REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202512072259
Jhennyfer de Paula Silva dos Santos
Orientador(a): Profa. Dra. Karlinne Maria Martins Duarte.
RESUMO
A endodontia regenerativa surge como uma proposta de que células indiferenciadas presentes na papila dental possam desempenhar o papel da polpa na formação dentinária. o objetivo desde estudo é demonstrar a relevância da endodontia regenerativa na odontologia atual, enfatizando as contribuições biotecnológicas para a preservação da vitalidade pulpar. Este estudo é uma revisão de literatura, para guiar a pesquisa, foram acessadas as bases de dados mais conhecidas, sendo elas: Google acadêmico, Scielo e PubMed, utilizando os descritores: “Endodontia Regenerativa”; “Polpa dentaria”; “Células tronco”; “Endodontia”. Os critérios que levaram a seleção dos estudos para o desenvolvimento desta revisão literária foram aqueles publicados entre os anos de 2017 a 2025, em língua portuguesa e inglesa e aqueles que tiveram ligação direta com a endodontia regenerativa em humanos. Já os critérios que levaram a exclusão foram aqueles sem acesso ao texto completo, monografias e artigos que não tinham livre acesso. Ao total, foram selecionados 100 artigos, no entanto, utilizados apenas 13. No campo da odontologia regenerativa, a regeneração pulpar tem como objetivo restaurar a estrutura e a função dos dentes por meio de célulastronco. Em síntese, a endodontia regenerativa é apresentada como uma possibilidade além dos tratamentos convencionais, devido ao seu potencial de conseguir resultados clínicos além da resolução da sintomatologia e a preservação do dente em boca. É valido ressaltar que a endodontia regenerativa é um grande avanço na odontologia atual, visto que oferece um tratamento conservador através de uma abordagem biológica.
Palavras-Chaves: Endodontia Regenerativa; Polpa dentaria; Células tronco.
ABSTRACT
Regenerative endodontics emerges as a proposal that undifferentiated cells present in the dental papilla can play the role of the pulp in dentin formation. The objective of this study is to demonstrate the relevance of regenerative endodontics in current dentistry, emphasizing biotechnological contributions to the preservation of pulp vitality. This study is a literature review; to guide the research, the most well-known databases were accessed, namely: Google Scholar, SciELO, and PubMed, using the descriptors: “Regenerative Endodontics”; “Dental Pulp”; “Stem Cells”; “Endodontics”. The criteria that led to the selection of studies for the development of this literature review were those published between 2017 and 2025, in Portuguese and English, and those that had a direct link to regenerative endodontics in humans. The criteria that led to exclusion were those without access to the full text, monographs, and articles that did not have free access. In total, 100 articles were selected; however, only 13 were used. In the field of regenerative dentistry, pulp regeneration aims to restore the structure and function of teeth through stem cells. In short, regenerative endodontics is presented as a possibility beyond conventional treatments, due to its potential to achieve clinical results beyond symptom resolution and tooth preservation in the mouth. It is worth highlighting that regenerative endodontics is a major advancement in current dentistry, as it offers conservative treatment through a biological approach.
Keywords: Regenerative Endodontics; Dental pulp; Stem cells.
1. INTRODUÇÃO
A biotecnologia vem promovendo avanços significativos na área da odontologia, estimulando inovações que contribuem para que o cirurgião-dentista tenha melhores previsões prognosticas, tratamentos alternativos, materiais biocompatíveis e regeneração de tecidos biológicos (Tude et al., 2024). Nesse contexto, a endodontia regenerativa propõe que, em casos de necrose pulpar, células indiferenciadas presentes na papila dental possam desempenhar o papel da polpa na formação dentinária (Cruz et al., 2020).
Procedimentos endodônticos regenerativos (PERs) foram definidos como procedimentos de base biológica projetados para substituir estruturas danificadas, incluindo dentina e estruturas radiculares, bem como células do complexo dentinapolpa (Brizuela et al., 2020). Diferentes termos têm sido utilizados ao longo dos anos para descrever este procedimento, como regeneração, revascularização pulpar e revitalização (Glyni et al., 2021).
A regeneração pulpar é definida como uma terapia que promove a diferenciação de células progenitoras da porção apical de dentes jovens, permitindo assim a deposição de tecidos mineralizados nas paredes dentinárias (Costa et al.,2021), em outras palavras, a endodontia regenerativa está atrelada a reprodução e secreção de novas células responsáveis pela formação do complexo dentinho pulpar (Campelo et al., 2020).
A polpa dentária é um tecido conjuntivo frouxo, rico em vasos sanguíneos, nervos, células e matriz celular. Histologicamente a polpa dentária é dividida em camadas: Camada odontoblástica na periferia; Camada subodontoblástica com as zonas pobres em células e zona ricas em células; Região central da polpa caracterizada por vasos e nervos maiores da polpa (Costa et al., 2021).
Muitas células estão presente no órgão pulpar, são elas: células de defesa, células ectomesenquimais, fibroblastos e odontoblastos. Os odontoblastos, células responsáveis pela manutenção e formação da dentina, estão presentes em grande número na região de coroa e são as mais características do complexo dentino-pulpar (Campelo et al., 2020). Os fibroblastos são responsáveis pela formação de fibras colágenas e proteínas da matriz do tecido pulpar (Costa et al., 2021). As células-tronco têm a capacidade de promover a regeneração da polpa e isso se dar por suas propriedades naturais (Tude et al.,2024).
O suprimento sanguíneo é responsável pela oxigenação e manutenção das células e consequentemente a vitalidade do elemento dentário (Campelo et al., 2020). A polpa dentária, que é um tecido conjuntivo frouxo, exerce um papel crucial para a vitalidade dos dentes, como por exemplo, respondendo a estímulos externos, fornecendo nutrição e promovendo a mineralização nos processos de reparo (Tude et al., 2024). Este procedimento endodôntico é realizado, quando um dente permanente imaturo necrosado é passível de reabilitação direta e sem retentor intrarradicular, em que o paciente não seja alérgico aos medicamentos e antibióticos necessários para o tratamento e sempre mediante um consentimento informado por parte do paciente ou dos seus responsáveis legais (Monteiro, 2019).
Nos últimos anos, as condutas terapêuticas feita pela Endodontia Regenerativa (ER) tem sido foco de discussões e objeto de estudo. A prática dessa alternativa tem crescido exponencialmente como uma opção de tratamento para dentes imaturos com diagnóstico de necrose pulpar e periodontite apical (Tude et al., 2024).
Com base no exposto, o objetivo desde estudo é demonstrar a relevância da endodontia regenerativa na odontologia atual, enfatizando as contribuições biotecnológicas para a preservação da vitalidade pulpar.
2. METODOLOGIA
Este estudo é uma revisão de literatura. Para guiar a pesquisa, foram acessadas as bases de dados mais conhecidas, sendo elas: Google acadêmico, Scielo e PubMed, utilizando os descritores: “Endodontia Regenerativa”; “Polpa dentaria”; “Células tronco”; “Endodontia”.
A seleção dos artigos foi realizada a partir de uma cronologia de pesquisa entre os anos de 2017 e 2025. Os critérios que levaram a inclusão dos estudos foram aqueles publicados em língua portuguesa e inglesa e que tiveram ligação direta com a endodontia regenerativa em humanos. Os critérios que levaram a exclusão foram aqueles sem acesso ao texto completo, monografias e artigos que não tinham livre acesso.
3. REVISÃO DE LITERATURA
Por consequência de um trauma ou pela presença de bactérias na estrutura dentária, o tecido pulpar pode ser comprometido, sendo necessário nesses casos que o sistema de canais radiculares seja tratado através da terapia endodôntica. Quando a necrose ocorre durante o processo de formação do dente, pode resultar em rizogênese incompleta, e tradicionalmente é tratado com Apicificação, fazendo sucessivas trocas de hidróxido de cálcio (CaOh) ou com plug de Mineral Trióxido Agregado (MTA) (Bontempo e Silva, 2022).
A necrose pulpar pode ser definida como a morte da polpa, o que significa dizer que seus processos metabólicos foram cessados, e a consequência dessa cessação é a perda de estrutura e suas defesas naturais. Diante a necrose pulpar, ocorre a paralisação do processo de rizogênese, deixando o dente imaturo e mais suscetível a fraturas (Bontempo et al, 2022).
A necrose pulpar em dentes permanentes imaturos é um desafio para procedimentos clínicos, pois o crescimento radicular é interrompido e como consequência, origina-se um dente com ápice aberto. A etiologia da necrose pulpar em dentes permanentes imaturos pode vir de uma lesão de cárie e trauma. O prognóstico, na maioria das vezes, está sujeito a um risco maior de fratura da raiz cervical e uma redução na relação entre a coroa e a raiz (Barcellos et al., 2025).
É valido destacar que, mesmo após a necrose pulpar, o elemento dentário pode ser recuperado, isso se dá pelos nutrientes vindo da papila dental e pelas suas células que ficam em suspensão esperando o processo de atração e diferenciação, permitindo que migrem para áreas de pouco oxigênio, tornando-as em um elemento com grande capacidade de sobrevivência (Bontempo et al., 2022).
No campo da odontologia, a regeneração dentária tem como objetivo restaurar a estrutura e a função dos dentes por meio de células-tronco (Oliveira et al., 2025). Em síntese, a revascularização pulpar pode ser definida como a invaginação de células indiferenciadas da região apical de dentes de pacientes jovens com ápice aberto. Esse é um processo regenerativo, o qual tem a finalidade de estimular a penetração de tecido perirradicular no interior do canal radicular. Como consequência, haverá o restabelecimento da vitalidade de dentes anteriormente necrosados permitindo reparo e a regeneração dos tecidos (Santos et al., 2018).
Figura 1: Imagem Ilustrativa da técnica de revascularização.

Fonte: Barcellos et al., 2025, p. 14
Após a erupção de um dente permanente, é necessário de 1 a 4 anos para que ocorra o desenvolvimento completo da raiz do dente. (Barcellos et al., 2025)
A técnica de Endodontia Regenerativa poderá ser aplicada em dente permanente com diagnóstico de necrose pulpar e ápice radicular aberto, dentes que não necessitem de retentor intrarradicular e paciente cooperativo (Tude et al., 2024). A base biológica ligada ao processo de regeneração está envolvida com as células da papila apical que, quando impulsionadas pela bainha epitelial de Hertwig, podem se proliferar e se diferenciar em odontoblastos, garantindo que a formação radicular continue. A entrada dessas células no canal radicular ocorre através da indução de sangramento na região periapical (Bontempo et al., 2022).
As evidências cientificas sobre a abordagem regenerativa apresentam altas taxas de sucesso, principalmente, em pacientes jovens entre os 8 a 16 anos de idade sem comprometimentos sistêmicos (Tude et al., 2024). No entanto, para alcançar esses objetivos, são necessários três princípios da endodontia regenerativa: presença de células tronco, fatores de crescimento e matriz de crescimento. Com base nestes princípios, os processos de regeneração tendem a ser mais entendidos em meio à descontaminação (Barcellos et al., 2025).
Em 1908, Alexandre Maximov denominou as células hematopoiéticas de célulatronco e elas têm sido estudadas de forma recorrente no meio odontológico atual (Braitt, 2024). Células-tronco são definidas como células indiferenciadas que são renováveis automaticamente e produzem pelo menos um tipo de célula altamente especializada (Barcellos et al., 2025)
No contexto odontológico, podemos destacar as células-tronco mesenquimais de origem dentária, como as células-tronco da polpa dental permanente (DPSCs), as células-tronco de dentes decíduos esfoliados (SHED), as células-tronco da papila apical (SCAP) e as células do ligamento periodontal (PDLSCs) (Silva et al., 2025).
A terapia regenerativa é considerada um avanço promissor por sua aplicabilidade, por seu potencial reprodutivo e a sua capacidade de diferenciação em outros tipos celulares, o que abre uma gama de possibilidades a serem aproveitadas como potencial terapêutico (Tude et al., 2024). Devido à origem embrionária ectomesenquimal, as células-tronco presentes nas papilas dentárias possuem a capacidade de se diferenciarem em muitas células especializadas no corpo humano (Costa et al., 2024).
Essas células possuem um grande potencial baseados em características peculiares: capacidade de se multiplicarem e de se diferenciarem em outros tipos de células, como de tecidos, cartilagens e neurônios (Braitt, 2024), odontoblastos, fibroblastos e células endoteliais, além da capacidade de modular respostas inflamatórias (Silva et al., 2025).
Em 2011, pesquisadores revelaram que a indução de sangramento da área apical dentro de um sistema de canais radiculares desinfetado resulta na estimulação de uma quantidade considerável de células-tronco (Glyni et al., 2021). Nessa perspectiva de indução de sangramento apical, pensa-se que a revascularização pulpar tem como mecanismo à estimulação e aumento rápido do tecido perirradicular para o centro do canal, tendo como resultado dentes necrosados em dentes com vitalidade recuperada (Barcellos et al., 2025).
Com a indução do sangramento, ocorre a estimulação das células, esse incentivo produz um sinal que irá auxiliar a liberação do crescimento endotelial vascular, citocina, fibronectinas e fibrinas, esses irão garantir que o conduto que antes estava vazio seja novamente ocupado, em seguida, fazendo com que as célulastronco da papila migrem para o coágulo (Bontempo et al., 2022).
No tratamento convencional, a instrumentação é essencial para o sucesso da terapia, no entanto, no caso da regeneração pulpar, a instrumentação nem sempre é considerada, pois pode danificar as células-tronco e os fatores de crescimento presentes no canal radicular. A literatura aponta que dentes que foram expostos a etapa instrumentação não restabelecem sua vitalidade após o tratamento. Portanto, tendo como base o objetivo da terapia regenerativa, a instrumentação não é indicada, nesses casos a irrigação é a etapa fundamental (Barcellos et al., 2025).
O tratamento regenerativo pode ser feito variando a solução irrigadora e a medicação intracanal, mas segue uma mesma lógica de acesso, descontaminação do canal e promoção do sangramento apical:
Na fase do tratamento, faz-se anestesia local e o uso de isolamento absoluto.
Após o acesso endodôntico, na primeira consulta inicia-se a etapa de irrigação.
O hipoclorito de sódio é a solução irrigadora padrão usada durante todo o processo. Utiliza-se 10ml de hipoclorito de sódio na concentração de 1,5%, para irrigação do canal radicular, pois além de ser antimicrobiano, é capaz de dissolver matéria orgânica (Santos et al., 2021). É importante destacar que é recomendado usar o hipoclorito em baixa concentração devido à alta concentração afetar a ligação das células-tronco à superfície da dentina, além de ser tóxica para as células estaminas da papila dental (SCAP). (Barcellos et al., 2025). Em seguida inicia-se a irrigação com ácido etilenodiaminotetracético (EDTA) 17% para neutralizar e reduzir os danos as célulastronco durante 5 minutos (Santos et al., 2021).
O EDTA é usado para melhorar a permeabilidade dos túbulos dentinários, remover a smear layer e quelar os íons cálcio do hidróxido de cálcio. Essa solução atua como um auxiliar da solução irrigadora, para isso, deve permanecer no interior do canal por um minuto para evitar a erosão das paredes dentinárias (Estraich, 2017).
Em seguida, utiliza-se cones de papeis estéres para a secagem dos canais (Santos et al., 2021). Logo após, inserção da medicação intracanal, pois é a etapa que ocorre a eliminação dos micro-organismos para que a infecção seja eliminada. A literatura destaca o hidróxido de cálcio ou pasta de antibiótico tripla como medicação padrão (Bontempo et al., 2022).
A pasta antibiótica tripla é composta de 400mg de Metronidazol, 250 mg de Ciprofloxacino e 50 mg de Minociclina manipulada com um veículo, geralmente propileno glicol. (Bontempo et al., 2022). O Hidróxido de cálcio é apresentado como uma base com efeito antibacteriano liberando íons de hidróxido. Essa medicação intracanal rompe a membrana plasmática bacteriana, inibindo sua atividade, além de desnaturar proteínas e destruir o DNA. (Barcellos et al., 2025)
A inserção do hidróxido de cálcio após o processo de irrigação e secagem dos canais, é na câmara pulpar e na parte coronária (terço ou metade) do canal radicular. Seguindo com selagem da cavidade de acesso com um material restaurador temporário para a segunda consulta (Santos et al., 2021).
No retorno do paciente, entre 2 a 3 semanas, inicia com a remoção da restauração provisória e da medicação intracanal. A solução irrigadora nessa etapa é o EDTA 17% e enxágue do canal radicular com água esterilizada e secagem de canal radicular com cones de papel estéreis. Logo após, o protocolo de sangramento apical é iniciado causado pela irritação da região apical com uma lima 15 K (Santos et al., 2021).
Para finalizar, é usado o agregado trióxido mineral (MTA) sendo inserido no coágulo para formar um selamento hermético e, consequentemente, gerar um selamento da cavidade (Santos et al., 2021). O selamento coronal é protocolo de regeneração. É importante para definir o sucesso da terapia proposta. O material de escolha deve ter capacidade de selar o canal e impedir a contaminação bacteriana, garantindo restauração definitiva. A literatura indica o uso do MTA, recomendando a colocação de uma espessura de 3-4 mm de MTA até o nível da Junção cementoesmalte (Bontempo et al., 2022).
Por fim, o tempo de proservação para avaliar o progresso na lesão periapical é de seis a doze meses e do aumento do volume e comprimento da raiz é de doze a trinta e seis meses (Santos et al., 2021)
É importante destacar também, que a confirmação da regeneração de tecido pulpar vital só pode ser feita por meio de análise histológica, que é invasiva e requer extração dentária. As técnicas radiográficas e a tomografia computadorizada de feixe cônico, não permitem avaliar o sucesso da regeneração de tecido intracanal vital. O dente tratado através da regeneração pulpar tende a responder positivamente ao teste de sensibilidade ao frio, pois o objetivo é restaurar a vitalidade pulpar(Mohamed et al., 2020).
Figura 2: Imagem radiográfica após procedimento regenerativo

4. DISCUSSÃO
O termo endodontia regenerativo é utilizado por diversos autores, com diferentes definições. Brizuela et al (2020) definem como um procedimento de base biológica, projetado para substituir estruturas danificadas, incluindo dentina e estruturas radiculares, bem como células do complexo dentina-polpa. Campelo et al (2020) conceituam como qualquer procedimento que visa a reparação de estruturas radiculares, diferenciação e formação de células que irão formar tecidos semelhantes a dentina e a polpa dentária.
Atualmente, a maioria dos REPs baseia-se na utilização de arcabouços endógenos ou naturais, como coágulo sanguíneo (CB), plasma rico em plaquetas (PRP) e fibrina rica em plaquetas (PRF), que são favoráveis devido ao seu custo, resposta inflamatória, imunológica e toxicidade. No entanto, A regeneração/revascularização pulpar é um procedimento relativamente recente na área da endodontia, e ainda não há consenso sobre o protocolo ideal a ser seguido (Araújo et al., 2022).
A endodontia regenerativa representa um avanço dentro da odontologia com o uso de células troncos. Silva et al (2025), falam que esse procedimento de base biológica é uma alternativa para superar as limitações do tratamento convencional. No entanto, apesar dessas células troncos serem consideradas regenerativas, Brizuela et al (2020), ressaltam a importância de se ter o conhecimento exato sobre seu mecanismo de ação, pois ainda é pouco compreendido.
Ainda que o mecanismo de ação seja pouco compreendido, Glyni et al (2020) descrevem que a endodontia regenerativa alcança resultados benéficos, solucionando os sinais e sintomas e demonstrando a cicatrização completa dos tecidos periapicais. Para Mohamed et al (2020), o preenchimento do canal com tecido vital do paciente oferece a vantagem de reconstruir o sistema neurovascular no canal radicular, proporcionando um mecanismo de defesa imunoinflamatória contra micróbios. Araujo et al (2022) também falam de algumas vantagens, por exemplo, essa técnica não requer trocas periódicas de medicação, não tem a necessidade de obturação do canal e permite a formação de um tecido rico em suprimento sanguíneo e células progenitoras, vitais para a conclusão da rizogênese.
Embora seja vantajoso, para Cruz et al (2020), é necessário que seja levado em consideração alguns fatores, como a presença de células-tronco, fatores de crescimento e uma matriz de crescimento na região periapical, além disso, é necessário um microambiente isento de contaminação. Quando isso acontece, Santos et al (2018) afirmam que haverá o restabelecimento da vitalidade dos dentes, permitindo reparo e a regeneração dos tecidos.
Por isso, nos estudos de Costa et al (2021) as soluções irrigadoras como o hipoclorito de sódio e o EDTA são essenciais, para eles, são elas que vão realizar a desinfeção primária, no entanto, precisam possuir o máximo efeito bactericida e bacteriostático e mínimo efeito citotóxico sobre as células estaminais e sobre os fibroblastos, para que possam sobreviver e continuar com a capacidade de proliferação.
Para Ferreira et al (2023), o hipoclorito de sódio é a alternativa padrão para a etapa de irrigação graças ao seu potencial de amplo espectro e eficácia antimicrobiana, no entanto, Silva et al (2025) relatam que essa solução irrigadora apresentaram citotoxicidade significativa, enquanto para ele, soluções de EDTA mostraram efeito benéfico para essa terapia endodôntica, mostrando-se capaz de liberar fatores de crescimento da dentina, favorecendo a adesão e a diferenciação celular.
Ferreira et al (2023) compara o hipoclorito de sódio com outras soluções irrigadoras, como peróxido de hidrogênio, iodo e clorexidina (CHX). Para ele, ainda sim o hipoclorito continua sendo o melhor irrigante primário. No entanto, enfatiza que o hipoclorito de sódio (NaOCl), seguido pelo ácido etilenodiaminotetracético (EDTA), como enxágue final, é o protocolo de irrigação preferido.
Costa et al. (2021) dizem que as soluções irrigadoras são essenciais para a desinfeção primária, pois possuem efeito bactericida e bacteriostático e tem um mínimo efeito citotóxico sobre as células estaminais e sobre os fibroblastos, para que possam sobreviver e continuar com a capacidade de proliferação.
Ferreira et al (2023) abordam no contexto endodôntico, o hipoclorito de sódio (NaOCl) sendo o padrão para irrigação de canais radiculares, motivado por seu amplo espectro, eficácia antimicrobiana inespecífica e grande capacidade de dissolução de tecidos. Essa solução continua sendo o melhor irrigante em comparação com outros agentes antimicrobianos, como por exemplo, o peróxido de hidrogênio, iodo e clorexidina (CHX).
A medicação intracanal é responsável por concluir a desinfecção dos canais radiculares. Para Ferreira et al. (2023), o hidróxido de cálcio, que tem sido utilizado nos casos de regeneração pulpar, apresenta índices de sucesso elevados. O hidróxido de cálcio é a medicação mais adequada nas técnicas endodônticas, como a apicificação, revascularização e dentes com necrose pulpar, pois tem ação antimicrobiana (Estraich, 2017).
Além da biocompatibilidade com o tecido dentário, o hidróxido de cálcio provoca a formação de tecido mineralizado semelhante a dentina pela ativação da fosfatase alcalina e é pouco solúvel em água, o que auxilia no preenchimento do espaço no canal. Na técnica da apicificação, essa medicação tem como objetivo a formação de uma barreira apical possibilitando a posterior obturação (Estraich, 2017).
A literatura fala também da eficácia do EDTA, devido a sua propriedade quelante do íon cálcio e à eliminação do conteúdo mineral da camada de esfregaço, o EDTA é amplamente proposto e utilizado.
Para Cruz et al (2020), outro ponto a ser destacado é a utilização de uma pasta antibiótica tripla contendo Ciprofloxacina, Metronidazol e Minoclicina, com concentração de 1:1:1 que consegue eliminar com muita efetividade bactérias presentes na superfície dentinária e nas camadas mais profundas de dentina, o que permite a formação de um ambiente quase estéril no interior do sistema de canais radiculares. Para Bontempo et al (2022), Apesar de ser indicada, é uma medicação citotóxica para as células-tronco pulpares, podendo provocar resistência bacteriana, por isso, seu uso é limitado
O Agregado Trióxido Mineral surgiu nos anos de 1990. Na Odontologia, é uma das opções para a técnica da apicificação, pois atua como protetor pulpar direto, em casos de reabsorção radicular e reparo de perfurações de raízes. Na revascularização pulpar, assim como o hidróxido de cálcio, o MTA provoca o reparo de tecido mineral. Essa medicação resulta em uma alteração na cor do dente e tem custo elevado (Estraich, 2017).
Nesse contexto, para Costa et al (2024), a terapia demonstra segurança e eficácia no uso endodôntico de células tronco promovendo a regeneração da polpa, além disso, demonstra ser uma alternativa promissora no tratamento utilizando terapia celular.
Levando em consideração que a polpa dentária tem sua capacidade de reparo alta, e segundo Pires et al (2017) isso depende da extensão do dano, da vascularização e da idade do paciente, pois de acordo com com Brizuela et al (2020), o avanço da idade do paciente pode ocorrer algumas alterações fisiológicas, resultando em espessamento do cemento apical e desvio dos forames apicais, o que pode afetar a migração das células-tronco mesenquimais para o interior do canal.
Por isso, para Santos et al (2018), pode-se afirmar que a regeneração endodôntica é o mais novo campo da endodontia, sendo que os avanços acerca da matéria são cada vez mais rápidos, tendo como finalidade o desenvolvimento de benefícios para todas as pessoas que necessitarem desse tipo de tratamento.
De forma geral, a regeneração endodôntica pode ser definida como uma terapia promissora com base biológica que visa repor estruturas pulpares danificadas. As pesquisas atuais sobre terapias regenerativas no meio da endodontia buscam estabelecer um tratamento mais eficaz, viável e seguro do que as terapias pulpares tradicionais como a apacificação para dentes com rizogzênese incompleta e necrose pulpar (Costa et al., 2021).
5. CONCLUSÃO
É valido ressaltar que a endodontia regenerativa é um grande avanço na odontologia atual, visto que oferece um tratamento conservador através de uma abordagem biológica. Ao contrário das terapias convencionais, a regeneração pulpar é definida como uma alternativa que promove a diferenciação de células progenitoras da porção apical de dentes, seja permanente ou decíduo esfolheado, permitindo assim a deposição de tecidos mineralizados nas paredes dentinárias. Apesar dos desafios, essa alternativa já se destaca como uma forma de tratamento promissor, pois devolve a vitalidade pulpar a partir de células troncos.
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