A RESIDÊNCIA MÉDICA COMO UMA MEMÓRIA DO SUS QUE DÁ CERTO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202503252056


Milton Batista Leite Júnior


RESUMO

A humanização do Sistema Único de Saúde rompe as estruturas segregatórias e barreiras que impedem o acesso da população aos seus cuidados de saúde, mudando também o conceito de saúde para uma nomenclatura mais ampla e abrangente. A educação em saúde é um importante aliado na estruturação de um sistema humanizado e abrangente. Este trabalho tem por objetivo promover a construção das memórias do SUS que dá certo, entre usuários, profissionais e gestores de uma UBS-escola, proporcionando a informação da população acerca da sua característica de unidade-escola da rede de atenção, como um ponto positivo e de resolutividade das demandas apresentadas pela população. Trata-se de um estudo transversal qualitativo, elaborado a partir de informações coletadas no cotidiano do trabalho para a elaboração de um folder com a cartilha de serviços da UBS-escola, visando sua divulgação no ambiente físico da unidade e em mídias sociais. Destaca-se que a residência médica em Medicina de Família e Comunidade contribui para a expansão de serviços e aumento dos atendimentos na comunidade ao qual está inserida. Logo, a elaboração do folder informativo sobre a UBS-escola, permitiu que a população tivesse o conhecimento sobre este serviço e assim, refletisse sobre a importância desta ferramenta para melhor eficácia da prestação de serviços à comunidade.

Palavras-chaves: Humanização, UBS-escola, Educação em saúde

INTRODUÇÃO

O Sistema Único de Saúde – SUS constitui uma importante política pública nacional. Instituído no Brasil a partir do artigo 5º da Constituição Federal, apresenta-se como um importante instrumento de prevenção, promoção e recuperação de doenças e agravos de saúde a todos aqueles que dele necessitarem. Este sistema, conforme previsto em sua lei orgânica, a lei 8080 de 1990, oferta aos seus usuários diversas ações e serviços constituídos em uma rede de saúde organizada de forma descentralizada e acessível a todos os cidadãos residentes e presentes em território nacional.

A humanização nasce junto com esse sistema, tendo em vista que ele rompe estruturas segregatórias e barreiras que impediam o acesso da população aos seus cuidados de saúde, mudando também o conceito de saúde para uma nomenclatura mais ampla e abrangente.

A Política Nacional de Humanização1 foi criada em 2003 visando reforçar essa estruturação ética, valorizando os diferentes sujeitos envolvidos no processo de saúde: usuários, profissionais e gestores. Todos eles com suas particularidades e necessidades, porém de igual importância na construção e consolidação do SUS em um país continental, multicultural e em desenvolvimento, como o Brasil.

Esta política desenvolve-se a partir de suas diversas diretrizes, com destaque entre elas, para a Construção das Memórias do SUS que dá certo, que conforme cita seu documento base, consiste no registro de informações e divulgação de práticas, comprometidas com a defesa da vida e ampliação da autonomia dos sujeitos, com o intuito de valorizar o sistema perante a sociedade.

Muitas vezes desacreditados por inúmeras falhas de gestão e pela ineficaz organização dos serviços em algumas regiões, o SUS oferece diversas ações e serviços disponíveis em nosso dia a dia que constituem motivo de orgulho aos brasileiros e são referência mundo afora pela sua organização. Podemos destacar a Política Nacional de Imunizações com seus imunizantes para as mais diversas patologias e faixas etárias; as vigilâncias em saúde (sanitária, ambiental e epidemiológica) que agem na proteção e prevenção de doenças ambientais e infectocontagiosas; serviços de urgência e emergência e na própria atenção básica, porta de entrada do sistema e assistência que promove qualidade e continuidade dos cuidados dos usuários da rede de saúde.

A UBS 20 de Planaltina-DF faz parte deste contexto e oferece em sua cartilha de serviços, diversos cuidados que visam promover e garantir a saúde e a reabilitação de seus usuários, bem como a prevenção de doenças, sendo também parte do SUS que dá certo na região administrativa de Planaltina, no Distrito Federal. Esta como outras unidades constitui-se como uma unidade-escola2 contribuindo para a formação de profissionais de saúde bem como nos cuidados da população.

Conforme cita Pontes e Castro 20243, estas unidades escolas são criadas a partir do SUS e para o SUS, agindo de forma engajada e contribuindo para mudanças, visando repensar permanentemente suas práticas, sendo um local de assistência e aprendizados.

Assim, investir em educação é um processo fundamental para o sucesso do sistema, contribuindo para a formação de profissionais capacitados e na qualidade de vida da população, sendo uma impulsionadora de melhorias e a base de um sistema virtuoso e eficaz (FERREIRA et al, 2019)4.

Com base nisto, este estudo foi planejado a partir das práticas de um médico residente, graduado em uma Escola de Saúde nascida no SUS (Escola Superior de Ciências da Saúde – ESCS-DF) e que enxerga a educação em saúde, tanto dos profissionais quanto da população, como um valoroso meio de promover uma maior eficácia nos serviços e na satisfação de todos os envolvidos.

OBJETIVOS

Objetivo geral:

Promover a construção das memórias do SUS que dá certo, entre usuários, profissionais e gestores de uma UBS-escola, proporcionando a informação da população acerca da sua característica de unidade-escola da rede de atenção, como um ponto positivo e de resolutividade das demandas apresentadas pela população.

Objetivos específicos:

1- Difundir entre os usuários da UBS as atribuições de um unidade-escola, através da atuação de médicos residentes da unidade, como um importante fator na melhoria dos serviços prestados e da necessidade da formação prática dos profissionais de saúde em uma unidade como essa;

2- Criar um meio de informação para divulgar aos usuários, os serviços prestados na unidade básica de saúde nº 20 de Planaltina-DF, principalmente pelo médicos residentes, visando valorizar o serviço prestado e aproximar usuários da unidade;

3- Valorizar o sistema único de saúde como uma política pública que funciona e que tem a capacidade de auxiliar os usuários na resolução de suas demandas e cuidados de saúde;

4- Divulgar aos usuários seus direitos frentes aos serviços oferecidos e valorizar o trabalho dos servidores e gestores da saúde, criando em todos o sentimento unificado de uma unidade efetiva e organizada frente aos serviços prestados;

5- Estimular os diversos sujeitos da unidade a construir um serviço de saúde eficaz com boas memórias para todos, frente a assistência aos usuários e a qualidade de vida no trabalho.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo transversal qualitativo5, elaborado a partir de informações coletadas no cotidiano do trabalho na UBS 20 de Planaltina-DF. Pois, embora esta unidade atue na formação de profissionais de nível superior e técnico, não apresentava qualquer menção ou informação aos usuários acerca disto.

Sendo assim, inicialmente, em conversa entre residentes e preceptores da unidade definiu-se  os principais serviços ofertados pelos médicos residentes em Medicina de Família e Comunidade, com o intuito de elaborar um folder de informação.

Este folder foi elaborado em um programa de edição de arquivos, chamado Canva, constando em destaque a informação sobre a unidade-escola e serviços apresentados pelos residentes e suas equipes. Também neste folder, como elemento atrativo visual, optou-se pela inserção da figura do Zé Gotinha, personagem representativo e característico do SUS, utilizado em diversas campanhas do sistema, em especial nas relacionadas à vacinação.

Após a elaboração, o folder foi apresentado aos residentes, profissionais e gestores da unidade para aprovação, seguido de sua exposição no ambiente de recepção da unidade e corredores da unidade. Estes locais foram sugeridos pelos colaboradores e gestores devido suas maior visualização por todos aqueles que circulam no espaço físico da unidade. Além disso, foi realizado uma postagem na rede social – Instagram – da unidade com a seguinte legenda:

A UBS 20 De Planaltina-DF é uma UBS-Escola, atuando na formação de profissionais de saúde de nível técnico e superior, em especial, na Residência de Medicina de Família e Comunidade da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS-DF).

Segundo a Portaria Distrital nº 77/2017, “são unidades voltadas para a atenção à saúde, ensino, pesquisa e preceptoria para estudantes de nível técnico, superior, pós-graduação modalidade lato e stricto sensu, aperfeiçoamento de servidores e o desenvolvimento e inovação tecnológica e científica na Atenção Primária em Saúde”

Também julgou-se necessário a inserção deste material nas redes sociais, pois promove ainda mais este dispositivo, podendo ser também um valioso meio de construções de memórias positivas do trabalho desempenhado. Deste modo, como um todo, foi possível promover a residência médica e a educação em saúde na unidade como um ponto positivo para a eficácia dos serviços e como um tópico de sucesso no Sistema Único de Saúde.

RESULTADOS

A educação em saúde constitui um importante elemento no contexto do SUS. Conforme cita Fittipaldi et al 20216, em meio à atenção primária é um componente reconhecido como parte dos processos de trabalho das equipes. A capacitação de profissionais para o SUS é essencial para o adequado funcionamento dos serviços e o aumento de sua qualidade. Além disso, a expansão do conhecimento para profissionais e usuários tornam o sistema ainda mais eficaz.

A residência médica em Medicina de Família e Comunidade está presente na UBS 20 de Planaltina-DF desde o ano de 2021, desde então, contribui para a expansão de serviços e aumento dos atendimentos. Em acordo com Flor et al 20227, as residências promovem a formação de profissionais capacitados para a atuação na Estratégia de Saúde da Família – ESF, com aquisição de competências e superação de limitações da graduação, além da inserção na rede de saúde e utilização de metodologias ativas.

Esta unidade de saúde, recebe além de residentes médicos, estudantes do curso de medicina e enfermagem, além de estudantes técnicos em saúde bucal, sendo um importante polo de formação para profissionais da área. Porém, tal informação, embora perceptível pelos usuários, não é difundida entre os mesmos, fato que motivou a criação de um folder (figura 1) para informar a comunidade sobre a importância de uma unidade-escola em meio à Atenção Primária.

Além disso, enaltecer a eficácia do trabalho desempenhado na unidade, pode trazer maior satisfação laboral para aqueles que executam as atividades, promovendo também entre os colaboradores uma memória do SUS que dá certo.

Figura 1: Folder de divulgação elaborado para divulgação de informações sobre funcionamento da unidade como UBS-Escola, conforme Portaria nº 77 de 2017.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2024.

Após aprovação de todos os envolvidos, este folder foi anexado nas entradas da unidade, em especial na recepção e nos corredores, de modo que todos os transeuntes consigam observar e identificar as informações neles constantes. Neste meio, também foi possível expandir os níveis de informações acerca dos serviços prestados pelos residentes e por toda equipe da Estratégia de Saúde da Família, auxiliando na otimização dos serviços e para que todos saibam que uma UBS é capaz de oferecer mais do que atendimentos médicos.

Assim, constatou-se neste folder, elementos visuais, como a emblemática imagem do “Zé Gotinha”, figura já conhecida pela comunidade, para atrair a atenção dos mais variados públicos, já que este também é um importante elemento de sucesso na difusão da vacinação na saúde pública do país.

Elencou-se ainda os seguintes aspectos: atendimentos médicos para recuperação, prevenção e promoção de saúde, visitas domiciliares, discussões de casos clínicos, reuniões de equipe, atendimentos coletivos para tratamento de doenças crônicas e outras comorbidades, grupos de combate ao tabagismo, pequenos procedimentos, entre outros.

Após inserção destes instrumentos nos locais supracitados (figura 2 e 3), durante os atendimentos foi questionado de forma objetiva se o paciente obteve a adequada percepção deste informativo e assimilação de suas informações. Recebendo a resposta afirmativa em 90% dos questionados, sendo em alguns casos relatado de forma espontânea sobre a melhoria dos atendimentos em relação ao modelo antigo, sem residentes Assim, foi possível constatar a informação da população, promovendo a educação em saúde como um elemento das memórias do SUS que dá certo.

Figura 2: Folder anexado na porta de entrada da UBS 20 de Planaltina-DF

Fonte: Elaborado pelo autor, 2024

Figura 3: Folder anexado no corredor onde ficam os consultórios de atendimento.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2024.

Objetivamente, podemos destacar um dado fornecido pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), que mostra as três UBS-escolas da região norte (UBS 20 e 5 de Planaltina-DF, UBS 3 de Nova Colina) entre as quatro unidades que mais fizeram inserção de DIU (Tabela 1) neste território, mostrando maior eficiência no direito reprodutivo das mulheres assistidas por estes serviços. Sendo este, entre muitos outros, bons indicadores do desempenho dos residentes em suas unidades.

Tabela 1: Ranking das unidade com o maior número de inserção de DIU no ano de 2023, com destaque para a UBS 20 e 5 de Planaltina-DF ea UBS 3 de Nova Colina, consideradas UBS-escola na região.

FONTE: Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Sistema Único de Saúde foi uma importante conquista e um grande avanço de direitos e redução de desigualdades para o Brasil. Embora, ainda com muitos problemas em sua organização, ela contribui massivamente para a melhoria de diversos aspectos da vida dos cidadãos, estando presente nos cotidianos, mesmo que de forma indireta.

Promover o SUS como um elemento de sucesso é essencial para garantir o seu fortalecimento, pois independente de classe social, etnias e culturas ele está sempre presente como elemento transformador da realidade social. E a educação em saúde é uma estratégia na construção de boas memórias, pois só através dela alcançaremos um sistema de qualidade, com profissionais qualificados e uma população ciente de seus direitos e de sua responsabilidade na consolidação desse sistema.

A elaboração do folder informativo sobre a UBS-escola, permitiu que a população tivesse o conhecimento sobre este serviço e assim, refletisse sobre a importância desta ferramenta para melhor eficácia da prestação de serviços à comunidade. Promovendo assim, a residência em Medicina de Família e Comunidade, como algo de suma importância para a melhoria do SUS como um todo.

Também através deste instrumento tornou-se possível enaltecer o trabalho dos residentes nesta unidade, promovendo assim, maior satisfação laboral entre os mesmos e demais servidores, ajudando também a construir boas memórias entre os profissionais de saúde. 

Por fim, podemos concluir que a residência médica na UBS 20 de Planaltina-DF foi um fator ímpar de crescimento e desenvolvimento das atribuições da atenção primária nesta comunidade, já que ocasionou habilitação de novos profissionais de saúde e expandiu os serviços para maior acolhimento e eficácia dos atendimentos, sendo uma boa memória do SUS que dá certo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1- BRASIL. HumanizaSUS – Política Nacional de Humanização: a humanização como eixo norteador das práticas de atenção e gestão em todas as instâncias do SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2004. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/humanizasus. Acesso em 02 de Julho de 2024.

2- BRASÍLIA. Portaria nº 77 de 14 de fevereiro de 2017. Estabelece a Política de Atenção Primária à Saúde do Distrito Federal. Diário Oficial do Distrito Federal. Brasília, DF, nº 33, seção 1, 2 e 3, de 15 de fevereiro de 2017 p. 4, col. 1. Disponível em: https://www.sinj.df.gov.br/sinj/Norma/b41d856d8d554d4b95431cdd9ee00521/ses_prt_77_2017.html. Acesso em 02 de Julho de 2024.

3- PONTES, H. J. C; CASTRO, J. L. As escolas de saúde do SUS: razões de ser e contribuições. Saúde e Sociedade, São Paulo-SP, nº 32 (Suppl 2) 19 Jan 2024/2023. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-12902023230140pt. Acesso em 02 de Julho de 2024.

4- FERREIRA, L; BARBOSA, J. S. A; ESPOSTI, C. D. D; CRUZ, M.M. Educação Permanente em Saúde na atenção primária: uma revisão integrativa da literatura. Saúde em Debate, Rio de Janeiro-RJ, nº 43 (120), Jan-Mar 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0103-1104201912017. Acesso em 02 de Julho de 2024.

5- YIN, Robert K. Pesquisa qualitativa: do início ao fim. 1ª edição, São Paulo: ed. penso, 2016

6- FITTIPALDI, A. L. M; O’DWYER, G; HENRIQUES, P. Educação em saúde na atenção primária: um olhar sob a perspectiva dos usuários do sistema de saúde. Saúde e Sociedade, São Paulo-SP, 32 (4), janeiro de 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-12902023211009pt. Acesso em 02 de Julho de 2024.

7- FLOR, T. B. M; CIRILO, E. T; LIMA, R. R. T; SOUZA, P. H. S; NORO, L. R. A. Formação na Residência Multiprofissional em Atenção Básica: revisão sistemática da literatura. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro-RJ, nº 27 (03), Março de 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413-81232022273.04092021. Acesso em 02 de Julho de 2024.

8- MENDES, Eugênio Vilaça. As redes de atenção à saúde. / Eugênio Vilaça Mendes. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2011. 549 p.: il. Disponível em: <http://www.saude.sp.gov.br/resources/ses/perfil/gestor/documentos-de-planejamento-em-saude/elaboracao-do-plano-estadual-de-saude-2010-2015/textos-de-apoios/redes_de_atencao_mendes_2.pdf>. Acesso em: 08 de Abril de 2024.

9- BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 198, de 13 de fevereiro de 2004. Institui a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde como estratégia do Sistema Único de Saúde para a formação e o desenvolvimento de trabalhadores para o setor e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 141, n. 32, p. 37-41, 16 de fevereiro de 2004. Disponível em: http://www.funasa.gov.br/site/wp-content/files_mf/Pm_198_2004.pdf. Acesso em 02 de Julho de 2024

10- FRANÇA, T. Análise da Política de Educação Permanente do SUS (PEPS) implementada pelas Secretarias Estaduais de Saúde (SES). Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2016. v. 2. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-878452. Acesso em 02 de Julho de 2024.