BIOCHEMICAL ALTERATIONS IN PATIENTS WITH COPD: A NURSING CARE PERSPECTIVE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202503261217
Lucas Máximo Meira Araújo
Resumo
As alterações bioquímicas em pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) estão frequentemente associadas a um desequilíbrio metabólico sistêmico, que pode impactar diversas funções do organismo, agravando a condição clínica dos pacientes. Esses desequilíbrios incluem alterações nos marcadores inflamatórios, no metabolismo lipídico e nas proteínas musculares, que podem contribuir para a progressão da doença e piora da qualidade de vida. A análise dessas alterações é essencial para uma abordagem eficaz no manejo clínico da DPOC, sobretudo no contexto da assistência de enfermagem. O objetivo geral deste estudo foi analisar as alterações bioquímicas em pacientes com DPOC e investigar como essas alterações se relacionam com a assistência de enfermagem. Os objetivos específicos incluíram a identificação das principais alterações bioquímicas associadas à DPOC, compreensão da fisiopatologia da doença e suas implicações nos marcadores bioquímicos e, por fim, a proposição de estratégias assistenciais que integrem conhecimentos interdisciplinares para o manejo da doença. A metodologia adotada foi uma revisão narrativa, com abordagem descritiva e qualitativa, permitindo uma análise crítica da literatura existente sobre o tema. A busca bibliográfica foi realizada em bases de dados reconhecidas, como Periódicos Capes, BVS e PubMed, abrangendo publicações dos últimos 10 anos. A revisão permitiu identificar lacunas na literatura e sugerir novos caminhos para futuras pesquisas. Conclui-se que o planejamento assistencial de enfermagem deve considerar as alterações bioquímicas da DPOC para minimizar os impactos sistêmicos da doença, promovendo uma melhor qualidade de vida para os pacientes, com base em uma abordagem holística e integrada.
Palavras-chave: Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. Alterações Bioquímicas. Fisiopatologia da DPOC. Assistência de Enfermagem. Planejamento Assistencial.
Abstract
Biochemical alterations in patients with Chronic Obstructive Pulmonary Disease (COPD) are often associated with a systemic metabolic imbalance, which can impact several body functions, aggravating the clinical condition of patients. These imbalances include changes in inflammatory markers, lipid metabolism, and muscle proteins, which can contribute to disease progression and worsening quality of life. The analysis of these alterations is essential for an effective approach to the clinical management of COPD, especially in the context of nursing care. The general objective of this study was to analyze biochemical changes in patients with COPD and to investigate how these changes relate to nursing care. The specific objectives included the identification of the main biochemical alterations associated with COPD, understanding the pathophysiology of the disease and its implications for biochemical markers, and, finally, proposing care strategies that integrate interdisciplinary knowledge for the management of the disease. The methodology adopted was a narrative review, with a descriptive and qualitative approach, allowing a critical analysis of the existing literature on the subject. The bibliographic search was carried out in recognized databases, such as Capes Journals, BVS, PubMed and Google Scholar, covering publications from the last 10 years. The review allowed us to identify gaps in the literature and suggest new paths for future research. It is concluded that nursing care planning should consider the biochemical alterations of COPD in order to minimize the systemic impacts of the disease, promoting a better quality of life for patients, based on a holistic and integrated approach.
Keywords: Pulmonary Disease, Chronic Obstructive. Biochemical Alterations. Pathophysiology of COPD. Nursing Care. Care Planning.
1. Introdução
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) representa uma das principais causas de morbidade e mortalidade em escala global, sendo caracterizada pela limitação persistente do fluxo aéreo decorrente de alterações nas vias respiratórias e no parênquima pulmonar. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a DPOC é uma das doenças respiratórias crônicas mais impactantes, ocupando a 4ª posição entre as principais causas de morte no mundo (Brasil, 2013; Gold, 2020). O diagnóstico precoce e a abordagem interdisciplinar são fundamentais para a redução da progressão da doença e melhoria da qualidade de vida dos pacientes (Paschoal, 2017).
A fisiopatologia da DPOC envolve processos inflamatórios intensos nas pequenas vias aéreas, desencadeados pela exposição a agentes nocivos, como partículas inaláveis e tabagismo, este último responsável por cerca de 80% dos casos da doença (Cruz, 2020). Esse processo inflamatório gera alterações bioquímicas importantes, como a hipoxemia e o aumento do estresse oxidativo, promovendo um ambiente propício à disfunção muscular periférica, caracterizada pela redução da força e resistência muscular, redistribuição de fibras e déficit bioenergético (Guyton; Hall, 2011).
Além das repercussões respiratórias, a DPOC afeta diversos sistemas do organismo, desencadeando manifestações sistêmicas como intolerância ao exercício, sarcopenia e desregulação hormonal. O déficit na oxigenação celular influencia diretamente a bioquímica muscular, promovendo o acúmulo de lactato e de íons hidrogênio (H+), além do aumento dos níveis de radicais livres e espécies reativas de oxigênio (EROs), contribuindo para a fadiga muscular precoce (Zonzin, 2017). Biomarcadores como a creatinoquinase (CK) e a lactato desidrogenase (LDH) são frequentemente elevados em pacientes com DPOC, indicando dano muscular associado à diminuição da capacidade aeróbia e à alteração do metabolismo energético (Fernandes, 2017).
Diante dessas alterações, a atuação da equipe de enfermagem é essencial para a assistência integral ao paciente com DPOC. O planejamento assistencial deve abranger a monitorização dos sintomas respiratórios, o suporte nutricional e a implementação de estratégias de reabilitação pulmonar, visando minimizar o impacto da fadiga muscular e melhorar a funcionalidade global do paciente (Ferreira, Freitas; Campos, 2019). A atenção primária e a abordagem interdisciplinar, envolvendo microbiologia, biologia celular e bioquímica, são fundamentais para o manejo clínico da DPOC, promovendo intervenções eficazes e melhorando a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes (Barbirato, 2019).
Mediante ao exposto, surgiu a seguinte questão norteadora, como a enfermagem pode estruturar um planejamento assistencial eficaz para minimizar os impactos sistêmicos da doença e promover a qualidade de vida desses indivíduos?
Para responder a problemática, o objetivo geral do presente estudo foi analisar as alterações bioquímicas em pacientes portadores de DPOC e sua relação com a assistência de enfermagem. Enquanto os objetivos específicos foram identificar as principais alterações bioquímicas associadas à DPOC e suas repercussões sistêmicas, compreender a relação entre a fisiopatologia da DPOC e os marcadores bioquímicos envolvidos na progressão da doença e propor estratégias assistenciais de enfermagem que integrem conhecimentos de microbiologia, biologia celular e bioquímica para o manejo clínico da DPOC.
2. Metodologia
O presente estudo consistiu-se em uma revisão narrativa de caráter descritivo e qualitativo, com o objetivo de analisar criticamente a literatura existente sobre as alterações bioquímicas em pacientes portadores de DPOC, enfatizando o planejamento assistencial de enfermagem.
Segundo Cavalcante e Oliveira (2020), a revisão narrativa permite uma abordagem flexível na seleção das fontes e na interpretação dos dados, sendo essencial para a compreensão abrangente e integradora de temas complexos. Essa metodologia possibilita a identificação de lacunas na literatura e a proposição de novas direções para estudos futuros.
A pesquisa descritiva, conforme Batista e Kumada (2021), busca detalhar as características de um fenômeno ou estabelecer relações entre variáveis, permitindo uma compreensão aprofundada sobre as alterações bioquímicas e sua influência no manejo da DPOC pela enfermagem. Por sua vez, a abordagem qualitativa visa captar os significados e impactos do fenômeno estudado em seu contexto, valorizando tanto a compreensão geral quanto às especificidades e interações subjacentes ao problema (Batista; Kumada, 2021).
A busca bibliográfica foi realizada em bases de dados eletrônicas reconhecidas, incluindo Periódicos Capes, BVS e PubMed. Os descritores utilizados foram: “Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica”, “Alterações Bioquímicas”, “Fisiopatologia da DPOC”, “Assistência de Enfermagem” e “Planejamento Assistencial”. O recorte temporal abrangeu os últimos 10 anos (2015 a 2025), garantindo a atualidade dos dados analisados.
Os critérios de inclusão adotados foram: artigos científicos, teses, dissertações e trabalhos de conclusão de curso publicados em inglês ou português, que abordassem diretamente a temática proposta no título, resumo e objetivos. Foram excluídos artigos duplicados, incompletos, pagos ou que, após leitura integral, não apresentassem relevância para a discussão do estudo.
O processo de seleção dos artigos seguiu as seguintes etapas: inicialmente, foram removidas as duplicatas. Em seguida, os artigos remanescentes passaram por triagem por título, resumo e leitura completa. Caso a elegibilidade não pudesse ser determinada na análise inicial, os textos completos foram lidos criteriosamente. Foram incluídos estudos de revisão bibliográfica, relatos de caso e revisões de literatura que estivessem alinhados ao tema proposto, respeitando o recorte temporal e idiomático adotado.
3. Desenvolvimento
3.1 Principais alterações bioquímicas associadas à DPOC
A DPOC é caracterizada pela limitação do fluxo aéreo de forma progressiva e irreversível, resultante de um processo inflamatório crônico que envolve os pulmões e vias respiratórias (Gold, 2020). As principais alterações bioquímicas associadas à DPOC estão relacionadas à inflamação sistêmica, desequilíbrio entre proteases e antiproteases, estresse oxidativo e disfunção da troca gasosa (Queiroz et al., 2023).
De acordo com Bueno et al. (2017), a inflamação persistente das vias respiratórias centrais e periféricas leva à destruição do parênquima pulmonar, ocasionando uma resposta exacerbada de células do sistema imune, como neutrófilos, macrófagos e linfócitos T CD8+. A ativação dessas células resulta na liberação de citocinas pró-inflamatórias, como interleucinas (IL-6, IL-8) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), intensificando o dano tecidual e promovendo a progressão da doença.
O desequilíbrio entre proteases e antiproteases é um dos principais mecanismos bioquímicos associados à destruição alveolar (Cruz, 2020). Conforme Paschoal (2017), na DPOC, há um aumento na atividade de enzimas proteolíticas, como metaloproteinases da matriz (MMPs) e elastase de neutrófilos, que degradam proteínas estruturais do pulmão. Esse processo leva à perda da elasticidade pulmonar e ao colapso das vias aéreas, resultando em enfisema pulmonar e limitação ao fluxo aéreo. Paralelamente, há uma redução da expressão de antiproteases, como a alfa-1 antitripsina, o que contribui para a destruição do tecido pulmonar (Queiroz, 2016).
O estresse oxidativo também desempenha um papel central na fisiopatologia da DPOC (Fernandes, 2017). Segundo Bagdonas et al. (2015), a inalação de partículas nocivas, como a fumaça do cigarro, promove a formação excessiva de espécies reativas de oxigênio (EROs), que superam a capacidade antioxidante do organismo. Esse acúmulo de EROs desencadeia danos oxidativos às células epiteliais pulmonares e macrófagos, resultando em apoptose celular e disfunção das vias respiratórias. Além disso, o estresse oxidativo pode ativar fatores de transcrição pró-inflamatórios, como NF-κB, agravando a inflamação pulmonar.
A disfunção na troca gasosa é outra consequência bioquímica importante da DPOC, conforme Hinkle e Cheever (2016), a destruição dos alvéolos e a hipersecreção de muco levam à retenção de dióxido de carbono (CO2) e à diminuição da oxigenação sanguínea, resultando em hipercapnia e hipóxia. Esse quadro pode evoluir para acidose respiratória crônica, comprometendo o equilíbrio ácido-base do organismo. Em estágios avançados da doença, a hipoxemia persistente pode induzir hipertensão pulmonar e cor pulmonales, sobrecarregando o coração e levando à insuficiência cardíaca direita (Hinkle; Cheever, 2016).
A bronquite crônica, um dos componentes da DPOC, também está associada a alterações bioquímicas significativas. A inflamação persistente da mucosa brônquica provoca um aumento na produção de muco, devido à hipertrofia e hiperplasia das células secretoras. Esse muco viscoso dificulta a depuração mucociliar, favorecendo infecções respiratórias recorrentes. Além disso, o acúmulo de secreções nas vias aéreas contribui para a obstrução brônquica e piora da ventilação pulmonar (Vogelmeier et al., 2017).
Outro aspecto relevante são as influências externas e individuais na progressão da DPOC, segundo Dryer (2015), fatores como tabagismo, exposição a poluentes, infecções respiratórias na infância e condições socioeconômicas desfavoráveis aumentam o risco de desenvolvimento da doença. Além disso, a deficiência de alfa-1 antitripsina e a desnutrição são fatores predisponentes que agravam a deterioração pulmonar. O envelhecimento também contribui para a progressão da DPOC, pois ocorre uma redução natural da capacidade pulmonar e da função antioxidante do organismo (Dryer, 2015).
O impacto do tabagismo na fisiopatologia da DPOC é amplamente documentado, segundo Brasil (2021), a fumaça do cigarro contém substâncias tóxicas que estimulam a produção de mediadores inflamatórios e aumentam a apoptose das células pulmonares. A exposição passiva ao tabaco também é prejudicial, contribuindo para a inflamação das vias aéreas e o agravamento dos sintomas respiratórios. Dados da OMS indicam que o tabagismo é responsável por uma significativa parcela das mortes relacionadas à DPOC, reforçando a importância de medidas preventivas e políticas de controle do tabaco (Brasil, 2021; Queiroz et al., 2023).
3.2 Estratégias assistenciais de enfermagem que integrem conhecimentos interdisciplinares para o manejo da DPOC
As estratégias assistenciais de enfermagem no manejo clínico da DPOC devem ser fundamentadas em um conhecimento interdisciplinar que envolve áreas como microbiologia, biologia celular e bioquímica, essenciais para melhorar o cuidado e a qualidade de vida do paciente. A DPOC é uma condição respiratória crônica descrita pela interferência irreversível das vias aéreas, muitas vezes associada ao tabagismo e à exposição a agentes desagradáveis. O manejo eficaz exige uma abordagem holística que compreenda os mecanismos biológicos e químicos que interferem na fisiopatologia da doença, bem como a interação de agentes infecciosos que podem agravar o quadro clínico (Zonzin, 2017).
Em primeiro lugar, a microbiologia desempenha um papel crucial no diagnóstico e na escolha do tratamento para infecções respiratórias associadas ao DPOC. Pacientes com essa condição são mais suscetíveis a infecções bacterianas e virais devido à redução da defesa imunológica local. O enfermeiro, assistencial de forma integrada com a equipe multidisciplinar, deve monitorar sinais de infecção, realizar coleta de secreções respiratórias e enviar para cultura microbiológica. O uso de antibióticos deve ser cuidadosamente monitorado, levando em consideração a resistência bacteriana, que é um fator relevante em pacientes com DPOC (Vogelmeier et al., 2017).
No campo da biologia celular, a inflamação crônica é um dos principais processos patológicos da DPOC, sendo mediada por células inflamatórias como macrófagos, neutrófilos e linfócitos. Essas células liberam citocinas inflamatórias que agravam a obstrução das vias aéreas e danificam o tecido pulmonar. Os enfermeiros desempenham um papel importante no monitoramento dos padrões de infecções do paciente, verificando sinais de hipoxemia e insuficiências respiratórias. Além disso, intervenções como a administração de broncodilatadores e corticosteróides, que visam reduzir a inflamação, devem ser aplicadas com base na avaliação do quadro clínico do paciente, sempre considerando os efeitos a longo prazo do tratamento sobre as células pulmonares (Queiroz et al., 2023).
A bioquímica, por sua vez, apresenta entendimento das alterações metabólicas que ocorrem na DPOC, especialmente em relação ao equilíbrio ácido-base e ao transporte de oxigênio. Pacientes com DPOC frequentemente apresentam alterações nos níveis de gases sanguíneos, como aumento do dióxido de carbono e diminuição do oxigênio. O enfermeiro deve monitorar essas configurações e ajustar a administração de oxigênio conforme necessário, evitando hipoxemia ou hipercapnia. A avaliação dos níveis de PCR também pode ser relevante, já que níveis elevados indicam um processo inflamatório ativo, que pode piorar a condição respiratória do paciente (Queiroz, 2016).
Além disso, o cuidado nutricional é essencial no manejo do DPOC, uma vez que a doença pode afetar o metabolismo e levar a uma perda muscular significativa. O enfermeiro, juntamente com a equipe nutricional, deve monitorar o estado nutricional do paciente, promovendo estratégias para melhorar a ingestão de nutrientes e prevenir a desnutrição, que pode piorar a função pulmonar e o desempenho físico (Dryer, 2015).
Vale ressaltar que o cuidado de enfermagem deve ser estruturado em um plano assistencial embasado na Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), que permite identificar necessidades individuais e traçar intervenções personalizadas. Desde a consulta de enfermagem, o profissional realiza a anamnese e exame físico detalhados, investigando sintomas como dispneia, fadiga e comprometimentos musculares associados à doença. A investigação de fatores de risco, como o tabagismo, é essencial, utilizando escalas como a de Fagerstrom e cálculos de carga tabágica para melhor compreensão do histórico clínico do paciente (Cavalli et al., 2015).
A atuação da enfermagem no manejo da DPOC se dá em diferentes níveis de atenção. No atendimento primário, o foco está na educação em saúde, prevenção de complicações e orientação sobre o tratamento medicamentoso e não medicamentoso. A educação sobre o uso correto de broncodilatadores e a importância da adesão terapêutica são fundamentais para evitar exacerbações e hospitalizações frequentes (Ferreira; Freitas; Campos, 2019). Já no nível hospitalar, o enfermeiro participa do suporte ventilatório, monitoramento de parâmetros clínicos e intervenções terapêuticas em conjunto com a equipe multidisciplinar (Barbirato, 2019).
Outro aspecto essencial na assistência de enfermagem ao paciente com DPOC é a abordagem da reabilitação respiratória. O conhecimento sobre a mecânica respiratória é imprescindível, visto que a obstrução das vias aéreas e a hiperinsuflação pulmonar impõem desafios à ventilação eficaz (Cruz, 2020).
Estratégias como treinamento muscular respiratório, uso de técnicas de respiração diafragmática e freno labial, além da mobilização precoce, contribuem para a melhora da função pulmonar e qualidade de vida do paciente (Bueno et al., 2017).
A assistência de enfermagem também deve abordar os efeitos sistêmicos da DPOC, como a disfunção muscular esquelética e a perda progressiva de massa muscular, que impactam diretamente a mobilidade e autonomia dos pacientes. Dessa forma, a colaboração com fisioterapeutas e nutricionistas torna-se indispensável para a manutenção da capacidade funcional e nutrição adequada dos indivíduos acometidos pela doença (Bueno et al., 2017).
Sendo assim, a enfermagem tem um papel crucial no suporte emocional e no fortalecimento do vínculo entre paciente e equipe de saúde. A orientação aos familiares e cuidadores é essencial para garantir um ambiente domiciliar seguro e adaptado às necessidades do paciente, promovendo adesão ao tratamento e reduzindo hospitalizações desnecessárias (Queiroz et al., 2023). Dessa forma, uma assistência sistematizada, humanizada e interdisciplinar é essencial para o manejo da DPOC, garantindo melhores desfechos clínicos e qualidade de vida aos pacientes (Vogelmeier et al., 2017).
4. Conclusão
O presente estudo evidenciou que as alterações bioquímicas em pacientes portadores de DPOC desempenham um papel crucial na progressão da doença e na resposta ao tratamento. A análise dos marcadores bioquímicos permitiu compreender sua relação com os processos inflamatórios sistêmicos, estresse oxidativo e desequilíbrios metabólicos que impactam diretamente a qualidade de vida dos pacientes. Nesse contexto, a enfermagem assume um papel fundamental ao estruturar um planejamento assistencial baseado na monitorização desses parâmetros, na educação em saúde e na implementação de estratégias que minimizem complicações e promovam o bem-estar dos indivíduos. A revisão narrativa utilizada possibilitou uma abordagem ampla e integradora, permitindo identificar lacunas na literatura e propor novas perspectivas para a assistência de enfermagem. Conclui-se que a integração de conhecimentos de bioquímica, microbiologia e fisiopatologia da DPOC é essencial para um manejo clínico eficaz, reforçando a necessidade de capacitação contínua dos profissionais e de políticas que favoreçam uma assistência humanizada e baseada em evidências.
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