REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509181224
Bruno Alves de Souza Lobo1
Thais Rodrigues da Cruz2
Nayara Amaral Pereira de Souza3
Marina Drumond Gomes4
Isabella Allana Ferreira5
Lívia Maria Marcolino dos Santos6
Camila de Souza Miranda7
Eduarda de Sousa Costa Salles8
INTRODUÇÃO
As feridas são de grande prevalência e importância na medicina veterinária e o seu tratamento pode ser complexo dependendo da classificação da ferida, seu tempo de evolução e local acometido. Já a colostomia se consiste no desvio do trato gastrointestinal inferior para a parede abdominal lateral, através de um estoma intestinal suturado a pele (Aleksiewicz et al., 2015; Cinti & Pisani, 2019), podendo ser permanente ou temporária. Tal técnica é pouco utilizada na veterinária devido as suas possíveis complicações sendo a principal delas a ulceração e necrose da mucosa estomal, que acontece nos quatro a seis primeiros dias (Samy et al., 2020). No presente estudo, foi observado dermatites decorrentes do uso da cola adesiva da bolsa de colostomia.
OBJETIVO
O presente resumo foi realizado objetivando mostrar a colostomia lateral como uma boa alternativa quando se e necessário desviar o trato gastrointestinal inferior.
RELATO DE CASO / METODOLOGIA
Foi atendido um cão, SRD, 14 anos, com ferida crônica extensa em região perineal, suja contaminada grau 4, com alguns dias de evolução, tendo acometimento importante da musculatura local e tecidos adjacentes. Na ocasião, foi realizada a estabilização do paciente,
controle da dor, anestesia e limpeza da ferida além da retirada de todo tecido contaminado. O paciente foi então encaminhado para a cirurgia de colostomia lateral a fim de evitar o contato das fezes com a região
ferida. Como técnica cirúrgica foi realizada uma incisão em região do flanco da parede abdominal esquerda da pele até a musculatura abdominal e peritônio, de tamanho suficiente para que fosse possível a
passagem do colón descendente . Como (John Wiley & Sons, 2020) após a incisão da pele e parede abdominal, o cólon descendente foi exteriorizado com auxílio de uma pinça Doyen em um ângulo reto e foi realizada a colostomia a partir da sutura do colón à pele na região
do flanco. Foi fixada também uma bolsa de colostomia humana com cola adesiva da mesma marca da bolsa na região do flanco esquerdo ao redor da colostomia.

Figura 1. Lado esquerdo: Ferida no dia do atendimento. Figura 2. Lado direito: Ferida após limpeza e retirada do tecido contaminado.
EVOLUÇÃO DO CASO / RESULTADOS
A bolsa de colostomia não foi mantida devido à dermatite secundária a cola adesiva, não apresentando boa adaptação neste caso. Sendo assim, foi utilizado bandagem com compressa e limpeza freqüente do
local da colostomia, obtendo uma boa cicatrização do estoma intestinal na pele. Após a cicatrização completa da ferida em região perineal que levou aproximadamente 40 dias, foi realizada a correção da colostomia, e o paciente teve alta clinica 3 dias após o procedimento.

Figura 3. Lado esquerdo superior: Estoma antes de ser suturado na pele. Figura 4, lado direito superior: bolsa de colostomia com cola adesiva ao redor do estoma suturado na pele. Figura 5. Lado esquerdo
inferior estoma já cicatrizado a pele com 15 dias de cirurgia. Figura 6. Lado direito inferior : cicatrização quase total do local da ferida.
CONCLUSÃO
De acordo com o presente trabalho, conclui-se que a colostomia se apresenta como uma alternativa viável e eficaz para auxiliar no tratamento de feridas em regiões perineais. O desvio do trato gastrointestinal possibilita que não haja contaminação das feridas por conteúdo fecal, contribuindo para o melhor manejo e tratamento
das mesmas.
REFERÊNCIAS
Aleksiewicz, R., Kostrzewa, D., Lutnicki, K., Kostrzewski, M., & Bochenska, A. (2015). Temporary colostomy as a treatment of colonic torsion in dogs.
Medycyna Weterynaryjna, 71(11), 709–712.
SAMY, A.; ABDALLA, A.; RIZK, A. Evaluation of short term loop colostomy in dogs using conventional and supporting subcutaneous silicone drain techniques. J Adv Vet Anim Res, v.7, n.4, p.685–691, 2020.
WILLIAM, N. S.; NASMYTH, D. G.; JONES, D.; et al. De- functioning stomas: a prospective controlled trial comparing loop ileostomy with loop transverse colostomy. Br J Surg, v.73, p.566-70, 1986.
WYLIE, K. B.; HOSGOOD, G. Mortality and morbidity of
small and large intestinal surgery in dogs and cats: 74
cases (1980–1992). J AmAnim HospAssoc, v
1Graduado Univiçosa. Pós Graduado em Clinica, Cirurgia e Ortopedia, Instituto Quallitas, Belo Horizonte, Aprimoramento em Cirurgias Avançadas de Tecido Mole pela AMCVET, Pós Graduando em Cirurgia
de Pequenos Animas, Anclivepa/ SP.
2Graduada UNIPAC Conselheiro Lafaiete.
3Graduada em Medicina Veterinária, UNIPAC Lafaiete. Pós Graduanda em Diagnóstico por Imagem de Pequenos Animais, Quallittas, Belo Horizonte.
