CHOLELITHIASIS IN THE BRAZILIAN SCENARIO
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202503190935
Felipe Lima Soares1; João Carlos Mendes Maia2; Williane de Santana Arruda3; Emily Cristina Bino dos Santos4; Luciana Maria Avelino de Menezes5; Gabriela Oliveira da Silva Taveira6
RESUMO
Introdução: A colelitíase, caracterizada pela formação de litíase biliar, é uma condição de saúde pública relevante e de significativa prevalência. A complexa interação entre fatores genéticos, dietéticos e fisiológicos contribui para sua etiologia. Este estudo objetivou analisar o cenário brasileiro quanto à prevalência, fatores de risco e abordagem da colelitíase. Método: Revisão sistemática da literatura com o objetivo de identificar estudos nacionais publicados entre 2014 e 2024. Resultados: A análise de 16 estudos revelou uma alta prevalência de colelitíase, principalmente na região Sudeste. A doença acomete principalmente mulheres a partir da quinta década de vida, e a obesidade emerge como um fator de risco significativo. A colecistectomia laparoscópica é o tratamento padrão-ouro, porém a recusa ao tratamento e a presença de comorbidades podem influenciar o prognóstico. Discussão: A colelitíase é uma condição multifatorial que impacta significativamente a qualidade de vida dos pacientes. A abordagem multidisciplinar, é fundamental para o manejo integral da doença. Educação em saúde, com foco na promoção de hábitos saudáveis, é essencial para a prevenção e controle. Conclusão: No cenário nacional, pelo menos um quinto da população possui cálculo biliar nas formas assintomática ou sintomática. A patologia se manifesta principalmente em mulheres da faixa etária de 50 anos. Obesos, sedentários, dislipidêmicos e dietas ricas em gorduras são os principais fatores de risco. Pesquisas associaram o uso de anticoncepcionais e gestações à formação de litíase biliar, geralmente assintomáticos, e recomendam a inclusão de ultrassonografia abdominal no pré-natal , além de atenção ao surgimento de sintomas e complicações.
Palavras-chave: Vesícula biliar, cálculos biliares, colecistectomia.
ABSTRACT
Introduction: Cholelithiasis, characterized by the formation of gallstones, is a significant public health condition with a notable prevalence. The complex interplay between genetic, dietary, and physiological factors contributes to its etiology. This study aimed to analyze the Brazilian scenario regarding the prevalence, risk factors, and approach to cholelithiasis. Method: A systematic review of the literature was conducted to identify national studies published between 2014 and 2024. Results: The analysis of 16 studies revealed a high prevalence of cholelithiasis, mainly in the Southeast region. The disease primarily affects women from the fifth decade of life onwards, and obesity emerges as a significant risk factor. Laparoscopic cholecystectomy is the gold-standard treatment, but refusal of treatment and the presence of comorbidities can influence the prognosis. Discussion: Cholelithiasis is a multifactorial condition that significantly impacts patients’ quality of life. A multidisciplinary approach is fundamental for the comprehensive management of the disease. Health education, with a focus on promoting healthy habits, is essential for prevention and control. Conclusion: In the national scenario, at least one-fifth of the population has gallstones in asymptomatic or symptomatic forms. The pathology mainly manifests in women in the age group of 50 years. Obese, sedentary individuals with dyslipidemia and diets rich in fats are the main risk factors. Studies have associated the use of contraceptives and pregnancies with the formation of gallstones, usually asymptomatic, and recommend the inclusion of abdominal ultrasound in prenatal care in addition to attention to the emergence of symptoms and complications.
Keywords: Gallbladder, gallstones, cholecystectomy
1 INTRODUÇÃO
A colelitíase, caracterizada pela formação de cálculos na vesícula biliar, constitui um problema de saúde pública relevante, afetando milhões de indivíduos em todo o mundo. A complexa interação entre fatores genéticos, dietéticos e fisiológicos contribui para a sua etiologia, com a supersaturação da bile por colesterol sendo um dos principais mecanismos1.
O excesso de colesterol na bile, associado à dismotilidade vesicular e à microbiota intestinal alterada, favorece a formação de cristais que evoluem para cálculos. A doença pode ser assintomática ou manifestar-se com dor abdominal, especialmente após refeições gordurosas, náuseas e vômitos. Complicações como colecistite aguda, com risco de perfuração, e coledocolitíase, com obstrução das vias biliares, podem surgir2.
No Brasil, a prevalência da colelitíase apresenta variações regionais, com a Região Sudeste se destacando por um maior número de casos e procedimentos cirúrgicos. Estima-se que a patologia afeta cerca de 20% da população brasileira, acometendo principalmente mulheres a partir da quinta década de vida. Esta condição impacta significativamente a qualidade de vida dos pacientes podendo levar a complicações sérias, como a colecistite aguda, que frequentemente exige intervenção cirúrgica3.
A compreensão dos fatores etiológicos da colelitíase pode guiar a ação dos profissionais de saúde de forma a influenciar positivamente em seu desfecho, assim como fornecer aos gestores de saúde subsídios na tomada de decisões para ações modificadoras do contexto social dos vulneráveis. Além disso, a ciência do impacto da doença na qualidade de vida dos pacientes é fundamental para a implementação de estratégias de cuidado mais eficazes e humanizadas. Sendo assim, este estudo objetivou analisar o cenário brasileiro quanto à prevalência, fatores de risco e à abordagem da colelitíase, englobando aspectos epidemiológicos, diagnósticos, tratamentos e suas implicações para a saúde pública.
2 METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão sistemática de literatura com abordagem qualitativa dos dados. Para realização desta revisão foi necessário o levantamento bibliográfico de publicações científicas na plataforma digital Scientific Electronic Library Online (Scielo).
A obtenção das publicações ocorreu através do emprego do termo/operador: Colelitíase. O resultado inicial apontou o total de 78 publicações disponíveis. O primeiro critério de inclusão foram estudos nacionais, publicados no recorte temporal entre janeiro de 2014 e outubro de 2024, resultando em 35 artigos. Desse total parcial, foram descartados os trabalhos de revisão de literatura, uso de dados secundários, duplicados, de autores com interesse comercial ou com vínculo com indústria farmacêutica, pesquisas de natureza veterinária e publicações não disponíveis na íntegra. Além disso, foi realizada a leitura dos resumos para a verificação de compatibilidade com a temática proposta neste estudo, restando 16 publicações.
A Figura 1 demonstra o fluxograma do sistema de pesquisa.

3 RESULTADOS
Os estudos elegíveis foram ordenados cronologicamente no Quadro 1 para apresentação e análise dos dados.
No total, foram selecionadas 16 publicações de um recorte temporal de dez anos. Os estudos abordaram dados primários de hospitais e centros de referência de saúde nacionais, assim como serviços de atendimento privado e público. A heterogeneidade da amostragem nesta pesquisa contribui para uma análise abrangente, considerando diferentes pontos de vista.
Quadro 1: Estudos eleitos após revisão sistemática de literatura.

Fonte: Elaboradas pelos próprios autores.
4 DISCUSSÃO
A colelitíase, caracterizada pela formação de cálculos na vesícula biliar a partir da supersaturação da bile com colesterol, é um problema de saúde pública relevante no Brasil, acometendo cerca de 10 a 20% da população adulta e raramente a pediátrica. A prevalência e o impacto da colelitíase variam entre as regiões brasileiras, sendo a região Sudeste a que apresenta os maiores índices de internações e procedimentos cirúrgicos, e o Norte os menores índices3,5. É uma doença onde a principal resolução é cirúrgica, com cerca de 60.000 internações por ano no Sistema Único de Saúde20.
A colonização bacteriana e a formação de biofilme nos cálculos biliares contribuem para o desenvolvimento da doença, principalmente se houver estase biliar e facilitação da capacidade de formar biofilme. Essa participação bacteriana está associada a processos litogênicos. A bactobilia pode evidenciar a presença de Klebisiella pneumoniae, Enterobacter sp e Helicobacter pylori5,21.
Análises epidemiológicas demonstram que a colelitíase apresenta uma maior prevalência no sexo feminino, com estudos relatando uma proporção de mulheres acometidas variando entre 67% e 84%. A faixa etária mais frequentemente afetada é a entre 40 e 60 anos, embora a idade média dos pacientes possa variar entre os diferentes estudos, com valores entre 48 e 52 anos. É importante destacar que a colelitíase também acomete homens, e a faixa etária dos pacientes pode se estender desde a adolescência até a idade avançada3, 4, 5, 8, 9, 12, 13.
Na infância a colelitíase é rara, mas pode ser sintomática como uma apresentação clínica de colangite esclerosante primária e levanta a importância da suspeita de doença hepatobiliar subjacente em crianças7.
A obesidade emerge como um fator de risco significativo. Diversos estudos demonstram uma forte associação entre o excesso de peso e a formação de cálculos biliares. Em uma amostra de pacientes submetidos à colecistectomia, por exemplo, observou-se que até 74,6% apresentavam sobrepeso ou obesidade1, 4, 8. Além disso, a cirurgia bariátrica, utilizada para o tratamento da obesidade, tem sido associada ao surgimento de cálculos biliares, principalmente em mulheres, sugerindo que tanto o excesso de peso quanto a perda de peso rápida podem predispor ao desenvolvimento da doença22.
É notório que a colelitíase resulta de uma interação complexa de fatores, incluindo predisposição genética, dieta, estilo de vida (fatores ambientais) e alterações metabólicas. Dietas ricas em gorduras saturadas e colesterol, associadas a um estilo de vida sedentário, aumentam o risco de formação de cálculos biliares. A má absorção intestinal de colesterol, a composição da microbiota intestinal e a motilidade da vesícula biliar também contribuem para o desenvolvimento da doença. O processo envolve a formação de cristais de colesterol, que, ao se aglomerarem, formam os cálculos1, 2, 5.
A colelitíase frequentemente se apresenta em conjunto com outras condições de saúde, o que sugere a existência de fatores comuns de risco ou interações patológicas. Em um estudo com 389 pacientes, observou-se que quase 60% apresentavam pelo menos uma comorbidade associada8. Além disso, a análise de 1229 pacientes com doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) revelou que, entre as comorbidades, houve uma prevalência significativamente maior de colelitíase, indicando uma possível associação entre essas duas condições18. A hipertensão emergiu como a comorbidade mais comum dos pacientes diagnosticados e submetidos a tratamentos de cálculos na vesícula biliar19.
A gravidez é um período fisiológico associado a diversas alterações que podem predispor ao desenvolvimento de colelitíase. Um estudo longitudinal com 25 gestantes demonstrou um aumento gradual na incidência de cálculos biliares ao longo da gestação, com a maioria dos casos sendo diagnosticada no terceiro trimestre e após o parto. No total, 18,1% das pacientes que não possuíam litíase no primeiro trimestre desenvolveram essa condição. Essa associação é clinicamente relevante, uma vez que a colelitíase durante a gravidez pode desencadear complicações tanto para a mãe quanto para o feto17. O uso de anticoncepcionais também foi relatado como fator de risco e deve ser incluso na anamnese do paciente com quadro suspeito de colelitíase1.
É uma doença frequentemente assintomática ou oligossintomática, mas quando presente, a dor abdominal, especialmente após refeições gordurosas, é o sintoma mais comum. A movimentação dos cálculos pelas vias biliares pode contribuir para a agudização do quadro. A obstrução do ducto cístico por cálculos é a principal causa de colecistite aguda, uma complicação que se manifesta com dor intensa e constante no quadrante superior direito do abdômen. Estudos demonstram que a colecistite aguda ocorre entre 50 a 95% dos casos de colelitíase sintomática. A migração dos cálculos para as vias biliares inferiores pode levar à coledocolitíase (ocorrendo após alojamento do cálculo no coledoco), com consequências como obstrução biliar e pancreatite2, 3, 5, 9, 20.
O diagnóstico da colelitíase é fundamental para o planejamento adequado do tratamento. A ultrassonografia abdominal é o exame de escolha, apresentando alta sensibilidade e especificidade para a detecção de cálculos na vesícula biliar. No entanto, pode não identificar e prever todas as complicações, como a coledocolitíase. Nesses casos, a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) se mostra um exame complementar valioso, com alta acurácia para a detecção de cálculos no colédoco. A CPRM, além de ser menos invasiva que a colangiografia peroperatória, é de grande acurácia e auxilia na identificação pré-operatória de pacientes com maior risco de complicações, permitindo um planejamento cirúrgico mais preciso. A associação de ultrassonografia e CPRM, quando indicada, otimiza o diagnóstico e o manejo da colelitíase, reduzindo a necessidade de procedimentos invasivos durante a cirurgia11, 15.
Portanto, a ultrassonografia é um exame simples, barato, porém operador-dependente e em vários casos requer exames complementares. Exames laboratoriais também auxiliam na previsão de complicações intraoperatórias, como o aumento de uma unidade da fosfatase alcalina sérica indica 0,3% maior risco de coledocolitíase11.
O tratamento da colelitíase varia de acordo com a presença ou ausência de sintomas e a gravidade da doença. Pacientes assintomáticos podem ser acompanhados clinicamente, enquanto aqueles com sintomas como dor abdominal intensa, necessitam de intervenção cirúrgica1. A colecistectomia, que consiste na remoção da vesícula biliar, é o tratamento padrão ouro e pode ser realizada por via laparoscópica ou aberta. A via laparoscópica é a abordagem preferencial, devido aos menores riscos e menor tempo de recuperação. No entanto, a escolha do procedimento cirúrgico depende de fatores como a gravidade da doença, as características do paciente e a experiência do cirurgião. Estudos demonstram que a colecistectomia laparoscópica é o procedimento mais comum, sendo realizada em cerca de 73,5% dos casos4. A colecistite aguda, uma complicação da colelitíase, é mais prevalente no sexo masculino e requer uma abordagem cirúrgica mais urgente, além de requerer um maior tempo operatório9.
A colecistectomia laparoscópica é a principal escolha para o tratamento da colelitíase, apresentando menor risco de complicações em comparação à cirurgia aberta e tempo de recuperação mais curto1,4. No entanto, como em qualquer procedimento cirúrgico, complicações podem ocorrer. Estudos demonstram que a incidência de complicações pós-operatórias varia entre 3,8% e 11,3%, sendo mais frequentes em pacientes do sexo masculino e idosos8,11. Fatores como diabetes, hipertensão, comorbidades e cirurgias abdominais prévias também podem aumentar o risco de complicações. Além disso, o sexo masculino foi preditivo para maior tempo de internamento e maior necessidade de UTI8. As complicações mais comuns incluem infecção da ferida operatória e hérnia incisional. A profilaxia antibiótica não demonstrou ser eficaz na prevenção de infecções de ferida operatória6. A identificação precoce de fatores de risco e o acompanhamento rigoroso dos pacientes no pós-operatório são essenciais para minimizar as complicações e garantir uma recuperação satisfatória12. A média de internação foi de 2,6 dias13.
O tratamento cirúrgico da colelitíase apresenta risco de óbito extremamente baixo. Diversos estudos demonstram que a mortalidade após este procedimento cirúrgico é inferior a 1%, sendo considerada uma cirurgia segura. No entanto, a presença de comorbidades, como doenças cardiovasculares e diabetes, pode aumentar o risco de complicações e mortalidade pós-operatória, especialmente em pacientes idosos. A coledocolitíase, uma complicação da colelitíase, embora possa aumentar a morbidade, não parece estar associada a um aumento significativo na mortalidade quando tratada de forma adequada. A colecistectomia videolaparoscópica, quando realizada em pacientes com doença do refluxo gastroesofágico, também se mostra segura, sem aumento do risco de mortalidade ou complicações relacionadas ao procedimento8, 11, 12, 13, 18.
A colecistectomia laparoscópica, mesmo sendo um procedimento minimamente invasivo, seguro e eficaz no tratamento da colelitíase, com taxas de sucesso elevadas e menor tempo de recuperação, pode apresentar rejeição dos pacientes. A possibilidade de realizar esse procedimento de forma ambulatorial, reduzindo custos e aumentando a satisfação do paciente, tem sido explorada em diversos centros14. No entanto, apesar dos benefícios da cirurgia laparoscópica, alguns pacientes ainda optam por adiar ou recusar o tratamento cirúrgico. As razões para essa recusa são multifatoriais e podem incluir experiências negativas prévias com procedimentos cirúrgicos, medo da dor pós-operatória e da anestesia, além de preocupações com a perda da autonomia durante o período de recuperação. É fundamental que os profissionais de saúde compreendam as razões subjacentes à recusa do tratamento e ofereçam um acompanhamento multidisciplinar, incluindo orientação psicológica, para auxiliar os pacientes a tomar decisões informadas e superar suas ansiedades. A combinação de informações claras e precisas sobre os benefícios da cirurgia laparoscópica, juntamente com um suporte psicológico adequado, pode aumentar a adesão ao tratamento e melhorar os resultados para os pacientes com colelitíase20.
O impacto da doença na qualidade de vida do paciente está descrito no quadro 2.
Quadro 2: Impacto da colelitíase na qualidade de vida do paciente:

Fonte: Elaboradas pelos próprios autores.
A descoberta incidental de câncer de vesícula biliar durante a colecistectomia para tratamento da colelitíase é um achado clínico relevante, com prevalência variando entre os estudos. Em nossa análise de 2018 pacientes submetidos à colecistectomia, identificamos uma prevalência de 0,34% de câncer de vesícula biliar, com maior incidência em pacientes com 60 anos ou mais. Embora a colecistectomia seja um procedimento comum, a associação entre a colelitíase e o câncer de vesícula biliar, especialmente em pacientes mais idosos, reforça a importância de uma avaliação histopatológica cuidadosa da peça cirúrgica. É importante ressaltar que o câncer de vesícula biliar, mesmo quando descoberto incidentalmente, apresenta um prognóstico reservado, com metástases hepáticas sendo a complicação mais comum10, 16, 19.
Essa patologia exerce um impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes. As crises de dor abdominal limitam as atividades diárias e podem gerar ansiedade e medo. Náuseas, vômitos e a necessidade de restrições alimentares agravam o quadro, afetando o bem-estar físico e emocional. Complicações como a colecistite aguda e a coledocolitíase podem levar a hospitalizações, procedimentos invasivos e sequelas que comprometem a qualidade de vida a longo prazo. A perspectiva de uma cirurgia, mesmo que minimamente invasiva, pode gerar preocupações e ansiedade nos pacientes. Além disso, as mudanças no estilo de vida necessárias para o manejo da doença, como a adoção de uma dieta restrita em gorduras e a prática regular de atividades físicas, podem ser desafiadoras. A abordagem multidisciplinar, que inclui o tratamento dos sintomas, a prevenção de complicações e o suporte psicológico, é fundamental para melhorar a qualidade de vida dos pacientes com colelitíase1, 22.
A colelitíase representa um significativo problema de saúde pública, gerando altos custos para o sistema de saúde e impactando a qualidade de vida dos pacientes. As internações hospitalares por complicações da doença, como a colecistite aguda, representam uma parcela considerável dos gastos com assistência médica. Além disso, a colelitíase contribui para a perda de produtividade e para a redução da qualidade de vida dos indivíduos acometidos. É fundamental compreender a magnitude desse problema e identificar as populações mais vulneráveis, a fim de implementar políticas públicas e ações de prevenção e controle efetivas20.
5 CONCLUSÃO
A colelitíase representa um significativo problema de saúde pública, com alta prevalência e impacto na qualidade de vida dos brasileiros. A complexidade da patogênese, envolvendo fatores genéticos, ambientais e metabólicos, torna o manejo da doença desafiador. No cenário nacional, pelo menos um quinto da população possui cálculo biliar nas formas assintomática ou sintomática. A patologia se manifesta principalmente em mulheres da faixa etária de 50 anos. Obesos, sedentários, dislipidêmicos e dietas ricas em gorduras são os principais fatores de risco. Pesquisas associaram o uso de anticoncepcionais e gestações à formação de litíase renal e biliar, geralmente assintomáticos, e recomendam a inclusão de ultrassonografia abdominal no pré-natal além de atenção ao surgimento de sintomas e complicações.
A identificação de fatores de risco é fundamental para a prevenção e o diagnóstico precoce. A colecistectomia laparoscópica se destaca como o tratamento padrão-ouro, oferecendo menor morbidade e maior satisfação do paciente. No entanto, a presença de comorbidades, a idade avançada e a recusa ao tratamento podem influenciar o prognóstico e a qualidade de vida.
A descoberta incidental de câncer de vesícula biliar durante a colecistectomia ressalta a importância de uma avaliação histopatológica cuidadosa da peça cirúrgica, especialmente em pacientes com fatores de risco. A associação entre a colelitíase e o câncer de vesícula biliar, embora ainda não completamente elucidada, sugere a necessidade de estudos adicionais para investigar essa relação e identificar possíveis marcadores precoces para o diagnóstico do câncer. Além disso, a colelitíase pode coexistir com outras doenças, como a doença do refluxo gastroesofágico, aumentando a complexidade do quadro clínico.
A abordagem multidisciplinar, que envolve médicos, nutricionistas e psicólogos, é fundamental para o manejo integral dos pacientes com colelitíase. A educação em saúde, com foco na promoção de hábitos de vida saudáveis, como a adoção de uma dieta equilibrada e a prática regular de atividade física, é essencial para a prevenção e o controle da doença.
Em conclusão, a colelitíase é uma condição multifatorial que exige uma abordagem integral e personalizada. A pesquisa contínua é fundamental para aprofundar o conhecimento sobre a fisiopatologia da doença, identificar novos marcadores diagnósticos e desenvolver estratégias mais eficazes de prevenção e tratamento. A promoção de hábitos de vida saudáveis e o acesso a serviços de saúde de qualidade são essenciais para reduzir o impacto da colelitíase na saúde pública e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
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1Graduando em Medicina
Instituição: Centro Universitário Uninorte
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E-mail: onlyfelipe@hotmail.com
2Graduando em Medicina
Instituição: Centro Universitário Uninorte
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3Graduanda em Medicina
Instituição: Centro Universitário Uninorte
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4Graduanda em Medicina
Instituição: Centro Universitário Uninorte
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5Graduanda em Medicina
Instituição: Centro Universitário Uninorte
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6Graduanda em Medicina
Instituição: Centro Universitário Uninorte
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