THE BUTIA PALM GROVES NETWORK, FROM THE PERSPECTIVE OF ITS KEY MEMBERS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511102016
Márcia Kaster Portelinha1
Rafael de Oliveira Arriera2
Caroline Vasconcellos Lopes3
Rosa Lia Barbieri4
RESUMO
Introdução: A Rota dos Butiazais é uma rede que desde 2015, conecta diversos atores no intuito da conservação e uso sustentável da biodiversidade associada aos ecossistemas. Objetivo: Este trabalho buscou descrever o que é a Rota dos Butiazais, a partir do olhar dos seus Integrantes chave. Método: Estudo qualitativo com abordagem descritiva, fundamentado no referencial teórico metodológico da Teoria das Representações Sociais de Serge Moscovici. A coleta de dados foi desenvolvida de março a abril 2020. Os participantes foram 20 integrantes chave da Rota dos Butiazais. Resultados: O entendimento de que o ser humano faz parte do todo e o todo faz parte do ser humano exige o repensar de posições e ações. “A Rota representa essa verdade, que isso realmente vai continuar, […], ela dá essa confiança de entender que as pessoas querem olhar para essa preservação, para essa árvore de uma forma diferente, que tem essa consciência cultural, que vem mudando agora, e essa certificação de que a coisa vai continuar, que está certo, que tem sempre alguém olhando, isso é o que representa para mim” (MAB). Conclusão: Preservar a planta é imprescindível, mas entender a riqueza que o butiá têm, estimula o cuidado com mais proximidade e reconhecimento, entendendo que quando se admira, e se respeita, e se preserva.
Palavras-chave: Rota dos Butiazais, Butiá, Teoria das representações sociais, Conhecimento Popular.
ABSTRACT
Introduction: The Butia Palm Groves Network that, since 2015, has connected various actors with the aim of conserving and sustainably using biodiversity associated with ecosystems. Objetive: This work sought to describe what the Butia Palm Groves Network is, from the perspective of its key members. Methods: This is a qualitative study with a descriptive approach, based on the theoretical and methodological framework of Serge Moscovici’s Theory of Social Representations. Data collection was carried out from March to April 2020. The participants were 20 key members of the Butiazais Route. Results: The understanding that human beings are part of the whole and the whole is part of human beings requires rethinking positions and actions. “The Route represents this truth, that this will really continue, […], it gives this confidence of understanding that people want to look at this preservation, at this tree in a different way, that there is this cultural awareness, which is changing now, and this assurance that things will continue, that it is right, that there is always someone watching, that is what it represents for me” (MAB). Conclusion: Preserving the plant is essential, but understanding the richness that the butiá palm possesses encourages closer care and appreciation, understanding that when you admire, respect, and preserve it.
Keywords: Butia Palm Groves Network, Butiá, Theory of social representations, Popular Knowledge.
1. INTRODUÇÃO
Os butiazeiros são palmeiras nativas no Brasil, Uruguai e Argentina. Na natureza, essas palmeiras se organizam em agrupamentos, formando ecossistemas denominados de butiazais, que abrigam uma valiosa diversidade de espécies de flora e fauna nativas, além de desempenharem papel importante na manutenção de serviços ecossistêmicos essenciais à saúde e ao bem-estar humano (BARBIERI et al., 2025).
Os butiazeiros produzem cachos de frutos comestíveis, popularmente conhecidos como butiás, que têm elevado valor nutricional e funcional. Esses frutos são ricos em fibras, compostos fenólicos e carotenoides, que lhes conferem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, de reconhecida relevância para a promoção da saúde e a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis (LIMA et al., 2025a; WAGNER et al, 2025a)
A relação entre o Butia e as populações humanas existe desde a pré-história (LÓPEZ, DABEZIES & CARDEPONT, 2014). Trabalhos etnobotânicos recentes mostraram que o butiá e os butiazais têm profundas ligações com a cultura e a história das pessoas que habitam o Sul do Brasil (BÜTTOW et al. 2009; WAGNER et al., 2025b; LIMA et al., 2025b).
No início do século 20, além do uso alimentar, os butiazais foram explorados para a produção de fibras naturais, conhecidas como “crina vegetal”, utilizadas para produzir colchões e móveis estofados. Entretanto, a expansão da indústria petroquímica reduziu significativamente essa atividade (RIVAS & BARBIERI, 2014). Com isso, os butiazais deixaram de ter importância econômica e foram pouco a pouco sendo destruídos para dar lugar a outros usos da terra.
Apesar de seu valor nutricional, sociocultural e econômico, os ecossistemas de butiazais estão sob ameaça de extinção, causada pela implantação de monoculturas e expansão de áreas urbanas (ESLABÃO et al., 2022). Um grande desafio é como promover a conservação dos butiazais e da biodiversidade associada, conciliando seu uso produtivo com a preservação dos recursos naturais e a promoção da saúde. Uma estratégia para a conservação dos butiazais é o incentivo aos seus múltiplos usos: produção de alimentos e bebidas, artesanato, paisagismo, turismo sustentável e pecuária de baixo impacto (BARBIERI et al., 2025). A adoção de boas práticas de manejo e o fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis são fundamentais para garantir a permanência dos butiazais e promover segurança alimentar, geração de renda e bem-estar para as futuras gerações.
Nesse contexto, a Embrapa liderou a criação da Rota dos Butiazais, uma rede internacional que envolve o Brasil, o Uruguai e a Argentina, para fortalecer a conservação e o uso sustentável desses ecossistemas. Com início em novembro de 2015 e completando 10 anos de atividade em 2025, a rede consolidou-se como uma iniciativa inovadora e colaborativa, reunindo agricultores, pecuaristas, extrativistas, artesãos, chefs de cozinha, guias de turismo, paisagistas, consumidores, técnicos ambientais, professores, estudantes, pesquisadores, empresários, gestores públicos e organizações da sociedade civil (BARBIERI et al., 2025). A Rota dos Butiazais representa um modelo de inovação social e científica, promovendo o intercâmbio de saberes entre comunidades e instituições e fortalecendo a relação entre biodiversidade, cultura e saúde.
Olhando para o que foi descrito sobre o butiá, e entendendo que a Rota dos Butiazais é uma rede que conecta pessoas que se interligam em prol dessa palmeira e da biodiversidade associada, o teórico Moscovici (2015) explica que o conhecimento emerge do mundo onde as pessoas se encontram e interagem, do mundo onde as necessidades e desejos encontram expressão, satisfação ou frustração. Em síntese, o conhecimento surge das paixões humanas e, como tal, nunca é desinteressado, ao contrário, ele é sempre produto de um grupo específico de pessoas que se encontram em circunstâncias específicas, nas quais elas estão engajadas em projetos definidos.
A partir do que foi exposto, e entendendo que pessoas são motivadas e motivam, acreditando que uma rede se forma e alicerça a partir de um objeto comum, este estudo buscou descrever o que é a Rota dos Butiazais, a partir do olhar dos seus integrantes chave.
2. METODOLOGIA
Este artigo é parte da tese “Rota dos Butiazais: inter-relações com a sustentabilidade e a saúde na perspectiva dos integrantes chave” e integra o projeto “A Rota dos Butiazais no Bioma Pampa: conectando pessoas para a conservação e uso sustentável da biodiversidade”, que trabalha na perspectiva da pesquisa e desenvolvimento em ações integradas e sustentáveis para a garantia da segurança hídrica, energética e alimentar (BRASIL, 2017).
Estudo qualitativo com abordagem descritiva, fundamentado no referencial teórico metodológico da Teoria das Representações Sociais de Serge Moscovici (2015). A coleta de dados foi desenvolvida de março a abril de 2020. Os participantes foram 20 integrantes chave da Rota dos Butiazais, sendo 13 do gênero feminino e 07 do gênero masculino.
Foram utilizados como critérios de seleção dos participantes: integrar ativamente a Rota dos Butiazais, ter idade superior a 18 anos, permitir gravar a entrevista (quando presencial), aceitar receber e enviar via e-mail (quando não presencial) e concordar com a divulgação e publicação dos resultados nos meios acadêmicos, científico e sociais. Os critérios de exclusão: não aceitar responder a entrevista na sua totalidade e/ou estar impossibilitado de se comunicar.
O estudo foi organizado com 12 perguntas semiestruturadas, aplicadas de duas formas: algumas presencialmente e outras via WhatsApp/e-mail. Oito entrevistas presenciais foram aplicadas em um evento da Rota dos Butiazais, em março/2020, no município de Tapes/RS/Brasil e uma entrevista foi aplicada em Santa Vitória do Palmar/RS/Brasil. As entrevistas foram gravadas e transcritas pela pesquisadora.
A realização das entrevistas sofreu mudanças em relação ao planejamento inicial, em virtude das medidas de distanciamento social na pandemia de COVID-19, orientadas pela Organização Pan-Americana da Saúde (2020) e pela Organização Mundial de Saúde. No intuito de dar prosseguimento à coleta de dados, 11 entrevistados foram contatados via WhatsApp.
Inicialmente, foi realizado um convite para participar do estudo, após aceito, o questionário auto aplicado e o Consentimento Livre e Esclarecido foram enviados e respondidos via e-mail. Todas as entrevistas foram impressas, a organização foi realizada, colocando a abreviatura do nome do entrevistado na parte superior da página inicial. A descrição ficou como no exemplo: MKP, 01, e assim consecutivamente. As entrevistas foram numeradas pela ordem de leitura, de 01 a 20.
Foram realizadas leituras flutuantes das entrevistas pois, conforme Bardin (2016), ao estabelecer contato com os documentos com a intenção de analisar e conhecer o texto, o pesquisador deixa-se invadir por impressões e orientações. Foi realizada análise de conteúdo temática, a qual busca descobrir os núcleos de sentido que compõe a comunicação e cuja frequência, ou presença de aparição, pode ter um significado para o objeto analítico escolhido.
Sustentando a ideia de Bardin (2016), Moscovici explica que tudo que é dito ou escrito é suscetível de ser submetido a uma análise de conteúdo. Nesse pensamento, o teórico expõe que os grupos, hoje, não poderiam funcionar se não fossem criadas representações sociais baseadas no tronco das teorias e ideologias que elas transformam em realidades compartilhadas, relacionadas com as interações entre pessoas que passam a construir uma categoria de fenômenos à parte (MOSCOVICI, 2015).
A partir da análise de conteúdo de Bardin (2016) e com o referencial teórico da Teoria das Representações Sociais de Moscovici (2015) foi realizada a análise dos dados. Com a ideia de responder ao objetivo deste estudo, no decorrer das leituras, foram construídas quatro categorias temáticas: O que é a Rota dos Butiazais?
No decorrer da análise se observou que das 12 perguntas da tese, quatro responderam ao objetivo deste artigo. São elas: Qual foi seu primeiro contato com o butiá? O butiá mudou a sua vida de alguma forma? Existe alguma relação do butiá com a sua saúde? O butiá influencia na sua renda?
O estudo respeitou os preceitos éticos que estabelecem a Resolução número 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde, que dispõe sobre Pesquisas com seres humanos. Foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Santa Casa de Misericórdia Pelotas sob o parecer de número 3.926.894 e CAAE: 29494320.1.0000.5337.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
O entendimento de que o ser humano faz parte do todo e o todo faz parte do ser humano exige o repensar de posições e ações. Nessa perspectiva, as pesquisadoras Rivas e Barbieri (2014) explicam que o manejo e uso sustentável da biodiversidade é uma estratégia que pode garantir a conservação dos recursos naturais e, ao mesmo tempo, oportunizar a geração de renda em bases ambientalmente amigáveis.
É com esse pensamento que este estudo traz os relatos dos informantes chave da Rota dos Butiazais, a respeito desta rede que foi sendo almejada e construída por muitas mãos. A primeira articulação para a criação da Rota dos Butiazais foi realizada em maio de 2015, em Brasília, em uma reunião entre representantes da Embrapa Clima Temperado e do Ministério do Meio Ambiente (BARBIERI & SOSINSKI, 2016a). A Rota dos Butiazais trabalha com a realização de exposições de fotos, produtos, produção de vídeos, programas de televisão, artigos na mídia, entrevistas no rádio, ofertas de oficinas de culinária e artesanato com butiá, oficinas de educação ambiental, seminários, palestras e encontros, para divulgar e chamar a atenção da sociedade em geral sobre a importância dos butiazais (MARCHI et al., 2019).
Com este pensamento, este artigo foi estruturado trazendo falas dos integrantes, que foram colocadas conforme proximidade, posteriormente, foram sendo acrescidas opiniões de autores que escreveram a respeito, com informações relevantes a discussão, conjuntamente, foi sendo somado o referencial teórico, de Serge Moscovici (2003) que embasa a forma como a construção desse conhecimento foi sendo organizado, no qual o teórico expõe que a Teoria das Representações Sociais, foi pensada no sentido de compreender como a produção de conhecimentos plurais constitui e reforça a identidade dos grupos, como influi em suas práticas (MOSCOVICI, 2003).
“A Rota é uma culminância, é o cume digamos assim de uma jornada. […] A Rota é uma coisa muito mais profunda, ela tem uma liderança da Embrapa, […], mas ela se autocria, porque as pessoas se interessam, buscam a Rota e são absorvidas imediatamente, então, a Rota é um caminho, “caminho butiazeiro”, […], então qualquer olhar, qualquer interesse sobre o butiá, ele é capaz de ser absorvido pela Rota, e na Rota as pessoas encontram um lugar de conversa, um lugar de aprendizado, um lugar de passar o seu conhecimento. Então na verdade a gente tem na Rota, desde o pequeno agricultor, o pequeno artesão, o grande proprietário, o médio proprietário, o cientista renomado que se interessou e o aprendiz, todos esses, o gestor público, o pessoal do turismo. Então a Rota é um lugar onde todos podem se nutrir, e como ela tem uma organização meio polvo, não existe uma chefia, um departamento, todo mundo se expressa de uma forma bastante livre, […], os interesses são muito variados, mas tem um ponto em comum, e o que é em comum basta para que a gente consiga administrar e continuar se relacionando, e tem pessoas que a gente admira e não conhece, que faz uma coisa legal, eu acho que essa coisa dela ser transnacional também agrega muito” (CHB).
Nesta fala foi colocado que a Rota dos Butiazais é uma culminância, é profunda, se autocria, as pessoas se integram a ela, é o “caminho butiazeiro”, qualquer interesse sobre o butiá é absorvido, é um encontro para aprender, trocar conhecimento. A Rota dos Butiazais é formada por diversos atores, desde o agricultor familiar, até o grande empresário, do artesão ao pesquisador, do gestor público ao pessoal do turismo. É um local para se nutrir, meio polvo, sem chefia, com expressão livre, interesses variados, mas com um ponto em comum, o butiá.
Partindo do pressuposto de que se conserva o que se conhece, e com pensamento na preservação, ações vêm sendo realizadas para gerar informações e valorizar a biodiversidade relacionada aos ecossistemas de butiazais, incluindo a caracterização de serviços ambientais, identificação da flora e da fauna associada, estudos da biologia reprodutiva e resgate do conhecimento popular associado ao uso do butiá. Estas movimentações têm contribuído para a diminuição das ameaças aos butiazais, com a valorização desses ecossistemas como prestadores de serviços ambientais (BARBIERI et al., 2016b).
Nesse pensamento, e embasando-se na Teoria das Representações Sociais de Moscovici, entende-se que Moscovici orientou para questões de como as coisas mudam na sociedade, isto é, para aqueles processos sociais, pelos quais a novidade e a mudança, como a conservação e a preservação, se tornam parte da vida social, na transformação do senso comum (MOSCOVICI, 2015).
“Para mim a Rota dos Butiazais é a soma do esforço de várias pessoas, vários segmentos, nessa ideia de resgatar os butiazais que estavam esquecidos, […], é uma descoberta, as pessoas foram se descobrindo, porque Eu vejo muitas cidades querendo aderir, eles chegam e perguntam, como faço para participar da Rota, então é uma soma, e aí a Rota foi se criando dessa forma, […], a soma do esforço de várias pessoas que vão se chegando, que vão se interligando, que vão se dando as mãos, e vão construindo essa Rota que está sempre em construção” (FVA).
“A Rota representa essa verdade, que isso realmente vai continuar, […], ela dá essa confiança de entender que as pessoas querem olhar para essa preservação, para essa árvore de uma forma diferente, que tem essa consciência cultural, que vem mudando agora, e essa certificação de que a coisa vai continuar, que está certo, que tem sempre alguém olhando, isso é o que representa para mim” (MAB).
“Para mim é uma coisa maravilhosa, uma corrente, e que vai aumentando, cada pessoa que entra é um elo a mais, porque vai agregando cada vez mais conhecimentos, pessoas que tem estudo, são várias classes sociais também, é uma coisa que une as pessoas pelo amor ao butiá, ao artesanato, a culinária, resgatar a cultura também, […], estamos tentando resgatar a identidade, então eu vejo a Rota como uma coisa que une as pessoas, porque todas as pessoas que entram na Rota tem o mesmo objetivo, é tentar salvar os butiás, tentar fazer alguma coisa, uma plantação com butiás, tu tentar trabalhar comercialmente, ou tentar conscientizar as pessoas da importância do butiá na alimentação, como um ganho extra, […], tu observa, cada região tem uma maneira diferente de trabalhar, mas no fundo todos precisam do butiá, e a importância enorme que se tem de passar o conhecimento, e também a troca de conhecimento” (MBI).
Foi explicitado que a Rota dos Butiazais é uma verdade que vai continuar, gera confiança, uma coisa maravilhosa, um elo, uma corrente, é um esforço que une várias pessoas, no sentido de resgatar os butiazais que estavam esquecidos, vai aumentando com a entrada de integrantes, com as cidades buscando aderir. Agrega cada vez mais conhecimento, de várias classes sociais, é uma planta que interliga, através do artesanato, da culinária, alimentação, resgate a cultura, a identidade, com objetivo de salvar os butiás, dá a possibilidade de ver como um ganho extra. Cada região tem uma maneira diferente de trabalhar, de olhar para a planta e para essa preservação, com consciência cultural, todos precisando do butiá, acreditando na importância de passar e trocar saberes, se dando as mãos na soma de esforços.
Nodari & Guerra (2015) defendem que na medida em que a comunidade estabelece novas formas de uso, com agregação de renda, assume a responsabilidade pela conservação e se direciona rumo ao desenvolvimento sustentável. A conservação dos recursos genéticos (parte da biodiversidade que tem valor atual ou potencial para a humanidade) pelo uso é uma estratégia que vem sendo usada no caso dos butiazais.
Nesta perspectiva, a assimilação de um conhecimento na sociedade, inclusive o científico, faz-se pela via do senso comum. Neste caso, Moscovici coloca que todo conhecimento, sobretudo o científico, necessita ser remodelado, reinterpretado pelo senso comum para que, uma vez compreensível aos indivíduos e sociedade, possa, enfim, ser assimilado tornando-se parte da vida (MOSCOVICI, 2015).
“A Rota dos Butiazais para mim é uma possibilidade de promover o desenvolvimento rural sustentável, onde nós podemos ter alternativas para o desenvolvimento rural, alternativas de permanência também no campo com atividades dentro das propriedades que não sejam atividades que vão degradar o meio ambiente, que talvez complementem de alguma maneira também, a renda familiar, no sentido de que as pessoas que eu conheço, que estão envolvidas com a Rota dos Butiazais, se aproximaram também da Rota pelo motivo da conservação, porque enxergam o butiazal aqui em Tapes, talvez como um patrimônio ambiental, […]. Esse butiazal passou por todo um manejo diferenciado ao longo dos séculos, ciclos econômicos diferenciados, e de alguma maneira ele foi esquecido, e a Rota dos Butiazais proporcionou esse resgate da importância desse butiazal, em várias esferas o resgate ambiental, cultural da memória das pessoas” (RBP).
O relato descreveu uma possibilidade de promover o desenvolvimento rural, com alternativas de permanência no campo com atividade nas propriedades rurais, que não vão degradar o meio ambiente, complementando a renda familiar. As pessoas se aproximam da Rota dos Butiazais pela conservação, porque enxergam o butiazal de Tapes como um patrimônio ambiental, esse local passou por um manejo diferenciado, ciclos econômicos, e foi esquecido, a Rota dos Butiazais proporcionou esse resgate ambiental, cultural, na memória das pessoas.
Portanto a apropriação da conservação pela sociedade pode ser alcançada a partir de diferentes atividades desenvolvidas na intenção de aumentar o conhecimento associado aos butiazais, somadas à ampla divulgação dos resultados e à participação das pessoas (COSTA et al., 2012; MARCHI et al., 2019).
Em sua tese “Representação Social da Psicanálise” Moscovici colocou que as Representações Sociais (RS) se constituem em modos de percepção da realidade, e essa determinação indica que os indivíduos não são receptores passivos, ao contrário, são sujeitos que procuram refazer, reorganizar a realidade que se apresenta diante deles através de um processo de transformação do novo ou diferente em algo conhecido e compatível com seu mundo de compreensão (MOSCOVICI, 2012).
“A Rota dos Butiazais se transformou, […], em um grande mecanismo, […], a partir da organização dessa Rota, pela Embrapa e outras entidades, é uma ferramenta, que pode trazer muitos benefícios […], a começar pelas pesquisas, por todo material produzido, toda essa informação que foi gerada a partir dessa espécie de planta, […], essa ideia foi perdida no tempo, em momentos em que a nossa cidade teve uma exploração dessa planta, do butiá, com fins econômicos, e que depois se perdeu, e a Rota dos Butiazais conseguiu, resgatar essa história e transformar esse momento em algo a ser estudado, algo que ainda carece de muitas informações, […]. Então a Rota conseguiu estabelecer esse elo, reorganizar esse processo de conhecimento, que a gente observa pelos mais velhos, de informações que eles têm, […]. Então vejo hoje a Rota como um indutor, desses processos, que visam ampliar o conhecimento, favorecendo a cidade” (JV).
“A Rota ela representa uma união de esforços de vários aspectos, imagino que ela tenha começado com aspecto ambiental, dentro da biodiversidade, mas ela é muito mais do que isso, ela resgata as questões ambientais a história dessa região, […]. Então ela representa a região como um todo, sabe, é o resgate da história, do bem-estar, o bem querer que as pessoas têm pelo fruto butiá […]. Esse butiazal, esses butiás que a gente convive e que estavam adormecidos, esquecidos, na mente das pessoas, na história das pessoas, e assim a Rota dos Butiazais mexe com isso, e isso vai além, as pessoas se apaixonam” (NF).
Foi explicitado que a Rota dos Butiazais representa uma união, que tenha começado pelo aspecto ambiental, mas resgatou também a história da região, o bem-estar, o bem querer pelo butiá. Que se transformou em um grande mecanismo, a partir de sua organização pela Embrapa Clima Temperado e outras entidades, é uma ferramenta que pode trazer benefícios, pela pesquisa, pela informação gerada sobre o butiazeiro. A história do butiazal estava adormecida, perdida no tempo, esquecida, e a Rota dos Butiazais mexeu com isso, através da exploração com fins econômicos, veio conseguindo transformar em processo de conhecimento, estabelecendo um elo do saber com os mais velhos, e neste contexto, esta rede se transformou em um indutor, que vai apaixonando as pessoas.
Corroborando esse entendimento, Becker, Ramos & Moura (2006) e Rivas (2013) colocam que, aliadas ao conhecimento científico, as identidades afetivas e culturais são elementos necessários para o sucesso na conservação da biodiversidade. Ou seja, a manutenção da qualidade ambiental precisa estar conectada ao uso dos recursos naturais, assim como o uso precisa estar associado à sua conservação.
Segundo Moscovici (2015) o conhecimento emerge do mundo onde as pessoas se encontram e interagem, do mundo onde as necessidades e desejos encontram expressão, satisfação ou frustração. Em síntese, o conhecimento surge das paixões humanas e, como tal, nunca é desinteressado, ao contrário, ele é sempre produto de um grupo específico de pessoas que se encontram em circunstâncias específicas, nas quais elas estão engajadas em projetos definidos.
“Para mim é uma oportunidade de mostrar o que está escondido dentro das propriedades particulares, a beleza, a biodiversidade do butiazal que tem dentro das propriedades particulares, porque aqui no nosso município, ela só está dentro das propriedades particulares, então ela veio como mais uma oportunidade das pessoas conhecerem e nisso a gente conseguiu criar uma empresa de Turismo rural, pra mostrar para o mundo a Rota dos Butiazais, essa beleza cênica dos butiazais, é isso, oportunidade dos serviços né (FT).
“A Rota dos Butiazais foi inicialmente uma proposta de estratégia de desenvolvimento turístico com enfoque ambiental, tendo os ecossistemas de Butiazais como objeto de atração. No entanto, atualmente se constitui numa experiência de conservação de biodiversidade e de identidade cultural e histórica, com forte potencial para desenvolvimento de dividendos sociais” (LMU).
“A partir da Rota foi possível integrar saber popular, saber científico, a gastronomia, o turismo, o artesanato, o empreendedorismo, os marcos legais e normativos, a articulação institucional e a governança, políticas públicas dentre outras, utilizando o uso e a conservação da espécie como vetor de inclusão social e produtiva e de desenvolvimento regional” (CNP).
Foi relatado que a Rota dos Butiazais trouxe a possibilidade do desenvolvimento turístico com enfoque ambiental, é se tornou uma ideia de mostrar o que está dentro das propriedades particulares, a beleza cênica, trazendo oportunidade de trabalho e tendo como atração os butiazais. Atualmente é uma experiência de conservação de biodiversidade, identidade cultural, histórica, com potencial financeiro, gastronomia, artesanato, tendo como eixo a inclusão social e o desenvolvimento regional.
Neste contexto, a inovação das ações de atores envolvidos na Rota dos butiazais vem incentivando novos empreendimentos. Um deles é o Butiazal de Tapes – Turismo Rural, uma microempresa dedicada ao turismo ecológico nos ecossistemas de butiazais no município de Tapes (LIMA, 2015). Outro exemplo é o caso de uma agricultora, que ampliou sua oferta de produtos para além do licor de butiá, desenvolvendo receitas próprias de cucas, geleias, bolos, bombons, sorvetes, sucos e outras delícias, produtos que vende no mercado público de Tapes (URRUTH et al., 2018).
O estudo de Eslabão et al. (2016) salientou que os ecossistemas de butiazais estão ameaçados e mostram avançado estado de degradação no Rio Grande do Sul, o que torna imprescindíveis ações de manejo sustentável das populações remanescentes, com ênfase na conservação.
Moscovici (2012) coloca que os membros da sociedade são transformados numa espécie de Cientistas Amadores. Os Cientistas Amadores (e todos somos amadores num domínio ou outro) habitam o mundo da conversação, com hábitos de arquivista, uma pontinha e autodidatas, um pouco enciclopedista, e permanecem frequentemente prisioneiros dos preconceitos, ideias feitas, dialéticos emprestadas do mundo do discurso.
“É uma planta original, que está aqui no nosso meio, e todo mundo têm um fascínio por ela, as crianças têm um fascínio quando entram em contato com o coquinho, de quebrar. É resgatar uma ancestralidade né! Para mim basicamente é isso, é resgatar aquilo que já é nosso, que já faz parte do nosso dia a dia. A Rota está fazendo isso, está agregando um valor, então está deixando de ser aquilo que tu comia só nos terreiros, comia mas não vendia, agora já se vende, já tem comércio, então está dando uma cara mais profissional para a utilização do butiá” (MMG).
Esse relato trouxe sobre ser uma planta local, original, e existe um fascínio das crianças pelo coquinho, quebrar, e com isso resgatar a ancestralidade. A Rota do Butiazais está agregando valor, deixando de ser aquilo que se consumia, mas não se vendia, o comércio está dando uma utilização profissional ao butiá.
Barbieri, Sosinski & Marchi. (2017) explica que a Rota dos Butiazais impulsionou ações com o objetivo de produzir avanços no conhecimento científico, divulgar e capacitar as pessoas no uso dos butiás. Ideias que almejaram sensibilizar as comunidades e, com isso, incentivar a valorização da biodiversidade existente nos ecossistemas de butiazais.
A assimilação de um novo conhecimento na sociedade, inclusive o científico, faz-se pela via do senso comum. Neste caso, Moscovici coloca que todo conhecimento, sobretudo o científico, necessita ser remodelado, reinterpretado pelo senso comum para que, uma vez compreensível aos indivíduos e sociedade, possa, enfim, ser assimilado tornando-se parte da vida (MOSCOVICI, 2015).
“É um projeto muito importante, porque cada vez que eu participo, tenho um novo aprendizado, eu chego em casa, e como eu tenho um pé de butiá em casa, eu vejo que posso agregar mais um uso a planta, e através desse uso fazer com que as pessoas olhem para ela, como eu olho, além de uma planta que elas podem transformar em uma fonte de renda, e ao mesmo tempo aprender a preservar essa planta a conservar o uso sustentável dela e divulgar, porque ela é uma planta nossa, restrita a nossa região, e as pessoas não tem nem ideia do que pode ser feito com o butiá, com o fruto, a folha, o galho, o coquinho, tudo dela pode ser aproveitado para fazer o artesanato, ou a culinária, que é muito diversificada e além dos benefícios que traz para nossa saúde ao utilizarmos ela na alimentação” (RCV).
“É um espaço, uma possibilidade de encontro de pessoas de algumas instituições e de boa vontade, um possibilidade de trabalharmos juntos, de nos encontrarmos para melhorarmos as condições do butiá na nossa região e melhorar as nossas vidas, melhorar as condições de vida de muitas pessoas, que possam vir a lucrar, que possam se beneficiar, que entrem em contato e trabalhem com o butiá, é um conjunto de pessoas e instituições em encontro permanente, com a ideia de rede, uma coisa estruturada, muito mais aberta, com possibilidade de se relacionar de diferentes formas, diferentes maneiras” (MAMP).
“A Rota dos butiazais é um sonho, eu quase diria uma utopia, mas a gente que está participando desse evento, começa a ver que ela começa a se concretizar em algumas coisas, está bastante distante de ter autonomia, que a gente imagina para um dia, […]. Então ela é um sonho de juntar pessoas, como se diz uma rede que conecta pessoas, mas que conecta as pessoas para que elas troquem, informações, […], mas ela parte desse conjunto de atores, em que cada um tem conhecimento em algum ponto determinado desse espaço, para que a troca favoreça o crescimento conjunto de todos” (EESJ).
“A Rota é muito importante, porque é um encontro de amigos, de pessoas que olham para o mesmo lado, […], pessoas que estão vendo como cuidar das palmeiras, dos butiás, como preservá-los, como usá-los com sustentabilidade, […], neste projeto, nesta cruzada, é uma grande família de amantes das palmeiras e da natureza” (MEP).
“A Rota dos Butiazais é aquela união de pessoas com um mesmo pensamento, com um mesmo objetivo, […], que gira em torno dos butiazais, dos butiás, dos butiazeiros, que vão se agregando. A Rota dos Butiazais é essa união que vai se espalhando, que vai acrescentando dia a dia, e vai se multiplicando por aí a fora” (JSM).
“É uma rede de pessoas, organizações e instituições que buscam a conservação e o uso sustentável do butiá” (MR).
“A Rota dos Butiazais é uma articulação entre instituições, pessoas, ecossistemas, ambientes, espécies” (GCS).
“É um meio de pessoas se conhecerem e passarem seus conhecimentos sobre os butiazais” (SAN).
“A Rota dos Butiazais é uma grande rede de redes. Essa iniciativa inovadora foi capaz de articular pessoas, instituições, saberes, conhecimento científico e popular tendo como pano de fundo a conservação e uso sustentável de um dos recursos da nossa biodiversidade, o butiá” (CNP).
A Rota dos Butiazais é um projeto importante, é um sonho, uma utopia, um evento que começa a se concretizar, um encontro de amigos, é a rede das redes, traz uma iniciativa inovadora, uma articulação de pessoas, organizações, instituições, que trabalham juntos com bases na conservação e sustentabilidade da biodiversidade dos ecossistemas, dos ambientes, das espécies. A intenção é melhorar as condições dos butiazais na região, e com isso as condições de vida das pessoas, podendo transformar em uma fonte de renda, estruturando, possibilitando relações de diferentes maneiras, novos aprendizados, através da passagem de conhecimentos a respeito da planta, que vai agregando mais utilizações, crescendo e se multiplicando. Esse projeto, essa cruzada se torna parte da família de amantes do butiá e da natureza, e traz ideias das possibilidades do butiá, do que pode ser feito com todas suas partes, também dos benefícios para a saúde, quando inserida na alimentação.
A partir de todo exposto a respeito do pensamento dos integrantes da Rota dos Butiazais a respeito desta rede, acreditasse que esse conhecimento vem se somando e alicerçando nas ações realizadas e nas ligações entre estas pessoas. A Teoria das Representações Sociais, traz uma discussão a respeito de dois universos de conhecimento, o consensual e o reificado. O consensual das Representações Sociais é o das práticas interativas do cotidiano, as interpretações predominantes do universo consensual são produzidas espontaneamente por um grupo ou uma coletividade, conhecimento que é feito no dia a dia, onde qualquer pessoa pode falar qualquer coisa, e quando vai falando, vai discutindo, existem elementos do cotidiano que produzem esse universo (MOSCOVICI, 2015).
Em relação ao conhecimento sobre esta palmeira, na rede da Rota dos Butiazais, pode se colocar que a troca é feita no dia a dia, somando possibilidades a cada encontro, e que qualquer pessoa pode agregar qualquer saber, e quando vai trazendo, vai interagindo com outras pessoas e produzindo um universo em constante reformulação. Essa movimentação remete a um exemplo de universo consensual, que vai sendo construído ao redor dessa planta e com as inter-relações destas pessoas.
Já o universo reificado é identificado pelo conhecimento científico, em que o conhecimento se forma levando em consideração elementos como objetividade, rigor lógico e metodológico. Nesse universo não é qualquer pessoa que produz, que define esse conhecimento, o direito à argumentação vai se dar a partir do grau de qualificação (OSTI, et al., 2012).
Neste contexto, pode se supor que as informações e saberes a respeito do butiá que estão sendo trocadas e estruturadas na Rota dos butiazais seriam enquadradas no universo consensual, e a partir do momento em que estão sendo organizadas, descritas, poderão passar para o universo reificado, e neste sentido, se reforça a ideia de que a Teoria das representações Sociais foi providencial para se organizar e conseguir estruturar este estudo.
4. CONCLUSÃO
Este estudo cumpriu seu objetivo ao descrever a Rota dos Butiazais a partir da visão de seus integrantes-chave. Os resultados evidenciam que a rede é percebida como um esforço coletivo e contínuo, indo além de uma mera iniciativa institucional, consolidando-se como um movimento que se autocria, ou seja, que a partir de uma estrutura inicial, evolui por si mesma.
A Rota dos Butiazais é vista como uma rede de redes, uma união de saberes (científico e popular) e de diversos atores, todos convergindo para a conservação e o uso sustentável do butiá e dos butiazais. Essa articulação reacende o pertencimento, resgata a história e a identidade cultural adormecida, promovendo, assim, o desenvolvimento rural sustentável e a possibilidade de geração de renda para as comunidades envolvidas. A troca de conhecimentos e experiências é um pilar central, construindo um universo consensual que estimula novas práticas e usos da planta.
A Rota dos Butiazais representa o entendimento de que a conservação é inseparável do conhecimento, da admiração e do respeito, elementos que, juntos, asseguram a preservação duradoura da riqueza do butiá. A rede se estabelece como um modelo de inovação social e científica, fortalecendo a relação intrínseca entre biodiversidade, cultura e saúde.
REFERÊNCIAS
BARBIERI, R.L. & SOSINSKI, Ê.E. J. Rota dos Butiazais faz seminário técnico para valorização cultural e ambiental. Embrapa Clima Temperado, Pelotas, jul. 2016a. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/14097801/rota-dos-butiazais-faz-seminario-tecnico–para-valorizacao-cultural-e-ambiental
BARBIERI, R. L. et al. Butiás: conservação e uso sustentável de Butia odorata na região do litoral médio do Rio Grande do Sul. Natureza em Revista, p. 8-15, mar. 2016b. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1058273/1/GustavoHeidenButia.RS.Bio.pdf
BARBIERI, R.L.; SOSINSKI, Ê.E.J. & MARCHI, M.M. Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento. Conservação, repovoamento e usos dos ecossistemas de butiazais no Rio Grande do Sul. Fundação de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário Edmundo Gastal. Embrapa Clima Temperado, Pelotas, 2017. Disponível em: https://www.sema.rs.gov.br/upload/arquivos/201812/04110725-conservacao-repovoamento-e-usos-dos-ecossistemas-de-butiazais-no-rio-grande-do-sul.pdf
BARBIERI, R.L. et al. Reconciling conservation and sustainable use: The Rota dos Butiazais/Red Palmar international network. Agrociência Uruguay. 2025. Disponível em: https://agrocienciauruguay.uy/index.php/agrociencia/article/view/1557
BARDIN, L. Análise de Conteúdo. 1.ed. São Paulo: Edições 70, 2016.
BECKER, F. G.; RAMOS, R. & MOURA, L. A. Biodiversidade. Regiões da Lagoa do Casamento e dos Butiazais de tapes, Planície Costeira do Rio Grande do Sul. Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Ministério do Meio Ambiente. Brasília, DF, 2006. 388 p. Disponível em: (PDF) Biodiversidade. Regiões da Lagoa do Casamento e dos Butiazais de Tapes, Planície Costeira do Rio Grande do Sul
BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução CNS Nº 466. Conselho Nacional de Saúde. Brasília, Distrito Federal, 12 dez. 2012. Disponível em: 9_CNS_466_12.pdf
BRASIL. Diretoria de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico DABS. Nexus II: Pesquisa e Desenvolvimento em Ações Integradas e Sustentáveis para a Garantia da Segurança Hídrica, Energética e Alimentar nos Biomas Pampa, Pantanal e Mata Atlântica. Embrapa Clima Temperado. Pelotas, RS, 2017. Disponível em: https://www.ufsm.br/grupos-de-pesquisa/nexuspampa/wp-content/uploads/sites/364/2018/04/Projeto-Nexus-Pampa-II.pdf
BÜTTOW, M. V. et al. Conhecimento Tradicional Associado ao uso de Butiás (Butia spp., Arecaceae) no Sul do Brasil. Revista Brasileira de Fruticultura, São Paulo, v. 31, n. 4, p. 1069-1075, 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-29452009000400021&script=sci_abstract&tlng=pt
COSTA, F. A. et al. Desenvolvimento Sustentável, Economia Verde e a Rio+20. Brasília: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 2012. 109 p.
ESLABÃO, M. P. et al. Mapeamento da Distribuição Geográfica de Butiá como Subsídio para a Conservação de Recursos Genéticos. Embrapa Clima Temperado. Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, n. 252. 1.ed. Pelotas: Embrapa, 2016. 52 p.
ESLABÃO, M. P. et al. Prioridades para a conservação de Butia (Arecaceae). Ciência. Florestal, Santa Maria, v. 32, n. 4, p. 1733-1758, out./dez. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.5902/1980509838770
LIMA, F. Rota dos Butiazais é oficializada em Tapes/RS. Portal Embrapa: Embrapa Clima Temperado, 2015. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/7621812/rota-dos-butiazais-e-oficializada-em-tapesrs
LIMA, C.F.M. et al. Uses, ecology, and management of Butia yatay (Arecaceae) in Brazil: what do local communities tell us? Genetic Resources and Crop Evolution, v. 72, p. 1 9441–9458, 2025a. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s10722-025-02516-7
LIMA, C.F.M.et al. Sweet, nutritious, and diverse fruits: the genetic heritage of Butia odorata palm groves in southern Brazil. Ciência e Tecnologia de Alimentos (Online), v. 45, p. 1-8, 2025b. Disponível em: https://doi.org/10.5327/fst.514
LÓPEZ, M.J.; DABEZIES J.M. & CAPDEPONT I. La gestión de recursos vegetales en las poblaciones prehistóricas de las tierras bajas del sureste del Uruguay: un abordaje multidisciplinar. Latin American Antiquity, v. 25, n.3, p.256-277, 2014.
MARCHI, M.M. et al. Recursos Genéticos e a conservação in situ de ecossistemas de butiazais no Sul do Brasil. Revista RG News, v. 3, n. 1, p. 1-4, 2019. Disponível em: http://www.recursosgeneticos.org/Recursos/Arquivos/3_Recursos_Gen_ticos_e_a_conserva_o_in_situ_de_ecossistemas_de_butiazais_no_Sul.pdf
MOSCOVICI, S. Representações Sociais: Investigações em Psicologia Social. Petrópolis: Vozes, 2003. 40 p.
MOSCOVICI, S. A Psicanálise, sua Imagem e seu Público. Psicologia Social. Petrópolis: Vozes, 2012. 456 p.
MOSCOVICI, S. Representações Sociais: Investigações em Psicologia Social. 11.ed. Petrópolis: Vozes, 2015. 404 p.
NODARI, R. O. & GUERRA, M. P. A agroecologia: estratégias de pesquisa e valores. Estudos Avançados, São Paulo. v. 29, n. 83, p. 183-207, jan./abr. 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142015000100183
OPAS. Organização Pan-Americana da Saúde. Folha informativa COVID-19 – Escritório da OPAS e da OMS no Brasil. 2020. Disponível em: https://www.paho.org/pt/covid19
OSTI, A.; SILVEIRA, C. A. F.; BRENELLI, R. P. Representações Sociais. Aproximando Piaget e Moscovici. Sheme. Marília, v. 5, n. 1, p. 1-26, jan./jul. 2013. Disponível em: http://www2.marilia.unesp.br/revistas/index.php/scheme/article/view/3176
RIVAS, M. Conservação e uso sustentável de palmares de Butia odorata. 2013. 102 f. Tese (Pós-Graduação em Ciências) – Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2013. Disponível em: http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/98314/1/Version-FINAL-TESIS-DOCTORADO-M.RIVAS.pdf
RIVAS, M.; BARBIERI, R. L. Boas práticas de manejo para o extrativismo sustentável do Butiá. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, v. 1, 2014. 59 p.
URRUTH, L. et al. Rota dos Butiazais. Porto Alegre: TV Emater: Rio Grande Rural. 3 jun. 2018. Programa de TV. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=v_cdpxkKQ4o
WAGNER, J.G.; SANTOS, K.L.; HEIDEN, G.; VIZZOTTO, M.; BARBIERI, R.L. Exploring the Sociocultural Importance of Butia eriospatha (Arecaceae), an Iconic Palm of the Highlands of Southern Brazil. Economic Botany, v. 79, 342–359, p. 1-18, 2025a. https://doi.org/10.1007/s12231-025-09642-4
WAGNER, J.G.; CAMARGO, T.M.; RADÜNZ, M.; BASHIR, I.; FERRI, N.M.L.; SOLDI, C.; HEIDEN, G.; VIZZOTTO, M.; BARBIERI, R.L. Phenolic composition, antioxidant capacity and digestive enzymes inhibition of butiá (Butia catarinensis, Butia eriospatha, and Butia odorata) under simulated digestion. Food Chemistry, v. 493, p. 145650, 2025b. https://doi.org/10.1016/j.foodchem.2025.145650
1Fisioterapeuta. Doutora em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Pelotas. E-mail: portelinhamarcia@gmail.com
2Fisioterapeuta. Doutor em Saúde e Comportamento Universidade Católica de Pelotas, UCPEL, Brasil. Email: rafaarrieira05@hotmail.com
3Enfermeira. Doutora em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Pelotas. E-mail: carolinevaslopes@gmail.com
4Bióloga. Doutora em Genética e Biologia Molecular, pesquisadora da Embrapa Clima Temperado. E-mail: lia.barbieri@embrapa.br
