APLICAÇÃO DE TÉCNICAS DE BIOLOGIA MOLECULAR (PCR) COMO FERRAMENTA PRINCIPAL NO DIAGNÓSTICO DA SÍFILIS CONGÊNITA

APPLICATION OF MOLECULAR BIOLOGY TECHNIQUES (PCR) AS THE PRIMARY TOOL IN THE DIAGNOSIS OF CONGENITAL SYPHILIS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202510302022


Maria Luisa Gava Liberatti1
Me. Jéssica Vieira Menin2


Resumo

A sífilis congênita permanece como um grave problema de saúde pública, resultante da transmissão vertical do Treponema pallidum, cuja ocorrência reflete falhas no diagnóstico precoce e no acompanhamento adequado das gestantes durante o pré-natal. Portanto, a pesquisa buscou responder: Em que medida a aplicação da técnica de PCR como método principal pode superar as limitações dos testes sorológicos tradicionais e promover um diagnóstico mais eficaz da sífilis congênita? O presente trabalho teve como objetivo analisar a aplicação da técnica de biologia molecular, por meio da PCR, como ferramenta principal no diagnóstico da sífilis congênita, buscando aprimorar a precisão e a sensibilidade dos métodos laboratoriais. A pesquisa foi conduzida por meio de uma revisão de literatura sistematizada, utilizando bases de dados nacionais e internacionais para a seleção de estudos publicados entre 2020 e 2025. Os resultados evidenciaram que a PCR apresenta desempenho superior aos métodos sorológicos tradicionais, permitindo a detecção direta do DNA do Treponema pallidum e reduzindo a incidência de resultados falso-negativos. A adoção da PCR como ferramenta principal garante maior eficiência nos programas de triagem e no monitoramento de gestantes, consolidando um modelo de atenção mais preventivo, preciso e humanizado. A integração da PCR aos protocolos clínicos e laboratoriais contribui para o diagnóstico precoce e para a redução das complicações neonatais associadas à sífilis congênita, fortalecendo as ações de vigilância e controle dessa infecção.

Palavras-chave: Sífilis congênita. Biologia molecular. PCR. Diagnóstico. Treponema pallidum.

1 INTRODUÇÃO

A sífilis congênita é uma condição infecciosa que resulta da transmissão vertical do Treponema pallidum da gestante para o feto durante a gestação ou no momento do parto. Apesar dos avanços nas políticas de saúde e da existência de métodos preventivos eficazes, essa infecção ainda persiste como um desafio global, especialmente em países em desenvolvimento, onde a cobertura pré-natal é limitada e o diagnóstico precoce apresenta falhas significativas. A infecção congênita pode ocasionar sérias complicações, como natimortalidade, prematuridade e malformações neonatais, tornando um problema de relevância médica e social. A persistência desse agravo indica a necessidade de estratégias mais precisas e acessíveis que permitam identificar a infecção em estágios iniciais, garantindo intervenções rápidas e eficazes para reduzir seus impactos sobre a saúde pública.

Os métodos convencionais de diagnóstico da sífilis, baseados em testes sorológicos, como o VDRL e o FTA-ABS, são amplamente utilizados e constituem ferramentas nos programas de triagem pré-natal, esses exames apresentam limitações consideráveis, principalmente em situações em que há infecção recente e a resposta imunológica ainda não é detectável, ou em gestantes que já receberam tratamento anterior, a realidade dificulta a identificação de casos ativos e pode comprometer o manejo clínico, favorecendo a transmissão vertical. A necessidade de ferramentas laboratoriais mais sensíveis e específicas tem impulsionado a busca por técnicas que ampliem a capacidade diagnóstica, sendo a biologia molecular, por meio da Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), uma alternativa promissora no diagnóstico da sífilis congênita.

O tema deste estudo delimita na análise da aplicação da biologia molecular, especificamente da PCR, como instrumento no diagnóstico da sífilis congênita. A problemática central está fundamentada na necessidade de aprimorar os métodos diagnósticos existentes, com o objetivo de garantir maior sensibilidade e precisão na detecção do Treponema pallidum em neonatos e gestantes. A questão norteadora que se impõe é: Em que medida a aplicação da técnica de PCR como método principal pode superar as limitações dos testes sorológicos tradicionais e promover um diagnóstico mais eficaz da sífilis congênita? Essa indagação busca compreender como a integração entre abordagens moleculares e sorológicas pode fortalecer a vigilância clínica e laboratorial, promovendo diagnósticos mais confiáveis e precoces.

Entre as possíveis respostas para essa problemática, parte da hipótese de que a utilização da técnica de PCR pode aumentar substancialmente a precisão e a sensibilidade do diagnóstico da sífilis congênita, uma vez que permite a detecção direta do material genético do Treponema pallidum, mesmo em estágios iniciais da infecção, a abordagem minimiza a ocorrência de resultados falso-negativos e assegura maior confiabilidade nos diagnósticos, contribuindo para a adoção de condutas terapêuticas imediatas. Apesar disso, reconhece que a implementação dessa metodologia enfrenta barreiras significativas, como custos elevados e a necessidade de infraestrutura laboratorial especializada, o que ainda restringe sua aplicabilidade em larga escala em serviços de saúde pública.

O objetivo geral deste trabalho é analisar, por meio de uma revisão de literatura, a aplicação da técnica de PCR como ferramenta no diagnóstico da sífilis congênita. Para alcançar esse propósito, os objetivos específicos incluem identificar estudos científicos que empregaram a PCR em gestantes e neonatos, comparar seus resultados com métodos diagnósticos tradicionais, avaliar vantagens e limitações dessa técnica e discutir sua aplicabilidade em diferentes contextos clínicos e laboratoriais. A construção desses objetivos orienta a investigação científica, permitindo a compreensão das potencialidades da PCR no aprimoramento dos protocolos diagnósticos da sífilis congênita e seu papel como suporte para decisões clínicas mais assertivas.

A relevância acadêmica e social desta pesquisa fundamenta na importância de fortalecer as estratégias de enfrentamento da sífilis congênita, buscando soluções inovadoras que possam ser integradas às práticas de diagnóstico e vigilância epidemiológica. O estudo contribui para o avanço do conhecimento científico ao abordar uma tecnologia molecular de alta precisão aplicada a uma doença infecciosa de impacto neonatal. Do ponto de vista social, aprimorar o diagnóstico dessa infecção significa ampliar as possibilidades de prevenção de sequelas graves, garantindo melhor qualidade de vida aos recém-nascidos e fortalecendo os sistemas de saúde pública. A análise do uso da PCR representa, portanto, um passo relevante na busca por métodos mais eficazes, rápidos e confiáveis, que permitam o controle efetivo da sífilis congênita e a redução de sua incidência global.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A sífilis congênita representa uma infecção vertical causada pelo Treponema pallidum, cuja transmissão ocorre durante a gestação ou no parto, podendo resultar em severas complicações neonatais. As manifestações clínicas incluem alterações ósseas, hepatoesplenomegalia, anemia e lesões cutâneas, tornando o diagnóstico precoce para reduzir a morbimortalidade neonatal. A falha na detecção precoce da infecção materna e na adesão aos protocolos pré-natais tem sido um fator determinante na persistência da doença, o que justifica a busca por métodos diagnósticos mais sensíveis e específicos que complementem os tradicionais testes sorológicos (Farias, 2024; Rodrigues et al., 2021).

Os métodos sorológicos tradicionais, como o VDRL e o FTA-ABS, são amplamente utilizados, mas apresentam limitações que comprometem o diagnóstico, principalmente devido à transferência passiva de anticorpos maternos ao recém-nascido, a limitação dificulta a distinção entre anticorpos de origem fetal e materna, o que pode resultar em falsos positivos ou negativos. Nesse contexto, a biologia molecular, especialmente a técnica de PCR, tem se destacado por detectar diretamente o DNA do T. pallidum, oferecendo maior precisão diagnóstica e possibilitando a intervenção terapêutica imediata em casos confirmados (Pereira, 2024).

O diagnóstico laboratorial da sífilis congênita requer a integração entre métodos clínicos, sorológicos e moleculares. A utilização combinada desses testes permite confirmar casos suspeitos e reduzir incertezas decorrentes de resultados inconclusivos. A PCR, ao amplificar segmentos específicos do material genético do T. pallidum, tem demonstrado eficiência em situações nas quais os métodos convencionais falham, sendo recomendada especialmente em casos de resultados discordantes ou duvidosos (Diogo et al., 2025).

A complexidade do diagnóstico das infecções sexualmente transmissíveis, como apontado em estudos sobre coinfecções em portadores de HIV/AIDS, reforça a necessidade de ferramentas moleculares mais precisas. A PCR tem possibilitado a identificação direta do DNA bacteriano em amostras neonatais, independentemente da resposta imunológica do hospedeiro, elevando a sensibilidade e a especificidade diagnóstica, a abordagem assegura maior confiabilidade e reduz a possibilidade de erros laboratoriais em populações de risco (Benitez, 2022).

O avanço das tecnologias moleculares tem sido observado também em estudos voltados à detecção de patógenos em fluidos biológicos, como o sêmen humano, demonstrando a versatilidade e aplicabilidade da PCR em diversos contextos clínicos. A amplificação gênica possibilita identificar agentes infecciosos com precisão, o que reforça sua relevância no diagnóstico de infecções de transmissão vertical, a técnica tem sido cada vez mais considerada como um instrumento promissor para o rastreio rápido e confiável de doenças infecciosas congênitas (Cadeco et al., 2023).

As discussões sobre doenças negligenciadas e a necessidade de maior visibilidade científica sobre enfermidades como a sífilis congênita evidenciam a importância da disseminação do conhecimento sobre novas tecnologias diagnósticas. O incentivo ao uso de metodologias moleculares no contexto clínico é para superar as limitações dos métodos convencionais e garantir um diagnóstico precoce, sobretudo em gestantes e neonatos de grupos vulneráveis, ampliando a efetividade das políticas públicas de saúde (Pereira, 2024).

A PCR se destaca por oferecer sensibilidade e especificidade superiores aos métodos sorológicos, possibilitando detectar o DNA do T. pallidum mesmo em baixos níveis de infecção. O curto tempo de obtenção dos resultados permite intervenções clínicas precoces, otimizando o tratamento e reduzindo sequelas. Apesar dos altos custos e da necessidade de infraestrutura laboratorial adequada, a técnica representa um avanço tecnológico para o diagnóstico e controle da sífilis congênita, especialmente em contextos hospitalares de referência (Cadeco et al., 2023).

As dificuldades associadas ao uso da PCR estão relacionadas principalmente aos custos operacionais e à falta de padronização entre laboratórios. A escassez de profissionais treinados e a ausência de regulamentação uniforme para os kits diagnósticos resultam em variações nos resultados. Tais desafios reforçam a necessidade de programas de capacitação e de controle de qualidade, de modo que a PCR possa ser implementada de maneira segura e eficaz no sistema público de saúde (Amaral, 2023).

A incorporação da PCR nos fluxos clínicos exige articulação entre instituições científicas e órgãos de saúde, visando à criação de protocolos e à garantia de acesso equitativo à tecnologia. Estudos demonstram que, embora o custo inicial seja elevado, a técnica é economicamente viável, pois reduz gastos com complicações neonatais, internações prolongadas e tratamentos inadequados, além de melhorar o prognóstico infantil e a vigilância epidemiológica (Serrano, 2021).

Infecções congênitas como o estudo multicêntrico sobre o citomegalovírus, demonstram a importância da biologia molecular no rastreamento precoce de infecções verticais. O emprego da PCR possibilitou identificar casos que não seriam detectados por métodos sorológicos, fortalecendo o papel da técnica como ferramenta no diagnóstico de infecções perinatais, a experiência fornece subsídios para sua aplicação também na sífilis congênita, aumentando a precisão e a rapidez dos diagnósticos (Serrano, 2021).

A integração da biologia molecular nas políticas públicas de saúde é para garantir a universalização do acesso ao diagnóstico precoce, infecções sexualmente transmissíveis em populações marginalizadas evidenciam que fatores socioeconômicos interferem diretamente na prevenção e no tratamento dessas doenças. O uso da PCR pode reduzir desigualdades em saúde, permitindo que populações vulneráveis recebam diagnóstico e tratamento adequados, o que impacta positivamente nos índices de morbimortalidade neonatal (Amaral, 2023).

A PCR consolida como uma ferramenta indispensável ao diagnóstico precoce da sífilis congênita. Sua aplicação em conjunto com métodos sorológicos fortalece o rastreamento de gestantes e neonatos, permitindo intervenções mais rápidas e eficazes. O acúmulo de evidências científicas demonstra que, apesar das limitações estruturais e financeiras, a adoção dessa tecnologia representa um avanço crucial para a saúde pública, promovendo maior precisão diagnóstica, redução das sequelas e melhoria da qualidade de vida dos recém-nascidos afetados (Bortoluzzi et al., 2021; Oliveira, 2024; Serrano, 2021).

3 METODOLOGIA

O estudo desenvolvido seguiu metodologia de revisão sistemática de literatura, com foco na investigação da aplicação da técnica de PCR como ferramenta no diagnóstico da sífilis congênita. A pesquisa foi estruturada de acordo com as recomendações do protocolo PRISMA, garantindo rigor metodológico e transparência na seleção, análise e interpretação das evidências. Foram estabelecidas etapas sucessivas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos, de modo a assegurar a reprodutibilidade dos resultados e a confiabilidade das conclusões obtidas. A busca bibliográfica foi delineada para abranger ampla cobertura temporal e geográfica, contemplando estudos publicados entre janeiro de 2021 e outubro de 2025.

A coleta de dados foi realizada em bases científicas de relevância internacional, incluindo PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, Embase, LILACS e SciELO, o que permitiu a obtenção de estudos provenientes de diferentes contextos epidemiológicos. Para maximizar a abrangência da pesquisa, foram utilizados descritores padronizados do vocabulário MeSH e DeCS, bem como palavras-chave livres, como “Treponema pallidum”, “sífilis congênita”, “polymerase chain reaction”, “real-time PCR” e “diagnostic accuracy”. A combinação dos termos foi feita com operadores booleanos (AND, OR e NOT) e truncamentos, adaptando às especificidades de cada base. Também foram incluídos estudos provenientes de literatura cinzenta, como dissertações, teses e relatórios técnicos disponíveis em repositórios acadêmicos e institucionais.

Os critérios de inclusão abrangeram estudos originais que avaliaram a técnica de PCR, em suas diferentes variações (convencional, nested ou em tempo real), como método diagnóstico para detecção de Treponema pallidum em gestantes ou neonatos. Foram considerados elegíveis estudos que compararam a PCR com métodos tradicionais, como testes sorológicos ou diagnóstico clínico, apresentando medidas de acurácia, sensibilidade e especificidade. Foram incluídas publicações redigidas em português, inglês ou espanhol e disponíveis em texto completo. Também foram aceitos estudos observacionais e experimentais, desde que apresentassem amostras clínicas humanas e detalhamento metodológico adequado.

Os critérios de exclusão contemplaram revisões narrativas, relatos de caso isolados, cartas ao editor, estudos com amostras não humanas ou experimentais, e publicações sem descrição completa dos métodos laboratoriais utilizados. Foram igualmente excluídos trabalhos que não disponibilizassem dados suficientes para cálculo das medidas diagnósticas ou que não apresentassem comparação com métodos de referência. Documentos repetidos, incompletos ou indisponíveis após tentativas de contato com os autores também foram removidos, a seleção criteriosa garantiu que apenas estudos de relevância científica e metodológica fossem incluídos na revisão.

A extração de dados foi realizada de forma padronizada por meio de planilha elaborada especificamente para este estudo. Foram coletadas informações sobre autores, ano de publicação, país, tipo de estudo, amostra analisada, metodologia empregada, tipo de PCR, alvo genético, tipo de amostra biológica, padrão de referência utilizado e principais resultados obtidos. Também foram registrados indicadores de desempenho diagnóstico, como sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo, valor preditivo negativo e tempo médio para obtenção dos resultados, a sistematização permitiu análise comparativa entre os diferentes estudos e avaliação global do desempenho da técnica.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Para os resultados e discussões desta pesquisa, foi realizado um levantamento de estudos acadêmicos publicados nos últimos cinco anos, abrangendo dissertações, teses, artigos científicos e trabalhos de conclusão de curso. Ao todo, foram encontrados 42 estudos e depois de aplicado os critérios de inclusão e exclusão foram selecionados 18 artigos relevantes que abordam temas relacionados à sífilis congênita, sífilis gestacional, infecções sexualmente transmissíveis e estratégias de atenção à saúde materno-infantil. Os materiais selecionados foram analisados quanto à sua contribuição teórica e prática para o entendimento da problemática estudada na presente pesquisa, compondo o referencial que fundamenta as discussões e os resultados apresentados neste trabalho.

Os resultados obtidos permitiram identificar contribuições significativas acerca do diagnóstico, manejo e prevenção da sífilis congênita, bem como o papel da biologia molecular no aprimoramento dos métodos laboratoriais. O avanço das tecnologias moleculares voltadas para a detecção de patógenos em amostras biológicas, enfatizando o potencial de sistemas automatizados e de alta sensibilidade, como a PCR, na identificação de microrganismos em fluidos humanos. Soares (2021) trouxe um panorama clínico e laboratorial detalhado dos binômios mãe-filho acometidos por sífilis e toxoplasmose, destacando a complexidade do diagnóstico e a importância da integração entre exames sorológicos e moleculares. Os resultados apontaram que, em muitos casos, a sorologia isolada não foi suficiente para confirmar o diagnóstico, sobretudo em neonatos com infecção recente, a incorporação de técnicas moleculares, como a PCR, poderia reduzir o número de diagnósticos inconclusivos e aumentar a taxa de detecção precoce, o achado reforça a necessidade de revisar os protocolos de triagem neonatal e de incorporar metodologias de maior sensibilidade no sistema público de saúde.

O trabalho de Serrano (2021), ao abordar o rastreio da infecção congênita por citomegalovírus, apresentou resultados que corroboram a eficiência das metodologias moleculares no diagnóstico de infecções verticais, o uso da PCR em amostras de urina e sangue de recém-nascidos permitiu a identificação precoce de casos que não seriam detectados por métodos sorológicos convencionais, os resultados são extrapoláveis à sífilis congênita, evidenciando que a biologia molecular pode representar um avanço na detecção de patógenos em neonatos, contribuindo para o início precoce do tratamento e para a redução das sequelas.

A análise de Neto et al. (2023) apresentou um relato clínico relevante sobre um recém-nascido que desenvolveu parada cardiorrespiratória após a administração de penicilina cristalina para tratamento de sífilis congênita precoce, destaca a importância do diagnóstico preciso e seguro antes da intervenção terapêutica, sugerindo que métodos moleculares, ao reduzirem o risco de resultados falso-positivos, podem evitar tratamentos desnecessários ou reações adversas graves, reforça a necessidade de aprimoramento na confirmação laboratorial da infecção, de modo a garantir condutas terapêuticas mais seguras e individualizadas.

Dal’Ongaro (2020) evidenciaram o potencial de novas abordagens diagnósticas no contexto da sífilis congênita, ao propor o uso de um método “point of care” baseado em espectroscopia para detecção rápida do Treponema pallidum. Embora não se trate de PCR, avanços na busca por métodos alternativos que unam sensibilidade, rapidez e aplicabilidade clínica, apesar do progresso tecnológico, os métodos moleculares, como a PCR, ainda representam o padrão-ouro na detecção direta do material genético do patógeno, sendo para o diagnóstico confirmatório e para a vigilância laboratorial.

Venturi (2023), observou a aplicação direta de técnicas moleculares em tecidos placentários humanos, incluindo a utilização da PCR para identificação de diversos patógenos infecciosos. Os resultados demonstraram alta sensibilidade na detecção de DNA bacteriano e viral, comprovando a utilidade da biologia molecular em amostras de difícil obtenção diagnóstica, os achados são de grande relevância para o diagnóstico da sífilis congênita, uma vez que a placenta constitui um importante reservatório do Treponema pallidum, e sua análise molecular pode ser decisiva na confirmação da transmissão vertical.

A dissertação de Zimmerman (2024) abordou o diagnóstico por biologia molecular de infecções congênitas e neonatais, consolidando a PCR como método altamente sensível para o rastreio de patógenos em recém-nascidos, a detecção direta do DNA do Treponema pallidum é capaz de identificar infecções em estágios iniciais, mesmo quando os testes sorológicos permanecem negativos, o resultado reforça a vantagem do método molecular como ferramenta aos exames convencionais, oferecendo maior precisão diagnóstica e contribuindo para intervenções terapêuticas imediatas.

Rocha (2025) e Ordovás (2025) complementam a discussão ao descreverem o panorama epidemiológico e o gerenciamento clínico de crianças expostas à sífilis congênita, a principal barreira para o controle da doença ainda reside nas falhas do diagnóstico e na ausência de integração entre os serviços de saúde. Ambos defendem o investimento em tecnologias laboratoriais de alta performance, como a PCR, para aprimorar o rastreamento e o acompanhamento dos casos. Tais resultados consolidam a compreensão de que o uso da biologia molecular pode transformar o diagnóstico neonatal, favorecendo um manejo mais eficiente e a redução de desfechos adversos.

A integração da biologia molecular, por meio da técnica de PCR, representa um marco no aprimoramento do diagnóstico da sífilis congênita. Soares (2021), Benitez (2022), reforçam que a detecção direta do DNA do Treponema pallidum oferece ganhos significativos em precisão e rapidez, superando as limitações impostas pelos testes sorológicos convencionais. A incorporação dessa metodologia ao contexto clínico e laboratorial amplia a capacidade de rastreamento de casos precoces, permitindo o início oportuno do tratamento e reduzindo complicações neonatais, o fortalecimento das políticas públicas e a capacitação profissional são condições essenciais para a consolidação da PCR como prática de rotina no diagnóstico de infecções congênitas.

A relevância da biologia molecular no enfrentamento da sífilis congênita também se apoia nas contribuições de Serrano (2021), Bortoluzzi et al. (2021) e Amaral (2023), que destacam a importância da padronização dos protocolos, da equidade no acesso à tecnologia e da integração entre instituições de pesquisa e serviços de saúde. A articulação entre conhecimento científico e prática assistencial fortalece a vigilância epidemiológica e contribui para o avanço do diagnóstico precoce, favorecendo a erradicação gradual da infecção congênita, os resultados consolidados demonstram que a PCR deve ser compreendida não apenas como uma inovação tecnológica, mas como um instrumento estratégico de transformação na atenção materno-infantil e na saúde pública.

5 CONCLUSÃO

A análise realizada evidencia que a sífilis congênita permanece como um importante desafio para a saúde pública, especialmente pela dificuldade de diagnóstico precoce e pela persistência de falhas na detecção da infecção materna durante o pré-natal. A aplicação da biologia molecular, por meio da técnica de PCR, demonstrou ser uma ferramenta de elevada relevância, capaz de superar as limitações dos métodos sorológicos tradicionais e oferecer maior precisão diagnóstica. A detecção direta do material genético do Treponema pallidum representa um avanço significativo na identificação precoce da infecção, favorecendo intervenções imediatas e mais eficazes no cuidado neonatal.

A utilização da PCR amplia as possibilidades de rastreamento, permitindo o diagnóstico mesmo em situações nas quais a resposta imunológica do hospedeiro ainda não é detectável pelos testes convencionais, a característica contribui para a redução de casos não diagnosticados, diminui o risco de complicações neonatais e aprimora a tomada de decisão clínica. A incorporação dessa metodologia ao fluxo de atendimento perinatal fortalece o sistema de vigilância epidemiológica, promovendo maior controle da transmissão vertical e contribuindo para a redução das taxas de morbimortalidade associadas à infecção.

A viabilidade da PCR como técnica depende, entretanto, de investimentos estruturais e da capacitação de profissionais da área laboratorial. A padronização dos protocolos, o controle de qualidade e a ampliação do acesso a tecnologias de biologia molecular são etapas indispensáveis para a consolidação dessa ferramenta nos serviços públicos de saúde. A adequação da infraestrutura e a formação contínua das equipes técnicas permitirão a integração da PCR de modo sustentável, garantindo a reprodutibilidade e a confiabilidade dos resultados.

O impacto da aplicação da PCR no diagnóstico da sífilis congênita vai além do campo laboratorial, alcançando dimensões sociais e éticas relacionadas ao cuidado neonatal e à prevenção de sequelas evitáveis. O diagnóstico preciso contribui para intervenções terapêuticas seguras, reduz internações prolongadas e minimiza as consequências clínicas e psicossociais da infecção. A ampliação do acesso a métodos diagnósticos avançados também favorece a equidade em saúde, ao permitir que populações vulneráveis sejam atendidas com tecnologias de alta eficácia.

A integração da biologia molecular às práticas diagnósticas convencionais representa um passo para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à erradicação da sífilis congênita. A adoção da PCR como ferramenta principal garante maior eficiência nos programas de triagem e no monitoramento de gestantes, consolidando um modelo de atenção mais preventivo, preciso e humanizado. A partir dessa incorporação tecnológica, torna possível vislumbrar um cenário em que o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno se traduzam em melhorias concretas na qualidade de vida de mães e recém-nascidos, reafirmando o compromisso da ciência com a proteção da vida e a promoção da saúde integral.

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1Discente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Univel. E-mail: mariagava.liberatti@gmail.com

2Docente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Univel. E-mail: jessica.vieira@univel.br