REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202508312229
Wolney Barros Leal; José Wellington Felizola Lucena Júnior; Jued Cleiton da Silva; Renata Cosme Santana; Vinicius Ferreira Rodrigues Chaves; Caio Henrique Costa; João Gabriel Pereira Luna; Napoleão Gomes do Amaral Neto; Sarah Mourão de Sá.
RESUMO
As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos. Elas são transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual (oral, vaginal, anal) sem o uso de camisinha masculina ou feminina, com uma pessoa que esteja infectada. A transmissão de uma IST pode acontecer, ainda, da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação. O presente artigo teve como objetivo geral investigar o nível de conhecimento dos estudantes do ensino médio sobre infecções sexualmente transmissíveis. A importância da educação sexual desses adolescentes no meio familiar e na escola através da Inclusão das temáticas da saúde sexual, saúde reprodutiva e prevenção das IST/AIDS. Partindo desse pressuposto, o presente trabalho tem a seguinte pergunta norteadora “Qual o grau de conhecimento dos estudantes do ensino médio acerca das IST? Como resultado, podemos constatar que a falta um pouco de domínio dos alunos em relação às IST e outros temas relacionados é resultante da dificuldade de abordar a temática tanto no ambiente familiar quanto no escolar, devido ao tabu que a cerca.
Palavras-chave: Discentes; Infecções sexualmente transmissíveis; Ensino Médio
1 INTRODUÇÃO
Nos últimos anos as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) vem aumentando em todo o mundo, principalmente entre os jovens e adolescentes. Portanto, os adolescentes e jovens são considerados um grupo prioritário nas campanhas de prevenção devido ao alto risco de adquirir uma IST. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), as IST estão entre as causas mais comuns de doenças no mundo e podem ser consideradas um problema de saúde pública.
A adolescência é um período de transição entre a infância e a idade adulta e nesse período a vivência da sexualidade torna-se mais evidente. Eles passam por diversas mudanças biopsicossociais e estão sujeitos à uma maior vulnerabilidade sexual pelas mais variadas causas como a falta de informação, de comunicação entre familiares e de alguns mitos, tabus, ou mesmo pelo fato de ter medo de assumir sua própria sexualidade.
É considerado um período de maior vulnerabilidade e pode ter influência com aspectos socioeconômicos, etnia, estrutura familiar, níveis de escolaridade, questões de gêneros, já que esses fatores podem influenciar a precoce vida sexual dos adolescentes os tornando mais propensos a contraírem infecções sexualmente transmissíveis (IST’ s).
As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) são doenças causadas por vírus, bactérias e outros microrganismos, cuja principal via de transmissão é por meio do contato sexual (MAGALHÃES et al., 2021), sendo um dos principais problemas para as instituições de saúde pública, pois afetam as pessoas com vulnerabilidade, exposta ou aumentada, a essas infecções.
A adolescência compreende um período de mudanças físicas, mentais e comportamentais que promove o amadurecimento das características sexuais. É nesse período que se inicia a prática da atividade sexual, realizada, muitas vezes, desprotegida e de forma precoce. O sexo desprotegido é um importante fator de risco para a exposição às infecções sexualmente transmissíveis.
Nesse sentido, observa-se a importância da educação sexual desses adolescentes no meio familiar e na escola através da Inclusão das temáticas da saúde sexual, saúde reprodutiva e prevenção das IST/AIDS. Partindo desse pressuposto, o presente trabalho tem a seguinte pergunta norteadora “Qual o grau de conhecimento dos estudantes do ensino médio acerca das IST?
A falta de conhecimento sobre as infecções sexualmente transmissíveis é determinante para adquirir-se uma IST, segundo (TEIXEIRA et al, 2015) quantificar até que ponto uma pessoa, nesse caso adolescente, possui a informação sobre IST é essencial para que intervenções sejam elaboradas, e assim, evitar o agravamento desse problema de saúde pública.
Nesse sentido, o presente trabalho faz-se necessário, uma vez que a identificação do nível de informação dos jovens acerca das IST’s pode favorecer a adoção de estratégias mais eficazes para o controle e prevenção desses agravos.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) define a adolescência como a faixa etária de 12 a 18 anos e, em casos especiais, quando disposto na lei, o estatuto é aplicado até os 21 anos de idade.
A adolescência é marcada como sendo a primeira etapa da vida onde o indivíduo passa a descobrir o prazer, somado a isso, ocorre uma série de alterações no aspecto físico e psicossocial. Segundo Santos et al, (2020), a adolescência é uma fase de transição em nível biológico, cognitivo e emocional entre a infância e a fase adulta, sendo um período em que os jovens procuram novas descobertas, e se sentem invulneráveis e indestrutíveis em relação ao mundo.
Nessa fase, acontecem transformações significativas no corpo, com o surgimento da afetividade, do interesse sexual e de muitos conflitos comportamentais. Assim, conforme afirma Spindola et al (2021) as características inerentes ao público jovem podem gerar dinâmicas e comportamentos que resultarão num conjunto de experiências de grande intensidade, que podem envolver o consumo de substâncias psicoativas e a adoção de comportamentos de risco com práticas sexuais inseguras, principalmente pela falta de uso de preservativos.
O início precoce da vida sexual pode ser considerado um agravante para o comportamento de risco frente às IST. O número elevado de ocorrências de gravidez na adolescência em jovens entre 10 e 19 anos, somado ao aumento da ocorrência de IST e à intensificação do consumo de drogas, ajuda-nos a entender melhor porque os jovens brasileiros são, cada vez em maior número, vulneráveis à infecção pelo HIV.
Estudos demonstram, quanto ao comportamento sexual dos adolescentes, que a maioria, mesmo conhecendo os métodos contraceptivos, inicia a vida sexual sem proteção e, no seguimento da atividade sexual, quase 30% não se protegem, tanto na contracepção como contra as IST/AIDS (MIRANDA et al.; 2016). O início da vida sexual com baixa idade, o número de parceiros sexuais e a utilização de proteção contra as IST no contexto social associam-se diretamente ao nível econômico e de escolaridade.
São diversos os aspectos de risco que proporcionam uma vulnerabilidade maior nesses grupos em adquirir uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) com o início sexual bem precoce, também a troca frequente de parceiros sexuais e o descaso quanto ao uso do preservativo tanto feminino como o preservativo masculino é um fator bem arriscado para esses adolescentes.
De acordo com dados do Boletim Epidemiológico HIV/Aids de 2018 do Ministério da Saúde, no período de 2007 a junho de 2018, houve 105.035 casos notificados de jovens – de 15 a 29 anos – infectados pelo HIV no país, correspondendo a 42,3% do total de notificações nesse período, sendo 14.222 na idade de 15 a 19 anos – 5,7% do total7 . Quanto à sífilis adquirida, IST de notificação compulsória obrigatória também, observou-se um total de 266.330 de casos notificados na faixa etária de 13 a 29 anos, no período de 2010 a junho de 2018, totalizando 55,5% dos casos totais, sendo 48.876 na faixa etária de 13 a 19 anos – 10,2% do total.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (IBGE, 2016) os adolescentes se tornam sexualmente ativos entre 13 a 15 anos, especialmente no sexo masculino. Destes, aproximadamente 60% fizeram uso de preservativo na sexarca e esse percentual se mantém para o uso do preservativo na última relação sexual. Em relação ao uso de métodos contraceptivos, este mesmo estudo aponta que 70% dos adolescentes entre 16 e 17 anos já utilizaram algum método contraceptivo (IBGE, 2016).
Garbarino (2021) relata que inúmeros fatores podem estar associados ao aumento de casos de ISTs em jovens destacam a falta de orientação sexual, o frágil entendimento dos pais sobre sexualidade e a falta de preparo de escolas e professores para a abordagem do tema. As discussões sobre ISTs, métodos contraceptivos e gravidez na adolescência continuam sendo tratadas como tabu pela sociedade, formando barreiras que limitam a informação e impedem a mitigação ou resolução dos problemas mencionados.
Apesar de a educação sexual não ser obrigação apenas da escola, para muitos problemas atuais a sociedade acaba eximindo suas responsabilidades e as da família e atribuindo a 4 responsabilidade à escola. Nesse sentido, Genz et al. (2017) destacam a importância da promoção da saúde por meio de atividades educacionais escolares que promovam a integração com a família e os serviços de saúde, visando a autonomia e empoderamento de adolescentes nas decisões sobre a prática sexual segura.
Segundo Salles (2018) a escola é um fator primordial para diminuir os índices de problemas relacionados às Infecções sexualmente transmissíveis, a escola pode contribuir diretamente no ensinamento de prevenção das ISTs para os alunos e assim diminuir os problemas relacionado a esses casos.
Observa-se que os pais/responsáveis e a equipe de saúde, comumente, tendem a não abordar aspectos determinantes da saúde sexual dos adolescentes, devido à negação do desejo sexual do jovem e ao incentivo ao prolongamento da infância (BRASIL, 2022, pag. 27).
Os jovens que moram com seus pais ainda apresentam talvez mais instrução, sendo levados a uma iniciação sexual mais tardia, em sua maioria. Daí a importância da família como um ambiente primário de educação sexual (LINHARES; ASSIS; MANGIAVACCHI, 2018).
Em algumas famílias, sexo é um assunto por vezes proibido de ser mencionado fazendo com que o jovem adolescente busque informações fora de casa. Estas informações podem estar erradas ou então, o adolescente deixa de tirar suas dúvidas por sentir-se inseguro ou constrangido em abordar este tema com uma pessoa que não é de seu convívio diário (KRABBE EC, et al., 2016).
Os pais transferem a responsabilidade da educação sexual para a escola. Nesse contexto, a escola e o Estado devem caminhar juntos em busca de uma educação que contemple essa temática na sua transversalidade. É importante que os pais não deleguem a outros a tarefa de falar com os filhos sobre sexo e sexualidade, também é fundamental saber qual a forma mais adequada para abordar o assunto (SANTOS et al., 2017).
Para Ciriaco et al (2019), os crescentes índices de transmissão das infecções estão intrinsecamente ligados à falta ou à utilização errada do preservativo (a camisinha), seja ela masculina ou feminina. Tal acontecimento pode estar relacionado à fragilidade dos serviços de saúde e à precariedade da educação sexual divulgadas tanto pelas escolas quanto pelos pais, além de contar com outras maneiras utilizadas pelos jovens para conseguir informações, como por exemplo, a internet ou até mesmo por trocas de experiências entre eles.
Nesse sentido, Mauro (2017) afirma que a melhor forma de prevenção das Infecções sexualmente transmissíveis é a informação, o aluno bem informado pode diminuir bastante o índice de casos de IST, fazendo com que esse aluno possa utilizar formas de prevenção da IST e, além disso, evita uma gravidez não desejada.
3 METODOLOGIA
O presente projeto de intervenção consiste em um estudo quantitativo que tem como público-alvo os alunos do Ensino Médio da Escola de Referência em Ensino Médio Anízio Rodrigues Coelho no Distrito de Nascente, município de Araripina – PE.
Desse modo, segundo Merriam (1998), um estudo qualitativo está relacionado à descrição e a interpretação das experiências humanas. Por outro lado, uma pesquisa quantitativa analisa dados numéricos precisos. Dessa maneira, apesar dos métodos diferentes, ambos estudos unem-se para fomentar uma discussão embasada em números categóricos trazendo dados abrangentes sobre o tema discutido.
A intervenção foi realizada com 60 alunos das turmas A e B do terceiro ano do Ensino Médio da referida escola. Para tal, foi encaminhado um termo de consentimento aos pais dos alunos para realização de testes rápidos de Hepatite B e C, Sífilis e HIV.
Após a aplicação do questionário, foi realizada uma palestra com os alunos acerca das IST’s, enfatizando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce das doenças, além da testagem periódicas dos grupos de maior periodicidade. Após a intervenção pedagógica, foram realizadas testagem rápida nos alunos e nos funcionários da escola.
Por fim, os dados coletados pelo questionário foram analisadas e categorizadas conforme Bardin (2011). A tabulação dos dados foi feito por meio do Microsoft Excel e foram expressos através de gráficos.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O Projeto de Intervenção foi aplicado aos 53 alunos do Ensino Médio da Escola de Referência em Ensino Médio Anízio Rodrigues Coelho no Distrito de Nascente, município de Araripina – PE, nas turmas A e B, no total de 60 alunos, sendo que sete ficaram de fora.
Inicialmente foram aplicados questionários de múltipla escolha com dez questões fechadas para avaliar o conhecimento dos alunos acerca das IST’s. Os questionários foram anônimos e, antes de responder às perguntas os participantes receberam informações sobre a pesquisa e o teor do questionário para que as dúvidas fossem esclarecidas.
Após foi realizado uma palestra sobre infecções sexualmente transmissíveis. Na oportunidade foram abordados alguns temas como: O conceito de IST, agentes etiológicos, forma de transmissão e medidas de prevenção das Hepatites virais B e C, Sífilis e HIV/AIDS; Testagens rápida das doenças acima citadas e sobre os dados epidemiológicos do município dos últimos cinco anos, conforme a figura 1.
Figura 1: Palestra realizada sobre IST’s

Após o término da palestra, foram respondidas todas as dúvidas e curiosidades apontadas pelos alunos. Na oportunidade, a nossa preceptora, a Enfermeira Emanuelle falou um pouco sobre a importância do uso de preservativos na prevenção das infecções sexualmente transmissíveis e da gravidez.
Figura 2: Palestra realizada sobre IST’s

Como parte da ação, foram disponibilizados a testagem rápida para os alunos que tiveram a permissão dos pais. Assim, foram realizados testes da Hepatite B e C, Sífilis e HIV para quarenta e cinco alunos e doze funcionários da escola, entre diretora, professores, poteiro, zelador e secretária, conforme a figura 3
Figura 3: Palestra realizada sobre IST’s

As testagens foram feitas pela enfermeira e uma técnica de enfermagem da UBS e pela turma do IESC, divididas em dois grupos de testagem. Após a ação, foram verificados que todos os testes foram negativos para os quatro tipos realizados.
Em relação aos testes rápidos foi orientado sobre a sua disponibilidade na UBS da área e a facilidade quanto ao acesso dos mesmo e também em relação aos grupos prioritários que necessitam a triagem periódica dessas doenças.
Dentre esses grupos, estão adolescentes e jovens (<30 anos), Gestantes, Gays e outros homens que se relacionam com homens (HSH), trabalhadores(as) do sexo, travestis e transexuais, pessoas que usam álcool e outras drogas e pessoas com diagnóstico de IST
Diante dos dados obtidos através do questionário. Foram contabilizados 53 deles respondidos, sendo 28 deles do sexo masculino e 25 dos sexo feminino conforme gráfico 1.
Gráfico 1: Distribuição dos alunos por sexo

Em relação à faixa etária dos alunos, verificamos que as duas turmas avaliadas tinham alunos cujas idades variavam entre dezesseis e dezenove anos, sendo que trinta e quatro alunos estavam com dezessete anos, o que representa sessenta e quatro por cento do total e dez alunos estavam com 18 anos, representando quase dezenove por centro
O gráfico 2 traz a distribuição do quantitativo de alunos por idade.
Gráfico 2: Distribuição dos alunos por idade

Em relação à analise das questões respondidas no questionário, dezessete alunos obtiveram nota menor que seis, o que representa trinta e dois por cento ou cerca de um terço dos alunos e trinta e seis alunos tiveram nota seis ou mais, sendo sessenta e oito por cento ou dois terços do total.
Assim, podemos aferir que a maioria dos alunos tem certo conhecimento acerca das infecções sexualmente transmissíveis, conforme o gráfico 3.
Gráfico 3: Notas do questionário

5. CONCLUSÃO
De acordo com a análise dos resultados obtidos, podemos constatar que a falta um pouco de domínio dos alunos em relação às IST e outros temas relacionados é resultante da dificuldade de abordar a temática tanto no ambiente familiar quanto no escolar, devido ao tabu que a cerca.
O caminho para solucionar tal problemática pode ser a implementação de uma educação sexual de qualidade nas escolas, que não se concentre somente em uma metodologia centralizada na biologia e meramente preventiva, mas em uma abordagem mais humana, que esteja imersa no contexto sociocultural do público jovem.
Os resultados evidenciam a importância da educação sexual na prevenção de IST/AIDS. É importante ressaltar que o trabalho educativo nas escolas acerca das ISTs tem papel relevante na formação de pessoas mais engajadas e conscientes com relação ao cuidado em saúde. Além disso, entendemos que outras pesquisas são necessárias para entender melhor o perfil desta população e desenvolver estratégias eficazes de educação e prevenção.
Contudo, podemos inferir que a educação sexual no ambiente escolar pode ser um recurso para a desconstrução de informações equivocadas sobre a sexualidade e na prevenção de IST’s, ressaltando a importância do sexo seguro, considerando o contexto de vida de cada indivíduo.
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