AVALIAÇÃO DA AUTOPERCEPÇÃO DA SAÚDE BUCAL EM IDOSOS DO LAR LEAL

EVALUATION OF SELF-PERCEIVED ORAL HEALTH IN THE ELDERLY AT THE LEAL HOME

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202503261554


Sandilla Tawany Gomes Teixeira Lima,
Jeane Cléia Da Silva Jatobá,
Orientador: Prof. Me Caren Batista


RESUMO

A população idosa merece cada vez mais atenção, principalmente relacionada à saúde, com as desigualdades sociais e demográficas, esses idosos tendem a não se interessar por sua saúde bucal, declinando a outras coisas como moradia, trabalho, entre outros fatores determinantes. Neste estudo, será disponibilizado um questionário com perguntas referentes a como a amostra está se sentindo em relação a saúde bucal, tendo resposta de 0 a 9, onde elas conseguirão se expressar. Esse questionário será retirado do Projeto SB Brasil, que é um estudo sobre as condições de saúde bucal da população brasileira, é realizado no âmbito Política Nacional de Saúde Bucal (PNSB), mais conhecida como Brasil Sorridente. Esse estudo será feito com uma quantidade x de idosos de 60 anos ou mais, que residem em um lar para idosos, eles, deixados por família ou adotados pela instituição, a fim que tenham uma boa qualidade de vida. Com isso conseguiremos fazer a comparação e estatísticas, abordando o comportamento, saúde mental, alimentação e estilo de vida dessas pessoas. A avaliação da autopercepção busca identificar fatores de risco, como doença periodontal, abscesso, próteses faltantes ou mal adaptadas, como eles enxergam e se autoavaliam, sabendo disso, poderemos entrar com a equipe complementar, encaminhando essa parcela a respectivos tratamentos, tanto psicológicos quanto bucais e generalistas.

Palavras-Chave: Saúde bucal. Autopercepção. Saúde idosos. Autoavaliação.

ABSTRACT

The elderly population deserves more and more attention, especially when it comes to health. With social and demographic inequalities, these elderly people tend not to take an interest in their oral health, giving up on other things such as housing, work and other determining factors. In this study, a questionnaire will be made available with questions about how the sample is feeling in relation to oral health, with answers ranging from 0 to 9, where they will be able to express themselves. This questionnaire will be taken from the SB Brasil Project, which is a study of the oral health conditions of the Brazilian population, carried out under the National Oral Health Policy (PNSB), better known as Smiling Brazil. This study will be carried out with a number of elderly people aged 60 or over, who live in a home for the elderly, either left by their families or adopted by the institution, so that they have a good quality of life. With this we will be able to make comparisons and statistics, addressing the behavior, mental health, diet and lifestyle of these people. The self-perception assessment seeks to identify risk factors, such as periodontal disease, abscesses, missing or poorly adapted prostheses, how they see and self-assess themselves, knowing this, we will be able to enter with the complementary team, referring this portion to respective treatments, both psychological and oral and general.

Keywords: Oral health. Self-perception. Elderly health. Self-assessment

1. INTRODUÇÃO

Na legislação brasileira considera-se idosas aquelas pessoas que atingiram 60 anos ou mais de idade. A população vem envelhecendo em um processo rápido e intenso. Tudo isso tem trazido uma importante conquista, pois houve ampliações em quesito a melhoria de vida, ampliação em acesso a saúde e serviços médicos, tanto preventivos quanto curativos, aumento de cobertura de saneamento básico, entre outros fatores determinantes (MINISTÉRIO DA SAÚDE 2022).

Porém, com o crescimento dessa população idosa, a transição trouxe peculiaridades, demonstrando grandes desigualdades sociais, demográfica e epidemiológica no país (MARCENES et al., 2003). 

A população idosa exige cada vez mais atenção em todos os sentidos, em especial na área da saúde, proporcionando a estas pessoas qualidade de vida. Desta forma, a odontologia desempenha papel fundamental, pois, a manutenção da saúde bucal é essencial para uma boa alimentação e nutrição destes sujeitos (MARCENES et al., 2003). Idosos com perda de todos os elementos dentais são os  que  mais  apresentam dificuldades para se alimentar, principalmente quando a prótese  total  utilizada  não  apresenta  boas  condições, optando por uma alimentação macia e fácil de mastigar, a  qual  apresenta  geralmente  baixo  teor  nutricional (MARTINS, BARRETO, PORDEUS, 2008).

O envelhecimento é vivido de maneira diferente de indivíduo para indivíduo, por gerações e pelas sociedades (BULGARELLI et, al. 2008). Esse processo é entendido como biológico, socioeconômico e psicossocial, além disso, é contínuo, não se iniciando em nenhuma idade ou momento particular (CORMACK et, al. 2015). A boca desdentada, então, no processo de envelhecimento, adquire significados que são interdependentes de fatores, desde os históricos até os fisiológicos (PIUVEZAM et, al. 2006 e MARTINS et, al. 2010).

Existe a necessidade de alertar a população usuária de prótese a importância da higienização das mesmas bem como, na manutenção das peças protéticas em bom estado de conservação (MOIMAZ et al., 2004, HENRIQUES et al., 2007).

A ausência de higiene das próteses e dos dentes remanescentes é muito importante na prevenção de cárie dentária, doença periodontal como também de candidíase (SILVA PARALHOS, 2006).

A auto percepção de saúde bucal é a forma como a pessoa percebe sua condição de saúde e constitui um julgamento baseado em conhecimentos adquiridos ao longo da vida, influência dos pelas experiências, fatores sociais, culturais, contextuais e pela concepção individual do que é ser saudável (GILBERT et, al. 1994). Tal percepção também pode ser considerada um indicador subjetivo da condição de saúde bucal, que está fortemente associado ao padrão de procura pelos serviços odontológicos 9,20 (Schutzhold et al. 2014). Essa afirmação corrobora com os resultados de outros estudos 7,14,21, que evidenciaram a ausência de necessidade percebida como um dos principais motivos de não procura por atendimento de saúde.

No Brasil a assistência pública odontológica a idosos precisa ser incrementada, e a identificação da auto percepção de sua condição bucal pode ser o primeiro passo para a elaboração de programas que incluam ações educativas voltadas para o autocuidado, além de ações preventivas e reabilitadoras (SILVA SRC, FERNANDES RAC et.al 2001).

Assim, faz-se necessário avaliar os níveis de auto percepção desse público acerca da sua saúde bucal, para que sejam adotadas medidas de educação e promoção de saúde eficazes (FRACASSO et, al. 2018), (ROSENDO et, al.2017).

Os indicadores epidemiológicos são, portanto, limitados, no que diz respeito à avaliação do impacto das doenças na vida dos indivíduos e o quanto elas afetam a sua capacidade de desempenhar suas atividades (COSTA, LINS et, al. 2019).

Para tanto, o Ministério da Saúde realizou o quarto levantamento epidemiológico em saúde bucal, denominado Pesquisa Nacional de Saúde Bucal – SB Brasil 2010, que foi considerado o maior e mais complexo levantamento já realizado nessa área, ampliando a disponibilidade de informações epidemiológicas em saúde bucal (MINISTÉRIO DA SAÚDE 2011).

Foram incluídos na pesquisa os idosos (com 60 anos ou mais) que estavam presentes na ocasião da aplicação dos questionários e das avaliações clínicas e que aceitaram participar da pesquisa. Foram excluídos os idosos em processo de cuidados paliativos e/ou considerados desorientados e agressivos no momento da realização da pesquisa (MENDES et, al 2020).

O objetivo do presente estudo será identificar a auto percepção sobre saúde bucal, e sua importância na vida desses idosos, trazendo visibilidade a esse Lar de idosos e dando auxílio e suporte para que esses idosos tenham uma real qualidade de vida, voltando assim a se nutrir e a não sentirem mais dores e nem se importarem com estética de seus dentes (DALAZEN, BOMFIM, DE-CARLI et, al 2016).

Dessa forma, o objetivo desse estudo foi identificar fatores individuais e contextuais associados à auto percepção da necessidade de tratamento odontológico e de necessidade de prótese total entre idosos brasileiros que participaram do SB Brasil 2010 (DALAZEN, BOMFIM, DE-CARLI et, al 2016).

2. REFERENCIAL TEÓRICO

A auto avaliação da saúde bucal é uma variável multidimensional que reflete a experiência subjetiva dos indivíduos sobre o seu bem-estar funcional, social e psicológico.

A complexidade dos fatores que influenciam esse julgamento tem sido evidenciada em diversos estudos. Os fatores associados à auto-avaliação da saúde bucal podem ser relativos ao ambiente externo e ao indivíduo. O ambiente externo refere-se ao local de residência do indivíduo e ao sistema de atenção à saúde disponível, que pode ou não ofertar serviços odontológicos gratuitos que facilitem o acesso aos cuidados odontológicos. No nível individual, a auto-avaliação é influenciada por fatores direta ou indiretamente relacionados à saúde. Entre esses estão as características demográficas, como a idade, o sexo, a raça e fatores de predisposição, como escolaridade e acesso a informações sobre cuidados preventivos, que podem influenciar na predisposição para o uso de serviços odontológicos e consequentemente na auto avaliação da saúde bucal. Também faz parte do nível individual a disponibilidade de recursos, incluindo renda pessoal e familiar, assim como a adesão a um plano de saúde que pode facilitar o acesso à atenção odontológica (Santos et,al 2000).

Na contemporaneidade, o tema do envelhecimento assume uma das mais destacadas presenças nas preocupações intelectuais e políticas das sociedades capitalistas, não só por constituir um fenômeno demográfico, mas também por ser uma questão econômica, social, política, cultural e ética que põe em xeque a qualidade de seu compromisso com os direitos humanos. Isso porque se, de um lado, o envelhecimento humano e populacional representa um avanço espetacular da medicina e da saúde pública, aliado a uma nova cultura de respeito às diferenças, assegurada por direitos e políticas públicas, por outro lado, esse avanço é encarado como um estorvo ao crescimento econômico. Em vista disso, o tema do envelhecimento, no sistema capitalista recente, encerra um paradoxo cujas lógicas contrapostas, – do lucro e das necessidades humanas – inerentes ao sistema, precisam ser problematizadas (Santos et, al 2000).

No Brasil, a saúde bucal da população idosa é precária. Não há dúvida de que a assistência pública odontológica precisa ser expandida e incrementada, especialmente entre os mais velhos. Conhecer como os idosos autoavaliam sua saúde bucal e os fatores que influenciam esta autoavaliação contribui para orientar mudanças nas políticas de saúde pública e assistencial na área, que necessitam incorporar tanto ações educativas de autocuidado quanto ações preventivas e reabilitadoras (Santos et, al 2016).

O envelhecimento da população brasileira já é uma realidade, no entanto o fato de mais pessoas chegarem à terceira idade não implica melhoras nas condições de saúde. Nos países em desenvolvimento como o Brasil, o processo de envelhecimento traz consigo, além do aumento das doenças crônicas, problemas, como a desnutrição e doenças infecciosas, representando grandes gastos à saúde (MS).

No que diz respeito ao estado nutricional, a saúde bucal representa um fator importante, sobretudo para a promoção de saúde em idosos. A baixa capacidade mastigatória pode representar um fator que afeta a saúde geral do indivíduo (Ferreira et al. 2024).

Os problemas de saúde bucal associados com o envelhecimento são: cárie dental, doenças periodontais, desgaste dental e câncer de boca. Três destes representam problemas de saúde pública: cárie dental, doenças periodontais e câncer de boca (Queiroz et al. 2000).

De acordo com (Chalmers et, al. 2003), as doenças bucais podem afetar a vida dos idosos de inúmeras maneiras: na sua saúde geral, na saúde bucal, na participação social e nas habilidades de comunicação. A saída para manter o status de saúde dos idosos é investir em programas de promoção que não envolvam somente a saúde bucal mas que também se considerem as condições sistêmicas.

Dessa forma, fala-se nos discursos atuais sobre o binômio saúde-doença, a prática da prevenção, no sentido de promover saúde. Com a Gerontologia/Geriatria, não há como ser diferente, pois não importa qual a idade cronológica dos indivíduos; a prevenção sempre será o melhor caminho.

É claramente evidenciado na literatura que as perdas dentárias causam alterações físicas na face. Por exemplo, pode-se observar depressão da comissura labial e da base do nariz, perda do tônus muscular, redução da altura vertical do terço inferior da face e aprofundamento das linhas de expressão, além do aparecimento de uma vasta gama de reações psicológicas, que   incluem   sensação   de   luto, perda   de autoconfiança, preocupação com a aparência e autoimagem. (Goursand et, al. 2014)

A perda de um dente está associada com impactos estéticos, funcionais, psicológicos e sociais, além de ser considerado um sério problema de saúde pública, já que atinge diretamente  a  autoestima (Okoje et, al. 2012), (Goursand et, al. 2014) (Agostinho et, al. 2015). Considerando a ausência  ou  rara  existência  de  programas  odontológicos  voltados  para idosos, a  Odontologia  necessita  de uma  prática  de  atendimento para  esse  grupo populacional,  seja  preventiva seja curativa, com uma visão acurada  sobre  o  que  é  ser idoso, e sobre o envelhecimento geral. 

3. MATERIAIS E MÉTODOS

Esta pesquisa, de natureza quantitativa, será realizada no Lar Espírita André Luiz Leal no município de Porto Velho, Rondônia, utilizando o questionário da plataforma SBBrasil 2010, relacionados a idosos alfabetizados, semi alfabetizados e analfabetos, tratando sobre a autopercepção da saúde bucal no público alvo. Essa pesquisa será realizada após a aprovação do Comitê de Ética em forma de Pesquisa do Centro Universitário São Lucas Afya.

A realização dessa pesquisa somente será contemplada após o público alvo ou o responsável, tenha em mãos o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), para que possam assinar e nos autorizar a realizar a pesquisa. Após a assinatura do termo (TCLE) será disponibilizado o questionário para a amostra. Os critérios para a inclusão do público alvo serão: apresentar o Termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) assinado, aceitado por livre e espontânea vontade participar da pesquisa; ter entre 70 e 95 anos de idade. O questionário retirado da plataforma SBBrasil será estruturado com 12 perguntas, utilizando 0-não, 1-sim, 2-satisfeito, 3-nem satisfeito nem insatisfeito, 4-insatisfeito, 5-muito insatisfeito; 9-não sabe/não respondeu.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

No Brasil, a condição de saúde bucal da população idosa é precária (MARTIN et.al, 2007). Não há dúvidas de que a assistência odontológica precisa ser ampliada e aprimorada, sobretudo entre os mais velhos. Compreender a forma como os idosos autoavaliam sua saúde bucal e os fatores que influenciam essa autoavaliação é importante para orientar mudanças nas políticas de saúde pública e assistencial na área, que devem incluir tanto ações educativas de autocuidado quanto medidas preventivas e recuperativas (SILVA et al. 2001) 

A maioria das pessoas não percebe as suas necessidades de saúde bucal, o que leva a uma maior procura por serviços odontológicos (ERCKMANN et al., 2017)

Nessa pesquisa participaram um total de 59 idosos de 54 anos há 95 anos, calculando uma média de 72 anos, de ambos os gêneros do Lar Espírita da 3ª Idade André Luiz Leal de Porto Velho RO. Os resultados obtidos através do questionário (FIGURA 1) 80% foram do gênero masculino e apenas 20% foram do gênero feminino.

Gráfico 1 – Distribuição relativa segundo o gênero dos idosos do Lar Espírita André Luiz Leal de Porto Velho.

Em relação ao Quadro 1 onde mostra a análise do questionário de autoavaliação sobre os índices de satisfação em relação a saúde bucal dos idosos. A pesquisa nos indica que os idosos que se dizem insatisfeitos com sua saúde bucal são 35,59%, já os que se dizem satisfeitos com sua saúde bucal é um quantitativo de 30,51%. Os que não se sentem nem satisfeitos nem insatisfeitos com sua saúde bucal são de 15,25%, apenas 6,78% estão muito satisfeitos com sua saúde bucal, também 6,78% estão muito insatisfeitos com a saúde bucal e apenas 5,08% não responderam ao questionário.

Enquanto o cirurgião dentista analisa as doenças bucais, o indivíduo prioriza a estética e função. A autopercepção em saúde bucal deve ser compreendida pelos cirurgiões dentistas, pois ela é um importante indicador da presença de problemas odontológicos e alterações na qualidade de vida. Também é importante para o planejamento dos tratamentos odontológicos por sinalizar essa alteração na qualidade de vida dos indivíduos (SANTOS et al., 2016).

Em relação aos impactos da condição bucal sobre o dia a dia dos idosos, a maioria relatou necessidade em usar prótese total ou fazer a troca da mesma (67,80%), não tem dificuldade para se alimentar ou sensibilidade e dor de líquidos quentes ou frios (59,32%), os dentes não incomodam ao escovar (77,97%), os dentes não deixam nervosos ou irritados (79,66%), não deixaram de ir em algum lugar ou em festas e se divertir por causa dos dentes (81,36%), não deixaram de praticar esportes por causa dos dentes (84,75%), não teve dificuldade de conversar por causa dos dentes (72,88%), não sentiu vergonha dos dentes (69,49%), os dentes não atrapalharam a fazer algum tipo de tarefa (79,66%), não deixaram de dormir ou dormiram mal por causa dos dentes (71,19%).

Quadro 1- Distribuição da satisfação dos idosos em relação à saúde bucal.

Nível de SatisfaçãoNúmero de RespostaPorcentagem (%)
Muito satisfeito46.78 %
Satisfeito1830.51 %
Insatisfeito2135.59 %
Nem satisfeito nem insatisfeito915.25 %
Muito insatisfeito46.78 %
Não sabe35.08 %

Queiroz (2000) compreende que, apesar de não ser uma doença, a idade avançada aumenta o risco de comprometer a capacidade funcional, resultando na perda de independência e autonomia. De acordo com Perim (2003), o trabalho em equipe e sua influência na qualidade de vida dos idosos são motivados pela necessidade de compreender melhor os aspectos sociais e emocionais da saúde do indivíduo, o que torna os profissionais da área da saúde mais conscientes das demandas da população.

Embora o percentual dos índices de avaliação da autopercepção da saúde bucal em idosos do Lar Leal tenha sido baixo, uma quantidade significativa de idosos relatou a necessidade de uma prótese nova (67,80%). Cerca de 38,98% têm dificuldades para se alimentar e sentem dor com alimentos quentes ou frios. É notável a quantidade de idosos que sentem vergonha de seus dentes (30,51%) e que já deixaram de dormir ou dormiram mal por causa de dores de dente (25,42%). Aproximadamente 27,12% têm dificuldades para conversar e 22,03% relataram incômodo ao escovar os dentes.

Quadro 2- Distribuição da necessidade de prótese e dificuldade de alimentação e sensibilidade.

Necessidade do idoso em usar prótese total ou fazer a troca da mesma:%
Não1728,81%
Não respondeu23,39%
Sim4067,80%
Tem dificuldades para se alimentar ou sente sensibilidade ou dor com quente e frio:%
Não3559,32%
Não respondeu11,69%
Sim2338,98%

Em um estudo realizado com idosos institucionalizados, foram analisados qualitativamente questionários sobre qualidade de vida. Os pesquisadores observaram que as alterações na deglutição causaram impacto significativo na qualidade de vida desses idosos. A maioria deles não apresentou queixas formais e tentou, de maneira espontânea, se adaptar às suas limitações por meio da criação de estratégias ou até mesmo da eliminação de certas consistências alimentares (CARDOSO et al., 2014).

Quadro 3- Distribuição da dificuldade em escovar os dentes

Os dentes incomodam ao escovar?%
Não4677,97%
Não respondeu00,00%
Sim1322,03%

A interdisciplinaridade no trabalho odontológico, no caso do atendimento ao idoso, a Odontogeriatria, e com base em Bordenave (1994) e na metodologia problematizadora, criamos uma situação em que o paciente enfrenta uma má higiene oral. Neste caso, a perspectiva clínica do cirurgião dentista, diante da situação, pode ver problemas à saúde, como gengivite, periodontite e candidíase. Além disso, também pode detectar condições subjetivas, como halitose e queimação bucal, e tentar resolver todos os problemas na área da odontologia. Sob a perspectiva compartilhada de profissionais e com uma visão global do indivíduo, uma variedade de fatores pode ser identificada como possíveis responsáveis pela má higiene oral.

O questionamento aos indivíduos sobre a perda dos dentes, com a finalidade de aumentar o conhecimento e diagnosticar sua percepção sobre a saúde bucal, foi objeto de estudo realizado na Nigéria. O estudo demonstrou que as indicações mais frequentes para extrações dentárias foram cárie dentária, acidentes de trânsito e quedas, tanto em crianças quanto em adultos. Contudo, as doenças periodontais foram destacadas como as causas mais comuns entre os idosos (Okoje et al., 2012).

Quadro 4- Distribuição da satisfação de qualidade de vida dos idosos em relação aos dentes.

Os dentes deixam nervoso ou irritado?%
Não4779,66%
Não respondeu11,69%
Sim1118,64%
Já deixou de ir em algum lugar por causa dos dentes?%
Não4881,36%
Não respondeu11,69%
Sim1016,95%
Já deixou de praticar esportes por causa dos dentes?%
Não5084,75%
Não respondeu23,39%
Sim711,86%

De acordo com Rosa Lb. Et, al. 2008, dos problemas bucais existentes no paciente idoso, o edentulismo é um dos mais frequentes. A perda da dentição permanente exerce influência sobre a mastigação e, consequentemente, na digestão, bem como na pronúncia e na estética, provocando uma alteração na escolha e preparação da dieta, o que leva o indivíduo a se alimentar mais de alimentos de fácil mastigação, de consistência pastosa e rica em carboidratos. Isso ocasiona um aumento na massa corpórea e, por conseguinte, o surgimento de doenças sistêmicas associadas à obesidade, como hipertensão arterial, cardiopatias, diabetes, depressão e outras.

O termo “Qualidade de Vida” tem sido abordado na literatura geriátrica internacional. A saúde bucal como um dos pilares desta qualidade de vida desejada no envelhecimento é a base conceitual da odontologia, voltada para pacientes idosos (Darnton, et, al. 1995). De acordo com Werner et al.1998, quanto mais longa a vida média da população, mais importante se torna o conceito de qualidade de vida, e a saúde bucal tem um papel relevante na qualidade de vida do idoso, uma vez que a saúde bucal comprometida pode afetar o nível nutricional, o bem-estar físico e mental, diminuindo o prazer de uma vida social ativa. 

Silva, Castellanos-Fernandes et al.2001, enfatizam que é essencial entender como a pessoa percebe sua condição bucal, pois seu comportamento é condicionado pela importância dada a ela. A autopercepção de saúde mensura, de uma maneira muito mais global, o estado de saúde do indivíduo, incorporando aspectos da saúde cognitiva e emocional, como também da saúde física (Ofstedal MB, et al. 2002).

Quadro 5- Distribuição da dificuldade de comunicação por causa dos dentes.

Já teve dificuldade para conversar por causa dos dentes?%
Não4372,88%
Não respondeu00,00%
Sim1627,12%

A inter-relação da saúde bucal com a qualidade de vida pode ser facilmente observada: após uma reabilitação oral adequada, os idosos se tornam mais comunicativos, participativos, proativos, com maior autoestima, capazes de refletir sobre sua qualidade de vida e de realizar o autocuidado em saúde (Lima Moreira et al., 2014).

Quadro 6- Referente ao sentimento de vergonha decorrido por causa dos dentes.

Já sentiu vergonha dos seus dentes?%
Não4169,49%
Não respondeu00,00%
Sim1830,51%

Outro estudo demonstrou que pacientes tabagistas, que fazem uso regular de álcool e possuem menos de 20 dentes na boca, apresentaram baixos escores em pesquisas com indicadores orais que relatam qualidade de vida. Ou seja, nessa condição, aumentam-se as chances de dificuldades na fala, deglutição, mastigação, entre outros (YIengprugsawan et al., 2011).

O educador em saúde desempenha um papel crucial nas atividades voltadas ao idoso, uma vez que transmite informações sobre como cuidar, os direitos e obrigações que devem ser cumpridos por indivíduos, familiares, cuidadores e pela sociedade como um todo. Carvalho (2004) salienta que, ao contribuir para a formação de cidadãos conscientes de seus direitos e portadores do direito de ter direito, esses serviços aumentam a chance de ações sociais que influenciem positivamente sobre os diversos determinantes no processo saúde-doença. 

Quadro 7- Taxas de satisfação da qualidade de sono e dificuldades em tarefas diárias em relação aos dentes.

Os dentes atrapalham a fazer algum tipo de tarefa?%
Não4779,66%
Não respondeu11,69%
Sim1118,64%
Já deixou de dormir ou dormiu mal por causa dos dentes?%
Não4271,19%
Não respondeu23,39%
Sim1525,42%

A perda dentária é uma das alterações mais prevalentes entre os idosos e pode ser atribuída a uma combinação de fatores, como doenças periodontais, cáries não tratadas e a falta de acesso a cuidados odontológicos regulares ao longo da vida. A ausência de dentes compromete diretamente a capacidade mastigatória, o que pode levar a deficiências nutricionais e a uma diminuição na qualidade de vida. Além disso, a perda de dentes leva a redução na altura vertical da face, podendo alterar a estética facial e impactar negativamente a autoestima do idoso (Ferreira et al., 2024).

Outra alteração é a xerostomia, ou boca seca, comum entre os idosos e está frequentemente associada ao uso de múltiplas medicações, condição conhecida como polifarmácia. A redução na produção de saliva não só afeta a lubrificação da boca, mas também compromete a função de limpeza natural da saliva, aumentando o risco de cáries, infecções bucais e dificuldades na deglutição (Rezende et al., 2022). 

A integração de uma abordagem multidisciplinar é outro aspecto fundamental na odontogeriatria. A saúde bucal dos idosos está intimamente ligada a outros aspectos da saúde geral, como a nutrição, a saúde mental e a mobilidade física. Por exemplo, a perda de dentes e a dificuldade em mastigar podem levar à desnutrição, que por sua vez pode agravar doenças sistêmicas como a diabetes e a hipertensão (Menegon et al., 2023).

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os dados presentes neste estudo mostram que a maioria dos idosos sentem satisfação em saúde bucal, apesar dos resultados serem considerados positivos em relação a autoavaliação, levemos em consideração de um número significativo de idosos que se sentem insatisfeitos, com vergonha de seus dentes, com dificuldades de se alimentarem e de conversarem, pois tem incomodo com a cavidade oral. Nota-se a necessidade de implantação de ações de assistência básica sobre higienização e conscientização em saúde bucal. Sendo assim, de suma importância para erradicar problemas bucais, estéticos e funcionais, para que assim consigam uma qualidade de vida, nutrição e saúde física melhores.

Apesar de ser um processo natural, o envelhecimento é caracterizado por alterações fisiológicas, como mudanças na pele, ossos e perda de massa muscular, que resultam em diminuição de peso e dificuldade na marcha. Além disso, ocorrem alterações bioquímicas e psicológicas, que geralmente levam a uma diminuição da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente (Goursand et al., 2014).

A abordagem interdisciplinar da atenção ao idoso, no que se refere à saúde bucal, tem se mostrado eficiente ao influenciar positivamente a qualidade de vida desse indivíduo. Isso ocorre porque permite que ele seja tratado dentro de uma visão integrada, sem desconsiderar a ocorrência de doenças sistêmicas que interfiram no ambiente bucal (Domingos et al., 2011).

A odontogeriatria é uma especialidade odontológica que se dedica ao cuidado da saúde bucal dos idosos, levando em consideração as particularidades biológicas, psicológicas e sociais que acompanham o envelhecimento. Esse campo é fundamentado em princípios que orientam tanto a prática clínica quanto a comunicação entre profissionais de saúde e pacientes, promovendo um atendimento humanizado e eficaz (Da Cruz et al., 2022).

Para Santos (2000), a interdisciplinaridade não pode ser vista como uma solução mágica para todos os problemas enfrentados na profissão, muito menos na Gerontologia, mas sim como uma possibilidade de contribuir para a clareza e, talvez, para a solução dos problemas, sobretudo para uma melhor elucidação de um tema que é comum a vários profissionais. Nenhuma disciplina, isoladamente, seja Enfermagem, Medicina, Serviço Social ou qualquer outra, consegue explicar a totalidade do objeto da Gerontologia, em razão de referir-se a seres humanos e suas relações sociais, com suas características polissêmicas.

Um dos pilares da odontogeriatria é a comunicação eficaz com os pacientes idosos, que muitas vezes enfrentam barreiras cognitivas e físicas que dificultam a compreensão das orientações de saúde. A comunicação clara e empática é essencial para o sucesso do tratamento, especialmente considerando que muitos idosos podem apresentar dificuldades auditivas, visuais ou cognitivas (Da Cruz et al., 2022).

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