SURGICAL APPROACH TO ZYGOMA TIC FRACTURE BY THREE POINTS: LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202507311056
João Victor Monteiro Moura¹
Júlio César Monteiro Moura¹
Luana Rodrigues de Alencar¹
Kyelcyara Mychaella Batista Cavalcanti²
Gabriel da Silva Freitas²
Jonas Richardson Almeida Ramos²
Igor Figueiredo Pereira¹
RESUMO
Introdução: O osso zigomático é uma estrutura fundamental na estética e função do terço médio da face, sendo frequentemente acometido por fraturas em razão de sua localização proeminente. Tais fraturas podem afetar a simetria facial, a órbita e a mastigação. Dentre as técnicas disponíveis, a fixação em três pontos tem se destacado como uma das abordagens mais eficazes. Objetivos: Analisar a eficácia da técnica de fixação em três pontos na abordagem cirúrgica de fraturas do complexo zigomático-maxilar (CZM), com foco na estabilidade óssea, recuperação funcional e resultados estéticos. Metodologia: Realizou-se uma revisão de literatura utilizando as bases PubMed, BVS, SciELO e Google Acadêmico. Os critérios de inclusão foram artigos científicos em português e inglês publicados nos últimos 10 anos, relacionados à cirurgia bucomaxilofacial e fraturas zigomáticas. Resultados: O complexo zigomático articula-se com ossos importantes e contribui para a largura facial e o contorno orbital. A técnica dos três pontos envolve fixação no rebordo infraorbitário, sutura frontozigomática e região zigomaticomaxilar, com acessos intraoral, subciliar/transconjuntival e lateral da sobrancelha. Essa abordagem garante melhor alinhamento e estabilidade em fraturas deslocadas, sendo biomecanicamente superior a métodos com dois pontos. Apesar do tempo cirúrgico maior, oferece recuperação funcional mais previsível. Considerações finais: A fixação em três pontos é considerada padrão ouro no tratamento de fraturas zigomáticas complexas. Sua escolha deve considerar o tipo de fratura, os riscos cirúrgicos e os objetivos estéticos. Planejamento individualizado e uso de tecnologias auxiliam na redução de complicações e promovem melhores resultados.
Palavras-Chave: Zigoma. Face. Fratura. Cirurgia bucomaxilofacial. Zigomático.
ABSTRACT
Introduction: The zygomatic bone is a fundamental structure in the aesthetics and function of the middle third of the face, and is frequently affected by fractures due to its prominent location. Such fractures can affect facial symmetry, the orbit and chewing. Among the available techniques, three-point fixation has stood out as one of the most effective approaches. Objectives: To analyze the efficacy of the three-point fixation technique in the surgical approach to fractures of the zygomatic-maxillary complex (ZMC), focusing on bone stability, functional recovery and aesthetic results. Methodology: A literature review was carried out using the PubMed, BVS, SciELO and Google Scholar databases. The inclusion criteria were scientific articles in Portuguese and English published in the last 10 years, related to oral and maxillofacial surgery and zygomatic fractures. Results: The zygomatic complex articulates with important bones and contributes to facial width and orbital contour. The three-point technique involves fixation at the infraorbital rim, frontozygomatic suture, and zygomaticomaxillary region, with intraoral, subciliary/transconjunctival, and lateral eyebrow accesses. This approach ensures better alignment and stability in displaced fractures, and is biomechanically superior to two-point methods. Despite the longer surgical time, it offers more predictable functional recovery. Final considerations: Three-point fixation is considered the gold standard in the treatment of complex zygomatic fractures. Its choice should consider the type of fracture, surgical risks, and aesthetic objectives. Individualized planning and use of technologies help reduce complications and promote better results.
Keywords: Zygoma; Face; Fracture; Oral and maxillofacial surgery; Zygomatic;
1. INTRODUÇÃO
A região zigomática é uma das estruturas ósseas mais proeminentes da face humana, sendo altamente suscetível a traumas diretos. Sua localização anatômica e função estrutural, a tornam essencial para a integridade estética e funcional do terço médio da face. O osso zigomático participa da formação da parede lateral e do assoalho da órbita, além de contribuir com a arquitetura da maxila e do arco zigomático. Por isso, as fraturas desse complexo facial exigem abordagem cuidadosa e planejamento cirúrgico preciso (BOFFANO et al., 2015).
Estudos indicam que as fraturas do complexo zigomático maxilar (ZMC) representam cerca de 25% de todas as fraturas faciais, sendo a segunda mais comum após as fraturas nasais. As causas mais frequentes dessas fraturas incluem acidentes automobilísticos, agressões físicas e quedas, sendo predominantes em pacientes do sexo masculino em idade economicamente ativa (ELLIS, 2013).
O diagnóstico das fraturas do complexo zigomático deve ser clínico e radiográfico. Clinicamente, os pacientes podem apresentar assimetrias faciais, depressão da região malar, trismo, hipoestesia infraorbital e, em alguns casos, diplopia. A tomografia computadorizada é o exame de escolha, permitindo visualização detalhada das linhas de fratura, deslocamentos ósseos e possíveis complicações orbitais (BAYLAN et al., 2016).
A anatomia do complexo zigomático é composta por quatro principais articulações: a sutura frontozigomática, a sutura zigomático-maxilar, a sutura zigomático-temporal e a sutura zigomático-esfenoidal. A estabilidade do osso zigomático depende da integridade dessas articulações, e o deslocamento de uma ou mais delas pode comprometer a posição tridimensional do osso. Sendo assim, a reconstrução eficaz exige a reposição exata do osso e fixação segura nos pontos estratégicos (ELLIS; KITTIDUMKERNG, 1996).
A técnica de abordagem por três pontos tem sido amplamente utilizada para restaurar a posição anatômica do osso zigomático com bons resultados estéticos e funcionais. Essa técnica consiste na fixação do osso em três áreas principais: rebordo infraorbitário, sutura frontozigomática e parede lateral da maxila. Essas áreas representam pontos-chave na sustentação e no reposicionamento tridimensional do complexo zigomático, a escolha desses três pontos proporciona estabilidade suficiente para a maioria dos casos (SINGH et al., 2019).
Esta abordagem por três pontos é indicada em fraturas deslocadas do ZMC, onde há perda de contato entre os segmentos ósseos. Nessas situações, a simples redução manual não é suficiente, sendo necessário o uso de miniplacas e parafusos para manter a posição do osso. A exposição adequada das áreas de fixação é um passo crítico no procedimento, exigindo incisões bem planejadas e dissecação cuidadosa para evitar lesões aos nervos e vasos adjacentes (OGINO et al., 2003).
O número de pontos de fixação ainda é tema de debate na literatura científica. Enquanto alguns autores defendem que dois pontos são suficientes para fraturas simples, outros afirmam que a fixação em três pontos oferece maior estabilidade, principalmente em fraturas cominutivas ou com deslocamento severo. Estudos biomecânicos demonstram que a fixação em três pontos proporciona uma resistência significativamente maior à rotação e ao deslocamento do osso zigomático (BAYLAN et al., 2016).
O aspecto estético é uma das principais preocupações dos pacientes com fraturas do zigoma, dada a importância da região malar na harmonia facial. A abordagem cirúrgica deve considerar não apenas a correção funcional, mas também a restauração da convexidade e projeção da face. A simetria facial e estética são os parâmetros mais utilizados para avaliar o sucesso do tratamento, e a técnica por três pontos tem mostrado bons resultados nesse quesito (SINGH et al., 2019). Portanto o presente estudo tem como objetivo, analisar, por meio de revisão de literatura, a eficácia da abordagem cirúrgica de fratura de zigomático utilizando a técnica de fixação por três pontos, com foco na restauração anatômica, funcional e na prevenção de complicações.
2. OBJETIVOS
2.1 Objetivo Geral
Analisar, por meio de revisão de literatura, a eficácia da abordagem cirúrgica de fratura de zigomático utilizando a técnica de fixação por três pontos, com foco na restauração anatômica, funcional e na prevenção de complicações.
2.2 Objetivo Específicos
Identificar os principais métodos cirúrgicos descritos na literatura para o tratamento de fraturas do osso zigomático, descrever a técnica de fixação por três pontos, incluindo indicações, avaliar os resultados clínicos relatados na literatura quanto à estabilidade, estética e função obtidas com a técnica de três pontos, investigar possíveis complicações associadas ao procedimento e estratégias para sua prevenção ou manejo.
3. METODOLOGIA
O estudo seguiu as etapas delineadas no fluxograma apresentado na Figura 01.
FIGURA 01 – Fluxograma da metodologia da pesquisa.
(FONTE: AUTOR, 2025)
- Definição do tipo de estudo
Este trabalho trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de caráter observacional e descritivo, com o propósito de examinar, reunir e analisar os achados existentes acerca da abordagem cirúrgica de fratura de zigomático por três pontos.
- O método de busca
As pesquisas foram conduzidas utilizando os seguintes descritores: “Zigoma”, “Zigomatic fracture”, “Face”, “Fratura”, “Cirurgia bucomaxilofacial” e “Zigomático”, conforme os sistemas MeSH ( Medical Subject Headings) e DeCS (Descritores em Ciência da Saúde). As buscas foram realizadas nas plataformas eletrônicas: PubMed, Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Google acadêmico.
Foram selecionados artigos publicados em língua portuguesa e inglesa, considerando sua relevância científica no cenário nacional e internacional.
- Critérios de Elegibilidade
Foram incluídos na análise os estudos que atenderam aos critérios de elegibilidade definidos previamente. Os critérios de inclusão englobaram publicações em português e inglês, dos últimos 10 anos, com os seguintes tipos de abordagem metodológica: revisões sistemáticas, ensaios clínicos randomizados, estudos controlados, meta-análises, revisões narrativas e artigos originais. Foram excluídos da amostra os trabalhos que não se enquadraram nos critérios definidos, bem como estudos com modelos animais, publicações não indexadas nas bases de dados utilizadas ou que não haviam sido oficialmente publicadas.
FIGURA 02 – Fluxograma dos critérios de Elegibilidade
(FONTE: AUTOR, 2025)
- Etapa de compilação e análise de dados
A presente revisão integrativa foi conduzida mediante uma sequência metodológica composta por distintas etapas. Inicialmente, procedeu-se à seleção criteriosa dos descritores, com o intuito de assegurar a precisão e a abrangência da busca bibliográfica. Na sequência, efetuou-se uma investigação minuciosa e quantitativa nas bases de dados científicas, visando à identificação de publicações pertinentes à temática em estudo. Em um terceiro momento, os artigos recuperados foram submetidos à aplicação dos critérios de elegibilidade previamente definidos, sendo incluídos apenas aqueles que atendiam integralmente às exigências estabelecidas.
Os estudos selecionados foram, então, organizados em uma planilha na qual foram sistematizadas informações relevantes, tais como autoria, ano de publicação, objetivos, delineamento metodológico, tipo de pesquisa, principais conclusões e país de origem. Posteriormente, realizou-se a análise minuciosa dos dados extraídos, com vistas à identificação dos achados mais significativos. Por fim, os resultados obtidos foram interpretados com fundamento na questão norteadora delineada no início desta investigação, com o propósito de oferecer uma resposta fundamentada e consistente. A triagem e interpretação dos estudos foram realizadas por um único pesquisador, que analisou detalhadamente cada artigo, garantindo a eliminação de duplicidades nas bases consultadas
4. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
4.1 Anatomia do Complexo Zigomático
O zigoma desempenha um papel essencial na forma, função e estética do terço médio da face e órbita. Um zigoma corretamente posicionado é parte integrante da largura facial normal e da projeção da bochecha. Ele forma uma grande porção das faces inferior e lateral da órbita e determina parcialmente o volume orbital. Funcionalmente, é o ponto de acessório dos músculos masseter, temporal, zigomático maior e zigomático menor (STRONG; GARY, 2017).
As fraturas do Complexo Zigomático-Maxilar (CZM) são consideradas uma das fraturas mais comuns da região facial, devido à projeção dos ossos que compõem essa região. Elas representam cerca de 25% de todas as fraturas faciais e são normalmente resultado de acidentes industriais, lesões esportivas e brigas interpessoais. O complexo zigomático facial é composto por quatro pilares associados aos ossos esfenoide, temporal, frontal e maxila (RODRIGUES et al., 2022).
O zigomático, um grande pilar do esqueleto facial, é a principal estrutura do terço médio da face lateral. Osso forte e espesso, o zigoma aproxima-se, em forma, a um quadrilátero, com uma superfície exterior convexa e uma superfície interior côncava. A convexidade da superfície exterior do corpo zigomático constitui o ponto de maior proeminência da bochecha. Portanto, o zigoma desempenha um papel importante no contorno facial (FONSECA, 2025).
O osso zigomático aproxima-se, em forma, a uma pirâmide de quatro lados, tem os processos temporal, orbital, maxilar e frontal e articula-se com quatro ossos: frontal, esfenoide, maxilar e temporal. O corpo do zigomático articula-se extensivamente com a maxila ao longo de sua porção anterior e do assoalho orbital. A sutura entre esses dois ossos situa-se lateralmente ao forame infraorbital e corre lateralmente a partir da borda infraorbital para a parte inferior da crista zigomatoalveolar (FONSECA, 2015)
Ele forma o aspecto superolateral e a parte superoanterior do seio maxilar. O zigoma também tem uma fraca articulação estreita com a crista zigomática da asa maior do osso esfenoide no aspecto lateral da fissura orbital inferior. Ele forma grande parte do aspecto lateral e assoalho da órbita. O processo frontal é espesso e triangular em secção transversal, com superfícies faciais, orbital e temporal. Por causa da sua espessura, é um local frequente de fixação óssea por fio ou placa. O processo temporal é plano e projeta-se posteriormente para se articular como processo zigomático do osso temporal, e a combinação dos dois compõem o arco zigomático. A articulação zigomatotemporal é uma sutura fina e delicada, que frequentemente fratura com o mínimo de força (FONSECA, 2015).
FIGURA 03 – Posição Anatômica do Zigomático (FONTE: FONSECA, 2015)
A- Lateral do crânio mostrando sua articulação com o temporal, o frontal e os ossos maxilares.
B-Frontal do crânio demonstrando a sua articulação com o maxilar, os ossos frontais, maxilares e esfenoidais. As marcas de hachura evidenciam a extensão do seio maxilar. Nota-se que o zigoma forma o aspecto superolateral do seio.
FIGURA 04 – Padrão de fratura comum em lesão do CZM
( FONTE: FONSECA, 2015)
A-Vista frontal do crânio mostrando fratura medial a sutura zigomatomaxilar e ao longo da sutura zigomatoesfenoidal dentro da órbita. B- Vista frontal oblíqua do crânio mostrando fraturas através da sutura zigomatofrontal e posterior à sutura zigomática. C- Vista temporal do crânio mostrando fraturas que se estendem da fissura orbital inferior superiormente através da sutura zigomatoesfenoidal e inferiormente através do pilar zigomático da maxila. D- Crânio inferior mostrando uma tripla fratura através do arco zigomático. Nota-se que o assoalho orbital, a parede orbital medial e a crista zigomatoalveolar são frequentemente fragmentados além dos padrões de fratura descritos.
4.2 Classificação das Fraturas Zigomáticas
Figura 05 – Classificação de Knight & Nort (1961)
(FONTE: PAULESINI JUNIOR et al., 2008)
Grupo I: Sem deslocamento significativo,
Grupo II: Fraturas do arco zigomático,
Grupo III: Fraturas sem rotação do corpo,
Grupo IV: Fraturas do corpo com rotação medial,
a – Fora da protuberância zigomática,
b – Na sutura zigomáticofrontal,
Grupo V: Fraturas do corpo com rotação lateral,
a – Acima da margem infraorbitária,
b – Fora da sutura zigomáticofrontal,
4.3 Abordagens Cirúrgicas em Fraturas Zigomáticas
O manejo das fraturas zigomáticas continua sendo um desafio e as controvérsias persistem. O tratamento de fraturas do complexo órbito-zigomático-maxilar (COZM) varia de acordo com a gravidade do deslocamento, mas frequentemente emprega-se a redução aberta com fixação interna rígida (ALMEIDA et al., 2021)
A correção tradicional baseia-se na ampla exposição de todas as articulações, redução precisa e fixação interna rígida com placas e parafusos. A decisão sobre a abordagem cirúrgica deve equilibrar a morbidade com a visualização ideal e a redução estável ( RODRIGUES et al., 2022).
As abordagens para fraturas de zigoma podem variar dependendo da extensão da lesão. As fraturas orbitozigomáticas podem ser reparadas precocemente (até 3 a 4 semanas) após a lesão usando técnicas primárias de redução e fixação (REIS et al., 2020).
O acesso intraoral é o mais utilizado para a área do pilar zigomático. Outros acessos incluem o sulco pré-tarsal ou porção lateral da sobrancelha, devido à melhor visualização da sutura frontozigomática, e a incisão transcutânea subciliar ou transconjuntival (ALMEIDA et al., 2021).
Uma desvantagem da abordagem intraoral é o risco maior de infecção devido à alta quantidade de bactérias na cavidade oral (RODRIGUES et al., 2022).
Essa abordagem intraoral encontra seu limite em casos onde é necessária a reconstrução do assoalho da órbita ( REIS et al., 2020).
A combinação de múltiplos acessos possibilita a visualização direta dos pilares de sustentação do complexo zigomático, auxiliando no reposicionamento e fixação adequados, o reparo cirúrgico do zigomático não é necessariamente urgente quando não há aprisionamento do músculo do assoalho orbital, comprometimento do nervo óptico ou hemorragia craniofacial (ALMEIDA et al., 2021).
Um curto período de espera para o reparo cirúrgico pode permitir uma avaliação mais precisa e um melhor plano cirúrgico. A consolidação da fratura começa de 2 a 3 semanas após a lesão inicial. A reparação deve ocorrer nas primeiras 1 a 2 semanas para adultos e na primeira semana para casos pediátricos. Em reparos além de 3 semanas, osteotomias podem ser necessárias e podem ser usadas com sucesso até 5 meses após a lesão (REIS et al., 2020).
As fraturas do assoalho orbitário são consideradas urgentes em casos de diplopia com restrição do olhar, aprisionamento dos músculos extraoculares, enoftalmia >2mm, fratura que envolveu mais da metade do assoalho orbitário e a parede medial, e fraturas “alçapão” do assoalho da órbita em crianças ( RODRIGUES et al., 2022)
4.4 Técnica dos Três Pontos
A técnica de fixação em três pontos é uma das mais empregadas para estabilizar fraturas do complexo zigomático maxilar. Ela consiste na redução da fratura com posterior fixação em três locais anatômicos: rebordo infraorbitário, sutura frontozigomática e região zigomaticomaxilar. Esses pontos são escolhidos por oferecerem maior controle tridimensional da posição do osso, garantindo boa estabilidade e alinhamento (SINGH et al., 2019).
Os acessos cirúrgicos utilizados para a técnica dos três pontos incluem a via transconjuntival ou subciliar para o rebordo infraorbitário, a incisão lateral da sobrancelha para a sutura frontozigomática e a via intraoral para a fixação na maxila. A combinação dessas abordagens permite a visualização precisa dos pontos de fixação com mínima invasão. A técnica é amplamente indicada em fraturas deslocadas e instáveis do tipo B ou C (BOFFANO et al., 2015).
A justificativa biomecânica para a fixação em três pontos está na necessidade de restaurar a projeção zigomática e prevenir movimentos rotacionais. Estudos demonstram que a fixação em apenas um ou dois pontos pode ser insuficiente em fraturas mais complexas. A estabilidade conferida por três pontos reduz o risco de malposição, garante simetria facial e melhora os resultados estéticos e funcionais pós-operatórios (BAYLAN et al., 2016).
Entre as principais indicações para a técnica dos três pontos estão fraturas com deslocamento significativo, instabilidade óssea e envolvimento orbital. Contraindicações incluem fraturas não deslocadas ou pacientes com contraindicação para cirurgia extensa. Em casos de fratura unilateral com pequeno deslocamento, a fixação em dois pontos pode ser suficiente. A avaliação criteriosa de cada caso é essencial para definir a melhor abordagem (RAHIMI-NEDJAT et al., 2014).
Figura 06 – Técnica cirúrgica por 03 pontos
4.5 Comparações com Outras Técnicas
Estudos comparativos mostram que a fixação em três pontos apresenta vantagens em termos de estabilidade, especialmente em fraturas mais graves. Pesquisas, segundo o autor Baylan e seus colaboradores, indicam que essa técnica proporciona melhor controle rotacional e menor índice de malposições. Em contrapartida, a fixação em dois pontos pode ser suficiente em casos selecionados, com menor tempo cirúrgico e morbidade reduzida ( BAYLAN et al., 2016).
Em relação ao tempo operatório, a fixação em três pontos geralmente demanda procedimentos mais longos, devido ao maior número de acessos. No entanto, esse tempo adicional pode ser compensado por uma recuperação mais previsível e menor necessidade de reoperações. A comparação com técnicas minimamente invasivas deve considerar não apenas o tempo cirúrgico, mas também os resultados funcionais e estéticos (SINGH et al., 2019).
As complicações pós-operatórias variam conforme a técnica utilizada. A fixação em três pontos pode levar a maior incidência de parestesia infraorbital e edema, devido à maior manipulação dos tecidos. Por outro lado, apresenta menor risco de recidiva da fratura e melhores índices de simetria facial. Técnicas com menos pontos de fixação, apesar de menos invasivas, podem resultar em assimetrias ou instabilidade óssea (OGINO et al., 2003).
Em termos estéticos, a técnica de três pontos demonstra alta taxa de satisfação dos pacientes. A restauração da convexidade malar e da simetria facial são objetivos alcançados com mais frequência quando há controle adequado dos três eixos do osso zigomático. A função, avaliada por critérios como abertura bucal, sensibilidade e ausência de diplopia, também é mais preservada com técnicas de fixação estável (BOFFANO et al., 2015).
Portanto, a decisão entre técnicas cirúrgicas deve considerar a complexidade da fratura, os objetivos estéticos e funcionais, além da experiência do cirurgião. A técnica dos três pontos permanece como padrão ouro para fraturas zigomáticas deslocadas, enquanto abordagens menos invasivas são alternativas viáveis em casos simples. A personalização do tratamento é o caminho ideal para alcançar os melhores resultados clínicos e estéticos (FERREIRA et al., 2020).
FIGURA 07 – Comparativo entre técnicas
(FONTE: AUTOR, 2025)
5. DISCUSSÃO
As fraturas do complexo zigomático-maxilar são comuns na cirurgia bucomaxilofacial, principalmente pela localização proeminente do osso zigomático, que o torna vulnerável a traumas diretos. Além da integridade óssea, essas fraturas comprometem aspectos estéticos e funcionais importantes da face, como a simetria, a mastigação e a função orbital (BOFFANO et al., 2015; ELLIS,2013).
A técnica de fixação em três pontos tem se destacado como abordagem eficaz no tratamento dessas fraturas. Ela permite a estabilização tridimensional do zigoma, prevenindo rotações e deslocamentos. A técnica utiliza fixação em três locais anatômicos estratégicos: rebordo infraorbitário, sutura frontozigomática e região zigomaticomaxilar (BAYLAN et al., 2016).
Estudos biomecânicos demonstram que a fixação em três pontos proporciona maior resistência em comparação com técnicas de um ou dois pontos, tornando-a preferível em casos de fraturas complexas ou cominutivas. No entanto, em fraturas simples, a fixação em dois pontos pode ser suficiente, desde que assegure estabilidade adequada (SINGH et al., 2019).
O avanço tecnológico na cirurgia bucomaxilofacial tem contribuído para melhorar os resultados da fixação zigomática. O uso de materiais biocompatíveis, sistemas de miniplacas e técnicas de planejamento cirúrgico assistido por imagem, como impressão 3D, tem permitido maior precisão e individualização das intervenções (OGINO et al.,2003).
De acordo com Fonseca (2015), o sucesso do tratamento depende da reconstrução anatômica das principais articulações do zigoma, que são essenciais para a projeção malar e o contorno da face. A técnica de três pontos é indicada especialmente quando há comprometimento das articulações zigomático-frontal, zigomático-esfenoidal, zigomático-temporal e zigomático-maxilar (FONSECA, 2015).
O autor ainda destaca a importância da seleção cuidadosa das vias de acesso cirúrgico, que devem permitir ampla exposição com mínima morbidade. A combinação de acessos coronal, subciliar ou transconjuntival e intraoral oferece visualização adequada para a fixação dos três pontos, garantindo a precisão da redução óssea (FONSECA, 2015).
Fonseca também ressalta que o reposicionamento tridimensional do osso zigomático deve considerar a simetria facial, evitando complicações como enoftalmo, trismo e diplopia. A adequada manipulação e estabilização do zigoma são fundamentais para restaurar a funcionalidade e a estética da região (FONSECA, 2015).
Embora a técnica de três pontos seja considerada padrão-ouro, ela deve ser empregada com base em avaliação clínica detalhada. A experiência do cirurgião e os recursos disponíveis também influenciam na decisão entre abordagens mais conservadoras ou mais invasivas (FONSECA, 2015).
Em suma, a fixação em três pontos oferece maior previsibilidade e melhores resultados em fraturas complexas do zigoma. Entretanto, a conduta cirúrgica deve ser individualizada, respeitando os princípios anatômicos, funcionais e estéticos, e respaldada por evidências científicas e pela prática clínica especializada.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A abordagem cirúrgica de fratura de zigomático por três pontos representa uma técnica consolidada e amplamente utilizada na reconstrução do complexo zigomático-maxilar, especialmente em fraturas deslocadas e instáveis. A fixação em três regiões estratégicas — rebordo infraorbitário, sutura frontozigomática e região zigomaticomaxilar — permite o reposicionamento adequado do osso em seus três eixos espaciais, garantindo estabilidade, simetria facial e bons resultados funcionais e estéticos.
Entretanto, a revisão da literatura revela que a indicação da técnica deve ser cuidadosamente ponderada, considerando-se o grau de cominuição da fratura, o deslocamento ósseo e as condições clínicas do paciente. Técnicas com dois pontos de fixação, quando bem indicadas, podem oferecer resultados satisfatórios em casos mais simples, com menor tempo operatório e morbidade reduzida. Assim, a individualização do tratamento é fundamental para alcançar os melhores desfechos.
As vias de acesso também devem ser planejadas de forma criteriosa, balanceando a necessidade de exposição cirúrgica com os riscos de complicações e as expectativas estéticas do paciente. O avanço das técnicas minimamente invasivas e a evolução dos materiais de fixação contribuem para a constante melhoria dos resultados na cirurgia bucomaxilofacial.
Portanto, conclui-se que a técnica dos três pontos permanece como padrão-ouro no tratamento das fraturas zigomáticas complexas, mas deve ser utilizada de forma criteriosa, sempre embasada em avaliação clínica minuciosa, planejamento cirúrgico adequado e evidências científicas atualizadas. O conhecimento aprofundado da anatomia, das classificações e das alternativas técnicas é essencial para que o cirurgião possa oferecer ao paciente um tratamento seguro, eficiente e individualizado
REFERÊNCIAS
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1Centro Universitário Maurício de Nassau, João Pessoa-PB.
2Centro Universitário Unipê, João Pessoa-PB
