REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510171550
Keisy Cristina Pires Rodrigues Soares1
Stheffanni de Negreiros Paulino2
Orientadores: Elisângela de Andrade Aoyama3
Evertton Aurélio Dias Campos4
Resumo:
Câncer de mama é uma das principais causas de mortalidade feminina no mundo, afetando a saúde física e o bem-estar emocional. Este trabalho analisa os impactos emocionais e psicológicos causados pela doença, destacando mudanças na autoestima, autoconceito e nas relações sociais. A pesquisa é qualitativa, descritiva e bibliográfica, com análise baseada na técnica de Análise de Conteúdo, segundo Bardin. Os resultados indicam sentimentos como medo, angústia, tristeza e insegurança, além de impactos na imagem corporal e qualidade de vida. Ressalta-se a importância da assistência multiprofissional e do apoio psicológico para favorecer o enfrentamento e a resiliência.
Palavras-chave: Câncer de mama. Impactos emocionais. Saúde mental. Mulheres. Enfrentamento.
Abstract:
Breast cancer is one of the main causes of female mortality in the world, affecting physical health and emotional well-being. This work analyzes the emotional and psychological impacts caused by the disease, highlighting changes in self-esteem, self-concept and social relations. The research is qualitative, descriptive and bibliographic, with analysis based on the Content Analysis technique, according to Bardin. The results indicate feelings such as fear, anguish, sadness and insecurity, in addition to impacts on body image and quality of life. The importance of multidisciplinary assistance and psychological support to favor coping and resilience is highlighted.
Keywords: Breast cancer. Emotional impacts. Mental health. Women. Coping.
1. INTRODUÇÃO
O câncer de mama é uma das neoplasias mais comuns entre as mulheres em todo o mundo e representa uma das principais causas de mortalidade feminina. Além dos impactos físicos decorrentes da doença e dos tratamentos como cirurgias, quimioterapia e radioterapia, o diagnóstico de câncer de mama é uma experiência profundamente marcante, desencadeando diversas reações emocionais e psicológicas na vida da mulher. Estudos indicam que o enfrentamento da doença geralmente é acompanhado por sentimentos como medo da morte, baixa autoestima, alterações na percepção da imagem corporal e mudanças nas relações interpessoais (Rossi; Santos, 2016).
Diante desse cenário, é essencial compreender o câncer de mama não apenas como uma enfermidade física, mas como uma condição complexa que envolve aspectos emocionais e sociais. Frequentemente, essa dimensão mais subjetiva do cuidado é negligenciada pelos serviços de saúde, apesar de sua relevância para o sucesso do tratamento e para a manutenção da qualidade de vida da paciente. A literatura destaca a importância de uma abordagem integral que considere o sofrimento psicológico associado ao câncer (Maluf; Mori; Barros, 2005).
Nesse contexto, este estudo tem como objetivo discutir os principais desafios psicológicos e emocionais enfrentados por mulheres diagnosticadas com câncer de mama, ressaltando a necessidade de atenção à saúde mental durante todas as etapas do tratamento. Além disso, busca refletir sobre o papel da equipe multiprofissional, destacando a importância de um cuidado mais humano, acolhedor e sensível às necessidades dessas pacientes (Sousa; Costa; Santos, 2024).
As emoções despertadas nas mulheres após o diagnóstico de câncer de mama podem se manifestar de formas distintas, conforme as características individuais de cada pessoa. No entanto, é comum que sentimentos como medo, ansiedade, insegurança e angústia estejam presentes logo nas primeiras fases após a descoberta da doença. Muitas pacientes relatam a sensação de perda do controle sobre suas próprias vidas, o que pode provocar episódios de instabilidade emocional, distúrbios do sono, alterações alimentares e sintomas depressivos (Carvalho et al., 2016).
Outro aspecto que merece atenção é a transformação corporal causada pelos tratamentos. Procedimentos como a mastectomia e os efeitos colaterais da quimioterapia, incluindo a queda dos cabelos, podem impactar profundamente a autoestima e a maneira como a mulher percebe sua feminilidade. Em certas situações, essas mudanças podem levar ao isolamento social e ao afastamento dos vínculos afetivos. Por essa razão, é essencial que os profissionais de saúde estejam preparados para acolher essas demandas com empatia, escuta qualificada e, sempre que necessário, encaminhamento psicológico especializado (Nunes, 2023).
Além da paciente, os familiares também vivenciam o processo de adoecimento de forma intensa. Muitas vezes, os entes queridos não sabem como agir diante da situação, o que pode gerar sobrecarga emocional e ocasionar conflitos e desgastes nas relações familiares. Diante disso, o envolvimento da família no processo de cuidado é fundamental, tanto para reforçar a rede de apoio da paciente quanto para que eles próprios recebam acolhimento e orientações adequadas por parte da equipe de saúde (Alvares et al., 2015).
É fundamental salientar que o atendimento à mulher com câncer de mama deve ser pautado pela integralidade, contando com o envolvimento de profissionais de diversas áreas, como médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, entre outros. Cada integrante da equipe tem um papel essencial na construção de um cuidado que vá além das questões físicas, reconhecendo a paciente como um ser humano integral, com necessidades que envolvem emoções, relações sociais e afetos. O cuidado com a saúde mental durante o tratamento é tão relevante quanto o cuidado com o corpo (Rossi; Santos, 2016).
Além disso, é indispensável destacar que o tratamento do câncer não pode se restringir apenas às intervenções biomédicas, como cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, sendo necessário adotar práticas integrativas que valorizem o acolhimento do sofrimento emocional e promovam a escuta ativa, permitindo que o paciente expresse seus medos, incertezas e expectativas. O suporte de uma equipe multidisciplinar e a presença de uma rede de apoio são elementos que contribuem não apenas para a adesão ao tratamento, mas também para a reconstrução do projeto de vida da mulher após o diagnóstico (Sousa; Costa; Santos, 2024).
O objetivo geral deste estudo é analisar os principais desafios emocionais e psicológicos enfrentados por mulheres diagnosticadas com câncer de mama.
Como objetivos específicos, busca-se: identificar os sentimentos predominantes no momento do diagnóstico, compreender as alterações psicossociais decorrentes do tratamento, refletir sobre a importância do acolhimento multiprofissional e das práticas integrativas no cuidado com a saúde mental dessas mulheres.
A relevância deste estudo reside no fato de que, embora o câncer de mama seja amplamente estudado em seus aspectos clínicos e terapêuticos, os impactos emocionais e psicológicos ainda são frequentemente subestimados nos serviços de saúde. Ao discutir essas questões, este trabalho pretende ampliar o olhar para além da dimensão biomédica, reforçando a importância da integralidade do cuidado. Este estudo mostra quais são os principais impactos emocionais e psicológicos vivenciados por mulheres diagnosticadas com câncer de mama e como o suporte multiprofissional pode favorecer o enfrentamento da doença.
2. METODOLOGIA
Este trabalho foi desenvolvido com base em uma abordagem qualitativa, de tipo descritivo e com caráter bibliográfico. Essa escolha metodológica visa compreender as experiências emocionais e psicológicas enfrentadas por mulheres diagnosticadas com câncer de mama, dando ênfase à subjetividade envolvida nesse processo. A pesquisa qualitativa permite explorar aspectos simbólicos e afetivos relacionados ao adoecimento, os quais não podem ser expressos por dados numéricos, mas sim por interpretações aprofundadas (Minayo, 2022).
A opção por utilizar a pesquisa bibliográfica fundamenta-se na necessidade de reunir, analisar e interpretar publicações científicas já existentes que abordem a relação entre o câncer de mama e a saúde mental. Esse tipo de investigação contribui para a construção de um referencial teórico atualizado e consistente, ampliando a compreensão do fenômeno estudado (Gil, 2023). As fontes foram selecionadas em bases acadêmicas reconhecidas, como SciELO, LILACS, Google Acadêmico e a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). Foram utilizados os descritores DeCS (Descritores em Ciências da Saúde): “Neoplasias da Mama”, “Saúde Mental”, “Emoções”, “Doença Crônica”, “Enfrentamento” e “Sofrimento Psíquico”, e seus correspondentes no MeSH (Medical Subject Headings): “Breast Neoplasms”, “Mental Health”, “Emotions”, “Chronic Disease”, “Adaptation, Psychological” e “Psychological Distress”. A estratégia de busca foi realizada por meio da combinação dos descritores utilizando os operadores booleanos AND e OR, a fim de ampliar e refinar os resultados. Foram estruturadas expressões como: “Neoplasias da Mama” AND “Saúde Mental”, “Câncer de Mama” AND “Impacto Emocional”, “Doença Crônica” OR “Sofrimento Psíquico”, de modo a contemplar estudos que abordassem a relação entre o câncer de mama, os aspectos psicológicos e o enfrentamento da doença.
Os critérios de inclusão privilegiaram publicações entre os anos de 2020 e 2024, em português e disponíveis em formato digital gratuito. Já nos critérios de exclusão foram excluídos estudos publicados antes de 2020, em idiomas diferentes do português, que não estivessem disponíveis em formato digital gratuito, além de artigos repetidos nas bases de dados, resumos, editoriais, cartas ao editor e trabalhos que não abordassem especificamente a relação entre o câncer de mama, os aspectos psicológicos e o enfrentamento da doença.
A análise das produções coletadas seguiu uma organização em três etapas: leitura exploratória, identificação dos conteúdos mais relevantes e categorização temática. Para sistematizar os dados, foi utilizada a técnica de análise de conteúdo conforme proposta por Bardin (2011), a qual se mostra eficaz para interpretar mensagens de forma estruturada e compreensiva. Essa abordagem favorece a identificação de significados implícitos nos textos e permite a construção de categorias que refletem as experiências emocionais das pacientes.
3. REVISÃO DE LITERATURA
Além de analisar os aspectos emocionais descritos pelos autores, torna-se necessário destacar divergências e convergências entre eles. Enquanto Pereira e Souza (2020) ressaltam que a mastectomia afeta diretamente a identidade feminina, Lima et al. (2022) enfatizam que a limitação física e o isolamento social são fatores igualmente relevantes para a saúde mental. Já Mendes e Costa (2023) apontam o papel fundamental da rede de apoio no enfrentamento da doença, convergindo com Silva e Andrade (2021), que defendem o acolhimento psicológico como recurso central.
Dados epidemiológicos atualizados reforçam a magnitude do problema: segundo a Organização Mundial da Saúde (2023), o câncer de mama é responsável por aproximadamente 2,3 milhões de novos casos ao ano no mundo, sendo a principal causa de morte por neoplasia entre mulheres. Além disso, estima-se que uma em cada doze mulheres será diagnosticada com a doença ao longo da vida, o que evidencia não apenas sua alta incidência, mas também o impacto social, psicológico e econômico associado ao tratamento e às limitações decorrentes do câncer de mama. O cenário é ainda mais preocupante em países de baixa e média renda, onde a mortalidade tende a ser maior devido ao diagnóstico tardio e às dificuldades de acesso a métodos de rastreamento e terapias adequadas.
No Brasil, o INCA (2023) estima 73 mil novos casos anuais, com tendência crescente. Este capítulo discute as principais questões emocionais e psicológicas enfrentadas por mulheres diagnosticadas com câncer de mama, destacando os impactos do diagnóstico na vida da paciente, as alterações na autoestima e na imagem corporal durante o tratamento, bem como a importância do suporte familiar e do acompanhamento multiprofissional. O câncer de mama é uma condição que transcende o físico, exigindo uma abordagem que considere a totalidade do ser humano (INCA, 2022).
O diagnóstico representa um momento de ruptura na vida da mulher, provocando sentimentos de medo, tristeza e insegurança, que podem comprometer sua saúde mental. Segundo Silva e Andrade (2021), o impacto emocional causado pela confirmação do câncer frequentemente resulta em um sofrimento psíquico que interfere nas relações sociais e familiares, exigindo suporte psicológico adequado.
Durante o tratamento, as mudanças corporais como a queda de cabelo, a mastectomia e os efeitos colaterais da quimioterapia geram alterações significativas na autoimagem e na autoestima. Para Pereira e Souza (2020), essas transformações afetam a identidade feminina, muitas vezes relacionada culturalmente à integridade do corpo e à aparência, intensificando o sofrimento emocional.
O afastamento das atividades cotidianas, as limitações físicas e os efeitos colaterais do tratamento também contribuem para o desenvolvimento de quadros de ansiedade e depressão. De acordo com Lima et al. (2022), o isolamento social decorrente da doença e o medo da morte são fatores que elevam o risco de sofrimento psíquico e comprometem o bem-estar emocional das pacientes.
Diante desse cenário, o apoio familiar e social torna-se essencial para o enfrentamento do câncer. A presença de uma rede de apoio consistente favorece o fortalecimento emocional da mulher e contribui positivamente para sua adesão ao tratamento e enfrentamento da doença (Mendes; Costa, 2023). O acolhimento por parte da equipe multiprofissional também desempenha papel fundamental na construção de um cuidado integral.
Por fim, torna-se evidente a necessidade de se adotar uma abordagem biopsicossocial, na qual os aspectos emocionais, sociais e subjetivos da mulher sejam reconhecidos e valorizados. Segundo Ferreira e Carvalho (2021), compreender o processo de adoecimento além da dimensão biomédica é essencial para oferecer um cuidado humanizado e centrado na pessoa, respeitando sua individualidade e suas vivências.
3.1 O impacto emocional do diagnóstico de câncer de mama
O câncer mamário configura-se como uma das enfermidades mais frequentes entre mulheres globalmente, e seu impacto ultrapassa o diagnóstico médico, afetando profundamente o aspecto emocional, social e psicológico das pacientes. A simples notícia desencadeia diversas reações emocionais, que comprometem diretamente a qualidade de vida e o bem-estar da mulher em diferentes dimensões. Segundo a Organização Mundial da Saúde (2023), o câncer de mama representa a neoplasia mais comum entre as mulheres, contribuindo para aproximadamente 2,3 milhões de novos casos por ano em todo o mundo, sendo também uma das principais causas de mortalidade feminina.
O momento em que a paciente recebe o diagnóstico configura-se como um dos episódios mais desafiadores de toda a trajetória da doença, uma vez que, em geral, desperta emoções intensas e ambivalentes, tais como surpresa, negação, medo, ansiedade e tristeza profunda, sentimentos estes bastante frequentes neste estágio inicial (NCCN, 2022). Conforme apontam Santos e Oliveira (2021), esse primeiro impacto envolve o temor da morte, o medo de mutilações corporais, alterações na autoimagem e limitações físicas e sociais, podendo desencadear quadros de depressão e ansiedade que dificultam o enfrentamento e a adesão ao tratamento.
Além do impacto psicológico, o câncer de mama atinge de maneira significativa aspectos ligados à feminilidade e à identidade corporal, tornando o processo de aceitação ainda mais complexo e doloroso. Para muitas mulheres, a mama não se restringe à função biológica, mas assume um valor simbólico relacionado à sexualidade, feminilidade, autoestima e papéis sociais (Gomes; Lopes, 2020). Quando confrontadas com procedimentos como a mastectomia ou efeitos colaterais de tratamentos invasivos, muitas pacientes enfrentam uma ruptura com sua própria imagem e identidade, o que reforça a necessidade de suporte emocional especializado durante todas as fases do tratamento (Santos; Oliveira, 2021).
Um aspecto essencial reside no suporte que a paciente recebe logo após o diagnóstico, etapa que muitas vezes determina a forma como ela enfrentará o restante do processo terapêutico. Segundo Silva e Martins (2020), o acolhimento multiprofissional, envolvendo médicos, psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros, torna-se fundamental para minimizar o trauma, promover segurança e estabelecer um vínculo de confiança, contribuindo significativamente para a adesão ao tratamento.
A rede de apoio, composta por familiares, amigos, profissionais da saúde e, muitas vezes, grupos de apoio, desempenha papel crucial no enfrentamento do câncer de mama. De acordo com Lima et al. (2021), o suporte emocional serve como um fator de proteção, ajudando a paciente a lidar com adversidades de forma mais equilibrada e fortalecendo sua resiliência. Quando essa rede é funcional, oferece não apenas afeto, mas também auxílio prático, o que contribui para a recuperação da esperança e da autoconfiança.
Além disso, é importante considerar que o tratamento do câncer de mama não se limita à cirurgia ou à quimioterapia. A jornada da paciente envolve desafios que afetam o corpo, a mente, a espiritualidade e os vínculos sociais. Estudos apontam que a escuta ativa, o acolhimento empático e a atenção às necessidades subjetivas da mulher com câncer favorecem a ressignificação da doença e promovem maior bem-estar e qualidade de vida (Silva; Martins, 2020).
Diante desse panorama, torna-se evidente que o impacto emocional do câncer de mama transcende as alterações físicas, demandando um olhar integral e sensível por parte dos profissionais de saúde. A complexidade da vivência oncológica exige que a assistência seja conduzida por uma equipe multidisciplinar que compreenda não apenas o corpo que adoece, mas também a subjetividade que sofre (Santos; Oliveira, 2021). Esse cuidado deve ser humanizado, contínuo e atento às múltiplas dimensões da experiência do adoecimento.
Além dos fatores já destacados, é importante ressaltar o papel das práticas integrativas e complementares no enfrentamento do câncer de mama. Recursos como meditação, acupuntura, arteterapia, musicoterapia e yoga vêm sendo utilizados como suporte aos tratamentos tradicionais, oferecendo benefícios na redução de sintomas como estresse, ansiedade e dores, além de fortalecerem o equilíbrio emocional da paciente (Brasil, 2022). Essas práticas não substituem o tratamento convencional, mas o complementam, favorecendo uma abordagem mais ampla e centrada na mulher.
3.2 Alterações na imagem corporal e autoestima
As mudanças corporais representam um dos aspectos mais impactantes do câncer de mama, influenciando diretamente a autoestima e a percepção que a mulher tem de si mesma. A mama possui um forte simbolismo cultural ligado à feminilidade, à sexualidade e à maternidade. Por isso, a sua remoção, total ou parcial, provoca uma ruptura significativa na identidade e na autoestima da mulher (Oliveira; Santos, 2021).
A mastectomia, procedimento amplamente utilizado no tratamento do câncer de mama, desperta em muitas pacientes sentimento de perda, vergonha e inadequação. Conforme Oliveira e Santos (2021), a ausência da mama desencadeia frequentemente um processo de luto simbólico, que pode evoluir para quadros de depressão ou isolamento social.
Além da cirurgia, outros efeitos do tratamento oncológico também interferem na imagem corporal, como a queda de cabelo e o ganho de peso. Embora temporárias, essas alterações afetam profundamente a maneira como a mulher se vê e se relaciona com o próprio corpo. Mendes e Lima (2022) observam que, além da mastectomia, tratamentos como a quimioterapia provocam a alopecia, gerando desconforto psicológico adicional.
Para muitas pacientes, o uso de lenços, perucas ou a exposição da cabeça raspada torna-se um símbolo visível da doença, afetando o modo como se enxergam e se apresentam socialmente. A forma como cada mulher lida com essas transformações depende de diversos fatores, como o apoio social, a atuação da equipe de saúde e o acesso à reconstrução mamária. Ainda que a reconstrução contribua para o resgate da autoestima, ela não resolve, por si só, as questões emocionais associadas à perda da mama (Bonafim, 2023).
Intervenções que incentivam o autocuidado e a valorização do corpo, como grupos de apoio e atividades de expressão corporal, demonstram-se eficazes no enfrentamento das mudanças físicas e emocionais geradas pela doença. Bonafim (2023) destaca que, quando a mulher se sente ouvida e acolhida em suas preocupações com a aparência, ela apresenta melhor adaptação ao processo de tratamento e recuperação.
A alopecia é citada com frequência como uma das experiências mais difíceis do tratamento, por ser uma marca visível da condição de “paciente”. O uso de acessórios, como lenços ou perucas, ou a decisão de não esconder a calvície, nem sempre são estratégias suficientes para a aceitação da nova imagem. Muitas mulheres associam a cabeça raspada à fragilidade, vulnerabilidade e ao rompimento com sua autoimagem anterior. Segundo Almeida et al. (2023), essa nova forma de se perceber pode provocar um sentimento de desconexão consigo mesma, intensificando o sofrimento emocional.
Cada mulher vivencia essas transformações de maneira singular, influenciada por fatores como idade, estado civil, rede de apoio, experiências prévias e, especialmente, pela forma como é acolhida durante o tratamento. A atuação da equipe multiprofissional é essencial para oferecer suporte e promover uma escuta ativa e empática, que considere as necessidades emocionais da paciente e contribua para a reconstrução da autoestima (Ferreira et al., 2023).
A cirurgia de reconstrução mamária, frequentemente utilizada para minimizar os efeitos da mastectomia, pode colaborar para a reapropriação da identidade corporal. No entanto, essa intervenção não está disponível para todas as mulheres, seja por limitações do sistema de saúde, contraindicações médicas ou escolha pessoal. Bonafim (2023) enfatiza que a reconstrução deve ser apresentada como uma possibilidade, respeitando o tempo, os sentimentos e a vontade da paciente.
Além das cirurgias, outras abordagens terapêuticas que estimulam o autocuidado e o fortalecimento da autoestima se mostram eficazes no processo de ressignificação da imagem corporal. Atividades como rodas de conversa, oficinas de estética terapêutica, práticas corporais e arteterapia ajudam na expressão dos sentimentos e no enfrentamento das alterações provocadas pela doença. Costa e Freitas (2024) afirmam que estratégias que promovem o acolhimento emocional e a valorização do corpo contribuem para a integração dessas mudanças à nova identidade da mulher.
O processo de aceitação do novo corpo é gradual e requer tempo, paciência e apoio psicológico constante. A construção de uma nova autoimagem envolve não apenas adaptação, mas também acolhimento, escuta e reconstrução simbólica. O corpo transformado passa a representar não apenas a doença, mas também a superação e a resistência. Nesse contexto, o cuidado humanizado é essencial para que a mulher se sinta respeitada e fortalecida em sua integralidade (Nunes; Carvalho, 2023).
Além dessas questões, o impacto do câncer de mama também se reflete na vivência da sexualidade e nos relacionamentos afetivos. Muitas mulheres sentem-se menos desejadas e desenvolvem inseguranças relacionadas ao contato íntimo com seus parceiros. Ferreira et al. (2023) ressaltam que a percepção da própria imagem interfere diretamente na expressão da sexualidade, e que o olhar do outro sobre o corpo alterado pode intensificar esse desconforto.
Entre as mulheres que exercem o papel de cuidadoras, como mães ou responsáveis por familiares, o autocuidado muitas vezes é deixado em segundo plano. Barbosa e Lima (2022) apontam que a sobrecarga de responsabilidades dificulta a atenção às próprias necessidades, o que contribui para a intensificação da baixa autoestima e para o adiamento da aceitação das transformações corporais.
O ambiente hospitalar também influencia diretamente esse processo. Espaços frios, impessoais e com pouca privacidade reforçam sentimentos de vulnerabilidade e insegurança. Nunes e Carvalho (2023) destacam que a humanização dos ambientes de cuidado, associada a uma comunicação empática, promove uma experiência mais acolhedora e favorece o enfrentamento do tratamento com maior equilíbrio emocional.
Outro aspecto relevante está relacionado à maneira como os padrões estéticos impostos pela sociedade influenciam negativamente a percepção do corpo feminino, especialmente após as alterações físicas decorrentes do tratamento oncológico. Essa pressão social tende a acentuar sentimentos de inadequação, vergonha e medo do julgamento, o que, segundo Bonafim (2023), pode contribuir para o isolamento social e o afastamento de atividades cotidianas e afetivas.
Além disso, o impacto da doença sobre a sexualidade representa outro desafio significativo. De acordo com Costa e Freitas (2024), muitas mulheres enfrentam dificuldades na intimidade, insegurança quanto à própria atratividade e alterações no desejo sexual. A vivência da sexualidade nesse contexto exige escuta acolhedora, pois envolve aspectos físicos e emocionais. Quando a paciente encontra apoio adequado, torna-se possível ressignificar essa experiência e fortalecer sua autoestima ao longo do processo terapêutico.
3.3 O papel do apoio psicossocial no enfrentamento da doença
O enfrentamento do câncer de mama envolve não apenas os aspectos físicos do tratamento, mas também desafios emocionais, sociais e psicológicos que demandam suporte contínuo e humanizado. Nesse cenário, o apoio psicossocial se configura como um recurso essencial para a promoção do bem-estar emocional e para o fortalecimento da capacidade de enfrentamento da paciente. De acordo com Souza et al. (2021), a presença de uma rede de apoio composta por familiares, amigos, profissionais de saúde e instituições contribui para a redução do sofrimento emocional e favorece a adesão ao tratamento.
A família desempenha um papel central nesse processo, oferecendo escuta ativa, acolhimento emocional e apoio prático nas tarefas diárias. Quando a paciente se sente acolhida e compreendida em seu ambiente familiar, ela apresenta maior segurança e confiança para lidar com as adversidades da doença (Almeida et al., 2023). Por outro lado, a ausência de apoio familiar pode gerar sentimentos de abandono, solidão e baixa autoestima, o que agrava o sofrimento psíquico.
A equipe multiprofissional de saúde também assume papel crucial na construção de um cuidado psicossocial efetivo. A enfermagem, por exemplo, atua na orientação sobre o tratamento, no encaminhamento para atendimento psicológico e na escuta sensível das necessidades emocionais da paciente. Mendes e Lima (2022) afirmam que o estabelecimento de vínculos de confiança entre pacientes e profissionais melhora significativamente os índices de adesão ao tratamento e a percepção da qualidade do cuidado recebido.
Além disso, os grupos de apoio emocional e as terapias psicológicas, tanto em grupo quanto individuais, oferecem espaço seguro para a expressão de sentimentos, dúvidas e experiências. Nesses espaços, as mulheres compartilham suas vivências, criam laços de solidariedade e constroem formas mais saudáveis de lidar com o sofrimento (Ferreira et al., 2023). A troca de experiências promove uma sensação de pertencimento e auxilia na reconstrução da identidade frente à doença.
A espiritualidade e a religiosidade, quando respeitadas e acolhidas no contexto do cuidado, representam recursos importantes para muitas mulheres em tratamento. A fé, para essas pacientes, funciona como fonte de esperança, conforto e ressignificação do sofrimento. Bonafim (2023) destaca que considerar os aspectos espirituais da paciente fortalece o cuidado integral e humanizado, promovendo uma visão mais ampliada do processo de adoecimento.
Contudo, é importante reconhecer que nem todas as pacientes contam com redes de apoio sólidas. Em alguns casos, o diagnóstico resulta em rupturas de vínculos afetivos, afastamento de parceiros e conflitos com familiares. A falta de preparo para lidar com a doença e os estigmas sociais relacionados ao câncer podem dificultar ainda mais o apoio necessário (Lima;Barbosa, 2023). Nesses casos, o suporte psicológico se torna indispensável para o enfrentamento saudável das emoções e a elaboração do sofrimento.
Os grupos de apoio se mostram espaços fundamentais onde as pacientes se reconhecem na dor e na superação de outras mulheres. O compartilhamento de vivências fortalece os vínculos interpessoais e amplia os recursos emocionais disponíveis. Segundo Costa e Freitas (2024), a participação ativa nesses grupos melhora a autoestima, estimula a resiliência e favorece o desenvolvimento de estratégias mais positivas para lidar com a doença.
No âmbito dos serviços de saúde, o acolhimento precisa ser constante, desde o diagnóstico até o acompanhamento após o tratamento. Profissionais capacitados para escutar com empatia e respeito às subjetividades das pacientes promovem um ambiente mais seguro e favorável à recuperação emocional. Silva e Martins (2022) afirmam que a escuta qualificada representa um dos principais indicadores da qualidade do cuidado e deve estar alinhada às necessidades individuais da mulher.
O acompanhamento psicológico, por sua vez, precisa estar presente em todas as fases do tratamento. Após o término da quimioterapia ou da radioterapia, muitas mulheres enfrentam o medo da recidiva, alterações na autoimagem e dificuldades para retomar a rotina. Nessa fase, os efeitos emocionais tornam-se mais evidentes, exigindo suporte terapêutico contínuo para evitar quadros de depressão ou ansiedade (Almeida et al., 2023).
Estratégias como oficinas terapêuticas, rodas de conversa, práticas integrativas e atividades expressivas também se mostram eficazes no estímulo ao autocuidado e na promoção da saúde mental. Tais ações contribuem para que a mulher se reconecte com sua identidade, redescubra sua força interior e ressignifique o processo de adoecimento (Souza et al., 2021).
O enfrentamento do câncer de mama envolve não apenas os aspectos físicos do tratamento, mas também desafios emocionais, sociais e psicológicos que demandam suporte contínuo e humanizado. Nesse cenário, o apoio psicossocial se configura como um recurso essencial para a promoção do bem-estar emocional e para o fortalecimento da capacidade de enfrentamento da paciente. De acordo com Souza et al. (2021), a presença de uma rede de apoio composta por familiares, amigos, profissionais de saúde e instituições contribui para a redução do sofrimento emocional e favorece a adesão ao tratamento.
A família desempenha um papel central nesse processo, oferecendo escuta ativa, acolhimento emocional e apoio prático nas tarefas diárias. Quando a paciente se sente acolhida e compreendida em seu ambiente familiar, ela apresenta maior segurança e confiança para lidar com as adversidades da doença (Almeida et al., 2023). Por outro lado, a ausência de apoio familiar pode gerar sentimentos de abandono, solidão e baixa autoestima, o que agrava o sofrimento psíquico.
A equipe multiprofissional de saúde também assume papel crucial na construção de um cuidado psicossocial efetivo. A enfermagem, por exemplo, atua na orientação sobre o tratamento, no encaminhamento para atendimento psicológico e na escuta sensível das necessidades emocionais da paciente. Mendes e Lima (2022) afirmam que o estabelecimento de vínculos de confiança entre pacientes e profissionais melhora significativamente os índices de adesão ao tratamento e a percepção da qualidade do cuidado recebido.
Além disso, os grupos de apoio emocional e as terapias psicológicas, tanto em grupo quanto individuais, oferecem espaço seguro para a expressão de sentimentos, dúvidas e experiências. Nesses espaços, as mulheres compartilham suas vivências, criam laços de solidariedade e constroem formas mais saudáveis de lidar com o sofrimento (FERREIRA et al., 2023). A troca de experiências promove uma sensação de pertencimento e auxilia na reconstrução da identidade frente à doença.
4. DISCUSSÃO
A análise dos dados e da literatura científica revela que o câncer de mama é uma condição que ultrapassa os limites do adoecimento físico. O diagnóstico da doença representa um marco emocional na vida da mulher, frequentemente acompanhado por sentimentos como medo, ansiedade, tristeza e impotência (Almeida et al., 2021). Esses achados são evidenciados por um estudo recente conduzido por Silva et al. (2023), que constatou que cerca de 85% das pacientes relataram medo como primeira reação ao diagnóstico, seguido por ansiedade (78%) e tristeza (72%).
Conforme demonstrado no Gráfico 1, os dados ajudam a fundamentar a discussão sobre o impacto emocional e psicológico da doença. Estudos recentes corroboram esses achados: Ribeiro et al. (2023) destacam que o impacto imediato do diagnóstico está ligado à sensação de perda de controle da vida, enquanto Souza e Mendes (2022) relatam que sintomas como ansiedade, distúrbios do sono e alterações alimentares são frequentes logo após a confirmação da doença. Essas reações emocionais comprometem diretamente o bem-estar psicológico e a qualidade de vida, como reforçam Bernardes et al. (2022), ao afirmarem que a saúde emocional é um dos principais pilares para a adesão ao tratamento oncológico. Além disso, é notório o impacto do tratamento oncológico na identidade feminina, principalmente no que tange à mastectomia e à quimioterapia, que geram alterações significativas na autoimagem e autoestima (Pinheiro; Cunha, 2022).
Gráfico 1

Gráfico 1: Elaborado pelas autoras a partir dos estudos analisados, observa-se que os sentimentos mais frequentes no diagnóstico são medo, ansiedade e tristeza.
A perda da mama, por exemplo, representa para muitas mulheres um luto simbólico não apenas físico, mas afetivo e social que exige reconstrução emocional e ressignificação da própria feminilidade (Oliveira; Ferreira, 2023). Essa condição é agravada por sentimentos de inadequação e isolamento social, como descrito por Gonçalves e Silva (2021), observaram que 68% das mulheres relataram evitar o convívio social após o início do tratamento.
Adicionalmente, é importante salientar que a vivência do adoecimento oncológico não se restringe apenas aos sintomas físicos e às mudanças corporais, mas envolve também uma profunda transformação na forma como a paciente percebe a si mesma e ao mundo ao seu redor. O medo do desconhecido, a possibilidade de recidiva da doença e as incertezas quanto ao futuro intensificam sentimentos de vulnerabilidade, que podem se manifestar em quadros de ansiedade persistente e até em sintomas depressivos. Esse cenário demonstra como o câncer, mais do que uma condição clínica, se configura como um processo que atravessa dimensões emocionais, familiares e sociais.
Além disso, o impacto psicológico ultrapassa a figura da paciente, alcançando familiares e pessoas próximas, que muitas vezes compartilham da dor, das preocupações e das adaptações necessárias no cotidiano. A sobrecarga emocional e a necessidade de apoio contínuo reforçam a relevância de equipes multiprofissionais, capazes de integrar o cuidado clínico com estratégias de suporte psicológico e social. A oferta de grupos de apoio, acompanhamento terapêutico e práticas integrativas pode contribuir de maneira significativa para a redução do sofrimento emocional, promovendo resiliência e favorecendo a adesão ao tratamento.
Nesse contexto, a espiritualidade e a fé também podem desempenhar um papel fundamental, funcionando como fontes de esperança e fortalecimento emocional diante das adversidades. Diversos estudos apontam que a religiosidade contribui para uma melhor aceitação da doença, favorece a elaboração do sofrimento e auxilia no enfrentamento de situações de dor e incerteza. A espiritualidade, nesse sentido, não deve ser compreendida apenas sob a ótica religiosa, mas como qualquer recurso que ofereça sentido à experiência de adoecimento, possibilitando maior equilíbrio psicológico.
Outro ponto relevante refere-se ao estigma social ainda associado ao câncer. Muitas mulheres relatam sentir-se julgadas ou olhadas de forma diferente após o diagnóstico, principalmente quando as alterações corporais se tornam visíveis. Esse estigma pode intensificar sentimentos de exclusão, diminuir a autoconfiança e dificultar a reinserção em ambientes de convívio, como o trabalho e a vida social. Tais fatores reforçam a necessidade de políticas públicas e campanhas de conscientização que promovam a desmistificação da doença e incentivem uma postura de acolhimento por parte da sociedade.
Além disso, a construção de uma rede de apoio sólida é decisiva para a manutenção da saúde emocional. O suporte oferecido pela família, amigos e profissionais de saúde ajuda a paciente a sentir-se menos sozinha no processo e proporciona maior segurança para lidar com os efeitos colaterais do tratamento. Quando esse suporte é ausente, a vulnerabilidade emocional tende a aumentar, podendo resultar em abandono terapêutico ou em prejuízos significativos na recuperação.
Considerando tais aspectos, evidencia-se que o impacto do câncer transcende o corpo físico e atinge esferas profundas da subjetividade. A valorização das necessidades emocionais das pacientes deve caminhar lado a lado com os cuidados clínicos, assegurando não apenas a eficácia terapêutica, mas também a preservação da identidade, da autoestima e da dignidade humana ao longo de toda a trajetória da doença.
O Gráfico 2, mostra dados relevantes sobre o afastamento social e dificuldades enfrentadas por mulheres após o diagnóstico da doença. Dados de Lima e Barbosa (2023) apontam que o afastamento social pode ultrapassar 70% das mulheres em tratamento, reforçando a vulnerabilidade psicossocial. Já Almeida e Rocha (2024) demonstram que a ausência de apoio familiar e ambientes hospitalares pouco humanizados intensificam esse isolamento. Além disso, segundo Fernandes et al. (2022), a integração de práticas integrativas e espaços de convivência hospitalar tem potencial para reduzir em até 35% o índice de afastamento social.
Gráfico 2

Gráfico 2: Produzido pelas autoras, evidencia a elevada taxa de afastamento social entre as mulheres, confirmando a relevância do apoio psicossocial para o enfrentamento da doença.
A análise dos dados também permite destacar a relevância do apoio psicossocial na trajetória dessas pacientes. A presença de uma rede de apoio familiar e de vínculos afetivos saudáveis influencia positivamente o enfrentamento da doença (Marques et al., 2022).
O acolhimento por profissionais da saúde, por meio de escuta qualificada e orientação adequada, favorece a segurança emocional da paciente, como apontam Rocha e Farias (2023), ao destacarem que o vínculo terapêutico multiprofissional pode reduzir em até 40% os níveis de ansiedade durante o tratamento oncológico.
Outro aspecto que merece destaque são as práticas integrativas e complementares (PICs). Atividades como arteterapia, musicoterapia, meditação e rodas de conversa promovem a expressão de emoções, o fortalecimento da autoestima e a sensação de pertencimento (Braga et al., 2022). Segundo dados do Ministério da Saúde (2023), mais de 65% das pacientes que participaram de programas de práticas integrativas relataram melhora na qualidade de vida emocional durante o tratamento de câncer de mama.
Embora não substituam o tratamento clínico convencional, as PICs ampliam a compreensão do cuidado em saúde, reconhecendo a mulher em sua integralidade corpo, mente e espírito como defendido por Santos e Lima (2021). Esse olhar integral e humanizado se mostra fundamental diante da complexidade do adoecimento oncológico.
O ambiente hospitalar e a postura dos profissionais de saúde também impactam diretamente na forma como a mulher vivencia o tratamento. Ambientes impessoais, somados à comunicação inadequada, podem gerar sofrimento adicional (Freitas et al., 2022). Em contrapartida, ambientes acolhedores e relações empáticas contribuem para o fortalecimento emocional das pacientes, reiterando a importância da capacitação continuada das equipes em saúde mental, como sugerido por Costa e Almeida (2023).
Assim, observa-se que a simples atenção aos aspectos clínicos da doença não é suficiente. O câncer de mama afeta de maneira profunda a construção da identidade feminina, os vínculos sociais e a percepção existencial da mulher. Portanto, uma assistência que considere as dimensões emocionais, subjetivas e sociais é essencial para garantir um cuidado efetivo, digno e humanizado.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Dado o exposto, o câncer de mama revela-se uma experiência que ultrapassa os limites do corpo físico, interferindo diretamente na saúde emocional e psicológica da mulher diagnosticada. O presente estudo alcançou seu objetivo ao evidenciar como o adoecimento compromete a autoestima, a identidade e os vínculos sociais, trazendo à tona os múltiplos desafios enfrentados durante o tratamento.
Levando-se em consideração esses aspectos, foi possível constatar, a partir da literatura, que sentimentos como medo, tristeza, ansiedade, insegurança e sensação de perda de controle são frequentes, especialmente diante das transformações corporais impostas pela mastectomia, pela alopecia e pelos efeitos colaterais do tratamento oncológico.
Tendo em vista os aspectos observados, o estudo reafirma a importância do suporte emocional como ferramenta indispensável no processo de enfrentamento do câncer. A presença de familiares, amigos e profissionais de saúde empáticos, acolhedores e atentos às necessidades subjetivas da paciente contribui diretamente para uma vivência menos dolorosa e mais fortalecedora.
Por todos esses aspectos, confirma-se que os objetivos propostos nesta pesquisa foram plenamente atendidos, ao demonstrar que o cuidado com a saúde mental da mulher com câncer de mama deve ser parte indissociável da assistência integral. Valorizar o aspecto emocional é garantir uma atenção mais sensível, humana e eficaz.
Pela observação dos aspectos analisados, recomenda-se que os serviços de saúde incluam práticas contínuas de apoio psicológico, como rodas de conversa e oficinas terapêuticas, e que os profissionais sejam capacitados para oferecer um cuidado centrado na mulher, respeitando suas fragilidades e potencialidades.
Portanto, conclui-se que enfrentar o câncer de mama com dignidade depende de um modelo de cuidado integral, que una ciência, empatia e humanidade. A escuta ativa, o acolhimento e o respeito à subjetividade da paciente tornam-se pilares para que o processo de tratamento seja menos traumático e mais esperançoso.
Os estudos analisados revelam que o diagnóstico de câncer de mama gera uma série de reações emocionais intensas, como medo, angústia, tristeza, insegurança e, em algumas situações, isolamento social. Tais emoções comprometem não apenas a saúde mental, mas também a adesão ao tratamento e a qualidade de vida das pacientes (Almeida et al., 2021; Silva et al., 2023). As mudanças físicas decorrentes da doença e de seus tratamentos afetam diretamente a autoestima, a percepção de si e os vínculos sociais estabelecidos pelas mulheres (Costa; Mendes, 2022).
A realização desta pesquisa bibliográfica possibilitou o desenvolvimento de um arcabouço teórico consistente acerca dos desafios emocionais e subjetivos enfrentados por essas mulheres, permitindo compreender suas necessidades ao longo do processo de adoecimento. Essa compreensão é fundamental para propor intervenções mais humanizadas e acolhedoras no ambiente de cuidado em saúde, fortalecendo o apoio psicológico e o enfrentamento positivo da doença (Rocha; Farias, 2023).
Por fim, é fundamental que as políticas públicas de saúde ampliem o acesso ao apoio psicológico gratuito, contínuo e qualificado. A desigualdade no acesso a esses serviços ainda é uma realidade em muitas regiões, o que compromete o cuidado integral à mulher com câncer de mama. A implementação de estratégias voltadas à saúde mental deve ser entendida como parte inseparável do tratamento oncológico.
O acolhimento, portanto, precisa ser compreendido como uma prática permanente e estruturante do cuidado. A escuta ativa, o respeito às emoções e a valorização da subjetividade feminina são pilares que garantem que a mulher seja reconhecida em sua totalidade, não apenas como paciente, mas como ser humano em processo de superação.
Este estudo apresenta como limitações o recorte temporal restrito (2020–2024) e o fato de se tratar de uma revisão bibliográfica, sem coleta direta de dados com pacientes.
Recomenda-se a formulação de políticas públicas que ampliem o acesso ao suporte psicológico em oncologia, bem como o incentivo a práticas integrativas nos serviços de saúde. Além disso, sugere-se a realização de estudos clínicos e qualitativos com pacientes, familiares e equipes multiprofissionais, de modo a aprofundar a compreensão sobre o tema.
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1Graduanda do Curso Enfermagem, do Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos – Uniceplac. E-mail: keisycristina20@gmail.com
2Graduanda do Curso Enfermagem, do Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos – Uniceplac. E-mail: stheffanninegreiros47@gmail.com
3Mestra em Engenharia Biomédica. Pós-graduada em Docência do Ensino Superior e Gestão em Educação Ambiental. Graduada em Ciências Biológicas e Pedagogia. Docente no Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos – Uniceplac. Brasília, Distrito Federal, Brasil. E-mail: elisangela.aoyama@uniceplac.edu.br
4Mestre em Ciências e Saúde. Pós Graduado em Urgência e Emergência e Gerontologia. Graduado em Enfermagem. Docente no Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos – Uniceplac. Brasília, Distrito Federal, Brasil. E-mail: evertton.campos@uniceplac.edu.br
