COMPARISON BETWEEN EXTRACORPOREAL SHOCK WAVE THERAPY AND THERAPEUTIC ULTRASOUND IN THE TREATMENT OF TENDINOPATHIES: A SYSTEMATIC REVIEW OF RANDOMIZED CLINICAL TRIALS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202602281823
Pedro Alexandre Leite de Almeida¹; Felipe França Câmara²; Matheus Ramos Grubisik³; Manoel Messias Guimarães Neto⁴; Anna Beatriz Prado Costa⁵; Carolina Gomes Pinto Mandarino⁶; Cícero Artur dos Santos⁷; Roberta Silva Conceição⁸; Maria Alice Silveira Couto⁹; Evandro Alves Correia Tenório¹⁰.
RESUMO
As tendinopatias e afecções musculoesqueléticas, como a epicondilite lateral e a tendinopatia de Aquiles, representam causas frequentes de dor e incapacidade, sendo responsáveis por significativa limitação funcional em populações ativas e atletas. Entre as abordagens terapêuticas disponíveis, destacam-se o ultrassom terapêutico (US) e a terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT), modalidades amplamente utilizadas na prática fisioterapêutica devido ao seu caráter não invasivo e potencial de modular o processo inflamatório, estimular reparo tecidual e promover alívio sintomático. Contudo, a literatura ainda apresenta resultados heterogêneos quanto à superioridade entre essas técnicas, sobretudo em diferentes tipos de tendinopatias. Assim, este estudo teve como objetivo sintetizar as evidências recentes acerca da eficácia comparativa entre US e ESWT no manejo de condições musculoesqueléticas, analisando seus efeitos sobre dor, funcionalidade, força muscular e parâmetros morfológicos tendíneos. Trata-se de uma revisão sistemática conduzida em dezembro de 2025 nas bases PUBMED e SCIELO, incluindo artigos publicados nos últimos cinco anos, nas línguas inglesa e portuguesa. A busca foi realizada com os descritores “Ultrasonic Therapy” AND “Trauma” NOT “Animals”, utilizando operadores booleanos padronizados. Estudos que não estivessem disponíveis na íntegra, além de revisões, meta-análises, estudos com animais e documentos técnicos foram excluídos. Foram inicialmente identificados 32 artigos, dos quais 10 foram selecionados após leitura de títulos; entretanto, apenas 5 atenderam plenamente aos critérios após leitura completa. Os resultados demonstraram que tanto a ESWT quanto o US apresentam eficácia na redução da dor e na melhora funcional em pacientes com epicondilite lateral, embora alguns estudos apontem maior benefício da ESWT em desfechos como alívio da dor durante atividade e melhora do PRTEE. Em tendinopatia de Aquiles, os achados mostraram inconsistência, com evidências sugerindo ausência de superioridade da ESWT radial quando adicionada ao exercício terapêutico. A maioria dos estudos reforça que fatores como intensidade da onda de choque, número de sessões, parâmetros do US e presença ou ausência de exercícios associados influenciam substancialmente os resultados clínicos, o que explica parte da heterogeneidade observada. Além disso, alterações morfológicas avaliadas por ultrassonografia nem sempre acompanham a melhora clínica, sugerindo mecanismos terapêuticos ainda não totalmente elucidados. Conclui-se que ESWT e US são intervenções eficazes, porém seus efeitos variam conforme o tipo de lesão, parâmetros aplicados e associação com exercícios. A ESWT tende a apresentar maior benefício em quadros de dor crônica e limitação funcional mais acentuada, enquanto o US demonstra boa resposta em protocolos padronizados de reabilitação. Dessa forma, a seleção da modalidade deve considerar características clínicas individuais, objetivo terapêutico e evidências atualizadas sobre cada condição musculoesquelética.
Palavras-chave: Ultrassom terapêutico. Terapia por ondas de choque. Tendinopatia. Reabilitação. Fisioterapia.
1. INTRODUÇÃO
As tendinopatias representam um conjunto de condições musculoesqueléticas altamente prevalentes, caracterizadas por dor persistente, limitação funcional e alterações degenerativas da matriz tendínea. Essas afecções, frequentemente decorrentes de sobrecarga mecânica, repetição de movimentos ou microtraumas cumulativos, acometem tendões de diferentes regiões do corpo e constituem causa comum de incapacidade laboral e esportiva. A epicondilite lateral, por exemplo, afeta entre 1% e 3% da população adulta, principalmente indivíduos expostos a atividades repetitivas e esforços manuais, e caracteriza-se por degeneração do tendão extensor comum e dor significativa no cotovelo (PERVEEN et al., 2024). De forma semelhante, a tendinopatia do tendão de Aquiles figura entre as principais causas de dor no membro inferior, sendo responsável por até 9% das lesões observadas em corredores e apresentando impacto substancial na função locomotora (BARAA ALSULAIMANI et al., 2024). Em ambas as condições, alterações estruturais progressivas, como falhas de reparação tecidual e reorganização anormal de fibras colágenas, contribuem para a cronificação do quadro e dificultam o retorno pleno às atividades.
Diante do caráter multifatorial das tendinopatias, diversas estratégias conservadoras têm sido empregadas com o objetivo de reduzir a dor, restaurar a função e promover o reparo tecidual. Entre essas modalidades, o ultrassom terapêutico constitui um recurso historicamente consolidado na prática fisioterapêutica. O método utiliza ondas sonoras de alta frequência capazes de gerar efeitos térmicos e não térmicos que estimulam o metabolismo celular, aumentam o fluxo sanguíneo local, favorecem a síntese de colágeno e contribuem para a reorganização do tecido lesionado, sendo amplamente utilizado em tendinopatias de membros superiores e inferiores (“COMPARISON OF THE CLINICAL…”, 2020). Apesar de sua difusão, estudos recentes têm questionado sua superioridade clínica quando comparado a outras modalidades não invasivas.
Paralelamente, a terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT) tem ganhado destaque nas últimas décadas como uma intervenção capaz de estimular processos regenerativos por meio de mecanotransdução. As ondas de choque, caracterizadas por picos de alta pressão seguidos de rápidas quedas para pressão negativa, promovem neovascularização, aumento da atividade celular, modulação inflamatória e potencial reorganização das fibras de colágeno, mecanismos que explicam sua crescente aplicação em tendinopatias crônicas (KRÓL et al., 2024). No contexto da tendinopatia de Aquiles, estudos controlados têm comparado ESWT ao placebo e sugerido benefícios clínicos particularmente em situações nas quais a resposta ao exercício isolado é incompleta (GATZ et al., 2021; BARAA ALSULAIMANI et al., 2024), embora a heterogeneidade metodológica e os diferentes parâmetros de aplicação ainda dificultem conclusões definitivas.
Apesar do uso disseminado de ambas as modalidades, a literatura revela lacunas importantes quanto à sua eficácia comparativa, aos parâmetros ideais de aplicação e à consistência dos desfechos clínicos. Enquanto alguns estudos apontam melhora semelhante entre ESWT e ultrassom terapêutico em condições como epicondilite lateral, outros sugerem superioridade da ESWT especialmente em quadros de maior cronicidade ou refratários ao tratamento convencional (PERVEEN et al., 2024; KRÓL et al., 2024). Essa variabilidade reforça a necessidade de sínteses sistemáticas que reúnam criticamente as evidências disponíveis, possibilitando identificar padrões de resposta terapêutica, fatores prognósticos e possíveis diferenças entre modalidades focais ou radiais da ESWT.
Diante desse cenário, torna-se pertinente reunir os dados existentes sobre a aplicação de ESWT e ultrassom terapêutico no manejo das tendinopatias, buscando esclarecer sua efetividade relativa e orientar decisões clínicas baseadas em evidências. Assim, a presente revisão sistemática teve como objetivo avaliar comparativamente a eficácia dessas duas abordagens fisioterapêuticas, a partir de ensaios clínicos publicados nos últimos cinco anos, com foco em desfechos clínicos relacionados à dor, função e recuperação tecidual.
2. METODOLOGIA
Este estudo foi conduzido por meio de uma revisão sistemática da literatura, método reconhecido por sua capacidade de sintetizar criticamente a produção científica disponível por meio de etapas estruturadas, transparentes e reprodutíveis. Diferentemente das revisões narrativas, que frequentemente dependem da seleção subjetiva do autor e podem não refletir a totalidade da evidência existente, a revisão sistemática parte de uma pergunta claramente definida e utiliza procedimentos padronizados para minimizar vieses, conforme discutido por Silva e Pereira (2022). A organização metodológica adotada seguiu as diretrizes clássicas propostas por Mendes, Silveira e Galvão (2008), que estruturam o processo em seis etapas principais: formulação da questão norteadora, definição dos critérios de elegibilidade, delineamento da estratégia de busca, seleção dos estudos, extração dos dados e síntese interpretativa dos achados.
A pergunta que orientou o presente estudo foi: qual é a eficácia comparativa entre a terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT) e o ultrassom terapêutico no manejo das tendinopatias? A escolha dessa pergunta justifica-se pela ampla utilização clínica dessas modalidades e pela heterogeneidade dos resultados observados na literatura recente.
A busca bibliográfica foi realizada nas bases PubMed e SciELO — esta última utilizada exclusivamente para embasamento metodológico — durante o mês de dezembro de 2025. Para garantir abrangência e precisão na recuperação dos estudos, foram empregados descritores controlados do Medical Subject Headings (MeSH) combinados a termos livres, utilizando operadores booleanos. A estratégia principal incluiu o uso de “Ultrasonic Therapy” AND “Trauma” NOT “Animals”, em que o operador AND restringiu a busca à intersecção direta entre ultrassom terapêutico e lesões musculoesqueléticas, enquanto NOT Animals eliminou automaticamente estudos experimentais com modelos animais. Ademais, foram aplicados filtros para restringir os resultados a artigos publicados nos últimos cinco anos, disponíveis nos idiomas inglês ou português e com acesso integral (Free Full Text). Revisões narrativas, metanálises, revisões sistemáticas, capítulos de livros e documentos institucionais foram excluídos já na fase inicial da triagem.
Durante a seleção dos estudos, procedeu-se inicialmente à leitura de títulos e resumos, seguida pela leitura integral dos artigos potencialmente elegíveis. Essa etapa foi realizada por dois revisores independentes, com divergências resolvidas por consenso. Embora a estratégia de busca tenha recuperado publicações referentes a diferentes condições musculoesqueléticas, somente foram incluídos estudos que investigavam diretamente a aplicação de ESWT e/ou ultrassom terapêutico em tendinopatias, como epicondilite lateral, tendinopatia do tendão de Aquiles e outras afecções tendíneas por sobrecarga. Dessa forma, foram excluídos estudos que envolviam neuropatias compressivas (como síndrome do túnel do carpo), processos pós-operatórios (como reparo do manguito rotador), lesões fibrocartilaginosas (como degeneração meniscal) e patologias não caracterizadas como tendinopatias clássicas, assegurando a coerência entre escopo, metodologia e análise final.
Após a definição do conjunto final de estudos, procedeu-se à extração sistemática dos dados, contemplando informações relativas ao delineamento metodológico, características das amostras, parâmetros terapêuticos utilizados, desfechos avaliados (como dor, função e mudanças estruturais observadas por imagem) e principais resultados. Esses dados foram organizados de forma padronizada, possibilitando a comparação entre os estudos incluídos e favorecendo a identificação de padrões de resposta terapêutica. A síntese dos achados ocorreu de forma narrativa, respeitando a heterogeneidade entre protocolos, populações e métodos de avaliação empregados nos ensaios selecionados. Conforme enfatizado por Silva e Pereira (2022), uma revisão sistemática deve apresentar de forma clara e objetiva a resposta à pergunta que a motivou, e a análise desenvolvida neste estudo seguiu essa orientação.
Foram observados todos os preceitos éticos e legais aplicáveis ao uso de materiais acadêmicos, com a devida referência a todas as fontes utilizadas, em conformidade com a Lei nº 9.610/1998. Por se tratar de estudo exclusivamente documental, sem envolvimento direto de seres humanos, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES / ANÁLISE DOS DADOS
A busca sistemática conduzida na base de dados PubMed utilizando os descritores “Ultrasonic Therapy” AND “Trauma” NOT “Animals”, combinados por operadores booleanos e alinhados aos critérios de elegibilidade previamente estabelecidos, resultou inicialmente em 32 estudos potencialmente relacionados ao tema. Após a remoção das duplicidades e a análise preliminar de títulos e resumos, apenas 10 estudos foram considerados pertinentes para leitura na íntegra. A subsequente triagem completa permitiu avaliar a adequação metodológica e temática de cada artigo, levando à exclusão de trabalhos que não possuíam relação direta com tendinopatias decorrentes de trauma, além daqueles que constituíam revisões, metanálises, relatos de caso, estudos em animais ou artigos sem acesso integral. Ao final desse processo rigoroso, somente 5 estudos atenderam integralmente aos critérios metodológicos, compondo o conjunto final de evidências desta revisão. Esse percurso de seleção, apesar de reduzir substancialmente o número de estudos incluídos, conferiu maior consistência à análise ao assegurar que apenas trabalhos metodologicamente robustos e diretamente alinhados ao objetivo da investigação fossem considerados.
A análise integrada dos estudos selecionados revelou um panorama heterogêneo sobre o uso do ultrassom terapêutico (US) e da terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT) no tratamento de tendinopatias relacionadas ao trauma. Embora todos os artigos tenham investigado intervenções físicas aplicadas a estruturas tendíneas lesionadas, a diversidade de protocolos terapêuticos, formas de administração dos agentes eletrofísicos, características das amostras e métricas de avaliação contribuiu para resultados parcialmente convergentes e parcialmente contrastantes.
O estudo de Perveen et al. (2024) destacou-se por demonstrar efeitos superiores da ESWT sobre o ultrassom associado à fricção profunda no tratamento da epicondilite lateral. Apesar das limitações referentes ao tamanho amostral e ao curto acompanhamento, os autores observaram redução expressiva da dor e melhora da função, sugerindo que a ESWT desencadeia respostas biológicas aceleradas, tais como redução de mediadores inflamatórios, aumento da perfusão sanguínea e estímulo direto ao reparo tecidual. Esses achados são consistentes com pesquisas que descrevem a mecanotransdução como mecanismo central na modulação de tenócitos e na reorganização da matriz extracelular.
Em contraste, o estudo comparativo publicado em 2020 — que avaliou ultrassom, ESWT e Kinesiotaping — identificou que todas as modalidades terapêuticas promoveram melhora sintomática relevante, sem diferenças significativas entre elas. Esse resultado sugere que intervenções conservadoras distintas podem convergir no alívio da dor, sobretudo em tendinopatias subagudas ou crônicas. Contudo, a superioridade do Kinesiotaping na melhora da força de preensão chama atenção para a relevância de estímulos proprioceptivos e neuromusculares que não são reproduzidos diretamente pelas modalidades eletrofísicas. Apesar dessa equivalência clínica observada, apenas o grupo tratado com ESWT apresentou melhora ultrassonográfica tardia, reforçando que adaptações estruturais tendíneas podem demandar períodos mais prolongados que as melhorias sintomáticas precedentes.
O estudo de Król et al. (2024), por sua vez, forneceu evidências robustas de que a ESWT focalizada de alta intensidade promove a maior redução percentual da dor entre todos os estudos analisados, atingindo valores superiores a 70% após 12 semanas. Os autores explicam esse efeito por meio de mecanismos neurofisiológicos bem descritos, incluindo redução de substância P e degeneração reversível de terminações nociceptivas periféricas. Entretanto, a ausência de diferenças significativas na força muscular em comparação ao ultrassom sugere que a analgesia, mais do que alterações estruturais imediatas, é o principal mediador da recuperação funcional.
Em contrapartida, o ensaio clínico de Gatz et al. (2021) desafia a narrativa de superioridade da ESWT ao demonstrar que, em tendinopatia de Aquiles, tanto a ESWT de foco pontual quanto a linear não apresentaram efeitos superiores ao placebo. As melhoras clínicas observadas em todos os grupos, inclusive no controle placebo, evidenciam a relevância de fatores contextuais, do efeito expectativa e da variabilidade natural da dor em tendinopatias crônicas. Além disso, mesmo diante de progresso clínico, não foram observadas alterações estruturais relevantes nas avaliações por ultrassom, Doppler, elastografia ou caracterização tecidual. Esse achado reforça uma discussão recorrente na literatura: a dissociação entre sintomas clínicos e morfologia tendínea, indicando que o alívio da dor não necessariamente traduz regeneração estrutural identificável por imagem.
Por fim, o estudo de Baraa Alsulaimani et al. (2024) concluiu que a ESWT radial, quando associada a exercícios e orientação clínica, não supera o placebo em pacientes com tendinopatia insercional do tendão de Aquiles. Esses resultados, que contrastam com os efeitos positivos relatados em estudos voltados ao cotovelo ou ao ombro, reforçam que a resposta à ESWT é dependente de múltiplos fatores, incluindo profundidade do tendão, composição tecidual, grau de cronicidade e adequação dos parâmetros de aplicação. Além disso, o estudo destaca que intervenções baseadas em exercício e educação apresentam forte potencial terapêutico por si só, muitas vezes suplantando a contribuição marginal das modalidades eletrofísicas.
A síntese das evidências demonstra que, embora o ultrassom terapêutico e a ESWT compartilhem mecanismos fisiológicos relacionados à modulação da dor e ao estímulo tecidual, sua eficácia varia amplamente entre diferentes tendinopatias. De modo geral, os casos envolvendo epicondilite lateral mostraram respostas mais consistentes à ESWT, sobretudo em protocolos de alta intensidade, enquanto tendinopatias do tendão de Aquiles apresentaram resultados mais controversos, frequentemente sem diferença clara em relação ao placebo. Esses achados ressaltam a importância de individualizar o tratamento conforme a região anatômica, profundidade tecidual e estágio da lesão, além de considerar que a dor em tendinopatias pode ser modulada por mecanismos neuropsicológicos que ultrapassam a intervenção física isolada.
Ao analisar em conjunto os cinco estudos selecionados, observa-se que a heterogeneidade metodológica — incluindo diferenças nos parâmetros de ultrassom, variação na densidade de energia da ESWT, protocolos de exercícios associados, diferentes métodos de mensuração e tempos de seguimento — limita a possibilidade de estabelecer um consenso definitivo sobre a superioridade de uma modalidade sobre outra. Ainda assim, o conjunto das evidências aponta para uma tendência favorável à ESWT em tendinopatias do cotovelo, enquanto seu papel em tendinopatias do tendão de Aquiles permanece incerto, exigindo estudos adicionais com amostras maiores, padronização de protocolos e avaliações estruturais mais sensíveis.
4. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente revisão sistemática buscou analisar criticamente a eficácia comparativa entre a terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT) e o ultrassom terapêutico (US) no manejo das tendinopatias, com foco especial na epicondilite lateral e na tendinopatia de Aquiles. A partir da aplicação rigorosa dos critérios de elegibilidade e exclusão, cinco estudos publicados nos últimos cinco anos foram incluídos, permitindo uma síntese consistente das evidências mais recentes sobre o tema.
De maneira geral, os resultados apontam para um desempenho superior ou equivalente da ESWT em relação ao ultrassom, principalmente no que diz respeito à redução da dor e à melhora funcional em quadros de epicondilite lateral, conforme observado em estudos como os de Perveen et al. (2024) e Król et al. (2024). A ESWT demonstrou capacidade consistente de promover alívio sintomático, favorecer o retorno funcional e, em alguns casos, induzir mudanças estruturais favoráveis no tendão ao longo do tempo. No entanto, a magnitude dos efeitos apresentou grande variabilidade entre os estudos, influenciada por fatores como intensidade aplicada, número de sessões, tipo de onda (radial ou focalizada), parâmetros energéticos e características específicas das populações estudadas.
No contexto da tendinopatia insercional do tendão de Aquiles, os achados mostraram-se mais heterogêneos. Estudos como os de Gatz et al. (2021) e Baraa Alsulaimani et al. (2024) indicaram que a ESWT pode não ser superior ao placebo quando combinada a programas estruturados de exercícios, reforçando a relevância da terapia ativa como componente central na reabilitação dessas lesões. Em alguns ensaios, a ausência de diferença entre grupos pode ter sido influenciada por respostas placebo, padrões naturais de evolução da doença, heterogeneidade nas cargas de treino e diferenças metodológicas que dificultam comparações diretas com estudos sobre epicondilite lateral.
Ainda assim, a síntese global sugere que a ESWT apresenta maior potencial terapêutico do que o ultrassom em tendinopatias crônicas, especialmente quando aplicada com parâmetros adequados, periodicidade regular e integração a um programa de reabilitação progressivo. O ultrassom, por sua vez, demonstrou ser eficaz na redução da dor e na melhora funcional, mas com efeitos geralmente mais modestos e menos consistentes ao longo do tempo, destacando-se como modalidade complementar e não como principal estratégia terapêutica.
Outro ponto relevante evidenciado pelos estudos incluídos refere-se às limitações metodológicas recorrentes, como amostras pequenas, ausência de acompanhamento prolongado, falta de cegamento apropriado, intervenções associadas não padronizadas e variabilidade nos parâmetros aplicados. Tais fragilidades reforçam a necessidade de ensaios clínicos randomizados mais robustos, com protocolos claramente definidos e maior rigor na mensuração dos desfechos clínicos e estruturais.
Diante do conjunto de evidências analisadas, conclui-se que a ESWT representa uma alternativa terapêutica segura, viável e frequentemente mais eficaz que o ultrassom terapêutico, sobretudo para tendinopatias de caráter crônico e refratário. No entanto, sua superioridade não se estende de forma uniforme a todas as condições tendíneas, como observado na tendinopatia insercional do tendão de Aquiles, onde resultados conflitantes ainda limitam recomendações definitivas.
Em síntese, embora a ESWT se destaque como intervenção promissora, a escolha entre ESWT e ultrassom deve considerar as características clínicas da tendinopatia, os objetivos terapêuticos, a disponibilidade de recursos, e a integração com abordagens baseadas em exercício e educação, reconhecidamente fundamentais no manejo dessas patologias. Estudos futuros são essenciais para elucidar parâmetros ideais, identificar perfis de pacientes mais responsivos e consolidar o papel de cada modalidade no arsenal terapêutico da fisioterapia musculoesquelética.
REFERÊNCIAS
AL SULAIMANI, Baraa et al. Does shockwave therapy lead to better pain and function than sham over 12 weeks in people with insertional Achilles tendinopathy? A randomised controlled trial. Clinical Rehabilitation, 20 dez. 2024.
COMPARISON OF THE CLINICAL AND SONOGRAPHIC EFFECTS OF ULTRASOUND THERAPY, EXTRACORPOREAL SHOCK WAVE THERAPY AND KINESIO TAPING IN LATERAL EPICONDYLITIS. Turkish Journal of Medical Sciences, 2020.
GATZ, M. et al. Line- and Point-Focused Extracorporeal Shock Wave Therapy for Achilles Tendinopathy: A Placebo-Controlled RCT Study. Sports Health: A Multidisciplinary Approach, v. 13, n. 5, p. 511–518, 13 fev. 2021.
KRÓL, P. et al. Focused shock wave and ultrasound therapies in the treatment of lateral epicondylitis – a randomized control trial. Scientific Reports, v. 14, n. 1, 30 out. 2024.
MARCUS TOLENTINO SILVA; MAURÍCIO FERNANDES PEREIRA. Revisões sistemáticas e outros tipos de síntese: comentários à série metodológica publicada na Epidemiologia e Serviços de Saúde. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 31, n. 3, 1 jan. 2022.
MENDES, K. D. S.; SILVEIRA, R. C. de C. P.; GALVÃO, C. M. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto & Contexto – Enfermagem, v. 17, n. 4, p. 758–764, dez. 2008.
PERVEEN, W. et al. Effects of extracorporeal shockwave therapy versus ultrasonic therapy and deep friction massage in the management of lateral epicondylitis: a randomized clinical trial. Scientific Reports, v. 14, n. 1, p. 16535, 17 jul. 2024.
¹Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Tiradentes Campus Farolândia e-mail: pedroalexandre1604@gmail.com orcid: https://orcid.org/0009-0001-3025-5077;
²Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Tiradentes Campus Farolândia e-mail: felipefcamara09@gmail.com orcid: https://orcid.org/0009-0000-4429-685X;
³Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Tiradentes Campus Farolândia e-mail: matheus.grubisik@souunit.com.br orcid: https://orcid.org/0009-0006-4240-6289;
⁴Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Tiradentes Campus Farolândia e-mail: manoelnetoguimaraes@gmail.com orcid: https://orcid.org/0009-0000-0192-6604;
⁵Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Tiradentes Campus Farolândia e-mail: annabeatriz.pradocosta@gmail.com orcid: https://orcid.org/0009-0002-8926-037X;
⁶Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Tiradentes Campus Farolândia e-mail: carolinagomespmmm@gmail.com orcid: https://orcid.org/0009-0004-7867-1055;
⁷Discente do Curso Superior de Medicina da Afya Centro Universitário UNIMA e-mail: ciceroartur22@gmail.com orcid: https://orcid.org/0009-0006-4959-0082;
⁸Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Tiradentes Campus Farolândia e-mail: silva.robertaconceicao@gmail.com orcid: https://orcid.org/0009-0009-5463-9970;
⁹Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Tiradentes Campus Farolândia e-mail: maria.asilveira@souunit.com.br orcid: https://orcid.org/0009-0006-6429-939X;
¹⁰Discente do Curso Superior de Medicina da Afya Centro Universitário UNIMA e-mail: evandrotenorio04@gmail.com orcid: https://orcid.org/0009-0001-4833-1357.;
