúrgica pode prejudicar a capacidade do paciente de realizar respirações profundas, o que favorece o acúmulo de secreções pulmonares e aumenta o risco de complicações respiratórias, como pneumonia e atelectasia. A mobilização precoce e a fisioterapia respiratória têm sido identificadas como intervenções eficazes para reduzir esses riscos. Stephenson et al. (2020) demonstraram que pacientes que iniciaram a mobilização logo após a cirurgia apresentaram uma redução significativa nas complicações respiratórias. A administração adequada de analgésicos também é fundamental para garantir que o paciente consiga realizar a respiração profunda necessária para evitar complicações pulmonares.
O uso de protocolos ERAS tem se mostrado eficaz na redução das complicações pós-operatórias em cirurgias de emergência abdominal. Esses protocolos visam otimizar a recuperação do paciente por meio de uma abordagem multidisciplinar que inclui intervenções no pré-operatório, intraoperatório e pós-operatório. Segundo Martin et al. (2021), a aplicação de protocolos ERAS em pacientes submetidos a cirurgias de emergência abdominal resultou em uma redução significativa nas complicações, como infecções e problemas respiratórios. A mobilização precoce, a redução do uso de opioides e a nutrição otimizada são componentes-chave desses protocolos que contribuem para a recuperação rápida e segura dos pacientes.
A profilaxia contra tromboembolismo venoso também é uma área crítica no manejo pós-operatório. Pacientes submetidos a cirurgias abdominais de emergência têm um risco aumentado de desenvolver trombose venosa profunda e embolia pulmonar, especialmente aqueles com comorbidades como obesidade, diabetes ou histórico de tromboembolismo. O uso de anticoagulantes, como a heparina de baixo peso molecular, tem mostrado reduzir o risco de tromboembolismo. Além disso, o uso de meias de compressão e a mobilização precoce são estratégias importantes para prevenir essas complicações (Martin et al., 2021).
A abordagem multidisciplinar tem sido cada vez mais reconhecida como uma estratégia eficaz para melhorar os resultados pós-operatórios em cirurgias de emergência abdominal. A colaboração entre cirurgiões, anestesistas, fisioterapeutas, enfermeiros e nutricionistas é essencial para fornecer um cuidado integral ao paciente. Kennedy et al. (2022) destacam que o trabalho em equipe, que inclui o controle da dor, a nutrição adequada e a fisioterapia respiratória, contribui significativamente para a redução das complicações e a melhoria da recuperação. A abordagem holística do paciente, levando em consideração todas as suas necessidades físicas, nutricionais e emocionais, é fundamental para alcançar uma recuperação bem-sucedida.
Em conclusão, as complicações pós-operatórias em cirurgias de emergência abdominal podem ser graves e desafiadoras, mas com uma avaliação cuidadosa dos fatores de risco, a implementação de estratégias preventivas e a utilização de abordagens de recuperação aprimorada, é possível reduzir significativamente essas complicações. A combinação de protocolos ERAS, mobilização precoce, controle rigoroso da dor e profilaxia contra tromboembolismo tem se mostrado eficaz na melhoria dos resultados pós-operatórios. A literatura sugere que a colaboração multidisciplinar e o cuidado individualizado para pacientes com comorbidades são essenciais para otimizar a recuperação e reduzir as complicações, permitindo que os pacientes se recuperem mais rapidamente e com menos complicações (Kennedy et al., 2022; Tolstrup et al., 2023; Kassahun et al., 2022; Payá-Llorente et al., 2020; Martin et al., 2021; Stephenson et al., 2020).
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As complicações pós-operatórias em cirurgias de emergência abdominal representam um desafio significativo para os profissionais de saúde e um risco específico para os pacientes. A identificação precoce dos fatores de risco, incluindo comorbidades e características demográficas, é fundamental para a aplicação de estratégias preventivas adequadas. Fatores como idade avançada, comorbidades como diabetes, hipertensão e obesidade, além de condições pré-existentes, como doenças pulmonares crônicas, agravam o risco de complicações pós-operatórias.
A monitorização contínua do estado clínico do paciente e a análise detalhada de sua história médica são fundamentais para o desenvolvimento de um plano de cuidados que minimizem esses riscos. A detecção precoce de complicações como infecções ou problemas respiratórios permite uma intervenção mais eficaz e pode reduzir o impacto dessas complicações no prognóstico dos pacientes.
A implementação de protocolos de recuperação aprimorada após a cirurgia (ERAS) e a mobilização precoce apresentam resultados promissores na redução de complicações, incluindo infecções e complicações respiratórias. Os protocolos ERAS envolvem um conjunto de práticas baseadas em evidências para otimizar a recuperação do paciente, como o controle rigoroso da dor, nutrição precoce e mobilização precoce. A mobilização precoce, em particular, tem mostrado reduzir o risco de complicações respiratórias, como atelectasia e pneumonia, e acelerar o retorno à função intestinal, diminuindo o risco de complicações gastrointestinais. A adesão a essas estratégias, com a colaboração de uma equipe multidisciplinar, é essencial para garantir a eficácia dessas abordagens.
Além disso, a avaliação contínua dos fatores de risco no pós-operatório é um ponto crucial para a implementação de cuidados personalizados. A recuperação de cada paciente é única, e fatores como a resposta individual à cirurgia, o controle da dor, o status nutricional e a presença de comorbidades devem ser monitorados de perto. A personalização dos cuidados permite que os profissionais de saúde ajustem as intervenções conforme a necessidade do paciente, tornando o processo pós-operatório mais seguro e eficaz. Isso inclui a adaptação das estratégias de reabilitação e nutrição, com o objetivo de reduzir a taxa de complicações e promover uma recuperação mais rápida e completa.
A literatura também sugere que a colaboração multidisciplinar desempenha um papel fundamental no sucesso da recuperação pós-operatória. A atuação conjunta de cirurgiões, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e outros profissionais é essencial para otimizar os cuidados e reduzir os riscos. O trabalho em equipe permite uma abordagem holística, levando em consideração as múltiplas necessidades do paciente, desde o controle da dor até a nutrição e a fisioterapia respiratória. A comunicação eficaz entre os membros da equipe e a implementação de planos de cuidados integrados garantem uma abordagem abrangente para a recuperação do paciente.
As pesquisas futuras devem focar em estratégias personalizadas de cuidados pós-operatórios, com ênfase na avaliação contínua dos fatores de risco e na otimização dos cuidados para melhorar os resultados dos pacientes. A utilização de tecnologias avançadas, como sistemas de monitoramento remoto e inteligência artificial, pode oferecer novas oportunidades para a detecção precoce de complicações e a personalização do tratamento. Além disso, o desenvolvimento de novos protocolos baseados em evidências, focados nas necessidades específicas de diferentes grupos de pacientes, é crucial para melhorar a eficiência e a segurança do atendimento pós-cirúrgico. Essas inovações têm o potencial de transformar a recuperação pós-operatória, tornando-a mais eficiente, segura e adaptada às necessidades individuais de cada paciente.
REFERÊNCIAS
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1Médico Residente em Cirurgia Geral (R1) pela Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) email: romulomed2016@gmail.com
2Médico e orientador
3Médico e coorientador