ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DE MORTALIDADE POR COMPLICAÇÕES DO DIABETES EM RONDÔNIA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202510241243


Adriana Silva de França Barroso1
Denikson Ribeiro Mendonça2
Erick Daniel Costa Shockness3
Chimene Kuhn Nobre4


RESUMO 

Introdução: O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica multifatorial que representa um grave problema de saúde pública, responsável por altas taxas de morbimortalidade e elevados custos econômicos. No Brasil, sua relevância é especialmente pela associação com complicações vasculares, que impactam a qualidade de vida. Objetivo: Analisar os óbitos por complicações do diabetes no estado de Rondônia entre os anos de 2014 e 2024, descrevendo perfil epidemiológico segundo sexo, faixa etária e municípios. Metodologia: Estudo epidemiológico ecológico, descritivo e retrospectivo, de abordagem quantitativa. Foram utilizados dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS), referentes a óbitos por complicações do DM no período de 2014 a 2024. As variáveis analisadas foram: ano de notificação, município, sexo e faixa etária. Resultados: A maior ocorrência de óbitos foi em indivíduos entre 70 e 79 anos, seguidos por idosos acima de 80 anos. Cacoal e Porto Velho foram os municípios com maior número de registros, possivelmente pela concentração de serviços de saúde de referência e qualidade no preenchimento das notificações. Conclusões: A mortalidade por complicações do DM em Rondônia concentra-se principalmente em idosos, sobretudo mulheres, com maior impacto nos municípios de Cacoal e Porto Velho. Os achados reforçam a necessidade de fortalecer a vigilância epidemiológica e investir em estratégias preventivas para reduzir a progressão da doença.  

Palavras chaves: Diabetes; epidemiologia; mortalidade. 

ABSTRACT 

Introduction: Diabetes Mellitus (DM) is a chronic, multifactorial disease that represents a serious public health problem, responsible for high morbidity and mortality rates and high economic costs. In Brazil, its relevance is especially due to its association with vascular complications, which impact quality of life. Objective: To analyze deaths from diabetes complications in the state of Rondônia between 2014 and 2024, describing the epidemiological profile by sex, age group, and municipality. Methodology: This is an ecological, descriptive, and retrospective epidemiological study with a quantitative approach. Secondary data from the Notifiable Diseases Information System (SINAN/ DATASUS) were used, referring to deaths from DM complications from 2014 to 1024. The variables analyzed were: year of notification, municipality, sex, and age group. Results: The highest occurrence of deaths was in individuals between 70 and 79 years of age, followed by those over 80 years of age. Cacoal and Porto Velho were the municipalities with the highest number of reports, possibly due to their concentration of referral health services and high-quality reporting. Conclusions: Mortality from DM complications in Rondônia is primarily among the elderly, particularly women, with a greater impact in the municipalities of Cacoal and Porto Velho. These findings reinforce the need to strengthen epidemiological surveillance and invest in preventive strategies to reduce disease progression.

Keywords:  Diabetes; epidemiology; mortality.  

1 INTRODUÇÃO 

A Diabetes Mellitus (DM) consiste é um distúrbio multissistêmico, acarretado por predisposição genética e variáveis  ambientais que levam à disfunção metabólica, sendo caracterizada por falência das células beta, alterações específicas de órgãos na ação da insulina e interação interorgânica que contribui para a progressão da doença (Abel et al., 2024). 

A identificação precoce da DM é dificultada pelo estágio assintomático associado à doença, no entanto, a realização desse diagnóstico o mais breve possível é importante para permitir o início precoce do tratamento e prevenir ou retardar o desenvolvimento de complicações micro e macrovasculares. Estima-se que aproximadamente 50% de todos os indivíduos com diabetes desconhecem sua condição, onde uma pessoa pode passar de 5 a 6 anos em uma fase assintomática de pré-diabetes e diabetes mellitus tipo 2 (DM2) antes de ser diagnosticada, período durante o qual complicações micro e macrovasculares podem se desenvolver (Ogurtsova et al., 2022).

A DM além de ser uma doença crônica não transmissível (DCNT), ela pode ocasionar incapacidade, a qual está diretamente associada às complicações microvasculares associadas a patologia, como a nefropatia, retinopatia, neuropatia e amputações de membros inferiores; bem como, as complicações macrovasculares, como a doença coronariana, o acidente vascular cerebral e a doença vascular periférica (Neves et al., 2023).

Essas complicações afetam a qualidade de vida dos indivíduos afetados e ocasionam maiores custos aos cofres públicos no que tange aos serviços de saúde, tendo em vista que cerca de 50% dos gastos durante a vida de um paciente com DM estão relacionados às complicações da doença (Neves et al., 2023). Ainda, a DM  apresenta uma alta taxa de mortalidade, o que representa uma séria ameaça aos indivíduos e à sociedade (Guo; Wu; Li, 2023).

Para evitar as complicações associadas a DM é necessário cuidados médicos contínuos, a partir de estratégias multifatoriais de redução de risco, além do controle da glicose. Correlato a tal, a educação em saúde é essencial, não somente para o indivíduo diabético, mas para sua rede de apoio também, principalmente, no que refere-se ao autogerenciamento da DM visando o empoderamento do indivíduo. Essa série de intervenções auxilia na prevenção de complicações agudas e na redução do risco de complicações a longo prazo (ElSayed et al., 2023).

Parte inicial do artigo. Nela deve constar a delimitação do assunto tratado, a  temática e sua contextualização, a problemática da pesquisa, os objetivos e  justificativa, bem como, outros elementos necessários para situar o tema do artigo, e  a estruturação desenvolvida.  

O Diabetes Mellitus (DM) constitui um grupo de desordens metabólicas caracterizadas por hiperglicemia crônica, resultante de defeitos na secreção ou na ação da insulina, ou em ambos. O termo “diabetes” deriva do grego antigo, que significa “sifão”, enquanto “mellitus” se origina de “meles”, que remete ao mel. Essa doença manifesta-se por uma série de características clínicas, tais como poliúria, polidipsia, polifagia, fadiga, fraqueza, alterações visuais e outras manifestações metabólicas (WHO, 2022). 

Em 2021 foram registradas 28.943 mortes devido às complicações dessa doença no Brasil, com uma maior prevalência em pacientes maiores de 80 anos (Silva et al., 2024). Fisiologicamente, a homeostase da glicose é regulada pelo pâncreas, uma glândula de dupla função (exócrina e endócrina). As ilhotas pancreáticas de Langerhans, que são responsáveis pela produção e liberação de hormônios, abrigam as células beta, produtoras de insulina, e as células alfa, produtoras de glucagon (Torres et al., 2024).

A insulina, por sua vez, é um hormônio essencial para a regulação dos níveis de glicose no sangue. Sua principal função é facilitar a entrada de glicose nas células, promovendo sua captação e utilização como fonte de energia. Quando há deficiência ou resistência à insulina, os níveis de glicose no sangue aumentam, levando à hiperglicemia, que é uma característica do DM tipo 2 (Guyton; Hall, 2021).

Já no DM tipo 1, observa-se uma deficiência total ou quase total na produção de insulina pelas células beta das ilhotas pancreáticas, resultando em hiperglicemia. Esse tipo de diabetes é geralmente diagnosticado em jovens e é caracterizado pela necessidade de insulina exógena para manter a homeostase da glicose (Santos et al., 2020).

O DM tipo 2, também conhecido como diabetes não insulinodependente, é a forma mais comum da doença, respondendo por aproximadamente 90% dos casos. Ele está frequentemente associado a fatores de risco, como obesidade, sedentarismo, dieta inadequada e predisposição genética (Goyal; Singhal; Jialal, 2023).

No Brasil, em 2013, aproximadamente 6,5% da população foi afetada pelo DM, acarretando em uma série de gastos e cuidados preventivos no sistema público de saúde. Com o objetivo de combater o aumento no número de casos de diabetes, os investimentos em prevenção e controle têm sido ampliados, visando reduzir os custos associados às complicações decorrentes da doença (Muzy et al., 2022).

O diagnóstico do diabetes baseia-se em critérios laboratoriais estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela American Diabetes Association (ADA), adotados pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Os principais métodos incluem:  a mensuração da glicemia de jejum (valores ≥ 126 mg/dL), o teste oral de tolerância à glicose (TOTG) com sobrecarga de 75g (glicemia ≥ 200 mg/dL às 2 horas) ou a dosagem da hemoglobina glicada (HbA1c ≥ 6,5%) (WHO, 2022). 

O monitoramento da glicemia capilar, embora não seja um método diagnóstico, é uma ferramenta indispensável para o autocuidado, permitindo ajustes terapêuticos imediatos para evitar episódios de hipo e hiperglicemia, como também, prevenindo complicações agudas e contribuindo para o controle metabólico de longo prazo (Santos; Nascimento; Morais 2021).

A classificação da síndrome diabética abrange quatro categorias clínicas principais: DM1, DM2, Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) e outros tipos específicos. A condição de pré-diabetes, caracterizada por glicemia de jejum alterada ou tolerância à glicose diminuída, identifica indivíduos com elevado risco de progressão para DM2, representando uma janela crítica para intervenções preventivas, onde os valores glicêmicos ficam na janela de >100mg/dl e <126 mg/dl (WHO, 2022).

As complicações crônicas do diabetes, micro e macrovasculares, representam o maior desafio da doença. A hiperglicemia sustentada desencadeia uma cascata fisiopatológica que resulta em danos aos vasos sanguíneos e nervos. As complicações microvasculares incluem retinopatia (a principal causa de cegueira em adultos), nefropatia (levando à insuficiência renal terminal) e neuropatia (que predispõe ao pé diabético e é uma causa major de amputações não traumáticas). As complicações macrovasculares compreendem o acelerado desenvolvimento de aterosclerose, culminando em doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral e doença arterial periférica (Figueiredo et al., 2021; WHO, 2022). 

O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG), por sua vez, é definido como qualquer grau de intolerância à glicose com início ou primeiro reconhecimento durante a gravidez. Consiste na elevação dos níveis de glicose, pelo o aumento de hormônios que realizam ação contrária da insulina, que disponibiliza glicose para o feto e quebram glicogênio em glicose, envolve fatores psicológicos, genéticos e influências ambientais (SBD, 2019)

A gestação é regulada por hormônios placentários, havendo como principal hiperglicemiante, o hormônio lactogênio. Este, está envolvido com a resistência insulínica no período gestacional, a qual realiza função semelhante ao glucagon secretado pelo pâncreas, disponibilizando glicose ao feto (IDF, 2021). Esses hormônios placentários causam um evento de redirecionamento do metabolismo materno, trocando o uso de glicose pelos lipídios, e dando prioridade para o uso de glicose para o feto, o que acarreta na elevação dos ácidos graxos livre, e por fim, na dificuldade à sensibilidade à insulina (Vigil-de-Gracia; Omedo, 2017).

Ademais, com o diagnóstico precoce, as complicações do diabetes podem ser minimizadas, evitando internações desnecessárias, e prevenindo agravos evitáveis (Flor; Campos, 2017). As complicações a longo prazo são retinopatia, nefropatia, neuropatia diabética, doenças cardiovasculares, doença cerebrovascular periférica, esteatose hepática não alcoólica, obesidade, catarata, disfunção erétil, maior fator de risco para máculas infecciosas e acidente vascular encefálico (Castro et al., 2021).

 Nota-se que nas últimas décadas vem havendo um aumento de pessoas acometidas pelo DM. O que tem gerado perda da qualidade de vida do paciente e gastos exorbitantes ao sistema de saúde pública. Presume-se que o custo de uma internação por DM chega a ser 19% maior do que a de um paciente sem diabetes, e quando há agravos renais e cardiovasculares, esse custo é mais elevado, chegando a 30% (IDF, 2021).

A prevenção do diabetes e de suas complicações é um eixo central do manejo. No nível primário, mudanças no estilo de vida – incluindo dieta balanceada e prática regular de atividade física – são altamente efetivas em prevenir ou retardar o aparecimento do DM2 em indivíduos pré-diabéticos. Cerca de 58% dos indivíduos que mudam sua dieta e começam a prática de exercícios físicos, conseguem não evoluir com a doença, e não precisam começar a terapia medicamentosa (Rendell, 2021). 

No nível secundário, o rastreamento e controle rigoroso da glicemia, pressão arterial e lipídios são essenciais para retardar a progressão das complicações. A relação médico-paciente é fundamental para superar barreiras ao tratamento, como a aversão à insulinoterapia (Vázquez et al., 2019). Economicamente, estratégias de prevenção e diagnóstico precoce mostram-se mais custo-efetivas do que o tratamento das complicações avançadas, destacando a necessidade de fortalecer a Atenção Básica no cuidado ao diabetes (Muzy et al., 2022; IDF, 2021).

O trabalho tem como objetivo analisar e descrever os casos confirmados de óbitos por complicações do diabetes em Rondônia no período de 2014 a 2024. Além de comparar o números de óbitos decorrentes de complicações por diabetes em Rondônia entre os municípios pertencentes ao Estado; avaliar as localidades mais afetadas; evidenciar qual gênero é o mais afetado e qual a faixa etária dos acometidos. 

2 MATERIAL E MÉTODOS 

Trata-se de um estudo epidemiológico ecológico, descritivo e retrospectivo, de abordagem quantitativa sobre os casos de mortalidade por complicações da diabetes no Estado de Rondônia.

A pesquisa foi realizada no período de agosto a setembro de 2025, a partir dos dados disponíveis no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), abordando o período de 2014 à 2024.

A amostra consiste em dados disponibilizados pelo tabulador de dados do DATASUS (TABNET) que contém informações sobre óbitos por complicações do diabetes entre 2014-2024 em Rondônia.

Foram utilizados os dados disponibilizados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). As variáveis utilizadas foram: ano de notificação (2014 à 2024), município do Estado de Rondônia, sexo (feminino e masculino) e idade, sendo essa última variável subdividida em: 15 a 19 anos, 20 a 29 anos, 30 a 39 anos, 40 a 49 anos, 50 a 59 anos, 60 a 69 anos, 70 a 79 anos, 80 anos ou mais. Além disso, foi verificada a evolução dos pacientes quanto aos óbitos e cura.

Os dados foram organizados e analisados através do TABNET, tabulador genérico desenvolvido pelo DATASUS. E foram analisados quantitativamente e organizados em gráficos e tabelas. A análise será realizada à luz do referencial teórico, destacando as variáveis definidas para a pesquisa.

Todas as informações utilizadas no estudo são de domínio público, a identificação dos sujeitos fora omitida, não sendo necessária aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa (CEP), conforme as Normas e Diretrizes Regulamentadoras da Pesquisa Envolvendo Seres Humanos – Resolução CNS 466/12. Neste estudo, não foi obtido qualquer tipo de financiamento para a realização da pesquisa em questão.

3 RESULTADOS 

Conforme evidenciado na Tabela 1, entre os anos de 2004 a 2014 foram notificados 638 óbitos associados a Diabetes mellitus, sendo 2021 o ano com maior número de casos (11,06%) e 2023 o de menor ocorrência (6,64%) dos casos, em ambos, a cidade que obteve mais notificações de óbitos associada a doença em questão, foi o município de Cacoal. No que tange ao sexo, houve uma pequena prevalência do sexo feminino (52,21%), com 354 óbitos. 

Tabela 1 – Distribuição dos óbitos associados a Diabetes mellitus, segundo ano de notificação e sexo (n = 678). Porto Velho, Rondônia, Brasil, 2025.

Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN)/DATASUS.

Em relação à faixa etária, observou-se a maior ocorrência em indivíduos com idades compreendidas entre 70 a 79 com 28,76% (Tabela 2). Em seguida, houve prevalência das faixas etárias de 80 + (26,55%) e de entre 60 a 69 anos (23,01%). Ademais, a faixa etária com menos casos foi a de 15 a 19 anos, com apenas 01 caso relatado, o qual foi proveniente do município de Ji-Paraná.

Tabela 2 – Distribuição dos óbitos associados a Diabetes mellitus, segundo faixa etária (n = 678). Porto Velho, Rondônia, Brasil, 2025.

Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN)/DATASUS.

No que concerne a raça dos indivíduos, houve 300 óbitos em que não foram assinaladas a cor/raça, o que mostra uma preocupação com a falta de preenchimento adequado das fichas de notificação, por exemplo, no município de São Miguel do Guaporé, das seis mortes notificadas, não fora realizado o preenchimento do campo em questão. Em contrapartida, as que foram assinaladas no Estado, consistem na parda (259 – 38,2%), Branca (72 – 10,62%), Amarela (27 – 3,98%) e Preta (20 – 2,95%).

Na tabela 3 estão descritos as cidades do Estado de Rondônia e os casos de óbitos notificados nas mesmas. Dentre elas, as cinco que mais referiram óbitos associados a diabetes, consistem, respectivamente em Cacoal (169 óbitos), Porto Velho (122 óbitos), Ji-Paraná (110 óbitos), Vilhena (59 óbitos) e Espigão D’Oeste (23 óbitos). 

Tabela 3 – Distribuição dos óbitos associados a Diabetes mellitus, segundo município de notificação (n = 678). Porto Velho, Rondônia, Brasil, 2025.

Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN)/DATASUS.

4 DISCUSSÃO  

O presente estudo analisou os óbitos por complicações do Diabetes Mellitus no estado de Rondônia entre os anos de 2014 e 2024, evidenciando um total de 638 registros, com predomínio no sexo feminino e maior ocorrência na faixa etária de 70 a 79 anos. Esses achados estão em consonância com outros dados literários, que apontam o envelhecimento populacional e a prevalência feminina como fatores relacionados à mortalidade por diabetes (Cracco; Bilinski; Pavanello, 2023).

4.1 Distribuição por faixa etária do Diabetes Mellitus 

Em relação à distribuição por faixa etária, verificou-se que a mortalidade concentrou-se nos idosos, especialmente entre 70 e 79 anos, seguida por indivíduos com 80 anos ou mais. Esse resultado reforça a literatura, que destaca que a DM é uma das principais causas de mortalidade entre os idosos, apresentando um risco de mortalidade 10% maior em comparação com a população não diabética na mesma faixa etária (Segateli et al., 2024). 

Além disso, a vulnerabilidade dos idosos de desenvolverem a patologia, em muitas vezes, está associada a condições pré-existentes, como outras DCNT (Silva; Castro; Scripnic, 2022). Com o envelhecimento, há o aumento da probabilidade de desenvolvimento de complicações crônicas do DM, como doenças cardiovasculares, problemas renais, neuropatias e retinopatias. Essas condições podem se agravar com o tempo, levando a complicações graves que aumentam o risco de morte (Segateli et al., 2024).

Fora que por ser uma doença multifatorial, há vários fatores que acarretam em uma maior predisponibilidade nos idosos, principalmente, no que refere-se a mobilidade dos mesmos, como por exemplo, o sedentarismo, o sobrepeso, a obesidade, a dificuldade ou ausência na realização de exercícios físicos, dentre muitos outros (Paiva; Benito, 2023).

A predominância do sexo feminino nos registros de óbitos também merece destaque. Estudos prévios apontam que as mulheres enfrentam mais desafios no controle da glicemia devido a fatores biológicos e endócrinos, e que houve um aumento de 54% nos casos de DM no público feminino ao longo dos últimos 15 anos (Segateli et al., 2024).

4.1.1 Distribuição geográfica de Diabetes Mellitus em Rondônia

Quanto à distribuição geográfica, Cacoal e Porto Velho foram os municípios com maior número de notificações de óbitos. Esse achado pode estar relacionado tanto à maior densidade populacional quanto à presença de serviços hospitalares de referência, onde ocorre maior concentração de diagnósticos e registros. No que refere-se a densidade populacional, Porto Velho é o município mais populoso, com 460.413 pessoas, segundo o censo de 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), enquanto o município de Cacoal ocupa o quinto lugar, com 86.895 indivíduos, ficando atrás de Ji-Paraná, Ariquemes e Vilhena.

Enquanto que Cacoal teve 169 óbitos notificados, Porto Velho obteve somente 122 óbitos dentro do período estudado, o que pode está relacionado com o fato de que Cacoal abriga hospitais de médio e grande porte que são referência em Rondônia, como o Hospital Regional de Cacoal e o Hospital de Urgência e Emergência (HEURO). Além disso, muitos pacientes de municípios vizinhos são encaminhados para Cacoal, o que pode aumentar as notificações de óbitos concentradas lá.

Fora que, há a possibilidade de que Cacoal tenha equipes mais estruturadas para alimentar corretamente o SINAN/DATASUS, resultando em maior número de registros. Enquanto que em Porto Velho, apesar de ter mais população, falhas de preenchimento ou subnotificação podem reduzir o número oficial de óbitos registrados.

Correlato a tal, é importante destacar a possibilidade da subnotificação e fragilidades no preenchimento das fichas de municípios menores, o que compromete a análise epidemiológica real. Isso é reforçado pelo elevado número de registros sem a variável raça/cor preenchida, demonstrando a necessidade de capacitação das equipes de saúde para melhorar a qualidade da informação em saúde.

 É importante salientar, a necessidade de elaborar estratégias de prevenção e manejo da DM, com foco na educação em saúde, tendo em vista que mudanças no estilo de vida, como planejamento alimentar e a implementação de uma rotina de exercícios físicos colaboram para reduzir a progressão da doença em si. Além   disso, a automonitoração do nível da glicemia capilar é essencial para  acompanhamento (Cracco; Bilinski; Pavanello, 2023).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O presente estudo evidenciou que a mortalidade por complicações do Diabetes Mellitus em Rondônia, no período de 2014 a 2024, concentrou-se principalmente em indivíduos idosos, com predomínio na faixa etária de 70 a 79 anos, além de apresentar discreta prevalência no sexo feminino. Observou-se também maior número de notificações em municípios como Cacoal e Porto Velho, o que reflete tanto a dinâmica populacional quanto a centralização dos serviços de saúde e a qualidade do registro dos dados.

Os achados reforçam que o diabetes constitui um grave problema de saúde pública, cujas complicações resultam em altos índices de morbimortalidade e elevados custos sociais e econômicos. As diferenças encontradas entre os municípios apontam para a necessidade de melhorar a vigilância epidemiológica, com foco na padronização e no correto preenchimento das informações nos sistemas de notificação.

REFERÊNCIAS 

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1Acadêmico de Medicina. E-mail: adriana.marcondis@gmail.com. Artigo apresentado ao Centro Universitário Aparício Carvalho, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Medicina, Porto Velho/RO,  2025.  

2Acadêmico de Medicina. E-mail: denikson@gmail.com. Artigo apresentado ao Centro Universitário Aparício Carvalho, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Medicina, Porto Velho/RO,  2025.  

3Acadêmico de Medicina. E-mail: erickdaniel03@gmail.com. Artigo apresentado ao Centro Universitário Aparício Carvalho, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Medicina, Porto Velho/RO,  2025.

4Professor Orientador. Professor do curso de Medicina. E-mail: prof.chimene@fimca.com.br