PHYSIOTHERAPY ROLE IN MILLER FISHER’S MOTOR REHABILITATION: CASE REPORT
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202507132145
Brenda Silveira Domingos1; Maria do Milagre de Jesus de Souza2; Marília Salete Tavares3; Braz Perpetuo de lima4; Washington da Silva Matos5; Aline M. L. Rodrigues de Souza6; Mirna da Silva Oliveira7
Resumo
Introdução: A Síndrome de Miller Fisher (SMF) é uma variante rara da Síndrome de Guillain-Barré, caracterizada pela tríade clínica de oftalmoplegia, ataxia e arreflexia. Objetivo: Relatar e analisar a intervenção fisioterapêutica aplicada em uma paciente diagnosticada com SMF, evidenciando os efeitos da reabilitação motora no desempenho funcional. Métodos: Estudo de caso, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o número CAAE: 51045021.2.0000.8044. A paciente de 35 anos foi admitida na clínica escola de Ensino de Fisioterapia no dia 07 de maio de 2025 foi realizada a avaliação clínica antes e após a intervenção fisioterapêutica, traçada uma conduta terapêutica. O estudo de caso foi encerrado em 27 de junho de 2025. A avaliação funcional incluiu testes de força muscular, goniométrica, perimetria e sinais vitais. O plano terapêutico envolveu cinesioterapia ativa, treino de marcha, técnicas de desbloqueio articular e reexpansão pulmonar totalizando 12 sessões. Resultados: Houve melhora progressiva nos parâmetros de força muscular, coordenação motora, sensibilidade, equilíbrio estático e dinâmico e marcha. Os resultados obtidos demonstram que, mesmo diante de quadros complexos com múltiplas intercorrências clínicas, é possível alcançar avanços significativos na recuperação motora, na autonomia funcional e na qualidade de vida da paciente. Conclusão: A fisioterapia demonstrou eficácia como ferramenta de reabilitação na SMF, promovendo melhor desempenho motor e funcionalidade.
Palavras-chave: Fisioterapia. Miller Fisher. Reabilitação Motora. Caso Clínico. Cinesioterapia.
1 INTRODUÇÃO
A Síndrome de Miller Fisher (SMF) foi definida pelo neurologista canadense Dr. Charles Miller Fisher, que atuava no Massachusetts General Hospital (Anthony; Thurtell; Leigh, 2015). Trata-se de uma doença neurológica rara, considerada uma variante da Síndrome de Guillain-Barré (SGB) (Bukhari; Taboada, 2017).
A SMF é uma neuropatia multifocal que acomete cerca de 1 a cada 1.000.000 pessoas por ano, sendo caracterizada pela tríade clínica clássica: oftalmoplegia, ataxia e arreflexia (Damiani; Laudanna, 2021). Diversas definições clínicas incluem sintomas adicionais, como disbasia, astasia e ataxia de tronco. Os nervos cranianos, incluindo o nervo facial, também podem ser afetados (Fleury, 2014).
Além disso, a síndrome apresenta coordenação muscular anormal, desequilíbrio, marcha instável, fraqueza ou paralisia dos músculos oculares e ausência de reflexos tendinosos. Assim como na SGB, os sintomas podem ser desencadeados por infecções virais. Em casos mais graves, a SMF pode evoluir para a forma clássica da SGB. Embora geralmente não envolva fraqueza motora dos membros, variantes com comprometimento respiratório e motor já foram descritas (Damiani; Laudanna, 2021; Fleury, 2014). Há também similaridades com a encefalite de tronco cerebral de Bickerstaff (BBE), que envolve alteração da consciência, ataxia, oftalmoparesia e hiperreflexia paradoxal (Lo, 2017).
Na maioria dos casos, a SMF ocorre após infecção pela bactéria Campylobacter jejuni, que causa colite, febre e diarreia. Embora o mecanismo patológico exato ainda não esteja totalmente esclarecido, sabe-se que a síndrome está relacionada à presença de anticorpos anti- gangliosídeos, especialmente o anti-GQ1b (Santos; Dutra, 2020). Trata-se de uma doença autoimune, na qual os anticorpos gerados contra agentes infecciosos atacam estruturas nervosas, como as bainhas de mielina ou os próprios axônios. O anticorpo anti-GQ1b está presente em cerca de 80% dos pacientes e pode ser utilizado como marcador diagnóstico (Anthony; Thurtell; Leigh, 2015).
O diagnóstico da SMF é baseado na suspeita clínica, complementada por exames como análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), ressonância magnética (RM) e testes sorológicos para detecção de anticorpos antigangliosídeos (Connors et al., 2021).
O tratamento é centrado no controle da dor, suporte respiratório quando necessário e imunoterapia. A maioria dos pacientes apresenta recuperação dentro de seis meses, com média de 8 a 12 semanas. Além da plasmaférese e da administração de imunoglobulinas, a fisioterapia desempenha papel fundamental na reabilitação motora e sensorial (Connors et al., 2021).
A intervenção fisioterapêutica é guiada pela avaliação cinético-funcional e pelas queixas específicas do paciente, que variam conforme o quadro clínico. Cuidados respiratórios e controle da dor são condutas comuns, assim como a prescrição de atividade física, que contribui para o fortalecimento muscular e melhora do condicionamento físico (Levison et al., 2020).
O programa de reabilitação deve focar inicialmente na redução da incapacidade funcional e, posteriormente, na restauração da força e da mobilidade prévias à doença (Santos; Dutra, 2020). Estudos demonstram que exercícios como bicicleta ergométrica, treino de marcha, fortalecimento muscular e exercícios de amplitude de movimento promovem melhora da capacidade funcional e da independência nas atividades diárias (Lo, 2017).
Para aprimorar o equilíbrio estático e dinâmico, a coordenação motora e a propriocepção, os exercícios de Frankel são recomendados, pois atuam tanto na percepção consciente quanto inconsciente dos movimentos (Connors et al., 2021).
A cinesioterapia, por sua vez, visa manter, corrigir ou recuperar funções corporais, promovendo bem-estar e funcionalidade. Seus efeitos incluem o desenvolvimento e a manutenção da força, resistência à fadiga, mobilidade, flexibilidade, relaxamento e coordenação motora (Levison et al., 2020).
Este estudo justifica-se pela escassez de literatura nacional e internacional sobre protocolos fisioterapêuticos específicos para a reabilitação da SMF em ambientes ambulatoriais e comunitários. Embora existam diretrizes para a SGB, faltam dados específicos para variantes clínicas como a SMF, especialmente em casos com intercorrências clínicas complexas.
Assim, este relato de caso tem como objetivo demonstrar os efeitos da fisioterapia na recuperação motora e funcional de uma paciente com SMF, destacando estratégias baseadas em evidências que podem ser aplicadas na prática clínica.
2 APRESENTAÇÃO DO CASO CLÍNICO
Paciente do sexo feminino, 35 anos, residente com o esposo e quatro filhos em uma casa situada em rua pavimentada. Em novembro de 2024, apresentou quadro de hipergênese gravídica com esvaziamento biliar, culminando em óbito fetal. Após um mês, foi submetida à colecistectomia (27/12/2024) no Hospital Geral de Nova Iguaçu, recebendo alta hospitalar em 31/12/2024.
Entretanto, foi readmitida em 04/01/2025 com diagnóstico de hiponatremia e insuficiência respiratória aguda (IRPA). Em 08/01/2025, sofreu duas paradas cardiorrespiratórias (PCR), sendo a primeira de 12 minutos e a segunda de 6 minutos. Foi reanimada, intubada por meio de tubo orotraqueal (TOT) e acoplada à ventilação mecânica (VM), sendo posteriormente encaminhada ao centro de terapia intensiva (CTI).
Evoluiu para tetraplegia, com diagnóstico confirmado de Síndrome de Miller Fisher (SMF) após análise do líquido cefalorraquidiano (Anthony; Thurtell; Leigh, 2015). Posteriormente, foi submetida à traqueostomia para facilitar o desmame da VM. A paciente relata ter recebido alta do CTI em 09/04/2025, sendo encaminhada à enfermaria e, posteriormente, com alta hospitalar em 15/04/2025. Após a alta, foi integrada ao programa de atenção domiciliar “Melhor em Casa” e ao ambulatório de neurologia. Encaminhada para reabilitação neuromotora, passou a utilizar cadeira de rodas como principal meio de locomoção, apresentando queda plantar à direita, abdução e rotação medial do tornozelo direito, além de rotação medial do quadril esquerdo. Sua queixa principal era: “Quero voltar a andar.”
A paciente possui histórico de hipertensão arterial sistêmica e faz uso diário das seguintes medicações: Losartana 50 mg, Atenolol 50 mg, Sulfato Ferroso 40 mg, Ácido Fólico, Hidroclorotiazida, Amlodipina 5 mg, Quetiapina 25 mg, Salbutamol e Beclometasona. O diagnóstico médico inclui transtornos não específicos dos glóbulos brancos e Síndrome de Miller Fisher (Bukhari; Taboada, 2017).
Na inspeção clínica, observam-se sinais de esforço respiratório mesmo em pequenos esforços, uso de cadeira de rodas para locomoção, queda plantar à direita, abdução e rotação medial do tornozelo direito, rotação medial do quadril esquerdo, diminuição da força muscular, hipotonia, quadro álgico durante o movimento, bloqueio articular no tornozelo direito, redução da expansibilidade pulmonar, contratura muscular, redução do equilíbrio estático e dinâmico, impossibilidade de marcha devido à hipotonia e redução da coordenação motora fina, além da ausência de troca de decúbito.
Objetivos Terapêuticos
Curto prazo: Reduzir o quadro álgico, promover ganho de força muscular, diminuir bloqueios articulares, melhorar a propriocepção e a expansibilidade pulmonar, estimular a mudança de decúbito e aprimorar a coordenação motora.
Médio prazo: Eliminar o quadro álgico, aumentar a força muscular, otimizar o tônus e a amplitude de movimento, potencializar a expansibilidade torácica, melhorar a coordenação motora, reduzir a incapacidade funcional, promover o equilíbrio e estimular a marcha.
Longo prazo: Normalizar a força muscular, o tônus, a amplitude de movimento e a coordenação motora, além de potencializar a expansibilidade torácica, o equilíbrio e a marcha, visando restabelecer a função motora e a condição física anterior à doença.
Plano Terapêutico
O plano terapêutico foi estruturado com base nos achados da avaliação cinético- funcional. As sessões incluíram cinesioterapia passiva, ativa assistida, ativa livre e resistida, com três séries de 10 a 15 repetições, ajustadas conforme a evolução clínica e o ganho de força muscular da paciente (Montini et al., 2016; Da Rocha et al., 2018).
Foram aplicadas técnicas de desbloqueio articular do tipo “contrair e relaxar”, associadas a alongamentos passivos (três séries de 10 a 15 segundos) e mobilização articular global (três séries de 3 a 5 repetições). O protocolo também contemplou treino de equilíbrio, propriocepção e descarga de peso em membros superiores e inferiores, além de mobilizações com três séries de 7 a 10 repetições. Exercícios de reexpansão pulmonar, treino de marcha e alongamentos em diagonal completaram a proposta terapêutica, com foco na funcionalidade, controle postural e independência funcional da paciente (Montini et al., 2016; Da Rocha et al., 2018).
Essa abordagem está alinhada à diretriz de atenção integral promovida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme reforçado pelo Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Rossi et al., 2022).
3 METODOLOGIA
Este estudo foi realizado com o consentimento da paciente, que assinou o Termo De Consentimento Livre e Esclarecido permitindo a utilização dos dados para a descrição do relato de caso. De acordo com o CEP/CAAE: 51045021.2.0000.8044. O estudo de caso foi realizado na Clínica de Ensino de Fisioterapia do Campus I da Universidade Iguaçu, no município de Nova Iguaçu, RJ. O trabalho foi realizado com uma paciente adulta, do sexo feminino, de 35 anos. Diagnosticada com Síndrome de Miller Fisher.
O tratamento foi baseado nos achados durante a avaliação visando alcançar os objetivos do tratamento. O tratamento proposto foi: Cinesioterapia passiva, ativa assistida e ativa livre com 3 séries de 10 repetições (mudando de acordo com a evolução e ganho de força muscular da paciente). Técnica de desbloqueio articular “contrair e relaxar”, alongamentos passivos com 3 séries de 15 segundos, mobilização articular global 3 séries de 3 repetições, Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, treino de equilíbrio, propriocepção e descarga de peso em membros superiores e inferiores, Mobilização 3 séries de 10 repetições, exercício de reexpansão pulmonar e Treino de marcha, com a utilização de: Triângulo; Escada (para apoiar os pés); Cone; Argolas; Faixa elástica preta.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A Tabela 1 abaixo apresenta os parâmetros vitais da paciente em duas datas distintas, demonstrando estabilidade clínica ao longo do período observado. Os valores de pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura corporal e saturação de oxigênio permaneceram dentro dos padrões de normalidade, indicando controle hemodinâmico e respiratório satisfatório.
Tabela 1: Sinais Vitais

*PAS = Pressão Arterial Sistólica; PAD= Pressão Arterial Diastólica; mmHg = Milímetro de Mercúrio; FC = Frequência Cardíaca; FR = Frequência Respiratória; Irpm = Incursões respiratórias por minuto; beats/min = batimentos por minuto; Sato2 = Saturação Periférica de Oxigênio. Fonte: Dados da pesquisa.
A tabela 2 descreve a amplitude de movimento articular dos principais segmentos corporais (quadril, joelho, tornozelo e ombro), nos lados direito e esquerdo, em dois momentos da evolução terapêutica, sendo observado a manutenção das amplitudes articulares em quase todos os segmentos, com melhora significativa na dorsiflexão do tornozelo direito, sugerindo avanços na mobilidade articular e resposta positiva ao tratamento fisioterapêutico.
Tabela 2: Avaliação da Amplitude de Movimento Articular


Fonte: Dados da pesquisa.
Na tabela 3, são apresentados os valores de circunferência muscular em diferentes segmentos corporais, comparando os dados de maio e junho de 2025. Os resultados revelam aumento das medidas perimétricas, evidenciando ganho de massa muscular e melhora no tônus, o que reflete positivamente no desempenho funcional da paciente.
Tabela 3: Perimetria

Fonte: Dados da pesquisa.
O teste de sensibilidade, avalia a integridade da percepção superficial e dolorosa nos membros inferiores. Em ambas as datas avaliadas, a sensibilidade se manteve preservada, A presença da sensibilidade superficial e da percepção dolorosa em ambas as avaliações indica preservação das vias nervosas responsáveis pela condução desses estímulos, favorecendo o desenvolvimento de estratégias terapêuticas seguras e eficazes, principalmente nos exercícios de carga, mobilização e estímulo proprioceptivo, o que é relevante para a funcionalidade global e a segurança durante as atividades de reabilitação, como o treino de marcha e equilíbrio.
As imagens 1 e 2 abaixo demonstram, de forma visual e comparativa, a evolução clínica da paciente ao longo do processo de reabilitação. Na primeira imagem (momento inicial do tratamento), observa-se a necessidade de apoio com o uso de triângulos e auxílio manual de duas fisioterapeutas para a manutenção da postura sentada, evidenciando hipotonia muscular e déficit de controle postural. Já na imagem posterior, a paciente encontra-se sentada de forma independente, sem necessidade de suporte adicional, o que indica ganho de massa muscular, melhora do tônus e aumento da estabilidade do tronco.
Esses achados reforçam os resultados quantitativos de melhora na força muscular, equilíbrio e funcionalidade, evidenciando a eficácia da conduta fisioterapêutica proposta no plano terapêutico. Essa evolução positiva corrobora com estudos que destacam o papel da fisioterapia intensiva e individualizada na recuperação motora de pacientes com Síndrome de Miller Fisher, mesmo diante de quadros clínicos complexos e debilitantes.

Imagem 1 e 2: Precisando de ajuda e apoio do triângulo para se sentar na avaliação inicial (Imagem 1). Posterior, sentando-se sem apoio do triângulo (Imagem 2).
Neste estudo, adotou-se como estratégia metodológica a análise dos resultados apresentados em pesquisas científicas que abordam a eficácia das intervenções fisioterapêuticas em pacientes com diagnóstico de Síndrome de Miller Fisher (SMF) e Síndrome de Guillain- Barré (SGB). A fundamentação do tratamento oferecido foi embasada nos achados dessas investigações, os quais demonstram, em sua maioria, elevados índices de satisfação dos pacientes e eficiência clínica das condutas terapêuticas precoces, especialmente no contexto da reabilitação motora e funcional.
A partir da análise dos artigos selecionados, observou-se que as práticas fisioterapêuticas aplicadas aos pacientes com SMF visam restaurar a mobilidade física e a atividade fisiológica, prevenir contraturas, manter a amplitude de movimento e a circulação articular, além de promover melhora da perimetria, redução do quadro álgico e, consequentemente, proporcionar melhor qualidade de vida (Anthony; Thurtell; Leigh, 2015; Bukhari; Taboada, 2017).
Connors et al. (2021) evidenciaram, por meio de sessões individuais de terapia ocupacional (OT) e fisioterapia (PT), além de sessões em grupo focadas em exercícios para membros inferiores (MMII), membros superiores (MMSS) e coordenação motora fina, a recuperação de um paciente de 61 anos internado em unidade de cuidados prolongados (LTACH) para reabilitação após diagnóstico de SMF secundário à infecção por COVID-19. A evolução clínica foi mensurada por testes musculares manuais, avaliação de amplitude de movimento, força de preensão e escalas de atividade funcional, culminando na reintegração do paciente à comunidade.
Montini et al. (2016) relataram o caso de um paciente de 42 anos que, após episódio de diarreia, desenvolveu fraqueza em membro inferior esquerdo e dificuldade para deambular, mantendo sensibilidade. Após diagnóstico de SMF, o paciente foi internado e submetido a protocolos intensivos de reabilitação multiprofissional. Após alta hospitalar, iniciou plano de reabilitação comunitária com fisioterapia motora três vezes por semana, sessões de fisioterapia duas vezes ao dia (12 horas/semana), terapia ocupacional diária (5 horas/semana), terapia robótica (2 horas/semana), condicionamento físico (4 horas/semana) e suporte psicológico (1h30/semana). A abordagem resultou em melhora funcional significativa, permitindo ao paciente retomar atividades cotidianas com independência moderada.
Nunes et al. (2023) descreveram o caso de uma paciente que, após infecção intestinal recorrente, apresentou sintomas atípicos como fraqueza em MMII, dores e febre. Com a progressão dos sintomas, houve perda da capacidade de marcha, preensão, fala e respiração, culminando no diagnóstico de SGB. A paciente foi submetida a tratamento multidisciplinar, incluindo fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia. Apresentando ao final do tratamento autonomia para atividades de vida diária, coordenação motora fina recuperada e capacidade de marcha sem auxílio, embora ainda necessite aprimorar a preensão palmar e força muscular, assim como a paciente do presente estudo.
Shah et al. (2016) investigaram os efeitos de sessões de 60 minutos de exercícios de fortalecimento, resistência e respiração supervisionados por fisioterapeutas em 16 adultos com incapacidade residual estável. Após seis meses de tratamento, observaram-se melhorias
significativas em independência funcional, força muscular, redução da fadiga e qualidade de vida. Os efeitos mantiveram-se após 12 meses, embora com maior variabilidade nos intervalos de confiança. Dessa forma, os resultados dos estudos analisados reforçam a relevância da fisioterapia como ferramenta eficaz na reabilitação de pacientes com SMF. O ponto forte deste estudo reside na apresentação de dados que evidenciam a eficiência das intervenções fisioterapêuticas. Por outro lado, destaca-se como limitação a escassez de estudos específicos e atualizados sobre a atuação fisioterapêutica voltada à SMF, o que dificulta a consolidação de protocolos clínicos padronizados.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base na análise do caso clínico e na análise de literatura apresentada, conclui-se que a intervenção fisioterapêutica precoce é uma ferramenta essencial na reabilitação de pacientes acometidos pela Síndrome de Miller Fisher (SMF), especialmente quando integrada a estratégias multidisciplinares. Os resultados obtidos demonstram que, mesmo diante de quadros complexos com múltiplas intercorrências clínicas, é possível alcançar avanços significativos na recuperação motora, na autonomia funcional e na qualidade de vida da paciente.
A abordagem terapêutica baseada em avaliação cinético-funcional personalizada, associada a técnicas como cinesioterapia, alongamentos, treino de marcha e fortalecimento muscular, revelou-se eficaz na progressão clínica. A literatura científica reforça a importância da fisioterapia como conduta clínica fundamentada em evidências, ainda que se reconheça a escassez de estudos específicos voltados para a SMF. Portanto, este relato contribui não apenas com dados práticos relevantes, como também ressalta a necessidade de novos estudos que consolidem protocolos específicos de reabilitação para essa condição rara.
REFERÊNCIAS
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1 Discente do Curso Superior de Fisioterapia da Universidade Iguaçu, Campus Nova Iguaçu, e-mail: brendasilveira78@gmail.com
2 Discente do Curso Superior de Fisioterapia da Universidade Iguaçu, Campus Nova Iguaçu, e-mail: mariadomilagre@hotmail.com
3 Docente do Curso Superior de Fisioterapia da Universidade Iguaçu, Campus Nova Iguaçu, e-mail: mariliasalete@gmail.com
4 Docente do Curso Superior de Fisioterapia da Universidade Iguaçu, Campus Nova Iguaçu, e-mail: brazperpetuo@yahoo.com.br
5 Docente do Curso Superior de Fisioterapia da Universidade Iguaçu, Campus Nova Iguaçu, e-mail: wsmatos83@gmail.com
6 Docente do Curso Superior de Fisioterapia da Universidade Iguaçu, Campus Nova Iguaçu, e-mail: dra.alineleal@outlook.com
7 Docente do Curso Superior de Fisioterapia da Universidade Iguaçu, Campus Nova Iguaçu, e-mail: prof.mirna.oliveira@gmail.com
