EPIDEMIOLOGICAL ANALYSIS OF DENGUE AND IMPACTS OF THE QDENGA® VACCINE IN BRAZIL FROM 2022 TO 2025
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202512071737
Vitoria Catarina Sampaio do Nascimento1
Iris Cristina de Sá Barreto Lima2
Joao Vitor Benjamim Dias3
Joice Fabrício de Souza4
Monalisa Ribeiro Silva5
Resumo
Introdução: A dengue se configura como um dos maiores desafios da saúde pública brasileira, caracterizada por alta incidência, cocirculação de múltiplos sorotipos e sucessivos surtos de grande magnitude. Entre 2022 e 2025, verificou-se um agravamento expressivo do cenário epidemiológico, impulsionado pela expansão do Aedes aegypti, alterações ambientais e maior intensidade da transmissão viral. A introdução da vacina TAK-003 (QDENGA®) em 2023 representou um avanço relevante, embora seus efeitos populacionais ainda demandem monitoramento contínuo. Objetivo: Realizar análise epidemiológica da Dengue no Brasil e o impacto da Vacina TAK-003 (QDENGA®) no período de 2022-2025. Metodologia: Estudo epidemiológico observacional, transversal e descritivo, utilizando dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), acessados via TABNET/DATASUS. Foram examinadas variáveis sociodemográficas, clínicas e geográficas. A organização dos dados ocorreu no Microsoft Excel®, com elaboração de gráficos e mapas no Power BI® e DataWrapper®. As análises estatísticas foram realizadas no JAMOVI® 2.3.28, com estatística descritiva e testes como qui-quadrado, Fisher, Mann–Whitney, correlação de Spearman e cálculo de odds ratio, adotando-se p < 0,05. Resultados: Identificaram-se aproximadamente 9 mil óbitos confirmados no período, representando 6% dos casos graves ou com sinais de alarme. O ano de 2024 apresentou o maior pico epidêmico, e os dados parciais de 2025 já superaram 2022 e 2023, com cerca de 1.434 mortes, número 50% maior que o registrado em 2022. Adultos jovens concentraram maior incidência, enquanto idosos e crianças registraram formas mais graves. Sudeste, Sul e Centro-Oeste destacaram-se em número de notificações, influenciadas pela cocirculação dos sorotipos DEN-1 e DEN-2. Considerações finais: Os achados reforçam a urgência de estratégias integradas de vigilância e prevenção. A vacina TAK-003 (QDENGA®) mostra potencial promissor, mas exige avaliação contínua de impacto. O estudo contribui para o aprimoramento das políticas públicas brasileiras de enfrentamento à dengue.
Palavras-chave: Dengue. Infecções por arbovírus. Epidemiologia. Mortalidade. Saúde Pública.
1 INTRODUÇÃO
A dengue é uma doença infecciosa causada pelo arbovírus DENV da família Flaviviridae e transmitida pelo vetor Aedes aegypti. É a doença viral mais importante do mundo e a infecção é endêmica em regiões tropicais e subtropicais, nas quais as circunstâncias socioambientais propiciam seu alastramento, estimando-se que 2,5 a 3 bilhões de pessoas estejam expostas ao risco de adoecimento (Cola, 2023; Guimarães, 2023)
A dengue tem sido objeto de atenção especial, no Brasil, devido à sua alta incidência e morbimortalidade associada, gerando impactos socioeconômicos consideráveis e desafiando as estratégias de controle e prevenção adotadas pelas autoridades de saúde (Mendonça, 2023; Faria,2023) Ao longo dos anos as notificações de Dengue se tornaram compulsórias para inserção no SINAN, que possibilita o delineamento de perfis demográficos e o cálculo de incidências (Carrilho, 2023).
O cenário epidemiológico brasileiro, no primeiro semestre de 2022, tem apresentado um fenômeno interessante, simultaneamente a diminuição dos casos de covid-19, o país está vivenciando um surto de arboviroses. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde em parceria com as secretarias de Vigilância em Saúde, até a semana 16 de 2022 ocorreram 542.038 casos prováveis de dengue no Brasil. Em comparação com o ano de 2021, houve um aumento de 113,7 % no número de casos suspeitos registrados para o mesmo período analisado (Brasil, 2022).
A enfermidade ocasionada pela infecção de qualquer um dos quatro sorotipos do DENV presentes em áreas endêmicas pode provocar uma variedade de sintomas. O aumento dependente de anticorpos e a capacidade do DENV de infectar células do sistema imunológico, juntamente com outros fatores, levam à Febre Hemorrágica da Dengue e à Síndrome do Choque da Dengue que são condições potencialmente fatais (Jain, 2023; Patel, 2023)
A introdução da vacina QDENGA® representa um avanço significativo no controle epidemiológico da dengue. Essa vacinação é uma estratégia fundamental para reduzir a carga da doença, prevenir casos graves e complicações associadas, bem como minimizar os custos sociais e econômicos relacionados ao tratamento e controle da dengue. A implementação eficaz dessa vacina pode ter um impacto substancial na incidência da dengue, contribuindo para a diminuição do número de casos notificados, hospitalizações e óbitos relacionados à doença. Além disso, a vacina pode desempenhar um papel crucial na redução da circulação do vírus da dengue na população, ajudando a interromper a transmissão e controlar surtos e epidemias. Portanto, a avaliação do impacto epidemiológico dessa vacina é de extrema importância de modo a promover avanços significativos no combate a essa doença endêmica (Brasil, 2024).
Estudos clínicos evidenciaram que a TAK-003 (QDENGA®), uma vacina de vírus vivo atenuado tetravalente para a dengue, apresenta boa tolerabilidade, capacidade imunogênica e eficácia em adultos sem histórico de exposição ao vírus da dengue, residentes em regiões não endêmicas. Além disso, a vacina também demonstrou ser eficaz em adultos e crianças que vivem em áreas onde a dengue é endêmica (Patel, 2023).
A propagação da dengue é influenciada por uma variedade de elementos, incluindo fatores ambientais, estilos de vida individuais, aspectos sociais, características culturais e aspectos econômicos. Essa complexidade torna a gestão da doença um verdadeiro desafio para os setores de saúde pública. Diversas estratégias são sugeridas para diminuir a ocorrência da dengue, como o controle dos insetos vetores, programas de conscientização em saúde, aprimoramento da capacitação dos profissionais de saúde e melhorias na organização dos serviços de saúde (Cola, 2023).
Neste contexto, compreender o comportamento sociodemográfico da dengue por meio da análise epidemiológica no Brasil, no período de 2022 a 2025, revela-se fundamental para subsidiar o planejamento de ações de controle e prevenção. O conhecimento detalhado desses padrões possibilita fortalecer estratégias de conscientização da população, aprimorar a busca ativa de casos, estruturar fluxos de tratamento mais eficazes e orientar a formulação de políticas públicas e o desenvolvimento de novas pesquisas na área.
Espera-se que os achados e a divulgação dos dados produzidos por esta pesquisa possam contribuir para a compreensão do processo saúde–doença e favorecer avanços nas políticas públicas de saúde no país, especialmente em cenários de cocirculação viral e alta transmissibilidade. Este trabalho teve como objetivo realizar uma análise epidemiológica da dengue no Brasil e examinar o impacto da vacina TAK-003 (QDENGA®) no período de 2022 a 2025.
2 METODOLOGIA
Este estudo epidemiológico observacional, transversal, de caráter descritivo e quantitativo analisou os óbitos por dengue registrados nos anos de 2022 e 2025. A coleta das informações foi realizada por meio da ferramenta de tabulação do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), com acesso ao SINANWEB, utilizando dados secundários referentes aos indivíduos diagnosticados com dengue.
As informações extraídas foram organizadas em planilhas do Microsoft Excel® e Google Sheets®, enquanto os gráficos foram produzidos e padronizados no Microsoft Power BI®. A elaboração do mapa geográfico foi realizada com o auxílio do software DataWrapper 2025®. Todos os dados foram armazenados em ambiente virtual seguro, sob responsabilidade do pesquisador, permitindo o compartilhamento protegido entre os membros da equipe e assegurando a integridade das informações.
Foram selecionadas para análise as variáveis ano e semana epidemiológica, evolução ao óbito, classificação final e características sociodemográficas como sexo, idade, raça/cor, região e Unidade Federativa de notificação. Registros incompletos, descartados, classificados como branco/ignorado, bem como aqueles cujo desfecho de confirmação da dengue constava como ignorado, foram excluídos do estudo.
Paralelamente, realizou-se uma revisão bibliográfica nas bases do Ministério da Saúde, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e PubMed, além de documentos oficiais do Ministério da Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Para a busca, utilizaram-se os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) “Dengue”, “Arboviroses”, “Epidemiologia” e “Mortalidade”, aplicando o operador booleano AND no cruzamento dos termos.
Os critérios de inclusão adotados foram: artigos publicados em inglês, espanhol ou português; textos completos, gratuitos e disponíveis integralmente; e estudos que abordassem diretamente o tema central da pesquisa. Foram excluídos relatos de caso e aqueles que não apresentavam relação com a temática investigada.
A confirmação dos casos de dengue seguiu as orientações do Guia Nacional de Vigilância em Saúde, considerando exames laboratoriais positivos ou critérios clínico-epidemiológicos. A seleção dos estudos baseou-se na avaliação de título, resumo e assunto, priorizando publicações de maior relevância, impacto e número de citações.
As informações analisadas foram correlacionadas às variáveis selecionadas para o es- tudo, e a síntese dos dados ocorreu por meio de uma análise descritiva, com apresentação dissertativa dos resultados. Por se tratar de uma pesquisa baseada em dados secundários disponibilizados publicamente pelo Ministério da Saúde, o estudo atendeu às diretrizes éticas estabelecidas pela Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.
Foram incluídas na análise variáveis sociodemográficas como sexo, idade, raça/cor, anos de estudo, região, Unidade Federativa e município de residência. Também foram consideradas variáveis relacionadas ao agravo, como hospitalização, classificação final da dengue, critério de confirmação, realização de sorologia e evolução dos casos, além das informações temporais referentes ao ano e à semana epidemiológica de notificação.
A apresentação dos dados foi realizada por meio de tabelas, figuras e gráficos, utili- zando medidas descritivas como média, valores mínimo e máximo e desvio-padrão. As análises estatísticas foram conduzidas no software JAMOVI® 2.3.28, com aplicação dos testes qui-quadrado, teste exato de Fisher, teste de Mann–Whitney, correlação de Spearman e cálculo de odds ratio, adotando-se nível de significância de p < 0,05. Para a organização do banco de dados e as análises descritivas iniciais, utilizou-se o Microsoft Excel®. Complementarmente, ferramentas como DataWrapper® e Microsoft Power BI® foram utilizadas para a construção de mapas e visualizações geográficas, ampliando a robustez e clareza na apresentação dos resultados.
A viabilidade econômico-financeira do projeto mostrou-se altamente favorável, uma vez que a utilização de dados secundários eliminou custos relacionados à coleta primária, deslocamentos, logística e equipamentos específicos. Os softwares utilizados, como TABNET, JAMOVI® e DataWrapper®, eram gratuitos ou possuíam versões abertas suficientes para atender às necessidades da pesquisa. A equipe contou com bolsistas e voluntários já vinculados à instituição, e toda a infraestrutura tecnológica necessária foi disponibilizada pela própria instituição. Assim, o desenvolvimento do estudo ocorreu com baixo custo operacional e elevada eficiência financeira.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A dengue é uma enfermidade causada por um flavivírus e transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, mantendo-se endêmica em grande parte das regiões tropicais e subtropicais do mundo. Estima-se que aproximadamente 96 milhões de pessoas desenvolvam manifestações clínicas da doença anualmente, das quais cerca de 500 mil evoluem com gravidade suficiente para necessitar hospitalização (PATEL et al., 2023). O vírus apresenta quatro sorotipos antigenicamente distintos DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4, cuja circulação simultânea contribui para a complexidade epidemiológica e para o risco de formas graves, sobretudo em infecções secundárias (Sansone; Boschiero; Marson, 2024).
No Brasil, a dengue configura um dos maiores desafios de saúde pública devido à elevada incidência, à carga de morbimortalidade e aos impactos econômicos associados. Em escala global, os custos anuais relacionados ao tratamento e aos efeitos indiretos da doença variam entre US$ 9 e US$ 39 bilhões, evidenciando sua relevância socioeconômica (Sansone; Boschiero; Marson, 2024). A introdução da vacina QDENGA® em 2023 representou um marco importante no país, oferecendo uma nova ferramenta para a prevenção de casos graves e contribuindo para o fortalecimento das ações de controle epidemiológico (Lee; Long; Poh, 2025).
Diante da circulação concomitante de diversas arboviroses no território nacional, como dengue, chikungunya e Zika, os processos de vigilância, monitoramento e resposta tornam-se ainda mais essenciais. Assim, a análise do comportamento sociodemográfico da dengue no período de 2022 a 2025 é fundamental para orientar estratégias qualificadas de prevenção, controle e mitigação dos danos, possibilitando compreender tanto sua distribuição entre as diferentes regiões do Brasil quanto o perfil epidemiológico dos indivíduos mais acometidos pela doença.
Figura 1: Casos confirmados vs. Óbitos (2022–2025)

Fonte: Autores, 2025.
Figura 2. Prevalência de casos por ano.

Fonte: Autores, 2025.
As notificações das arboviroses dengue, Zika e Chikungunya são compulsórias no SINAN, permitindo traçar perfis demográficos e calcular incidências, devendo todo caso suspeito ser registrado, mesmo sem confirmação definitiva (Carrilho, 2023).
No início de 2024, os casos globais aumentaram significativamente, atingindo 7,6 milhões até abril, impulsionados pelo fenômeno El Niño, que alterou padrões climáticos e favoreceu a proliferação do vetor, especialmente nas Américas. A OMS registrou mais de 3 mil óbitos no período, destacando a gravidade da situação. No 1º semestre, caracterizado como o período de chuvas, é esperado o aumento de casos de dengue devido maior proliferação do Aedes aegypti (OMS, 2024; Brasil, 2024).
O país contabilizou cerca de 13,3 milhões de casos notificados de dengue no período estudado. Desse total, 8.093.620 foram confirmados e tiveram notificação completa (sem espaços em branco ou ignorados), sendo 1,8% evoluíram para formas graves ou com sinais de alarme, somando aproximadamente 150 mil ocorrências.
Observou-se um pico epidêmico em 2024. Enquanto 2022 e 2023 somaram 2.092.790 casos, 2024 sozinho contabilizou 4.916.676 – representando 60,7% do total do quadriênio e um crescimento de 235,0% em relação ao acumulado dos dois anos anteriores. A prevalência em 2024 foi 4,7 vezes superior à média de 2022-2023 (492,2 casos/100 mil). A diferença percentual entre a prevalência de 2024 e a soma das prevalências de 2022 e 2023 (984,3/100 mil) atingiu 134,9%, evidenciando a intensidade da crise naquele ano.
De forma crucial, 2024 viu o ressurgimento do DENV-3 (responsável por cerca de 1,5% dos óbitos) e a detecção de um caso fatal por DENV-4, um padrão de cocirculação dos quatro sorotipos também reportado pela Organização Pan-Americana da Saúde para o Brasil e as Américas. Dados parciais de 2025 indicam uma nova alteração, com o DENV-2 tornando-se claramente majoritário (aproximadamente 77% dos óbitos), uma queda acentuada na participação do DENV-1 (cerca de 6%) e um crescimento do DENV-3 (aproximadamente 17%).
A predominância do sorotipo DENV-2 e a reintrodução do DENV-3 em populações com imunidade prévia aumentam o risco de surtos graves de dengue, devido à Facilitação Dependente de Anticorpos (ADE), que intensifica a replicação viral e a resposta inflamatória, favorecendo formas severas como febre hemorrágica e síndrome do choque. Em 2024, no Rio Grande do Sul, a transição para o DENV-2 coincidiu com aumento significativo de casos graves e óbitos (Queiroga et al., 2025).
Figura 3. Gravidade e óbito por ano.

Fonte: Autores, 2025.
Os óbitos confirmados no período atingiram 9 mil, representando 6,0% dos casos graves ou com sinais de alarme. Os dados parciais de 2025, por sua vez, já superam os níveis epidemiológicos de 2022-2023, com aproximadamente 1.434 mortes, sendo esse valor 50% maior do que em 2022. Achados similares também foram retratados por Gurgel et al (2024) detectam, de fato, um aumento significativo de casos em 2024 em relação aos demais anos analisados, evidenciando uma equivalência com os achados registrados.
Figura 4: Casos confirmados por semana epidemiológica.

Fonte: Autores, 2025.
Figura 5: Óbitos por semana epidemiológica.

Fonte: Autores, 2025.
Em 2024, a dengue manteve seu padrão sazonal característico, com maior concentração de casos entre março e maio, mas apresentou intensidade sem precedentes. Nesse intervalo, que corresponde ao período chuvoso no Brasil, foram registrados 63% de todos os casos do ano, totalizando 3,1 milhões de notificações. O ponto máximo ocorreu na semana epidemiológica 15, com 325.429 casos, representando o maior pico do quadriênio. Esse valor superou em mais de quatro vezes os maiores registros de 2022 e 2023, que tiveram, respectivamente, 78.091 e 76.514 casos em seus picos.
Destaca-se a manutenção de transmissão elevada em 2024, com casos semanais superiores a 240.000 entre as semanas 10 e 20, e declínio mais gradual que nos anos anteriores. A média semanal de casos em 2024 (94.551) foi 4,5 vezes maior que a de 2023 (21.009), refletindo a intensidade excepcional da epidemia.
Paralelamente, os óbitos acompanharam esse padrão: 65,4% das mortes de 2024 (3.688/5.642) ocorreram nas semanas 10-20, com pico na semana 16 (369 óbitos) – valor 4,6 vezes superior ao máximo de 2022 (80 óbitos, semana 16) e 6,3 vezes maior que 2023 (59 óbitos, mesma semana).
Em um estudo conduzido por Quintero et al. (2024), em cinco municípios da América Latina, observou-se que, durante o período de chuvas, a quantidade de pupas do mosquito Aedes aegypti atingiu níveis oito vezes superiores aos verificados na estação seca, ressaltando o papel crucial das precipitações na expansão do vetor. Um estudo realizado por Agüero et al. (2019) na América Central apontou achados semelhantes.
Os resultados evidenciam uma expansão crítica da dengue no Brasil em 2024, com padrão sazonal intensificado e carga epidemiológica sem precedentes. A análise reforça a necessidade de estratégias urgentes de controle vetorial e vigilância integrada, principalmente em semanas epidêmicas críticas (10 a 20).
A oscilação dos índices de dengue, marcada por períodos alternados de alta e baixa incidência, está intimamente relacionada com as estações chuvosas. Um ambiente caracterizado por intensas precipitações contribui de forma significativa para a multiplicação do Aedes aegypti, principal vetor da doença. Além disso, a deficiência em infraestrutura, evidenciada pelo acúmulo de água em recipientes expostos, favorece a propagação do mosquito em locais com saneamento inadequado (Guimarães; Cunha, 2020).
O aumento simultâneo da letalidade e do número de casos em 2024 indica que o sistema de saúde brasileiro pode ter sofrido forte sobrecarga, comprometendo a qualidade e a rapidez do atendimento aos casos graves. Essa situação reflete o conceito de “deriva para a falha”, no qual decisões sob pressão e recursos limitados podem levar a colapsos em larga escala. (Castro-Nunes et al., 2025).
Figura 6: Casos por região e ano.

Fonte: Autores, 2025.
Os estados com maior carga acumulada no quadriênio foram São Paulo (3.032.259 casos), Minas Gerais (1.565.093) e Paraná (947.079), sendo São Paulo também o líder em casos absolutos em 2024 (1.797.766).
O Centro-Oeste destacou-se pela intensidade epidêmica: Goiás registrou 272.836 casos apenas em 2024 (51,5% do total do quadriênio – 529.225), Distrito Federal atingiu 139.756 casos no mesmo ano (71,0% do total: 196.907), enquanto Mato Grosso do Sul reduziu casos em 52,7% em 2024 (15.499) frente a 2023 (32.742).
No Nordeste, a Bahia concentrou 71,9% dos casos regionais em 2024 (121.016/168.330). A Região Norte, embora representando 1,7% do total nacional (141.139 casos), teve surto crítico no Amapá em 2024 (9.101 casos – 9 vezes superior a 2023).
Observa-se que a Região Sudeste concentrou o maior número de óbitos confirmados, com 5.193 mortes, representando 56,71% do total nacional. Em seguida, a Região Sul registrou 1.994 óbitos (21,78%), o Centro-Oeste com 1.369 óbitos (14,95%), o Nordeste com 459 óbitos (5,01%), e a Região Norte com 151 óbitos (1,65%).
A distribuição geográfica dos óbitos por dengue revela concentrações significativas no Centro-Sul do país. São Paulo lidera com expressivos 3.417 mortes, seguido por Minas Gerais (1.549), Paraná (1.057), Goiás (705) e Rio Grande do Sul (421). Juntos, esses cinco estados respondem por aproximadamente 80% do total nacional de óbitos. Nas regiões Norte e Nordeste, os números são mais baixos, com destaques para Bahia (250) e Pará (42), refletindo padrões distintos de impacto da doença
A análise temporal confirmou clusters sincronizados em Goiás, Minas Gerais e São Paulo padrão consistente com estudos sobre dispersão de arbovírus (Souza et al., 2024). A expansão urbana desordenada e o desmatamento (Andrioli et al., 2020), somados à mobilidade interestadual (Böhm et al., 2016), amplificaram a vulnerabilidade nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. Esses fatores, agravados por anomalias climáticas em 2024, explicam a magnitude da crise, demandando políticas regionais específicas para contenção vetorial.
A dengue apresenta uma expansão geográfica significativa, alcançando áreas que antes registravam baixa endemicidade, como a Região Sul do Brasil. Além disso, observa-se um processo de interiorização, com crescimento expressivo de casos em municípios de menor porte populacional e até em regiões de maior altitude. Esse cenário sugere transformações importantes na dinâmica de transmissão e evidencia uma notável capacidade de adaptação tanto do mosquito vetor quanto do próprio vírus. (Queiroga et al., 2025; Lopes; Bastos, 2025; Gurgel- Gonçalves; Oliveira; Croda, 2024).
Figura 7: Casos por faixa etária e raça/ cor

Fonte: Autores, 2025.
A distribuição dos casos de dengue por faixa etária entre 2022 e 2025 confirma o padrão de maior vulnerabilidade em adultos jovens. O grupo 20-39 anos foi o mais acometido, representando 34,7% do total (2.809.458 casos), seguido pela faixa 40-59 anos com 27,3% (2.208.632 casos). Juntos, esses grupos concentraram 62,0% das infecções reforçando que a dengue impacta principalmente a população economicamente ativa (Miranda et al., 2024).
Figura 8: Casos por faixa etária.

Fonte: Autores, 2025.
Nota-se maior risco em mulheres na faixa de 40-59 anos (1.290.992 casos), totalizando 58,4% desse grupo etário. O padrão é consistente com estudos que associam a exposição ao vetor a deslocamentos laborais e vulnerabilidades ambientais (Cunha et al., 2024). A distribuição por sexo mantém predominância feminina: 54,5% dos casos (4.414.790) – diferença de 9,0 pontos percentuais.
Figura 09: Casos por sexo total no período de 2022 a 2025.

Fonte: Autores, 2025.
Figura 10: Hospitalizações por faixa etária e gravidade.

Fonte: Autores, 2025.
A análise da gravidade dos casos de dengue entre 2022 e 2025 revela uma vulnerabilidade crítica nos extremos etários. Lactentes menores de 1 ano e idosos acima de 80 anos apresentam taxas de hospitalização significativamente elevadas. Os idosos destacam-se não apenas pela frequência, mas também pela severidade. Na faixa acima de 80 anos, 25,7% dos casos hospitalizados progrediram para formas graves, enquanto entre os lactentes essa proporção foi de 23,4%. Paralelamente, as mulheres idosas mostraram-se particularmente afetadas: representaram 62,3% das hospitalizações e 64,2% dos óbitos nessa faixa etária.
Em contraste, adultos jovens (20-59 anos), embora responsáveis por 62,0% do total de casos, tiveram baixos índices de complicações: apenas 0,1% evoluíram para dengue grave e 3,0% requereram hospitalização.
A análise da distribuição dos casos de dengue por raça/cor no Brasil, considerando o período de 2022 a 2025, revela disparidades significativas. A população branca concentrou a maior proporção de casos notificados, com 53,6% do total, seguida pela população parda, com 39,7%. Em contraste, a população preta representou 5,4% dos casos, enquanto amarelos (1,1%) e indígenas (0,3%) registraram os menores percentuais.
A análise da dengue em relação à composição demográfica do Brasil (IBGE, 2022) mostra que os brancos, que representam 43,5% da população, estão super-representados nos casos (53,6%). Em contraste, a população parda (46,8% da população) e preta (9,4%) estão sub- representadas nos registros da doença, com 39,7% e 5,4% dos casos, respectivamente. A população indígena, apresenta provável subnotificação.
O adoecimento e a mortalidade por dengue não afetam a população de forma uniforme. Em 2024, houve uma ruptura na tendência da doença, com aumento expressivo de casos e óbitos, superando picos anteriores, mesmo após a introdução da vacina em 2023.
Portanto, o combate à dengue no Brasil vai além do controle do mosquito, demandando uma abordagem ampla, intersetorial e contínua. É fundamental fortalecer a vigilância epidemiológica e genômica, ampliar a capacidade do sistema de saúde para lidar com surtos e desenvolver políticas públicas que reduzam desigualdades sociais e raciais, garantindo acesso equitativo à prevenção, diagnóstico e tratamento. A expansão geográfica da doença e a subnotificação de casos destacam a necessidade de estratégias adaptativas, integradas e de longo prazo para controlar efetivamente a dengue no país.
Espera-se contribuir para o avanço do conhecimento sobre a Dengue, inspirando novos estudos que possam subsidiar o planejamento de ações de controle e prevenção dessa doença, com o intuito de reduzir a sua incidência e melhorar a saúde no Brasil.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados analisados demonstram que a dengue permanece como um dos principais desafios de saúde pública no Brasil, apresentando comportamento epidemiológico marcado por intensa variabilidade temporal e espacial. O quadriênio 2022–2025 evidenciou uma escalada significativa na carga da doença, culminando em 2024 com o maior surto já registrado, influenciado por fatores climáticos, sociais e biológicos, como o impacto do El Niño, a cocirculação de múltiplos sorotipos e o fenômeno da Facilitação Dependente de Anticorpos (ADE).
A distribuição dos casos e óbitos revelou profundas desigualdades regionais e sociodemográficas. Regiões com maior densidade populacional e mobilidade, especialmente Sudeste, Sul e Centro-Oeste, concentraram a maior parte do impacto epidemiológico. Do ponto de vista demográfico, adultos jovens foram os mais infectados, refletindo a alta exposição da população economicamente ativa, enquanto lactentes e idosos apresentaram maior risco de gravidade e mortalidade, demonstrando vulnerabilidades específicas dos extremos etários. Marcadores sociais como raça/cor também evidenciaram discrepâncias relevantes, indicando a necessidade de aprimoramento da vigilância e da captação de dados em populações historicamente subnotificadas.
A magnitude da epidemia de 2024 expôs fragilidades estruturais do sistema de saúde, que enfrentou sobrecarga assistencial e desafios na resposta oportuna aos casos graves. Esse cenário reforça a importância de ações integradas e contínuas de vigilância, controle vetorial, educação em saúde e fortalecimento da infraestrutura sanitária. A introdução da vacina QDENGA® representa um avanço, mas seus efeitos ainda são iniciais e insuficientes diante de um contexto de cocirculação viral intensa e condições ambientais favoráveis ao Aedes aegypti. Assim, os achados do estudo apontam para a urgência de políticas públicas robustas, sustentáveis e regionais, capazes de integrar vigilância epidemiológica, planejamento urbano, manejo ambiental e estratégias inovadoras de prevenção. A compreensão detalhada do comportamento sociodemográfico da dengue entre 2022 e 2025 oferece subsídios fundamentais para o desenvolvimento de intervenções mais eficazes e direcionadas, que possam reduzir a carga da doença, mitigar desigualdades e aprimorar a capacidade de resposta do sistema de saúde frente às próximas epidemias.
REFERÊNCIAS
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1 Discente do Curso de Graduação em Medicina Faculdade de Medicina Estácio de Juazeiro do Norte – IDOMED e-mail: vitoriasamp2001@gmail.com
2 Discente do Curso de Graduação em Medicina Faculdade de Medicina Estácio de Juazeiro do Norte – IDOMED e-mail: irisblmed@gmail.com
3 Discente do Curso de Graduação em Medicina Faculdade de Medicina Estácio de Juazeiro do Norte – IDOMED e-mail: joaovitorbenjamim@gmail.com
4 Apoiadora Regional de Educação Permanente em Saúde na Superientendência Regional de Saúde Sul da Secretaria da Saúde do Ceará e-mail: fabriciojoice53@gmail.com
5 Docente Curso de Graduação em Medicina Faculdade de Medicina Estácio de Juazeiro do Norte – IDOMED e- mail: prof.monalisaribeiro.morfologia@gmail.com
