COBERTURA DO EXAME CITOPATOLÓGICO ENTRE MULHERES NA CIDADE DE CAPIVARI DE BAIXO/SC, NO ANO DE 2023

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512311211


Cristiane Jeremias Martins Francisco
Itamar Sebastião Mattos Neto
Graciela Freitas Zarbato
Gerci Vieira Machado
Vanda Ivonete de Carvalho


RESUMO

O exame citopatológico é uma ferramenta importante para a detecção precoce do câncer de colo do útero e outras doenças ginecológicas. A não realização do exame pode levar a diagnóstico tardio de diversas doenças, aumentando o índice de mortalidade entre mulheres. O estudo investiga a quantidade de mulheres que não realizaram o exame citopatológico, na cidade de Capivari de Baixo/SC, no ano de 2023. O objetivo geral do estudo é avaliar a cobertura do exame citopatológico entre mulheres da cidade de Capivari de Baixo, no ano de 2023, permitindo determinar a taxa de cobertura do exame por faixa etária, bem como examinar as políticas e programas de saúde existentes no município, relacionados à prevenção do câncer do colo do útero e saúde da mulher. A metodologia utilizada será com uma análise de natureza quantitativa, com um delineamento descritivo e transversal. A população pesquisada serão as mulheres atendidas e registradas no sistema das ESFs da cidade de Capivari de Baixo/SC e também será consultado os dados do SISCAN e IBGE. As amostras serão obtidas através de banco de dados contido nos ESFs da referida cidade. Os principais resultados mostraram que é baixa a adesão das mulheres que realizam o exame e fazem o acompanhamento, principalmente em mulheres jovens. Questões como a falta de conhecimento e medo do diagnóstico podem ser as principais razões para as baixas taxas. O estudo aponta a necessidade de programas e atividades de conscientização para melhorar o acesso ao exame e campanhas sobre os benefícios do exame citopatológico. Com base nessas conclusões, espera-se que os planos propostos possam melhorar a cobertura dos exames citopatológicos em Capivari de Baixo/SC, contribuindo para a saúde da mulher e prevenindo doenças ginecológicas.

Palavras-chave: Neoplasias do colo do útero; Câncer, Exame citopatológico; Saúde da Mulher.

ABSTRACT

Cytopathological testing is an important tool for the early detection of cervical cancer and other gynecological diseases. Not having the test can lead to late diagnosis of various diseases, increasing the mortality rate among women. The study investigates the number of women who did not undergo a cytopathology test in the city of Capivari de Baixo/SC in 2023. The general objective of the study is to evaluate the coverage of cytopathological examinations among women in the city of Capivari de Baixo in 2023, allowing us to determine the coverage rate of the examination by age group, as well as to examine the existing health policies and programs in the municipality related to cervical cancer prevention and women’s health. The methodology used will be a quantitative analysis, with a descriptive and cross-sectional design. The population surveyed will be the women seen and registered in the ESF system in the city of Capivari de Baixo/SC, and data from SISCAN and IBGE will also be consulted. Samples will be obtained from the database held at the city’s ESFs. The main results show that there is a low level of adherence among women who take the exam and are followed up, especially among young women. Issues such as lack of knowledge and fear of diagnosis may be the main reasons for the low rates. The study points to the need for awareness-raising programs and activities to improve access to testing and campaigns about the benefits of cytopathological testing. Based on these conclusions, it is hoped that the proposed plans can improve the coverage of cytopathological examinations in Capivari de Baixo/SC, contributing to women’s health and preventing gynecological diseases.

Keywords: Cervical Neoplasms; Cancer; Cytopathological examination; Women’s Health.

1. INTRODUÇÃO

O exame citopatológico, também conhecido como Papanicolau, é um exame de extrema importância para a saúde da mulher, prevenindo e detectando precocemente o câncer do colo de útero e outras doenças ginecológicas precocemente (1), haja vista que no Brasil, a quantidade de mulheres que não realizam o exame é alta. Não fazer esses exames preventivos pode levar a diagnósticos de doenças tardios, que podem causar mortalidade. Contudo, ainda existem diversos problemas de acesso das mulheres ao exame, especialmente em cidades pequenas. Para aumentar a adesão ao exame e permitir a identificação precoce de doenças, intervindo de forma rápida e aumentando significativamente as chances de tratamento e cura eficazes, com a realização periódica do exame, é importante conscientizar que a saúde preventiva entre as mulheres promove melhora na qualidade de vida e reduz os custos associados a tratamentos médicos mais prolongados e complicados (2).

O objetivo deste estudo é avaliar a cobertura do exame citopatológico entre mulheres da cidade de Capivari de Baixo, no ano de 2023. Tendo como objetivos específicos: i) determinar a taxa de cobertura do exame citopatológico entre mulheres, na cidade de Capivari de Baixo/SC, no ano de 2023; ii) analisar a cobertura do exame por faixa etária;

iii) Examinar as políticas e programas de saúde existentes no município, relacionados à prevenção do câncer do colo do útero, iv) Propor intervenções específicas baseadas nos dados coletados para aumentar a adesão ao exame citopatológico.

Ao analisar os dados da cidade de Capivari de Baixo/SC, este projeto oferece uma análise detalhada e contextualizada sobre a cobertura do exame citopatológico entre as mulheres na cidade (3,4,5). A pesquisa visa identificar elementos que influenciam a baixa adesão. Esses dados permitirão a criação e implementação de estratégias específicas para aumentar a participação das mulheres em exames preventivos (4,5). A importância deste estudo, embora o exame seja um exame geral, existem diferenças na sua cobertura em diferentes países, inclusive em cidades pequenas. Estas disparidades afetam a detecção precoce de doenças como o câncer do colo do útero e outras doenças ginecológicas, levando a tratamento mais longos, custos mais elevados e, em alguns casos, até registro de mortes.

Ao fornecer novos conhecimentos sobre a dinâmica local e os obstáculos que as mulheres de Capivari de Baixo enfrentam, o projeto contribuirá para a literatura existente (6,7). As soluções sugeridas terão um impacto direto na saúde pública da cidade e podem ser usadas para outros locais com características semelhantes. Assim, o projeto é útil tanto para aumentar o conhecimento quanto para melhorar a saúde das mulheres na comunidade de forma concreta e palpável (8).

Além disso, este estudo pode fornecer a base para o desenvolvimento de melhores políticas de saúde pública focadas na prevenção e direcionadas à população feminina, e sugerir intervenções e estratégias de saúde a serem tomadas. As mulheres estão incluídas nesta avaliação. O estudo utiliza uma abordagem utilizando um estudo descritivo e transversal, e os dados coletados serão analisados e fornecerão dados ao contexto local.

O estudo está organizado iniciando pela introdução, que explica o objetivo, a justificativa e contextualiza o estudo. O segundo capítulo, que revisa os dados sobre o que é o exame citopatológico, sua evolução, importância e como o procedimento é realizado. Também apresenta um levantamento sobre a saúde da mulher no Brasil, quais as políticas públicas existentes, os indicadores da saúde da mulher e adesão ao exame, no Brasil, e no estado de Santa Catarina, contextualizando adesão, fatores sociais, demográficos, culturais, econômicos e a cidade de Capivari de Baixo/SC. O terceiro capítulo apresenta a metodologia utilizada para o projeto de pesquisa, descrevendo população, amostra, variáveis, métricas e procedimentos estatísticos. Os capítulos quatro e cinco apresentam os resultados e discussão sobre o assunto, finalizando com o capítulo de conclusão que sugerem ações que podem ser tomadas com base nos achados para melhorar a adesão da cidade ao diagnóstico citopatológico e contribuir para a saúde pública. Portanto, o objetivo deste projeto não é apenas determinar a cobertura do exame citopatológico em Capivari de Baixo/SC, mas também fornecer apoio ao desenvolvimento de ações que visem melhorar a saúde das mulheres e das comunidades como um todo.

2. MARCO TEÓRICO

2.1 Exame Citopatológico

O câncer de colo de útero eleva os índices de mortalidade e promove diversas complicações para a saúde e qualidade de vida da mulher (1), sendo considerado um dos cânceres com maiores incidências no mundo. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) realiza o acompanhamento e rastreamento dessas incidências (2, 3, 4), sendo de extrema importância a realização do exame citopatológico, disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nas redes federais, estaduais e municipais. O câncer de colo do útero, ou câncer cervical, demora anos para se desenvolver, alterando células que desencadeiam o câncer, podendo ser facilmente descoberta pelo exame citopatológico (9).

O câncer do colo do útero é causado por infecção genital causada pelo Papilomavírus Humano (HPV), sendo um vírus sexualmente transmissível, e seu contágio pode ser evitado com o uso de preservativos. O INCA diz que (10):

“A infecção pelo HPV é muito comum. Estima-se que cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas irão adquiri-la ao longo de suas vidas. Aproximadamente 290 milhões de mulheres no mundo são portadoras do HPV, sendo que 32% estão infectadas pelos subtipos 16, 18 ou ambos”.

O exame citopatológico, popularmente conhecido como Papanicolau, é extremamente importante na detecção precoce de doenças, principalmente câncer de colo de útero. Considerado um método simples e eficaz, utilizado como parte do monitoramento de alterações celulares que podem indicar a presença de doenças, desde processos inflamatórios até tumores malignos. Segundo indica o INCA (10):

“O rastreamento com a coleta do exame citopatológico deve ser realizado a partir de 25 anos em todas as mulheres que iniciaram atividade sexual. Os dois primeiros exames devem ser feitos com intervalo de um ano e, se os resultados forem normais, o exame deve ser feito a cada três anos”. Ainda, o INCA revela que o rastreamento do câncer “é uma estratégia dirigida a um grupo populacional específico no qual o balanço entre benefícios e riscos dessa prática é mais favorável, com impacto na redução da mortalidade”(10).

O exame analisa algumas células coletadas da superfície do colo do útero, tem como objetivo identificar alterações que podem ser sinais de infecção, inflamação ou lesões cancerosas precoces. Barros, Lima, Azevedo e Oliveira (11) nos dizem que:

“Apesar das vantagens atribuídas à colheita tríplice, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) recomenda apenas a colheita dupla (ectocérvice e endocérvice), uma vez que o objetivo do exame é o rastreio das lesões pré-cancerosas do colo”.

O principal objetivo do exame citopatológico é detectar alterações celulares precoces que podem evoluir para câncer, o que permite o diagnóstico e tratamento precoce, o que aumenta significativamente as chances de cura. Além disso, os exames também podem detectar infecções causadas pelo papilomavírus (HPV), que está relacionado ao desenvolvimento do câncer de colo do útero (10,11).

O exame deve ser priorizado entre mulheres com idade entre 25 e 60 anos, e pode ser interrompido após os 65 anos, caso os últimos resultados tenham dado negativos para doenças citopatológicas.

“A partir dos 64 anos de idade, a realização do exame de Papanicolaou pode ser interrompida, desde que a mulher tenha dois resultados citológicos negativos consecutivos nos últimos cinco anos. Para mulheres com mais de 64 anos de idade e que nunca foram avaliadas através do exame citopatológico, é necessário realizar dois exames com intervalo de um a três anos. Se ambos forem negativos, essas mulheres podem ser dispensadas de exames adicionais” (11).

2.1.1 Evolução do exame citopatológico

O exame citopatológico vem avançando significativamente, desde a sua criação, sendo um exame imprescindível à saúde pública feminina, na prevenção de doenças ginecológicas, em especial o câncer do colo do útero. Barros, Lima, Azevedo e Oliveira (11) registraram que em 1914, o Dr. George Papanicolaou registrou os estudos iniciais “tinham como alvo esfregaços vaginais de animais de laboratório e posteriormente de mulheres, objetivando conhecer os efeitos hormonais sobre a mucosa vaginal”, originando o nome do exame popularmente conhecido como Papanicolau, em homenagem ao médico. Ainda, Barros, Lima, Azevedo e Oliveira (11) dizem que:

“Em 1928, Papanicolaou publicou um artigo sobre os resultados do seu trabalho, intitulado “Novo diagnóstico de câncer”. No final desse artigo, ele previu: “Uma compreensão melhor e uma análise mais precisa do problema do câncer com certeza resultarão da aplicação deste método. É possível que sejam desenvolvidas técnicas análogas para o reconhecimento de câncer em outros órgãos”. Na ocasião o seu trabalho não sensibilizou o meio acadêmico, em parte devido a falta de dados estatísticos na pesquisa”.

Em 1943, foi publicada a monografia “Diagnóstico de câncer uterino pelo esfregaço vaginal”, de Herbert Traut, que introduziu a técnica de diagnosticar câncer uterino e lesões precursoras pela citologia (11).

Desde 1940 o exame passou a ser amplamente utilizado, após comprovada sua eficácia através de estudos clínicos, levando a criação de programas de rastreamento em diversos países, auxiliando na diminuição significativa da incidência e mortalidade por câncer do colo do útero nas regiões onde a prática foi implementada com sucesso (11).

Barros, Lima, Azevedo e Oliveira (11) dizem que:

“O sucesso do teste de Papanicolaou se deve fundamentalmente a seu baixo custo, sua simplicidade técnica e eficácia diagnóstica, sendo introduzido numa época em que o câncer de colo uterino representava a principal causa de morte relacionada ao câncer em mulheres nos Estados Unidos”.

No Brasil, em 1940, iniciou-se o controle do câncer do colo do útero através de iniciativas pioneiras de profissionais por meio da citologia e a colposcopia (2).

Não somente o exame evoluiu, como também a qualidade das amostras precisaram evoluir, seguindo a Nomenclatura Citológica Brasileira (12), a amostra é definida como satisfatória ou insatisfatória. Segundo as diretrizes Brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero, desenvolvido pelo INCA (2):

“Embora a indicação dos epitélios representados na amostra seja informação obrigatória nos laudos citopatológicos, seu significado deixa de pertencer à esfera de responsabilidade dos profissionais que realizam a leitura do exame. As células glandulares podem ter origem em outros órgãos que não o colo do útero, o que nem sempre é identificável no exame citopatológico”.

Os avanços técnicos impulsionaram a conscientização sobre a importância da prevenção e cuidados com a saúde pública por meio de políticas voltadas à saúde da mulher pelo mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS), recomenda a inclusão do exame de Papanicolau em programas nacionais de saúde como forma eficaz de prevenção ao câncer do colo do útero (13).

2.1.2 Importância do exame a detecção do câncer do colo do útero

Detectar um câncer precocemente aumenta as chances de cura, permitindo intervir a tempo de a doença não avançar. Lima, Gemaque, Negrão e Marques (14) nos dizem que “O câncer do colo do útero é o terceiro que mais afeta mulheres no Brasil, levando a uma alta taxa de mortalidade que, em geral, ocorre nas faixas etárias de 30 a 50 anos”. Com isso, é imprescindível realizar o exame com regularidade, a fim de reduzir a incidência e mortalidade associadas a essa enfermidade. “A tendência crescente na cobertura citopatológica é um reflexo do sucesso das estratégias de conscientização, das políticas de saúde pública e dos esforços colaborativos para promover a detecção precoce do câncer cervical” (6).

O câncer do colo do útero se desenvolve a partir de alterações nas células do colo do útero, e podem levar anos para evoluir para um câncer invasivo, o que torna o rastreamento periódico por meio do exame citopatológico fundamental. Conforme registra o INCA (14): “O câncer do colo do útero possui história natural bem conhecida e tem como causa básica a infecção pelo papilomavírus humano (HPV). Existem mais de 150 tipos diferentes de HPV, que estão relacionados à origem de lesões benignas como verrugas e papilomas laríngeos (HPV não oncogênico ou de baixo risco); a lesões precursoras; e a vários tipos de câncer (HPV oncogênico ou de alto risco), como do colo do útero, e menos frequentemente ânus, vagina e pênis”.

Ou seja, além de prevenir e diagnosticar o câncer do colo do útero, também diagnostica outras condições ginecológicas, tais como infecções virais, bacterianas e fúngicas, alterações celulares benignas ou malignas. Conforme a figura 2.1, vemos o número de exames realizados no Brasil, entre os anos de 2018 e 2022.

Figura 2.1 Número de exames citopatológicos cérvico-vaginais em mulheres de 25 a 64 anos realizados no SUS, Grandes Regiões (Brasil), 2018 a 2022 (16).

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer do colo do útero é o quarto tipo de câncer mais comum entre mulheres em todo o mundo, sendo responsável por aproximadamente 311 mil mortes em 2018, sendo aproximadamente 80% dessas mortes ocorridas em países em desenvolvimento (13).

2.1.3 Procedimento do exame citopatológico

O procedimento do exame citopatológico é simples e rápido, indolor à maioria das mulheres, e sua realização é fundamental para o rastreamento de doenças que, se detectadas precocemente, têm grandes chances de tratamento eficaz. O exame é realizado por um profissional de saúde, e consiste na coleta de células do colo do útero, que serão analisadas em laboratório. O procedimento se divide em três etapas principais: preparo da paciente, coleta da amostra e análise laboratorial (11).

Primeiramente, é realizado o preenchimento da ficha com os dados da paciente:

a) Dados pessoais
b) Dados do médico que solicitou o exame
c) Dados clínicos da paciente.
d) Dados macroscópicos da vagina/colo e colposcópicos (11).

Para a coleta das amostras cervicovaginais, é necessário seguir as orientações recomendadas:

a) Não estar menstruada;
b) Não realizar duchas vaginais e não usar drogas intravaginais (creme, óvulo) nas 48 horas que antecedem o exame;
c) Abstinência sexual nas 48 horas que antecedem o exame;
d) Evite relações sexuais 48 horas antes do exame,
e) Não utilize duchas vaginais, cremes, medicamentos ou outros produtos intravaginais por 48 horas antes da coleta (11).

“Todos os diagnósticos citológicos são de responsabilidade do médico citopatologista. Cabe ao citotécnico a avaliação inicial de todos os esfregaços, registrando as possíveis anormalidades observadas” (11).

Após esses passo, é realizada a colheita:

“A chamada colheita tríplice foi preconizada há longos anos e ainda é utilizada em muitos serviços. Nesta modalidade de colheita, as amostras obtidas do fundo de saco posterior da vagina, da ectocérvice e da endocérvice são distribuídas na mesma lâmina. As vantagens da técnica compreendem o seu baixo custo, a rapidez da avaliação microscópica e a sua efetividade diagnóstica. Contudo, é necessário um treinamento adequado para garantir a boa qualidade dos espécimes, evitando artefatos de esmagamento e dessecação do material” (11).

Figura 2.2 Etapas da colheita tríplice de amostras cervicovaginais (11)

Conforme a figura 2.2, temos na imagem:

a) Colheita do fundo de saco posterior da vagina;
b) Colheita da ectocérvice;
c) Colheita da endocérvice.

Em mulheres histerectomizadas (remoção do útero), a colheita das amostras é realizada através do raspado da cúpula e das paredes vaginais. Logo após a colheita, é feito o que se chama de esfregaço, conforme figura 2.3.

Figura 2.3 Modelo recomendado para a distribuição das amostras citológicas na lâmina de vidro (11)

Conforme a figura 2.3, temos na imagem:

a) Distribuição da amostra da endocérvice;
b) Distribuição do material obtido do raspado ectocervical;
c) Distribuição da amostra do fundo de saco posterior da vagina.

“É muito importante no momento da colheita e da confecção dos esfregaços ter precaução para não contaminar as lâminas com fios de algodão da gaze ou talco contido nas luvas utilizadas durante o procedimento” (11).

2.2 Saúde da mulher no Brasil

A saúde da mulher no Brasil abrange aspectos desde a saúde reprodutiva até a prevenção de doenças e a promoção do bem-estar físico e mental das mulheres. O Censo 2022 aponta que a população brasileira é composta por cerca de 104,5 milhões de mulheres e 98,5 milhões de homens, 51,5% são mulheres residentes no país (19).

“As mulheres são a maioria da população brasileira e as principais usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS). Frequentam os serviços de saúde para o seu próprio atendimento mas, sobretudo, acompanhando crianças e outros familiares, pessoas idosas, com deficiência, vizinhos, amigos”(18).

Sendo a maioria, é importante tratar a saúde reprodutiva da mulher, estudar políticas públicas com foco em planejamento familiar, controle de natalidade e assistência pré-natal, e métodos contraceptivos, a fim de evitar abortos clandestinos, que podem levar a mortalidade. “No Brasil, a saúde da mulher foi incorporada às políticas nacionais de saúde nas primeiras décadas do século XX, sendo limitada, nesse período, às demandas relativas à gravidez e ao parto. Contudo, o acesso a abortos seguros, permitidos em alguns casos, ainda enfrenta desafios locais” (18).

Prevenir doenças sexualmente transmissíveis, câncer de mama e colo do útero também são prioridades de programas do governo, onde o exame citopatológico é oferecido pelo SUS gratuitamente (18).

O Brasil fez progressos em áreas como a mortalidade materna e o acesso ao parto, mas a desigualdade de acesso e a violência ainda exigem medidas mais fortes para melhorar a saúde das mulheres.

2.2.1 Políticas públicas voltadas à saúde da mulher

As políticas públicas voltadas à saúde da mulher, no Brasil, são fundamentais tanto para a prevenção de doenças, quanto a garantir os direitos e a melhora da qualidade de vida. O maior destaque de políticas públicas focadas na saúde da mulher ocorreu entre as décadas de 1980 e 1990, com a criação do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) em 1983, sendo a primeira política voltada exclusivamente para a saúde da mulher.

“O objetivo principal da PNAISM é integrar as mulheres no meio social, político e comunitário. Ela pretende fortalecer ações de prevenção, promoção, assistência e recuperação da saúde. Para isso, é importante ter um sistema de saúde bem organizado, com diferentes serviços que atendam as mulheres em todas as fases da vida. A atenção primária à saúde é fundamental, pois é o ponto de partida para acessar outros serviços de saúde e garantir a continuidade do cuidado” (22).

O programa é inovador e busca:

“Promover a melhoria das condições de vida e saúde das mulheres brasileiras, mediante a garantia de direitos legalmente constituídos e ampliação do acesso aos meios e serviços de promoção, prevenção e assistência e recuperação da saúde em todo o território brasileiro. Contribuir para a redução da morbidade e mortalidade feminina no Brasil, especialmente por causas evitáveis, em todos os ciclos de vida e nos diversos grupos populacionais, sem discriminação de qualquer espécie. Ampliar, qualificar e humanizar a atenção integral à saúde da mulher no Sistema Único de Saúde (SUS)” (22).

O SUS, conforme descrito na Constituição de 1988, Art. 198, § 1º “O sistema único de saúde será financiado, nos termos do art. 195, com recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes” (23) garantiu a saúde como um direito universal e integral para toda a população, impulsionando a criação de programas e serviços voltados especificamente para a saúde da mulher.

“O controle do câncer do colo do útero requer ações articuladas em todos os níveis de atenção, desde a promoção da saúde até os cuidados paliativos” (21). Diminuir o risco de contágio pelo papilomavírus humano (HPV) previne o câncer do colo do útero. “O Ministério da Saúde implementou no calendário vacinal, em 2014, a vacina tetravalente contra o HPV para meninas e em 2017, para meninos” (21). Ou seja, as políticas públicas são extremamente importantes para amparar as mulheres.

Entre as iniciativas de políticas de saúde da mulher, outro destaque são os Programas de Prevenção ao Câncer do Colo do Útero e de Mama:

“No Brasil, a ocorrência desse tipo de câncer permanece alta se comparada à de outros países 2. Estima-se, para o ano de 2020 no país, taxa de incidência de 12,7 e de mortalidade de 6,3 por 100 mil habitantes 3. Observa-se grande desigualdade regional no país, com alta mortalidade nas regiões Norte e Nordeste 4, sendo que a tendência de redução verificada em todo o país ainda não ocorreu no interior da Região Norte” (8).

Mesmo sendo um dos grandes a taxa de realização do exame citopatológico o diagnóstico de doenças ainda são elevadas no Brasil, chegando ao valor de 46,0% (24).

Outros programas e políticas voltadas exclusivamente às mulheres são extremamente importantes e necessários, para a saúde física e mental, tais como a Política Nacional de Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos e Lei do acompanhante no parto, Programa Mulher Viver Sem Violência, entre outras, conforme citados em artigos e estudos focados em estudos feministas: “A nova visão da mulher, o entendimento de sua integralidade (deixou de ser apenas mama, colo e gestação), assim como de sua vulnerabilidade a partir das questões de gênero tem que ser consideradas” (25).

2.2.2 Indicadores da saúde da mulher no Brasil

Juntamente com programas e políticas de apoio à saúde das mulheres, é preciso também acompanhar esses indicadores, para assim avaliar o impacto das políticas públicas voltadas a essa população. Os indicadores fornecem visões detalhadas sobre mortalidade, monitoramento da periodicidade da realização dos exames, rastreamento de cânceres e doenças crônicas, acesso aos serviços de saúde, entre outros.

“No Brasil, a ocorrência desse tipo de câncer permanece alta se comparada à de outros países. Estima-se, para o ano de 2020 no país, taxa de incidência de 12,7 e de mortalidade de 6,3 por 100 mil habitantes. Observa-se grande desigualdade regional no país, com alta mortalidade nas regiões Norte e Nordeste, sendo que a tendência de redução verificada em todo o país ainda não ocorreu no interior da Região Norte” (8).

Figura 2.4 Percentual de óbitos prematuros por câncer de mama e colo do útero segundo faixa etária, Brasil 2010-2021 (28)

Um dos principais indicadores para se acompanhar é a mortalidade materna, cujas causas são complicações obstétricas como hemorragias e hipertensão. No ano de 2024, até o momento, há registros de aproximadamente 22 mil óbitos de mulheres, entre 10 a 49 anos (26).

O câncer de colo do útero é o terceiro tipo de neoplasia mais incidente entre mulheres, conforme dados o INCA (Instituto Nacional de Câncer), representado na figura 2.5.

Figura 2.5 Incidência estimada conforme a localização primária do tumor e sexo (29)

Como o terceiro câncer mais registrado entre as mulheres, no ano de 2023 houveram 23.660 registros de novos casos dessa neoplasia. Por esses números, é tão importante o acompanhamento de exames periódicos e de políticas de saúde públicas específicas para a saúde da mulher.

Como o terceiro tipo de câncer que causa mortalidade entre mulheres, conforme representado na figura 2.6, este também é uma neoplasia que causa grande impacto na população feminina.

Figura 2.6 Mortalidade conforme a localização primária do tumor e sexo (29)

“Em 2021, a taxa padronizada de mortalidade pela população mundial na Região Norte foi de 9,07 mortes por 100 mil mulheres, representando a primeira causa de óbito por câncer feminino nessa Região. Nas Regiões Nordeste, com taxa de mortalidade de 5,61/100 mil e Centro-Oeste, com taxa de 4,60/100 mil, o câncer do colo do útero foi a terceira causa. As Regiões Sul e Sudeste tiveram as menores taxas (4,47/100 mil e 3,27/100 mil), ficando na quinta e sexta posições, respectivamente” (28).

A análise desses indicadores é crucial para a formulação de políticas mais eficazes, que garantam a todas as mulheres brasileiras o acesso à saúde de qualidade, independente de sua condição social, cor ou localização.

Como resultado do acompanhamento dos indicadores e de experiências, o governo criou a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) em 2011:

“A Atenção Básica caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, redução de danos e a manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver uma atenção integral que impacte na situação de saúde e autonomia das pessoas e nos determinantes e condicionantes de saúde das coletividades. É desenvolvida por meio do exercício de práticas de cuidado e gestão, democráticas e participativas, sob forma de trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios definidos, pelas quais assume a responsabilidade sanitária, considerando a dinamicidade existente no território em que vivem essas populações. Utiliza tecnologias de cuidado complexas e variadas que devem auxiliar no manejo das demandas e necessidades de saúde de maior frequência e relevância em seu território, observando critérios de risco, vulnerabilidade, resiliência e o imperativo ético de que toda demanda, necessidade de saúde ou sofrimento devem ser acolhidos” (30).

O Ministério da Saúde investe em desenvolvimento de sistemas das unidades, visando ultrapassar obstáculos à melhoria dos serviços de cuidados de saúde primários. O PNAB está envolvido em novos projetos para atender populações especiais e ampliar a integração com outras políticas de saúde, modernizando e informatizando as UBS para oferecer um atendimento mais simples e próximo às necessidades da população.

A Estratégia Saúde da Família (ESF), criada há 30 anos, é tida pelo Ministério da Saúde e gestores estaduais e municipais como estratégia de expansão, qualificação e consolidação da atenção básica por favorecer uma reorientação do processo de trabalho com maior potencial de aprofundar os princípios, diretrizes e fundamentos da atenção básica, de ampliar a resolutividade e impacto na situação de saúde das pessoas e coletividades, além de propiciar uma importante relação custo-efetividade (30).

2.2.3 Adesão ao exame citopatológico no Brasil

Aderir ao exame citopatológico garantirá, futuramente, com que o Brasil diminua a incidência dessa doença, diminuindo cada vez mais a mortalidade, principalmente nas comunidades de baixa renda e nas zonas rurais, investindo, claro, em programas e políticas de prevenção. Além disso, a falta de informação e conscientização sobre a importância da prevenção e vacinação contra o HPV contribui para a persistência desta situação. Implementar políticas de saúde pública que garantam acesso adequado à prevenção e tratamento é importante para reduzir a morbimortalidade por esse tipo de câncer no Brasil.

“O câncer do colo do útero é raro em mulheres de até 30 anos. A mortalidade aumenta progressivamente a partir da quarta década de vida. Historicamente, cerca de 70% da mortalidade por câncer do colo do útero se concentra na faixa etária de 25 a 64 anos. As desigualdades regionais e socioeconômicas tornam o Brasil” (27).

As desigualdades sociais são vistas igualmente na forma de gradiente quando se analisa a proporção de exame preventivo por faixa de rendimento, conforme demonstrado na figura 2.7.

Figura 2.7 Proporção de mulheres de 25 a 64 anos que informaram a realização de exame citopatológico do colo do útero nos últimos três anos, nas capitais brasileiras e no Distrito Federal (31)

Conforme o figura acima, nos anos de 2020 e 2021, houve uma queda no acesso a serviços de saúde, provavelmente em consequência da pandemia de Covid-19.

“No período de 2016 a 2021, houve estabilidade na oferta de exames citopatológicos do colo do útero no Sistema Único de Saúde (SUS), com queda ao final do período. A queda nos exames em 2020 foi consequência da pandemia de COVID-19. Em 2021, houve aumento no número de exames em relação a 2020, mas ainda abaixo dos patamares alcançados nos anos anteriores à pandemia” (6).

Já a figura 2.8 nos mostra os principais motivos registrados pelas mulheres para nunca terem realizado o exame citopatológico.

Figura 2.8 Distribuição das mulheres de 25 a 64 anos de idade, segundo o principal motivo de nunca ter feito exame preventivo no Brasil (31)

Como se vê, 45,1% das mulheres entre 25 e 64 anos não acham necessário a realização do exame, o que deixa claro a falta de conhecimento e divulgação de informações tão importantes.

Quanto ao nível de instrução, a figura 2.7 mostra diferenças significativas no percentual de cobertura de acordo com o nível de escolaridade e a região. Numa média geral, pessoas com ensino superior completo apresentam uma cobertura de 90,4%, enquanto o menor percentual está entre aqueles sem instrução ou com ensino fundamental incompleto (72,5%). Existe um aumento de cobertura conforme o aumento do nível de escolaridade em todas as regiões, entretanto, as regiões Sudeste e Sul apresentam as melhores coberturas, independentemente do nível de instrução (31).

Figura 2.9 Proporção de mulheres de 25 a 64 anos de idade que realizaram o exame preventivo para câncer de colo de útero nos últimos 3 anos anteriores à pesquisa, por nível de instrução, Brasil e Regiões (31)

Figura 2.10 Proporção de mulheres de 25 a 64 anos de idade que realizaram o exame preventivo para câncer de colo de útero nos últimos 3 anos anteriores à pesquisa, por raça ou cor (31)

Quanto à variável raça ou cor destaca-se o maior acesso entre a população branca ao exame em todo o país, conforme demonstrado na figura 2.8 acima.

Figura 2.11 Proporção de mulheres de 25 a 64 anos de idade que realizaram o exame preventivo para câncer de colo de útero nos últimos 3 anos anteriores à pesquisa, segundo o rendimento domiciliar per capita (31)

As desigualdades sociais são vistas igualmente quando se analisa a proporção de exame preventivo por faixa de rendimento, conforme visto na figura 2.9, quanto maior a renda familiar, maior a adesão ao exame.

Os testes citopatológicos no Brasil enfrentam grandes desafios, principalmente devido à incerteza regional e econômica. Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) ofereça exames gratuitos e acessíveis, muitas mulheres não realizam. Para ultrapassar estas dificuldades, o Ministério da Saúde introduziu medidas como programas de sensibilização e a criação de unidades móveis de saúde, que estão a ser testadas em zonas de difícil acesso. Iniciativas de saúde pública, visando melhorar a formação de profissionais e promover programas de conscientização.

2.3 Saúde da mulher em Santa Catarina

A saúde da mulher é prioridade no estado de Santa Catarina, através da área Técnica Saúde da Mulher/Rede Cegonha da Secretaria Estadual de Saúde, está dedicada a promover o acesso aos serviços de saúde que visam promoção, prevenção, assistência e recuperação da saúde da mulher. Essas ações abrangem diversas áreas tais como planejamento reprodutivo, que oferecem orientações e serviços para as mulheres fazerem escolhas informadas sobre a saúde reprodutiva; atenção obstétrica via Rede Cegonha, garantindo cuidados de qualidade durante a gravidez, parto e pós-parto, visando a redução da mortalidade materna-infantil; acompanhamento e suporte às mulheres durante a transição da menopausa, promovendo uma melhor qualidade de vida; implementação de ações de prevenção e assistência às vítimas, assegurando um suporte adequado e humanizado (32).

2.3.1 Adesão ao exame citopatológico em Santa Catarina

Em Santa Catarina, a cobertura do exame citopatológico é baixa quando comparada a outras regiões do Brasil. Dados do SISCAN, do ano de 2023, registraram 472.966 exames citopatológicos (3), sendo que o estado possui uma população estimada em aproximadamente 8 milhões de habitantes, sendo composto por 50,7% de mulheres (19). A adesão ao exame citopatológico em Santa Catarina reflete desafios e avanços da saúde pública estadual, mesmo o estado tendo uma boa estrutura de saúde, ainda há obstáculos para garantir às mulheres o acesso ao exame.

No Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON), que é referência no tratamento de câncer em Santa Catarina, foram registrados 1.221 atendimentos a pacientes com câncer de colo do útero em 2023 (33). Conforme dados divulgados pelo INCA (5), no ano 2018, foram realizados 377.610 exames em Santa Catarina. No ano de 2019, foram 358.286. Em 2020 houve queda significativa para 194.712 exames, números estes impactados pela pandemia. Em 2021 voltou a subir a adesão para 317.524, e em 2022 foram 359.064 exames realizados.

Dados do INCA (5) registram que a cada 100 mil mulheres, há 880 novos casos de câncer do colo do útero, por este motivo, é indispensável aumentar a adesão ao exame e expandir o conhecimento sobre a importância do exame. Iniciativas como unidades móveis de saúde, campanhas de conscientização comunitária e mutirões de saúde têm sido fundamentais para aumentar a cobertura do exame citopatológico em Santa Catarina, principalmente em comunidades que enfrentam barreiras de acesso. Além disso, a integração do exame com outros serviços oferecidos pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), como consultas de planejamento familiar e acompanhamento pré-natal, tem facilitado o acesso das mulheres a esse cuidado preventivo.

2.3.2 Fatores sociais, demográficos e culturais

A adesão ao exame citopatológico em Santa Catarina é influenciada por fatores sociais, demográficos e culturais que afetam o acesso e a procura por esse serviço preventivo. Mulheres em condições socioeconômicas desfavoráveis enfrentam dificuldades, como falta de recursos financeiros e menor nível de escolaridade, o que limita o acesso e a conscientização sobre a importância do exame. Muitas mulheres trabalham para sustentar a família, estudam, e ainda não podem contar com o apoio do parceiro, além de vergonha em procurar e realizar esse exame (35, 36).

Além disso, fatores culturais, como o desconforto e tabus relacionados ao exame ginecológico, reduzem a adesão, principalmente em comunidades tradicionais. A falta de conscientização sobre a saúde preventiva contribui para a baixa adesão entre mulheres, desde as mais jovens, até em idades avançadas. É importante investir em campanhas educativas, ampliar o acesso e garantir um atendimento acolhedor para melhorar a cobertura do exame em Santa Catarina, especialmente nas áreas mais vulneráveis (35, 36).

2.3.3 Fatores econômicos e de logística

A adesão ao exame citopatológico depende, além do conhecimento da importância do mesmo, como está relacionado a fatores econômicos e de logística. Mesmo sendo um exame disponibilizado gratuitamente através do Sistema Único de Saúde (SUS), as condições econômicas e a logística de acesso aos serviços podem representar grandes barreiras, especialmente para populações vulneráveis e em regiões mais afastadas dos centros urbanos (35).

Mesmo sendo gratuito, a precariedade econômica faz com que as mulheres façam escolhas entre custos indiretos e de saúde, deixando de lado o acompanhamento e as práticas preventivas à saúde (35, 36), priorizando outras demandas básicas, como alimentação e cuidado dos filhos, muitas vezes faz com que a saúde preventiva seja deixada em segundo plano. Em famílias onde as mulheres são responsáveis pelo sustento, tirar um tempo para ir ao posto de saúde pode ser visto como inviável, o que afeta a adesão ao exame, além de não ter o apoio do parceiro (35).

Os desafios logísticos também influenciam consideravelmente a adesão ao exame citopatológico em Santa Catarina, mesmo que o estado possua uma rede de Unidades Básicas de Saúde (UBS), sendo a porta de entrada para o sistema de saúde. A disponibilidade de profissionais de saúde capacitados e horários de atendimento adequados também é um fator importante (36).

Os fatores econômicos e de logística representam desafios significativos para a adesão ao exame citopatológico em Santa Catarina. Apesar do esforço do SUS em disponibilizar o exame gratuitamente, os custos indiretos e as dificuldades de acesso ainda afastam muitas mulheres desse cuidado essencial.

2.3.4 Contexto em Capivari de Baixo/SC

A cidade de Capivari de Baixo está localizada ao sul do estado de Santa Catarina, foi criada em 1992 (34). Sendo uma cidade de médio porte com desafios, tendo como principal atividade econômica a geração de energia termelétrica a partir do carvão. Com uma população urbana, o município tem uma boa rede de atendimento em saúde básica, mas, assim como em outras regiões, enfrenta dificuldades para garantir que toda a população feminina realize o exame citopatológico com regularidade. Embora a cidade possua uma rede de Atenção Básica relativamente bem estruturada, enfrenta desafios relacionados à conscientização e ao acesso ao exame preventivo do câncer de colo do útero.

Capivari de Baixo conta com 8 (oito) Unidades Básicas de Saúde (UBS) distribuídas pela cidade, que oferecem o exame citopatológico de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) (37).

“As Unidades Básicas de Saúde (UBS), frequentemente chamadas de Estratégias de Saúde da Família (ESF), são a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. Elas desempenham um papel crucial na promoção, prevenção e assistência à saúde da população, atuando diretamente nas comunidades” (37).

Figura 2.12 Unidades Básicas de Saúde – Capivari de Baixo (37)

Na cidade, a cobertura do exame citopatológico, segundo dados do SISCAN, no ano de 2023 foram realizados 1.989 exames citopatológicos (3), sendo que a cidade possui uma população estimada em aproximadamente 24 mil habitantes, sendo composto por 51,56% de mulheres (19).

Capivari de Baixo em relação à adesão ao exame citopatológico reflete desafios típicos de cidades pequenas, onde o acesso aos serviços de saúde e a conscientização sobre a importância da prevenção ainda não são totalmente adequada, mesmo o município contando com UBS que oferecem o exame gratuitamente.

3. METODOLOGIA

O capítulo de metodologia apresenta a estrutura que orienta a realização da pesquisa sobre a cobertura do exame citopatológico entre mulheres em Capivari de Baixo, SC, no ano de 2023. Esta seção é crucial, pois descreve de maneira clara e detalhada como a pesquisa foi conduzida, permitindo que os leitores compreendam o rigor científico e a fundamentação das escolhas metodológicas. Serão abordados aspectos como o projeto metodológico, a população e amostra estudada, os instrumentos de coleta de dados, os procedimentos seguidos e a análise estatística realizada.

3.1 Delineamento da pesquisa

Optou-se por um delineamento quantitativo descritivo com caráter transversal, haja vista que o objetivo é investigar a cobertura do exame citopatológico entre mulheres na cidade de Capivari de Baixo, do estado de Santa Catarina, no ano de 2023. Esta escolha permite coletar dados numéricos precisos, facilitando a análise dos dados e auxilia a compreender a realidade da população. A natureza quantitativa permitiu mensurar as variáveis e realizar a análise estatísticas a fim de se obter os dados, permitindo examinar ao longo do ano a cobertura e adesão ao exame, por faixa etária. Escolhido o delineamento descritivo para descrever e identificar o padrão e fatores que afetam a adesão, permitindo aprofundar a situação da saúde feminina na cidade. Com um recorte transversal, os dados foram coletados ao longo do ano de 2023, permitindo analisar padrões e fatores que afetam determinado período e a representatividade por faixa etária. O delineamento estabelecido permitiu obter uma fotografia da situação do município, permitindo obter os dados da cobertura do exame citopatológico.

3.2 População e amostra

A população total de Capivari de Baixo/SC é de 12.300 mulheres, avaliada consiste em uma amostra de 865 mulheres, cujo critério utilizado para esta seleção foi o atendimento e registro no sistema das Estratégias de Saúde da Família (ESFs) de Capivari de Baixo/SC. Os dados foram coletados a partir dos registros das ESFs e de informações obtidas nos sistemas SISCAN e IBGE, que são sites de livre acesso público. A coleta dos dados foi realizada após autorização prévia da Secretaria de Saúde de Capivari de Baixo.

Os critérios de inclusão para a amostra são:

  • Mulheres maiores de 20 anos.
  • Residentes de Capivari de Baixo/SC.
  • Mulheres atendidas e devidamente registradas nas ESFs.
  • Mulheres que realizaram o exame citopatológico no ano de 2023. Os critérios de exclusão incluem:
  • Mulheres residentes em outras cidades que realizaram o exame citopatológico em Capivari de Baixo.
  • Mulheres menores de 20 anos.

3.3 Variáveis

A taxa de cobertura do exame citopatológico é uma variável crucial para avaliar o nível de adesão ao exame preventivo entre as mulheres residentes em Capivari de Baixo durante o ano de 2023. Essa variável foi classificada de forma binária, dividindo a população feminina em dois grupos:

  • Mulheres que realizaram o exame citopatológico em 2023.
  • Mulheres que não realizaram o exame citopatológico em 2023.

Os dados foram coletados através dos registros de saúde das Estratégias de Saúde da Família (ESFs) do município, cruzados com informações do SISCAN e registros do IBGE. Abaixo detalha-se a classificação e operacionalização das variáveis:

Tabela 3.1 Detalhamento da operacionalização das variáveis

VariávelTipoEscalaOperacionalizaçãoInstrumento
Taxa de cobertura do exame citopatológicoQuantitativaContinuaNúmero de mulheres que realizaram o exame citopatológico no ano de 2023, dividido pelo número total de mulheres elegíveis, multiplicado por 100 para obter o % (Percentual)Consulta à base de dados ESF e SISCAN
Cobertura do exame citopatológicoQuantitativaContinuaNúmero de mulheres, em cada faixa etária, que realizaram o exame citopatológico no ano de 2023, dividido pelo número total de mulheres naquela faixa etária, multiplicado por 100 para obter o% (Percentual)Consulta à base de dados ESF e SISCAN
Cobertura do exame citopatológico por faixa etáriaQuantitativaOrdinalClassificação das mulheres, em cada faixa etária, que realizaram o exame citopatológico no ano de 2023Consulta à base de dados ESF e SISCAN
Existência de políticas e programas de saúdeQualitativaNominal/ OrdinalAvaliação das políticas e programas de saúde de saúde, municipais, estaduais e/ou federaisRelatórios de políticas públicas governamentais, estaduais e municipais
Tipos de intervenções propostas para conscientizaçãoQualitativaNominalClassificação das intervenções e propostas de conscientizaçãoDocumentos e relatórios de implementação

Variável Independente: Taxa de cobertura do exame citopatológico: Esta variável representa as mulheres que realizaram o exame citopatológico durante o período de estudo (2023), sendo categorizada em dois grupos: mulheres que realizaram o exame e mulheres que não realizaram o exame.

Variáveis Dependentes: Fatores determinantes: Variáveis socioeconômicas, demográficas e culturais que podem influenciar a realização ou não do exame citopatológico.

Variáveis de Intervenção: Estratégias de sensibilização: Variáveis que representam as diferentes estratégias de sensibilização e educação em saúde implementadas para aumentar a conscientização sobre a importância do exame citopatológico. Facilitadores de acesso: Variáveis relacionadas às medidas adotadas para facilitar o acesso das mulheres ao exame citopatológico, como oferta de horários de atendimento flexíveis, disponibilidade de transporte gratuito para os centros de saúde e criação de unidades móveis de saúde.

Hipóteses e variáveis: Hipótese nula: Não há diferença significativa na realização do exame citopatológico entre mulheres de diferentes faixas etárias em Capivari de Baixo, SC, no ano de 2023. Há diferença significativa na realização do exame citopatológico entre mulheres de diferentes faixas etárias, na cidade de Capivari de Baixo, SC? Hipótese alternativa: Existe uma associação significativa entre programas e políticas de saúde e a realização do exame citopatológico entre as mulheres residentes em Capivari de Baixo/SC, no ano de 2024. É identificada uma associação significativa entre programas e políticas de saúde e a realização do exame citopatológico entre as mulheres residentes em Capivari de Baixo/SC, no ano de 2023?

3.3.1 Instrumentos e técnicas de medição

Os dados da pesquisa foram coletados a partir de pesquisa ao banco de dados, para a coleta dos dados secundários, no sistema de informação de saúde das ESFs do município, onde são registrados todas as mulheres atendidas, bem como informações sobre a realização do exame citopatológico, cujo documento com autorização de pesquisa se encontra no anexo 4. O sistema de informação das ESFs é uma ferramenta fundamental para a coleta de dados no contexto de Atenção Básica à Saúde no Brasil.

Também foi realizado acesso a banco de dados eletrônico como SISCAN, que é um sistema oficial de saúde utilizado para o registro e monitoramento das ações de rastreamento e diagnóstico do câncer no Brasil de livre acesso ao público, bem como o IBGE foi utilizado como fonte de dados secundários para compreender o contexto demográfico e socioeconômico de Capivari de Baixo, a fim de contextualizar a amostra da pesquisa.

Aos relatórios e documentos públicos, foi realizada análise documental destes disponibilizados pela Secretaria de Saúde, Ministério da Saúde, SISCAN e CENSO 2023.

3.4 Procedimentos

Cada fase da pesquisa foi pensada para garantir qualidade de dados, utilizando uma cronologia integrada com diferente etapas que proporcionaram um elaborado roteiro de pesquisa para investigação, no sistema central das ESFs, de Capivari de Baixo/SC, e coleta das informações sobre a cobertura do exame citopatológico entre mulheres em Capivari de Baixo/SC, no ano de 2023, por faixa etária e identificou-se quem não realizou o exame. Para a informação nos registros do SISCAN, foi realizada pesquisa sobre a quantidade de exames realizados no município em 2023. Já para a pesquisa da população, foi pesquisado os valores do último CENSO de 2023, a fim de conferir a população feminina do município. Aos relatórios, políticas e programas, foi realizada consulta on-line.

A pesquisa seguiu o seguinte cronograma:

Tabela 3.2 Cronograma da Pesquisa

EtapaPeríodo
Planejamento da pesquisaJaneiro – Fevereiro 2024
Coleta de dadosMarço – Junho 2024
Análise de dadosJulho – Agosto 2024
Interpretação dos resultadosSetembro – Outubro 2024
Redação do relatório finalNovembro – Dezembro 2024

Figura 3.13 Representação Gráfica (Fluxograma)

3.5 Análise estatística

Inicialmente, foi realizada a preparação dos dados, eliminando valores duplicados. Logo depois foi organizado por faixa etária, visando a consistência e qualidade dos dados. Através de análise descritiva, foi realizada a análise estatística dos dados, demonstrando as características e cobertura do exame entre as faixas etárias, apresentando graficamente os resultados, através de tabelas e figuras de pizza, para facilitar a visualização dos dados. Também foi realizada uma análise comparativa para verificar as diferenças na adesão entre as faixas etárias. Por fim, esses dados permitem validar se as políticas públicas voltadas à saúde preventiva das mulheres da cidade estão aderentes e se podem ser melhoradas.

4. RESULTADOS

Nesta seção, os resultados da pesquisa sobre a adesão ao exame citopatológico entre mulheres em Capivari de Baixo/SC são apresentados de forma ordenada e lógica. Os dados foram analisados com base nos objetivos definidos e são acompanhados de tabelas para melhor visualização.

4.1 Taxa de Cobertura do Exame Citopatológico

Descrição: A taxa de cobertura do exame citopatológico para o ano de 2023 em Capivari de Baixo foi calculada com base no número total de mulheres que realizaram o exame dividido pelo número total de mulheres elegíveis, multiplicado por 100.

Resultados:

  • Número Total de Mulheres Elegíveis: 5.251
  • Número de Mulheres que Realizaram o Exame: 865
  • Taxa de Cobertura: 16,47%

Figura 4.14 Taxa de cobertura do exame citopatológico em Capivari de Baixo (2023)

A figura 4.14 ilustra a taxa de cobertura do exame, destacando a porcentagem de mulheres que realizaram o exame em comparação com o total de mulheres elegíveis.

4.2 Cobertura do Exame por Faixa Etária

Descrição: A cobertura do exame, para identificar variações na adesão ao exame, identificada por faixa etária, no ano de 2023.

Resultados:

  • Faixa Etária 20 a 29 anos: 136
  • Faixa Etária 30 a 39 anos: 185
  • Faixa Etária 40 a 49 anos: 207
  • Faixa Etária 50 anos ou mais: 337

Figura 4.15 Cobertura do exame por faixa etária (2023)

A figura 4.15 ilustra a cobertura do exame citopatológico, por faixa etária, destacando a quantidade de mulheres que realizaram o exame no ano de 2023, totalizando 865 mulheres.

4.3 Mulheres que não realizaram o exame, por faixa etária

Descrição: A quantidade de mulheres que não realizaram o exame, por faixa etária, no ano de 2023.

Resultados:

  • Faixa Etária 20 a 29 anos: 697
  • Faixa Etária 30 a 39 anos: 1335
  • Faixa Etária 40 a 49 anos: 1088
  • Faixa Etária 50 anos ou mais: 1266

Figura 4.16 Mulheres que não realizaram o exame, por faixa etária (2023)

A figura 4.16 mostra a quantidade de mulheres, por faixa etária, que não realizaram o exame no ano de 2023, totalizando 4.386 mulheres sem acompanhamento.

4.4 Políticas e programas de saúde

As políticas públicas e programas de saúde, sendo elas municipais, estaduais e/ou federais são extremamente importantes para a saúde da mulher e adesão ao exame citopatológico. A análise desses documentos permitiu identificar a influência e impacto dessas ações na cobertura do exame.

Programas federais: Os programas federais como o PNAB e o Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo do Útero, ofertados gratuitamente pelo SUS e disponibilizados nas UBS, são utilizados pelas mulheres em Capivari de Baixo na realização do procedimento de exame citopatológico. Porém, mesmo com a oferta gratuita, a adesão é baixa, principalmente entre a população jovem.

Programas estaduais: O programa estadual Saúde da Mulher tem papel importante na ampliação das ações de capacitação dos profissionais de saúde e na integração de ações preventivas e de atenção básica. As campanhas de conscientização, como Outubro Rosa, por exemplo, tem impacto positivo e aumentam a visibilidade e a importância da realização e acompanhamento do exame citopatológico, motivando mais mulheres a realizarem o exame e buscarem mais qualidade de vida. Os esforços das equipes de ESF em aplicar a rede e acesso tendem a permitir maior adesão das mulheres, incentivando e conscientizando sobre as doenças que esse exame pode prevenir.

Programas municipais: As ações municipais implementadas pela Secretaria Municipal de Saúde, tais como Campanha de Prevenção contra Câncer de Colo de Útero e as ações dos agentes comunitários de saúde desempenham papel fundamental na realização, sensibilização e conscientização do exame, com uma abordagem direta que aumentou a adesão ao exame nos meses de campanha. Ainda que com os mutirões de saúde e ações específicas, a adesão ao exame foi baixa.

É de fato importante intensificar ações e mutirões, facilitando o acesso a mais mulheres, aumentando a informação e conhecimento, a fim de atingir todas as mulheres, independente da classe social, raça ou cor.

Mesmo com os esforços para promover o exame citopatológico, há diversos impactos conforme o tipo de intervenção, sendo a mais assertiva a abordagem pelos agentes comunitários, que, além de humanizar e personalizar o atendimento, conseguem atingir todos os níveis de escolaridade e fazer com que as mulheres entendam a importância do exame com uma linguagem simples e direta.

5. DISCUSSÃO

Os resultados mostram uma taxa de cobertura de 16,47% para o exame citopatológico em Capivari de Baixo no ano de 2023, sendo considerado um valor extremamente baixo, revelando um nível preocupante. Os estudos evidenciam a baixa cobertura do exame, principalmente em cidades de pequeno porte e áreas rurais devido às dificuldades de acesso aos serviços de saúde e à falta de campanhas eficazes de conscientização (6, 7, 8, 13). Outro destaque à baixa adesão é a falta de conhecimento acerca dos benefícios da realização e acompanhamento do exame citopatológico (14, 15, 17, 24)

A análise da cobertura do exame por faixa etária mostrou que as mulheres na faixa de 50 anos ou mais apresentaram maior adesão, resultando em 337 exames no ano de 2023, enquanto as mulheres mais jovens registraram menor participação, com 136 exames. Corroborando com esses dados, o levantamento anual no Brasil registra baixos índices na mesma população (5, 4, 3). Entre a população jovem e mulheres que trabalham, que sustentam a família e não possuem apoio do parceiro, o índice só aumenta, gerando mais preconceito quanto à realização e acompanhamento da saúde feminina (1). Para isso, o acompanhamento de agentes comunitários, com visitas personalizadas pode fazer mais sentido e fazer o diferencial, com uma abordagem direta, desmistificando o preconceito e disseminando o conhecimento, que é, de fato, o que precisa ser transmitido para todas as mulheres, pois a rede pública oferece esse serviço gratuitamente (7).

Os programas estaduais e municipais, como o Outubro Rosa e as ações promovidas pela Secretaria Municipal de Saúde, contribuíram para aumentar a visibilidade do exame e incentivar a adesão, especialmente durante os períodos de campanha. Esse resultado reforça a importância das campanhas educativas (9), e campanhas de conscientização bem estruturadas são fundamentais para promover a saúde preventiva e aumentar a adesão ao exame citopatológico.

Estender o horário de atendimento e aumentar os mutirões de atendimento das UBS podem melhorar a adesão ao exame, especialmente entre mulheres que enfrentam dificuldades logísticas e moram em zonas rurais. O Ministério da Saúde disponibiliza cartilhas e manuais (10, 11, 12), além de apoiar os estados e municípios em campanhas (32, 33, 34, baseado em boas práticas mundiais (13).

Entre as intervenções avaliadas, as visitas domiciliares realizadas pelos agentes comunitários de saúde foram consideradas as mais eficazes, apresentando um impacto alto na adesão ao exame. Esses resultados são consistentes e ressaltam que a abordagem direta e personalizada é fundamental para aumentar a conscientização sobre a importância do exame (32). A atuação dos agentes comunitários é vista como essencial para reduzir barreiras culturais e de acesso, especialmente entre mulheres que enfrentam resistência ou preconceito em relação ao exame.

Os resultados sugerem a necessidade de intensificar ações específicas e direcionadas, a fim de aumentar a frequência das visitas domiciliares, ampliar a atuação dos agentes comunitários e investir em unidades móveis de saúde com maior regularidade, especialmente para alcançar mulheres em áreas rurais e populações mais vulneráveis. É essencial conscientizar e utilizar uma linguagem acessível para atingir toda a população feminina, inclusive aquelas que normalmente não participam dos serviços preventivos. Tendo a cidade de Capivari de Baixo uma média de 12.300 mulheres, de um total de 24 mil habitantes, a amostra de 865 exames realizados reflete a baixa adesão e acompanhamento, conforme registros obtidos.

A adesão ao exame citopatológico em Capivari de Baixo é um desafio complexo, que envolve barreiras econômicas, culturais e logísticas, além de limitações no alcance das ações de saúde pública. Para aumentar a adesão ao exame em comunidades menores e mais vulneráveis, esta pesquisa recomenda fortalecer as políticas públicas voltadas à saúde preventiva das mulheres na cidade Capivari de Baixo e promover acesso à saúde pública, garantindo que mais mulheres possam se beneficiar do exame citopatológico como uma ferramenta essencial na prevenção do câncer de colo do útero.

A fim de incentivar e aumentar a adesão ao exame citopatológico em Capivari de Baixo, SC, com base nos dados coletados, cabe propor algumas intervenções, tais como ampliar a atuação dos agentes comunitários de saúde, com a intensificação das visitas domiciliares; flexibilizar o horário de atendimento nos postos de saúde, permitindo atendimento noturno, garantindo que mulheres que trabalham ou possuem responsabilidades familiares possam realizar o exame sem comprometer suas atividades diárias; desenvolver campanhas de conscientização permanentes; incluir o exame citopatológico como parte do atendimento de rotina em consultas ginecológicas e pré- natais; oferecer treinamentos para que médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, para que adotem uma abordagem humanizada e acolhedora, reduzindo desconfortos e promovendo um ambiente mais receptivo às pacientes; criar um sistema de acompanhamento dos índices de adesão ao exame e avaliar a efetividade das estratégias implementadas, permitindo ajustes conforme necessário.

Essas intervenções podem contribuir para o aumento da cobertura do exame citopatológico em Capivari de Baixo, reduzindo os índices de mortalidade por câncer do colo do útero e promovendo maior equidade no acesso aos serviços de saúde preventiva.

6. CONCLUSÕES

A cobertura do exame citopatológico no Brasil ainda requer muito trabalho, dedicação e orientação, tanto por parte dos governos municipais, estaduais e nacionais, a fim de conscientizar as mulheres da importância da realização do exame periodicamente.

A pesquisa sobre a cobertura do exame citopatológico entre mulheres na cidade de Capivari de Baixo/SC, no ano de 2023, permitiu analisar fatores que influenciam a adesão ao exame e identificar estratégias que podem ser implementadas para ampliar sua cobertura. Os resultados indicaram uma taxa de adesão inferior ao ideal, especialmente entre mulheres mais jovens, evidenciando desafios como a falta de informação, barreiras culturais e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.

Identificar os obstáculos enfrentados pelas mulheres na realização do exame possibilitou compreender a necessidade de ações mais eficazes por parte das políticas públicas. Os dados analisados demonstraram que, apesar da disponibilidade do exame de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), muitas mulheres ainda não reconhecem sua importância ou enfrentam barreiras que dificultam sua realização. Estratégias como visitas domiciliares por agentes comunitários, campanhas educativas e mutirões de atendimento foram destacadas como possíveis intervenções para ampliar a cobertura do exame na região.

O estudo apresentou algumas limitações, como a dependência de registros administrativos para obtenção dos dados, o que pode não refletir com precisão a totalidade da população- alvo. Além disso, não foram considerados fatores individuais que podem influenciar a adesão ao exame, como crenças pessoais ou experiências anteriores com o serviço de saúde. Superar essas limitações requer aprofundamento em pesquisas futuras que incluam entrevistas ou questionários diretos com as mulheres da comunidade, possibilitando uma análise mais ampla dos desafios enfrentados.

Alcançar os objetivos propostos foi possível ao quantificar a cobertura do exame e avaliar os fatores que interferem na adesão. As políticas públicas e programas existentes no município foram examinados, revelando a necessidade de intensificação das ações de conscientização e acessibilidade. Além disso, foram sugeridas intervenções estratégicas para aumentar a participação das mulheres no rastreamento do câncer do colo do útero, promovendo um impacto positivo na saúde pública local.

O estudo contribuiu significativamente para a compreensão do cenário atual da cobertura do exame citopatológico na cidade de Capivari de Baixo/SC, fornecendo subsídios para que gestores e profissionais de saúde desenvolvam estratégias mais eficazes na promoção da saúde feminina. Ao propor ações que possam ser implementadas no contexto local, espera-se que os resultados desta pesquisa auxiliem na redução das taxas de mortalidade por câncer do colo do útero e promovam maior equidade no acesso aos serviços de saúde preventiva. É necessário investir em ações que atinjam os diversos públicos, de todas as comunidades, garantindo o aumento e a adesão ao exame, consolidando o hábito de cuidar da saúde preventivamente entre as mulheres de Capivari de Baixo.

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