REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511220551
Cleciane Martins Silva
Josseni Ferreira De Souza
Orientadora: Profª Andressa Rodrigues Lopes
RESUMO
As técnicas de cuidados com feridas têm sido registradas desde os tempos antigos, pelos gregos e egípcios. Muitas dessas práticas foram amparadas em conhecimentos e condutas individuais e dirigidas pelas necessidades da época, tais como recuperar ferimentos em soldados provocados por arma de fogo durante a guerra. No século XX, vários trabalhos de pesquisa foram elaborados visando não apenas identificar o melhor tratamento, mas também alcançar a compreensão do complexo processo de cicatrização (BORGES,2008).
Segundo SILVA (2009), dentre inúmeros produtos e métodos terapêuticos disponíveis que podem ser adotados para potencializar o tratamento padrão de lesões, vem ganhado destaque a oxigenoterapia hiperbárica (OHB), uma terapêutica indicada no tratamento de feridas agudas ou crônicas, de natureza infecciosa, isquêmica, traumática ou infecções.
Este estudo trata-se de revisão integrativa da literatura baseada em evidências que objetivou identificar a efetividade da oxigenioterapia hiperbárica de forma isolada no tratamento de lesões cutâneas. Nos últimos anos surgiram novos conhecimentos e avanços tecnológicos que possibilitaram a melhora nos resultados de clientes que tiveram problemas com feridas crônicas, refratárias e debilitantes. Assim, a oxigenoterapia hiperbárica tem possibilitado auxílio no tratamento de lesões cutâneas. O número de publicações revisadas para compor essa amostra foram totalizadas em 05 artigos, demonstrado o uso de oxigenoterapia hiperbárica como forma de terapia adjuvante para o tratamento de lesões.
Descritores: oxigenação hiperbárica, efetividade e cicatrização.
ABSTRACT
The techniques of wound care have been recorded since ancient times, Greeks and Egyptians. Many of these practices were supported in knowledge and individual conduct and directed by the needs of the time, such as injuries to recover soldiers caused by firearms during the war. In the twentieth century, several research studies were designed to not only identify the best treatment, but also achieve an understanding of the complex healing process (Borges, et al, 2008).
According to Silva (2009), among numerous products and treatment methods available that can be adopted to enhance the standard treatment of injuries, has gained prominence hyperbaric oxygen therapy (HBO) therapy indicated for the treatment of acute or chronic wounds, infectious in nature, ischemic, traumatic or infectious.
This study deals with the review of the literature intergrades strategy that aimed to identify the effectiveness of hyperbaric oxygen therapy in isolation in the treatment of skin lesions. possible the improvement in outcomes of clients who had problems with chronic wounds, refractory and debilitating. Hyperbaric oxygen therapy has enabled aid in the treatment of skin lesions. The number of publications reviewed for this study were composed in 2005 totaled articles, demonstrated the use of hyperbaric oxygen therapy as a form of adjuvant therapy for treatment of injuries.
Keywords: hyperbaric oxygenation, and healing effectiveness.
1 INTRODUÇÃO
As técnicas de cuidados com feridas têm sido registradas desde os tempos antigos, pelos gregos e egípcios. Muitas dessas práticas foram amparadas em conhecimentos e condutas individuais e dirigidas pelas necessidades da época, tais como recuperar ferimentos em soldados provocados por arma de fogo durante a guerra. No século XX, vários trabalhos de pesquisa foram elaborados visando não apenas identificar o melhor tratamento, mas também alcançar a compreensão do complexo processo de cicatrização (BORGES, 2008).
O tratamento padrão de feridas, de forma geral, tem por objetivo preparar o leito lesado a fim de promover condições fundamentais para a sua cicatrização: um meio úmido – facilitando o deslocamento das células, favorecendo o crescimento e a divisão celular e a eliminação de patógenos (SILVA, 2009).
A reparação do tecido lesado necessita de um ambiente que propicie a formação de colágeno, a angiogênese, a epitelização e a contração da ferida. Atendidas essas exigências, a reparação é obtida com mais sucesso em um ambiente local onde existam ótimas condições de temperatura, hidratação e oxigenação (BORGES, 2008).
Segundo Silva (2009), dentre inúmeros produtos e métodos terapêuticos disponíveis que podem ser adotados para potencializar o tratamento padrão de lesões, vem ganhando destaque a oxigenoterapia hiperbárica (OHB). Essa terapêutica é indicada no tratamento de feridas agudas ou crônicas, de natureza infecciosa, isquêmica, traumática ou infecciosa. Nas práticas clínica, temos observado que os pacientes com lesões crônicas vêm aumentado à taxa de ocupação hospitalar permanecendo nas instituições por um longo período, além de demandarem o uso de antibióticos para tratamento de infecção presente, período, além de demandarem o uso de antibióticos para tratamento de infecção presente, algumas vezes, na lesão.
Considerando-se que a literatura associa o tratamento de lesões cutâneas a diferentes terapêuticas, optou-se por levantar evidências científicas que determinem à efetividade da oxigenoterapia hiperbárica para tratamento de lesões cutâneas. Relembra-se que atualmente, não há na literatura estudos de evidência da oxigenoterapia hiperbárica no tratamento de lesões cutâneas refratárias.
Desta forma, pretende-se responder ao seguinte questionamento: a oxigenoterapia hiperbárica é efetiva quando usada isoladamente no tratamento de lesões cutâneas? Considerando-se a gravidade da ocorrência de lesões cutâneas em pacientes hospitalizados, observa-se que existem poucas indicações para tratamento de lesões com a oxigenoterapia hiperbárica, bem como escassez de conhecimento dos profissionais da saúde para a escolha da terapia em questão. Não há um conhecimento prévio na maioria das instituições hospitalares a respeito do uso da oxigenoterapia hiperbárica como proposta terapêutica para tratamento de lesões cutâneas, reforçando a importância da implementação de um estudo dessa natureza. Espera-se que os resultados do estudo possam contribuir para melhorias no planejamento e atendimento ao paciente portador de lesões cutâneas e, ainda motivar estudos. sobre o impacto da utilização da oxigenoterapia hiperbárica no tratamento de lesões cutâneas.
2 OBJETIVO
Identificar a efetividade da oxigenoterapia hiperbárica no tratamento de lesões cutâneas.
3. CONTEXTUALIZAÇÃO
Para, LACERDA, (2006), etimologicamente, hiperbárico é o termo composto pelos radicais hiper + baros. Hiper é um prefixo grego que indica excesso ou acima; baros, também oriundo do grego, indica pressão, peso ou densidade. Oxigenoterapia (oxis= ácido; genção = produzir; therapeia = tratamento) é o tratamento por inalação de oxigênio, muitas vezes associado à respiração artificial.
Segundo DEALEY (2008), a oxigenoterapia vem sendo usada há muitos anos na recompressão para mergulhadores, portadores de complicações causadas pela descompressão. Mais recentemente, tem sido usada para tratamento de feridas de difícil cicatrização. O tratamento com oxigênio hiperbárico é definido como “o paciente respirando em ambiente com 100% de oxigênio, intermitentemente, num ponto mais alto do que a pressão no nível do mar”. O tratamento é administrado colocando o paciente dentro de uma câmara de pressão, que pode ser projetada para uma ou mais pessoas. Conforme VAL (2003), a oxigenoterapia consiste na inalação intermitente de oxigênio (O²) a 100% sob uma pressão atmosférica maior que um atmosfera (ATA).
A elevada pressão parcial de oxigênio no ar inspirado determina um aumento nos níveis de oxigênio dissolvidos no plasma sanguíneo, fundamento dessa modalidade terapêutica. Essa terapêutica teve como marco inicial o ano de 1622 em que Henshaw, um pastor inglês, construiu uma câmara selada, a qual denominou domicillim– atualmente câmara hiperbárica – usando pela primeira vez o ambiente hiperbárico para fins terapêuticos, embora utilizasse naquela época somente o ar comprimido. SOUZA, 2007.
Contudo, a era da oxigenoterapia normobárica moderna, baseada em princípios científicos sólidos, só se iniciou verdadeiramente, com as publicações de J.S. Haldane, a partir de 1917, nas quais o seu autor definiu a hipoxemia, explanou a sua fisiologia, nomeou as suas principais causas, referiu os seus efeitos deletérios sobre o organismo humano, e salientou os efeitos benéficos da oxigenoterapia, particularmente causadas por insuficiência respiratória e circulatória. SOUZA, 2007.
Muitos estudos com oxigenoterapia hiperbárica foram desenvolvidos, embora a utilização de câmaras hiperbáricas na medicina clínica com o embasamento científico só tenha se iniciado em 1955, passando a ser habitualmente recomendada para tratamento de feridas crônicas a partir de 1964, quando foi usada a primeira vez no tratamento de úlceras traumáticas e na prevenção de necrose de enxertos e retalhos de pele.
Contudo, a oxigenoterapia hiperbárica só viria a ser introduzida na prática clínica, com bases cientificamente credíveis, a partir de meados do século XX. Nas últimas décadas, os serviços de oxigenoterapia hiperbárica vêm ganhando força e se expandindo mundialmente.
No Brasil, encontra-se regulamentada desde 1955 pelo Conselho Federal de Medicina, por meio da resolução nº. 1.457, que define as doenças que devem ser tratadas com esse método e norteia sua prática e cobertura pelos planos e seguros de saúde. Como conseqüência desse fenômeno, observa-se uma melhor evolução no processo de cicatrização das feridas e o combate efetivo a diversas infecções, processos seriamente prejudicados pela deficiência de oxigenação (VAL, 2003). Esse processo de hiperóxia ocorre utilizando-se ambientes fechados, denominados câmaras, que são capazes de acomodar um paciente (monopaciente) ou vários pacientes (multipacientes) (VAL, 2003
As câmaras monoplace, são em sua maioria, pressurizadas com oxigênio puro, que é inalado pelo cliente diretamente da atmosfera da câmara. As multiplaces são pressurizadas somente com ar comprimido, com o oxigênio fornecido através da máscara oronasal, capuz cefálico ou, nos casos de clientes traqueostomizados, de tubo endotraqueal (SILVA,2009).
O oxigênio é absolutamente indispensável para o funcionamento de todos os nossos tecidos orgânicos, sendo um elemento fundamental para sua restauração quando acontece alguma lesão tecidual em nosso corpo, o nível de oxigênio tecidual necessário para, em condições normais, atender ás necessidades fisiológicas teciduais é muito baixo, de 35 a 40 mmHg. No entanto, nem sempre esse nível mínimo de oxigênio exigido é alcançado quando se trata de situações em que ocorre desestrutura da anatomia local por trauma, bloqueio de capilares, presença de edema e inflamação, resultando na ocorrência de uma ferida. Na década de 1960, vários estudos comprovaram que o processo de cicatrização estava diretamente relacionado com o suprimento de oxigênio (SILVA, 2009).
Na década de 1970, estudos de avaliação do oxigênio tecidual demonstraram, por meio realização de oximetrias transcutâneas, que feridas refratárias apresentam valores da concentração tecidual de oxigênio abaixo de 20 mmHg, ou seja, valores que geralmente inviabilizariam o processo de recuperação desses tecidos lesados e que são significativamente aumentados na vigência do emprego da oxigenoterapia hiperbárica, mudando totalmente o prognóstico (SILVA, 2009).
Do ponto de vista fisiológico, a oxigenoterapia hiperbárica é um valioso método é um valioso método terapêutico quando empregado na recuperação de tecidos lesionados, uma vez que consegue corrigir a hipóxia na região da ferida. Seu mecanismo de ação está fundamentado, na elevação da pressão parcial de oxigênio (ppO2), basal da ferida a valores iguais ou acima de 40 mmHg, suficientes para garantir a realização de todas as etapas da cicatrização dependentes de oxigênio.
De acordo com GOGIA (2003), as tensões aumentadas de oxigênio, melhoram o processo de cicatrização, aprimorando a capacidade fagocítica dos leucócitos para destruir bactérias e outros materiais estranhos, além de aumentar a epitelização, a contração da ferida e a síntese de colágeno, resultando em maior resistência tensional da ferida.
Conforme LACERDA (2006), a oxigenoterapia hiperbárica exerce seus efeitos terapêuticos através da alta concentração de oxigênio dissolvido nos líquidos teciduais. São quatro os principais efeitos da OHB:
– Proliferação de fibroblastos: a OHB, por meio do aumento de oxigênio dissolvido nos líquidos teciduais, permite a chegada de concentrações adequadas de oxigênio em tecidos pouco vascularizados favorecendo a cicatrização de feridas de difícil cicatrização.
-Neovascularização: durante as sessões de OHB, os tecidos recebem maior quantidade de oxigênio que o normal. Imediatamente após a sessão, os tecidos corporais são submetidos a uma hipóxia relativa (volta à concentração normal de oxigênio), efeito este responsável pela estimulação da neovascularização.
– Atividade osteoclástica e osteoblástica: – a OHB, pelo aumento de oxigênio dissolvido nos líquidos teciduais, permite a chegada de concentrações adequadas de oxigênio nos ossos, permitindo as atividades osteoclásticas e osteoblásticas, sendo indicado, desta forma, no tratamento adjuvante da osteomielite crônica.
– Ação antimicrobiana: – a tensão de oxigênio desempenha um papel crítico no desenvolvimento de infecções. Várias condições patológicas, como lesões ou infecções podem diminuir notavelmente a tensão de oxigênio no sítio afetado, onde o fluído de lesões experimentais frequentemente apresenta valores inferiores a 10mmHg. Em infecções ósseas experimentais verificam-se reduções de 50% das tensões normais. Portanto, condições de considerável hipóxia ou mesmo anaerobiose são verificadas em tecidos orgânicos infectados, favorecendo o crescimento de bactérias específicas. A princípio, é nestas infecções que a hipóxia hiperbárica apresenta maior potencial terapêutico. Vários mecanismos antibióticos foram identificados na ação direta da hiperóxia sobre bactérias em estudos de biologia molecular de microorganismos, tais como:
– Inibição da biossíntese de aminoácidos – a OHB bloqueia a dihidroxi-ácido desidratase favorecendo a proteólise e bloqueando o crescimento bacteriano: – Inibição da síntese e degradação de ácido desoxirribonucléico (DNA) e lesões diretas ao ácido ribonucléico (RNA) da bactéria são induzidas por radicais ativados do oxigênio, favorecendo a ação microbicida e microbiostática direta do oxigênio, formando radicais livres inibindo o metabolismo bacteriano; Inúmeros trabalhos científicos experimentais e clínicos (SILVA 2009; DEALEY 2008; KRANKE, 2004; KALANI. 2002 e WANG 2003) têm demonstrado os efeitos fisiológicos e os mecanismos de ação do oxigênio hiperbárico. Apesar disso, restam ainda questões não totalmente respondidas no processo de sua efetividade no tratamento de lesões crônicas.
No Brasil temos dois tipos de câmaras hiperbáricas: as câmaras do tipo “monoplace’’ ou monopacientes, pequenas, geralmente são utilizadas com oxigênio a 100% e comporta apenas um paciente, que respira neste ambiente hiperbárico, sem usar máscara ou capuz. As câmaras com dois ou mais compartimentos, são chamadas “multiplaces” ou multipaciente, têm capacidade para até mais de dez pessoas, incluindo um profissional que opera a câmara de seu interior. Este profissional também assiste e faz medicações nos pacientes, que não precisam ter o tratamento medicamentoso interrompido durante as sessões. Em casos mais graves, o médico pode entrar pela antecâmara e realizar procedimentos, sem que seja interrompido o tratamento hiperbárico deste e dos outros pacientes. Como os ambientes destas câmaras são comprimidos com ar, os pacientes usam máscaras, capuzes ou tubos endotraqueais para inalarem o oxigênio (MARCONDES e LIMA, 2006).
São reconhecidas pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), como indicação para a aplicação de OHB: as embolias gasosas; a doença descompressiva; as embolias traumáticas pelo ar; o envenenamento por gás carbônico ou inalação de fumaça; o envenenamento por cianeto ou derivados cianídricos; a gangrena gasosa; a síndrome de fournier; outras infecções necrotizantes de tecidos moles (celulites, fasceítes e miosites), as isquemias agudas traumáticas (lesão por esmagamento, síndrome compartimental, reimplantação de extremidades amputadas e outras); as vasculites agudas de etiologia alérgica, medicamentosa ou por toxinas biológicas (aracnídeos, ofídeos e insetos); as queimaduras térmicas e elétricas; as lesões refratárias (úlceras de pele, lesões do “pé diabético’’, úlceras por pressão, úlcera por, vasculites autoimunes, deiscências de suturas); as lesões por radiação (radiodermite, osteoradionecrose e lesões actínicas de mucosas); os retalhos ou enxertos comprometidos ou de risco; as osteomielites; a anemia aguda, em casos de impossibilidade de transfusão (MARCONDES e LIMA, 1997).
A OHB consiste em uma modalidade segura apresentando poucas contra indicações. Os efeitos colaterais da OHB estão relacionados à variação da pressão e toxicidade do oxigênio. A toxicidade do oxigênio está relacionada à dose oferecida e ao tempo de exposição ao tratamento hiperbárico. As toxicidades pulmonar (inexistente com doses clínicas de OHB) e neurológica são as mais importantes. Os efeitos colaterais da OHB são os seguintes.
• Toxicidade pulmonar: tosse seca, dor retrosternal e edema pulmonar.
• Toxicidade neurológica: parestesias e convulsão (1:10.000 tratamentos) • Desconforto e barotrauma auditivos
• Desconforto em seios da face
• Alterações visuais transitórias
Para LACERDA, (2006), a grande maioria dos efeitos colaterais e complicações oriundas da OHB são decorrentes da Lei de Boyle, manifestando-se durante a compressão (aumento da pressão dentro da câmara hiperbárica) ou a descompressão.
O barotrauma de ouvido médio é a complicação mais freqüente encontrada durante as sessões de OHB. Ocorre durante a compressão quando não há equalização das pressões no ouvido médio, através da trompa auditiva. Sua principal causa é obstrução da trompa decorrente de congestão como no estado gripal.
A embolia arterial gasosa é uma das complicações mais graves que podemos encontrar durante um tratamento hiperbárico. Ocorre no final do tratamento, durante a descompressão quando o paciente não exala o ar dos seus pulmões. Pela lei de “Boyle’’, com a diminuição da pressão dentro da câmara ocorre uma expansão dos gases, de tal forma que, se não houver a exalação do ar haverá uma ruptura pulmonar com entrada de ar na circulação arterial. Esta complicação pode ocorrer em pacientes com pneumopatias que aprisionem ar nos alvéolos, devido aos bronquíolos obstruídos.
De acordo com Desola, (1998), não há condição que seja estritamente contra indicado a aplicação da OHB. Algumas situações requerem planejamento cuidadoso e avaliação da relação custo benefício. Condições como pneumotórax, existência de toracotomias, doenças infecciosas e respiratórias superiores, sinupatías agudas ou crônicas exigem uma maior cautela, no entanto, tomando as precauções necessárias, não acarretam maiores problemas quando a OHB é indicada.
A OHB, não só proporciona um aumento significativo da disponibilidade do oxigênio molecular ao nível dos tecidos como causa uma vasoconstrição hiperóxia, , não hipoxemiante, seletiva, ocorrendo predominantemente, ao nível dos tecidos saudáveis, com atenuação do edema e redistribuição da volemia periférica a favor dos tecidos hipóxicos (efeito “Robin Hood”), mecanismo fisiológico este, que acentua os efeitos anti-isquémicos e anti hipóxicos desta modalidade complementar de tratamento ao nível de extremidades (SOUZA, 2007).
O aumento da disponibilidade local de oxigênio molecular ao nível das lesões hipóxicas, promove, por sua vez, a sua cicatrização (aumento, quantitativo e qualitativo, do colágeno fibroblástico, depositado ao nível da matriz extracelular de tecido conjuntivo, estimulação da angiogênese local e da reepitelização) e combate a infecção local (aumento da atividade fagocitária das bactérias e da sua lise ao nível dos granulócitos polimorfonucleares neutrófilos, sinergismo em relação a certos antibióticos, efeito bacteriostático e bactericida, este último em anaeróbios estritos). SOUZA, 2007.
A terapia hiperbárica passou por um grande desenvolvimento, graças principalmente ao aprofundamento do estudo de novas formas de tratamento, notadamente na competência médica. Dessa forma, hoje, inúmeros hospitais públicos e privados contam com serviços de medicina hiperbárica no Brasil e no exterior, tendo em vista não só a melhora da qualidade de vida dos pacientes tratados com essa forma terapêutica, mas também a considerável redução do tempo e do gasto com internações hospitalares prolongadas, procedimentos intervencionistas, uso de antibióticos caros, além dos curativos diários e das indenizações por afastamento de trabalho.
4. PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
O presente estudo adotou como referencial teórico-metodológico a Prática baseados em Evidências (PBE). Por definição a Prática Baseada em Evidências compreende o uso consciente explícito e judicioso da melhor evidência atual para a tomada de decisões sobre o cuidar individual do paciente, compreende um processo integralizador da competência clínica individual com os achados clínicos gerados pelas pesquisas sistemáticas existentes e nos princípios da epidemiologia clínica. Os elementos da práticos baseados em evidências são constituídos pelas técnicas de tomada de decisão clínica, pelo acesso ás informações graus de eficiência e efetividade que possuem (DOMENICO e IDE, 2003).
A PBE envolve a definição de um problema, a busca e a avaliação crítica de evidências disponíveis, a implementação das evidências na prática e a avaliação dos resultados obtidos. Assim, essa abordagem encoraja a assistência à saúde fundamentada em conhecimento científico, com resultados de qualidade e com custo efetivo (MENDES 2008).
Os enfermeiros são constantemente desafiados na busca de conhecimento científico a fim de promoverem a melhoria do cuidado ao paciente. Um dos propósitos da prática baseada em evidências é encorajar a utilização de resultados de pesquisa junto á assistência à saúde prestada nos diversos níveis de atenção, reforçando a importância da pesquisa para a prática clínica (MENDES et al, 2008).
Stetler. (1998) propõem que as produções científicas obedeçam uma hierarquia pautada em seus níveis e na qualidade da evidência científica produzida, o quadro 1 demonstra sistematicamente os níveis e as fontes de evidência. Ao classificar os estudos estamos na verdade dizendo qual a força de evidência que o mesmo produziu.

4.1 Métodos e etapas
Optou-se como método de análise para este estudo, pela revisão integrativa, foram analisados estudos primários para identificar a resposta sobre a efetividade do uso de ESTRATÉGIA DE oxigenioterapia hiperbárica de forma isolada para tratamento de lesões cutâneas a revisão integrativa da literatura também é um dos métodos de pesquisa utilizados na PBE que permite a incorporação das evidências na prática clínica. Esse método tem a finalidade de reunir e sintetizar resultados ESTRATÉGIA DE de pesquisas sobre um delimitado tema ou questão, de maneira sistemática e ordenada, contribuindo para o aprofundamento do conhecimento do tema investigado. Desde 1980 a revisão integrativa da literatura é relata como método de pesquisa. (MENDES,2008).
No geral, para a construção da revisão integrativa é preciso percorrer seis etapas distintas, similares aos estágios de desenvolvimento de pesquisa convencional, sendo a identificação do tema e seleção de hipóteses ou questão de pesquisa para a elaboração da revisão integrativa, estabelecer critérios para inclusão e exclusão de estudo/ amostragem ou busca da literatura, definição das informações a serem extraídas dos estudos selecionados/categorização dos estudos, avaliação dos estudos incluídos na revisão integrativa, interpretação dos resultados e apresentação da revisão/síntese do conhecimento (MENDES, 2008).
Este estudo consistiu pela elaboração da seguinte questão: a oxigenioterapia hiperbárica tem efetividade para o tratamento de lesões cutâneas quando usada de forma isolada ? A busca para encontrar a resposta foi realizada através da estratégia de busca como mostra o quadro 2. Para a busca foram utilizados os formulários básicos e descritores de assunto. Para que não se perdessem conteúdos de relevância dessa temática foram realizadas buscas distintas utilizando-se descritores diferentes. Para realização da busca foram utilizados os descritores: oxigenação hiperbárica or oxigenioterapia hiperbárica or hiperbaric oxigen and effectiveness or efectividad or efetividade or treatment outcome or resultado del tratamiento or eficácia de tratamento or resultado de reabilitação foram encontrados 20 estudos, no LILAC, 06 estudos no IBECS e 582 estudos no MEDILAINE e 36 estudos no COCHRANE.
QUADRO 2

4.2 Critérios de inclusão e exclusão
Para os critérios de inclusão do estudo compuseram a amostra:
• Estudos primários realizados em humanos;
• Portadores de lesões cutâneas adultos;
• Estudo randomizado controlado;
• Estudo randomizado não controlado;
• Estudo descritivo com intervenção;
• Apresentar resultados decorrentes da intervenção;
• Indicar a taxa de pessoas que tiveram as lesões curadas ou redução da aera lesada;
• Ter sido publicado em periódicos nacionais e internacionais e de circulação no Brasil;
• Nos idiomas português, inglês e espanhol;
• No período de 2005 á 2010;
• Artigos que aborde tratamento de lesões por meio da oxigenoterapia hiperbárica
• Este estudo deveria abordar pelo menos um desses desfechos para sua seleção. Na seleção dos estudos primários a base de dados utilizada foi a biblioteca Virtual de Saúde BVS, LILACS (Literatura Latino Americana e do Caribe), COCHRANE, IBECS (Índica Bibliográfico Espanhol em Ciências da Saúde), SCIELO (Scientific Electronic Library Online) e BDENF (Base de Dados de Enfermagem). Foram identificadas 644 publicações que foram submetidas à leitura de títulos e resumos, conforme o quadro 3:

Nesse processo resultaram da seleção 05 artigos para composição da amostra para facilitar esse etapa os estudos foram submetidos à segunda leitura na integra dos artigos e elaborou-se um instrumento para sua coleta (Apêndice).
5 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Na presente revisão integrativa, foram analisados 644 artigos científicos e 05 artigos compuseram a amostra, as características dos estudos e a síntese de suas análises estão apresentadas no quadro a seguir.
De acordo com a caracterização dos artigos que fizeram parte dessa amostra, segundo as variáveis do estudo, constatou-se que a maioria dos artigos estão indexados na base de dados do Medlaine, e no Cochraine foi selecionado apenas 01 artigo. Ao realizarmos esse estudo verificou-se que existem na literatura consultada vários tipos de lesões sendo tratadas pela oxigenioterapia hiperbárica, porém os artigos selecionados que compuseram a amostra estão retratando sobre o uso da oxigenioterapia hiperbárica para tratamento de lesões de cutâneas de etiologia diabética, estudos 01, 02, 03, 04 e 05.
Nestes estudos, o tratamento para as lesões cutâneas de pré diabético obtiveram êxito quando a terapia hiperbárica foi utilizada, porém como terapêutica adjuvante. Em todos os casos fez-se necessário a utilização de antibioticoterapia, associada ao desbridamento cirúrgico e/ ou amputação.
A literatura sobre esse assunto é vasta em estudos realizados por Fife, (2007) Duzgun. (2008), Furtado (2008), Ong (2008), Chen. (2010) e Löndahl, (2010), a oxigenoterapia hiperbárica teve efeitos positivos na cicatrização de feridas no pé diabético com infecção, porém em todos os casos como terapia adjuvante, , ou seja, associada a.
Para Berendt (2006), ainda não há evidências científicas suficientes para indicação de oxigenoterapia hiperbárica como tratamento único, em pé diabético. Uma revisão sistemática da colaboração Cochrane concluiu que a terapia com oxigênio hiperbárico pode ter valor no tratamento de feridas diabéticas, mas os estudos revistos todos tiveram deficiências metodológicas e os efeitos positivos do tratamento não foi observado no estudo randomizado. O quadro nº 4 a seguir demonstra os estudos.


6. CONCLUSÃO
Embora a oxigenação hiperbárica seja utilizada desde os anos 60 no Brasil, para diferentes afecções, com base no aumento da oxigenação dos tecidos pelo aumento do oxigênio dissolvido no plasma quando o mesmo é respirado em condições de pressão elevada, o uso da oxigenação hiperbárica é, ainda hoje, motivo de controvérsias. Apesar de existir um grande número de artigos publicados sobre o assunto na biblioteca virtual de saúde, a maioria dos trabalhos realizados resume-se a descrições de casos e ensaios clínicos não controlados ou com controles não suficientemente seguros, o que fornece pouca evidência para sua indicação em diferentes situações clínicas. Para indicar essa terapia, mesmo que utilizada, apenas como método complementar, como mostram os autores, sugere-se que outros trabalhos controlados devam ser realizados, para sabermos se existe realmente um efeito terapêutico.
Reconhece-se que esse tratamento possa ser útil para algumas lesões. No entanto, esse fato não evidencia substancialmente sua indicação para início do tratamento de forma, isolada. Lembra-se que sérios eventos adversos podem ocorrer e que ensaios clínicos randomizados e controlados devam ser realizados para avaliar os riscos e benefícios, a curto e longo prazo, permitindo, assim, uma decisão clínica mais adequada.
Dessa maneira, esse estudo concluiu que ainda não há evidências científicas de cura ou melhora significativa de lesões crônicas com a utilização da OTH de forma isolada. Esta parece ser eficaz quando associada a outras terapias, ou seja, como terapia adjuvante.
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APÊNDICE
Instrumento de coleta de dados
Referência__________________________________________________________ Qualificação________________________________________________________ Fonte_______________________________________________________________
Ano de publicação__________________________________________________ Objetivo____________________________________________________________
Delineamento do estudo____________________________________________ Amostra____________________________________________________________
Classificação do nível de evidência___________________________________ Recomendação_____________________________________________________
