AVALIAÇÃO DAS DOSAGENS DE T4 EM CÃES E GATOS REALIZADAS EM UM LABORATÓRIO DE MEDICINA VETERINÁRIA (DEZEMBRO DE 2023 A DEZEMBRO DE 2024).

EVALUATION OF T4 DOSAGES IN DOGS AND CATS PERFORMED IN A VETERINARY MEDICINE LABORATORY (DECEMBER 2023 TO DECEMBER 2024).

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202503312004


Bárbara Luniere Gomes1 
Amanda Paula Ferreira Danin2


RESUMO

O estudo analisou a evolução do número de exames de (T4) realizados em cães e gatos nos anos de 2023  e 2024 em um laboratório de medicina veterinária, avaliando as técnicas laboratoriais empregadas, os  métodos de radioimunoensaio e quimioluminescência, e a distribuição por espécie e gênero dos animais.  Observou-se um aumento significativo no número de exames gerais e hormonais, evidenciando o  impacto do avanço tecnológico e da maior conscientização sobre saúde preventiva veterinária. O número  de exames de T4 em cães cresceu 175%, passando de 40 em 2023 para 110 em 2024, enquanto em gatos  o aumento foi de 44%, subindo de 27 para 39 exames. A quimioluminescência foi o método  predominante em ambos os anos, correspondendo a 80% dos exames em cães e 81% em gatos em 2023,  e a 66% e 90%, respectivamente, em 2024. A distribuição por gênero revelou maior prevalência de  exames em fêmeas caninas (60% em 2023 e 57% em 2024), enquanto entre felinos houve um equilíbrio  crescente (machos de 78% para 56% e fêmeas de 22% para 44%). Os diagnósticos obtidos demonstraram  padrões distintos entre espécies: nos cães, 65% dos casos indicaram hipotireoidismo, 25%  hipertireoidismo e 10% outras condições. Nos gatos, o hipertireoidismo foi predominante (60%),  seguido do hipotireoidismo (30%) e outras condições (10%). Com o presente trabalho, foi notório que,  com o intuito de buscar diagnósticos mais precisos e tratamento assertivos os médicos veterinários no  último ano, acabaram aumentando o número de requisições de exames específicos como o T4, o qual  também, teve um reflexo no investimento e melhorias dos laboratórios. 

Palavras-chave: Exames laboratoriais. T4. Cães e gatos. 

1. INTRODUÇÃO 

O hormônio tireoidiano T4, ou tiroxina, é um dos principais hormônios produzidos pela  glândula tireoide e desempenha um papel essencial na regulação do metabolismo, crescimento  e desenvolvimento dos mamíferos (Nunes, 2003). Nos cães e gatos, ele influencia processos  como termorregulação, produção de energia e função cardiovascular, sendo regulado pelo eixo hipotálamo-hipófise-tireoide, que ajusta seus níveis conforme a necessidade do organismo  (Nunes, 2003). 

A tireoide produz predominantemente T4, que é convertido em T3 (triiodotironina), sua  forma biologicamente ativa. O equilíbrio entre esses hormônios é fundamental para a  homeostase, e qualquer desregulação pode gerar consequências clínicas significativas. O  interesse em distúrbios tireoidianos em animais cresceu com os avanços diagnósticos e o  aumento da expectativa de vida dos pets (Greenspan, 1997). Inicialmente, a endocrinologia  veterinária focava no hipotireoidismo em cães, condição associada principalmente a causas  autoimunes, enquanto o hipertireoidismo, mais comum em gatos idosos, recebeu maior atenção  posteriormente (Freitas, 2009; Alarcão; Santana, 2023). 

O diagnóstico dessas condições exige exames laboratoriais específicos, sendo a  dosagem sérica de T4 um dos principais métodos utilizados para identificar anormalidades  hormonais. No entanto, a interpretação dos resultados ainda enfrenta desafios devido à  variabilidade individual e à falta de padronização dos métodos diagnósticos (Alarcão &  Santana, 2023). 

Diante disso, este estudo tem como objetivo analisar os exames laboratoriais de T4 em  cães e gatos, identificando padrões hormonais e possíveis fatores associados às variações nos  resultados. Além de contribuir para o conhecimento acadêmico sobre endocrinologia  veterinária, a pesquisa busca auxiliar a prática clínica, fornecendo subsídios para diagnósticos  mais precisos e tratamentos mais eficazes. Compreender as diferenças fisiológicas entre cães e  gatos no funcionamento da tireoide pode melhorar a qualidade de vida desses animais,  promovendo condutas médicas mais assertivas. 

2. REVISÃO DA LITERATURA 

2.1 Surgimento da endocrinologia veterinária 

O desenvolvimento da endocrinologia veterinária como área de especialização iniciou-se no início do século XX, com os primeiros estudos sobre disfunções hormonais em animais  domésticos. Essas pesquisas eram inicialmente limitadas e baseadas em observações clínicas  de alterações comportamentais e fisiológicas que sugeriam desequilíbrios hormonais  (González, 2002). 

O avanço da endocrinologia humana também influenciou significativamente o campo  veterinário. Pesquisadores começaram a investigar como os hormônios impactavam a saúde  animal, adaptando os métodos utilizados na medicina humana para aplicações veterinárias. Isso foi particularmente importante no estudo de disfunções como diabetes e hipotiroidismo (Booth;  McDonald, 1992). Na década de 1950, com a introdução de técnicas laboratoriais mais  avançadas, como o radioimunoensaio, tornou-se possível medir com precisão os níveis  hormonais nos animais. Isso permitiu um melhor entendimento das relações entre  endocrinologia e doenças, consolidando a área como essencial para a medicina veterinária  (Pfuetzenreiter; Zylbersztajn; Avila-pires, 2004). 

A endocrinologia veterinária evoluiu ainda mais nas décadas de 1970 e 1980, com o  surgimento de especialidades dedicadas exclusivamente ao estudo das glândulas e seus  hormônios em animais (González, 2002). Além das aplicações clínicas, a endocrinologia  veterinária também passou a desempenhar um papel fundamental em programas de reprodução  assistida e conservação de espécies ameaçadas. 

Esses avanços contribuíram para o tratamento e prevenção de doenças em espécies  domésticas, tal como abriram caminhos para a pesquisa em medicina de animais selvagens. O  monitoramento hormonal em espécies não domesticadas tornou-se uma ferramenta  indispensável para entender os ciclos reprodutivos, os impactos do estresse ambiental e as  adaptações fisiológicas, promovendo a sustentabilidade em projetos de conservação e manejo  de fauna (González; Côrrea; Silva, 2014). 

2.2 Exames de hormônio tireoidianos em cães e gatos 

Os exames de hormônios tireoidianos são ferramentas cruciais para o diagnóstico de  doenças endócrinas em cães e gatos, sendo amplamente utilizados desde a popularização das  técnicas de dosagem hormonal na década de 1980 (Freitas, 2009; Cunha et al., 2008). Em cães,  o hipotiroidismo é a doença endócrina mais comum relacionada à tireoide. Ele é frequentemente  diagnosticado com base nos níveis de T4 total e TSH, associados às manifestações clínicas do  animal. Contudo, a interpretação desses resultados deve considerar fatores como idade, raça e  condições de estresse (Freitas, 2009).  

Em gatos, o hipertireoidismo é uma condição prevalente, especialmente em animais  mais velhos. A dosagem de T4 total é o exame mais comumente realizado para o diagnóstico,  embora testes adicionais, como T4 livre por diálise de equilíbrio, possam ser necessários em  casos de resultados inconclusivos (Cunha et al., 2008). Os avanços nos métodos laboratoriais  permitiram a introdução de testes mais sensíveis e específicos. Isso inclui a utilização de  imunoensaios de alta precisão, que minimizam os riscos de falsos positivos e falsos negativos,  aprimorando a acurácia diagnóstica (O’Connor et al., 2013).

O monitoramento da função tireoidiana também é essencial para o acompanhamento de  tratamentos. Em casos de hipertireoidismo, por exemplo, é comum a avaliação periódica dos  níveis de T4 para ajustar a dosagem de medicamentos antitireoidianos (O’Connor et al., 2013).  Adicionalmente, é importante ressaltar que fatores externos podem influenciar os resultados  dos exames hormonais. O uso de certos medicamentos, como glicocorticoides e fenobarbital, é  conhecido por alterar os níveis de hormônios tireoidianos, sendo necessária a análise criteriosa  do histórico clínico do animal (González; Côrrea; Silva, 2014). As diferenças entre espécies  também representam um desafio na endocrinologia veterinária. Enquanto cães apresentam um  padrão metabólico mais lento, o que pode levar a subestimação de hipotiroidismo, os gatos  possuem uma resposta hormonal mais dinâmica, requerendo interpretação personalizada dos  resultados (González; Côrrea; Silva, 2014). 

Outro ponto relevante é a correlação entre os sintomas clínicos e os resultados  laboratoriais. A identificação precoce de alterações hormonais possibilita intervenções mais  eficazes, reduzindo a progressão de doenças endócrinas (O’Connor et al., 2013). Além disso, a  combinação de exames hormonais com técnicas de imagem, como ultrassonografia, tem se  mostrado uma ferramenta valiosa no diagnóstico de disfunções tireoidianas, especialmente em  casos atípicos ou com manifestações clínicas inespecíficas (González; Côrrea; Silva, 2014).  Assim, a colaboração entre endocrinologistas veterinários e clínicos gerais é essencial para  garantir um manejo integrado e eficaz dessas condições. 

3. METODOLOGIA 

Fizeram parte deste estudo 216 animais, incluindo caninos e felinos, de diferentes raças,  ambos os sexos, idades variadas, provenientes da cidade de Manaus, localizado no estado do  Amazonas. 

As amostras de sangue analisadas foram recebidas em tubos de tampa vermelha, e o  processamento do material foi com o soro obtido a partir da centrifugação da amostra. Tiroxina  total (T4) foi determinada utilizando-se de um analisador automatizado de tecnologia de  imunoensaio de fluorescência, dedicados à realização de imunoensaios e ensaios de  quimioluminescentes (V-Check, Bionote, Big Lake, Minnesota), os kits utilizados para a leitura  diagnóstica foram da ECO Diagnóstico Veterinário, localizado em Vila da Serra (Minas  Gerais). 

O atual estudo adotou uma abordagem qualiquantitativa, conforme proposto por  Marconi e Lakatos (2017), que enfatizam a combinação de análises qualitativas e quantitativas  como forma de obter uma compreensão mais abrangente do objeto de estudo, este estudo foi realizado entre dezembro de 2023 a dezembro de 2024. A coleta de dados envolveu fontes  secundárias, como artigos científicos, livros especializados e coleta de amostras no laboratório.  Esses materiais foram selecionados com base na relevância e atualidade, garantindo uma análise  crítica fundamentada. Além disso, o presente trabalho visa comparar o resultado dos exames  através do gênero; idade; número de exames; avaliação por espécie e o resultado de T4 em  geral. 

Os dados quantitativos foram organizados em gráficos para facilitar a visualização das  informações e a identificação de padrões. Os gráficos destacam tendências e correlações entre  as variáveis analisadas. A análise qualitativa baseou-se na revisão de literatura e na discussão  de resultados em relação aos conceitos teóricos descritos por autores da área, como O’Connor  et al. (2013) e González, Côrrea e Silva (2014). Essa abordagem permitiu compreender as  nuances dos dados quantitativos e contextualizar os resultados no campo da endocrinologia  veterinária. 

Espera-se que a combinação de métodos quantitativos e qualitativos, aliada a uma  discussão baseada em literatura especializada, contribua para o aprofundamento do  conhecimento na área de endocrinologia veterinária de cães e gatos, oferecendo suporte para  futuras investigações e aplicações clínicas. Por fim, a relevância deste estudo reside na  integração de dados teóricos e empíricos, proporcionando uma visão ampla e fundamentada  sobre os transtornos tireoidianos em cães e gatos, além de contribuir para o aprimoramento das  práticas diagnósticas e terapêuticas. 

4. ANÁLISE DOS DADOS 

O aumento significativo no número de exames de T4 de 2023 para 2024, tanto em cães  quanto em gatos, demonstra uma maior facilidade de acesso a diagnósticos mais precisos na  medicina veterinária, ajudando a chegar em um diagnóstico definitivo, como afirma (Melo et  al., 2020). O avanço da medicina veterinária preventiva, conforme apontado por Pfuetzenreiter,  Zylbersztajn e Avila-Pires (2004), tem impulsionado a realização de exames hormonais  precoces, o que pode justificar o aumento de exames de 2023 para 2024. 

Para cães, o número de registros aumentou de 40 para 110 (+175%), enquanto em gatos  subiu de 27 para 39 (44%). conscientização dos tutores sobre a importância da saúde preventiva  e à adoção de tecnologias laboratoriais avançadas, como o radioimunoensaio e a  quimiluminescência. Segundo O’Connor et al. (2013), como retrata o gráfico abaixo (Gráfico  1). 

 Gráfico 1. Aumento de exames (2023-2024)

 Fonte: Elaboração própria, 2025.

Em 2023, os cães machos representaram 45% dos exames e as fêmeas 55%, relação  que se manteve similar em 2024 (47% e 53%, respectivamente). Nos gatos, o padrão foi  diferente: em 2023, 70% dos exames foram realizados em machos e 30% em fêmeas; em 2024,  essa proporção se equilibrou, com 50% para machos e 50% para fêmeas. Como discutido por  Nunes (2003), distúrbios hormonais podem influenciar essas diferenças, especialmente  considerando que o hipertireoidismo é mais frequente em machos gatos (Gráfico 2).

Gráfico 2. Distribuição por gênero (2023-2024)

Fonte: Elaboração própria, 2025.

No gráfico 3, temos a relação ao hipotireoidismo quanto ao hipertireoidismo, em 2023  a incidência de hipotireoidismo foi de 10 para 30 (33%) em 2024, mostrando crescente  ocorrência de pacientes com hipotireoidismo, de um ano para o outro, já em relação ao  hipertireoidismo também houve um progressivo aumento de pacientes com a doença, sendo de  30 em 2023 para 80 em 2024 (37,5%).  

Quanto aos felinos, observou-se um aumento na incidência de hipotireoidismo de 2023  para 2024, de 20 para 35 exames (57%), enquanto que em relação ao hipertireoidismo, houve  um decréscimo de 2023 para 2024, de 5 para 4 (1%), respectivamente. Conforme ilustrado no  gráfico abaixo (Gráfico 3).

Gráfico 3. Distribuição de diagnóstico (2023-2024)

Fonte: Elaboração própria, 2025. 

Quanto à avaliação por espécie, relativo aos resultados de T4, observou-se uma maior  prevalência de resultados normalizados, ou seja, dentro dos valores de referência, em ambas as  espécies.  

Porém com diferença, devido a peculiaridades dos gêneros, os caninos machos (79%)  obtiveram maior incidência em relação aos felinos machos (75%). Quanto as fêmeas, foi  observado um aumento de prevalência em fêmeas felinas (77%) em relação às fêmeas caninas  (62%), como pode-se observar no gráfico abaixo (Gráfico 4).

Gráfico 4. Avaliação por espécie de T4 (2023-2024).

 Fonte: Elaboração própria, 2025.

À medida que os animais envelhecem, há uma tendência natural de mudanças na  função da glândula tireoide, isso pode incluir uma redução na produção de T4, o que justifica  a necessidade de monitoramento mais frequente, segundo González e Silva (2022), e o que  justifica o aumento da procura para realização da dosagem deste hormônio, como demonstra o  gráfico abaixo (Gráfico 5).

Gráfico 5. Avaliação por idade (2023- 2024).

 Fonte: Elaboração própria, 2025.

Quando comparado as espécies caninas e felinas, em relação à idade média e resultado  de T4 (Gráfico 6), observou-se em felinos machos acima de 12 anos, o valor de T4 foi acima  do valor normal de referência, em relação aos caninos machos com idade média de 11 anos,  onde o resultado de T4 foi abaixo do valor normal de referência. Nas fêmeas foi observada  incidência maior em felinas com idade média de 12 anos, com T4 acima do valor normal de  referência, por fim observou-se nas fêmeas caninas que na faixa etária acima dos 8 anos o T4  apresentou-se abaixo do valor normal de referência. Em aspecto geral nos cães houve uma  prevalência do hipotireoidismo, enquanto que nos felinos maior incidência de hipertireoidismo,  em consideração à idade média mais avançada. A distribuição dos diagnósticos também revela  padrões específicos para cada espécie. Nos cães, observou-se um predomínio de casos de  hipotireoidismo, representando 65% dos diagnósticos, enquanto o hipertireoidismo  correspondeu a 25% e outros distúrbios a 10%. Em gatos, a tendência foi oposta: 60% dos  diagnósticos indicaram hipertireoidismo, 30% foram compatíveis com hipotireoidismo e 10%  com outras condições. Conforme trabalhos já publicados, como o de Freitas (2009), os cães são  acometidos por hipotireoidismo, enquanto os gatos apresentam maior incidência de  hipertireoidismo, o que justifica os achados. 

Nos cães, o hipotireoidismo é um distúrbio multissistêmico. A deficiência de hormônios  tireoidianos afeta virtualmente todos os sistemas corporais, resultando em variedade ampla de  sinais clínicos, conforme (Peterson; Birchard; Sherding, 2009). Em cães o hipotireoidismo  primário é a forma mais comum da doença, resultado de problemas na própria tireóide,  normalmente da destruição da glândula (Nelson; Couto, 2001). No cão o hipotireoidismo  secundário representa menos de 5% casos clínicos de hipotireoidismo ( Bolfer, 2004). 

Freitas (2009) aponta o hipotireoidismo em cães e suas implicações para o metabolismo  dos animais. O aumento no número de cães fêmeas pode sugerir que alterações hormonais  estejam influenciando essa distribuição, já que problemas hormonais, como o hipotireoidismo,  são mais comuns em fêmeas, afetando diretamente o desenvolvimento e a saúde geral dos cães.  Alterações no equilíbrio hormonal poderiam, portanto, ser uma explicação plausível para as  diferenças observadas entre os dois anos. 

O primeiro registro de hipertireoidismo foi em 1979, mas estudos recentes apontam um  contínuo crescimento na incidência do hipertireoidismo,conforme a AAPF (2016). Segundo  Miller et al. (2019) o hipertireoidismo em felino é um distúrbio mais comum em gatos de meia  idade e idosos, cerca de 10% dos pacientes felinos com mais de 10 anos. Não há uma  predisposição racial ou sexual para a condição, mas vale citar que o gato Siamês e do Himalaia têm maior risco de desenvolver hipertireoidismo (Miller et al. 2019).

De acordo com os dados levantados neste estudo (Gráfico 6), foram raros os pacientes  caninos diagnosticados com hipertireoidismo, essa doença em cães diferentemente do que  ocorre em gatos, mostra-se bem raro, porém quando ocorre, geralmente são de causas tumorais,  segundo Feldman e Nelson (2008). Segundo Risso et al. (2018) os tumores da tireóide são  neoplasias incomuns em cães, no entanto os carcinomas são mais prevalentes em cães do que  os adenomas e geralmente ocorrem em animais idosos, com idade média de 9 anos, podendo  levar ao distúrbio de hipertireoidismo.  

O hipotireoidismo em felinos é uma condição relativamente rara, quando acometido  geralmente é por forma iatrogênica, ou seja, por medicação, um estudo recente sugere que os  gatos com hipotireoidismo iatrogênico são mais predispostos ao desenvolvimento de azotemia  e apresentaram sobrevida menor (Williams et al. 2010), o que também corrobora com os dados  do gráfico 6. Pode ser causada pela falta crônica de T4 ou T3, produzidos pela glândula tireóide  (Gunn – Moore, 2005; Peterson, 2013). A condição primária pode ser desenvolvida por uma  disfunção na tireóide, secundária a uma deficiência no hormônio TSH e terciária a uma liberação  inadequada de TRH, (Bergen et al. 2016).

Gráfico 6. Avaliação de T4 (2023-2024).

 Fonte: Elaboração própria,2025.

O crescimento na realização de exames laboratoriais reflete a modernização da medicina  veterinária e o aumento da preocupação dos tutores com a saúde animal. Como apontado por Burguer (2010), a saúde animal e a saúde humana estão intimamente interligadas em diversas  formas. 

Por fim, o aumento no número de exames entre 2023 e 2024 evidencia a crescente  valorização da saúde animal. Como apontado por Pfuetzenreiter et al. (2004), a medicina  preventiva é um componente-chave para o bem-estar animal, e os avanços tecnológicos e  diagnósticos são reflexos dessa mudança de paradigma. Segundo Nunes (2003), técnicas  modernas como a quimioluminescência, oferecem sensibilidade e especificidade, aspectos  fundamentais para o monitoramento de disfunções tireoidianas em pequenos animais, além de  excelente custo benefício, especialmente relevante no contexto de animais com suspeita de  hipotireoidismo ou hipertireoidismo, doenças que exigem avaliações hormonais precisas para  diagnóstico e manejo terapêutico adequado. Essa tendência é indicativa da modernização dos  laboratórios veterinários, que buscam adotar tecnologias para melhor atender à saúde animal. 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A crescente demanda por exames de T4 livre em cães e gatos reflete uma maior  conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce de alterações hormonais nesses  animais. A diferença significativa no número de exames realizados entre os anos de 2023 e  2024 demonstra um avanço na adesão às práticas de medicina preventiva veterinária,  especialmente em espécies que apresentam maior susceptibilidade a transtornos metabólicos.  Além disso, é evidente que o uso de tecnologias mais modernas, como a quimiluminescência,  tem se tornado predominante, devido à sua maior precisão e confiabilidade. 

A preferência por exames em fêmeas, observada tanto em cães quanto em gatos, sugere  possíveis diferenças biológicas e hormonais que merecem investigações adicionais. Embora  essas diferenças possam ser parcialmente explicadas pela maior predisposição de fêmeas a  distúrbios endócrinos, é necessário considerar fatores como variações no padrão de busca por  atendimento veterinário entre os tutores. Esse cenário ressalta a importância de campanhas  educativas que promovam a equidade no cuidado de machos e fêmeas, assegurando  diagnósticos precoces e intervenções adequadas. 

O aumento expressivo de exames em cães entre 2023 e 2024 também pode ser visto  como um indicador do avanço nas práticas clínicas veterinárias. Essa evolução reflete melhorias  na infraestrutura dos laboratórios, e também um maior engajamento dos profissionais em recomendar exames específicos para diagnósticos de qualidade. A incorporação de métodos  modernos, aliados à formação continuada dos veterinários, tem sido um fator determinante para  esse progresso. 

A relação entre o crescimento populacional de animais de estimação e a demanda por  exames também merece destaque, de 2022 para 2024, houve um crescimento de (3,33%),  segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Pet Brasil (2024). Em um contexto onde os cães  e gatos são cada vez mais considerados membros da família, o investimento em saúde e bem estar animal tem se tornado prioridade para muitos tutores. Esse fenômeno é refletido no  aumento expressivo de exames realizados, especialmente em espécies que apresentam maior  propensão a alterações hormonais. 

No entanto, é importante considerar os desafios associados à interpretação dos  resultados, além dos resultados de T4 Total outras análises complementares necessitam ser  realizadas antes do diagnóstico de distúrbio tireoidiano, como exames de imagem e dosagens  de TSH e T4 livre. A precisão no diagnóstico depende não apenas da qualidade dos exames,  mas também da experiência e formação do profissional veterinário. Assim, o fortalecimento da  educação continuada e o investimento em pesquisas clínicas devem ser incentivados para  melhorar os desfechos terapêuticos. 

Por fim, é essencial que o setor veterinário continue investindo em infraestrutura e  formação profissional para atender às demandas crescentes. O futuro da saúde animal depende  diretamente da capacidade de adaptar-se às mudanças tecnológicas e às expectativas da  sociedade. Com isso, é possível garantir o bem-estar dos animais e a satisfação dos tutores,  fortalecendo o papel da medicina veterinária como uma ciência indispensável. 

REFERÊNCIAS 

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1Discente do Curso Superior de Medicina Veterinária do Centro Universitário Fametro, Campus Unidade 5 e-mail: babiluniere@gmail.com 

2Docente do Curso Superior de Medicina Veterinária do Centro Universitário Fametro, Campus Unidade 5. Mestre em Biotecnologia Aplicada (PPGMAD/UNIR). e-mail: amandadanin@fametro.edu.br