ANÁLISE DA PREVALÊNCIA DE STAPHYLOCOCCUS AUREUS NAS CLÍNICAS DO HOSPITAL DE BASE DR. ARY PINHEIRO EM PORTO VELHO – RO ENTRE 2020 E 2022

ANALYSIS OF THE PREVALENCE OF STAPHYLOCOCCUS AUREUS IN THE CLINICS OF DR. ARY PINHEIRO HOSPITAL IN PORTO VELHO – RO BETWEEN 2020 AND 2022

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202507310904


Kariny De Paula Silveira1
Gabriela Alves Moreira2
Leandro Rodrigues Bernardino3
Juliana Loca Furtado Fontes4


Resumo 

Objetivo: Analisar a incidência de Staphylococcus aureus nas diferentes clínicas do Hospital de base Dr. Ary  Pinheiro em Porto Velho-RO, durante o período de janeiro de 2020 a dezembro de 2022. Métodos: Trata-se de  um estudo observacional, quantitativo, documental e retrospectivo. Foram analisados os registros de culturas  positivas para S. aureus provenientes de diversas clínicas do Hospital Dr. Ary Pinheiro, identificadas pelo  Laboratório de Microbiologia entre 2020 e 2022. Os dados foram organizados em planilhas eletrônicas para  descrever a frequência e distribuição da incidência da bactéria nas clínicas e no período estudado. Resultados: Foram identificadas 125 culturas positivas para S. aureus no período analisado. A Clínica Médica II apresentou a  maior frequência, com 38 casos (30,4% do total), seguida pela UTI Neonatal com 34 casos (27,2%), outras clínicas  com incidências notáveis incluíram o Berçário (14 casos; 11,2%) e a Maternidade (13 casos; 10,4%), concentrando  essas quatro unidades 79,2% dos casos. Conclusão: O estudo identificou as clínicas com maior incidência de S.  aureus no hospital, fornecendo dados epidemiológicos locais relevantes para o direcionamento de medidas  preventivas. Suas limitações incluem o desenho retrospectivo e a análise de dados de uma única instituição. 

Palavras-chave: Staphylococcus aureus, Epidemiologia, Infecção hospitalar, Clínicas Hospitalares.

INTRODUÇÃO 

A Staphylococcus aureus caracteriza-se por ser uma bactéria esférica, gram-positiva, que se  desenvolve em um formato característico de “cachos de uva” e pertence ao grupo cocos, além de ser uma  bactéria anaeróbia facultativa, ou seja, sobrevive com a presença ou sem a presença de oxigênio. Nos  seres humanos, a Staphylococcus aureus pode ser encontrada na pele e nas fossas nasais. Não provoca a incidência de doenças se permanecer restrita a esses locais; entretanto, se invadir a corrente sanguínea,  terá acesso a qualquer órgão, desencadeando infecções graves, sepse ou choque séptico (FERREIRA et  al., 2015). 

Diante dessa circunstância, a S. aureus consiste na principal causa de infecções bacterianas em  humanos e um dos mais importantes e preocupantes patógenos em casos de infecções sistêmicas de  origem comunitária e hospitalar em todo o mundo (DOS SANTOS et al., 2021). 

Uma cepa particularmente preocupante é o Staphylococcus aureus resistente à meticilina  (MRSA), que apresenta resistência ao antibiótico meticilina e outros betalactâmicos, como penicilinas,  cefalosporinas e carbapenêmicos. A resistência do MRSA é causada pela produção de uma proteína de  ligação à penicilina alterada, conhecida como PBP2a. Além disso, o MRSA pode apresentar resistência  a outros antibióticos como aminoglicosídeos, tetraciclinas e fluoroquinolonas, o que torna o tratamento  mais difícil e pode levar a complicações e pior prognóstico (FERREIRA etal., 2011). 

Pacientes internados nas unidades hospitalares possuem um maior risco de contrair infecções por  bactérias resistentes a antimicrobianos, incluindo a forma resistente à meticilina do Staphylococcus  aureus (MRSA), fator que está relacionado sobretudo ao tempo de internação, às medidas de  biossegurança e às condições clínicas dos pacientes atendidos no hospital. A disseminação do MRSA  nos ambientes hospitalares eleva o risco de infecções secundárias em pacientes vulneráveis, dentre estes  pacientes infectados por MRSA, em torno de 20% vão a óbito, devido ao fato de que a infecção causada  pela bactéria Staphylococcus aureus contribui para o aumento dos índices de complicações,  principalmente entre pacientes com comorbidades como diabetes, doença pulmonar crônica, hipertensão  arterial e doenças cardíacas (MENEGUIN; TORRES; POLLO, 2020; RODRIGUES et al., 2020). 

Diante desse contexto, é fundamental o aperfeiçoamento das estratégias para o tratamento e a  prevenção de infecções hospitalares por MRSA no Hospital de Base. Essa melhora pode envolver  medidas como o aprimoramento da higienização e a utilização correta de antibióticos, a fim de evitar a  resistência. Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo analisar os quadros clínicos de pacientes  infectados por Staphylococcus aureus resistente à meticilina nas unidades hospitalares. Espera-se que os  resultados possam contribuir para a melhora das estratégias de prevenção e tratamento de infecções  hospitalares por MRSA, garantindo um melhor prognóstico para os pacientes hospitalizados.

1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA 

1.1. Características gerais  

O Staphylococcus aureus é caracterizado como uma bactéria gram-positiva, anaeróbia  facultativa, com morfologia esférica, que pode se apresentar de forma isolada, aos pares, em cadeias  curtas ou, principalmente, agrupados irregularmente, semelhante a um cacho de uvas, em decorrência  de sua divisão celular em múltiplos planos (CORREAL et al., 2013; DOS SANTOS et al., 2007). Essa  bactéria é considerada parte da microbiota de seres humanos saudáveis, principalmente na pele e nas  fossas nasais. Sua colonização nesses locais é geralmente assintomática, favorecendo a contaminação  por meio do contato (DE OLIVEIRA et al., 2021). A propagação endógena é a mais comum, responsável  pela maioria das infecções hospitalares, embora também possa ocorrer disseminação exógena pelo  contato com indivíduos ou objetos contaminados (TONG et al., 2015). O S. aureus pode causar desde  infecções simples da pele até infecções graves como pneumonia, endocardite e septicemia. É  considerada a bactéria mais virulenta do seu gênero, devido a fatores como cápsula protetora, adesinas,  ácido teicoico e elevada resistência a antimicrobianos (AQUINO; SILVA, 2022; TONG et al., 2015).  As infecções por MRSA podem ser classificadas como associadas a serviços de saúde (HA-MRSA) ou  adquiridas na comunidade (CA-MRSA) (TURNER et al., 2019). Pacientes hospitalizados estão  particularmente expostos a essas infecções devido ao uso de procedimentos invasivos, como cirurgias  complexas, cateterismos, traqueostomias, uso de drogas imunodepressoras e antimicrobianos, bem como  pelas interações com a equipe de saúde e superfícies contaminadas (AQUINO; SILVA, 2022; DE  OLIVEIRA et al., 2021).  

1.2. Epidemiologia  

A ocorrência de infecções hospitalares é uma das principais complicações da saúde pública, com  impactos econômicos e na saúde da população. As infecções por MRSA superam o HIV como a principal  causa de mortalidade nos Estados Unidos. Em hospitais americanos, o S. aureus é responsável por 12%  das infecções relacionadas ao pulmão, feridas cirúrgicas e corrente sanguínea. No Brasil, a prevalência  de infecções hospitalares por S. aureus é de 18,4%, principalmente em hospitais públicos (AQUINO;  SILVA, 2022; DE OLIVEIRA et al., 2021). Há, ainda, elevada taxa de colonização por MRSA entre  estudantes da área da saúde, sendo as narinas o local mais comum de colonização, com prevalência  média de 40% (DE OLIVEIRA et al., 2021). 

1.3. Mecanismos de patogenicidade  

O S. aureus integra a microbiota normal da pele, mucosas e vias respiratórias de muitas pessoas,  sem causar danos. Contudo, em situações de imunossupressão, trauma, cirurgia ou uso de dispositivos  invasivos, pode tornar-se oportunista e patogênico. Sua resistência à dessecação e frio contribui para sua  persistência em superfícies hospitalares. Essa bactéria forma biofilmes em superfícies como cateteres e  próteses, dificultando o tratamento e possibilitando infecções persistentes. Os fatores de virulência  incluem proteínas de adesão, toxinas, enzimas e mecanismos de evasão do sistema imune, como a  proteína A, lipases e cápsulas polissacarídicas (CHEUNG et al., 2011; FOSTER; HÖÖK, 1998;  HOLLAND; SCHMITT; YOUNG, 2005; WEIDENMAIER; PESCHEL, 2008). 

1.4. Меcanismos de resistência do MRSA  

O MRSA possui um elemento genético chamado SCCmec, que confere resistência aos  antibióticos beta-lactâmicos por meio da produção da proteína PBP2a. Existem diferentes tipos de  SCCmec que variam conforme a estrutura genética e os genes adicionais de resistência que transportam  (ZHANG et al., 2009). O sistema regulatório Agr permite ao S. aureus regular a expressão de genes de  virulência conforme a densidade populacional. Ele também controla a produção de peptídeos tóxicos,  como as modulinas solúveis em fenol (PSMs), que afetam diretamente a resposta imune do hospedeiro  (THOENDEL et al., 2011; WANG et al., 2007). 

1.5. Tratamentos utilizados 

O tratamento do MRSA em ambientes hospitalares inclui o uso de mupirocina tópica, antibióticos  orais como rifampicina e tetraciclina, e agentes intravenosos como a vancomicina (LUNA et al., 2010).  

1.6. Medidas de prevenção e controle  

A prevenção das infecções por S. aureus em unidades hospitalares exige medidas como higiene  adequada das mãos com água e sabão ou álcool 70%, distanciamento entre leitos e isolamento de  pacientes conforme a patologia (LEITE, 2008). 

2. METODOLOGIA  

Este estudo baseia-se, quanto à finalidade, em uma pesquisa básica, de natureza observacional,  com uma abordagem quantitativa e explicativa, e quanto aos seus procedimentos, em um estudo  documental e retrospectivo.

Este estudo foi realizado no Laboratório de Microbiologia do hospital Dr. Ary Pinheiro em Porto  Velho – RO, que se localiza na Avenida Governador Jorge Teixeira, 3766 – Bairro Industrial e possui 39  anos de funcionamento, além de ser considerado uma referência nos atendimentos da região norte do  país. 

Foram selecionados para o estudo 125 culturas positivas de S. aureus nas clínicas cirúrgicas I e  II, berçário, clínica médica, maternidade, ortopedia I e II, transplantes, unidades de terapia intensiva  (UTI) 1,2 e 3 e UTI neonatal do hospital Dr. Ary Pinheiro em Porto Velho- RO entre os anos de 2020 e  2022. 

Como critérios de inclusão, foram utilizados os dados fornecidos pelo Laboratório de  Microbiologia do hospital Dr. Ary Pinheiro, referente às culturas positivas para S. aureus nas clínicas  cirúrgicas I e II, berçário, clínica médica, maternidade, ortopedia I e II, transplantes, UTI 1,2 e 3 e UTI  neonatal e foram credibilizados apenas os dados fornecidos entre os anos de 2020 e 2022. Foram  excluídos dados referentes a culturas positivas de outros microrganismos, além de valores fora do  período proposto. 

Os dados referentes às culturas microbiológicas positivas para Staphylococcus aureus, realizadas  no período de janeiro de 2020 a dezembro de 2022 e provenientes das clínicas selecionadas (Clínicas  Cirúrgicas I e II, Berçário, Clínica Médica II, Maternidade, Ortopedia I e II, Transplantes, UTI 1, 2 e 3,  e UTI Neonatal), foram obtidos por meio de consulta aos registros consolidados do Laboratório de  Microbiologia do Hospital Dr. Ary Pinheiro. 

Para cada cultura positiva identificada dentro dos critérios de inclusão, foram coletadas as  seguintes variáveis de interesse: data da coleta da amostra, clínica de origem do paciente no momento  da coleta, e resultado da identificação do S. aureus

As informações coletadas foram organizadas e tabuladas utilizando o software Microsoft Excel®.  Esta ferramenta foi empregada na elaboração de tabelas de frequência que permitiram visualizar a  distribuição da incidência de S. aureus entre as clínicas no período estudado. 

Para obtenção dos dados do Laboratório de Microbiologia do hospital Dr. Ary Pinheiro em Porto  Velho – RO, seguiram-se os termos preconizados pela resolução n.º 466/12 do Conselho Nacional de  Saúde do Ministério da Saúde, tendo início após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) sob  o número CAAE: 78249724.7.0000.0012 e número do parecer: 6.730.936. 

3. RESULTADOS 

Tabela 1 – Culturas positivas para Staphylococcus aureus e respectivas taxas de positividade  intra-clínica, Hospital Dr. Ary Pinheiro, Porto Velho-RO (2020-2022).

Fonte: Silveira KP et al., 2025

A Tabela 1 apresenta a distribuição do número de culturas microbiológicas positivas para  Staphylococcus aureus, identificadas nas diferentes clínicas do Hospital Dr. Ary Pinheiro, localizado em  Porto Velho – RO, durante o período de 2020 a 2022. No total, foram registrados 125 casos confirmados. 

A Clínica Médica II foi a unidade com a maior incidência, contabilizando 38 casos, o que  representa 24,52% do total. Em seguida, a UTI Neonatal apresentou 34 culturas positivas (5,56%), o que  pode indicar uma alta densidade de casos, embora com menor proporção intra-clínica. Outras unidades  com valores relevantes incluem o Berçário (14 casos; 7,11%) e a Maternidade (13 casos; 16,25%). 

Unidades como Ortopedia I e II apresentaram 100% de positividade, embora com números  absolutos baixos (1 e 2 casos, respectivamente), o que sugere que todos os exames realizados nessas  clínicas resultaram em culturas positivas. A UTI 3 não registrou nenhum caso positivo no período  analisado. 

Vale destacar que três casos foram classificados como “Não especificado”, representando  15,79%, o que pode indicar falhas de registro ou informações incompletas na origem das amostras. A tabela também mostra discrepâncias entre os valores absolutos e percentuais intra-clínicos, o  que requer atenção na interpretação. A presença de valores percentuais elevados em clínicas com poucos exames sugerem a necessidade de avaliar o volume total de coletas por unidade para melhor compreensão  da taxa de positividade. 

4. DISCUSSÃO 

Os dados obtidos neste estudo revelam um cenário esperado, porém preocupante. Em que a  Clínica Médica II concentrou a maior parte das culturas positivas para Staphylococcus aureus (24,52%),  seguida da UTI Neonatal (5,56%), Berçário (7,11%) e Maternidade (16,25%). Esses achados condizem  com outros artigos, que apresentam os ambientes hospitalares com pacientes em condições clínicas mais  vulneráveis como UTIs e clínicas médicas, como ambientes com uma maior predisposição a infecções  por microorganismo, como o S. aureus. (AQUINO; SILVA, 2022; TONG et al., 2015). 

Além de estarem de acordo com os estudos prévios que demonstram maior prevalência de S.  aureus em unidades com uso frequente de dispositivos invasivos, internações prolongadas e elevado  consumo de antimicrobianos (MENEGUIN et al., 2020; TURNER et al., 2019). Nesses ambientes, o  risco de colonização e infecção por cepas multirresistentes é significativamente ampliado, exigindo  atenção redobrada por parte das equipes multiprofissionais. 

Por outro lado, o fato de a Ortopedia I e II apresentarem 100% de positividade, apesar da baixa  quantidade de casos absolutos (1 e 2, respectivamente), sugere mais uma consequência do número  reduzido de coletas do que um sinal de gravidade real. Pois caso tenha sido realizado apenas um ou dois  exames, todos positivos, os dados acabam distorcendo a análise percentual. Correal et al. (2013) chamam  atenção para esse risco, lembrando que indicadores com base em amostras pequenas podem gerar  interpretações equivocadas. Ainda, a presença de casos classificados como “não especificados” (15,79%)  demonstra fragilidade nos registros laboratoriais e reforça a importância de sistemas de informação mais  eficientes e padronizados. 

Na UTI Neonatal, os números também chamam atenção. Bebês internados nessa unidade muitas  vezes apresentam sistema imune imaturo, o que favorece a instalação de infecções oportunistas, como  as causadas por S. aureus. Essa relação já foi observada por DE OLIVEIRA et al. (2021), que destacam  a facilidade de disseminação da bactéria em ambientes hospitalares muito ocupados e de difícil  esterilização constante. 

Outrossim, a ausência de dados da UTI 3 no período analisado, embora à primeira vista pareça  positivo, é importante lembrar que pode não refletir ausência de infecção, mas sim possíveis falhas na  coleta ou registro. Leite (2008) já destacava, em seus estudos, como a ausência de dados pode ser  enganosa se não houver um monitoramento contínuo e rigoroso.

Esses resultados se somam às evidências já consolidadas na literatura (FERREIRA et al., 2011;  TURNER et al., 2019), que indicam o ambiente hospitalar como propício à seleção de cepas resistentes,  como o MRSA. A recorrência dessas infecções reforça a necessidade de ações preventivas mais eficazes  e de um uso mais criterioso dos antimicrobianos. Além de reforçarem a relevância da vigilância  epidemiológica contínua e a adoção de medidas eficazes de controle de infecção hospitalar. A literatura  destaca a importância da higienização adequada das mãos, uso racional de antimicrobianos, isolamento  de pacientes colonizados ou infectados e capacitação permanente dos profissionais de saúde como  estratégias eficazes na prevenção da disseminação do S. aureus e suas cepas resistentes (LEITE, 2008;  DE OLIVEIRA et al., 2021). 

Este estudo apresenta como principal limitação sua natureza retrospectiva e documental, ou seja,  depende de registros já existentes. Assim, a falta de algumas informações básicas, como o total de  culturas realizadas por clínica, as condições clínicas dos pacientes ou mesmo a distinção entre cepas  sensíveis e resistentes à meticilina, impossibilita a avaliação da real dimensão da presença do MRSA  (ZHANG et al., 2009; LUNA et al., 2010) além de dificultar a associação dos casos a fatores clínicos  como tempo de internação ou uso prévio de antibióticos, comprometendo o entendimento dos fatores de  risco. 

Para que se compreenda melhor o comportamento do S. aureus nas unidades hospitalares, seria  ideal que novos estudos incluíssem as variáveis clínicas dos pacientes e realizassem testes de  sensibilidade antimicrobiana. Além de mapear a taxa de colonização em pacientes e profissionais da  saúde, uma vez que a bactéria nem sempre se manifesta de forma aguda. Trabalhos como os de Cheung  et al. (2011) e Foster e Höök (1998) apontam para a importância da integração entre microbiologia e as  práticas clínicas no controle efetivo dessas infecções. 

5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Este estudo demonstrou que a prevalência de Staphylococcus aureus no Hospital Dr. Ary  Pinheiro não é uniforme, apresentando uma variação estatisticamente significativa entre as diferentes  unidades clínicas no período de 2020 a 2022. A análise identificou a Clínica Médica II e a UTI Neonatal  como os principais focos de isolados em números absolutos, enquanto unidades como o Ambulatório e  o Centro Obstétrico revelaram taxas de positividade intra-clínica particularmente elevadas, sinalizando como áreas críticas para a disseminação do patógeno. Estes achados, apesar das limitações de um  estudo retrospectivo, fornecem um panorama epidemiológico local essencial, que serve como uma  ferramenta indispensável para o direcionamento de estratégias de vigilância e a implementação de  medidas de controle de infecção mais eficazes e focadas na instituição. Reforça-se, portanto, a necessidade de um monitoramento contínuo e de futuros estudos que investiguem os fatores de risco  associados e o perfil de resistência à meticilina para mitigar o impacto deste patógeno no ambiente  hospitalar. 

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1Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Aparício de Carvalho Campus Porto Velho e-mail:  karinysilveira2004@gmail.
2Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Aparício de Carvalho Campus Porto Velho e-mail:  bibimoreiraalves@icloud.com.
3Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Aparício de Carvalho Campus Porto Velho e-mail:  leand.ikki@gmail.com.
4Docente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Aparício de Carvalho Campus Porto Velho. Mestre  em Biologia Experimental (PGBIOEXP/UNIR). e-mail: juliana.fontes@fimca.com.br