AMELOBLASTOMA MANDIBULAR: ABORDAGENS AVANÇADAS NA RECONSTRUÇÃO COM ENXERTO DE CRISTA ILÍACA

MANDIBULAR AMELOBLASTOMA: ADVANCED APPROACHES IN RECONSTRUCTION WITH ILLIAC CREST GRAFT

AMELOBLASTOMA MANDIBULAR: ENFOQUES AVANZADOS EN LA RECONSTRUCCIÓN CON INJERTO DE CRESTA ILÍACA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202506301045


Dr. Marco Mauad1
Dr. Antônio Eugenio Magnabosco Neto2


Resumo

Objetivo: Apresentar um relato de caso de uma paciente com ameloblastoma mandibular, explorando as abordagens cirúrgicas avançadas na reconstrução com enxerto de Crista Ilíaca, com foco na análise dos resultados clínicos, funcionais e estéticos a longo prazo.
Relato do caso: O procedimento de reconstrução da mandíbula da paciente envolveu o uso de um enxerto de Crista Ilíaca. Inicialmente, considerou-se a utilização de um enxerto de fíbula com vascularização, contudo, levando em conta à medida da área receptora ser de aproximadamente 5,5 cm, não houve necessidade de vascularização do enxerto. O enxerto foi fixado com placa de reconstrução e parafusos, permitindo a restauração da altura da crista alveolar, do contorno mandibular e do ramo mandibular. Após seis meses da cirurgia realizada na paciente, os exames indicaram margens cirúrgicas livres de tumor, demonstrando eficácia da abordagem utilizada. Conclusão: O tratamento do Ameloblastoma mandibular requer abordagem abrangente, envolvendo diagnóstico preciso, cirurgia adequada e técnicas avançadas de reconstrução para melhor recuperação funcional e estética.

Palavras-chave: Ameloblastoma; Enxerto de Crista Ilíaca; Excisão.

Abstract

Objective: To present a case report of a patient with mandibular ameloblastoma, exploring advanced surgical approaches in reconstruction with an Iliac Crest graft, focusing on the analysis of long-term clinical, functional and aesthetic results.Case report: The patient’s jaw reconstruction procedure involved the use of an Iliac Crest graft. Initially, the use of a fibula graft with vascularization was considered, however, taking into account the size of the recipient area being approximately 5.5 cm, there was no need for vascularization of the graft. The graft was fixed with a reconstruction plate and screws, allowing the restoration of the height of the alveolar crest, the mandibular contour and the mandibular ramus. Six months after the surgery performed on the patient, exams indicated tumor-free surgical margins, demonstrating the effectiveness of the approach used. Conclusion: The treatment of mandibular Ameloblastoma requires a comprehensive approach, involving accurate diagnosis, appropriate surgery and advanced reconstruction techniques for better functional and aesthetic recovery.

Keywords: Ameloblastoma; Iliac Crest Graft; Excision.

Resumen

Objetivo: Presentar el reporte de un paciente con ameloblastoma mandibular, explorando abordajes quirúrgicos avanzados en reconstrucción con injerto de Cresta Iliaca, enfocándose en el análisis de resultados clínicos, funcionales y estéticos a largo plazo. Reporte de caso: El procedimiento de reconstrucción de la mandíbula del paciente implicó el uso de un injerto de cresta ilíaca. Inicialmente se consideró el uso de un injerto de peroné con vascularización, sin embargo, teniendo en cuenta que el tamaño del área receptora era de aproximadamente 5,5 cm, no fue necesaria la vascularización del injerto. El injerto se fijó con placa de reconstrucción y tornillos, permitiendo restaurar la altura de la cresta alveolar, el contorno mandibular y la rama mandibular. Seis meses después de la cirugía realizada al paciente, los exámenes indicaron márgenes quirúrgicos libres de tumor, lo que demuestra la efectividad del abordaje utilizado. Conclusión: El tratamiento del Ameloblastoma mandibular requiere un abordaje integral, que involucra un diagnóstico certero, una cirugía adecuada y técnicas avanzadas de reconstrucción para una mejor recuperación funcional y estética.

Palabras clave: Ameloblastoma; Injerto De Cresta Ilíaca; Excisión.

1. Introdução

O ameloblastoma é um tumor odontogênico benigno, mas agressivo e invasivo . Trata-se de um tumor assintomático, o que ocasiona um diagnóstico desafiador. O tumor acaba atingindo sobretudo pacientes entre 30 e 60 anos de idade, e atinge de forma muito rara pacientes pediátricos. Sem preferência por raça, 80% das lesões são encontradas na região posterior da mandíbula. Além disso, essa neoplasia é agressiva, recidivante e afeta em 80% dos casos, a mandíbula e em 20%, a maxila 1.

Os sinais e sintomas associados a uma lesão de ameloblastoma podem variar em sua intensidade. E pode incluir a presença de uma área de aumento de volume localizada na camada submucosa, acompanhada por possíveis alterações na oclusão dos dentes, mobilidade dentária, desconforto ou dor, e em algumas situações até mesmo sensações de formigamento 2 e 3.

A principal forma de tratamento para o ameloblastoma é a abordagem cirúrgica, variando entre técnicas conservadoras e radicais, conforme a natureza do tumor e sua apresentação clínica. Fatores como a extensão da lesão, relação com a anatomia local, idade do paciente e experiência do profissional orientam a escolha do procedimento mais apropriado 4.

Nesse contexto, o trabalho aqui relatado se baseia em um relato de caso em que a paciente foi diagnosticada com um ameloblastoma do tipo convencional, caracterizado por aspectos histopatológicos foliculares/multicísticos. O procedimento cirúrgico escolhido foi a excisão, realizada na mandíbula esquerda. A análise histológica revelou características macrocísticas e a presença da polarização reversa (alteração de Vickers-Gorlin), sendo essencial relatar que as margens cirúrgicas estavam livres de comprometimento, fornecendo informações fundamentais para a condução deste relato de caso.

A análise histológica subsequente da peça cirúrgica permitiu avaliar a extensão da lesão, a presença de margens livres de comprometimento e outras características microscópicas relevantes. Essas informações foram fundamentais para compreender a natureza do tumor e para orientar o tratamento subsequente, inclusive a exploração das abordagens avançadas na reconstrução com enxerto de Crista Ilíaca.

Após a remoção do tumor, é necessário garantir que o local operado seja restaurado adequadamente. Em algumas situações clínicas, a crista ilíaca, que é uma fonte de osso de qualidade, pode ser usada como enxerto para preencher áreas onde o tumor foi removido. Isso é especialmente importante para restaurar a função e a estética da área afetada 5.

E por esse motivo a finalidade desse trabalho é apresentar um relato de caso de ameloblastoma mandibular, explorando as abordagens cirúrgicas avançadas na reconstrução com enxerto de Crista Ilíaca, com foco na análise dos resultados clínicos, funcionais e estéticos a longo prazo. 

2. Relato de caso

O procedimento proposto para a reconstrução da mandíbula no caso aqui relatado envolveu o uso de um enxerto retirado da crista ilíaca e, inicialmente, considerou-se a utilização de um enxerto da fíbula com vascularização. É importante o entendimento que a escolha da área doadora para a reconstrução depende da medida da área receptora.

Uma imagem contendo pessoa, comida, segurando, verde

Descrição gerada automaticamente

Figura 1: Sítio doador em região de Crista Ilíaca

Contudo, conforme procedimento da equipe de ortopedia, quando a área receptora mede até 6 centímetros, a vascularização do fragmento ósseo não é necessária. No entanto, no caso da paciente em questão, a distância entre os cotos ósseos era de aproximadamente 5,5 centímetros, o que não demandou a vascularização do enxerto.

Após essa avaliação, procedeu-se à fixação do enxerto na área receptora utilizando uma placa de reconstrução e parafusos de fixação. Essa abordagem permitiu a reconstrução completa da mandíbula do paciente, restaurando não apenas a altura da crista alveolar, mas também o contorno mandibular, o ramo mandibular e diferentes regiões anatômicas.

Pedaço de pizza

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Figura 2: Fixação de enxerto Ósseo no sítio receptor.

Diante disto, a reconstrução da mandíbula com o enxerto de crista ilíaca se mostrou a escolha adequada para este caso clínico, garantindo uma recuperação satisfatória e restaurando as estruturas mandibulares comprometidas da paciente.

Após seis meses da tomografia inicial, foi realizada uma avaliação diagnóstica que revelou o seguinte:

  • Diagnóstico: Ameloblastoma
  • Procedimento Realizado: Cirurgia excisional.
  •  Localização do Tumor: Mandíbula. 
  • Tipo Histológico: Ameloblastoma Tipo Convencional. 
  • Padrão Histopatológico: Folicular/multicístico. 
  • Presença de Alteração Macrocística: Sim, observada.
  •  Presença de Polarização Reversa (Alteração de Vickers-Gorlin): Sim, identificada. 
  • Margens Cirúrgicas: Livres de envolvimento tumoral.
Interface gráfica do usuário

Descrição gerada automaticamente com confiança baixa

Figura 3: Tomografia final do paciente 

O resultado da tomografia panorâmica reflete o estado atual da paciente após o procedimento de cirurgia excisional para tratar o Ameloblastoma. A análise demonstra que as margens cirúrgicas estão livres de comprometimento tumoral, o que é um indicativo positivo de um tratamento bem-sucedido. A presença de polarização reversa e a caracterização histológica confirmam o diagnóstico do Ameloblastoma e seu tipo convencional.

3. Discussão

O Ameloblastoma é um desafio clínico significativo devido à sua natureza invasiva e silenciosa e representa apenas 1% de tumores odontogênico. Contudo, por mais que tenha uma baixa incidência , também existe dificuldade de um diagnóstico precoce já que é um tumor que tem uma evolução na maioria das vezes sem sintomas, o que pode levar a um diagnóstico tardio, quando a lesão já atingiu um estágio avançado. Dessa forma, a análise clínica e os exames de imagem desempenham um papel fundamental na identificação e no planejamento do tratamento 6.

Quando se enfatiza o tratamento desse tumor benigno, mas invasivo a cirurgia, sobretudo a excisão, é uma das principais formas de tratar o tumor de maneira eficaz. A decisão de escolher uma técnica cirúrgica específica depende de vários fatores, incluindo a localização, o tipo histológico e a extensão da lesão, bem como a saúde geral do paciente. No tratamento da paciente aqui relatada a excisão foi a abordagem selecionada, uma escolha bem fundamentada com base na avaliação clínica e nas características da lesão, o que ilustra a importância da individualização do tratamento 1, 4,7.

É importante a compreensão de que a excisão é uma etapa inicial para remover completamente o Ameloblastoma, e o enxerto de crista ilíaca pode ser uma etapa subsequente importante na observação da área afetada, se necessário e foi exatamente isso que foi feito no caso aqui exposto. Ambos os procedimentos são parte integrante do tratamento abrangente desse tipo de tumor, garantindo a recuperação plena do paciente 8.

E para o tratamento ser o mais adequado é de extrema importância a análise histopatológica que é um passo crucial na confirmação do diagnóstico do Ameloblastoma, bem como na avaliação das margens cirúrgicas para garantir que não haja comprometimento tumoral remanescente. Isso é essencial para reduzir as taxas de recorrência e promover uma recuperação eficaz do paciente 1, 3,5.

Ao avaliar a extensão e os limites do tumor, uma análise histológica fornece informações específicas para os cirurgiões. Determinar se as margens estão comprometidas ou livres de células cancerígenas influenciam diretamente a abordagem a ser empregada. Caso as margens estejam comprometidas, a necessidade de uma proteção torna-se uma consideração crítica para garantir a remoção completa do tumor e evitar recorrências 7. 

A escolha de empregar um enxerto de crista ilíaca como parte do processo destaca a personalização do tratamento. Cada paciente é único, e a decisão de realização ou não-superfície deve ser respaldada por evidências sólidas provenientes da análise histológica. Essa abordagem integrada, desde a análise detalhada da peça cirúrgica até a escolha específica do enxerto, reflete um cuidado abrangente que vai além da simples conduta do cirurgião dentista 3.

Além disso, em casos em que a remoção do tumor deixa uma deficiência óssea significativa, como no presente relato, a reconstrução com enxerto de crista ilíaca desempenha um papel vital na restauração da função e da estética. A crista ilíaca oferece uma fonte confiável de osso para preencher a área defeituosa, proporcionando uma base sólida para a reabilitação. Essa etapa de reconstrução contribui significativamente para a qualidade de vida do paciente a longo prazo 1,2, 4,7.

No entanto, é importante reconhecer que cada caso é único e requer uma abordagem personalizada. As técnicas cirúrgicas avançadas, como a reconstrução com enxerto de crista ilíaca, não são sempre necessárias, mas podem ser uma opção valiosa quando a cirurgia excisional deixa um defeito ósseo significativo. A decisão de utilizar essas técnicas deve ser cuidadosamente avaliada com base nas necessidades do paciente, na extensão da lesão e na experiência do cirurgião 7.

Pode-se dizer que a abordagem multidisciplinar que envolve cirurgiões bucomaxilofaciais, radiologistas e patologistas é essencial para o tratamento bem-sucedido do Ameloblastoma. A combinação de diagnóstico preciso, cirurgia adequada e reconstrução apropriada é fundamental para proporcionar aos pacientes uma recuperação plena e uma melhor qualidade de vida após o tratamento deste desafiador tumor odontogênico 7, 8.

4. Conclusão

A excisão cirúrgica no caso apresentado foi a abordagem mais adequada para tratar o quadro clínico, considerando as características específicas da lesão e a avaliação clínica da paciente. Essa decisão se mostrou extremamente importante para a remoção completa do tumor e a preservação das margens cirúrgicas. Após o procedimento, a análise histopatológica confirmou a natureza do Ameloblastoma, seu tipo convencional e a ausência de comprometimento nas margens cirúrgicas, o que fundamentou uma recuperação eficaz da paciente, possibilitando resultados clínicos, funcionais e estéticos a longo prazo.

Referências

  1. Costa DOP, Ecard MB, Oliveira SP, Silva LE, Dias EP, Lourenço SQC. Estudo retrospectivo dos casos apresentados como ameloblastoma no Serviço de Anatomia Patológica do Hospital Universitário Antônio Pedro entre 1997 e 2007. J Bras Patol Med Lab. 2008;44(6):441-7.
  2. Kenneth JZ. Colheita de enxerto ósseo de locais distantes: Conceitos e Técnicas. Clínica Oral Maxillofac Surg. 2010;22:301-16. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20713264/ . Acesso em 22 fev. 2025.
  3. França AJB, Jardim VBF, Vasconcellos RJH, Barbosa KO, Leite et al. Enxerto ósseo microvascularizado na superfície mandibular: relato de caso. Rev Bras Cir Buco-Maxilo-Facial. 2016;1:45-9.
  4. Rezende ABM, et al. Tratamento Cirúrgico do Ameloblastoma Multicístico de Mandíbula. Rev Cient FHO UNIARARAS. 2014;2(1).
  5. Silva BF, Júnior JFS, Abrahão M, Cervantes O, Miranda SL. Ameloblastoma: revisão de literatura. Rev Bras Cir Cabeça Pescoço. 2004;33(1) :janeiro-março .
  6. Domingues MM, Orsine RA, Martins MAT, Bussadori SK, Fernandes KPS. Ameloblastoma: revisão de literatura. ConScientiae Saúde. 2007;6(2):269-78. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/929/92960209.pdf . Acesso em 20 fev. 2025.
  7. Gomes ACA, et al. Ameloblastoma: tratamento cirúrgico conservador ou radical? Rev Cir Traumat Buco-Maxilo-Facial. 2002;2(2):17-24.
  8. Pogrel MA, Podlesh S, Anthony JP, Alexander JA. Uma comparação de enxertos ósseos vascularizados e não vascularizados para reconstrução de defeitos de continuidade mandibular. J Oral Maxillofac Surg. 1997;55:1200-6. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/9371107/ . Acesso em 24 fev. 2025.

1Centro Universitário UNIDOMBOSCO, Brasil.
E-mail: mauadmarco@gmail.com
2Centro Universitário UNIDOMBOSCO, Brasil