ANÁLISE ECONÔMICA PARA IMPLANTAÇÃO DE UM SISTEMA VOISIN PARA OVINOS 

ECONOMIC ANALYSIS FOR IMPLEMENTING A VOISIN SYSTEM FOR SHEEP 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202512111117


Fabian Bastos1
Matheus Rocha2
Marcos André Aleixo3


Resumo: Este estudo analisa a viabilidade econômica da implantação do Sistema Voisin de Rotação  de Piquetes na criação de ovinos, considerando seus desafios e benefícios. A pesquisa adota uma  abordagem exploratória, embasada em revisão bibliográfica e análise de dados econômicos sobre  custos de implementação, produtividade e sustentabilidade do sistema. A análise econômica da  implantação do Sistema Voisin para ovinos representa um elemento crucial para os produtores  interessados em adotar práticas de manejo mais eficientes e sustentáveis. Com os estudos analisados  sobre o tema, observa-se que a criação de ovinos é uma atividade de grande importância econômica  em diversas regiões do mundo, especialmente em áreas rurais. A busca por métodos de manejo  eficientes e sustentáveis tem levado muitos criadores a considerar o sistema Voisin de rotação de  piquetes como uma alternativa viável. Foram avaliados aspectos como investimento inicial, custos  operacionais e impacto na eficiência produtiva da ovinocultura. Os resultados indicam que, apesar dos  desafios técnicos e estruturais, a adoção do sistema pode proporcionar maior produtividade e  sustentabilidade, justificando o investimento a longo prazo. Dessa forma, o Sistema Voisin pode ser  uma alternativa economicamente viável para a criação de ovinos, contribuindo para a otimização do  manejo das pastagens e a melhoria da rentabilidade da atividade pecuária. 

Palavras-chave: Ovinocultura. Parasitose. Custos. 

Abstract: This study analyzes the economic feasibility of implementing the Voisin Paddock Rotation  System for sheep farming, considering its challenges and benefits. The research adopts an exploratory  approach, based on a literature review and analysis of economic data on implementation costs,  productivity, and sustainability of the system. The economic analysis of implementing the Voisin  System for sheep represents a crucial element for producers interested in adopting more efficient and  sustainable management practices. With the studies analyzed on the subject, it is observed that sheep  farming is an activity of great economic importance in several regions of the world, especially in rural  areas. The search for efficient and sustainable management methods has led many farmers to  consider the Voisin paddock rotation system as a viable alternative. Aspects such as initial investment,  operational costs, and impact on the productive efficiency of sheep farming were evaluated. The results  indicate that, despite the technical and structural challenges, the adoption of the system can provide  greater productivity and sustainability, justifying the investment in the long term. Thus, the Voisin  System can be an economically viable alternative for sheep farming, contributing to the optimization of  pasture management and improving the profitability of livestock farming. 

Keywords: Sheep farming. Parasitosis. Cost. 

1 Introdução 

O sistema voisin para ovinos é uma abordagem de manejo intensivo de  pastagens desenvolvida pelo agrônomo francês André Voisin. Este sistema  revolucionário visa otimizar a produção de carne e/ou lã de ovinos por meio de um manejo cuidadoso das pastagens. O método se baseia em princípios de rotação de  pastagens e controle rigoroso do pastejo, buscando maximizar a eficiência do uso  da forragem disponível (Sistema Voisin, 2022). No entanto, um dos principais  desafios enfrentados pelos criadores está na gestão eficiente das pastagens, visto  que o manejo inadequado pode comprometer a produtividade animal, aumentar os  custos com alimentação suplementar e impactar negativamente o meio ambiente. O  Pastoreio Racional Voisin (PRV) é um método intensivo de pastejo que busca o  equilíbrio entre solo — pastagem — animal e foi desenvolvido como uma alternativa  para aumentar os índices de produtividade e melhorar o bem-estar animal, obtendo  assim uma produção mais sustentável e de baixo custo (Vione, 2023).  

No Sistema Voisin, o animal “é manejado em rotação por piquetes, que terão  tempo variável de descanso de acordo com a estação do ano, espécies de pasto,  características climáticas da região e fertilidade do solo” (Vione, 2023). Neste  contexto este sistema é uma excelente alternativa. 

Para o sucesso do sistema Voisin, existem quatro fundamentos a serem  seguidos, segundo Vione (2023): lei do repouso, lei da ocupação, lei do rendimento  máximo, lei do rendimento regular, sendo duas relacionadas à pastagem e duas ao  acréscimo da produção animal. Essas diretrizes garantem que a pastagem tenha  tempo suficiente para se recuperar, evitando o superpastejo e permitindo que os  animais tenham acesso a forragem de alta qualidade. Estudos demonstram que o  PRV pode aumentar a eficiência produtiva, reduzir custos operacionais e melhorar  a sustentabilidade da produção pecuária (Salman, 2007). Além disso, pesquisas  apontam que a rotação de piquetes pode contribuir para um melhor aproveitamento  dos nutrientes do solo e reduzir a necessidade de insumos externos (Royo et al.,  2020). 

A crescente busca por sistemas produtivos mais sustentáveis reforça a  importância deste estudo. A implementação do sistema voisin para ovinos ainda é  pouco explorada em comparação ao seu uso na bovinocultura, o que evidencia a  necessidade de mais investigações sobre sua aplicabilidade e viabilidade  econômica nesse contexto. Assim, este trabalho pretende contribuir para o  conhecimento sobre o manejo racional de pastagens voltado à ovinocultura,  fornecendo informações que possam auxiliar produtores na tomada de decisões. 

Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo analisar a implantação  do Sistema Voisin em uma propriedade localizada no município de Imbituva, Paraná, avaliando seus impactos produtivos e econômicos. A pesquisa busca  determinar se esse modelo de manejo pode representar uma alternativa eficiente  para melhorar a produtividade e a sustentabilidade da ovinocultura, fornecendo  subsídios para a adoção desse sistema por outros criadores. 

2 Material e Métodos 

A metodologia utilizada para a análise deste estudo é experimental,  conduzida em uma propriedade localizada no município de Imbituva, no estado do  Paraná. A propriedade em questão abriga um rebanho ovino composto por  aproximadamente 17 (dezessete) animais, predominantemente da raça Texel, com  alguns indivíduos das raças Ile de France e Santa Inês. Estes ovinos estavam sendo  criados em um sistema semi-extensivo, onde eram mantidos em um único piquete  de pastagem de aproximadamente um alqueire (aproximadamente 24.200 m² – vinte  e quantro mil e duzentos metros quadrados). 

Figura 1 – Ovinos pastando 

Fonte: Os autores, 2025.  

Para a implementação do Sistema Voisin nesta propriedade foi seguido as  etapas recomendadas pelo método, iniciando com a divisão da área: a propriedade  foi subdividida em piquetes nos tamanhos de, aproximadamente 3.200m² (três mil e  duzentos metros quadrados), foram criados quatro piquetes, considerando a capacidade de suporte do solo e a densidade populacional de ovinos. 

Figura 2 – Imagem piquete 02 

Fonte: Os autores, 2025.  

A segunda etapa é o manejo do pastejo, foi estabelecido um calendário de  pastejo rotacionado com duração de 5 dias por piquete. Esse manejo visa garantir o  uso sequencial dos piquetes, respeitando o período de descanso necessário para a  recuperação da pastagem. Com isso, há a fase de monitoramento e ajustes, na qual,  durante o período de estudo, há monitoramento da altura da pastagem, da condição da qualidade do solo e controle das verminoses. 

De modo a enriquecer o estudo desenvolvido, foram coletadas amostras de  fezes de 15% do rebanho, ou seja, três carneiros, para realização do exame  coproparasitológico. O principal objetivo é comparar as cargas parasitárias presentes  antes da implantação do sistema com o monitoramento dos ovinos através da  sintomatologia das verminoses após a implantação do mesmo. 

Além da implementação prática do sistema, foi realizada uma análise dos  custos associados à implantação do Sistema Voisin na propriedade. Os itens de  custo incluem: infraestrutura, palanques, fios de arame, ureia, mão de obra para  manutenções gerais. 

Paralelamente, foram analisados dados de 2023 relatados pelo proprietário com relação a gastos com medicamentos, prejuízos com perda de ovinos, baixa taxa de prenhez e natalidade. Tais dados foram utilizados para comparar com resultados reprodutivos obtidos através da ultrassonografia, gastos com medicamentos e  prejuízos com a perda de ovinos após a implantação do sistema. Também foi  apresentado como seria o cenário reprodutivo de 2023 com as taxas de prenhez,  gestação gemelar e natalidade. 

Ainda foi realizada a simulação de uma implantação completa do sistema  voisin para uma propriedade de um alqueire com quatro piquetes, possibilitando  analisar tanto os gastos para a instalação quanto o tempo de retorno do investimento,  considerando como base a perda anual do ano de 2023 da propriedade em que o  estudo foi realizado. 

3 Resultados e discussão 

A análise de alguns pontos geram uma visão abrangente sobre como essa  metodologia pode impactar positivamente os resultados financeiros de uma criação  de ovinos. Um dos principais desafios técnicos está relacionado à infraestrutura  necessária para a implantação do sistema Voisin, ou seja, o investimento inicial.  

Embora esse sistema possa trazer benefícios a longo prazo, como aumento  da produtividade e redução dos custos de produção, o investimento para a criação  desse sistema pode ser significativo.  

A transição para o Sistema Voisin pode exigir alguns investimentos, sendo  eles: a preparação da área e semeadura, já que o solo deve estar preparado e nutrido  para o recebimento do pasto, e consequentemente dos animais; a instalação de  cercas: preciso investir em cercas adequadas e divisórias móveis que permitam o  manejo eficiente dos animais e a rotação dos piquetes; e o acesso à água para levar  água aos piquetes, neste local específico do estudo o solo já possuía pastagem  adequada, cercas formando este único piquete adequada, onde foi necessário  somente as cercas para divisão de alguns piquetes. Já o acesso água era apenas no aprisco e foi necessário instalações de cochos de água nos piquetes. 

Com a falta de conscientização sobre os benefícios do sistema Voisin e a  necessidade de uma mentalidade voltada para a análise econômica final de  produtividade, muitos criadores podem hesitar em adotar o sistema Voisin devido aos  custos associados à sua implementação. Visto que, na propriedade em que foi  realizado o estudo, na execução da divisão do espaço que o proprietário já possuía, foi utilizado 50 (cinquenta) palanques de 1,20m (um metro e vinte centímetros) de  altura, custando R$ 20,00 (vinte reais) a unidade, e 750m (setecentos e cinquenta  metros) de arame com valor de R$1,25/metro (um real e vinte e cinco centavos por  metro), totalizando R$ 937,50 (novecentos e trinta e sete reais e cinquenta centavos)  de investimento, somando a mão de obra para execução de R$ 2.000,00 (dois mil  reais). Além disso, foi gasto R$ 600,00 (seiscentos reais) para a instalação de quatro cochos de plástico para água. Dessa forma, o proprietário investiu R$ 4.237,50 (quatro mil duzentos e trinta e sete reais e cinquenta centavos) para a implantação  do sistema em sua propriedade. 

Com relação a alimentação suplementar dos ovinos no local estudado, era  utilizado o sal comum branco e cevada, após a implantação do sistema proposto foi  alterado para a utilização de sal mineral, e segue consumindo cevada. Manteve-se  os horários de manejo alimentar, sendo todas as tardes, por volta das 18 (dezoito)  horas. 

Entre os benefícios do Sistema Voisin na ovinocultura segundo Salman  (2007), estão o aumento da produtividade animal, maior facilidade com o manejo, a  melhoria da qualidade da pastagem e a redução dos custos com alimentação e  manejo. 

Figura 3 – Imagem de satélite complementada pelo autor. 

Fonte: Google Earth, 2024.  

Observa-se na figura acima as cinco divisões de área na propriedade  estudada, sendo uma para o aprisco, e as demais os piquetes para a rotação dos  animais. Todos os piquetes possuem abertura para o aprisco, dessa forma os ovinos  possuem acesso ao local que contém água e alimentação, além do cocho com água  em cada piquete. 

Na figura acima também é possível visualizar os 150m (cento e cinquenta  metros) de cerca que foram acrescentados na propriedade para a divisão da área  do aprisco, piquete 03 e 04, demarcado em tom de vermelho, já os demais piquetes  existiam no local, mas não eram utilizados para os ovinos, demarcados em tom de  azul. 

A infraestrutura é fundamental para o Pastoreio Racional Voisin (PRV), como  locais para armazenamento de suplementos alimentares e equipamentos para o  manejo do pasto e dos animais, no local do estudo há um depósito de armazenagem  de aproximadamente 25m² (vinte e cinco metros quadrados).  

Com este estudo, foi possível simular os custos de uma execução básica de  um sistema Voisin, levando em conta uma propriedade de um alqueire com 4  (quatro) piquetes entre 2.500m² (dois mil e quinhentos metros quadrados) e 3.800m² (três mil e oitocentos metros quadrados). Seriam necessários 1.030m (um mil e trinta  metros) de cerca com 410 (quatrocentos e dez) palanques, totalizando R$ 8.200,00 (oito mil e duzentos reais), e aproximadamente 5.200m (cinco mil e duzentos  metros) de arame, totalizando R$ 6.500,00 (seis mil e quinhentos reais). Além da  mão de obra para execução de todas as cercas necessárias, com um custo total de  R$ 14.000,00 (quatorze mil reais). E por fim, a execução de uma estrutura de  depósito e aprisco de 60m² (sessenta metros), custando aproximadamente R$ 28.000,00 (vinte e oito mil reais), contando com material e mão de obra. Também  seria necessária a instalação de dois cochos de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) cada no aprisco, e um cocho em cada piquete, totalizando R$ 900,00 (novecentos  reais). 

Tabela 1 – Perda em 2023. 

Fonte: Os autores, 2025.  

Com isso, concluímos que para a execução completa de uma boa  infraestrutura para a implantação do sistema voisin em uma propriedade de um  alqueire, o proprietário investe o valor de R$ 57.600,00 (cinquenta e sete mil reis e  seiscentos reais), além de semear o local e investir em acessoria técnica de um  médico veterinário. 

Figura 4 – Imagem dos ovinos no aprisco 

Fonte: Os autores, 2025.  

Além do investimento inicial há os custos operacionais, que podem incluir  despesas com mão de obra, manutenção de pastagens, infraestrutura e custos de alimentação suplementar. O que também impacta nos custos são o controle  sanitário do rebanho, o principal problema sanitário diagnosticado nos sistemas de  produção de pasto são as verminoses. Além de investir em assessoria técnica, neste  caso o nosso acompanhamento foi fundamental para garantir o melhor  funcionamento do manejo. 

Aliado a isso, o conforto animal, com áreas de árvores e infraestrutura para  receber os animais com conforto que os auxilie na produtividade do sistema; As  árvores podem contribuir oferecendo a sombra e reduzindo o desconforto  ocasionado pelas altas temperaturas aos animais, podendo também servir de  alimento para os mesmos, principalmente se essas forem de valor forrageiro, como  as leguminosas (Cavalcante et al., 2005).  

Figura 5 – Imagem da área de árvores. 

Fonte: Os autores, 2025.  

A propriedade em que o estudo foi realizado o estudo sofria severamente  com a verminose nos ovinos, pois os mesmos estavam sendo criados em apenas  um piquete maior sem divisões. Com isso, após a vermifugação eles eliminavam os  vermes e continuavam pastando no mesmo local onde haviam os derrubado, o que  gerava um grande gasto com assessoria técnica de um médico veterinário e  medicamentos.  

Visto que o vermífugo utilizado era Ripercol custando R$ 61,00 (sessenta e um reais – em média R$ 0,75 [setenta e cinco centavos] uma dose), Bociodo  custando R$ 49,25 (quarenta e nove reais – em média R$ 4,99 [quatro reais e  noventa e nove centavos] cada dose aplicada, sendo utilizado por cinco dias,  custando R$ 24,97 [vinte e quatro reais e noventa e sete centavos]), Calfon custando  R$ 46,50 (quarenta e seis reais e cinquenta centavos – em média R$ 4,60 [quatro  reais e sessenta centavos] a dose), tendo um custo total de tratamento por animal  de R$30,32 (trinta reais e trinta e dois centavos). 

Além disso, em 2023 o proprietário perdeu oito animais que iniciaram com  uma verminose. E como relatado, teve em média dois carneiros por mês  apresentando sinais da doença, necessitando de tratamento. Sendo um gasto anual  de R$ 727,68 (setecentos e vinte e sete reais e sessenta e oito centavos) com  medicamentos, possuindo valor médio de cada ovino de R$ 500,00 (quinhentos  reais), e levando em consideração as taxas de prenhez (85%) e gestação  gemelares (20%) obtidas posteriormente a implantação do sistema através da  ultrassonografia, e simulando uma taxa de natalidade de 80%. Com esses dados,  com a implantação do sistema o propeirtário teria 23 borregos, 13 animais a mais  do que o resultado de 2023. Presumindo que cada animal possui em média 20kg de  carcaça e que o valor médio para venda ao frigorífico é de R$30,00 (trinta reais) a  R$31,00 (trinta e um reais), o proprietário deixou de ganhar aproximadamente  R$8.000,00 (oito mil reais). 

Dessa forma, gerou uma perda anual de R$ 12.727,68 (doze mil setecentos  e vinte e sete reais e sessenta e oito centavos) no ano de 2023.  

Tabela 2 – Perda em 2023. 

Fonte: Os autores, 2025. 

Para complementar o estudo, antes da implementação do sistema Voisin foi  realizado o exame coproparasitológico em três animais do total de dezessete animais do rebanho, positivo em dois destes a presença de Trichostrongylus sp (constando abundante em um dos ovinos) e no outro negativo.  

Figura 6 – Imagem do exame realizado em dezembro de 2024. 

Fonte: LLT Laboratório Veterinário, 2025.  

O Pastoreio Racional Voisin (PRV) permite uma melhor utilização da área  disponível, promovendo a regeneração da vegetação e aumentando a produtividade  do pasto. Além disso, é possível manter maior quantidade de animais na área do  que no pastoreio convencional, tornando a pecuária mais lucrativa (Nannini, 2023). 

Neste trabalho, a adoção de um sistema de rotação de piquetes com  adubação de ureia visa o incremento da produtividade da pastagem permanente e a  redução da carga parasitária no ambiente. 

O sistema proposto composto por quatro piquetes, cada um com área média  de 3.200 m² (três mil e duzentos metros quadrados), totalizando 1.280 m² (um mil  duzentos e oitenta metros quadrados) ou 0,128 hectares. Como os ovinos permanecem por cinco dias em cada piquete, há um período de descanso de 15 (quinze) dias entre os ciclos de pastejo. Embora o intervalo de descanso seja  relativamente curto, ele é compensado com manejo intensivo e adubação  nitrogenada frequente, possibilitando a recuperação da pastagem. A adubação foi realizada com ureia, que possui teor de 45% (quarenta e cinco por cento) de nitrogênio. Com base em recomendações técnicas para  pastagens manejadas sob pastejo rotacionado, adotou-se uma dose de 50 kg (cinquenta quilogramas) de nitrogênio por hectare por ciclo. Essa dose corresponde  a aproximadamente 111 kg (cento e onze quilogramas) de ureia por hectare por  aplicação. Considerando a área individual de cada piquete, a quantidade  recomendada de ureia por aplicação é de 3,55 kg (três quilogramas e meio) por  piquete. 

A aplicação da ureia é realizada preferencialmente em dias nublados ou no  final da tarde, com previsão de chuva leve ou irrigação. Essa prática contribui para a  rápida rebrota da pastagem, aumenta o teor de proteína bruta da forragem, melhora  o desempenho animal e reduz o tempo de exposição à área pastada, fator importante  no controle de verminoses gastrointestinais. 

Em resumo, a aplicação planejada de ureia em pastagens rotacionadas  oferece benefícios significativos para a produção de ovinos, tanto no aspecto  nutricional quanto sanitário. No presente sistema, a aplicação de cerca de 3,5 kg (três  qui8logramas e meio) de ureia, considerando o valor médio da ureia de R$ 18,00/kg (dezoito reais o quilograma), custando R$ 63,00 (sessenta e três reais) por piquete  a cada 20 (vinte) dias, totalizando R$ 252,00 (duzentos e cinquenta e dois reais)  gastos com ureia por ciclo completo de rotação, sincronizada com o manejo do  rebanho, demonstrou ser uma estratégia viável para otimizar o crescimento da  pastagem e minimizar os impactos das verminoses no rebanho. 

Dessa forma, a implantação do sistema Voisin teve um ótimo resultado em  relação às verminoses, pois com a rotação de piquetes não ocorreu a  recontaminação dos ovinos após a vermifugação. Além disso, quando os animais  eram manejados de piquete, este piquete que eles estavam era cortado alinhando a  altura do pasto aumentando o contato dos raios solares no solo, trazendo um  ambiente desfavorável para a sobrevivência dos vermes no solo. Com isso, desde o  mês de janeiro o qual foi implementado o sistema oisin não foi observado nenhum  animal com sinais clínicos de verminose. 

Como bônus econômico de sua utilização, o sistema Voisin ajuda a evitar a  degradação da pastagem, assim tirando um custo bastante recorrente na pecuária  brasileira. Além disso, também traz uma série de benefícios indiretos como  a mansidão dos animais, organização do sistema produtivo, produção de reservas  forrageiras, melhoria da fertilidade do solo. (Nannini, 2023). 

Figura 7 – Imagem do piquete 3. 

Fonte: Os autores, 2025.  

Sem a implantação do sistema Voisin, no ano de 2023 o proprietário relatou  que os ovinos obtiveram uma taxa de natalidade de 50% (cinquenta por cento), ou  seja, as 20 (vinte) fêmeas da propriedade obtiveram 10 (dez) borregos. Já com a  implantação do sistema, o qual foi iniciado com 16 (dezesseis) fêmeas e um macho,  em quatro meses analisados foi realizada ultrassonografia de todos os ovinos, os  quais 13 (treze) animais estão prenhas, sendo três delas gestação gemelar,  totalizando a gestação de 16 (dezesseis) borregos. 

Um dos principais benefícios esperados pelos pecuaristas que adotam este  sistema: o aumento da produtividade. Ou seja, maior produção de carne e/ou lã por  área de pastagem, reduzindo os custos unitários de produção e aumentando a  rentabilidade. O sistema de uso do pasto é ponto fundamental para o sucesso do  empreendimento. O método de pastejo ideal é aquele que maximiza a produção  animal, sem afetar a persistência das plantas forrageiras (Rodrigues e Reis, 1999). 

A boa administração das pastagens pode resultar em ovinos mais saudáveis,  com melhor condição corporal e qualidade de carcaça, o que pode se refletir em  preços mais elevados no mercado, outro ponto analisado: a qualidade do produto  final. E por fim, o impacto ambiental, visto que práticas de manejo sustentáveis  podem agregar valor à marca do produtor, atendendo a demanda crescente por produtos de origem sustentável. 

4 Conclusão 

Considerando os dados citados para esta análise econômica, levando em  conta a perda total em 2023 de R$12.727,68 (doze mil setecentos e vinte e sete  reais e sessenta e oito centavos) que a propriedade sofreu, e simulando um investimento em infraestrutura para a implantação completa de um sistema Voisin  em uma propriedade de um alqueire com custo de R$ 57.600,00 (cinquenta e sete  mil e seiscentos reais), conclui-se que o valor total investido seria recuperado em  menos de cinco anos, considerando a perda anual causado pela falta de  implantação do sistema, esta análise ainda não contabiliza com os lucros obtidos  através da venda de borregos. Concluindo também que a assessoria técnica deve  ser vista pelo produtor como um investimento, que segundo Cavalcante et al. (2005),  os produtores não dispõem deste apoio por falta de recurso financeiro, mas  independente de ações governamentais, grupos de produtores podem se reunir para  a contratação dos serviços de um técnico que os assessore (Cavalcante et al.,  2005). 

Ao lado da maior eficiência dos sistemas produtivos é crescente a  preocupação com a sustentabilidade da agropecuária. A sustentabilidade é um  novo paradigma produtivo que hora é vista como redução dos impactos ambientais  e em outros como maior eficiência na utilização dos recursos naturais. (Oliveira,  2021).  

A análise econômica da implantação do Sistema Voisin para ovinos  representa um elemento crucial para os produtores interessados em adotar práticas  de manejo mais eficientes e sustentáveis, pois mesmo com altos custos iniciais, os  benefícios a longo prazo em termos de produtividade, qualidade do produto e  sustentabilidade justificam a implantação do sistema, possuindo sucesso financeiro adotando o manejo rotacionado. 

Referências  

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1 Estudante do Curso de Medicina Veterinária
2 Estudante do curso de Medicina Veterinária
3Professor do Curso de Medicina Veterinária