ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NA TRANSIÇÃO DO CUIDADO DE PESSOAS COM ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL

PRIMARY HEALTH CARE IN THE TRANSITION OF CARE FOR PEOPLE WITH CEREBROVASCULAR ACCIDENTS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511121614


Sara Raquel da Silva Sousa1
Nair Serafim Missiano2
Maria Euzarene Guimarães Sobrinha 3
Orientadora: Samara Campos Assis4


Resumo 

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma condição neurológica grave caracterizada pela interrupção súbita do fluxo sanguíneo cerebral, que pode ocasionar sequelas motoras, cognitivas e emocionais, impactando diretamente a qualidade de vida dos indivíduos. O presente estudo analisou a atuação da Atenção Primária à Saúde (APS) na transição do cuidado de pessoas que sofreram AVC após a alta hospitalar, em uma Unidade Básica de Saúde de Itaporanga (PB). Trata-se de uma pesquisa de campo, descritiva e quantitativa, realizada com 10 participantes. A amostra foi composta majoritariamente por mulheres (70%), sendo que todos faziam uso contínuo de medicação (100%). O AVC isquêmico foi o mais prevalente (90%), enquanto 10% não souberam informar o tipo. Entre as sequelas relatadas, destacaram-se fraqueza em um hemicorpo, dormência, dificuldades na realização das atividades de vida diária, além de alterações emocionais como ansiedade e tristeza. Em relação à mobilidade, 70% declararam conseguir caminhar sem assistência, enquanto 30% dependiam de apoio. Observou-se ainda que 40% relataram dificuldades de equilíbrio e quedas, e 50% não receberam orientações das equipes de saúde para seus cuidadores. Os resultados evidenciam falhas na continuidade do cuidado, principalmente pela baixa adesão ou ausência de fisioterapia regular e pela escassez de visitas domiciliares de agentes comunitários e equipes da APS. Conclui-se que, embora haja avanços individuais na reabilitação, persiste a necessidade de ampliar o acesso à fisioterapia e fortalecer políticas públicas, como o Programa Melhor em Casa, de modo a garantir acompanhamento multiprofissional, integralidade e continuidade do cuidado aos pacientes pós-AVC. 

Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde; Acidente Vascular Cerebral; Fisioterapia; Continuidade do cuidado; Reabilitação. 

ABSTRACT: This study analyzed the role of Primary Health Care (PHC) in the transition of care for people who suffered a stroke after hospital discharge at a Basic Health Unit in Itaporanga, Paraíba. This was a descriptive, quantitative field study conducted with 10 participants.The sample consisted primarily of women (70%), and all (100%) were on continuous medication. Ischemic stroke was the most prevalent (90%), while 10% were unable to report the type. Reported sequelae included weakness in one side of the body, numbness, difficulty performing activities of daily living, and emotional changes such as anxiety and sadness. Regarding mobility, 70% reported being able to walk without assistance, while 30% depended on support. It was also observed that 40% reported balance difficulties and falls, and 50% did not receive guidance from healthcare teams for their caregivers. The results highlight gaps in continuity of care, primarily due to low adherence or lack of regular physical therapy and the scarcity of home visits by community health workers and primary care teams. The conclusion is that, although individual progress has been made in rehabilitation, there is still a need to expand access to physical therapy and strengthen public policies, such as the Better at Home Program, to ensure multidisciplinary monitoring, comprehensive care, and continuity of care for post-stroke patients.

Keywords: Primary Health Care; Stroke; Physiotherapy; Continuity of Care; Rehabilitation.

1. INTRODUÇÃO 

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) refere-se à redução ou cessação total do fluxo sanguíneo para o cérebro. Ele se classifica em duas categorias: trombótico, que é do tipo isquêmico, e hemorrágico, que ocorre quando há a ruptura de um vaso cerebral, resultando em sangramento no tecido cerebral. (SILVA  et  al.,2019). Trata-se de uma disfunção neurológica aguda causada por problemas vasculares, que apresenta sinais e sintomas relacionados ao comprometimento de áreas específicas do cérebro. Esse quadro é caracterizado por um déficit neurológico que surge de forma repentina devido a uma alteração (Neves e Guimarães,  2015). 

A Estratégia Saúde da Família (ESF) é formada por um conjunto de ações integradas que têm como objetivo reorganizar o sistema de saúde, dando prioridade à atenção básica. Essa iniciativa ganhou ainda mais força com a criação do Programa Saúde da Família (PSF). ( Brasil, 1994). Isso ajuda a equipe da Estratégia de Saúde da Família a orientar o cuidado de uma forma mais centrada nas pessoas. Ela parte de princípios como garantir que todos tenham acesso aos serviços e reorganizar os processos de trabalho, dando prioridade ao trabalho em equipe. Esses princípios fortalecem a criação de uma relação com os usuários baseada na solidariedade e na cidadania. ((Backes et al., 2012; Silva et al., 2013; Franco et al., 1999) .  

Os Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) desempenham um papel fundamental como ponte entre a população de uma determinada região e o serviço de saúde. É importante destacar que eles moram na mesma área onde atuam, o que é um requisito para exercerem suas funções. Essa convivência próxima permite que eles vivenciem de perto a realidade e os problemas das pessoas que cuidam. Dessa forma, podemos entender que, por morar na mesma comunidade e experimentar suas dificuldades, o ACS se torna uma peça-chave na comunicação entre a equipe de saúde e os moradores, ajudando na prestação do cuidado. 

Os sinais motores apresentados em pacientes com AVC podem ser divididos em duas categorias; sinais de liberação piramidal: hipertonia espástica, hiperreflexia, clônus e alterações nos reflexos cutâneos e sinais deficitários: alteração no controle voluntário e  seletivo  de  movimentos  e  fraqueza muscular. (Vargas e Rodrigues, 2022). 

Esses déficits impactam diretamente a capacidade do paciente de manter a postura. Portanto, tornou-se um dos principais propósitos do tratamento fisioterapêutico, que envolve a aplicação de exercícios que priorizam a repetição de tarefas funcionais em níveis de dificuldade crescentes. Diante disso, este estudo foi, analisar a atuação das equipes de Atenção Primária à Saúde no acompanhamento de pacientes que sofreram AVC após a alta do hospital em uma cidade do sertão paraibano (Moreira et al., 2022). 

2. METODOLOGIA  

O presente estudo tratou-se de uma pesquisa de campo exploratória e descritiva, com abordagem quantitativa, realizada em um Posto de Saúde da Família (PSF) localizado em um bairro da cidade de Itaporanga, Sertão Paraibano. 

2.1 Tipo de Pesquisa 

A pesquisa descritiva teve como objetivo caracterizar e detalhar um fenômeno ou situação, possibilitando compreender as particularidades de um grupo, indivíduo ou processo, bem como identificar relações entre os eventos observados. Essa modalidade de pesquisa busca observar, registrar e analisar fenômenos sem interferir neles, limitando-se a descobrir a frequência e o funcionamento de um sistema, método ou realidade operacional (SOARES DA SILVA et al., 2028). 

A pesquisa quantitativa foi utilizada com o intuito de quantificar os dados obtidos por meio de questionários estruturados, exigindo atenção especial na coleta, tratamento e análise estatística das informações. Nessa abordagem, o assessoramento estatístico mostrou-se essencial para a validação dos resultados, especialmente quando o pesquisador não domina plenamente os requisitos técnicos necessários à condução de pesquisas de campo (DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DE COMPUTAÇÃO E ESTATÍSTICA – IBILCE – UNESP, 2000). 

A pesquisa de campo exploratória teve por finalidade conhecer mais profundamente a realidade estudada e elaborar instrumentos adequados de coleta de dados, sendo fundamentada em uma abordagem que permite o estudo de fatores humanos e contextuais. Essa metodologia foi amplamente utilizada em pesquisas no campo da saúde pública, permitindo identificar e compreender aspectos práticos e comportamentais do fenômeno estudado (Revista de Saúde Pública, 1995). 

2.2 População e Amostra 

A população da pesquisa foi composta por pacientes com diagnóstico clínico de Acidente Vascular Cerebral (AVC) cadastrados na Unidade Básica de Saúde (UBS) do município de Itaporanga–PB. A amostra foi composta pelos primeiros 15 a 20 voluntários que aceitaram participar do estudo. 

Os critérios de inclusão foram: ser usuário do PSF, ter idade superior a 18 anos, independente do sexo, e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Apêndice A). 

Os critérios de exclusão abrangeram indivíduos com alterações cognitivas que dificultassem a compreensão das perguntas, bem como pessoas com baixa assiduidade às consultas ou sessões de fisioterapia. 

2.3 Coleta de Dados 

A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de questionários sociodemográficos (Apêndice C), contendo questões referentes às características individuais de cada participante, como sexo, idade, escolaridade, estado civil, ocupação, renda familiar e frequência na fisioterapia. 

2.4 Análise dos Dados 

Os dados coletados foram tabulados e analisados estatisticamente com o auxílio dos softwares Microsoft Excel e SPSS (versão 21), sendo apresentados em tabelas e gráficos de forma descritiva e interpretativa. 

2.5 Aspectos Éticos 

Esta pesquisa seguiu as diretrizes da Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta as pesquisas envolvendo seres humanos, assegurando o direito à privacidade e ao sigilo das informações dos participantes. 

O projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário de Patos, e todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) em duas vias – uma destinada ao pesquisador e outra ao participante. A preservação da identidade e privacidade dos sujeitos foi garantida por meio do Termo de Compromisso do Pesquisador (Apêndice B). 

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES  

Tabela 1: Em relação ao sexo dos pacientes, utiliza algum tipo de medicação e os tipos de AVC.

Fonte: Dados da pesquisa (2025). 

A pesquisa foi realizada com 10 participantes que sofreram AVC e são acompanhados por uma Unidade Básica de Saúde na cidade de Itaporanga (Paraíba). Eles responderam a um questionário com itens sobre idade, sexo, tipo de AVC e as dificuldades enfrentadas após o AVC.  

A Tabela 1 apresenta dados referentes ao gênero dos participantes, idade e os tipos de AVC relatados. Observa-se que a maioria dos participantes era do sexo feminino, totalizando (70%), enquanto (30%) eram do sexo masculino. Em relação ao tipo de AVC, (90%) dos participantes informaram ter sofrido AVC isquêmico, nenhum relatou AVC hemorrágico, e  (10%) dos participantes  não soube informar o tipo de AVC que teve. 

Segundo Carvalho et al. (2020), a maior expectativa de vida feminina está associada a um maior número de casos de AVC entre mulheres idosas, visto que a idade avançada é um dos principais fatores de risco para a ocorrência do evento. Além disso, a queda nos níveis de estrogênio após a menopausa aumenta a vulnerabilidade cardiovascular feminina, favorecendo o desenvolvimento do AVC (Pereira et al., 2019). 

Por outro lado, quando se analisa a população masculina, alguns estudos apontam que os homens apresentam maior risco de desenvolver AVC em idades mais precoces. Isso pode estar relacionado a fatores como maior prevalência de tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo e menor adesão a práticas preventivas de saúde (Silva et al., 2021). Dessa forma, observa-se que, embora a mortalidade feminina seja mais expressiva em idades avançadas, os homens frequentemente apresentam AVC mais cedo e, em muitos casos, em associação a fatores de risco modificáveis. 

Bushnell et al. (2018) reforçam que o impacto do AVC difere entre os sexos: as mulheres, por viverem mais, tendem a enfrentar consequências mais graves em termos de incapacidade funcional e dependência após o evento, enquanto os homens apresentam maior taxa de recorrência, principalmente quando hábitos de risco não são controlados. 

Assim, os achados deste estudo corroboram a literatura ao demonstrar maior prevalência do sexo feminino no AVC, mas também evidenciam a importância de considerar as particularidades do sexo masculino, visto que ambos os grupos apresentam especificidades nos fatores de risco, idade de acometimento e desfechos clínicos. Silva et al.(2021). 

Na presente pesquisa, verificou-se que a maior parte dos participantes (70%) encontrava-se na faixa etária de 40 a 69 anos, enquanto 30% tinham entre 70 e 100 anos. Esses dados demonstram que, embora o Acidente Vascular Cerebral (AVC) seja tradicionalmente associado ao envelhecimento, há uma tendência significativa de ocorrência em indivíduos mais jovens, corroborando o que tem sido apontado na literatura. 

De acordo com Lotufo e Bensenor (2019), a idade avançada é um dos principais fatores de risco para o AVC, sendo que a probabilidade de ocorrência da doença dobra a cada década de vida após os 55 anos. Entretanto, os autores alertam para um crescimento preocupante de casos em faixas etárias mais precoces, em grande parte devido à exposição a fatores de risco modificáveis, como hipertensão arterial sistêmica, tabagismo, obesidade e diabetes mellitus. 

Em consonância, Feigin et al. (2020) destacam que, embora a maior incidência global do AVC ainda esteja concentrada em idosos, tem sido observado um aumento considerável de casos em indivíduos com menos de 65 anos, refletindo mudanças no perfil epidemiológico da doença. Esse achado é coerente com os resultados da presente pesquisa, na qual 70% dos participantes tinham menos de 70 anos. 

Outro aspecto importante é que, segundo Oliveira et al. (2021), pessoas mais jovens que sofrem AVC tendem a apresentar maior tempo de sobrevida após o evento, o que aumenta a necessidade de estratégias de reabilitação a longo prazo e de políticas públicas voltadas à reinserção social e laboral desses indivíduos. Isso reforça a relevância de se compreender a distribuição etária do AVC, pois ela influencia diretamente as demandas em saúde e assistência. 

Além disso, Cabral et al. (2019) ressalta que o envelhecimento está associado a alterações fisiológicas que favorecem o aparecimento do AVC, como enrijecimento arterial, maior prevalência de fibrilação atrial e declínio da função endotelial. Assim, embora os resultados da presente pesquisa mostrem uma maior frequência entre 40 e 69 anos, não se pode desconsiderar o impacto expressivo da faixa etária mais avançada, representada aqui por 30% dos pacientes. 

Por fim, conforme aponta o Ministério da Saúde (BRASIL, 2021), o perfil etário do AVC no Brasil reflete tanto a transição demográfica e epidemiológica da população, marcada pelo envelhecimento, quanto a persistência de fatores de risco em idades mais precoces. Dessa forma, os resultados deste estudo estão em consonância com a realidade nacional, reforçando a importância de estratégias preventivas que atuem desde a fase adulta até a velhice. 

A tabela apresentada evidencia que 90% dos participantes da amostra sofreram Acidente Vascular Cerebral (AVC) do tipo isquêmico, enquanto nenhum caso de AVC hemorrágico foi relatado e 10% dos entrevistados não souberam informar o tipo de evento. Esses dados corroboram com a literatura, que aponta o AVC isquêmico como a forma mais prevalente da doença em âmbito mundial e nacional. 

Segundo Feigin et al. (2017), aproximadamente 85% dos casos de AVC no mundo são isquêmicos, resultado de uma obstrução do fluxo sanguíneo cerebral, geralmente causada por trombose ou embolia. Já os casos hemorrágicos, que representam cerca de 10 a 15% do total, ocorrem devido à ruptura de vasos intracranianos, sendo menos frequentes, porém mais letais e associados a maior gravidade clínica e sequelas. 

No contexto brasileiro, os achados seguem a mesma tendência. Conforme Lotufo e Benseñor (2013), o AVC isquêmico constitui a maior parte das hospitalizações relacionadas à doença cerebrovascular, refletindo tanto o padrão epidemiológico global quanto fatores de risco associados, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, dislipidemias e tabagismo. Isso pode explicar a predominância desse tipo na amostra analisada, já que tais condições crônicas são altamente prevalentes na população idosa, principal grupo de risco para AVC. 

Outro ponto importante é que, embora o AVC hemorrágico não tenha sido identificado na amostra, sua ausência não deve ser interpretada como insignificante. Estudos como o de Cabral et al. (2019) destacam que, apesar da menor incidência, os eventos hemorrágicos têm maior taxa de mortalidade precoce, representando desafio significativo para os serviços de saúde. Assim, a não identificação desse tipo de AVC no grupo analisado pode estar relacionada a fatores como a mortalidade prévia de indivíduos com esse diagnóstico, ou mesmo à característica da amostra estudada, que pode ter incluído maior número de sobreviventes com condições mais compatíveis ao AVC isquêmico. 

Além disso, a presença de 10% de indivíduos que não souberam informar o tipo de AVC sofrido chama atenção. Esse dado pode refletir tanto a dificuldade de comunicação médico-paciente durante a fase aguda da doença, quanto limitações no acesso a exames diagnósticos confirmatórios, como tomografia ou ressonância magnética, especialmente em regiões com menor estrutura hospitalar. De acordo com Silva et al. (2020), a falta de clareza sobre o tipo de AVC pode impactar diretamente no acompanhamento clínico e nas estratégias de reabilitação, visto que as complicações e prognósticos variam conforme o tipo da lesão cerebral. 

Portanto, a prevalência de AVC isquêmico observada na amostra analisada é consistente com a literatura nacional e internacional, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas para a prevenção e o controle dos fatores de risco cardiovasculares. Além disso, a ausência de casos hemorrágicos e a proporção de pacientes sem informação sobre o tipo de evento demonstram a importância de ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e preciso, bem como de melhorar a comunicação entre profissionais de saúde e pacientes no processo de cuidado. Cabral et al (2019). 

Tabela 2: Dificuldades enfrentadas por pessoas que sofreram AVC e como as equipes de saúde contribuem com orientações.

Fonte: Dados da pesquisa (2025). 

Tabela 2 descreve as principais dificuldades enfrentadas por pessoas que sofreram AVC, bem como o papel das equipes de saúde nas orientações aos cuidadores. Em relação ao equilíbrio ou quedas, 4 participantes (40%) relataram apresentar dificuldades, enquanto 6 (60%) afirmaram não ter esse problema. Quanto à compreensão da fala alheia, 1 participante (10%) relatou dificuldade para entender o que os outros dizem, 8 (80%) disseram não ter essa dificuldade, e 1 (10%) afirmou que isso ocorre às vezes. 

No que se refere às orientações fornecidas pelas equipes de saúde aos cuidadores de pessoas que sofreram AVC, 4 participantes (40%) afirmaram que recebem esse tipo de orientação, 5 (50%) disseram que não recebem, e 1 (10%) não soube informar. 

Neste estudo, foi observado que 40% dos participantes relataram dificuldades com equilíbrio e quedas após sofrerem um AVC, enquanto 60% disseram não ter essas limitações (conforme a Tabela 2). Esses resultados reforçam o que Magalhães et.,al  2013  já haviam apontado, ao destacarem que alterações em um lado do corpo geralmente causam assimetria corporal. Essa assimetria pode prejudicar a postura, a caminhada e as transferências diárias. Isso acontece porque fica mais difícil apoiar-se no lado afetado, o que compromete a estabilidade necessária para realizar movimentos e atividades do dia a dia, como vestir-se, alimentar-se, mudar de posição, caminhar e sentar. Portanto, os dados deste estudo confirmam a literatura ao mostrar que muitas pessoas que tiveram AVC enfrentam dificuldades funcionais que podem levar à dependência nas tarefas cotidianas. 

No estudo de Petry et al., 2020 após a introdução de um serviço de acompanhamento na atenção primária, uma coorte de 591 pacientes mostrou um crescimento de 12% para 36% na prevalência de pacientes assistidos por fonoaudiólogos. Embora tenha havido um aumento no acompanhamento fonoaudiológico, os dados não confirmam completamente a tabela exibida, na qual 80% dos pacientes afirmaram não ter problemas para entender o que os outros dizem. Essa discrepância indica que, apesar do aumento no acesso ao acompanhamento especializado, os pacientes ainda tendem a ver sua capacidade auditiva ou de compreensão verbal de forma majoritariamente positiva. Isso pode sugerir uma subestimação das dificuldades ou uma percepção exagerada da eficácia do acompanhamento preventivo. 

Um estudo realizado por Monteiro et al 2015, conduzido em unidades clínicas de um hospital universitário, teve como objetivo avaliar a percepção de cuidadores familiares de idosos com AVC em relação a um programa de alta hospitalar. Os resultados mostraram que as orientações dadas após a alta foram úteis para o cuidado domiciliar. Os participantes ressaltaram as habilidades desenvolvidas e as mudanças decorrentes do conhecimento adquirido para a prática do cuidado. Com as orientações oferecidas pelo programa, os cuidadores entenderam a relevância de resgatar a cidadania do paciente, promovendo sua autonomia. Isso auxiliou na recuperação das sequelas e na prevenção de agravamentos, conforme demonstrado na tabela, onde 40% receberam orientações e 50% não receberam. 

Ao serem questionados sobre “Como você tem se sentido desde o AVC?”, os entrevistados relataram experiências diversas em relação ao seu estado físico e emocional. Alguns mencionaram limitações persistentes, como paralisia do lado direito do corpo, dificuldades de mobilidade no lado esquerdo e obstáculos para realizar atividades cotidianas. Também foram citados momentos de desânimo e frustração. Por outro lado, houve participantes que destacaram uma evolução positiva ao longo do tempo. Após dois, sete ou até oito anos do AVC, relataram sentir-se bem e afirmaram ter conseguido retomar a vida de maneira mais satisfatória. Dessa forma, é possível observar que, embora o AVC deixe sequelas físicas e emocionais, muitos pacientes demonstram capacidade de adaptação e recuperação gradual, mesmo enfrentando algumas limitações funcionais. Essas percepções são ilustradas nos relatos a seguir: 

“Um pouco sem ânimo…” – resposta A. 

“Lado direito do paralisado…” – resposta B. 

“Depois de dois anos estou bem…” – resposta C. 

“Hoje, depois de pouco mais de sete anos, estou bem…” – resposta D. 

“Me sinto bem, mas com algumas dificuldades de realizar algumas atividades da vida diária…” – resposta E.  

“ Lado direito do corpo paralisado…” – resposta F. 

“ Pouco movimento do lado esquerdo…”- responde G. 

“ Hoje me sinto bem…” – resposta H. 

“Agora depois de oito anos me sinto bem”… –resposta I. 

“Atualmente me sinto bem…” – resposta J

Quando questionados sobre como se sentiram após o AVC, muitos relataram limitações motoras e dificuldades na realização de atividades cotidianas, além de sentimentos de desânimo e frustração. Entretanto, alguns relataram melhora ao longo do tempo, revelando processos de adaptação e resiliência. Esses resultados se alinham ao estudo de Mascaro et al. (2019), que reforça a importância de adaptar a reabilitação às necessidades individuais, considerando aspectos físicos e emocionais. 

Sobre a pergunta “Você tem sentido fraqueza ou dormência em algum lado do corpo? Se sim, explique?”, a maioria dos entrevistados relatou algum tipo de sintoma relacionado. Alguns mencionaram dormência no lado esquerdo ou direito do corpo, enquanto outros descreveram que a sensação afeta tanto os braços quanto as pernas, indicando um comprometimento motor mais abrangente. Em contrapartida, alguns participantes afirmaram não apresentar mais esses sintomas atualmente, o que sugere uma melhora ao longo do tempo, mesmo diante das sequelas iniciais, conforme demonstram os relatos a seguir: 

 “Sim, lado esquerdo muita dormência…” – resposta A.  

 “Sim, dormência do lado direito…” – resposta B. 

 “Não…” – resposta C. 

 “Não…” – resposta D. 

 “Sim, do lado direito do corpo…” – resposta e. 

“ Não…” resposta F. 

“ Sim lado direito…” – resposta G. 

“Sim braços e pernas…”- resposta H. 

“ Sim braços e pernas…” resposta I. 

“ No momento não mais…”- resposta J.  

Assim como Silva et al. (2019) identificaram a hemiparesia como uma sequela frequente do AVC, os relatos dos participantes também enfatizaram a fraqueza em um hemicorpo, impactando suas atividades diárias. 

Quando questionados sobre se “Consegue movimentar bem braços e pernas? Algum lado está mais difícil?”. Alguns relataram conseguir se movimentar, embora com limitações de força ou dificuldade em um dos lados do corpo, como o esquerdo ou o direito. Houve casos de incômodo persistente, especialmente na perna esquerda, mesmo anos após o AVC. Outros afirmaram se mover com mais lentidão ou esforço, enquanto alguns já não apresentam dificuldades. Ainda assim, parte dos participantes relatou restrições significativas na mobilidade. Esses relatos mostram que, apesar de muitos apresentarem melhora, as sequelas motoras ainda afetam de forma variada a recuperação funcional dos pacientes, demonstrados a seguir: 

 “Os braços sim, a pena direta não, pouca força…” – resposta A. 

 “depois de sete anos, ainda apresento um incômodo na perna esquerda…” – resposta B. 

 “Sim…” – resposta C. 

 “Movimentação muito pouca do lado esquerdo…” – resposta D. 

 “Algumas vezes muito rápido com dificuldade, sim perna e braço esquerdo…” – resposta E. 

“ Não…” – resposta F. 

“ Sim, o lado direito…”- resposta G. 

“ Sim, braços e perna…”- resposta H. 

“ No momento não mais..”- resposta I. 

“ Não…”- resposta J. 

No que se refere à mobilidade de braços e pernas, observou-se uma grande variabilidade entre os participantes: alguns já não apresentavam limitações, enquanto outros ainda tinham dificuldades mesmo após anos do evento. Essa constatação confirma os apontamentos de Funao et al. (2021) e Eckermann et al. (2023), que descrevem a recuperação motora pós-AVC como lenta e heterogênea, influenciada por fatores individuais e pela adesão à fisioterapia. 

Ao questionados sobre “Como está o seu humor? Sente-se triste, irritado ou ansioso?”, os relatos indicaram, em sua maioria, a presença de ansiedade, irritação e oscilações emocionais. No entanto, também foram registradas respostas que apontam sentimentos de bem-estar ou estado emocional neutro. Essas percepções variadas são demonstradas nos relatos a seguir: 

 “Dias ansiosa e irritada…” – resposta A. 

 “Humor instável…” – resposta B. 

 “Mais ou menos, sinto tudo junto…” – resposta C. 

 “Bom, sou um pouco ansiosa…” – resposta D. 

 “Com humor estou bem triste e ansiosa não, um pouco irritada…” – resposta E. 

“ Me sinto bem…” – resposta F. 

“ Um pouco triste…”- resposta G.  

“ Estou bem…” – resposta H. 

“ Ansioso…” – resposta I. 

“ Pouco irritado…” resposta J. 

O estado emocional também se destacou entre os entrevistados, com relatos de ansiedade, irritabilidade e tristeza. Tais resultados indicam a necessidade de atenção multiprofissional e reforçam os achados de Mascaro et al. (2019) e Lee; Choi; Jeoung (2022), que destacam o suporte psicossocial como fundamental para reduzir impactos emocionais e favorecer a reintegração social. 

No que se refere à pergunta “Antes das sessões de fisioterapia, houve visita dos agentes de saúde?”, apenas uma minoria dos participantes confirmou ter recebido esse tipo de acompanhamento. A maioria dos entrevistados relatou a ausência de visitas domiciliares por parte dos agentes comunitários de saúde, seja por falta de encaminhamento, solicitação ou iniciativa por parte da equipe de atenção básica. Essas respostas evidenciam nos relatos a seguir: 

 “Não…” – resposta A. 

 “Sim…” – resposta B. 

 “Sim…” – resposta C. 

 “Na época não solicitei visitas do agente de saúde…” – resposta D. 

 “Não fiz fisioterapia e não houve visita do agente de saúde…” – resposta E. 

“ Não …”- resposta F.  

“ Não teve…” – resposta G. 

“ Não…” resposta H. 

“ Não…”- resposta I. 

“ Teve sim…” resposta J. 

Outro ponto relevante foi a baixa frequência de visitas domiciliares realizadas por agentes comunitários de saúde e equipes da UBS, além da dificuldade de acesso à fisioterapia, que muitas vezes não ocorreu de forma contínua. Esse cenário confirma as observações de Danseur (2020) e Ruth (2021), que destacam o risco de descontinuidade no cuidado após a alta hospitalar. Programas como o Melhor em Casa, instituído pelo Ministério da Saúde em 2011, surgiram como estratégia de apoio domiciliar, mas ainda enfrentam desafios de implementação (Silva et al., 2023). 

Em relação “Como está a frequência na fisioterapia?”, a maioria dos entrevistados informou não estar em acompanhamento fisioterapêutico regular. As razões variam entre a percepção de não haver mais necessidade, dificuldades para conseguir vagas no serviço ou a interrupção do tratamento por diferentes motivos. Apenas uma minoria relatou manter uma frequência semanal ou mais intensiva nas sessões. Essas respostas são detalhadas nos relatos a seguir: 

 “Não foi necessário fazer fisioterapia…” – resposta A. 

 “Na época foi muito difícil de conseguir, poucas vagas para muitos doentes…” – resposta B. 

 “No momento não estou fazendo…” – resposta C. 

 “Muito pouco uma vez por semana…” – resposta D. 

 “Tranquilo…” – resposta E.  

“ No momento estou sem fazer…” resposta F. 

“ Faço três vezes por semana…” –  resposta G.  

“ Não estou precisando mais…” – resposta H. 

“ No momento não estou precisando…” – resposta I. 

“ Não faço mais…” – resposta J. 

Esses achados evidenciam um problema recorrente na rede de atenção: a descontinuidade da reabilitação fisioterapêutica após a alta hospitalar. Conforme destaca Preis et al. (2024), o acesso precoce e contínuo à fisioterapia é determinante para reduzir complicações, ampliar a independência funcional e melhorar a sobrevida de pacientes pós AVC. A dificuldade de manter o acompanhamento, portanto, pode comprometer diretamente o prognóstico funcional. 

Da mesma forma, Dutra; Medino; Brito (2024) reforçam que a fisioterapia é essencial no manejo das disfunções motoras decorrentes do AVC, sendo fundamental a adesão às sessões para promover plasticidade cerebral e recuperação motora. A ausência ou irregularidade do tratamento está associada a maiores limitações funcionais e dependência nas atividades de vida diária. 

Em resposta à pergunta “Você possui visita domiciliar da equipe especializada da UBS?”, a maioria dos participantes relatou não receber esse tipo de acompanhamento. Uma parcela menor afirmou ter sido assistida pela equipe da Unidade Básica de Saúde, enquanto um dos entrevistados destacou não ter necessitado do serviço. Essas informações nos relatos a seguir: 

 “Sim…” – resposta A. 

 “Sim… ” – resposta B. 

 “A sete anos não cheguei a ter necessidade desses profissionais…” – resposta C. 

 “Não…” – resposta D. 

 “Não…” – resposta E. 

“ Não…” – resposta F. 

“ Não…” –resposta G. 

“ Não…” resposta H. 

“ Sim..” – resposta I. 

“ Sim…” resposta J. 

O Programa Melhor em Casa, instituído pelo Ministério da Saúde em 2011, surgiu justamente para suprir essa demanda, ofertando atenção domiciliar multiprofissional com foco na desospitalização e na integralidade do cuidado. Entretanto, estudos recentes apontam que sua implementação ainda enfrenta barreiras, como insuficiência de equipes e desigualdade na cobertura. Silva et al. (2023) destacam que, embora o programa amplie o acesso e reduza hospitalizações desnecessárias, ele não alcança toda a população que necessita desse acompanhamento. 

Além disso, Assis e Castro-Silva (2018) reforçam que as visitas domiciliares fortalecem o vínculo entre profissionais e pacientes, favorecem a adesão ao tratamento e permitem compreender o contexto familiar e social em que se dá a recuperação. Quando esse acompanhamento não acontece, há maior risco de abandono da reabilitação e de complicações decorrentes do AVC. Esses achados também dialogam com Gusmão et al. (2023), que apontam a dificuldade de acesso aos serviços públicos de saúde no Brasil como um entrave para a efetividade das ações do SUS. A ausência das visitas domiciliares relatada neste estudo reforça essa realidade, evidenciando a necessidade de maior investimento em políticas públicas que assegurem o acompanhamento continuado no território. 

Em relação ao questionamento “Você está conseguindo se comunicar bem?”, a maioria dos participantes afirmou conseguir se expressar de maneira eficaz. Alguns fizeram pequenas observações ou apresentaram ressalvas, enquanto uma parcela menor relatou dificuldades significativas na comunicação. Conforme a seguir: 

 “Sim…” – resposta A. 

 “Sim, as vezes sinto um pouco…” – resposta B. 

 “Não…” – resposta C. 

 “Até demais…” – resposta D. 

 “Sim, não tive problema com a fala…” – resposta E. 

“ Sim…”- resposta F. 

“ Um pouco…” – resposta G. 

“ Sim..” – resposta H.

“Sim…”- resposta I. 

“Sim…”- resposta J. 

Sobre a comunicação, a maioria dos participantes relatou não apresentar dificuldades significativas, embora alguns tenham indicado limitações. Esse resultado contrasta com o estudo de Petry et al. (2019), que identificou aumento no acompanhamento fonoaudiológico em pacientes pós-AVC, mas ressalta que muitos tendem a subestimar suas dificuldades comunicativas. 

Quanto ao questionamento “Você está conseguindo realizar atividades do dia a dia, como comer, vestir-se ou tomar banho?”, a maioria dos participantes relatou dificuldades para executar essas tarefas. Quatro afirmaram não conseguir realizá-las, dois relataram conseguir apenas com dificuldade ou apenas no início da atividade, enquanto três declararam realizar essas atividades plenamente. Os dados correspondentes estão apresentados a seguir: 

 “Sim…” – resposta A. 

 “Sim…” – resposta B. 

 “Sim, mas com dificuldade…” – resposta C. 

“Somente nos primeiros dias que tive dificuldade, como o citado acima…” – resposta D. 

 “Não…” – resposta E. 

“ Não…” – resposta F. 

“ Não…” resposta G.

“ Não… “ resposta H. 

“ Um pouco…” – resposta I. 

“ Sim…” resposta J. 

As respostas também evidenciaram limitações para a realização das atividades da vida diária, como vestir-se, alimentar-se e tomar banho. Tais achados corroboram os apontamentos de Magalhães et al. (2013), que associam a assimetria corporal pós-AVC à perda de estabilidade e às dificuldades em movimentos funcionais. Da mesma forma, alguns participantes relataram dificuldades em segurar objetos ou realizar movimentos precisos, confirmando que déficits motores finos são comuns nesse público (Mascaro et al., 2019). 

A respeito do questionamento “Você tem dificuldade para segurar objetos ou realizar movimentos precisos?”, as respostas se dividiram entre aqueles que relataram alguma dificuldade, seja leve ou frequente, e aqueles que não apresentaram dificuldades. Conforme apresentamos a seguir: 

 “As vezes sim…” – resposta A. 

 “Um pouco…” – resposta B. 

 “Sim…” – resposta C. 

 “Sim, tive dificuldade como as citadas acima…” – resposta D. 

 “Sim…” – Resposta E. 

“ Não…”- resposta F. 

“ Não…” resposta G.

“ Não…” resposta H. 

“ Não …” resposta I. 

“ Não…” resposta J. 

Os relatos dos participantes indicam percepções distintas sobre a presença de dificuldades motoras. Parte dos entrevistados mencionou limitações como “às vezes sim” (resposta A), “um pouco” (resposta B) ou ainda “sim, tive dificuldade como as citadas acima” (resposta D), revelando que o impacto motor se manifesta em graus variados e pode estar associado à instabilidade no controle fino dos movimentos. Esse achado é compatível com o estudo de Dutra, Medino e Brito (2024), que aponta a presença de déficits motores finos e grossos como consequência comum em pessoas pós-AVC, dificultando atividades simples do cotidiano, como segurar objetos ou realizar movimentos delicados. 

Por outro lado, respostas como “não” (respostas F, G, H, I e J) evidenciam que uma parcela dos entrevistados não apresentou dificuldades. Tal resultado corrobora com a perspectiva de Langhorne, Bernhardt e Kwakkel (2011), segundo a qual a recuperação funcional após um evento neurológico pode ser significativa, especialmente quando há intervenção precoce da reabilitação fisioterapêutica. 

No que se refere ao questionamento “Você está conseguindo andar sem assistência?”, 70% dos respondentes afirmaram ser independentes para caminhar, enquanto os 30% restantes relataram algum grau de dependência, seja parcial ou total. As informações estão apresentadas nos relatos a seguir: 

 “Não caminha…” – resposta A. 

 “Sim…” – resposta B. 

 “Não, faço uso de andador… ” – resposta C. 

 “Sim, às vezes uso uma bengala… ” – resposta D. 

“Sim…” – resposta E. 

“ Sim…” – resposta F. 

“ Sim…”- resposta G. 

“ Sim…”  – resposta H. 

“ Sim…” resposta I. 

“ Sim…” resposta J. 

Os relatos dos participantes indicam percepções distintas sobre a presença de dificuldades motoras. Parte dos entrevistados mencionou limitações como “às vezes sim” (resposta A), “um pouco” (resposta B) ou ainda “sim, tive dificuldade como as citadas acima” (resposta D), revelando que o impacto motor se manifesta em graus variados e pode estar associado à instabilidade no controle fino dos movimentos. Esse achado é compatível com o estudo de Dutra, Medino e Brito (2024), que aponta a presença de déficits motores finos e grossos como consequência comum em pessoas pós-AVC, dificultando atividades simples do cotidiano, como segurar objetos ou realizar movimentos delicados. 

Por outro lado, respostas como “não” (respostas F, G, H, I e J) evidenciam que uma parcela dos entrevistados não apresentou dificuldades. Tal resultado corrobora com a perspectiva de Langhorne, Bernhardt e Kwakkel (2011), segundo a qual a recuperação funcional após um evento neurológico pode ser significativa, especialmente quando há intervenção precoce da reabilitação fisioterapêutica

4. CONCLUSÃO 

O estudo evidenciou a importância da Atenção Primária à Saúde (APS) na reabilitação e no acompanhamento de pessoas após o Acidente Vascular Cerebral (AVC), destacando seu papel essencial na continuidade do cuidado. Observou-se que, embora muitos pacientes apresentem avanços na recuperação, ainda existem desafios significativos, como a ausência de visitas domiciliares, a baixa adesão à fisioterapia e a falta de acompanhamento multiprofissional. Esses fatores comprometem a integralidade da assistência e o potencial de reabilitação funcional. Assim, torna-se necessário fortalecer políticas públicas e ampliar o acesso aos serviços de fisioterapia e reabilitação domiciliar. Conclui-se que a atuação efetiva da APS é indispensável para promover uma recuperação mais completa, reduzir complicações e garantir qualidade de vida aos pacientes pós-AVC. 

REFERÊNCIAS 

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1Discente do Curso Superior de Bacharelado em fisioterapia do Centro Universitário de Patos PB – UNIFIP. email: sarasousa@fisio.fiponline.edu.br
2Discente do Curso Superior de Bacharelado em fisioterapia do Centro Universitário de Patos PB – UNIFIP. email: nairmissiano@fisio.fiponline.edu.br
3Discente do Curso Superior de Bacharelado em fisioterapia do Centro Universitário de Patos PB – UNIFIP. email: mariasobrinha@fisio.fiponline.edu.br
4Docente do Curso Superior de Bacharelado em fisioterapia do Centro Universitário de Patos PB – UNIFIP. email: samaraassis@fiponline.edu.br