ASSESSMENT OF PAIN AND ITS HEMODYNAMIC CHANGES IN PRETERM NEWBORNS DURING ASPIRATION: CASE SERIES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202503082042
Fernanda Sthefani Lima Furtado1,
Ana Sarah Fernandes da Costa1,
Caio Luis Costa Paulo1,
Luis Felipe Pantoja Siqueira2,
Axell Lins3
RESUMO
Introdução: Caracteriza-se como pré-termo o recém-nascido antes de 37o semanas de gestação sendo capaz de ocorrer devido uma série de fatores durante a gravidez. Em virtude disso, a necessidade do suporte intensivo submete-os a vários tipos de procedimentos que podem ou não ser dolorosa. A avaliação da dor dos pacientes é uma responsabilidade complexa, pois se torna subjetiva, já que está inapto a falar sobre o que sente. Uma das formas mais utilizadas no Brasil é a Escala de Dor Infantil Neonatal, meio de pontuação onde a principal forma de averiguar é a expressão fácil e choro feito pelo paciente. Objetivo: Analisar o impacto reacional e hemodinâmico do recém-nascido prematuro durante a aspiração de vias aéreas. Metodologia: Trata-se de um estudo prospectivo, não randomizado, longitudinal, analítico, transversal e de coorte, através da avaliação das repercussões clínicas e hemodinâmicas após a aspiração traqueal durante 5 dias. Resultados: Observou-se que a dor moderada aumentou gradualmente a partir do segundo dia, alcançando seu ápice no quarto dia. A dor severa correlacionou-se significativamente com a SpO2 dos pacientes (p <0,05), destacando o impacto após a aspiração.
Palavras-chave: Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Recém-nascido Pré-termo. Avaliação da dor. Aspiração respiratória.
1 INTRODUÇÃO
O Recém-nascido Pré-termo (RNPT) caracteriza-se como aquele que nasce antes das 37o semanas de gestação sendo capaz de ocorrer devido uma series de fatores durante a gravidez como omissão dos cuidados pré-natais, doenças perinatais, doenças crônicas congênitas ou são casos indefinidos. Portanto PRPT são considerados biologicamente vulneráveis de acordo com a semana do nascimento e são classificados em limítrofes (35o – 37o semanas), intermediários (32o – 35o semanas) e extremos (<28o semanas) (Monteiro, 2021; Pantoja et al, 2024).Sendo uma das principais causas de mortes desses indivíduos no mundo (Balesti, 2022).
De acordo com o Fundo das Nações Unidas para Criança (UNICEF) em 2023, globalmente foram 150 milhões de RNPT na última década e calcula-se que 13,4 milhões foram concebidas na prematuridade no ano de 2020 (Brasil, 2023).Em paralelo no mesmo ano na República Federativa do Brasil dados atualizados pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), através do Painel de Monitoramento dos Nascidos Vivos, foram 308.702 prematuros (Brasil, 2024). Em virtude disso o Brasil está em decimo lugar no ranking mundial da prematuridade, onde há uma prevalência da prematuridade na região norte, em relação a outras regiões e até mesmo maior que a média nacional no biênio (Alberton, Rosa e Iser, 2023).
Em decorrência da prematuridade acabam ocorrendo inúmeras complicações por conta da imaturidade dos órgãos e sistemas do recém-nascidos. Essa falta de maturidade desses sistemas coloca esses RN’s diante de desafios durante seu desenvolvimento e no bem-estar dos mesmos. Dentro dessas complicações encontram-se as de ordem respiratória, tais como a Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR), também podendo ocorrer complicações de natureza cardíaca, incluindo a Persistência do Canal Arterial (PCA), além de problemas digestivos como Refluxo gastresofágico e enterocolite necrosante, frequentemente observados em recém-nascidos prematuros. Todas essas condições podem resultar em atrasos no desenvolvimento neurológico do RNPT, aumentando a probabilidade de distúrbios neurológicos e dificuldades de aprendizagem. A imaturidade do sistema imunológico também deixa esses bebês vulneráveis a infecções (De Lima, 2024).
A dor é uma capacidade sensorial repulsiva que acontece em diferentes graus podendo ou não ter danos teciduais resultando na diversidade de sinais neurais processados pelo cérebro. Porém na década de 80 era propagado que os RN’s não eram capazes de perceber essa sensação por conta dos seu sistema não ser desenvolvido, contudo com o avanço da medicina foi constatado que, o sistema nociceptivo é elaborado em etapas com a finalização da construção da ligação entre o córtex e o tálamo na 24o semana de gestação e a mielinização na 37o semana e então a percepção de dor formada, sendo o momento no qual o neonato será capaz de localizar e ter reações para escapar da dor. Contudo, no RNPT enfrentam maior sensibilidade á dor devido a imaturidade das vias medulares descentes inibitórias (Da Silva, 2021).
A mielina é um componente essencial do sistema nervoso, amplamente reconhecida por promover a condução saltatória nas fibras axonais e acelerar a transmissão dos impulsos elétricos (Cristobal e Lee, 2022).No circuito da dor, as bainhas de mielina desempenham um papel vital ao atuar como isolantes elétricos, promovendo uma comunicação rápida entre os neurônios e intensificando a transmissão dos sinais do Sistema Nervoso Periférico (SNP) para o Sistema Nervoso Central (SNC). Os nociceptores são neurônios sensoriais que iniciam sua atividade no quinto mês de gestação e estão distribuídos por todo o corpo, são responsáveis pela transmissão dos sinais de dor. Eles utilizam axônios que se desenvolvem quase no final da gravidez e são ativados por estímulos térmicos, mecânicos ou químicos, gerando uma resposta motora que é transmitida por sinapses através das fibras nervosas sensitivas até o córtex cerebral. O cérebro processa esses estímulos dolorosos por meio de quatro vias principais: espinotalâmica, espinorreticular, espinocervicotalâmica e pós-sináptica da coluna. Dessa forma, o sistema nervoso possui a capacidade funcional e anatômica para reconhecer e interpretar a dor (Cristobal e Lee, 2022; Sanarmed, 2020).
O processo que culmina na percepção da dor começa pelo sistema de transmissão com a transdução, onde nociceptores encontrados em diversas regiões do corpo são ativados por estímulos nocivos que desencadeiam uma resposta elétrica gerando potencias de ação que na fase de transmissão saem por axônios nociceptores aferente primários, na qual a medula espinal funciona como a entrada para os sinais de dor vindos dos tecidos periféricos. Os impulsos elétricos gerados pelos nociceptores são transmitidos pelas fibras Aδ e C que chegam à medula espinal, que em seguida provoca a liberação de neurotransmissores na sinapse, promovendo a comunicação entre os neurônios. Essa complexa interação envolve uma variedade de substâncias, tanto excitatórias quanto inibitórias, que atuam sobre receptores específicos localizados no corno posterior da medula. A modulação da dor é resultado do equilíbrio entre esses neurotransmissores, provenientes tanto das fibras aferentes primárias quanto de interneurônios e vias descendentes. Assim, a percepção da dor que é um mecanismo evolutivo que permite ao organismo se adaptar a diferentes situações, especialmente durante a resposta de luta ou fuga, direciona recursos para a sobrevivência e suprimir a dor. Contudo, a percepção da dor é influenciada por fatores psicológicos, sociais e culturais, tornando sua modulação um fenômeno complexo (Sanarmed, 2020).
A Unidade de Terapia Intensiva neonatal (UTIN) é um ambiente causador de estresse, onde todos os fatores que ocorrem nela contribuem para alteração da homeostase do RN. Os fatores que se destacam são, a quantidade de manipulações e que por sua vez em sua maioria são dolorosas ou estressantes para os recém-nascidos, a realização de procedimentos invasivos como intubação, coleta de sangue, inserção de cateteres venosas, entre vários outros procedimentos. Estudos apontam que esses procedimentos dolorosos variam entre 7,5 e 17,3 procedimentos por dia (Rocha, 2021; Jin et al, 2024).
Consequentemente, estímulos dolorosos durante o período neonatal podem contribuir para alterações na sensibilidade à dor, resultando em modificações no desenvolvimento cerebral. Por serem submetidos a esses estímulos durante o período em que há seu maior desenvolvimento cerebral, que é quando ocorre “o estabelecimento e a diferenciação neuronal, estratificação dos neurônios corticais, elaboração de dentritos e axônios, formação de sinapse, “poda” seletiva dos processos neuronais, e a proliferação e diferenciação das células da glia, o RN pode vir a ter uma série de complicações em seu desenvolvimento. Além disso, a dor neonatal pode ocasionar inúmeras alterações no desenvolvimento do RN, dentre elas a hiperalgesia, alterações na aprendizagem e cognição, déficit de atenção, desordens de ansiedade, modificações na memória e função motora (Pereira, 2022).
Portanto, a analgesia torna-se essencial para reduzir ao mínimo o estímulo doloroso em recém-nascidos. Sem analgesia ou sedação, procedimentos podem resultar na liberação de hormônios que imobilizam substratos e promovem o catabolismo, elevando os níveis de adrenalina, corticoides, aldosterona e glucagon. Essas alterações metabólicas podem causar hipermetabolismo, hiperglicemia e acidose láctica, levando à perda de peso e prolongamento da hospitalização, portanto é fundamental compreender a fisiologia da dor e suas etapas, transdução, transmissão, modulação e percepção. Com esse conhecimento, o profissional pode manejar, avaliar e tratar o recém-nascido de maneira mais eficaz, minimizando ou até mesmo eliminando os impactos negativos da dor (Pereira, 2022).
É importante que haja uma vigilância rigorosa neste setor. O manejo farmacológico é um processo que deve ser realizado de maneira interpessoal, sendo o médico responsável pela escolha do fármaco com o suporte da farmácia clínica. Este apoio sendo crucial devido á metabolização, vias de excreção e potenciais efeitos que podem ser desconhecidos e a equipe de enfermagem complementa esse suporte ao realizar a administração dos medicamentos. Entre os fármacos utilizados, existem estudos levantam ressalvas quanto ao uso de dipirona no período neonatal, devido a fatal de estudos que excluam riscos associados, nesse contexto, o analgésico não opioides mais recomendado é o paracetamol. O fentanil é bastante difundido por ter baixo índice de efeitos adversos, sendo um dos principais fármacos escolhidos, em seguida o midazolam utilizado em pequenas doses durante procedimentos de curta duração, onde estudos apontam sua escolha como sedativo, mas alertam para o aumento de eventos neurológicos aos 28 dias de vida (Moura e Souza, 2021).
Outra forma de amenizar a dor dos neonatos são os métodos não farmacológicos, que utilizam estratégias associadas a um ou mais sentidos como visão, audição, olfato, tato e paladar, visando reduzir a dor durante procedimentos doloroso realizados nos RN’s. dentro desses sentidos se utiliza a sucção não nutritiva com e sem a sacarose, o enrolamento/Método canguru, a musicoterapia e a estimulação multissensorial, esses são exemplos de medidas não farmacológicas, que possivelmente exercem um efeito modulador da dor nesses neonatos através da ativação da atenção deles, os distraindo da dor e dessa forma modificando a percepção das mesmas (Pereira et al, 2022).
Logo as escalas multidimensionais são capazes de avaliar com maior precisão o nível de dor do RN, e a Escala de Avaliação da Dor Neonatal (Neonatal Infant Pain Scale – NIPS) tem sido muito utilizada para realizar uma avaliação quantitativa no RNPT e a termo (Macedo e Muller, 2021). Há uma grande listagem de avaliações que podem ser realizadas pelos profissionais de saúde e apenas necessita que a unidade responsável escolha a que mais encaixa com o perfil dos pacientes. Apesar de não ser o padrão utilizado, a NIPS tem uma grande importância, através dela pode-se obter o conhecimento do desconforto sentido pelo RN e assim iniciar o cuidado para com ele.
No Brasil, a NIPS se destaca como ferramenta crucial para avaliação da dor em recém-nascidos e lactantes, desenvolvida no ano de 1993 no Hospital Infantil do Leste de Ontário no Canadá. a NIPS fornece uma metodologia abrangente para mensurar a experiencia de dolorosa nesses pacientes frágeis. A escala se baseia na observação de componentes fisiológicos e comportamentais: expressão fácil, choro, estado de vigília ou sono, movimentação de braços e pernas e respiração. Os indicadores recebem pontuação de 0 a 2, com a 0 representando a ausência, obtém 1 com a presença de choro, expressão facial, respiração, movimentos dos brações e das pernas e o estado de alerta e 2 indicando o choro vigoroso. A pontuação total, que varia de 0 a 10, oferece uma avaliação global do bebê. Sendo assim, aplicação da escala é absolutamente essencial e pode servir como referência durante a transição de turnos para toda a equipe, sendo, portanto, fundamental para registrar a avaliação da dor, acompanhar a evolução do paciente e ajustar o tratamento, se necessário (De Sousa, 2021).
Portanto, este estudo tem por finalidade ampliar o nível de informação neste campo, objetivando proporcionar uma compreensão mais profunda para profissionais assistências e gestores deste tipo de setor, através de uma escala qualificada busca-se a esclarecer a dor dos neonatos pré-termos, com o propósito de aprimorar a qualidade do atendimento, evidenciar os malefícios que a dor pode causar e os efeitos curto prazo. Bem como analisar hemodinamicamente o efeito da higienização das vias áreas investigando as alterações durante e após esse procedimento. Dessa forma, a presente pesquisa visou analisar o impacto reacional e hemodinâmico do recém-nascido prematuro durante a aspiração.
2 METODOLOGIA
Trata-se de um estudo prospectivo, não randomizado, longitudinal, analítico, transversal e coorte, através da avaliação das repercussões clínicas das abordagens feitas dentro da UTIN pelos profissionais. A pesquisa foi realizada nas UTI’s neonatal do Hospital Regional Dr. Aberlado Santos (HRAS) na cidade de Belém do Pará, Brasil.
A pesquisa segui as normas de pesquisa com seres humanos do CNS 466/12, sendo submetido e aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa com seres humanos (CEP) da Universidade da Amazônia – Belém pelo parecer de número 6.681.416/2024. Os responsáveis legais pelos pacientes foram convidados a participarem do estudo através da apresentação dos pesquisadores responsáveis pela leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), onde aqueles que aceitaram tiveram que dar ciência através da assinatura do documento.
Foram selecionados 12 RN’s que estiveram internados no setor e apresentaram necessidade de aspiração de vias aéreas. Como critérios de inclusão, foram eleitos pacientes em ventilação mecânica invasiva, clinicamente estáveis, estando sob efeito ou não de sedativos e que estivessem reativos ao manuseio. Foram excluídos da pesquisa pacientes que estiveram sob sedação que inibissem os reflexos de reação durante o procedimento e aqueles que fossem extubados durante o processo de aplicação do estudo.
Foi realizado 1 avaliação diária por 5 dias em cada paciente internado nos setores durante o procedimento de aspiração, respeitando um intervalado de 10 a 15 minutos após qualquer manuseio dos profissionais, através da escala NIPS, bem como os sinais vitais antes e após a abordagem incluindo Frequência cardíaca (FC), Frequência Respiratória (FR) e a Saturação Periférica de Oxigênio (SpO2).
Os dados descritivos foram incluídos em planilhas do aplicativo Microsoft Excel Office 2010 (Windows), com análise da média (IQR) para os perfis conceituais da avaliação de acordo com o grupo de dados da escala. Foi aplicado o teste exato de Fisher para determinação da probabilidade exata da ocorrência dos conceitos específicos pela NIPS a partir dos valores encontrados. Para comparação dos grupos divididos a partir do padrão de dor encontrado nas amostras, foi utilizado o teste de Kruskal-Wallis. O teste de Wilcoxon foi utilizado para comparação das amostras pareadas a partir da diferença das medidas de sinais vitais.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Diante da análise dos dados exposta na Tabela 1, podemos observar como se distribuiu a classificação da dor ao longo dos cinco dias (D1 a D5) para um grupo de 12 neonatos hospitalizados na UTIN, sendo avaliados pela escala NIPS. Cada célula da tabela indica tanto o número absoluto (N) quanto a proporção percentual (%) de RN’s em cada categoria de dor (ausência de dor leve ou dor leve, dor modera, dor severa) em cada dia de avaliação. A categoria 1, corresponde a ausência de dor ou dor leve, onde apresentou variações moderadas ao longo dos cinco dias, com percentuais oscilando entre 17% e 33%. Por outro lado, a categoria 2, associada a dor moderada, revela um aumento progressivo a partir do segundo dia, alcançando 42% nesse período, seguindo por uma ligeira redução no terceiro dia para 33% e atingindo 58% no quarto dia, sendo que a dor moderada foi a mais encontrada em todos os dias de avaliação. Enquanto na categoria 3, que indica a dor severa demonstra uma distribuição variável durante os dias avaliados, com os indicies flutuando entre 25% e 33%, destacando o primeiro dia como o momento de maior prevalência dessa intensidade dolorosa.
Tabela 1- Classificação de dor ao longo do tempo.

Tabela 2- Descrição dos casos de acordo com a dor após a intervenção

A avaliação dos 12 RN’s durante os 5 dias consecutivos foi transcrita também com os seus sinais vitais (FC, FR, SPO2, TEMP), a fim de quantificar em números as alterações hemodinâmicas que eles podem sofrer causadas pela dor após a intervenção da aspiração.
A dor dos pacientes apresentados na amostra demostrada em categorias (1-sem dor ou dor leve, 2-dor moderada e 3-dor severa), apresentou uma distribuição equitativa com 4 pacientes em cada grupo, onde a dor foi significativamente repercutida na saturação periférica de oxigênio desses pacientes, com maior alteração no terceiro dia (Pvalue² < 0,04), ressaltando esse valor aos demais, tornado ele estatisticamente significante para a pesquisa.

Figura1- Descrição da mudança de status de dor ao longo dos Dias.
Ao analisar o gráfico, nota-se que no primeiro dia a dor severa (3) foi predominante entre os RN’s, é evidenciado a prevalência significativa durante o período avaliado. Esta intensidade apresentou oscilações durante os dias seguintes, porém se manteve em níveis baixos. Por outro lado, a dor moderada (2) mostrou aumento gradual a partir do segundo dia e atingindo o seu pico no quarto dia, após uma leve redução observada no terceiro dia. Por fim, a ausência ou dor leve (1) também oscilou ao logo dos cinco dias, exibindo flutuações notáveis. Especialmente no terceiro dia todas as categorias de dor (leve, moderado e severa) estiveram igualmente representadas no gráfico.

Na tabela 3 estão dispostos os valores coletados antes e após a avaliação dos RN’s, do dia 1 (D1) ao dia 5 (D5), onde nota-se que ao terceiro dia (D3) de avaliação, encontra-se o valor de (p= 0.045), que é um valor significante para a pesquisa já que corrobora a repercussão que esse método invasivo vem a causar nos pacientes. Pode-se entender então que há alterações hemodinâmicas encontradas após a aspiração desses recém-nascidos, influenciando principalmente onde se encontrou o valor menor que p= < 0,05 que é na saturação desses pacientes, o que atesta os impactos causados pela aspiração dessas vias aéreas.
O estudo buscou quantificar a dor que os RN’s podem sentir durante a aspiração brônquica, levando em consideração as alterações hemodinâmicas que esse manejo pode causar neles. Não foi possível fazer a coleta da Pressão Arterial Sistólica (PAS) e Pressão Arterial Diastólica (PAD), pois poderíamos atrapalhar o trabalho da equipe de plantão, assim como boa parte dos pacientes estavam em manuseio restrito. Durante nossa pesquisa foi identificado fatores ao qual levaram ao parto prematuro como a prevalência de falta de instrução e conhecimento entre as mães que vinham de situações de vulnerabilidade, onde se constatou um acompanhamento pré-natal ausente ou pouco eficaz, condições de parto, localidade onde reside, moradia, ambiente familiar ou baixo acesso a políticas de saúde, entre outros fatores. Nesses casos os bebês não atingem os 6 meses de vida, sendo um fator evidenciado em outros estudos realizados na região Norte do país (Pantoja et al, 2024).
A imaturidade fisiológica por conta da prematuridade ocasiona a necessidade de internação na UTIN, levando o RNPT a ser classificado como recém-nascido de risco, o que o leva a ter um acompanhamento diferente.2 O parto antes do tempo leva a um aumento na mortalidade e morbidade neonatal, o que também segundo pesquisas pode ocorrer a perda do desenvolvimento completo de sistemas e órgãos gerando assim sequelas de curto e longo prazo que podem impactar de forma direta o RNPT, interferindo na sua qualidade de vida e consequentemente dos familiares (Monteiro, 2021; Pantoja et al, 2024).
Com base nas avaliações que conduzimos, segundo os dados estatísticos, observou-se uma prevalência de dor moderada entre os RN’s, tendo o seu pico ao dia 4 (D4), onde 7 dos 12 avaliados obtiveram a pontuação na escala NIPS correspondente a essa categoria de dor. Esse resultado encontrado corrobora com um estudo anterior onde o procedimento de aspiração de vias aéreas foi classificado como causador de dor leve a moderada (Rocha et al, 2021; Luo et al, 2023). Também, foi destacado a importância, especialmente em casos de dor intensa o uso de analgésicos sedativos ou até mesmo anestesias locais, porém com o uso cauteloso devido a imaturidade do metabolismo, bem como o uso de soluções não farmacológicas antes dos procedimentos como medidas básicas de tranquilização, podendo ser usadas em qualquer grau (Luo et al, 2023).
Endossamos com a pesquisa sobre confiabilidade da escala NIPS, sendo uma escala padrão ouro, onde concluísse que a aspiração é um procedimento diário e de acordo com seus levantamentos de dados, causa uma dor moderada, variando com o tipo de estímulo que ele pode ter durante a aspiração (sem intervenção, com toque suave, uso da sacarose) (Oliveira et al, 2022). Compreendendo nível de dor dos procedimentos realizados nos RN’s os profissionais poderão se adequar um manejo, visando reduzir ou eliminar a dor durante esses métodos invasivos.
Outra pesquisa chegou à conclusão de que essa dor tem alterações significativas para a SpO2 de crianças internadas em estado grave na UTI, concordando com nossos dados, onde a saturação é o sinal vital que mais sofre mudanças, de acordo com nossa pesquisa a dor severa aumenta o nível de alteração na saturação (Luo et al, 2023; Misirlioglu et al, 2021).
Existem fatores intrínsecos e extrínsecos que levam o RNPT para UTIN a ser entubado e a principal causa é a imaturidade de órgãos vitais sobretudo o sistema respiratório e cardíaco (Pantoja et al, 2024; Fabro et al, 2022). A imaturidade do centro respiratório pode ocasionar uma série de problemas, bem como a SDR sendo capaz de levá-los a muitas outras complicações, ocasionando também um atraso no seu desenvolvimento neurológico (De Lima, 2024).
Durante seu período de internação nas UTIN’s, esses pacientes são submetidos a uma variedade de procedimentos, abrangendo desde coleta sanguínea, ventilação mecânica invasiva e não invasiva, troca de fraudas, entre outras. Essas variações de procedimentos causam estímulos dolorosos que podem provocar repercussões hemodinâmicas neles (Macedo e Muller, 2021). Dentro desse contexto, em um estudo realizado os procedimentos mais frequentes foram a lancetagem de calcâneo e a aspiração de vias aéreas, sendo que a aspiração é um manejo de rotina e ambos que métodos invasivos aos quais são considerados causadores de dor que pode chegar a uma intensidade moderada (Pantoja et al, 2024) sendo que o procedimento mais doloroso durante seu tempo de internação e o cateterismo arterial (Macedo e Muller, 2021; Gimenez et al, 2020).
4 CONCLUSÃO
Portanto, conclui-se que a aspiração traqueal é uma medida que apesar de ser voltada para os cuidados, apresenta um potencial doloroso evidente. Sendo na amostra estudada o nível doloroso moderado o mais prevalente. Valendo ressaltar que apesar esse dado pode ser influenciado diretamente pelo uso de analgésicos e sedativos, porém esses dados não apresentaram relevância estatística direta que pudesse ter afetado os resultados do estudo.
Sugerimos maior explanação do tema em pesquisas futuras a fim de viabilizar formas de diminuir esse quadro para que o processo de internação do recém-nascido seja menos traumático para ele e para os familiares que o acompanham.
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1Fisioterapeuta pela Universidade da Amazônia e-mail: nome@provedor.com.br
2Discente do Curso Superior de Fisioterapia da Universidade da Amazônia Campus Gentil e-mail: nome@provedor.com.br
3Docente do Curso Superior de Bacharelado em Fisioterapia da Universidade da Amazônia Campus Gentil. Especialista em Terapia Intensiva e mestre em Farmacologia e Bioquímica. e-mail: axell.ti20@gmail.com