REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510311812
Isabele Soares de Micco
Kalyne Oliveira Rocha
RESUMO
Esta pesquisa caracteriza-se como aplicada, com abordagem quantitativa e de natureza descritiva, tendo como objetivo analisar o conhecimento e a percepção da população brasileira sobre a relação entre o bem-estar animal e a qualidade da carne bovina. O tipo de pesquisa é aplicado, pois visa contribuir para a conscientização sobre a importância do bem-estar animal e seus efeitos na qualidade do produto final, podendo subsidiar ações educativas e políticas públicas. A abordagem quantitativa possibilitou a mensuração e análise estatística dos dados, enquanto a natureza descritiva buscou caracterizar o perfil dos participantes e suas percepções. A população da pesquisa abrangeu cidadãos brasileiros com idade igual ou superior a 18 anos, residentes em diferentes regiões do país. A amostragem foi do tipo não probabilística por conveniência, composta por 181 participantes que responderam voluntariamente a um questionário online elaborado no Google Forms e divulgado por meio das redes sociais. O instrumento continha perguntas fechadas com escalas do tipo Likert e múltipla escolha, abordando perfil sociodemográfico, grau de conhecimento sobre bem-estar animal, opiniões sobre o impacto do manejo na qualidade da carne e hábitos de consumo. A coleta foi realizada entre 19 e 27 de maio, e os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, com apresentação em gráficos e tabelas.
Palavras-chave: Bem-estar animal. Carne bovina. Qualidade da carne. Manejo humanitário. Sustentabilidade.
ABSTRACT
This research is characterized as applied, with a quantitative and descriptive approach, aiming to analyze the knowledge and perception of the Brazilian population regarding the relationship between animal welfare and beef quality. The study is considered applied because it seeks to contribute to raising awareness about the importance of animal welfare and its effects on the final product’s quality, potentially supporting educational actions and public policies. The quantitative approach enabled the measurement and statistical analysis of the data, while the descriptive nature aimed to characterize the participants’ profiles and perceptions. The study population consisted of Brazilian citizens aged 18 years or older, residing in different regions of the country. The sampling was non-probabilistic and based on convenience, comprising 181 participants who voluntarily answered an online questionnaire created in Google Forms and shared through social media. The instrument contained closed-ended questions using Likert scales and multiplechoice formats, addressing sociodemographic profile, level of knowledge about animal welfare, opinions on the impact of management on meat quality, and consumption habits. Data collection was carried out between May 19 and 27, and the results were analyzed using descriptive statistics, presented through graphs and tables.
Keywords: Animal welfare. Beef. Meat quality. Humane handling. Sustainability.
1. INTRODUÇÃO
O bem-estar animal tem se tornado um tema cada vez mais relevante na pecuária de corte, impulsionado por uma crescente preocupação dos consumidores com as condições em que os animais são criados, transportados e abatidos. Essa mudança de postura está diretamente relacionada à exigência por produtos de qualidade, seguros e éticos (MOREIRA et al., 2017).
Em nível global, estima-se que milhares de doenças sejam transmitidas por alimentos, sendo atribuídas cerca de 420 mil mortes anuais a patógenos microbianos. Muitas dessas contaminações estão associadas a falhas nos processos de produção e processamento de alimentos, como a carne, comprometendo não apenas a qualidade do produto final, mas também a saúde pública (YENEALEM, YALLEW, ABDULMAJID, 2020).
A qualidade da carne bovina é determinada por características sensoriais, influenciadas por diversos fatores como alimentação, raça, manejo, transporte (fatores ante mortem), bem como pelas condições de envelhecimento, embalagem e cozimento (fatores post mortem). Embora a raça do animal seja um fator importante, o sistema de produção e o manejo pré-abate, incluindo transporte, tempo de espera, ruídos e interação com animais desconhecidos, também exercem forte influência sobre a qualidade final do produto (CASTRO et al., 2021).
Diante disso, os procedimentos de abate humanitário fazem parte de um conjunto de diretrizes técnicas e científicas que visam garantir o bem-estar dos animais desde a chegada ao matadouro até o momento da sangria. É fundamental que todas as etapas da cadeia produtiva da carne estejam em conformidade com as normas de bem-estar animal e com práticas de abate ético, assegurando que os animais não sejam submetidos a maus-tratos e que sejam respeitados em todo o processo (SOUZA e RIBEIRO, 2021).
Entre os principais desafios enfrentados no pré-abate está o transporte dos animais, fase que pode provocar estresse intenso e sofrimento. Como alternativa, o abate na fazenda surge como uma opção viável e benéfica, ao permitir que o animal seja abatido no mesmo ambiente em que foi criado, evitando o contato com ambientes estranhos e reduzindo consideravelmente o estresse (CASTRO et al., 2021).
O bem-estar animal, portanto, representa não apenas uma exigência ética e legal, mas também uma demanda crescente da sociedade. Os consumidores valorizam cada vez mais produtos originados de sistemas sustentáveis, que respeitam os princípios de cuidado e dignidade aos animais, desde a criação até o abate (SILVA, 2021).
A carne bovina ocupa papel essencial na alimentação humana, por ser fonte rica de nutrientes fundamentais ao organismo, como o ferro de alta biodisponibilidade presente na carne vermelha. Além disso, sua composição de ácidos graxos e compostos aromáticos, liberados durante o preparo, conferem à carne sabor e aroma únicos, tornando-a um alimento amplamente apreciado (MACIEL, SUÑE e OLIVEIRA, 2018).
Neste contexto, torna-se imprescindível compreender a relação entre o bem-estar animal e a qualidade da carne produzida. Fatores como estresse, manejo inadequado, transporte e métodos de abate têm impacto direto sobre aspectos sensoriais e nutricionais do produto final (FERREIRA, SUÑÉ, 2025).
Diante desse cenário, este estudo tem como objetivo geral investigar, por meio de questionário, a percepção de produtores e profissionais sobre a relação entre o bem-estar animal e a qualidade da carne bovina, através dos objetivos específicos: identificar os fatores de manejo, transporte e abate que influenciam o bem-estar dos bovinos, segundo a percepção dos participantes; avaliar como o bem-estar animal é percebido como determinante das características de qualidade da carne, incluindo maciez, cor, suculência e valor nutricional e verificar a adoção de práticas de manejo ético e abate humanitário e analisar sua relação com a percepção sobre a qualidade da carne.
Justifica-se, portanto, a realização deste trabalho pela necessidade de aprofundar a compreensão sobre como práticas de bem-estar animal influenciam a qualidade da carne bovina, contribuindo para uma produção mais ética, eficiente e voltada às exigências dos consumidores modernos. Além disso, o estudo busca reforçar a importância da adoção de práticas sustentáveis e responsáveis no setor pecuário, promovendo benefícios não apenas para os animais, mas também para a indústria e para a sociedade.
2. METODOLOGIA
2.1 Tipo de estudo
O estudo caracterizou-se como aplicado, descritivo e com abordagem quantitativa. A pesquisa teve como objetivo analisar o conhecimento e a percepção da população brasileira sobre a relação entre o bem-estar animal e a qualidade da carne bovina. A abordagem quantitativa possibilitou a mensuração e análise estatística dos dados, enquanto a natureza descritiva buscou caracterizar o perfil dos participantes e suas percepções.
2.2 Estrutura do questionário
Para este estudo, foi utilizado um questionário estruturado, elaborado no Google Forms. O questionário foi composto por perguntas fechadas, com escalas do tipo Likert e múltipla escolha, e dividido em blocos que abordaram:
- Perfil sociodemográfico (idade, gênero, escolaridade, região do país etc.);
- Grau de conhecimento sobre bem-estar animal;
- Opiniões sobre o impacto do bem-estar animal na qualidade da carne;
- Hábitos de consumo e critérios de escolha da carne bovina.
2.3 Procedimento de coleta de dados
O questionário foi divulgado por meio de redes sociais (Instagram e WhatsApp), sendo respondido de forma voluntária pelos participantes. A população da pesquisa abrangeu cidadãos brasileiros com idade igual ou superior a 18 anos, residentes em diferentes regiões do país. A amostragem foi do tipo não probabilística por conveniência, totalizando 181 respostas válidas. A coleta ocorreu no período de 19 de maio a 25 junho, garantindo participação anônima e voluntária, em conformidade com os princípios éticos de pesquisas com seres humanos.
2.4 Análise de dados
As respostas foram coletadas diretamente no site do Google Forms® e a caracterização da amostra foi realizada utilizando percentual e os dados organizados por meio de gráficos e tabelas para melhor interpretação.
3. REVISÃO DE LITERATURA
3.1 O bem estar animal e a sua influência na criação de bovinos de corte
O bem-estar animal é hoje reconhecido como componente central da sustentabilidade da produção de bovinos de corte, influenciando diretamente a saúde, comportamento e produtividade dos animais. Modelos contemporâneos de avaliação apontam que condições que afetam alimentação, ambiente, saúde e comportamento repercutem na experiência mental do animal e, consequentemente, em indicadores produtivos e de qualidade da carne (MELLOR, 2017).
O manejo e a habilidade do pessoal (stockmanship) durante manejo, contenção e embarque são determinantes críticos do bem-estar e da eficiência produtiva: práticas que reduzem o medo e o estresse comportamental diminuem lesões, queda de peso e mortalidade, além de melhorar ganhos de peso e conversão alimentar, tal como demonstrado em estudos aplicados e revisões sobre manejo de bovinos de corte (GRANDIN, 2017).
As características de instalações e sistemas de alojamento, incluindo piso, densidade, acesso à água e sombra, exercem forte influência sobre saúde, comportamento e desempenho dos bovinos de corte. Adaptações simples (sombreamento, melhora do piso, enriquecimento ambiental) podem reduzir incidência de problemas locomotores, estresse térmico e comportamentos anormais, refletindo melhoria no bem-estar e nos resultados zootécnicos (PARK; FOSTER; DAIGLE, 2020; COOKE et al., 2023).
Saúde animal e bem-estar são inseparáveis: doenças, parasitismos e dor crônica geram alterações fisiológicas e comportamentais que reduzem ganho de peso, aumentam custo com tratamentos e elevam risco sanitário do rebanho. Programas preventivos e vigilância baseados em indicadores de bem-estar são essenciais para mitigar perdas econômicas e melhorar a qualidade de vida dos animais (MELLOR, 2017).
O transporte e o manejo pré-abate são momentos de alto risco para o bem-estar dos bovinos de corte: fatores como duração da viagem, densidade de carga, choque térmico e manejo inadequado aumentam estresse, mortalidade e dano à carcaça. Revisões sobre transporte comercial enfatizam a necessidade de protocolos baseados em evidências para reduzir riscos e preservar tanto o bem-estar quanto o valor comercial do animal (GRANDIN, 2017).
A nutrição e a disponibilidade de água influenciam não apenas o crescimento, mas também estados afetivos e comportamentais que caracterizam o bem-estar. Desequilíbrios nutricionais e restrições hídricas causam desconforto prolongado e comprometem respostas imunológicas, reduzindo a eficiência produtiva e a resistência a doenças; programas nutricionais integrados ao monitoramento do bem-estar são, portanto, estratégias chave na criação de bovinos de corte (MELLOR, 2020).
Existe uma relação consistente entre bem-estar elevado e desempenho econômico: melhorias no bem-estar frequentemente traduzem-se em menores índices de perda, melhor conversão alimentar e maior qualidade do produto final. Além do benefício econômico, práticas que promovem o bem-estar atendem demandas sociais e de mercado por produção mais ética e sustentável, reforçando a importância de integrar ciência do bem-estar às políticas e à gestão da produção de bovinos de corte, através das cinco liberdades do bem-estar animal (GRANDIN, 2017; COOKE et al., 2023).
3.2 As cinco liberdades do bem estar animal
Nos últimos anos, o conceito das Cinco Liberdades, originalmente formulado pelo Comitê Brambell e institucionalizado pelo Farm Animal Welfare Council (FAWC), tem sido alvo de revisões críticas, especialmente no trabalho de David J. Mellor. Em “Updating Animal Welfare Thinking: Moving beyond the ‘Five Freedoms’ towards ‘A Life Worth Living’”. Embora as liberdades sejam fundamentais para evitar estados negativos tais como fome, sede, dor e medo, elas não capturam adequadamente o conhecimento mais recente sobre bem-estar animal, em particular a necessidade de incorporar experiências positivas, e não apenas a eliminação do sofrimento (MELLOR, 2016).
A primeira liberdade, relacionada à liberdade de fome e sede, exige que o animal tenha acesso constante a água limpa e dieta nutritiva que mantenha sua saúde e vigor. Autores recentes ressaltam que não basta apenas prover alimento e água, mas garantir qualidade, adequação nutricional, ritmo alimentar, e consistência no fornecimento, pois deficiências nutricionais agudas ou crônicas desencadeiam estresse metabólico e comprometem o estado físico do animal (MELLOR, 2016; CAPOVILLA; RIBEIRO, 2023).
A segunda liberdade de desconforto e a terceira liberdades de dor, lesões e doenças são abordadas por estudos que enfatizam tanto o ambiente físico (abrigo, temperatura, higiene, conforto de repouso) quanto a necessidade de um manejo proativo de saúde veterinária. Instalações inadequadas que provoquem desconforto térmico, pisos ásperos ou cama úmida são tão prejudiciais quanto a ausência de tratamento médico quando há doenças ou ferimentos (CAPOVILLA; RIBEIRO, 2023).
A quarta liberdade, liberdade para expressar comportamento normal, exige que animais tenham espaço suficiente, instalações adequadas, estímulos comportamentais e interação social apropriada. Autores recentes argumentam que a privação de comportamentos naturais leva a expressões de frustração, comportamentos estereotipados ou apatia. Além disso, práticas certificadas de bem-estar, como ambientes enriquecidos ou sistemas de criação mais livres, têm demonstrado melhorar tanto saúde física quanto indicadores comportamentais e emocionais do animal (CAPOVILLA; RIBEIRO, 2023).
A quinta liberdade, de medo e estresse é cada vez mais reconhecida como essencial não apenas para evitar sofrimento mental, mas como um elemento que influencia diretamente a saúde física. Estudos recentes enfatizam que ambientes imprevisíveis, manejo brusco, transporte inadequado e falta de controle ambiental provocam estresse que afeta o sistema imunológico, a produção animal e condiciona a expressão de estados mentais negativos (MELLOR, 2016). Considerando-se essa base normativa e conceitual, é essencial examinar agora os fatores que afetam o bem estar dos animais de corte.
3.3 Importância das práticas de bem-estar animal em todas as fases, inclusive nas fases de cria, recria e terminação
O bem-estar animal é um fator crítico em todas as fases da produção de bovinos de corte, desde a cria até a terminação, influenciando saúde, desempenho e eficiência econômica. Estudos recentes indicam que o manejo adequado da cria impacta diretamente no desenvolvimento físico e comportamental dos animais, refletindo-se em melhor desempenho nas fases subsequentes (MELLOR, 2016).
Durante a fase de recria, o ambiente, a nutrição e o manejo social exercem papel determinante no crescimento e na imunocompetência dos animais. Intervenções que promovem conforto, acesso a alimento e água de qualidade e oportunidades de expressão de comportamentos naturais reduzem estresse e incidência de doenças, aumentando a produtividade (COOKE et al., 2023).
Na terminação, a atenção ao bem-estar animal contribui para a qualidade da carcaça e eficiência alimentar. Protocolos que minimizam estresse, dor e desconforto, incluindo manejo de transporte e alojamento, estão associados a menores perdas de peso, menor mortalidade e maior qualidade de carne, reforçando a relação entre bem estar e rentabilidade (GRANDIN, 2018).
Práticas de enriquecimento ambiental e manejo positivo, como o treinamento para reduzir medo e estresse, têm efeitos duradouros em todas as fases de criação, promovendo animais mais resilientes e adaptáveis. A literatura evidencia que essas práticas não apenas beneficiam o bem-estar, mas também reduzem custos com tratamentos médicos e perdas produtivas (MELLOR, 2017; PARK; FOSTER; DAIGLE, 2020, 2020).
A integração de práticas de bem-estar com programas de nutrição, saúde preventiva e manejo reprodutivo é crucial para garantir resultados consistentes na produção de bovinos de corte. Abordagens multidisciplinares permitem identificar pontos críticos e aplicar intervenções que promovam tanto o desempenho econômico quanto a qualidade de vida dos animais (NIELSEN, 2025).
A adoção de boas práticas de bem-estar em todas as fases de criação atende não apenas à perspectiva produtiva, mas também às demandas sociais e de mercado por produção ética e sustentável. Consumidores e mercados globais valorizam sistemas que priorizam a saúde e o conforto animal, reforçando a importância de investir em manejo centrado no bem-estar (COOKE et al., 2023).
3.4 Elementos determinantes no bem-estar dos bovinos
Diversos elementos interagem para determinar o bem-estar dos bovinos, incluindo fatores ambientais, fisiológicos, comportamentais e de manejo.
Pesquisas recentes destacam que condições de alojamento, densidade, conforto térmico e disponibilidade de água e alimento são determinantes essenciais para a saúde e desempenho dos animais (PARK; FOSTER; DAIGLE, 2020, 2020; MELLOR, 2016).
A saúde é um dos pilares do bem-estar: doenças, ferimentos e parasitismo geram dor, estresse e comprometem produtividade. Avaliações fisiológicas e comportamentais permitem monitorar a saúde dos animais e identificar problemas precocemente, facilitando intervenções que preservem tanto a integridade física quanto o desempenho econômico (NIELSEN, 2025; MELLOR, 2020).
O comportamento é outro elemento central: a possibilidade de expressar comportamentos naturais, interações sociais adequadas e exploração ambiental influencia positivamente estados afetivos e reduz o estresse. Estudos sobre enriquecimento ambiental demonstram que essas oportunidades são determinantes na redução de comportamentos anormais e na promoção de bem-estar positivo (KEELING et al., 2021).
O manejo humano tem impacto direto no bem-estar dos bovinos. Técnicas de contenção, manejo de transporte e interação com os cuidadores podem causar ou reduzir medo e estresse. Programas de treinamento de pessoal (stockmanship) têm mostrado melhorar respostas comportamentais, reduzir acidentes e otimizar desempenho produtivo (GRANDIN, 2017).
Fatores nutricionais influenciam tanto a saúde física quanto o estado mental dos animais. Desequilíbrios alimentares, restrições hídricas e falta de suplementação adequada provocam desconforto e comprometem crescimento e imunidade, tornando a nutrição um elemento determinante no bem-estar e na eficiência zootécnica (MELLOR, 2017).
O estresse térmico é outro fator crítico, especialmente em regiões tropicais. Temperaturas extremas, radiação solar direta e ventilação inadequada afetam fisiologia, comportamento e produtividade. Estratégias de manejo como sombreamento, ventilação e acesso à água são fundamentais para mitigar impactos negativos e preservar o bem-estar dos bovinos (COOKE et al., 2023; PARK et al., 2020).
3.5 Critérios fisiológicos para análise do bem-estar animal
A avaliação do bem-estar animal deve considerar indicadores fisiológicos que refletem o estado de saúde, estresse e conforto do animal. Parâmetros como frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura corporal e níveis de cortisol plasmático são amplamente utilizados como medidas objetivas de estresse e desconforto em bovinos (MELLOR, 2017; GRANDIN, 2018).
Alterações fisiológicas relacionadas ao manejo, transporte e condições ambientais fornecem informações sobre estados negativos e positivos de bem-estar. Por exemplo, aumento persistente de cortisol ou glicocorticoides está associado a situações de estresse crônico, enquanto respostas normais indicam adaptação adequada ao ambiente (MELLOR, 2020).
A condição corporal e parâmetros nutricionais também servem como critérios fisiológicos importantes, refletindo saúde, adequação alimentar e equilíbrio energético. Baixa condição corporal ou perda de peso significativa são sinais de manejo inadequado ou deficiência nutricional, impactando diretamente o bem-estar e o desempenho produtivo (NIELSEN, 2025; COOKE et al., 2023).
O monitoramento de marcadores de imunocompetência, como contagem de células brancas e resposta vacinal, tem se mostrado útil na avaliação do bem-estar, pois doenças e estresse comprometem a imunidade. Indicadores imunológicos permitem identificar problemas antes que sinais clínicos se manifestem, contribuindo para intervenções preventivas (MELLOR, 2016; PARK et al., 2020).
A variabilidade fisiológica interindividual deve ser considerada na interpretação dos indicadores. Diferenças genéticas, idade, sexo e fase produtiva influenciam respostas fisiológicas, tornando necessária a coleta de dados padronizados e comparáveis para uma avaliação robusta do bem-estar (GRANDIN, 2017).
A combinação de múltiplos indicadores fisiológicos com parâmetros comportamentais e ambientais oferece uma visão integrada e confiável do bem-estar animal. Essa abordagem multidimensional é fundamental para decisões de manejo, planejamento de políticas e certificação de sistemas de produção que respeitem princípios éticos e produtivos (MELLOR, 2020; KEELING et al., 2021).
3.6 Métodos de avaliação do bem-estar animal dos bovinos
Nos últimos anos, diversos métodos têm sido desenvolvidos e validados para avaliar o bem-estar dos bovinos, com destaque para abordagens que combinam indicadores observacionais e tecnológicos. O protocolo Welfare Quality® (WQ), amplamente utilizado na Europa, avalia o bem-estar dos bovinos com base em quatro princípios fundamentais: alimentação adequada, alojamento apropriado, saúde e comportamento adequado, utilizando indicadores como a Qualitative Behaviour Assessment (QBA) e a Escala Visual Analógica (EVA) (WELFARE QUALITY NETWORK, 2010; KEELING et al., 2021).
Além disso, estudos recentes exploram o uso de tecnologias digitais, como sensores e inteligência artificial, para automatizar a coleta de dados e melhorar a precisão das avaliações, adaptando o protocolo WQ a diferentes contextos de produção (COOKE et al., 2023; PARK et al., 2020).
A implementação desses métodos permite uma avaliação integrada do bemestar, combinando indicadores fisiológicos, comportamentais e ambientais, garantindo maior confiabilidade e utilidade prática para a gestão de bovinos em sistemas de produção intensivos e extensivos (MELLOR, 2020; GRANDIN, 2018).
3.7 Aspectos do comportamento natural dos bovinos
Compreender o comportamento dos bovinos é essencial para identificar corretamente os sinais que indicam estresse ou dor, permitindo a adoção de um manejo mais eficiente e humanizado durante as diferentes fases do processo produtivo. Além disso, é fundamental compreender como esses animais interagem com o ambiente em que são criados e quais são suas necessidades básicas, de modo a proporcionar, tanto nas instalações quanto nas práticas de manejo, condições que favoreçam seu conforto e bem-estar. Atender de forma adequada a essas demandas comportamentais e ambientais possibilita alcançar um equilíbrio que una a produção ética ao sucesso econômico, promovendo uma atividade sustentável e responsável (AGRICONLINE, 2021).
Os bovinos são animais naturalmente sociais, característica desenvolvida ao longo da evolução de seus ancestrais devido às vantagens adaptativas proporcionadas pela vida em grupo. A formação de rebanhos aumenta significativamente a capacidade dos indivíduos de detectar predadores, uma vez que várias cabeças atentas ao ambiente facilitam a identificação de ameaças. Além disso, a movimentação simultânea de diversos animais durante uma fuga dificulta a perseguição por predadores, elevando as chances de sobrevivência do grupo como um todo.
Em sistemas de criação extensiva, observa-se a tendência dos bovinos em se organizarem em grupos distintos: as fêmeas frequentemente permanecem com seus bezerros, enquanto os machos formam pequenos agrupamentos separados. Essa divisão social tem grande importância prática para o manejo, pois compreender a estrutura e a dinâmica desses grupos auxilia na antecipação de comportamentos e na prevenção de conflitos.
Dentro dos grupos, estabelece-se uma hierarquia de dominância que define a ordem social entre os indivíduos. Essa hierarquia é determinada por disputas envolvendo demonstrações de força e agressividade, embora comportamentos sutis, como submissão e evasão, também desempenhem papel relevante. Fatores físicos e comportamentais — como altura, peso, idade, sexo, temperamento e presença de chifres — influenciam diretamente na posição ocupada por cada animal dentro do grupo. Após o estabelecimento dessa ordem, observa-se redução significativa das agressões, contribuindo para um ambiente mais estável.
Os indivíduos dominantes passam a ter prioridade no acesso a recursos essenciais, como água, sombra e alimento. Essa dinâmica hierárquica é ainda mais evidente em sistemas de confinamento, nos quais o espaço e os recursos são limitados, intensificando as disputas e a necessidade de um manejo que minimize conflitos e preserve o bem-estar coletivo (AGRICONLINE, 2021).
A reatividade dos bovinos está intimamente relacionada a diversos fatores, entre eles a genética, o ambiente e as interações sociais que vivenciam. O ambiente, em especial, exerce grande influência sobre o temperamento desses animais, sendo determinante na forma como eles reagem aos estímulos. Por esse motivo, é fundamental que os profissionais responsáveis pelo manejo desenvolvam uma relação de confiança com os animais, evitando que suas ações sejam interpretadas como ameaças.
Conforme destaca Grandin (2008), os bovinos possuem memória de longo prazo, o que significa que experiências traumáticas vivenciadas em qualquer fase da vida podem gerar medo persistente, influenciando negativamente seu comportamento durante todo o ciclo produtivo. Assim, bezerros submetidos a manejos agressivos ou inadequados logo após o nascimento tendem a associar a presença humana a experiências negativas, tornando-se mais reativos desde os primeiros momentos de vida.
Assim como ocorre com outras espécies, os bovinos possuem formas específicas de perceber, interagir e reagir ao ambiente em que vivem, incluindo as instalações físicas e as práticas de manejo realizadas diariamente. Cada estímulo — seja visual, sonoro ou tátil — pode impactar diretamente o comportamento e o estado emocional do animal. Desse modo, a capacidade de interpretar corretamente essas respostas comportamentais é essencial para reconhecer sinais de estresse, dor ou desconforto. Contudo, a identificação dessas manifestações exige mais do que observação empírica: requer uma equipe capacitada, bem treinada e comprometida com o bem-estar dos animais.
A atuação consciente e responsável dos trabalhadores em todas as etapas do manejo é indispensável para assegurar que as práticas adotadas minimizem o sofrimento e promovam um ambiente saudável e produtivo (CERTIFIED HUMANE BRASIL, 2021).
3.8 Práticas de manejo baseadas no comportamento animal na bovinocultura de corte.
Conhecer os fundamentos do comportamento natural dos bovinos, incluindo como esses animais aprendem e quais fatores influenciam suas reações, é essencial para a aplicação de técnicas de manejo mais éticas e eficientes. Ao compreender os mecanismos que regem o comportamento animal, torna-se possível adotar estratégias que reduzam o estresse, aumentem a previsibilidade das ações humanas e favoreçam interações mais seguras e respeitosas no cotidiano da bovinocultura de corte. Essa abordagem não apenas promove melhorias significativas no bem-estar dos bovinos, como também beneficia os trabalhadores, tornando o ambiente de trabalho mais seguro e organizado.
Além disso, um manejo adequado do ponto de vista comportamental contribui para maior eficiência nas atividades produtivas, refletindo diretamente no desempenho dos animais e na qualidade final da carne (FERNANDES, 2007).
É recomendável que os bovinos sejam sempre manejados em grupo, respeitando sua natureza gregária. A separação de um indivíduo do restante do lote constitui uma fonte significativa de estresse, podendo provocar alterações comportamentais relevantes, como aumento da agitação, vocalizações excessivas e reações agressivas. Essa condição de isolamento contraria o instinto social dos bovinos e compromete tanto o bem-estar dos animais quanto a segurança dos trabalhadores. Além disso, a introdução de bovinos desconhecidos em um mesmo lote pode desencadear conflitos, já que os animais buscam restabelecer uma nova hierarquia social por meio de disputas físicas.
Esse processo de reorganização pode se prolongar por vários dias, resultando em ferimentos, aumento do estresse e prejuízos produtivos. Por esse motivo, durante o transporte para o frigorífico, é fundamental que os lotes sejam compostos por animais que já convivem entre si, evitando a mistura de grupos distintos. Atentar-se a esse aspecto comportamental é uma forma eficaz de prevenir brigas, promover um ambiente mais calmo e garantir melhores condições de bem-estar, o que também se reflete positivamente na qualidade da carne (CRUZ, 2021).
Dentro das práticas de manejo baseadas no comportamento animal, é essencial criar experiências positivas para os bovinos, especialmente em ambientes que, naturalmente, tendem a gerar estresse, como os currais de contenção. Uma técnica eficaz para favorecer a habituação dos animais a esses espaços consiste em associar o manejo a estímulos agradáveis — como a oferta de alimento logo após os procedimentos. Mesmo quando o manejo é conduzido de forma cuidadosa e com o mínimo de desconforto, os bovinos ainda podem desenvolver memórias negativas relacionadas ao ambiente. Ao receberem alimento como recompensa após essas situações, passam a associar o curral a uma experiência positiva.
Com o tempo, essa associação contribui para que os bovinos se tornem mais calmos e cooperativos durante o manejo, permitindo inclusive que se desloquem voluntariamente até essas áreas. Essa prática reduz o estresse, aumenta a segurança dos trabalhadores e favorece o bem-estar geral do rebanho (YARA, 2020).
As particularidades anatômicas dos bovinos exercem grande influência sobre a forma como percebem e interagem com o ambiente, especialmente por meio dos sentidos mais desenvolvidos: visão, olfato e audição. Esses sentidos são fundamentais para que os bovinos interpretem estímulos, identifiquem mudanças ao seu redor e reajam a possíveis ameaças. A estrutura ocular desses animais é adaptada para a vigilância constante. Como seus olhos estão posicionados lateralmente na cabeça, apresentam ampla visão monocular (Figura 1) — ou seja, cada olho percebe o ambiente de forma independente, garantindo um campo visual quase panorâmico, mas com baixa percepção de profundidade.
Figura 1: Ângulo de visão monocular do bovino

Fonte: Site Portal Agriconline
Já a visão binocular (Figura 2), responsável pela noção de profundidade, é bastante limitada, ocorrendo apenas em uma pequena faixa à frente do animal.
Figura 2: Ângulo de visão binocular do bovino.

Fonte: Site Portal Agriconline
Assim, apesar da visão lateral ampla, existem áreas em que os bovinos não conseguem enxergar, como diretamente atrás do corpo (ponto cego) e uma pequena região à frente do focinho (AGRICONLINE, 2021).
Essa configuração visual permite que os bovinos detectem movimentos com facilidade, mesmo enquanto se alimentam com a cabeça baixa — uma adaptação evolutiva que os auxilia a identificar predadores no ambiente natural.
No contexto do manejo, é essencial respeitar essas limitações visuais (Figura 3). Permanecer na área cega, por exemplo, pode causar desorientação ou susto, levando o animal a reagir de forma defensiva ou a dispersar-se. Dessa forma, estratégias eficazes de condução devem evitar o ponto cego e se basear em movimentações dentro do campo visual do animal, garantindo um manejo mais tranquilo e seguro (AGRICONLINE, 2021).
Figura 3: A zona de fuga e o ponto de equilíbrio dos bovinos

Fonte: Adaptado de Grandin ( 2014)
Além disso, os bovinos possuem capacidade de distinguir algumas cores e contam com boa visão noturna, o que favorece a percepção de movimentos em ambientes de baixa luminosidade. Diante disso, recomenda-se manter uniformidade de cores em pisos e paredes nas áreas de circulação, evitando contrastes que possam confundir ou assustar os animais, contribuindo assim para um manejo mais calmo, seguro e eficiente (AGRICONLINE, 2021).
No que diz respeito à audição, os bovinos apresentam sensibilidade auditiva superior à dos seres humanos, especialmente em relação a sons agudos e de alta frequência. Ruídos intensos, repentinos ou estridentes tendem a provocar estresse, inquietação e reações negativas nos animais. Em contrapartida, sons graves e suaves exercem efeito calmante, favorecendo um ambiente mais tranquilo durante o manejo. Uma característica anatômica que potencializa essa capacidade é a movimentação independente das orelhas, que permite aos bovinos direcionar cada orelha para diferentes fontes sonoras, captando ruídos vindos de distintas direções. Essa habilidade amplia sua percepção de riscos e lhes possibilita reagir rapidamente a estímulos que indiquem perigo (YARA, 2020).
Devido à sua memória de longo prazo altamente desenvolvida, os bovinos são capazes de associar determinados sons a experiências passadas — positivas ou negativas. O som de tratores ou maquinários utilizados na distribuição de alimentos, por exemplo, costuma ser interpretado de maneira positiva, por estar relacionado à alimentação. Em contrapartida, ruídos característicos de instrumentos de contenção, como guilhotinas de brete ou portas metálicas, podem ser associados a experiências dolorosas, como vacinação ou marcação, gerando memórias negativas que aumentam a reatividade dos animais.
Assim, adotar práticas de manejo mais silenciosas e cuidadosas no controle do ambiente acústico constitui estratégia eficaz para reduzir o estresse, aumentar a segurança dos operadores e melhorar o desempenho do sistema de produção. Um ambiente sonoro controlado contribui diretamente para o bem-estar dos animais e reflete positivamente na qualidade da carne (GRANDIN, 2008).
O sentido olfativo, por sua vez, desempenha papel fundamental nas interações sociais e reprodutivas dos bovinos. Ele é especialmente importante durante o período de atividade sexual, facilitando o reconhecimento e a atração entre os indivíduos.
Além disso, o olfato atua na comunicação relacionada à hierarquia social, uma vez que bovinos subordinados liberam feromônios específicos que indicam submissão aos dominantes. Em situações de estresse, esses animais podem liberar feromônios de alarme por meio de secreções como urina e saliva. Esses sinais químicos funcionam como alertas ao restante do grupo, indicando a presença de perigo ou de um agente estressor. Caso esses odores sejam interpretados de forma negativa, podem aumentar a agitação do rebanho e dificultar o manejo.
Portanto, compreender o papel do olfato e esses mecanismos químicos é essencial para implementar técnicas que reduzam o estresse e promovam o bem-estar animal (PORTAL AGRICONLINE, 2021).
3.9 Importância do manejo voltado ao bem-estar na obtenção de carne de qualidade
O Brasil destaca-se como um dos principais produtores mundiais de carne bovina, apresentando crescimento expressivo no setor pecuário nas últimas duas décadas. Segundo dados do United States Department of Agriculture (USDA), a produção de carne bovina no país aumentou aproximadamente 58% nos últimos 20 anos. Esse avanço reforça o papel estratégico da pecuária brasileira no cenário global. No entanto, observa-se que o perfil do consumidor contemporâneo está em constante transformação: além de buscar um alimento seguro, nutritivo e saboroso, ele também valoriza produtos obtidos de forma ética, com respeito aos princípios do bem-estar animal.
Dessa forma, torna-se cada vez mais evidente que a preocupação com o bem-estar dos animais não se limita a uma questão moral, mas representa um fator determinante para o sucesso da indústria da carne e para a satisfação das demandas do mercado moderno (RAMOS; GOMIDE, 2007).
Ao se abordar a qualidade da carne bovina, fatores como suculência, sabor, textura e coloração são considerados essenciais para atender às expectativas dos consumidores. Para assegurar esses atributos, é necessário considerar uma série de variáveis ao longo de todo o processo produtivo, incluindo a genética dos animais, a nutrição adequada, às condições ambientais, bem como o manejo e o transporte realizados de maneira cuidadosa. Tais práticas visam reduzir o estresse e garantir o bem-estar animal, o que reflete diretamente na qualidade final da carne e na percepção positiva do consumidor em relação ao produto (LUANA; BIAVA; ARANDA, 2022).
A promoção do bem-estar animal envolve não apenas o cumprimento de normas éticas, mas também a resposta às novas exigências do mercado consumidor, que prioriza produtos certificados e provenientes de sistemas de produção sustentáveis. O manejo inadequado, que provoque situações de estresse, pode gerar lesões físicas — como hematomas e contusões —, comprometendo o rendimento da carcaça e a aparência dos cortes de carne, o que acarreta perdas econômicas significativas.
Além disso, níveis elevados de estresse antes do abate podem desencadear alterações bioquímicas e fisiológicas nos músculos, resultando na condição conhecida como DFD (dark, firm and dry). Essa carne apresenta coloração escura, textura firme e superfície seca, características que reduzem sua aceitação comercial e impactam financeiramente toda a cadeia produtiva (LUANA; BIAVA; ARANDA, 2022).
Práticas de manejo ineficientes ou agressivas também têm repercussões sociais e mercadológicas, pois contribuem para uma imagem negativa da pecuária junto à sociedade. Em um contexto de ampla disseminação de informações, a percepção pública sobre o tratamento dos animais tornou-se um fator estratégico para a competitividade do setor. Consumidores cada vez mais conscientes e exigentes tendem a preferir alimentos produzidos de forma ética, o que reforça a necessidade de práticas de manejo humanizadas e sustentáveis.
Nesse sentido, Paranhos da Costa (2000) destaca que o bem-estar animal deve ser abordado de maneira integrada, considerando não apenas as necessidades comportamentais dos bovinos, mas também a conservação dos recursos naturais, a viabilidade econômica e a funcionalidade dos sistemas produtivos. Assim, é possível conciliar eficiência, ética e sustentabilidade na bovinocultura de corte, garantindo um equilíbrio entre produtividade e responsabilidade socioambiental.
3.10 Características físico-químicas da carne impactadas pelo manejo e bem-estar dos animais
As propriedades que definem a qualidade da carne bovina são resultado de uma série de fatores inter-relacionados, que podem ser agrupados em diferentes dimensões. A seguir, destacam-se os principais grupos de características da carne influenciados pelas condições de bem-estar às quais os animais são submetidos durante a criação e nas etapas que antecedem o abate:
- Fatores bioquímicos: referem-se aos processos metabólicos e estruturais que ocorrem no músculo após o abate. Entre os principais parâmetros estão o pH, que influencia diretamente a textura e a cor da carne; a capacidade de retenção de água, que interfere na suculência e na aparência do corte; o teor e a estrutura do colágeno, que afetam a maciez; além da quantidade e consistência da gordura, do estado das proteínas, da viscosidade e da estabilidade oxidativa. Situações de estresse ou fadiga pré-abate podem comprometer esses fatores, resultando em carnes mais escuras, rígidas e com maior propensão à deterioração.
- Fatores sensoriais ou organolépticos: representam as características percebidas diretamente pelos sentidos do consumidor — visão, paladar e olfato. Entre os atributos mais valorizados estão a cor, que deve variar do vermelho vivo ao róseo; o marmoreio, que contribui para a suculência e o sabor; a exsudação, que afeta a aparência e a conservação; além da maciez, da suculência e do odor característico da carne de qualidade. Animais submetidos a estresse excessivo tendem a apresentar carnes mais secas, rígidas e com alterações de sabor, reduzindo sua aceitação no mercado.
- Fatores nutricionais: relacionam-se ao valor alimentar da carne, especialmente ao seu conteúdo de proteínas de alta qualidade biológica, à presença de aminoácidos essenciais, ao perfil de ácidos graxos e à quantidade de vitaminas e minerais. A composição nutricional varia conforme a dieta, o manejo e as condições de criação, o que evidencia a importância do bem-estar animal. Bovinos bem alimentados, mantidos em ambientes adequados e com níveis reduzidos de estresse produzem carnes mais nutritivas e com melhor perfil lipídico.
- Fatores higiênicos e toxicológicos: dizem respeito à inocuidade do produto, ou seja, à garantia de que a carne não ofereça riscos à saúde do consumidor. Isso envolve o controle de contaminantes microbiológicos e a ausência de resíduos químicos e toxinas. Animais criados sob condições inadequadas de bem-estar, submetidos a estresse intenso ou manejo incorreto, podem ter a imunidade comprometida, tornando-se mais suscetíveis a infecções e aumentando a probabilidade de contaminações.
- Fatores de qualidade social: englobam os aspectos éticos, ambientais e de sustentabilidade relacionados à produção da carne. O bem-estar animal ocupa papel central nesse contexto, sendo cada vez mais valorizado pelo consumidor moderno, que busca produtos obtidos de forma ética e responsável.
Além disso, práticas de manejo que respeitam os animais contribuem para a preservação ambiental e para a valorização da carne no mercado, agregando confiança e credibilidade à cadeia produtiva. A ausência de condições adequadas de bem-estar animal exerce impacto direto e negativo sobre a qualidade da carne, afetando principalmente os fatores bioquímicos, sensoriais e higiênicos. Como consequência, podem ocorrer alterações indesejáveis, como perda da coloração característica, redução da suculência, aumento da rigidez e comprometimento da conservação do produto (CERTIFIED HUMANE BRASIL, 2023).
Entre os parâmetros físico-químicos, o pH é um dos indicadores mais sensíveis ao estresse pré-abate. Animais que chegam ao abate após situações de fadiga intensa apresentam reservas musculares de glicogênio reduzidas, o que impede a queda adequada do pH pós-morte. Essa condição resulta em carnes mais rígidas, de coloração escura, com aparência pouco atrativa e maior suscetibilidade à proliferação bacteriana.
A cor também constitui um dos principais atributos de qualidade percebidos pelo consumidor no momento da compra. Idealmente, a carne fresca deve apresentar coloração do púrpura ao vermelho vivo, resultado da oxigenação da mioglobina. Contudo, falhas no manejo pré-abate e o estresse excessivo elevam o pH e provocam acúmulo de água nas fibras musculares, originando carnes escuras e menos valorizadas comercialmente.
A maciez, por sua vez, é um atributo multifatorial e decisivo para a aceitação do produto. Ela pode ser afetada tanto pelo manejo pré e pós-abate quanto pelas condições de processamento.
De modo geral, o estresse e a liberação de adrenalina resultam em carnes mais duras, enquanto animais manejados de forma calma e humanizada produzem carnes mais macias e agradáveis sensorialmente (CERTIFIED HUMANE BRASIL, 2023).
Durante o processo de manejo, especialmente nas etapas que antecedem o abate, situações de estresse prolongado podem comprometer de forma significativa a qualidade final da carne bovina. Condições adversas, como transporte inadequado, jejum prolongado, aglomeração e manipulação brusca, reduzem as reservas de glicogênio muscular e diminuem a produção de ácido lático pós-morte. Como resultado, o pH final da carne permanece elevado, caracterizando a condição DFD (dark, firm, dry) — carne escura, firme e seca.
Essa alteração afeta a aparência, a maciez e a suculência do produto, reduzindo sua aceitação pelo consumidor e o valor comercial. A ocorrência de DFD é particularmente relevante em bovinos e suínos e está diretamente associada ao comprometimento do bem-estar animal (CERTIFIED HUMANE BRASIL, 2021).
3.11 A importância do bem-estar animal no período pré-abate para a obtenção de carne de qualidade
O manejo pré-abate representa uma fase crucial no processo de produção da carne bovina, englobando atividades como o embarque dos animais, o transporte até o frigorífico, o recebimento na unidade de abate, o período de descanso e a aplicação do jejum alimentar. Esse conjunto de práticas inicia-se ainda na propriedade rural, aproximadamente 24 horas antes do transporte, momento em que os bovinos são mantidos em piquetes com acesso exclusivo à água e sem oferta de alimento.
Dentre os diversos fatores que interferem no bem-estar animal nesse período, destaca-se, de forma significativa, a conduta dos trabalhadores responsáveis pelo manejo. A maneira como esses profissionais interagem com os bovinos, desde a fazenda até o momento do abate, exerce influência direta tanto na resposta comportamental e fisiológica dos animais quanto na qualidade final da carne produzida (DUARTE; BIAZOLLI; HONORATO, 2014).
O embarque dos animais deve ser conduzido de forma tranquila e sem pressa, assegurando que todo o trajeto até o local de carregamento esteja livre de barreiras físicas, sombras ou outros elementos que possam causar medo ou hesitação. É fundamental que os manejadores evitem o uso de força física excessiva, como empurrões, gritos ou instrumentos que provoquem dor ou ferimentos, pois essas práticas geram estresse, comprometem o bem-estar e impactam negativamente a qualidade da carne. Além de representar uma exigência ética, o manejo calmo durante o embarque também reduz o risco de acidentes e contribui para maior eficiência operacional (BRAZIL BEEF QUALITY, 2022).
Durante o transporte até o frigorífico, diversos fatores devem ser rigorosamente observados para minimizar o desconforto dos animais. Entre os principais pontos de atenção estão a densidade adequada de indivíduos por veículo, a não mistura de lotes diferentes, a escolha de um meio de transporte compatível com a espécie e a quantidade de animais, bem como o controle da distância e do tempo de deslocamento. Outro aspecto essencial é a capacitação do motorista, que deve estar treinado para conduzir de forma segura e cuidadosa.
Além disso, recomenda-se planejar o transporte em horários de temperatura mais amena, evitando períodos de calor extremo, uma vez que condições térmicas inadequadas aumentam o estresse e afetam a homeostase dos bovinos (BRAZIL BEEF QUALITY, 2022).
Ao chegarem ao frigorífico, os animais devem ser mantidos em repouso, em ambiente calmo, com acesso contínuo à água e submetidos ao jejum de sólidos. Essa etapa é fundamental para permitir a recuperação física e reduzir o estresse acumulado durante o transporte. O descanso prévio contribui para a normalização dos parâmetros fisiológicos, melhora o rendimento de carcaça e reduz a ocorrência de alterações metabólicas indesejáveis, como as associadas à condição DFD (dark, firm, dry), que compromete a qualidade sensorial e comercial da carne (BRAZIL BEEF QUALITY, 2022).
De acordo com a legislação brasileira vigente, é proibido realizar o abate de animais que não tenham passado por um período adequado de descanso, jejum alimentar e acesso contínuo à água antes do abate. Essas exigências visam assegurar condições mínimas de bem-estar e devem ser observadas conforme as particularidades fisiológicas de cada espécie. Exceções a essa norma são permitidas apenas em situações emergenciais, nas quais a integridade ou o bem-estar do animal estejam em risco, demandando medidas imediatas para evitar sofrimento desnecessário (BRASIL, 2017).
3.12 Técnicas para um abate respeitoso e livre de sofrimento em bovinos
Em janeiro de 2000, por meio da Instrução Normativa nº 3, o Ministério da Agricultura e do Abastecimento estabeleceu uma regulamentação específica voltada aos procedimentos de insensibilização de animais destinados ao abate. Essa normativa introduziu oficialmente o conceito de abate humanitário, que se refere a um conjunto de práticas fundamentadas em critérios técnicos e científicos, com o objetivo de assegurar o bem-estar dos animais durante todas as etapas que antecedem a morte. Isso inclui desde a chegada dos animais ao frigorífico até a fase final do processo, que é a sangria.
A Instrução Normativa detalha exigências que os estabelecimentos de abate devem cumprir, abordando aspectos como o manejo adequado dos animais, técnicas corretas de contenção, métodos eficazes de insensibilização — isto é, a perda de consciência sem dor — e procedimentos de sangria que evitem sofrimento desnecessário.
Essas orientações têm como finalidade minimizar o estresse e a dor dos animais durante o processo de abate, além de contribuírem para a melhoria da qualidade da carne produzida, já que o bem-estar animal está diretamente relacionado a fatores como o pH, a maciez e a aparência do produto final (BRASIL, 2000).
É obrigatório que cada estabelecimento de abate conte com um profissional responsável especificamente pelas práticas relacionadas ao manejo pré-abate e ao abate humanitário dos animais. Esse profissional deve possuir qualificação adequada para garantir que todas as etapas do processo sigam os princípios do bem-estar animal. Além disso, cabe a ele assegurar que todos os colaboradores envolvidos — desde o manejo até a insensibilização e a sangria — sejam devidamente treinados e capacitados para aplicar corretamente as técnicas que evitam sofrimento.
A formação contínua da equipe é essencial para garantir que os procedimentos adotados estejam em conformidade com as exigências legais e éticas, promovendo tanto a proteção dos animais quanto a obtenção de carne de melhor qualidade (BRASIL, 2021).
No contexto do abate humanitário, alguns fatores específicos devem ser rigorosamente observados para que os animais sofram o mínimo possível durante o processo. Entre os principais pontos estão o transporte e o desembarque, que devem ser realizados de forma cuidadosa para evitar estresse e lesões. Também é indispensável oferecer um período adequado de descanso após a chegada ao frigorífico, respeitar o jejum alimentar e garantir o fornecimento contínuo de água até momentos próximos à insensibilização. Outro aspecto importante é a qualidade das instalações, como o uso do banho de aspersão, que reduz o estresse térmico e melhora o conforto dos animais.
Por fim, os procedimentos de insensibilização e sangria devem ser conduzidos de maneira rápida e eficaz, evitando dor e promovendo uma morte sem sofrimento (ALVARENGA, 2022).
O planejamento adequado do transporte é uma etapa essencial para garantir o cumprimento das normas legais e preservar o bem-estar dos bovinos durante o deslocamento até o local de abate. Para que esse processo seja eficiente e humanitário, é necessário que todos os profissionais envolvidos — desde os responsáveis pelo embarque e desembarque até o motorista — atuem de forma coordenada e consciente. Essa organização deve começar ainda na propriedade de origem, com a preparação adequada dos animais, e se estender até a chegada ao frigorífico (COSTA; QUINTILIANO; TSEIMAZIDES, 2012).
O compartimento de carga dos veículos deve oferecer segurança e conforto aos animais. Recomenda-se o uso de pisos forrados com tapetes de borracha (Figura 4) sobre grades metálicas quadriculadas, evitando escorregões e quedas durante o trajeto. O veículo também deve estar em boas condições de funcionamento, com revisões mecânicas regulares, incluindo o sistema de freios, suspensão e demais componentes que possam afetar a segurança. Além disso, é essencial inspecionar o compartimento de carga para garantir que não haja defeitos, como grades deformadas, borrachas danificadas ou parafusos salientes, que possam causar ferimentos ou desconforto aos animais transportados (COSTA; QUINTILIANO; TSEIMAZIDES, 2012).
Figura 4: Piso de borracha para o transporte de gado.

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
De acordo com o Artigo nº 110 do Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA), é obrigatório que os animais destinados ao abate permaneçam em descanso por até 24 horas, incluindo jejum alimentar e acesso contínuo à água. Essa pausa tem finalidades importantes tanto para o bem-estar animal quanto para a segurança do produto. O jejum auxilia na redução do conteúdo gastrointestinal, o que facilita o processo de evisceração e diminui os riscos de contaminação da carcaça. Além disso, o descanso permite a reposição parcial do glicogênio muscular, contribuindo diretamente para a qualidade da carne, especialmente no que se refere à textura, ao pH e à conservação pós-abate (ROÇA, 2003).
O banho de aspersão, aplicado na chamada seringa — o corredor de condução anterior ao abate —, tem como objetivo remover o excesso de sujeira, como fezes e resíduos da pele dos animais. Esse procedimento melhora as condições higiênicas da esfola, reduzindo o risco de contaminação da carcaça. Após o banho, os animais devem permanecer por um curto período na rampa de acesso ao local de insensibilização, permitindo que a pele seque parcialmente e facilitando o manuseio subsequente (SARCINELLI; VENTURINI; SILVA, 2007).
A insensibilização é uma etapa fundamental do abate humanitário e tem como finalidade garantir que o animal seja colocado em um estado de inconsciência antes da sangria. Esse estado deve ser mantido até o momento da morte, assegurando que o animal não sinta dor ou sofrimento. Além de garantir uma morte ética, o processo contribui para a qualidade da carne, uma vez que o estresse interfere diretamente nas características físico-químicas do produto final (MONDELLI, 2000).
No Brasil, o método mais utilizado para o atordoamento dos bovinos é a pistola de dardo cativo, que promove insensibilização rápida e eficaz. Para garantir que a perda de consciência seja imediata, o dardo deve penetrar corretamente no crânio. Em bovinos, a pistola deve ser posicionada na região central da testa (Figura 5), seguindo um ponto imaginário que forma um “X” entre os olhos e a base dos chifres, assegurando um impacto preciso e um abate humanitário (CASTILLO, 2006).
Figura 5: Posição correta para o disparo na cabeça do bovino

Fonte: Site Abrafrigo
De acordo com a Instrução Normativa nº 3, o procedimento de sangria deve ser iniciado imediatamente após a insensibilização, com o animal completamente inconsciente e permanecendo assim até a morte. A sangria consiste na secção dos grandes vasos sanguíneos do pescoço, garantindo o escoamento rápido e completo do sangue. Esse cuidado evita que o animal recupere a consciência durante o processo, minimizando o sofrimento. Somente após o término do escoamento máximo do sangue são permitidas operações que possam causar mutilações, assegurando que estas não provoquem dor ou desconforto (BRASIL, 2000).
Antes de iniciar a sangria, é essencial confirmar que o animal não apresenta sinais de sensibilidade ou consciência (Figura 6). Caso haja dúvida, o procedimento de insensibilização deve ser repetido imediatamente. O profissional responsável por essa etapa deve estar plenamente capacitado e comprometido, pois qualquer falha pode resultar em sofrimento desnecessário, violando os princípios do abate humanitário e comprometendo a qualidade da carne produzida (BRASIL, 2000).
Figura 6: Indicadores de inconsciência em bovinos após a insensibilização

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Perfil sociodemográfico dos entrevistados
Foram obtidas 181 respostas ao questionário aplicado. Após análise preliminar, todas foram consideradas válidas para a composição da amostra.
Entre os cinco estados mais populosos do Brasil, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná, a maior parte dos respondentes reside no estado de São Paulo (97,8%), enquanto os demais estão distribuídos em menor proporção na Bahia ( 0,6%), e outros estados (1,7%) . Esse dado evidencia que a pesquisa concentrou-se em sua maioria em um único estado, o que pode refletir características específicas da percepção da população paulista acerca do bem-estar animal e da qualidade da carne bovina.
Tabela 1. Local em que reside os respondentes.
| Região | Qtde | Percentual |
| São Paulo | 177 | 97,8 |
| Minas Gerais | ||
| Rio de Janeiro | ||
| Bahia | 1 | 0,6 |
| Paraná | ||
| Outros | 3 | 1,7 |
| Total | 181 | 100,00 |
Fonte: Dados da pesquisa
Com relação à escolaridade, verificou-se que 35,9% dos participantes possuíam ensino superior completo, 31,5% estavam cursando o ensino superior e 23,8% possuíam ensino médio completo. Apenas uma pequena parcela relatou ensino médio incompleto (2,2%) e ensino fundamental incompleto (2,8%). Esse resultado demonstra que a amostra foi composta predominantemente por indivíduos com elevado nível de escolaridade, o que pode influenciar na maior conscientização sobre práticas de bem-estar animal e suas implicações na qualidade da carne, uma vez que estudos apontam que consumidores mais instruídos tendem a valorizar aspectos éticos e de segurança alimentar (LOPES et al., 2014).
Tabela 2. Grau de escolaridade dos respondentes
| Escolaridade | Qtde | Percentual |
| Ensino fundamental completo | 7 | 3,9 |
| Ensino fundamental incompleto | 5 | 2,8 |
| Ensino médio completo | 43 | 23,8 |
| Ensino medio incompleto | 4 | 2,2 |
| Ensino superior cursando | 57 | 31,5 |
| Ensino superior completo | 65 | 35,9 |
| Total | 181 | 100,00 |
Fonte: Dados da pesquisa
No que se refere à faixa etária (Gráfico 1) , observou-se predominância de jovens adultos: 55,2% dos respondentes têm entre 18 e 30 anos, seguidos por 18,2% entre 30 e 40 anos, 14,4% entre 50 e 60 anos, 7,7% entre 40 e 50 anos e apenas 4,4% acima de 60 anos. A predominância de indivíduos mais jovens pode indicar uma maior abertura para discussões sobre sustentabilidade e bem-estar animal, tópicos que vêm ganhando espaço nas gerações mais novas (LULIO, 2023; INSTITUTO AKATU, 2024).
Gráfico 1: Faixa etária dos entrevistados

Fonte: Dados da pesquisa
Quanto à renda familiar (Gráfico 2), 39,8% declararam renda entre 1 e 3 salários mínimos, 23,2% entre 3 e 5 salários mínimos, 22,7% entre 5 e 10 salários mínimos, 7,2% acima de 10 salários mínimos e outros 7,2% até 1 salário mínimo. Esse dado evidencia uma diversidade de perfis socioeconômicos entre os respondentes, sendo que a maioria concentra-se em rendas de até cinco salários mínimos. Considerando que o poder aquisitivo influencia o acesso e a escolha por carnes de melhor qualidade, é possível inferir que a percepção sobre a relação entre bem-estar animal e qualidade da carne bovina pode variar de acordo com a condição econômica do consumidor (KIRINUS et al., 2014).
Gráfico 2: Renda familiar dos entrevistados.

Fonte: Dados da pesquisa
Dessa forma, o perfil sociodemográfico dos participantes sugere que a amostra é composta, em sua maioria, por jovens, com nível de escolaridade elevado e renda familiar intermediária. Esses fatores são relevantes, pois podem impactar diretamente na forma como os consumidores percebem a importância do bem-estar animal e sua associação com atributos de qualidade da carne, como maciez, suculência e segurança alimentar.
4.2 Consumo de carne bovina
Verifica-se no gráfico 3, que a grande maioria declarou consumir carne bovina (97,8%), enquanto apenas 2,2% afirmaram não a incluir em sua alimentação. Esse dado demonstra a relevância da carne bovina na dieta da população investigada, confirmando sua posição de destaque no Brasil como principal fonte de proteína animal, como já apontado em estudos de Fisberg et al. (2019) e Santos et al. (2020).
Gráfico 3: Consumo de carne bovina dos entrevistados

Fonte: Dados da pesquisa
Conforme apresentado no gráfico 4, no que diz respeito à compra da carne bovina para consumo doméstico, verificou-se que em 59,1% dos lares os próprios respondentes são responsáveis pela aquisição do produto. Em seguida, destacam-se os pais (26,0%) e os cônjuges (13,8%), enquanto avós e tios apresentaram menor representatividade Esse resultado sugere que a decisão de compra está, em grande parte, nas mãos dos próprios consumidores diretos, o que reforça a importância de se compreender os fatores que influenciam a escolha da carne bovina, como preço, qualidade sensorial e origem do produto.
Gráfico 4: Responsáveis pela aquisição da carne, na residência dos entrevistados

Fonte: Dados da pesquisa.
Esses achados são relevantes ao se considerar que, de acordo com Miranda et al. (2018), a percepção do consumidor sobre a carne bovina está diretamente associada à confiança na procedência e às condições de bem-estar animal durante o processo produtivo. Assim, compreender o perfil de consumo e os responsáveis pela compra permite identificar potenciais estratégias de conscientização e valorização de práticas mais sustentáveis na pecuária brasileira.
4.3 Atributos da carne bovina considerados no momento da compra
De acordo com o gráfico 5, a maioria dos consumidores adquire carne bovina em supermercados (55,8 %), seguida por açougues (41,4 %); a compra direta com o fazendeiro ou em lojas especializadas representa parcela mínima.
Gráfico 5: Local onde os entrevistados adquirem a carne que consomem

Fonte: Dados da pesquisa
Esse padrão está em consonância com dados nacionais: Soares (2007), citado por Decisão Consultoria, aponta que 63 % das carnes são comercializadas em redes de supermercado, enquanto açougues respondem por apenas 19 % das vendas . Estudos prévios como o de Brisola e Castro (2005) também destacam a preferência dos consumidores pelos supermercados, pela conveniência e percepção de qualidade associada aos aspectos físicos da carne .
O gráfico 6, sobre os critérios de escolha, a maioria apontou o preço (57,5%) como decisivo, seguido por “outros critérios” (21%), “selo de inspeção” (18,8%) e “selo de bem-estar animal” com menos de 3%. Esse padrão indica que, embora fatores como qualidade e certificação ganhem espaço, o preço continua sendo o principal motor de decisão de compra no mercado brasileiro. Resultado contraria o que afirma Molento (2005), ao sugerir que as preferências por produtos certificados tenderiam a se manifestar mais amplamente nas sociedades à medida que aumentam a educação e o conhecimento sobre os conceitos básicos de bem-estar animal.
Gráfico 6: Critério para compra da carne dos entrevistados

Fonte: Dados da pesquisa
Em relação aos atributos físicos avaliados na compra (Gráfico 7), destacam-se a cor (83,4%), cheiro (59,1%), gordura (47%), maciez (43,1%) e suculência (24,3%). Tais resultados confirmam a prioridade dada a características sensoriais perceptíveis, alinhando-se a estudos que indicam que atributos organolépticos, como cor, textura e aroma, são determinantes importantes na decisão de compra do consumidor de carne bovina (CARMICHAEL et al., 2019).
Gráfico 7: Atributos físicos que os entrevistados avaliam no momento da compra

Fonte: Dados da pesquisa
Apesar de o bem-estar animal influenciar a qualidade final da carne, afetando parâmetros como pH, cor, textura, maciez e suculência, o presente estudo revela que esse aspecto ainda não é amplamente valorizado pelo consumidor no momento da compra. No entanto, evidências apontam que, ao conhecerem informações sobre manejo e bem-estar, os consumidores passam a atribuir mais importância a esse aspecto na escolha do produto (Abreu et al., 2021).
Esses resultados revelam uma tendência: o consumidor brasileiro prioriza primordialmente atributos visuais e econômicos em sua escolha, enquanto fatores relacionados ao manejo responsável e ao bem-estar animal ainda carecem de reconhecimento prático — embora o conhecimento sobre esses aspectos possam incentivar sua valorização futura.
4.4 Questões relacionadas de como o bem estar animal e a qualidade da carne é compreendida pelo consumidor
Inicialmente, verifica-se no gráfico 8, que 64,6% dos participantes afirmaram não conhecer como são criados os bovinos, enquanto 35,4% declararam possuir algum conhecimento sobre o processo de criação. Esse resultado evidencia uma lacuna informacional relevante entre o público consumidor e as práticas de produção pecuária.
Gráfico 8: Conhecimento dos entrevistados de como os bovinos são criados

Fonte: Dados da pesquisa
De acordo com Alvarenga (2022), o desconhecimento sobre as etapas de criação e abate dos animais dificulta a valorização de produtos oriundos de sistemas sustentáveis e humanitários. Nessa perspectiva, o Instituto Certified Humane Brasil (2023) reforça que a educação do consumidor é um elemento essencial para que ele reconheça a importância das práticas de manejo ético. Em continuidade, quando questionados sobre a influência do manejo e do abate na qualidade da carne (Gráfico 9), apresentou que 90,1% dos entrevistados acreditam que a forma como os animais são abatidos interfere na aparência e qualidade dos produtos finais, enquanto apenas 9,9% não percebem essa relação.
Gráfico 9: Conhecimento sobre a maneira que os animais são abatidos e a interferência na aparência e qualidade dos produtos finais.

Fonte: Dados da pesquisa
Esse achado demonstra que, embora muitos consumidores desconheçam o processo produtivo, há uma consciência crescente sobre o impacto direto do manejo na qualidade da carne. Nesse sentido, o portal Certified Humane Brasil (2023) explica que fatores como o estresse pré-abate e o manejo inadequado provocam alterações fisiológicas que comprometem características como maciez, coloração e sabor. Corroborando essa visão, Silva et al. (2023) destacam que o estresse animal aumenta os níveis de glicogênio muscular e ácido lático, interferindo negativamente na qualidade final do alimento.
Além disso, ao serem indagados sobre o conceito de bem-estar animal, 61,9% dos respondentes afirmaram já ter ouvido falar sobre o tema, enquanto 38,1% nunca tiveram contato com ele (Gráfico 10).
Gráfico 10: Conhecimento dos entrevistados sobre bem-estar animal.

Fonte: Dados da pesquisa
Essa proporção demonstra que, apesar de o assunto ganhar espaço no debate público, ainda persiste uma carência de conhecimento consolidado entre os consumidores. Conforme aponta Moura (2020), o bem-estar animal é um conceito multidimensional que envolve condições físicas, fisiológicas e comportamentais adequadas, sendo indispensável que o público compreenda sua relevância para exigir produtos mais éticos e de maior qualidade. Por conseguinte, ao se tratar da percepção de sofrimento animal durante a criação e o abate (Gráfico 11), 79% dos participantes acreditam que os animais de produção sofrem, enquanto 21% não compartilham dessa visão.
Gráfico 11: Percepção dos entrevistados sobre a ocorrência de sofrimento nos animais de produção durante o processo de criação e abate.

Fonte: Dados da pesquisa
Essa maioria reflete uma sensibilidade ética significativa por parte dos consumidores e o reconhecimento de que os sistemas intensivos podem causar desconforto aos animais. Segundo Alvarenga (2022), há um interesse crescente por parte do público em relação às práticas de bem-estar, ainda que o conhecimento técnico sobre o tema permaneça limitado. Assim, verifica-se uma tendência de valorização moral do consumo responsável, mesmo diante da falta de informações específicas.
Em relação ao reconhecimento dos selos de certificação de bem-estar animal, constatou-se no gráfico 12, que 78,5% dos respondentes não conhecem o selo nacional de certificação (IC Certificação) (Figura 8), enquanto apenas 21,5% afirmaram já tê-lo visto.

De modo semelhante, o selo Certified Humane Brasil (Figura 9) apresentou índices ainda menores de reconhecimento (Gráfico 13) , sendo 82,9% de desconhecimento e 17,1% de familiaridade.

Esses resultados indicam que, embora os programas de certificação estejam consolidados no país, seu alcance comunicacional permanece restrito. Segundo o Certified Humane Brasil (2023), o selo tem como propósito identificar produtos provenientes de sistemas que respeitam normas rigorosas de manejo humanitário. Contudo, Silva et al. (2023) salientam que a falta de divulgação e de campanhas educativas dificulta que o consumidor associe esses selos à qualidade e à ética do produto.
Ademais, quando questionados se já ouviram falar sobre carnes que possuem o selo de bem-estar animal (Gráfico 14), 64,1% responderam que não, enquanto 35,9% afirmaram conhecer.
Gráfico 14: Conhecimento dos entrevistados sobre carnes que possuem o selo de bem-estar animal

Fonte: Dados da pesquisa.
Essa informação complementa os dados anteriores, sugerindo que o desconhecimento sobre certificações reflete diretamente na percepção de qualidade do produto. Como explica Moura (2020), a informação é um elemento determinante para a construção de um consumo consciente e ético, sendo necessário fortalecer a comunicação entre produtores, indústrias e consumidores.
Diante desses resultados, pode-se inferir que, embora haja reconhecimento parcial da relação entre bem-estar animal e qualidade da carne, o consumidor brasileiro ainda enfrenta barreiras informacionais. Essa realidade confirma a análise de Alvarenga (2022), segundo a qual a conscientização sobre o tema ainda se encontra em desenvolvimento e depende de maior transparência nas cadeias produtivas, bem como de políticas públicas voltadas à educação alimentar e ética animal.
Em síntese, os achados desta pesquisa revelam que o consumidor demonstra empatia e interesse pelo bem-estar animal, porém carece de acesso a informações claras e acessíveis que orientem suas escolhas de compra. Portanto, torna-se essencial o fortalecimento de programas educativos, políticas de rotulagem transparente e estratégias de comunicação que aproximem o consumidor das práticas sustentáveis e reforcem a valorização da qualidade da carne associada ao respeito animal.
5. CONCLUSÃO
A análise dos resultados permitiu constatar que o bem-estar animal é amplamente reconhecido como um fator determinante para a qualidade da carne bovina, confirmando os objetivos propostos neste estudo. De modo geral, observou-se que, embora a maioria dos consumidores apresente consciência ética sobre o tema, ainda há lacunas significativas no conhecimento sobre as práticas de criação, transporte e abate dos animais. Essa deficiência informacional reflete diretamente na valorização do bem-estar animal no momento da compra, uma vez que o preço e os atributos sensoriais da carne, como cor, maciez e suculência, ainda se sobrepõem aos critérios éticos e sustentáveis.
Os resultados demonstraram também que o perfil dos participantes é composto majoritariamente por jovens e indivíduos com maior nível de escolaridade e tende a favorecer uma percepção mais positiva em relação à importância do manejo humanitário. No entanto, o desconhecimento sobre selos de certificação e sobre o impacto do manejo no produto final evidencia a necessidade de estratégias de comunicação e educação voltadas à conscientização do consumidor.
Dessa forma, conclui-se que o bem-estar animal não deve ser compreendido apenas como um requisito ético, mas como um elemento essencial para a qualidade, segurança e sustentabilidade da carne bovina. Práticas adequadas de manejo, transporte e abate reduzem o estresse dos animais, resultando em produtos de melhor qualidade e maior aceitação no mercado. Para que essa relação seja plenamente reconhecida pelo consumidor, é imprescindível fortalecer políticas de rotulagem transparente, programas de certificação acessíveis e ações educativas que aproximem a sociedade das práticas responsáveis da pecuária moderna.
Assim, este estudo reafirma que investir em bem-estar animal é investir na qualidade da carne, na competitividade do setor e na construção de uma pecuária ética, sustentável e alinhada às novas demandas de consumo.
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