ANÁLISE DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DO PÉ DIABÉTICO NA POPULAÇÃO DO MUNICÍPIO DE JUAZEIRO BAHIA, NO RECORTE TEMPORAL DOS ÚLTIMOS CINCO ANOS

ANALYSIS OF THE EPIDEMIOLOGICAL PROFILE OF DIABETIC FOOT IN THE POPULATION OF THE MUNICIPALITY OF JUAZEIRO, BAHIA, OVER THE PAST FIVE YEARS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202511300942


Geovana Maria Cavalcante Souza1; Kailany Oliveira dos Santos1; Maria Eduarda Borges de Almeida2; Ruth Damily Soares da Cruz2; Thaynar Pereira Alves2; Jorge Messias Leal do Nascimento3; Arthur Rondeyvson Sousa Santos4; Karla Beatriz Rocha Rodrigues5


Resumo

O diabetes mellitus (DM) constitui uma das principais doenças crônicas associadas a complicações micro e macrovasculares de alta morbimortalidade. Entre essas, o pé diabético destaca-se pela frequência, gravidade e elevada carga econômica ao Sistema Único de Saúde (SUS), representando uma das principais causas de amputações não traumáticas no país. Embora seja uma patologia preocupante, ainda são escassas análises que integrem dados epidemiológicos e registros assistenciais em contextos regionais, como em municípios como Juazeiro. O estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico de pacientes com pé diabético em Juazeiro-BA (2020–2025) e relacionar os desfechos clínicos à presença de assistência multiprofissional registrada em bases secundárias. Com caráter descritivo, de abordagem quantitativa, fundamentado em dados do DATASUS/TabNet. Foram incluídos registros hospitalares (SIH/SUS), ambulatoriais (SIA/SUS) e de recursos humanos (CNES) vinculados a complicações do pé diabético, identificadas pelos códigos CID-10 E10.5, L97 e R02. Os dados foram organizados por ano, sexo, faixa etária, tipo de procedimento e categoria profissional. Os resultados apontaram alta morbimortalidade hospitalar associada ao diabetes, com 1.232 internações, 10.054 dias de permanência e 112 óbitos no período, predominância de casos em homens idosos e 95% dos atendimentos em caráter de urgência. Foram identificadas 773 internações cirúrgicas relacionadas a amputações, com taxa de mortalidade global de 9,4%. Conclui-se que o cuidado ao pé diabético em Juazeiro apresenta perfil hospitalar, com internações tardias e fragilidade preventiva, reforçando a necessidade de fortalecer a atenção primária e promover ações multiprofissionais voltadas à prevenção de complicações e óbitos evitáveis.

Palavras-chave: Diabetes mellitus; Assistência multiprofissional; DATASUS.

1 INTRODUÇÃO

Diabetes mellitus (DM) é um dos principais problemas de saúde pública, com prevalência crescente em escala global. Estima-se que, nas próximas décadas, o número de pessoas diagnosticadas ultrapasse as atuais projeções, sobretudo em países de baixa e média renda, onde o acesso a serviços especializados ainda é limitado (Oliveira et al., 2022). Essa é uma condição crônica multifatorial, caracterizada por hiperglicemia persistente (Banday, Sameer e Nissar, 2020), que, quando não controlada, acarreta complicações micro e macrovasculares (Castro et al., 2021; Ferreira et al., 2011).

Embora possa se apresentar sob diferentes formas clínicas, como o tipo 1, tipo 2, gestacional e outros tipos específicos associados a defeitos genéticos ou secundários a outras doenças (Rodacki et al., 2022), o fator em comum entre todas é o risco elevado de complicações a longo prazo (American Diabetes Association – ADA, 2023).

O manejo inadequado do diabetes, quando em contextos de vulnerabilidade social e com limitada assistência em saúde, favorece a ocorrência de complicações que comprometem órgãos (Castro et al., 2021; Ferreira et al., 2011), como olhos, rins, coração, e extremidades inferiores (Neves et al., 2023). Entre essas complicações, o pé diabético destaca-se pela gravidade clínica e pelos impactos sociais, econômicos e psicológicos que impõe aos pacientes e suas famílias (Brand et al., 2016; Fernandes et al., 2020; Zamba et al., 2025).

O pé diabético resulta da associação entre neuropatia periférica, doença arterial periférica e traumas repetitivos, levando à formação de úlceras de difícil cicatrização. Essas lesões, quando não tratadas adequadamente, podem evoluir para infecções graves, gangrena e necessidade de amputações de membros inferiores (Cubas et al., 2013; Al Wahbi, 2018; Akkus e Sert, 2022; Duarte Junior et al., 2024).

No Brasil, os dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) apontam milhares de internações anuais relacionadas às complicações do diabetes, com altos custos ao Sistema Único de Saúde (SUS) e impacto na qualidade de vida dos pacientes (Nilson et al., 2020; Negreiros et al., 2021; Costa et al., 2023). Trata-se também de uma das principais causas de amputações não traumáticas no país, representando um desafio crescente para os serviços de saúde, sobretudo em regiões com elevada demanda assistencial (Ochoa-Vigo e Pace, 2005; Dourado e Santos, 2015).

O Diabetes mellitus, condição de base para o desenvolvimento do pé diabético, pode ser prevenido e controlado por meio de ações oportunas e efetivas na atenção básica. Estima- se que cerca de metade dos portadores desconheça o diagnóstico, o que reforça a necessidade

de rastreamento dos indivíduos em risco, por meio de exames periódicos, como estratégia essencial para reduzir complicações e ampliar as possibilidades de tratamento (Muzy et al., 2021).

A atuação multiprofissional é essencial para prevenir complicações e melhorar o prognóstico dos pacientes (Oliveira et al., 2022). A enfermagem contribui com a avaliação, o tratamento das lesões e ações de educação em saúde, enquanto a nutrição atua no controle metabólico, na adequação dietética e na manutenção do estado nutricional, decisivos para a cicatrização (Gonçalves et al., 2024; Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, 2023).

Quando esses profissionais desenvolvem ações integradas, fortalecem o acompanhamento clínico, oferecem suporte contínuo e ampliam as chances de sucesso terapêutico (Milani et al., 2022).

Apesar dos avanços no conhecimento sobre o pé diabético, ainda há escassez de estudos que integrem levantamentos clínico-epidemiológicos com a análise da assistência multiprofissional, em contextos regionais específicos. Essa ausência de evidências sistematizadas limita a compreensão do perfil dos pacientes e das condições de atendimento, dificultando a padronização do cuidado e favorecendo a variabilidade dos desfechos clínicos, incluindo os elevados índices de complicações e amputações.

Dessa forma, torna-se necessário desenvolver investigações que associem dados populacionais e clínicos à presença e atuação de equipes multiprofissionais, contribuindo para o aprimoramento das estratégias de prevenção, tratamento e acompanhamento.

Diante isso, este estudo busca responder à seguinte questão norteadora: quais são as características epidemiológicas dos pacientes acometidos por pé diabético e como a presença da assistência multiprofissional, registrada em bases secundárias, se relaciona com os desfechos clínicos observados? Parte-se da hipótese de que a atuação integrada de diferentes profissionais de saúde, identificada indiretamente por meio dos registros disponíveis, contribui para a redução da gravidade das lesões, melhor controle metabólico e menor ocorrência de complicações, como infecções e amputações.

Desse modo, o objetivo geral do estudo foi analisar, a partir de dados secundários do DATASUS/TabNet, o perfil epidemiológico dos pacientes com pé diabético, relacionando os desfechos clínicos no município de Juazeiro-BA, no período de 2020 a 2025.

2 METODOLOGIA

Trata-se de um estudo observacional, descritivo-analítico, com abordagem quantitativa, fundamentado na utilização de dados secundários provenientes das bases públicas do Sistema de Informações em Saúde (TabNet/DATASUS: https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/). A investigação tem como foco analisar o perfil clínico-epidemiológico dos pacientes com pé diabético e verificar, de forma indireta, a relação entre a presença de assistência multiprofissional e os desfechos clínicos registrados no município de Juazeiro-BA, no período de 2020 a 2025. As análises foram realizadas em nível agregado, por ano, sexo, faixa etária e categoria profissional, sem possibilidade de vinculação individual entre registros.

As pesquisas descritivas têm como propósito fundamental caracterizar uma população, um fenômeno ou estabelecer relações entre variáveis observadas. Sua principal particularidade reside na utilização de procedimentos padronizados de coleta de dados. Tratando-se de um tipo de estudo voltado para a descrição de algo, como um fato, evento ou situação (Malhotra, 2019). Em geral, é de natureza quantitativa, mas pode também incluir aspectos qualitativos quando se baseia em descrições obtidas de amostras não probabilísticas (Oliveira e Barbosa, 2014).

O estudo foi desenvolvido com base nos dados referentes ao município de Juazeiro, situado no norte do Estado da Bahia, região do Vale do São Francisco. O município possui clima semiárido, área territorial de 6.721,237 km², População no último censo de 237.821 pessoas e população estimada 256.122 pessoas, conforme dados do último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022). Juazeiro da Bahia é referência regional em saúde, recebendo pacientes de municípios circunvizinhos, sendo sede de região de saúde constituída por dez cidades (Pitangueira e Paiva, 2017; GOV/BA, 2025), o que reforça a importância da análise de sua rede assistencial.

A população de interesse corresponde aos registros de pacientes com complicações associadas ao pé diabético, identificados por meio dos códigos da Classificação Internacional de Doenças (CID-10): E10.5 (diabetes com complicações circulatórias), L97 (úlceras de membros inferiores) e R02 (gangrena não classificada em outra parte). Esses códigos foram utilizados como critério de seleção dos registros nos diferentes sistemas de informação.

Foram incluídos todos os registros referentes a internações hospitalares (SIH/SUS), procedimentos hospitalares (SIH Produção Hospitalar), atendimentos ambulatoriais (SIA/SUS) e cadastro de profissionais de saúde (CNES), que estivessem vinculados às complicações do pé diabético no município de Juazeiro, no período de 2020 a 2025. Não foi realizada amostragem probabilística, uma vez que foram utilizados todos os dados disponíveis nas bases consultadas. Foram excluídos os registros com informações inconsistentes ou sem identificação do município, bem como aqueles que a residência estivesse fora de Juazeiro.

A coleta foi realizada diretamente na plataforma do TabNet/DATASUS, utilizando as seguintes rotas de busca:

  • SIH/SUS – Morbi-Mortalidade Hospitalar: dados sobre internações, óbitos e tempo de permanência, ano, sexo, faixa etária, todos para CID-10. Com base na seguinte rota: TabNet → Morbidade Hospitalar do SUS (SIH/SUS) → Geral, por local de Internação – a partir de 2008 → Diagnóstico (CID-10).
  • SIH/SUS  –  Produção  Hospitalar:  número  de  procedimentos  cirúrgicos relacionados a amputações, acessados pelo campo <Procedimento realizado>. Com base na seguinte rota: TabNet → Produção Hospitalar (SIH) → Dados Consolidados AIH (RD), por local de internação, a partir de 2008 → Procedimento por local de internação.
  • SIA/SUS – Produção Ambulatorial: atendimentos realizados por profissionais de saúde  com  base  no  Código  Brasileiro  de  Ocupações  (CBO),  incluindo principalmente enfermeiros e nutricionistas, e de forma mais geral outros profissionais com foco em procedimentos ligados ao cuidado e consultas multiprofissionais. Com base na seguinte rota: TabNet → Produção Ambulatorial (SIA/SUS) → por local de atendimento – a partir de 2008 → Procedimento por local de internação → Procedimento por ocupação – Profissional (CBO).
  • CNES – Recursos Humanos: informações sobre a disponibilidade de profissionais de  saúde  vinculados  às  unidades  do  município,  organizadas  por  categoria profissional. Com base na seguinte rota: Tabnet → Rede Assistencial → CNES – Recursos Humanos a partir de agosto de 2007 – Ocupações classificadas pela CBO 2002→ Opção: “Ocupações” → Linha: Município → Conteúdo: Total / Atende ao SUS.

Os dados extraídos foram organizados em planilhas, categorizados por ano, sexo, faixa etária,  tipo  de  procedimento,  ocupação  do  profissional,  permitindo  a  construção  de indicadores descritivos. Para avaliar o tratamento multiprofissional, foram considerados os atendimentos registrados no SIA/SUS por categorias profissionais, bem como a disponibilidade desses profissionais no CNES.

A análise foi conduzida de forma descritiva, com apresentação de dados percentuais e inteiros, apresentados em gráficos e quadros, para caracterizar o perfil epidemiológico dos pacientes com pé diabético, bem como observar a atuação multiprofissional e os desfechos clínicos, como amputações hospitalares. As informações obtidas foram interpretadas com base literatura científica, visando identificar possíveis associações entre a oferta multiprofissional e os resultados assistenciais.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Morbidade hospitalar (SIH/SUS – Diagnóstico)

A análise de morbidade hospitalar foi realizada a partir da categoria agregada Diabetes mellitus (E10–E14), uma vez que, embora o interesse inicial considerasse diagnósticos específicos, como E10.5 (diabetes com complicações circulatórias), L97 (úlceras de membros inferiores) e R02 (gangrena não classificada em outra parte), a Lista de Tabulação para Morbidade – CID-10 do TabNet/DATASUS reúne apenas as informações em categorias agregadas. Foram extraídas as variáveis disponibilizadas pelo sistema como sexo, ano de ocorrência, faixa etária, caráter da internação e local de internação. Para cada estratificação, foram obtidos os seguintes indicadores: número de internações, óbitos e dias de permanência hospitalar.

Durante a extração dos dados na plataforma TabNet/DATASUS, observou-se que o sistema inclui automaticamente o ano anterior (2019) na série temporal. Por esse motivo, esse período foi mantido nas figuras apresentadas, a fim de preservar a fidelidade à base original de exportação. No entanto, para fins de interpretação e discussão, as análises concentraram-se no intervalo de 2020 a 2025, correspondente ao recorte definido do estudo.

Os resultados deste estudo revelam um cenário preocupante de morbimortalidade hospitalar associada ao Diabetes mellitus (CID-10: E10–E14) em Juazeiro (BA), evidenciado por um elevado número de internações (n=1232), longa permanência hospitalar (10.054 dias) e mortalidade expressiva (112 óbitos) entre 2020 e 2025. A evolução anual indicou maior número de internações em 2022 (298; 24,2%) e 2021 (255; 20,7%). Os dias de permanência também foram maiores em 2022 (2718; 27,03%) e 2021 (2150; 21,3%). O maior número de óbitos foi registrado em 2020 (31; 27,7%). Em 2025, até julho (última atualização do sistema), foram contabilizadas 58 internações, 553 permanências e 5 óbitos (Figura 1).

Figura 1 – Morbidade Hospitalar do SUS por ano em Juazeiro-Bahia com base na Lista Morb CID- 10: Diabetes mellitus.

Fonte: DATASUS TabNet elaborado pelos autores (2025).

O ano de 2020 apresentou a maior mortalidade absoluta (31 óbitos; 27,7%), coincidindo com o início da pandemia de COVID-19. O pico de mortalidade hospitalar observado em 2020 é consistente com evidências nacionais que apontam aumento expressivo das mortes por doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) no Brasil durante o primeiro biênio da pandemia. Em estudo conduzido pela Fiocruz, Moreira et al. (2024) identificaram que, entre os 11.423.288 óbitos registrados no país entre 2015 e 2022, as taxas de mortalidade permaneceram estáveis até 2019, mas apresentaram elevação acentuada em 2020 e 2021, com redução parcial em 2022, sem retorno aos níveis pré-pandêmicos.

Mesmo após a exclusão dos óbitos diretamente atribuídos à COVID-19, observou-se aumento das mortes por Diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica e doenças cardiovasculares, sugerindo que o contexto pandêmico afetou negativamente o acompanhamento e o controle dessas condições crônicas. Os autores associam esse aumento à interrupção dos cuidados contínuos, ao adiamento de consultas e procedimentos e à redução do acesso aos serviços de saúde, fatores que contribuíram para o agravamento clínico e o desfecho desfavorável de pacientes diabéticos (Moreira et al., 2024).

Na Bahia, resultados semelhantes foram observados por Lima e Palmeira (2024), que analisaram dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS) entre 2012 e 2021. Nesse período, foram registrados 52.307 óbitos por Diabetes mellitus, correspondendo a uma taxa média de 31,2 óbitos por 100.000 habitantes. O estudo identificou aumento significativo da mortalidade em 2020 (42,6/100.000 hab.) e 2021, representando um crescimento de 42,6% no número absoluto de óbitos em relação a 2012. Apesar de pequenas oscilações, observou-se tendência ascendente sustentada ao longo da série histórica, com redução discreta apenas nos anos subsequentes (Lima e Palmeira, 2024).

Esses achados reforçam o padrão verificado em Juazeiro, onde, embora o número absoluto de internações tenha diminuído após o pico inicial da pandemia, a mortalidade manteve-se elevada, indicando persistência dos efeitos indiretos da COVID-19 sobre a assistência hospitalar e o manejo clínico do Diabetes mellitus.

Os resultados locais e nacionais evidenciam que o ano de 2020 representou um marco crítico para a morbimortalidade hospitalar associada ao Diabetes mellitus no Brasil, refletindo não apenas o impacto direto da pandemia, mas também as fragilidades estruturais no cuidado de doenças crônicas durante períodos de crise sanitária. Esses dados reforçam a necessidade de fortalecimento das redes de atenção à saúde, ampliação da vigilância epidemiológica em DCNTs e adoção de estratégias de continuidade do cuidado, a fim de reduzir os efeitos de desassistência observados nesse período.

Observou-se discreta predominância das internações no sexo masculino (703 casos; 57,1%) em relação ao feminino (529 casos; 42,9%). Todavia, a mortalidade foi ligeiramente superior no sexo feminino (58 óbitos; 51,8%), em comparação ao masculino (54 óbitos; 48,2%). Em relação a permanência foi maior para o sexo masculino com 53,4% (5362) dos casos, enquanto para o sexo feminino 46,6% (4692) (Figura 2).

Figura 2 – Morbidade Hospitalar do SUS por sexo em Juazeiro-Bahia com base na Lista Morb CID- 10: Diabetes mellitus em função da internação, permanência e óbitos.

A literatura aponta que a relação entre sexo e desfechos clínicos em Diabetes mellitus é multifatorial e ainda controversa. Estudos epidemiológicos indicam ausência de correlação direta entre o sexo e a ocorrência do diabetes (Malerbi, Franco e Prevalence, 1992; Suárez Pérez et al., 2001), embora variações possam emergir em subgrupos populacionais ou segundo os tipos e complicações associadas.

Em análise conduzida no estado da Bahia, Falcão, Santos e Palmeira, (2020) identificaram padrão distinto do observado em Juazeiro, onde a mortalidade hospitalar foi mais elevada entre os homens, enquanto as internações foram mais frequentes entre as mulheres. É importante destacar que o estudo desses autores incluiu apenas alguns municípios da macrorregião norte do estado (Falcão, Santos e Palmeira, 2020), o que pode explicar as diferenças observadas.

Outras investigações reforçam que a prevalência de Diabetes mellitus tende a ser maior em mulheres, possivelmente em função de fatores hormonais e comportamentais, mas as complicações crônicas, como o pé diabético, são mais comuns e graves em homens (Reis et al., 2020). Os autores também observaram maior proporção de pacientes do sexo masculino com pé diabético (66,7%), corroborando achados nacionais e internacionais que apontam maior risco de ulceração e amputação nesse grupo (Reis et al., 2020).

Por outro lado, aspectos sociodemográficos e culturais influenciam o padrão de busca por cuidados. Mulheres geralmente apresentam maior expectativa de vida, maior percepção de risco e maior adesão a práticas preventivas, o que as leva a procurar os serviços de saúde com maior frequência, especialmente na atenção primária (Chaves, Fernandes e Bezerra, 2018; Gomes, Nascimento e Araújo, 2007; Levorato et al., 2014). Em contraste, homens tendem a adiar a procura por atendimento, o que pode resultar em internações mais prolongadas e em estágios mais avançados da doença, conforme observado neste estudo. Assim, os dados de Juazeiro refletem não apenas o perfil epidemiológico do diabetes por sexo, mas também diferenças comportamentais e estruturais no acesso e manejo da doença.

A análise por faixa etária demonstrou concentração de internações nas idades mais avançadas. O grupo de 50 a 69 anos respondeu por 47,7% das internações (588 casos), seguido pelas faixas de 70–79 anos (238; 19,3%) e 80 anos ou mais (118; 9,6%). Em relação à mortalidade, destacou-se a faixa de 70 a 79 anos como a mais crítica, com 37 óbitos (33,0%), seguida por 80 anos ou mais (21 óbitos; 18,7%) e 50 a 59 anos (20 óbitos; 17,8%). Quanto aos dias de permanência notou-se uma maior quantidade diante a faixa etária de 60-69 anos (2508; 24,9%) e 50-59 anos (2353; 23,4%) (Figura 3).

Figura 3 – Morbidade Hospitalar do SUS por Faixa etária na classificação 1 em Juazeiro-Bahia com base na Lista Morb CID-10: Diabetes mellitus em função da internação, permanência e óbitos.

Fonte: DATASUS TabNet elaborado pelos autores (2025).

O envelhecimento populacional tem sido apontado como fator determinante para o aumento da carga de complicações diabéticas e da demanda hospitalar associada à doença. O avanço da idade acarreta alterações fisiológicas, como redução da sensibilidade nervosa periférica, comprometimento da circulação e maior susceptibilidade a infecções, que, quando somadas ao controle metabólico inadequado, elevam substancialmente o risco de desfechos graves (Caiafa e Canongia, 2020; Silva e Frankini, 1994).

Essas alterações tornam os pacientes idosos com diabetes particularmente vulneráveis a complicações como o pé diabético, infecções ulcerativas e amputações, condições frequentemente associadas à longa permanência hospitalar e à maior letalidade.

Estudos apontam esses achados, destacando a idade avançada, o tempo de diagnóstico, o controle glicêmico insuficiente, o tabagismo, o etilismo, a obesidade, a hipertensão arterial e a ausência de cuidados adequados com os pés como fatores diretamente associados à ocorrência e gravidade do pé diabético e suas complicações (Reis et al., 2020; Soo et al., 2020; Zhang et al., 2017). Esses determinantes interagem de forma cumulativa no idoso, ampliando o risco de descompensações metabólicas, infecções recorrentes e necessidade de hospitalização prolongada.

No contexto estadual, dados apresentados por Lima e Palmeira (2024) reforçam essa tendência, indicando que, entre os 52.307 óbitos por Diabetes mellitus registrados na Bahia entre 2012 e 2021, a maior frequência de mortes ocorreu em pessoas de 60 a 79 anos (25.212; 48,2%) (Lima e Palmeira, 2024). Essa relação entre os achados locais de Juazeiro e os dados estaduais evidencia que o Diabetes mellitus em idosos representa um importante problema de saúde pública, com impactos diretos sobre a mortalidade hospitalar, o tempo de internação e os custos assistenciais.

O perfil etário observado neste estudo reflete o processo de envelhecimento populacional brasileiro e a transição epidemiológica associada ao predomínio das doenças crônicas não transmissíveis. Os resultados enfatizam a importância da prevenção e do manejo precoce das complicações diabéticas em idosos, especialmente por meio da atenção primária e do acompanhamento multiprofissional.

A grande maioria dos atendimentos ocorreu em caráter de urgência (1171 casos; 95,0%), responsável por praticamente todos os óbitos registrados (111; 99,1%). Internações eletivas representaram apenas 5,0% do total (61 casos), com um único óbito registrado. Em relação aos dias de permanência como esperado diante a urgência foi maior representado por 96,2% dos casos (n=9681) (Figura 4).

Figura 4 – Morbidade Hospitalar do SUS em função do caráter de atendimento em Juazeiro-Bahia, CID-10: Diabetes mellitus em função da internação, permanência e óbitos.

Fonte: DATASUS TabNet elaborado pelos autores (2025).

Esses dados sugerem que a maioria das hospitalizações por diabetes está relacionada a condições agudas e descompensações clínicas, mais do que a procedimentos programados.

Esse padrão evidencia a fragilidade da atenção ambulatorial e preventiva, resultando em internações motivadas principalmente por episódios de hiperglicemia descompensada, infecções e complicações do pé diabético. De fato, as infecções do pé diabético constituem uma das complicações mais frequentes que requerem hospitalização, sendo reconhecidas como a principal causa de internações e amputações em pessoas com diabetes (Lavery et al., 2006).

Em uma análise nacional, Figueiredo Neto et al. (2024) observaram proporção semelhante, em que apenas 5,48% das internações por Diabetes mellitus ocorreram em caráter eletivo (76.932 casos).

Os autores destacam que a baixa frequência de internações planejadas indica que poucas hospitalizações são destinadas a tratamentos de controle ou procedimentos diagnósticos agendados, predominando casos decorrentes de descompensações metabólicas e complicações tardias. Esse perfil reflete falhas na continuidade do cuidado, com insuficiente acompanhamento ambulatorial e retaguarda na atenção primária, fatores que dificultam o manejo precoce e aumentam a probabilidade de internações emergenciais (Figueiredo Neto et al., 2024).

A distribuição dos atendimentos revelou uma concentração de quase totalidade dos atendimentos no Hospital Regional de Juazeiro, que concentrou 97,2% das internações (1198 casos), 98,2% dos dias de permanência (9874 dias) e 95,5% dos óbitos (107 casos). Os demais hospitais apresentaram participação residual, com destaque para a Promatre de Juazeiro, responsável por 25 internações e 5 óbitos (Figura 5). Esse maior número de casos no Hospital Regional de Juazeiro, pode estar relacionado devido ao município receber demanda de outros municípios circunvizinhos (Pitangueira e Paiva, 2017; GOV/BA, 2025), o que consequentemente amplia o número de casos nesse estabelecimento.

Figura 5 – Principais unidades de atendimento em Juazeiro-Bahia, em relação a casos CID-10: Diabetes mellitus em função da internação, permanência e óbitos.

Fonte: DATASUS TabNet elaborado pelos autores (2025).

A análise das hospitalizações e da mortalidade decorrentes de Diabetes mellitus constitui um importante indicador da qualidade da assistência prestada pela Atenção Básica, uma vez que internações por condições sensíveis à atenção primária podem refletir falhas na prevenção, no controle clínico e no acompanhamento contínuo dos pacientes (Arruda, Schmidt e Marcon, 2018).

A elevada concentração de atendimentos de urgência e a centralização hospitalar observadas em Juazeiro evidenciam possíveis brechas na efetividade das ações de atenção primária e no manejo longitudinal do Diabetes mellitus, favorecendo o agravamento das condições clínicas e a necessidade de internações de emergência.

Embora estudos prévios tenham abordado a morbimortalidade hospitalar por Diabetes mellitus em diferentes regiões do país, a Bahia ainda apresenta lacunas na literatura científica quanto à análise detalhada por município e rede hospitalar (Falcão, Santos e Palmeira, 2020). O presente estudo, ao evidenciar o perfil concentrado das internações e a elevada carga hospitalar no município, contribui para o preenchimento dessa lacuna regional e reforça a necessidade de monitoramento sistemático da morbimortalidade por Diabetes mellitus no estado.

De acordo com Lima e Palmeira (2024), o Diabetes mellitus representa atualmente um dos principais problemas de saúde pública na Bahia, demandando ação integrada e diligente de gestores e profissionais de saúde para o fortalecimento da rede de atenção e para a redução dos desfechos adversos associados à doença (Lima e Palmeira, 2024).

Nesse contexto, a predominância das internações e óbitos concentrados em um único hospital regional sugere a importância de reorganizar fluxos assistenciais e ampliar a resolutividade da atenção básica e secundária, de modo a evitar que complicações previsíveis evoluam para situações que exijam hospitalização em caráter de urgência.

Produção Hospitalar (SIH/SUS)

No módulo Produção Hospitalar (SIH/SUS), para o período de janeiro de 2020 a julho de 2025, foram registrados 255 atendimentos hospitalares para o procedimento de tratamento de pé diabético complicado (código 0303060263) no município de Juazeiro (BA), totalizando 2.476 dias de permanência hospitalar e resultando em 13 óbitos, com taxa de mortalidade global de 5,1%.

A análise temporal evidenciou flutuações no número de internações, com maior concentração nos anos de 2020 (n=53; 20,8%), 2021 (n=64; 25,1%) e 2022 (n=70; 27,5%). Nos anos seguintes, observou-se redução do volume de atendimentos, embora acompanhada de aumento da taxa de mortalidade proporcional, como em 2023, apesar de apenas 26 internações, ocorreram três óbitos (11,5%), enquanto em 2024 foram quatro óbitos entre 31 casos (12,9%) e em 2025, até julho, um óbito em sete casos (14,3%) (Figura 6).

Esse dado anual tem relação com os obtidos na morbimortalidade hospitalar associada ao Diabetes mellitus que também encontrou destaque para os mesmos anos, como a exemplo de 2020.

Figura 6 – Perfil Epidemiológico do Tratamento do Pé Diabético, com base nas internações, permanência, óbitos e mortalidade no período 2020-2025.

Fonte: DATASUS TabNet elaborado pelos autores (2025).

Os resultados indicam que, embora o número absoluto de internações por pé diabético complicado tenha diminuído nos últimos anos, os casos hospitalizados apresentam maior gravidade clínica e risco de morte, como demonstrado pela elevação progressiva da letalidade proporcional. Essa mudança no perfil dos pacientes pode estar relacionada a retardos no acesso ao tratamento especializado, baixa adesão ao acompanhamento ambulatorial e maior complexidade das infecções associadas.

Situação semelhante foi descrita em estudos nacionais, que evidenciam que a redução do volume de internações não necessariamente reflete melhoria na assistência, mas sim seleção de casos mais graves que atingem os níveis terciários de atenção, resultando em pior prognóstico e maior mortalidade (Cardoso et al., 2018; Silva et al., 2021).

Em um contexto similar, Pantoja et al. (2025) ao analisar dados do Sistema de Informação Hospitalar (SIH) sobre internações por Diabetes mellitus no Amapá (2014-2023) revelou um total de 3.238 internações. Embora o volume tenha apresentado estabilidade entre 2015 e 2020, houve um aumento significativo e sequencial a partir de 2021 (n=327), 2022 (n=376) e, notavelmente, em 2023 (n=518), uma tendência que pode ser metodologicamente associada ao impacto da pandemia de COVID-19 no manejo das doenças crônicas.

A literatura aponta que, na maioria dos casos, os pacientes procuram atendimento médico quando as lesões já se encontram em estágios avançados, frequentemente com sinais de necrose, infecção profunda e comprometimento vascular, o que demanda intervenções cirúrgicas complexas e prolonga o tempo de hospitalização (Pitta et al., 2019).

Consequentemente, muitos desses pacientes tornam-se incapazes de retornar às suas atividades habituais, seja por limitação funcional decorrente da amputação, seja por complicações associadas ao processo infeccioso (Pitta et al., 2019). O tratamento dessas lesões requer hospitalizações longas em unidades especializadas, uso de antimicrobianos de amplo espectro e alto custo, além de cuidados multiprofissionais intensivos, fatores que elevam significativamente os custos e a carga sobre o sistema de saúde (Da Ros et al., 2024; Rinkel et al., 2017).

As infecções do pé diabético têm se tornado uma das causas mais frequentes de hospitalização entre pessoas com diabetes, sendo reconhecidas como importantes preditoras de amputação e mortalidade hospitalar (Johnson et al., 2022). A presença simultânea de infecção e isquemia agrava o quadro clínico, pois ambas prolongam o tempo de internação, retardam a cicatrização e elevam as taxas de complicações e óbito (Da Ros et al., 2024).

Esses fatores, somados à falta de seguimento ambulatorial efetivo e ao diagnóstico tardio, explicam a tendência de aumento da gravidade e letalidade dos casos observada em Juazeiro, confirmando que o pé diabético permanece um marcador sensível da qualidade da atenção prestada ao paciente com Diabetes mellitus.

Referente a procedimentos cirúrgicos, foram identificados, no município de Juazeiro (BA), 773 internações por procedimentos relacionados ao pé diabético complicado e amputações de membros inferiores no período de janeiro de 2020 a julho de 2025. Esses atendimentos totalizaram 5.933 dias de permanência hospitalar e resultaram em 73 óbitos, correspondendo a uma taxa de mortalidade global de 9,4%.

Diferentemente da base de Morbidade Hospitalar por diagnóstico (SIH/SUS), o módulo de Produção Hospitalar (SIH/SUS – Procedimentos cirúrgicos) não disponibiliza variáveis como sexo e faixa etária para estratificação dos resultados. Dessa forma, a análise foi conduzida exclusivamente a partir das categorias de procedimento realizado e ano de atendimento, considerando os indicadores de internações, dias de permanência, óbitos e taxa de mortalidade.

Observou-se que as amputações ou desarticulações de membros inferiores (n=572; 74,0%) foram responsáveis pela maior parte das internações, bem como pela maior mortalidade (70 óbitos; taxa de mortalidade de 12,2%). Enquanto as amputações ou desarticulações de pé e tarso (n=201; 26,0%) apresentaram menor mortalidade (3 óbitos; taxa de 1,5%) (Figura 7).

Figura 7 – Desfechos Hospitalares e Taxa de Mortalidade Associada a Procedimentos Cirúrgicos de Amputação (Membros Inferiores e Pé/Tarso)

Fonte: DATASUS TabNet elaborado pelos autores (2025).

Os resultados referentes aos procedimentos cirúrgicos revelam elevada frequência de amputações de membros inferiores em pacientes com pé diabético complicado. Esses resultados reforçam o caráter devastador das complicações do Diabetes mellitus, principalmente o pé diabético, reconhecido como a principal causa de amputações não traumáticas de membros inferiores e um dos maiores determinantes de incapacidade permanente entre adultos (Schaper et al., 2020).

Pantoja et al. (2025) em seus estudos observou quanto a procedimentos cirúrgicos de amputação, a realização de 310 procedimentos entre 2014-2023. A maior frequência foi observada na amputação/desarticulação de membros inferiores (n=147), seguida pela amputação/desarticulação de dedo (n=101), indicando a prevalência de complicações avançadas da doença.

Estima-se que ocorra uma amputação relacionada ao pé diabético a cada 20 a 30 segundos em todo o mundo, o que ilustra a magnitude global dessa complicação e seus impactos clínicos, socioeconômicos e estruturais (Schaper et al., 2020). É estimado que pessoas com diabetes apresentem risco 15 a 40 vezes maior de sofrer amputações do que indivíduos não diabéticos, e que aproximadamente 20% dos amputados venham a óbito em até dois anos após o procedimento (Pitta et al., 2019). Esses indicadores demonstram o peso das amputações como marcador de prognóstico desfavorável e de ineficiência das ações preventivas.

No cenário brasileiro, o impacto das complicações diabéticas também é expressivo. O diabetes é responsável por 32% das admissões em programas de diálise e está entre as principais causas de cegueira adquirida e amputações não traumáticas. Dados nacionais de 2011 apontavam que a taxa de mortalidade por diabetes aumentava exponencialmente com a idade, variando de 0,5 por 100 mil habitantes na faixa etária de 0 a 29 anos para 223,8 por 100 mil entre idosos com 60 anos ou mais, evidenciando o efeito cumulativo do tempo de exposição à doença (Ribeiro, Silva e Queiroz, 2025).

Entre 2010 e 2020, o Brasil registrou 80.082 internações relacionadas à amputação ou desarticulação de membros inferiores, com maior concentração na região Nordeste, como nos estados da Bahia (20.165 casos), Pernambuco (17.325) e Ceará (10.036) (Silva et al., 2021). Esses números ressaltam a relevância epidemiológica do problema e a necessidade de abordagens regionais integradas.

Estudos brasileiros corroboram o perfil encontrado em Juazeiro. Em levantamento realizado por Reis et al. (2020), 94,7% dos pacientes hospitalizados por pé diabético necessitaram de tratamento cirúrgico durante a internação, reforçando a prevalência de lesões em estágio avançado. De modo semelhante, Rodrigues et al. (2022) observaram que homens idosos com diabetes de longa duração apresentam maior incidência de amputações, sendo as vias transtibial e transfemoral as mais frequentemente executadas.

Esse padrão coincide com os resultados observados na Morbidade Hospitalar do SUS, do presente estudo que indicam maior ocorrência de internações e mortalidade entre pacientes do sexo masculino e com faixa etária avançada, provavelmente em função do envelhecimento populacional, controle metabólico insuficiente e detecção tardia de lesões neuropáticas e isquêmicas.

Do ponto de vista clínico, o pé diabético complicado representa o estágio final de uma série de eventos fisiopatológicos, neuropatia, vasculopatia e infecção, que evoluem progressivamente em pacientes com controle glicêmico inadequado. O estudo de Gamba (1998) e Rezende et al. (2008) já haviam demonstrado que cerca de 66% das amputações realizadas em hospitais gerais no Brasil ocorrem em pessoas com diabetes, consolidando o papel dessa doença como principal determinante das amputações não traumáticas no país.

Quanto aos níveis de amputação, observa-se que as amputações maiores (transfemorais e transtibiais) predominam nos casos graves e são associadas a maior letalidade e redução da sobrevida (Pitta et al., 2019; Rodrigues et al., 2022). Por outro lado, entre as amputações menores, a transmetatarsal destaca-se por apresentar melhores resultados funcionais e biomecânicos, sendo eficaz na preservação parcial do membro e na redução do tempo de reabilitação (Ammendola et al., 2017). Quando a infecção ou necrose é extensa, contudo, as amputações do mediopé, retropé ou transtibiais tornam-se inevitáveis, sendo consideradas procedimentos-padrão em casos de infecção com risco de vida (Pinzur e Schiff, 2020).

A maior frequência de amputações extensas em Juazeiro pode refletir falhas na detecção precoce e no manejo ambulatorial das lesões iniciais, somadas às dificuldades de acesso a equipes multiprofissionais e centros especializados. Diversos autores salientam que a ausência de protocolos integrados de prevenção e o manejo tardio de úlceras neuropáticas e isquêmicas elevam exponencialmente o risco de amputação e mortalidade (Boulton e Whitehouse, 2000; Tanasescu et al., 2022; Reardon et al., 2020; Pitta et al., 2019). Esses fatores, aliados à desigualdade no acesso a cuidados especializados e à insuficiente cobertura de atenção primária, contribuem para a perpetuação de desfechos graves.

A análise temporal revelou tendência crescente na realização de procedimentos cirúrgicos relacionados às amputações de membros inferiores (0408050012 amputação / desarticulação de membros inferiores; 0408050020 amputações / desarticulação de pé e tarso) ao longo do período analisado. O número de internações aumentou de 75 em 2020 para 206 em 2024, configurando o pico do intervalo estudado. Em 2025, até o mês de julho, haviam sido registrados 60 procedimentos, indicando manutenção da demanda assistencial. O maior número de óbitos ocorreu em 2022 e 2024 (17 cada), enquanto as maiores taxas de mortalidade específicas foram observadas em 2021 (14,9%) e 2020 (13,3%), com redução progressiva nos anos seguintes, atingindo 1,7% em 2025 (Figura 8).

Figura 8 – Série histórica e indicadores de desfecho de procedimentos cirúrgicos (2019-2025).

Fonte: DATASUS TabNet elaborado pelos autores (2025).

Esses resultados indicam que as amputações de membros inferiores permanecem desfechos clínicos frequentes e letais, evidenciando insuficiência nas estratégias preventivas e no cuidado ambulatorial voltado às complicações do Diabetes mellitus. O panorama identificado em Juazeiro (BA) demonstra alta carga de morbidade e mortalidade associada ao pé diabético, com predominância de casos graves, elevada frequência de amputações e prolongado tempo de internação hospitalar.

A análise temporal reforça a necessidade de fortalecimento da atenção primária para o rastreamento sistemático das lesões nos pés de pessoas com diabetes, além da implantação de linhas de cuidado interdisciplinares, da ampliação dos serviços de curativos especializados e da educação permanente de pacientes e profissionais de saúde.

Os dados locais devem ser interpretados como um alerta epidemiológico, apontando a urgência de políticas públicas voltadas à prevenção e ao acompanhamento integral do paciente diabético, com vistas à redução das internações evitáveis, dos custos hospitalares e das amputações desnecessárias. Adicionalmente, a realização de estudos sobre o impacto da mortalidade provocada pelo Diabetes mellitus e suas complicações é essencial para identificar lacunas nos cuidados associados à doença e para subsidiar programas de prevenção, promoção da saúde e formulação de políticas públicas baseadas em evidências (Pantoja et al., 2025).

● Produção Ambulatorial (SIA/SUS)

Na análise da produção ambulatorial (SIA/SUS), optou-se pelo uso da variável “Quantidade aprovada”, correspondente ao número de procedimentos efetivamente registrados e validados pelo sistema. Os atendimentos foram estratificados por categoria profissional segundo o Código Brasileiro de Ocupações (CBO), de modo a identificar a participação de enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e assistentes sociais na assistência multiprofissional. Porém, na base de produção ambulatorial (SIA/SUS), utilizando a rota Procedimento por ocupação – Profissional (CBO), não foram identificados registros de atendimentos multiprofissionais relacionados ao cuidado de pacientes com pé diabético no município de Juazeiro (BA), no período de janeiro de 2020 a julho de 2025 (Figura 9).

Figura 9 – Interface de seleção de variáveis para produção ambulatorial do SUS – Bahia

Fonte: TABNET/DATASUS (2025).

Essa ausência de resultados pode decorrer de falhas no registro da produção ambulatorial pelos serviços de saúde locais, ou ainda do uso de códigos genéricos em substituição aos códigos específicos de ocupação (CBO), o que inviabiliza a estratificação por categoria profissional. Essa limitação metodológica restringe a análise da participação de equipes multiprofissionais no cuidado ambulatorial, não permitindo comparações diretas com os dados de morbidade e produção hospitalar (SIH/SUS).

Investigações reconhecem que os sistemas de informação ambulatorial e hospitalar no SUS enfrentam limitações metodológicas, como variáveis ausentes, inconsistência de codificação e uso de campos genéricos, que comprometem a análise da participação de equipes multiprofissionais (CBO) impedindo comparações diretas com os dados e produção hospitalar (SIH/SUS) (Barbosa, 2019; Gomes, Nascimento e Rodrigues, 2024; Manassi e Rodrigues, 2024).

Recursos Humanos (CNES)

De acordo com os dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), verificou-se crescimento expressivo da força de trabalho em saúde no município de Juazeiro (BA) entre 2020 e 2025. Foram contabilizados tanto o número total de profissionais cadastrados quanto aqueles que declararam atender ao SUS, permitindo identificar a disponibilidade e a vinculação da força de trabalho em saúde no município. O número total de profissionais cadastrados aumentou de 2.544 para 3.712 (+45,9%), enquanto os vinculados ao SUS passaram de 2.038 para 3.077, representando 82,9% da força de trabalho em 2025.

A categoria médica apresentou aumento de 987 para 1.212 profissionais (+22,7%), com destaque para clínicos gerais, gineco-obstetras e médicos de família. A enfermagem teve expansão ainda mais acentuada de 355 para 489 (+37,7%) e técnicos de enfermagem de 774 para 1.291 (+66,7%), consolidando-se como a base assistencial. Entre as categorias multiprofissionais, observaram-se maiores variações relativas em fisioterapeutas (+149,2%), psicólogos (+95,8%), nutricionistas (+65,9%) e assistentes sociais (+46,2%).

No que se refere à inserção no SUS, enfermeiros (96,9%) e técnicos de enfermagem (99,1%) apresentaram ampla cobertura, enquanto algumas categorias mantiveram baixa proporção, como cirurgiões-dentistas (40,2%) e psicólogos (56,4%) (Tabela 1).

Em síntese, o município apresentou expansão consistente de recursos humanos, sobretudo na enfermagem e nas equipes multiprofissionais, embora persistam desigualdades na vinculação ao SUS que podem limitar a integralidade do cuidado voltado às complicações do diabetes, incluindo o pé diabético.

Tabela 1 – Quantitativo total e no âmbito do SUS de profissionais de saúde registrados no CNES por  categoria profissional em Juazeiro (BA), no período de 2020 a 2025.

Fonte: DATASUS TabNet elaborado pelos autores (2025).

A análise integrada mostra que o aumento do número de profissionais de saúde não foi acompanhado por registros de sua atuação no cuidado ao pé diabético. Embora o CNES indique crescimento de médicos, enfermeiros, técnicos e outros profissionais em Juazeiro entre 2020 e 2025, o SIA/SUS não apresentou registros específicos de atendimentos relacionados ao pé diabético.

Essa ausência de dados pode decorrer tanto de limitações da plataforma, que não vincula CBO a diagnósticos, quanto de subnotificação e uso de códigos genéricos na produção ambulatorial. O contraste com os dados hospitalares, que evidenciaram alta morbimortalidade por diabetes e elevado número de amputações, sugere que a atuação preventiva e multiprofissional não está sendo efetiva ou não é capturada pelos sistemas.

Os dados revelam que o cuidado ao pé diabético permanece voltado principalmente ao tratamento de urgências hospitalares, em vez de priorizar ações preventivas e acompanhamento contínuo. Essa situação destaca a necessidade de registros ambulatoriais mais consistentes e de uma atuação multiprofissional antecipada, capaz de reduzir complicações severas e evitar amputações.

4 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise do perfil epidemiológico do pé diabético em Juazeiro-BA (2020–2025) evidenciou alta carga hospitalar e desfechos clínicos graves, marcados por internações de urgência, longos períodos de permanência e elevada frequência de amputações. O pico de mortalidade em 2020 sugere o impacto da pandemia de COVID-19 sobre o manejo das doenças crônicas, enquanto a persistência de óbitos nos anos seguintes indica deficiências na atenção preventiva. A predominância de casos em indivíduos com 50 anos ou mais reforça a influência do envelhecimento e do tempo de exposição ao diabetes como fatores determinantes.

Apesar da ampliação da força de trabalho em saúde registrada no CNES, a ausência de dados ambulatoriais específicos no SIA/SUS aponta subnotificação e fragilidade das ações multiprofissionais. O cuidado ao pé diabético no município ainda se mostra centrado em episódios agudos e intervenções tardias, refletindo um modelo assistencial de baixa efetividade preventiva. Conclui-se ser necessário fortalecer a atenção primária, promover a integração das equipes multiprofissionais e aprimorar os sistemas de informação para reduzir complicações, amputações e óbitos evitáveis.

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1 Discente do Curso Superior do curso de Nutrição da Faculdade UNIFTC. e-mail:kailanyoliveiraaa@gmail.com
2 Discente do Curso Superior do curso de Enfermagem da Faculdade UNIFTC. e-mail: ruthdamily@gmail.com
3 Docente dos cursos da Faculdade UNIFTC Juazeiro-BA. e-mail: jorge.nascimento@ftc.edu.br
4 Docente do curso de Medicina da Faculdade Estácio IDOMED Juazeiro-BA. e-mail: santos.arthur@estacio.br
5 Docente do curso de Farmácia da Faculdade UNIFTC Juazeiro-BA. e-mail:karlabfarma@gmail.comr