AS LESÕES ORAIS E SEUS IMPACTOS NO DESEMPENHO DE ATLETAS DE GRAPPLING

ORAL INJURIES AND THEIR IMPACTS ON THE PERFORMANCE OF GRAPPLING ATHLETES

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202511231629


Jhonatas Enus Ponce Pereira¹
Aleomar Santana Silva²
Caren Cristine da Silva Batista³
Talony Oliveira Alencar
Wander Roberto Souza Nogueira Junior
Victor Rafael Silva Cardoso


Resumo

O presente estudo teve como objetivo analisar a presença de lesões orais em atletas de grappling e compreender seus impactos no desempenho esportivo, considerando tanto aspectos locais quanto sistêmicos da saúde bucal. A pesquisa fundamenta-se na Odontologia do Esporte, especialidade responsável pela prevenção, diagnóstico e manejo de alterações orofaciais que podem comprometer funções essenciais ao rendimento atlético, como respiração, mastigação, equilíbrio postural e recuperação muscular. Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e transversal, realizado com 50 atletas maiores de idade residentes em Porto Velho (RO), que responderam a um questionário estruturado composto por dezoito itens distribuídos em cinco eixos temáticos. Os resultados apontaram elevada prevalência de lesões orais (62%), com predominância de cortes em mucosa, sangramentos gengivais e episódios prévios de dor dentária ou inflamação (44%). Traumas estruturais, como fraturas dentárias, foram relatados por 22% dos participantes. Observou-se ainda baixa adesão a medidas preventivas, especialmente ao uso de protetor bucal, referido por apenas 14% dos atletas. A maioria reconheceu relação direta entre saúde bucal e performance (76%) e relatou prejuízos em respiração, alimentação, sono e concentração. Verificou-se também demanda expressiva por acompanhamento odontológico integrado ao planejamento esportivo (82%). Os achados reforçam a importância da Odontologia do Esporte na prevenção de traumas, no controle de processos inflamatórios e na manutenção do desempenho físico, destacando a necessidade de maior conscientização e inclusão do cirurgião-dentista em equipes multidisciplinares

Palavras-chave: Odontologia, Esporte, Lesões, orais, Grappling, Desempenho.

1 INTRODUÇÃO

A Odontologia do Esporte foi oficialmente reconhecida como especialidade odontológica no Brasil em novembro de 2015 (CFO, 2025). Essa área não se restringe apenas à confecção e adaptação de protetores bucais, mas também compreende ações voltadas à prevenção, diagnóstico e tratamento de condições que afetam a saúde bucal de atletas. Para que o desempenho esportivo seja otimizado, é indispensável que o organismo esteja em pleno funcionamento, o que reforça a importância do acompanhamento por uma equipe multiprofissional (SILVA; LIMA, 2022).

A literatura aponta que processos de recuperação prolongados em atletas frequentemente estão associados a focos infecciosos de origem odontogênica, cuja eliminação contribui para um prognóstico mais positivo (PADILHA; NAMBA, 2016). Nesse contexto, a odontologia desportiva desempenha papel essencial na prevenção e no tratamento de traumas orofaciais, os quais podem comprometer não apenas a integridade física, mas também o rendimento competitivo (COSTA, 2009).

No grappling, modalidade caracterizada por intenso contato físico, há alta incidência de situações de impacto que favorecem lesões orais. Essas lesões vão além da dor imediata, podendo interferir em funções vitais como respiração, mastigação e concentração durante as competições. Além disso, doenças bucais como cáries, periodontite, disfunções da articulação temporomandibular (DTM), má oclusão e erosão dentária podem gerar restrições alimentares, distúrbios do sono, dores crônicas e até afastamento de treinos e competições (BASTOS et al., 2013; DE SOUZA, 2017).

O processo inflamatório de origem bucal, desencadeado por microrganismos patogênicos, não se restringe à cavidade oral. Estudos apontam que tais inflamações podem favorecer complicações sistêmicas, como aterosclerose, infecções respiratórias e até infarto do miocárdio (BASTOS et al., 2013). Além disso, quadros inflamatórios crônicos podem comprometer a regeneração muscular e interferir diretamente no rendimento físico (SOUZA et al., 2016), afetando a qualidade de vida e o desempenho esportivo (DE SOUZA COSTA, 2009).

Em esportes de contato como o grappling, os riscos são ainda mais evidentes. Atletas estão constantemente expostos a fraturas dentárias, lacerações em tecidos moles da cavidade oral e distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao bruxismo ou à tensão muscular (DE FRANÇA et al., 2017). A negligência com a saúde bucal compromete a preparação, a recuperação e a capacidade de resposta durante os combates (FREITAS et al., 2020). Por isso, torna-se essencial que o cirurgião-dentista esportivo atue de forma integrada às equipes multidisciplinares, contribuindo para a prevenção, diagnóstico precoce e manejo dessas condições (SILVA et al., 2022).

Estudos recentes, como o de Da Veiga et al. (2025), evidenciam que muitos atletas desconhecem a Odontologia do Esporte como especialidade formal. Entretanto, reconhecem a conexão entre saúde bucal e desempenho esportivo, destacando a importância da atuação do cirurgião-dentista no acompanhamento de equipes. Essa percepção reforça a necessidade de investigações voltadas para modalidades de alto contato físico, como o grappling, em que o risco de lesões orais é elevado.

Adicionalmente, fatores como ingestão frequente de bebidas ácidas e desidratação durante treinos intensos aumentam a predisposição à erosão dentária, condição que favorece hipersensibilidade, fraturas e prejuízos funcionais que podem impactar diretamente a performance em combate (DE SOUZA, 2017; GOULART; SOUZA; PADILHA, 2018). O uso de protetores bucais, por sua vez, é apontado como estratégia eficaz na redução da incidência de fraturas, luxações e outros traumas dentários, além de contribuir para a autoconfiança e concentração do atleta (JUSTINO et al., 2023).

Diante desse cenário, o presente trabalho tem como objetivo analisar os impactos das lesões orais no desempenho de atletas de grappling, considerando tanto os aspectos locais quanto os sistêmicos da saúde bucal. Para isso, será aplicado um questionário autoperceptivo junto a atletas da modalidade, visando compreender como eles reconhecem e vivenciam a influência das condições orais em sua performance esportiva.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Reconhecimento da Odontologia do Esporte como Especialidade

A Odontologia do Esporte, reconhecida oficialmente como especialidade odontológica pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO, 2019), surgiu para atender às demandas específicas de atletas, promovendo prevenção e tratamento de lesões orais, bem como manutenção do desempenho físico. Esta especialidade vai além da confecção de protetores bucais, envolvendo acompanhamento preventivo e terapêutico contínuo para garantir a integridade bucal e sistêmica do atleta (FREITAS; MARCONDES, 2020). A atuação do cirurgião-dentista é essencial em modalidades de contato intenso, como o grappling, em que os impactos físicos constantes podem gerar traumas dentários e tecidos moles da cavidade oral.

2.2 Lesões Orofaciais em Atletas de Contato

Atletas de esportes de contato apresentam elevada incidência de traumas orais, incluindo fraturas dentárias, cortes em mucosas, deslocamentos dentários e lesões na mandíbula (MONTEIRO; ALMEIDA, 2021). Esses eventos ocorrem tanto durante treinos quanto competições, impactando diretamente a capacidade de mastigação, respiração e fala. A literatura evidencia que a falta de acompanhamento odontológico preventivo e a não utilização de protetores bucais aumentam significativamente a frequência e a gravidade desses traumas (CARRUTHERS; CARRUTHERS, 2020). Além disso, lesões crônicas, como cáries não tratadas e disfunções temporomandibulares (DTM), podem comprometer o desempenho funcional e a resistência física do atleta, interferindo na recuperação muscular e na concentração durante a prática esportiva.

2.3 Impactos Sistêmicos das Doenças Bucais

Doenças orais não tratadas podem desencadear repercussões sistêmicas importantes, conhecidas como “efeito cascata”, que prejudicam o desempenho esportivo. Infecções odontogênicas e inflamações crônicas liberam citocinas pró-inflamatórias que podem interferir na regeneração muscular e aumentar a fadiga durante treinos e competições (FREITAS; MARCONDES, 2020). Além disso, processos infecciosos podem aumentar a vulnerabilidade a infecções respiratórias e desencadear complicações cardiovasculares, mostrando a necessidade de uma abordagem preventiva na saúde bucal dos atletas (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2019).

2.4 Relação entre Saúde Bucal, Equilíbrio Postural e Desempenho Esportivo

Lesões dentárias, disfunções temporomandibulares e problemas de oclusão podem alterar a postura, gerar compensações musculares e comprometer o equilíbrio do corpo, impactando diretamente a performance esportiva (MONTEIRO; ALMEIDA, 2021). A dor crônica causada por essas condições pode levar a alterações biomecânicas que aumentam o risco de lesões musculoesqueléticas e reduzem a eficiência motora durante combates ou treinos intensivos (CARRUTHERS; CARRUTHERS, 2020). Portanto, o acompanhamento odontológico preventivo não protege apenas a saúde bucal, mas também contribui para a integridade física e o rendimento atlético.

2.5 Estratégias de Prevenção e Papel do Cirurgião-Dentista

O cirurgião-dentista atua preventivamente por meio da confecção de protetores bucais, orientação sobre higiene oral, tratamento de cáries, periodontite, disfunções temporomandibulares e outras alterações odontológicas (BRASIL, 2019). O uso de protetores bucais personalizados é considerado a estratégia mais eficaz para prevenir fraturas dentárias e contusões, além de promover segurança e maior autoconfiança aos atletas durante a prática esportiva (MONTEIRO; ALMEIDA, 2021). A atuação integrada do dentista com equipes multidisciplinares garante que a saúde bucal seja considerada na preparação física, nutricional e psicológica do atleta, otimizando seu desempenho e reduzindo o risco de lesões secundárias.

2.6 Importância da Educação e Conscientização do Atleta

A conscientização do atleta sobre a relação entre saúde bucal e performance esportiva é essencial. Estudos destacam que a falta de conhecimento sobre cuidados preventivos aumenta a incidência de lesões orais e crônicas (CARRUTHERS; CARRUTHERS, 2020). Programas educativos sobre higiene oral, uso de protetores bucais e acompanhamento odontológico regular podem reduzir significativamente a frequência de traumas e melhorar a percepção de bem-estar e performance (FREITAS; MARCONDES, 2020). Assim, a educação preventiva é um elemento chave da Odontologia do Esporte, especialmente em modalidades de alto impacto.

2.7 Equipe Multidisciplinar e Prevenção de Lesões Orais em Atletas

A atuação do cirurgião-dentista no esporte não se limita à prevenção e tratamento de lesões orais, mas se integra a uma abordagem multidisciplinar, envolvendo profissionais como psicólogos, nutricionistas e preparadores físicos, com o objetivo de otimizar o desempenho do atleta (FREITAS; MARCONDES, 2020). O acompanhamento psicológico auxilia na redução do estresse e ansiedade, fatores que podem aumentar hábitos parafuncionais como bruxismo, tensionamento muscular e, consequentemente, predisposição a traumas dentários (CARRUTHERS; CARRUTHERS, 2020). Já a nutrição desempenha papel fundamental na manutenção da saúde bucal, pois dietas ricas em alimentos ácidos, como bebidas esportivas, sucos cítricos e refrigerantes, podem favorecer a desmineralização do esmalte dentário, tornando os dentes mais frágeis e suscetíveis a fraturas durante impactos físicos (MONTEIRO; ALMEIDA, 2021).

Em modalidades de contato intenso, como o grappling, atletas que não utilizam protetores bucais personalizados apresentam maior risco de traumas dentários e lesões nos tecidos moles da cavidade oral (BRASIL, 2019). O dentista esportivo, ao atuar em conjunto com nutricionista e psicólogo, pode desenvolver estratégias preventivas que considerem fatores comportamentais, dietéticos e físicos, minimizando a incidência de fraturas dentárias, luxações e cortes. Além disso, a orientação quanto à hidratação adequada e ao consumo de alimentos de baixo potencial erosivo contribui para a preservação da integridade do esmalte e a redução de sensibilidade dentária, permitindo que o atleta mantenha desempenho máximo sem prejuízos funcionais ou sistêmicos (FREITAS; MARCONDES, 2020).

A integração de diferentes profissionais permite ainda a elaboração de protocolos individualizados, considerando as características físicas, hábitos alimentares e padrões de treino do atleta, promovendo prevenção personalizada e intervenções precoces. Essa abordagem multidisciplinar evidencia que a saúde bucal não deve ser vista isoladamente, mas como parte integrante da preparação física e psicológica, garantindo segurança, rendimento esportivo e bem-estar geral do praticante (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2019).

3 METODOLOGIA

O presente estudo foi desenvolvido com o objetivo de investigar a ocorrência de lesões orais em atletas de grappling no município de Porto Velho (RO), bem como compreender de que maneira essas alterações bucais podem influenciar o desempenho esportivo, a percepção individual do atleta sobre sua performance e a relação existente entre saúde bucal, prevenção e risco de acidentes em modalidades de luta. Para alcançar esses objetivos, adotou-se um delineamento de pesquisa quantitativo, descritivo e transversal, adequado para estudos que buscam mensurar prevalências, identificar padrões e estabelecer relações exploratórias entre variáveis dentro de um recorte temporal específico.

A população-alvo da pesquisa foi composta por atletas adultos praticantes de grappling, modalidade que abrange técnicas de combate corpo a corpo, incluindo jiu-jitsu, judo, wrestling, luta olímpica e variações híbridas, caracterizando-se como esporte de contato físico intenso e, portanto, susceptível a trauma facial e lesões orais de diferentes naturezas. A amostra final constituiu-se de cinquenta atletas selecionados por conveniência, recrutados em academias e centros de treinamento da cidade. Participaram apenas indivíduos maiores de dezoito anos, praticantes ativos da modalidade, que estivessem aptos a responder ao questionário e que concordaram em participar mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foram excluídos atletas que não completaram o instrumento de coleta de dados ou que apresentavam limitações sistêmicas que pudessem interferir na participação.

Para a coleta de informações, foi utilizado um questionário estruturado, composto por dezoito perguntas fechadas elaboradas a partir de referenciais teóricos da Odontologia do Esporte e de estudos prévios sobre lesões em modalidades de combate. O questionário foi organizado de forma a abarcar diferentes dimensões relacionadas à saúde bucal do atleta: ocorrência geral de lesões orais, tipos específicos de trauma sofrido, condições odontológicas prévias, impacto da saúde bucal na execução das atividades esportivas, hábitos de cuidado e prevenção, acesso ao atendimento odontológico e percepção subjetiva sobre o suporte profissional recebido. As perguntas foram dispostas em formato claro e objetivo, com opções de resposta padronizadas em escalas dicotômicas e ordinais, incluindo alternativas como “sim”, “não”, categorias de satisfação e a opção “não sabe/não respondeu”, de modo a facilitar a quantificação dos dados e reduzir ambiguidades interpretativas.

A aplicação do questionário ocorreu de forma presencial, nos próprios ambientes de treinamento dos atletas, garantindo maior conforto, adesão e representatividade da rotina real dos participantes. Antes do preenchimento, todos receberam explicações sobre o propósito do estudo, assegurou-se o anonimato das respostas e esclareceu-se que não haveria qualquer impacto sobre suas atividades esportivas caso optassem por não participar. Cada atleta respondeu individualmente ao instrumento, sem interferência do pesquisador, evitando viés de resposta. O tempo médio de preenchimento foi de oito minutos, e nenhum participante relatou dificuldades de compreensão.

Posteriormente, todas as respostas foram registradas em planilha digital e submetidas à análise por meio de estatística descritiva. Foram calculadas frequências absolutas e relativas para identificar a prevalência de lesões orais e condições odontológicas relatadas, além de medidas simples de tendência central para estimar padrões de percepção de desempenho e de satisfação com cuidados odontológicos. De maneira exploratória, observou-se ainda possíveis associações entre variáveis, como o impacto das lesões orais na respiração, alimentação e sono, o efeito de condições prévias como dor de dente ou inflamações na performance esportiva, a relação entre o uso (ou não) de protetor bucal e a incidência de traumas, e a influência da saúde bucal sobre o risco de outras lesões corporais. Embora o estudo não se propusesse a realizar inferências estatísticas complexas, tais observações contribuíram para ampliar a compreensão dos fatores envolvidos e fundamentar a discussão.

A metodologia adotada foi especialmente relevante diante do contexto investigado, considerando que atletas de grappling estão expostos a situações frequentes de impacto corporal, quedas, retenções de força e compressões faciais que favorecem o aparecimento de cortes, fraturas dentárias, lesões gengivais e deslocamentos articulares da mandíbula. Assim, o instrumento criado buscou alinhar-se à realidade esportiva da modalidade, permitindo a coleta de informações diretamente relacionadas ao cotidiano dos praticantes, incluindo a relação entre saúde bucal, desempenho, função respiratória, alimentação, dor e interrupção de treinos. Além disso, ao incorporar perguntas sobre a percepção dos atletas acerca da Odontologia do Esporte e de práticas preventivas como o uso de protetor bucal, foi possível traçar um panorama mais abrangente sobre o nível de conscientização e de proteção existente no cenário estudado.

A pesquisa foi conduzida em conformidade com todos os preceitos éticos estabelecidos pela Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. O projeto foi previamente submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário São Lucas Afya, garantindo que todos os procedimentos fossem realizados de forma segura, transparente e respeitosa quanto aos direitos dos participantes. A participação foi voluntária, e todas as informações obtidas foram tratadas com total sigilo, preservando a identidade e privacidade dos atletas.

Dessa forma, a metodologia adotada assegurou a coleta rigorosa e consistente dos dados necessários para a análise da prevalência de lesões orais entre praticantes de grappling, bem como para a interpretação dos possíveis impactos dessas lesões sobre o desempenho esportivo, permitindo compreender não apenas a frequência dos eventos, mas também a percepção dos próprios atletas sobre sua saúde bucal e sobre a importância da prevenção dentro da prática esportiva de contato.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A amostra foi composta por 50 atletas praticantes de grappling residentes em Porto Velho (RO), com idades variadas, sendo todos maiores de idade, de ambos os sexos. Todos os participantes preencheram integralmente o questionário, que foi organizado em cinco blocos temáticos totalizando dezoito perguntas. Os resultados foram analisados por frequência absoluta e percentual, permitindo identificar a prevalência de lesões orais, hábitos preventivos e a percepção dos atletas quanto à influência da saúde bucal no desempenho esportivo.

4.1 Bloco 1 – Ocorrência Geral de Lesões

Observou-se que 62% dos atletas relataram ter sofrido algum tipo de lesão oral nos últimos 12 meses (31 “Sim” e 19 “Não”). Além disso, 24% afirmaram já ter interrompido um treino ou luta devido a dor ou lesão bucal, enquanto 22% relataram dor ou desconforto que limitou o desempenho durante treinos ou competições. Esses resultados indicam que as lesões orais são eventos relativamente comuns entre praticantes de grappling, corroborando FREITAS et al. (2020), que apontam alta incidência de traumas orofaciais em esportes de combate. A maioria das ocorrências, embora não leve à interrupção imediata, causa desconforto capaz de comprometer o rendimento físico e técnico do atleta.

A seguir, são apresentados os resultados detalhados do Bloco 1:

Figura 1 – Lesão oral nos últimos 12 meses

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Figura 2 – Interrupção de treino/luta por lesão oral

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Figura 3 – Dor/desconforto bucal limitando performance

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

4.2 Bloco 2 – Tipos de Lesões Orais

Os cortes e feridas em mucosa oral (bochechas, lábios e língua) foram as lesões mais prevalentes, com 76% de ocorrência. Em seguida, destacaram-se sangramento gengival (44%) e problemas odontológicos prévios, como dor de dente, inflamação do siso ou infecção (44%). Já fraturas ou trincas dentárias foram relatadas por 22% dos atletas, e deslocamento dentário, por 8%. Esses dados evidenciam que, embora as lesões leves sejam mais frequentes, traumas estruturais como fraturas ainda representam uma parcela significativa, reforçando a necessidade de estratégias preventivas.

A pesquisa também mostrou que 20% dos atletas perceberam maior suscetibilidade a lesões corporais após episódios de infecção ou dor de origem odontológica, sugerindo relação entre inflamações bucais e queda de rendimento, conforme defendem RECHENBERG et al. (2017) e MOREIRA et al. (2024). Esses achados sustentam a hipótese de que processos inflamatórios locais podem repercutir sistemicamente, comprometendo a recuperação muscular e aumentando o risco de lesões secundárias.

A seguir, são apresentados os resultados detalhados do Bloco 2:

Figura 4 – Cortes ou feridas na mucosa oral

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Figura 5 – Fraturas ou trincas dentárias

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Figura 6 – Sangramento gengival ou trauma gengival

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Figura 7 – Deslocamento dentário

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Figura 8 – Problemas odontológicos prévios (dor de dente, siso, infecção)

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Figura 9 – Suscetibilidade a lesões após problemas odontológicos

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

4.3 Bloco 3 – Impacto no Desempenho Esportivo

A maioria dos atletas (76%) reconheceu que sua saúde bucal influencia diretamente no desempenho esportivo, enquanto 38% relataram já ter percebido queda de rendimento em decorrência de dor, sangramento ou trauma bucal. Além disso, 52% afirmaram que as lesões bucais já prejudicaram funções associadas ao treino, como respiração, alimentação e sono.

Esses dados evidenciam que a saúde oral afeta não apenas o conforto físico, mas também aspectos fisiológicos fundamentais à performance. Resultados semelhantes foram encontrados por GONÇALVES et al. (2023), que relacionaram doenças periodontais e inflamações orais a alterações na capacidade respiratória e na concentração de atletas.

A seguir, são apresentados os resultados detalhados do Bloco 3:

Figura 10 – Saúde bucal influencia diretamente no desempenho

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Figura 11 – Queda no rendimento por dor/trauma bucal

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Figura 12 – Lesões/problemas bucais prejudicaram atividades de treino (respiração, alimentação, sono)

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

4.5 Bloco 4 – Cuidados Odontológicos e Prevenção

Embora 76% dos atletas afirmem realizar consultas odontológicas regulares, apenas 22% já receberam orientação odontológica voltada especificamente para esportes de contato. O dado mais preocupante refere-se ao uso de protetor bucal, conforme ilustrado na Figura 15.

A seguir, são apresentados os resultados detalhados do Bloco 4:

Figura 13 – Realiza consultas odontológicas regulares (pelo menos 1x/ano)

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Figura 14 – Recebeu orientação odontológica específica para atletas de contato

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Figura 15 – Utiliza protetor bucal durante treinos e competições

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

A análise da Figura 15 revela que apenas 14% dos atletas afirmaram utilizar o protetor bucal durante treinos e competições, enquanto 84% não o utilizam. A baixa adesão ao uso de protetores bucais confirma achados de JUSTINO et al. (2023), que destacam a falta de conscientização como o principal fator de risco para fraturas e lacerações orofaciais. Tal resultado demonstra a necessidade urgente de ações educativas que incentivem a prevenção e o uso de equipamentos de proteção personalizados.

4.6 Bloco 5 – Satisfação e Percepção de Suporte

Em relação à satisfação com a saúde bucal, 50% dos atletas declararam-se satisfeitos, 22% nem satisfeitos nem insatisfeitos, e 28% relataram algum grau de insatisfação. Quanto ao acompanhamento odontológico recebido, 52% disseram estar satisfeitos, mas 20% expressaram insatisfação e 10% muita insatisfação.

Por fim, a alta demanda observada com 82% dos participantes indicando que o acompanhamento odontológico deveria ser mais integrado ao planejamento esportivo, reforça a percepção da importância da Odontologia do Esporte para o desempenho atlético. Esse dado vai ao encontro das conclusões de SILVA; LIMA (2022), que defendem a presença do cirurgião-dentista em equipes multidisciplinares esportivas.

A seguir, são apresentados os resultados detalhados do Bloco 5:

Figura 16 – Satisfação com a saúde bucal atual

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Figura 17 – Satisfação com o acompanhamento odontológico atual

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Figura 18 – Acompanhamento odontológico deveria ser mais integrado ao planejamento esportivo

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

4.7 Considerações Gerais sobre os Resultados

Os resultados do estudo confirmam a hipótese de que atletas com menor acompanhamento odontológico específico e ausência de prevenção apresentam maior incidência de lesões orais e percepção negativa sobre o próprio desempenho.

A análise geral dos dados permite sumarizar as seguintes conclusões fundamentais:

Prevalência elevada: 62% dos atletas de grappling relataram lesões orais nos últimos 12 meses, predominando cortes e feridas em mucosa.

Baixa prevenção especializada: Apenas 22% dos atletas recebem orientação odontológica esportiva específica.

Risco Extremo: O uso de protetores bucais é extremamente baixo (14%), expondo os praticantes a um alto risco de traumas dentários e orofaciais.

Reconhecimento do Impacto: A maioria (76%) reconhece que a saúde bucal afeta diretamente o desempenho esportivo.

Demanda por Suporte: Há uma demanda evidente (82%) por maior integração entre o acompanhamento odontológico e o treinamento esportivo.

A falta de informação e de acompanhamento especializado contribui significativamente para a subestimação do papel da saúde bucal na performance. Além disso, a pesquisa verificou que inflamações e infecções bucais prévias (relatadas por 44% dos atletas) estão associadas a sintomas sistêmicos como fadiga e perda de rendimento (em 20% dos casos), o que corrobora as evidências de BASTOS et al. (2013) e SOUZA et al. (2016) sobre o impacto sistêmico das doenças orais.

Em última análise, os achados reforçam a necessidade urgente de ações preventivas contínuas, como campanhas educativas, consultas odontológicas semestrais e o uso obrigatório de protetores bucais personalizados, indicando a importância de incluir o cirurgião-dentista na equipe multidisciplinar responsável pelo acompanhamento dos atletas

5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

A realização deste estudo evidencia de maneira inequívoca a relevância da saúde bucal no contexto esportivo, especialmente em modalidades de contato intenso como o grappling. Ao extrapolar o papel tradicionalmente atribuído ao cirurgião-dentista, a Odontologia do Esporte consolida-se como área indispensável para a prevenção, identificação e manejo de alterações orais e sistêmicas capazes de comprometer o desempenho atlético.

Os dados obtidos demonstram que condições bucais não tratadas como cáries, periodontite, disfunções temporomandibulares, erosão dentária e diferentes formas de trauma orofacial não permanecem restritas à cavidade oral. Pelo contrário, desencadeiam repercussões que afetam funções biológicas essenciais, incluindo a respiração, a mastigação, o equilíbrio postural, a qualidade do sono e a capacidade de concentração. Esses achados reforçam a compreensão contemporânea de que a saúde bucal integra a fisiologia corporal de forma indissociável, desempenhando papel direto na regulação sistêmica e no rendimento esportivo.

Outro aspecto significativo revelado pelo estudo é o “efeito cascata” das doenças orais inflamatórias, que podem intensificar processos sistêmicos responsáveis por maior fadiga, atraso na recuperação muscular e predisposição a complicações metabólicas, cardiovasculares e respiratórias. Em atletas submetidos a treinos extenuantes e ciclos competitivos rigorosos, essas repercussões tornam-se ainda mais críticas, uma vez que pequenas oscilações de performance podem influenciar resultados decisivos.

A baixa adesão ao uso de protetores bucais personalizados e a limitada busca por acompanhamento odontológico evidenciam uma lacuna importante de informação e de valorização da Odontologia do Esporte entre atletas e equipes técnicas. Tal cenário reforça a necessidade de estratégias educativas consistentes, capazes de ampliar a percepção sobre a relevância da prevenção e do cuidado contínuo.

Embora o estudo apresente limitações como o número reduzido de participantes e a abrangência restrita a um único município ele fornece subsídios sólidos para o desenvolvimento de pesquisas multicêntricas, com amostras maiores e delineamentos longitudinais que investiguem, de forma mais precisa, o impacto das intervenções odontológicas na performance atlética.

Do ponto de vista aplicado, os resultados apontam para a urgência de integrar o cirurgião dentista às equipes multidisciplinares que acompanham atletas de diferentes modalidades. Essa inclusão não apenas contribui para a prevenção de lesões e para o controle de processos inflamatórios sistêmicos, mas também favorece a longevidade esportiva, a segurança e a qualidade de vida dos praticantes.

Em síntese, este trabalho reafirma que a saúde bucal não deve ser encarada como aspecto secundário, mas como elemento estruturante da preparação física e fisiológica do atleta. Quando incorporada de maneira articulada com a nutrição, fisioterapia, psicologia e educação física, a Odontologia do Esporte desempenha papel determinante para que o atleta alcance seu máximo potencial, preserve seu bem-estar e mantenha desempenho sustentável ao longo de sua trajetória esportiva.

REFERÊNCIAS

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¹Artigo apresentado no Curso de Odontologia, como Trabalho de Conclusão de Curso do AFYA Centro Universitário São Lucas 2025, como pré-requisito para conclusão do curso, sob orientação da Profª Ma. Caren Cristine da Silva Batista. E-mail: caren.batista@saolucas.edu.br
²Jhonatas Enus Ponce Pereira, graduando (a) em Odontologia, pelo Centro Universitário São Lucas, 2025. E-mail: jhonataponce157@gmail.com
³Aleomar Santana Silva, graduando (a) em Odontologia, pelo Centro Universitário São Lucas, 2025. E-mail:Odontoceram@gmail.com