ASSESSMENT OF OCCUPATIONAL RADIATION DOSES IN RADIOGRAPHIC EXAMINATIONS OF EQUINE DISTAL EXTREMITIES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511300430
Mauricio Eduardo Goulart1
Maria da Penha Albuquerque Potiens2
Resumo: O uso de raios X na medicina veterinária equina se tornou essencial para o diagnóstico de diversas doenças, especialmente as osteoarticulares dos metatarsos e falanges distais. Geralmente esses estudos exigem incidências radiográficas adicionais, com isso, esses procedimentos resultam em doses de radiação representando um risco à saúde ocupacional. O trabalho desenvolveu uma metodologia de avaliação das doses de radiação provenientes dos feixes espalhados avaliando o equivalente de dose ambiental (H*(10)) e o equivalente de dose pessoal, utilizando aparelho de raios X, câmara de ionização, dosímetro termoluminescente de extremidades e peça anatômica realista. O estudo pesquisou doses em situações variáveis, como: Tamanho dos cassetes (18×24 – 35×43 cm); Colimações do feixe de raios X (18×24, 24×30, 30×40 e 35×43) e mAs (5, 2.5 e 1.6). A kVp foi constante em 70. As projeções radiográficas foram as mais comuns na prática veterinária. Os dosímetros anel termoluminescente apuraram doses de 0,01882 mSv/exposição, na mão do IOE portador do cassete e 0,00026 mSv/exposição para o IOE portador do aparelho de raios X. O benefício da colimação comparando H*(10) a 70 kVp e 1,6 mAs foi demonstrado com a colimação 35×43 cm: 0,001013 mSv e 18×24 cm: 0,000223 mSv. A dose reduz drasticamente ao diminuir o mAs. A razão de doses entre as técnicas 5 mAs e 1,6 mAs é aproximadamente 5/1,6 ≈ 3,125. A projeção obliqua D45°L-PaMO foi a incidência que mais promoveu dose ocupacional no IOE portador do cassete.
Palavras chave: Proteção Radiológica 2. Veterinária 3. Radiação ocupacional, 4. Equino, 5. Otimização de dose.
Introdução: A radiologia equina no Brasil tem sido realizada de forma itinerante, por meio da popularização dos equipamentos portáteis digitais com capacidade de obtenção de imagens de alta qualidade, além da região das falanges distais e boletos, regiões de maior espessura também são examinadas, tais como coluna cervical, cabeça, até mesmo seguimentos do tórax, em geral utilizando emissores de potência até 90 kV e com a amperagem fixa, em torno de 30 a 50 mA, dependendo da potência do emissor, tendo como média o uso de 1 a 5 mAs (SOUZA et al., 2023).
Revisão da Literatura: A International Atomic Energy Agency (IAEA) publicou o Safety Reports, série n.104 (2021), que trata a respeito da proteção contra radiação e segurança em medicina veterinária, apontando que a radiação ionizante é usada nessa prática, tanto para diagnóstico quanto para terapia. Esse Safety Reports, realiza uma abordagem sistemática para garantir que haja um equilíbrio entre os benefícios dos usos da radiação ionizante, e os riscos associados à exposição da radiação de trabalhadores, público e dos animais, alertando que são necessárias medidas de proteção contra radiação e segurança porque não existe um nível absolutamente seguro dessa exposição à radiação ionizante (IAEA, 2021).
O estudo radiográfico em equinos está atrelado a um conjunto de fatores e devem estar claros na mente dos profissionais: indicação do exame, contenção do paciente, conhecimento anatômico, posicionamento radiográfico, técnica radiográfica e equipamentos e acessórios adequados (SOUZA et al., 2023). Geralmente a nomenclatura da radiologia veterinária segue um sistema padronizado proposto pelo Colégio Americano de Radiologistas Veterinários (ACVR), com a colaboração do Colégio Europeu de Imagem Diagnóstica Veterinária (SERRÃO, 2015; DEIKE, 2011; DRUMOND, 2012; SMALLWOOD et al., 1985).

Figura 1. Posicionamento Dorsopalmar (DP) das falanges distais.
Fonte: SOUZA et al., 2023.
É crescente o número de diagnósticos radiográficos realizados em equinos, e com a “cultura” que se trata de baixas doses, tornando essa modalidade especialmente relevante no quesito “risco para os efeitos estocásticos”, uma vez que geralmente são realizadas várias exposições radiográficas no mesmo animal, para se conseguir um melhor diagnóstico, aumentando o risco das exposições à radiação ionizante. Mesmo que se diminua a quantidade de exposições, simplesmente poderá reduzir a probabilidade de ocorrência dos efeitos estocásticos, mas nunca a sua importância (GINJA; FERREIRA, 2002).
Segundo Vatsa et al (2022), as configurações para radiografia das falanges em equino so relativamente baixas, entre 60-70 kVp e 5 a 1 mAs, respectivamente, implicando em doses mais baixas em comparação com outras partes do corpo.
Metodologia: Considerando a RDC ANVISA n. 611/22, os serviços de radiologia veterinária devem adotar testes de qualidade e desempenho da instrumentação, treinamento e estudos objetivando a segurança e a qualidade diagnóstica das imagens produzidas (BRASIL, 2022). Nesse sentido, o estudo percorre a cultura da proteção radiológica, visando proteger o indivíduo ocupacionalmente exposto (IOE) (BRASIL, 2014). Utilizando um aparelho de raios X, câmaras de ionização, dosímetros termoluminescentes e peça anatômica realista, avaliou o Equivalente de Dose Ambiental (H∗(10)) e o Equivalente de Dose Pessoal. As variáveis investigadas, mantendo o kVp constante em 70, foram:
∙ Tamanho dos Cassetes: 18×24 a 35×43 cm.
∙ Colimações do Feixe: 18×24, 24×30, 30×40 e 35×43.
∙ MAs (quantidade de carga): 5, 2.5 e 1.6.

Figura 2. Alguns materiais utilizados no estudo.
Resultados e Discussão:
As doses pessoais apuradas por meio dos dosímetros termoluminescentes, foram:
✔ 0,01882 mSv/exposição na mão do IOE portador do cassete.
✔ 0,00026 mSv/exposição para o IOE portador do aparelho de raios X.
O benefício da colimação pode ser avaliado com variáveis no tamanho do campo colimado. Foi possível notar que diminuiu drasticamente a dose espalhada comparando H∗(10) a 70 kVp e 1,6 mAs:
✔ Colimação 35×43 cm: 0,001013 mSv
✔ Colimação 18×24 cm: 0,000223 mSv (dose significativamente menor).

Figura 3. Gráfico com as variações no tamanho do campo de colimação.
O Impacto da mAs: A dose também diminuiu drasticamente ao reduzir a mAs. A razão de doses entre as técnicas 5 mAs e 1,6 mAs é de aproximadamente 3,125.

Figura 4. Gráfico com as variações em função da mAs e posicionamento realizado.
Foi possível avaliar que a projeção mais crítica foi a projeção oblíqua D45°L PaMO Essa incidência foi a que mais promoveu dose ocupacional no IOE portador do cassete.

Figura 5. Relação da projeção oblíqua D45°L-PaMO com oblíqua D45°M-PaLO e DP.
Conclusão: A melhor escolha dos parâmetros técnicos (mAs, kVp, colimação, distância e barreiras – projeção) é fundamental para o Princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable), pois demonstra que a dose de radiação ambiente é controlada por dois fatores importantes: Redução do mAs: Diminuir o mAs reduz a dose e Restrição da Colimação: Utilizar a menor colimação possível reduz a dose espalhada. Para manter a dose ambiente a um mínimo, ambas as práticas devem ser rigorosamente seguidas. A relação direta entre o parâmetro de exposição mAs e a dose H*(10) em mSv para cada medição, separada por posição, confirmou que a projeção Oblíqua (D45°L-PaMO) consistentemente gera as doses mais elevadas em comparação com as outras posições para os mesmos valores de mAs, muito por conta da distância em relação ao IOE.
Referências:
BRASIL, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e comunicações. Comissão Nacional de Energia Nuclear. Norma CNEN NN 3.01, Resolução 164/14 – Diretrizes básicas de proteção radiológica. Rio de Janeiro – RJ, 2014
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC Nº 611, de 9 de março de 2022. Dispõe sobre os requisitos sanitários para a organização e o funcionamento de serviços de radiologia diagnóstica ou intervencionista. Publicada em: 16/03/2022
DEIKE, U. B.. O desenvolvimento do exame radiológico durante o exame de compra do cavalo. Um estudo da literatura. Dissertação inaugural para obter o doutorado em veterinária da faculdade de veterinária da Universidade Ludwig Maximilians de Munique. Munique, 2011.
DRUMOND, G. R. C.: Avaliação de Exposição Ocupacional de Radiologia Digital Veterinária Portátil. Dissertação de Mestrado. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba, 2012.
GINJA, M. M. D.; FERREIRA, A. J. A. Efeitos biológicos da radiação X e radioprotecção em medicina veterinária. Artigo de revisão: Revista Portuguesa de Ciências, 2002. Lisboa, Portugal.
INTERNATIONAL ATOMIC ENERGY AGENCY (IAEA). Radiation Protection and Safety in Veterinary Medicine. Safety Reports Series. N. 104. (IAEA) Viena, 2021.
SERRÃO, M. R. P. Patologia Clínica de Equinos. Programa de Mestrado Integrado em Medicina Veterinária. Universidade de Évora. Escola de Ciências e Tecnologia do Departamento de Medicina Veterinária. Portugal. Évora, 2015.
SOUZA, A. F.; GRANELLA, M. C. S.; HAGEN, S. C. F.; TOKAWA, P. A.. Guia de Posicionamento Radiográfico em Equino. Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo. São Paulo-SP, 2023.
VATSA, M.A., BELLO, I.A., ONUH, E., GARBA, N.N, KADO, S., AHMAD, A.A., AMINU, M.A. Avaliação da Dose na Superfície de Entrada (ESD) Em Alguns Exames Radiográficos de Rotina na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Ahmadu Bello, Zaria (2022). Disponivel em: <https://www.ajol.info/index.php/bajopas/article/view/227476/214729> acessado em Junho/2025.
1Doutorando Programa de Tecnologia Nuclear – Aplicações;
2Orientadora (IPEN/USP)
