THE INFLUENCE OF PHYSIOTHERAPY IN REDUCING LABOR: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511110219
Bruna Castro Araújo¹
Rafaelle Guimarães de Azevedo¹
Sara Cabral Portela¹
Suelane Barbosa de Andrade¹
Dr. Thaiana Bezerra Duarte²
RESUMO
Introdução: O parto vaginal se constitui uma experiência fisiológica e singular para a mulher, caracterizada por momentos de dor e alterações no seu corpo, sendo essencial adotar técnicas fisioterapêuticas que promovam bem-estar e segurança durante esse processo, e auxiliem na redução do tempo de trabalho de parto, minimizando riscos maternos e fetais, além de diminuir a necessidade de cesarianas. Nesse contexto, a fisioterapia se apresenta como recurso eficaz por meio de técnicas como relaxamento do assoalho pélvico, respiração diafragmática, mobilidade pélvica com bola suíça, massagens terapêuticas, incentivo à deambulação, banhos quentes, que favorecem a analgesia não farmacológica, a dilatação cervical e a descida fetal. Objetivo: O presente estudo teve como objetivo verificar o impacto das intervenções fisioterapêuticas na redução do tempo do trabalho de parto, identificar as técnicas mais eficazes, analisar a influência da mobilização pélvica e do posicionamento da pelve, bem como investigar a contribuição da deambulação para o processo de dilatação uterina. Materiais e métodos: Trata-se de uma revisão de literatura realizada nas bases SciELO, PubMed e PEDro, com busca conduzida entre agosto e setembro de 2025. Foram incluídos artigos de intervenção fisioterapêuticas para redução do tempo de trabalho de parto. Excluídos artigos publicados antes de 2014 e em outros idiomas além de português e inglês. Resultados: Inicialmente, foram identificados 55 estudos; após a aplicação dos critérios de elegibilidade, 5 artigos compuseram a revisão. Os achados evidenciam que a atuação fisioterapêutica contribui para a redução do tempo do trabalho de parto e para melhores desfechos obstétricos, reforçando a importância de inserir as técnicas na assistência perinatal. Conclusão: Essa revisão demonstrou que as intervenções fisioterapêuticas exercem influência positiva durante o trabalho de parto, contribuindo para sua redução e tornando o processo mais seguro, eficiente e humanizado. Técnicas como a mobilização pélvica, o uso da bola suíça, a deambulação, massoterapia, exercícios respiratórios e a aplicação de água morna, mostraram eficácia no alívio da dor, na redução do tempo de parto e no aumento do conforto materno. A mobilização pélvica. Destacou-se por favorecer a dilatação cervical, o encaixe fetal e a eficiência das contrações, contribuindo para um parto mais fisiológico e menos medicalizado. Dessa forma, reforça-se o papel essencial da fisioterapia na assistência obstétrica e a necessidade de ampliar estudos e protocolos que consolidam essas práticas na assistência ao parto.
Palavras-chave: Fisioterapia. Intervenções. Saúde da mulher. Trabalho de parto. Redução do tempo do parto.
ABSTRACT
Background:Vaginal childbirth is a physiological and unique experience for women, characterized by moments of pain and bodily changes. It is essential to adopt physiotherapeutic techniques that promote well-being and safety during this process, as well as assist in reducing the duration of labor, minimizing maternal and fetal risks, and decreasing the need for cesarean sections. In this context, physiotherapy stands out as an effective resource through techniques such as pelvic floor relaxation, diaphragmatic breathing, pelvic mobility using a Swiss ball, therapeutic massages, encouragement of ambulation, and warm baths, all of which promote non-pharmacological analgesia, cervical dilation, and fetal Pourpose: The present study aimed to verify the impact of physiotherapeutic interventions on reducing labor duration, identify the most effective techniques, analyze the influence of pelvic mobilization and pelvic positioning, as well as investigate the contribution of ambulation to the process of uterine dilation. Methods: This is a literature review conducted in the SciELO, PubMed, and PEDro databases, with the search carried out between August and September 2025. Articles addressing interventions aimed at reducing labor duration were included. Studies published before 2014 and those written in languages other than Portuguese and English were excluded. Results: Initially, 55 studies were identified; after applying the eligibility criteria, 5 articles were included in the review. The findings show that physiotherapeutic intervention contributes to reducing labor duration and improving obstetric outcomes, reinforcing the importance of incorporating these techniques into perinatal care. Conclusion: This review demonstrated that physiotherapeutic interventions have a positive influence during labor, contributing to its reduction and making the process safer, more efficient, and more humanized. Techniques such as pelvic mobilization, use of the Swiss ball, ambulation, massage therapy, breathing exercises, and the application of warm water proved effective in relieving pain, reducing labor duration, and increasing maternal comfort. Pelvic mobilization stood out for promoting cervical dilation, fetal fitting and the efficiency of contractions, contributing to a more physiological and less medicalized childbirth. Thus, this reinforces the essential role of physiotherapy in obstetric care and the need to expand studies and protocols that consolidate these practices in childbirth assistance.
Keywords: Physiotherapy. Interventions. Women’s health. Labor. Reduction.
1 INTRODUÇÃO
O parto é uma experiência única e de grande importância para a mulher, pois trata-se de um evento que possibilita dar à luz outro ser humano. Esse momento culmina com alegrias e dores próprias do ato porquanto o trabalho de parto assim ocorre. É considerado um evento psicossocial, caracterizado por uma condição fisiológica, na qual o feto nasce espontaneamente através da via genitália, entre 37 e 42 semanas completas de gestação. Pode ser realizado de maneira planejada, sendo espontâneo ou induzido, onde após o nascimento, tanto a mãe quanto o bebê estão em boas condições (Melo; Davim; Silva, 2015).
O trabalho de parto é marcado por um período de dor intensa, apesar de ser uma experiência fisiológica, a dor é um fator negativo tanto à parturiente, quanto a quem a está acompanhando (Canesin; Amaral; 2010). O parto vaginal acontece em três fases: a primeira consiste em contração uterina e dilatação do colo do útero; a segunda consiste na expulsão do feto; e a terceira etapa finaliza-se com a expulsão da placenta e da bolsa de líquido amniótico de forma espontânea ou induzida (Delgado et al., 2022).
O parto vaginal é amplamente reconhecido por oferecer diversos benefícios tanto à mãe quanto ao recém-nascido. A redução da duração do trabalho de parto (TP) é um fator relevante, pois está associada à diminuição de riscos maternos e neonatais. Pesquisas apontam que mulheres que realizam parto vaginal apresentam menores taxas de infecção puerperal, reduzida perda sanguínea e recuperação pós-parto mais rápida, quando comparadas às que passam por parto cesáreo (Diniz e Lumbiganon, 2010). Além disso, evidências científicas indicam que o parto vaginal contribui para menor ocorrência de complicações respiratórias no recém-nascido e reduz a necessidade de internação em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) (Declercq et al., 2013).
A assistência fisioterapêutica pode auxiliar a mulher a preparar-se e conscientizar-se sobre a necessidade de manter calma e estar relaxada durante o TP (trabalho de parto). Para isso, o fisioterapeuta poderá utilizar métodos não farmacológicos de alívio da dor, e técnicas que permitam potencializar a musculatura pélvica, a consciência corporal, com objetivo de proporcionar relaxamento e redução da dor (Brandolfi et al., 2017). O trabalho do fisioterapeuta também envolve conhecimento específico sobre o corpo e a biomecânica pélvica. Esse conhecimento é essencial para o respeito das preferências das mulheres durante o processo de trabalho, bem como dos aspectos gerais de sua saúde e evolução no trabalho de parto (Maria Petersson et al., 2021).
Sendo assim, a Fisioterapia dispõe de técnicas de baixo custo, tais como relaxamento do assoalho pélvico, respiração diafragmática, treino de expulsão do bebê, mobilidade pélvica com o uso da bola suíça, além de recursos não farmacológicos para analgesia como a massagem terapêutica, favorecendo na redução dos sintomas de dor, ansiedade e diminuindo o tempo de trabalho de parto e indicação de parto cesárea (Bavaresco et al., 2011).
Considerando esses aspectos, esse estudo é relevante pois contribui para a compreensão e desenvolvimento sobre técnicas fisioterapêuticas pois o TP (trabalho de parto) é marcado por um período intenso e se prolongado está associado a maiores riscos para mãe e bebê, sendo assim as implicações desta pesquisa são de longo alcance e podem informar, portanto essa lacuna científica evidência a necessidade de investigar intervenções fisioterapêuticas aplicadas no momento ativo do parto a fim de reduzir esse período, para comparar sua eficácia, onde se observa a escassez de um consenso, assim este estudo se justifica pela necessidade de produzir evidências mais consistentes (Souza et al., 2021).
Dessa forma, o presente estudo tem por objetivo verificar o impacto das intervenções fisioterapêuticas na redução de tempo no trabalho de parto, identificar as técnicas fisioterapêuticas que reduzem o tempo no trabalho de parto, investigar a influência da mobilização pélvica na dilatação do colo uterino e na descida fetal, verificar as evidências do posicionamento da pelve no trabalho de parto, analisar o benefício da deambulação para facilitar o processo de dilatação uterina.
2 MATERIAIS E MÉTODO
Trata-se de uma revisão de literatura.
Foi realizada uma busca na base de dados SciELO, PubMed e PEDro. Os descritores utilizados nas buscas de dados foram “ fisioterapia “ “ redução” e “ trabalho de parto”. A estratégia de busca que foi empregada nas bases de dados foram “Physical therapy OR physiotherapy AND women ‘s health AND parturition AND time AND reduction”.
A coleta de dados foi realizada nos meses de agosto e setembro de 2025.
Os critérios de inclusão foram: estudos de intervenção que utilizaram técnicas fisioterapêuticas para redução do tempo de trabalho de parto vaginal. Os critérios de exclusão foram: estudos publicados anteriormente de 2014, bem como aqueles publicados em idiomas diferentes de português e inglês.
Os resultados foram apresentados em forma de tabela.
3 RESULTADOS
A partir das buscas realizadas em três bases de dados, foram identificados 55 artigos científicos. Dentre esses, 9 foram excluídos por se tratar de duplicatas. Outros 12 foram desconsiderados por terem sido publicados há mais de 10 anos, 20 por não atenderem aos objetivos da pesquisa e 9 por não estarem disponíveis na íntegra. Após a aplicação de todos os critérios de elegibilidade, 5 artigos foram selecionados para compor esta revisão.
Foram selecionados cinco estudos para a presente análise. O estudo de Orsolin (2021) incluiu 12 participantes, com idade média superior a 18 anos e duração média do trabalho de parto de 4h50min. Santana (2022) avaliou 80 participantes, cuja idade média foi de 21,5 anos e a duração média do trabalho de parto foi de 6h13min. Delgado (2024) analisou uma amostra de 200 participantes, apresentando idade média de 25,5 anos e duração média do trabalho de parto de 6h32min. Já o estudo de Karkada (2020) contou com 261 participantes, com idade média de 26,51 anos e duração média do trabalho de parto de 5h51min. Por fim, Dos Santos (2019) investigou quatro participantes, com idade média de 32,25 anos e duração média do trabalho de parto de 4h. No total, os estudos reuniram 557 participantes, resultando em uma idade média geral de 24,75 anos.
Dentre os estudos utilizados nesta revisão as principais técnicas usadas no trabalho de parto, consistem em intervenções ativas, seguras, não farmacológicas e centradas na gestante, que favorecem a fisiologia do parto, o bem-estar materno e a redução da duração da fase ativa do trabalho de parto, tais como exercícios de mobilidade pélvica combinados a posturas verticalizadas (Orsolin et al., 2021). Mostraram-se eficazes na facilitação da descida fetal, contribuindo para uma progressão mais rápida do parto, como os protocolos que incluem deambulação, alternância de posturas, TENS e banho morno (Santana et al., 2022) não só reduziram a dor, mas também foram associados a uma diminuição no tempo da fase ativa, retardando a necessidade de analgesia farmacológica, o uso da bola suíça em exercícios de biomecânica pélvica (Delgado et al., 2024) promoveu maior mobilidade materna, estimulou a descida fetal e contribuiu para atalhar a duração do trabalho de parto, ao permitir posições mais favoráveis. Os exercícios respiratórios em diferentes padrões (Karkada et al.,2020) auxiliam no relaxamento, controle da dor e maior protagonismo da parturiente, impactando positivamente na dinâmica do parto. Por fim, a combinação de cinesioterapia, técnicas respiratórias, relaxamento, massoterapia e banho de aspersão (Dos Santos et al., 2019) mostrou benefícios no conforto físico e emocional, favorecendo um trabalho de parto mais eficiente.
Em síntese, a fisioterapia utilizada nos estudos integrou os exercícios de mobilidade, técnicas respiratórias, métodos de relaxamento e recursos analgésicos não farmacológicos, promovendo redução da dor, maior conforto, autonomia materna e diminuição do tempo total do trabalho de parto, contribuindo para um processo mais fisiológico, seguro e humanizado.
Figura 1- Fluxograma do estudo.

A Tabela 1 apresenta as principais características dos estudos incluídos, contendo:
autor e ano de publicação, modalidade terapêutica adotada, objetivo do estudo, tipo de intervenção realizada e os resultados obtidos.
Tabela 1- Características dos estudos selecionados.
| AUTOR / ANO | TIPO DE ESTUDO | OBJETIVO | INSTRUMENTO DA COLETA DE DADOS / INTERVENÇÕES | RESULTADOS |
| Orsolin et al., 2021 | Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória. | Identificar qual à posição da puérpera frente a assistência fisioterapêutica recebida durante o trabalho de parto. | Foi realizado um questionário contendo informações para conhecimento do perfil da puérpera, referente a aspectos socioeconômicos, demográficos e antecedentes obstétricos das participantes e entrevista com perguntas abertas, relacionadas ao parto, a informações sobre o TP (trabalho de parto) e intervenção fisioterapêutica realizada. Entre os métodos não farmacológicos para alívio da dor que foram utilizados, elas citaram a massagem, o banho e a bola como os principais meios para proporcionar este alívio. | Os achados do estudo permitem concluir que na percepção das puérperas, a intervenção fisioterapêutica ajuda na redução do quadro álgico, ansiedade e promove o relaxamento. Além de contribuir para o suporte emocional, trazendo maior confiança e segurança, proporcionando que a experiência de parto seja positiva e humanizada. |
| Santana et al., 2022 | Ensaio clínico randomizado. | Avaliar a eficácia de um protocolo não farmacológico de assistência ao parto em mulheres na fase ativa do trabalho de parto na melhoria dos resultados obstétricos e perinatais. | As participantes foram divididas em um grupo experimental (n = 40) e um grupo controle (n = 40). As mulheres no grupo experimental receberam 4 intervenções: deambulação a 4 a 6 cm de dilatação cervical, alternância de posturas maternas, estimulação elétrica nervosa transcutânea a 6 a 7 cm e banho de chuveiro morno a > 7 cm. O grupo controle recebeu apenas cuidados obstétricos de rotina durante o trabalho de parto. | As parturientes que receberam o protocolo não farmacológico tiveram uma fase ativa mais curta do primeiro estágio do trabalho de parto, apresentaram ruptura de membranas mais tardiamente no trabalho de parto, solicitaram analgesia farmacológica com dilatação cervical mais significativa, solicitaram menos doses adicionais de analgésicos e apresentaram menores taxas de distocia de parto do que as pacientes do grupo controle. Além disso, não houve diferença em outras variáveis maternas e perinatais entre o grupo controle e o grupo experimental. |
| Delgado et al, 2024 | Ensaio randomizado. | Avaliar a eficácia dos movimentos pélvicos ativos em uma bola suíça na redução da duração do primeiro estágio do trabalho de parto em comparação com os cuidados habituais. | O grupo experimental realizou anteversão e retroversão pélvica, inclinações pélvicas laterais e movimentos circulares do quadril, de acordo com a avaliação obstétrica individual (posição e posição fetal, dilatação cervical e presença de impulso precoce) em uma bola suíça. O grupo controle recebeu os cuidados habituais. Ambos os grupos foram autorizados a caminhar e tomar banho. | Movimentos pélvicos ativos sobre uma bola suíça durante o trabalho de parto reduziram a duração do trabalho de parto, a intensidade da dor, a fadiga e a ansiedade maternas; também reduziram o risco de cesárea e inchaço vulvar. Vários efeitos superaram o menor efeito significativo. |
| Karkada et al., 2020 | Ensaio clínico randomizado, prospectivo, simples-cego e controlado. | Testar a hipótese de que mulheres que participaram de um programa de exercícios respiratórios pré-parto, além dos cuidados pré-natais habituais, experimentariam o início espontâneo do trabalho de parto verdadeiro, parto vaginal espontâneo, menor duração do trabalho de parto e menor demanda por aumento do trabalho de parto do que mulheres pré-natais que recebem apenas os cuidados pré-natais padrão. | Mulheres primigestas elegíveis foram randomizadas em grupos de intervenção e de tratamento padrão. Ambos os grupos receberam tratamento obstétrico padrão. Além disso, o grupo de intervenção recebeu aulas de exercícios respiratórios anteparto e foi orientado a praticar diariamente e também durante o estágio ativo do trabalho de parto. | Um total de 98 (70%) mulheres primigestas que praticaram exercícios respiratórios anteparto apresentaram início espontâneo de trabalho de parto. A probabilidade de início espontâneo de trabalho de parto após a randomização no grupo de intervenção foi 2,192 vezes maior quando comparado ao tratamento padrão. Além disso, a necessidade de intensificação do trabalho de parto foi mínima e houve uma redução na taxa de partos cesáreos com base no teste. A duração média geral do trabalho de parto foi menor em comparação ao grupo de tratamento padrão. |
| Dos Santos et al., 2019 | Pesquisa experimental, de abordagem qualitativa. | Preparar as gestantes para que tenham uma gestação ativa e motivá-las a ter um parto ativo. | Foram realizadas técnicas fisioterapêuticas para alívio da dor, relaxamento, fortalecimento do assoalho pélvico, consciência corporal, fortalecimento do assoalho pélvico, exercícios de retroversão e anteversão pélvica, posicionamentos para alívio da dor e deambulação. Massoterapia: realizada com técnicas de deslizamentos superficiais e suaves, com cremes ou óleos, com a gestante posicionada sentada ou deitada em decúbito lateral esquerdo; Banho de aspersão: realizado nos banheiros das salas de pré-parto. Consiste no uso da ducha com água morna na região lombar na região pélvica baixa, para relaxamento e amenização da dor. | Os resultados do estudo tem os efeitos benéficos do exercício e do relaxamento no organismo materno, deixando clara a importância da atuação do fisioterapeuta no processo gestacional e na atenção básica. |
Foram selecionados cinco estudos para a presente análise. O estudo de Orsolin (2021) incluiu 12 participantes, com idade média superior a 18 anos e duração média do trabalho de parto de 4h50min. Santana (2022) avaliou 80 participantes, cuja idade média foi de 21,5 anos e a duração média do trabalho de parto foi de 6h13min. Delgado (2024) analisou uma amostra de 200 participantes, apresentando idade média de 25,5 anos e duração média do trabalho de parto de 6h32min. Já o estudo de Karkada (2020) contou com 261 participantes, com idade média de 26,51 anos e duração média do trabalho de parto de 5h51min. Por fim, Dos Santos (2019) investigou quatro participantes, com idade média de 32,25 anos e duração média do trabalho de parto de 4h. No total, os estudos reuniram 557 participantes, resultando em uma idade média geral de 24,75 anos.
Dentre os estudos utilizados nesta revisão as principais técnicas usadas no trabalho de parto, consistem em intervenções ativas, seguras, não farmacológicas e centradas na gestante, que favorecem a fisiologia do parto, o bem-estar materno e a redução da duração da fase ativa do trabalho de parto, tais como exercícios de mobilidade pélvica combinados a posturas verticalizadas (Orsolin et al., 2021). Mostraram-se eficazes na facilitação da descida fetal, contribuindo para uma progressão mais rápida do parto, como os protocolos que incluem deambulação, alternância de posturas, TENS e banho morno (Santana et al., 2022) não só reduziram a dor, mas também foram associados a uma diminuição no tempo da fase ativa, retardando a necessidade de analgesia farmacológica, o uso da bola suíça em exercícios de biomecânica pélvica (Delgado et al., 2024) promoveu maior mobilidade materna, estimulou a descida fetal e contribuiu para atalhar a duração do trabalho de parto, ao permitir posições mais favoráveis. Os exercícios respiratórios em diferentes padrões (Karkada et al.,2020) auxiliam no relaxamento, controle da dor e maior protagonismo da parturiente, impactando positivamente na dinâmica do parto. Por fim, a combinação de cinesioterapia, técnicas respiratórias, relaxamento, massoterapia e banho de aspersão (Dos Santos et al., 2019) mostrou benefícios no conforto físico e emocional, favorecendo um trabalho de parto mais eficiente.
Em síntese, a fisioterapia utilizada nos estudos integrou os exercícios de mobilidade, técnicas respiratórias, métodos de relaxamento e recursos analgésicos não farmacológicos, promovendo redução da dor, maior conforto, autonomia materna e diminuição do tempo total do trabalho de parto, contribuindo para um processo mais fisiológico, seguro e humanizado.
Tabela 2- Resultado dos estudos em número de participantes, idade média e duração média do trabalho de parto
| ARTIGOS SELECIONADOS | PARTICIPANTES | IDADE MÉDIA | DURAÇÃO MÉDIA ( horas) |
| Orsolin, 2021 | 12 | ≥18 | 4h 50m |
| Santana, 2022 | 80 | 21.5 | 6h 13m |
| Delgado, 2024 | 200 | 25,5 | 6h 32m |
| Karkada, 2020 | 261 | 26,51 | 5h 51m |
| Dos Santos, 2019 | 4 | 32,25 | 4h |
A amostra total dos estudos analisados foi composta por 557 mulheres, com idade média geral de 24,75 anos. A Tabela 2 apresenta o detalhamento de cada estudo, incluindo o número de participantes, a idade média e a duração média do trabalho de parto. Esses dados permitem uma análise comparativa entre os diferentes estudos, evidenciando variações na amostra e na duração do trabalho de parto, contribuindo para uma melhor compreensão dos padrões observados na população estudada.
4 DISCUSSÃO
Os estudos analisados indicam que intervenções fisioterapêuticas não farmacológicas, como exercícios de mobilidade pélvica, posturas verticalizadas, deambulação, técnicas respiratórias, relaxamento e uso da bola suíça, podem reduzir a duração do trabalho de parto, melhorar o conforto materno e favorecer a progressão fisiológica do parto. Essas estratégias promovem maior protagonismo da gestante, auxiliam no manejo da dor e contribuem para uma experiência mais humanizada, evidenciando a importância da fisioterapia como recurso ativo e seguro durante o processo. Intervenções que estimulam mobilidade, respiração e relaxamento apresentam impacto positivo no trabalho de parto, reduzindo o desconforto e favorecendo uma evolução mais segura. Estes achados reforçam a relevância da fisioterapia como recurso de suporte ativo durante o parto.
Orsolin et al. (2021) fizeram um estudo onde foi realizado um questionário contendo informações para conhecimento do perfil da puérpera, com 12 participantes onde a seguir aplicou exercícios de mobilidade pélvica e posturas verticalizadas, resultando em uma duração reduzida do parto, sugerindo que a mobilidade ativa e a postura vertical favorecem a progressão de trabalho do parto.
No estudo conduzido por Barbosa et al. (2020), de natureza quantitativa e descritiva, foram analisadas 13 gestantes primíparas. A proposta terapêutica adotada consistiu em orientações voltadas à mobilidade corporal, com a execução de movimentos específicos para o trabalho de parto e posicionamentos verticalizados, com o objetivo de promover conforto, otimizar a dinâmica uterina e favorecer a descida fetal. As atividades incluíram exercícios de mobilidade pélvica, caracterizados por movimentos assimétricos de flexão e extensão dos joelhos e quadris, alternando entre os lados, além de movimentos da pelve em diversos planos, como anteversão, retroversão, inclinação lateral e movimentos circulares. O uso da bola suíça também foi incorporado, com as gestantes sentadas no equipamento realizando movimentos de quicar, mobilizações pélvicas e auto massagem perineal. Quanto aos posicionamentos adotados, incluíram-se as posturas sentada ou semi-sentada (a 45°) em bancos ou cadeiras de parto, posição de cócoras, posição de Gaskin (mãos e joelhos), posição inglesa e ortostase.
Durante a pesquisa, foi feita a análise da dinâmica uterina de cada participante em relação à posição utilizada. A posição de Gaskin foi a mais frequentemente escolhida, apresentando entre duas e quatro contrações a cada 10 minutos, enquanto a posição de cócoras, embora menos utilizada, demonstrou associação significativa com a evolução da dinâmica uterina, atingindo quatro contrações em 10 minutos após sua adoção. Essa postura, semelhante à obtida com o uso da banqueta de parto, apresentou a maior média entre todas as técnicas (3,5), com variação entre 3 e 4 contrações em 10 minutos. Os resultados evidenciaram melhora expressiva no conforto físico e emocional das gestantes, além de benefícios claros na progressão do trabalho de parto e em seu desfecho positivo. Todas as participantes relataram sentir-se favorecidas pelas intervenções fisioterapêuticas aplicadas.
Ambos os estudos reforçam a eficácia das intervenções fisioterapêuticas durante o trabalho de parto, destacando o papel das posturas verticais e da mobilidade pélvica na otimização da dinâmica uterina e na redução do tempo de trabalho de parto. No entanto, Barbosa et al. (2020) apresentam uma abordagem mais ampla e detalhada, considerando não apenas a duração do parto, mas também os aspectos emocionais e de bem-estar materno, além da variação das contrações uterinas conforme a posição adotada. Dessa forma, é possível afirmar que as condutas fisioterapêuticas contribuem não apenas para a evolução mecânica do parto, mas também para o conforto e autonomia da parturiente. Já Orsolin et al. (2021) concentram-se mais diretamente no tempo de trabalho de parto, os achados indicaram que a adoção de posturas verticais e movimentos pélvicos contribui de forma significativa para a progressão fisiológica do parto, favorecendo a descida fetal e reduzindo o tempo da fase ativa. Essa comparação demonstra que, embora as duas pesquisas cheguem a conclusões semelhantes, o estudo de Barbosa et al. (2020) proporciona uma análise mais ampla sobre a atuação da fisioterapia, evidenciando seu impacto global sobre o processo de parturição e o bem-estar da mulher.
Santana et al. (2022) utilizaram deambulação, alternância de posturas, TENS (estimulação elétrica nervosa transcutânea) e banho morno, observando uma evolução adequada do parto onde participaram 80 mulheres. Aos resultados evidencia-se que a combinação de recursos de conforto e mobilidade contribui para o manejo da dor e para o progresso fisiológico do parto. Já o estudo de Barros et al. (2017) teve a composição do protocolo de atendimento, da intervenção realizada pelos fisioterapeutas, onde foram 15 parturientes atendidas durante a pesquisa e deu-se assim: Sendo incluso estimulação da deambulação e posições verticais. Posicionamentos verticais, que são indicados para favorecer a descida fetal destas posições aceleram a dilatação e não causam qualquer mal à parturiente ou ao feto. Deambulação onde a contração uterina é mais eficiente. 100% das participantes afirmaram que a fisioterapia deve ser membro atuante no trabalho de parto e se sentiram satisfeitas com as intervenções. No estudo conduzido por Cappelli , Ângela (2018), foi realizado um ensaio clínico randomizado e paralelo envolvendo 68 parturientes com gestação única, de baixo risco, a termo, apresentando dilatação cervical entre 4 e 7 cm e sem uso prévio de medicação analgésica. As participantes foram divididas aleatoriamente em dois grupos: TENS (n = 34) e placebo (n = 34). A estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) foi aplicada durante 30 minutos, abrangendo as regiões T10–L1 e S2–S4. A intensidade da dor e o grau de desconforto foram mensurados por meio da Escala Visual Analógica (EVA), enquanto o nível de satisfação materna foi avaliado em uma escala numérica de 0 a 10.
Os resultados demonstraram que, no grupo TENS, houve maior proporção de gestantes classificando a dor como leve ou moderada (RR = 2,4; IC95%: 1,6–3,7), redução significativa do desconforto (RR = 4,1; IC95%: 2,1–8,1), maior número de mulheres plenamente satisfeitas (RR = 2,8; IC95%: 1,5–5,0) e menor taxa de cesarianas (RR = 0,3; IC95%: 0,1–0,8), quando comparadas ao grupo placebo
No estudo desenvolvido por Malarewicz et al. (2005), foi investigada a influência do banho morno durante o trabalho de parto. A pesquisa incluiu 205 gestantes primíparas, divididas em grupo controle (n = 100) e grupo experimental (n = 105). Para a avaliação das participantes, foram consideradas as variáveis tempo total do trabalho de parto, frequência das contrações uterinas antes e após o banho morno, além da dilatação cervical ao longo do processo.
Os resultados evidenciaram que as gestantes do grupo experimental apresentaram maior velocidade de dilatação cervical a partir de 2 cm, resultando em menor tempo total de trabalho de parto em comparação ao grupo controle. A partir dessas observações, os autores concluíram que o momento mais adequado para a realização do banho morno é o início da fase ativa do trabalho de parto. De modo geral, os estudos revisados indicam que diversas estratégias fisioterapêuticas exercem papel fundamental na evolução do trabalho de parto, contribuindo tanto para a redução da dor quanto para o conforto e bem-estar materno.
No estudo de Santana et al. (2022) observaram que a deambulação promove mobilidade ativa, favorecendo o progresso do parto. Já o estudo Barros et al. (2017) destacou a importância da deambulação pois aumenta a eficiência das contrações uterinas. No estudo de Santana et al. (2022) constataram que a alternância de posturas melhora o conforto materno e otimiza a biomecânica pélvica. E o estudo de Barros et al. (2017) analisaram que posições verticais favorecem a descida fetal, aceleram a dilatação cervical e não apresentam riscos para a mãe ou o feto. No estudo de Santana et al. (2022), observaram que o TENS (estimulação elétrica nervosa transcutânea) reduz a dor e o desconforto materno. O estudo de Capelli (2018) focou exclusivamente na aplicação da TENS em 68 gestantes, evidenciando que a técnica proporcionou maior número de parturientes classificando a dor como leve ou moderada, reduz o desconforto, aumentou a satisfação materna e diminuiu a taxa de cesárea quando comparada ao grupo placebo. Esses resultados indicam que o controle da dor por métodos específicos, como a TENS, pode influenciar positivamente tanto a experiência da parturiente quanto os desfechos obstétricos.
No estudo de Santana et al. (2022) verificaram que o banho morno proporciona relaxamento, alívio da dor e acelera o progresso do trabalho de parto. Malarewicz et al. (2005) avaliaram o impacto do banho morno em 205 primigestas e verificaram que o grupo experimental apresentou aceleração na dilatação cervical e redução da duração do trabalho de parto. Os autores sugerem que o banho morno é mais eficaz no início da fase ativa, funcionando como recurso de conforto que também favorece a progressão fisiológica do parto. Comparando os estudos, percebe-se que estratégias de mobilidade como deambulação, posições verticais, TENS e banho morno, apresentam resultados consistentes na melhora da experiência da gestante e na progressão fisiológica do parto. A integração de diferentes técnicas fisioterapêuticas pode otimizar o manejo do trabalho de parto, proporcionando benefícios tanto para a saúde materna quanto para a evolução fisiológica do parto.
Delgado et al. (2024) selecionaram 200 mulheres para um grupo experimental onde realizou exercícios em bola suíça focados na biomecânica pélvica, reforçando que a mobilização ativa e o trabalho pélvico em posições adequadas podem otimizar a evolução do trabalho de parto. Já o estudo de Castro et al. (2012) citam que fizeram parte deste estudo 10 parturientes, entre 18 e 30 anos onde o protocolo foi realizada através de exercícios onde foi utilizado bola, bastão, exercícios de retroversão e anteversão pélvica ativos e deambulação; com a parturiente em decúbito lateral, promove alívio da dor e beneficia a circulação uteroplacentária, além de reduzir a duração do trabalho de parto.
Essa afirmação explica o que foi relatado pelas voluntárias deste estudo semelhante ao estudo de Rodrigues e Xavier (2018) onde desenvolveram um relato de caso com o propósito de avaliar se a adoção da posição vertical, associada aos movimentos das articulações pélvicas e ao uso coordenado da musculatura estriada, poderia favorecer a dilatação e reduzir o tempo da fase ativa do trabalho de parto. O estudo envolveu uma gestante nulípara de 16 anos, com 38 semanas de gestação e dilatação pélvica de 3 cm. A paciente realizou exercícios de mobilidade pélvica utilizando a bola suíça, incluindo movimentos de compressão da bola com a pelve (para cima e para baixo), anteversão e retroversão, deslocamentos laterais e movimentos circulares.Após a execução dos exercícios, era orientada a deambular. A intervenção consistiu em três séries de 30 repetições para cada exercício, com duração média de 30 minutos por série e intervalos de aproximadamente 20 minutos. O trabalho de parto teve duração total de cerca de 2 horas e 36 minutos, evidenciando resultados positivos da intervenção fisioterapêutica para a parturiente analisada. Os estudos revisados demonstram que diferentes técnicas de fisioterapia pélvica são eficazes na redução do tempo de trabalho de parto e no conforto da gestante. No estudo de Delgado et al. (2024) os autores ressaltaram que a mobilização ativa e a realização de exercícios em posições adequadas contribuem para otimizar a evolução do trabalho de parto, mostrando resultados positivos em larga escala.
Em comparação, Castro et al. (2012) utilizaram um protocolo que incluía exercícios com bola e bastão. Esses recursos não apenas proporcionam alívio da dor, como também beneficiam a circulação uteroplacentária e reduziram a duração do trabalho de parto em 10 parturientes. Já o relato de caso de Rodrigues e Xavier (2018) demonstrou que a mobilização pélvica coordenada com a bola suíça e a adoção da posição vertical facilitaram a dilatação e diminuíram a duração da fase ativa do trabalho de parto, evidenciando a eficácia da intervenção fisioterapêutica em nível individual. Dessa forma, observa-se que os três estudos, embora com amostras e metodologias diferentes, apresentam resultados semelhantes, o uso da bola suíça e dos exercícios pélvicos promove redução do tempo do trabalho de parto, alívio da dor e melhor evolução fisiológica do processo de parturição, confirmando a eficácia da intervenção fisioterapêutica como apoio fundamental durante o parto. Aumentam o conforto materno e reduzem os riscos associados à prolongada duração do trabalho de parto e promovem benefícios diretos à saúde materna.
Karkada et al. (2020) utilizaram exercícios respiratórios variados e técnicas de respiração para relaxamento, mostrando que o controle respiratório contribui para o conforto materno e a manutenção do ritmo fisiológico do parto. Um total de 98 (70%) mulheres primigestas que praticaram exercícios respiratórios anteparto apresentaram início espontâneo de trabalho de parto. Semelhante ao estudo, Moraes et al. (2021) fizeram um ensaio clínico randomizado onde envolveu 250 mulheres grávidas, que foram divididas aleatoriamente em dois grupos: grupo de intervenção (IG; N. = 125) e grupo controle (CG; N. = 125). O grupo de intervenção recebeu uma sessão de treinamento de exercícios respiratórios e realizou durante a segunda etapa do trabalho de parto versus o grupo controle que não recebeu nenhum treinamento de exercícios respiratórios, a média de idade das participantes foi de 18 a 42 anos. A duração do segundo estágio do trabalho de parto foi de (369,6 ±±92,0) s para o grupo de intervenção e (440,7±±142,5) para o grupo controle. Com base neste estudo, exercícios respiratórios com inalação profunda e exalação em gestantes são eficazes na redução da percepção de dor no trabalho de parto e no encurtamento da duração da segunda etapa do parto. Portanto, recomendou-se exercícios de respiração como uma modalidade eficaz para o manejo da dor no trabalho de parto e encurtamento da duração do trabalho de parto.
No estudo de Karkada et al. (2020) evidenciaram que a prática de técnicas respiratórias variadas contribui significativamente para o conforto materno e a manutenção do ritmo fisiológico do parto, observaram que 70% das gestantes primigestas que realizaram exercícios respiratórios no anteparto tiveram início espontâneo do trabalho de parto, indicando melhora no conforto materno e na manutenção do ritmo fisiológico. Já o estudo de Moraes et al. (2021) mostraram que a aplicação de exercícios respiratórios durante a segunda etapa do parto reduziu significativamente a duração desse estágio e a percepção de dor, em comparação ao grupo controle. Em comparação entre os estudos evidencia que, tanto quando aplicados previamente quanto durante o trabalho de parto, os exercícios respiratórios promovem benefícios consistentes, justificando sua inclusão na prática fisioterapêutica como uma estratégia não farmacológica eficaz para otimizar o parto e aumentar o bem-estar da gestante promovendo efeitos fisiológicos positivos e a melhora da experiência da gestante.
Dos Santos et al. (2019) realizaram uma pesquisa experimental, de abordagem qualitativa, realizada com 5 gestantes, onde foram realizadas técnicas fisioterapêuticas para alívio da dor, relaxamento, fortalecimento do assoalho pélvico, consciência corporal. fortalecimento do assoalho pélvico, exercícios de retroversão e anteversão pélvica, posicionamentos para alívio da dor. Massoterapia: realizada com técnicas de deslizamentos superficiais e suaves, com cremes ou óleos, com a gestante posicionada sentada ou deitada em decúbito lateral esquerdo; Banho de aspersão: realizado nos banheiros das salas de pré-parto. Consiste no uso da ducha com água morna na região lombar na região pélvica baixa, para relaxamento e amenização da dor. Para as participantes o trabalho fisioterapêutico ligado às orientações foi prescindível para o relaxamento e a diminuição da percepção da dor. Os resultados do estudo permitiram confirmar alguns fatores já evidenciados sobre os efeitos benéficos do exercício e do relaxamento no organismo materno, para alívio da dor, auxílio na abertura pélvica e descida do bebê na evolução do parto. Um estudo semelhante aos autores Gallo et al. (2017) que fizeram um ensaio randomizado com oitenta mulheres admitidas em trabalho de parto no final de uma gravidez de baixo risco onde as participantes do grupo experimental receberam três intervenções, com duração de até 40 minutos cada, em estágios específicos do trabalho de parto: exercícios em bola suíça com dilatação cervical de 4 a 5 cm; massagem lombossacral com dilatação de 5 a 6 cm; e banho morno com dilatação > 7 cm. Alguns participantes tomaram medicação analgésica antes do estudo ser concluído, então a dor foi analisada com uma abordagem de última observação realizada. Nesta análise, o grupo experimental teve significativamente menor intensidade de dor imediatamente após: exercícios, massagem e banho, o que permitiu o uso tardio e reduzido de medicação analgésica. Outros benefícios significativos incluíram: expulsão mais rápida, melhor estado neonatal e maior satisfação materna. esta sequência de intervenções não farmacológicas reduziu significativamente a dor do parto de 4 cm para mais de 7 cm de dilatação cervical, o que se refletiu na redução e no retardo do uso de analgésicos.
De acordo com os estudos de Dos Santos et al. (2019) e Gallo et al. (2017) observaram que as técnicas fisioterapêuticas não farmacológicas desempenham papel relevante no alívio da dor, no relaxamento e na evolução do trabalho de parto. No estudo de Dos Santos et al. (2019) utilizaram técnicas que incluíram exercícios de retroversão e anteversão pélvica, de fortalecimento do assoalho pélvico. massoterapia, banho de aspersão com água morna. Essas intervenções promoveram relaxamento físico e mental, diminuindo a percepção dolorosa e auxiliando na descida do bebê e na abertura pélvica, fatores que contribuíram para um parto mais confortável e fisiológico. Por sua vez, no estudo de Gallo et al. (2017) realizaram intervenções que incluíram exercícios em bola suíça com dilatação de 4 a 5 cm, massagem lombossacral entre 5 e 6 cm, e banho morno com dilatação superior a 7 cm. Essa combinação ordenada de técnicas proporcionou redução significativa da dor em todos os estágios observados, retardou e reduziu o uso de analgesia farmacológica, diminuiu o tempo de expulsão fetal, melhorou o estado neonatal e aumentou a satisfação materna. As técnicas de massoterapia, banho morno, exercícios pélvicos e uso da bola suíça mostraram-se eficazes na redução da dor e tempo de parto, no estímulo à mobilidade pélvica e no relaxamento muscular, justificando sua aplicabilidade na assistência obstétrica. Dessa forma, a integração dessas práticas evidencia que a fisioterapia é uma ferramenta segura e benéfica, capaz de favorecer um parto mais natural, confortável e com menor necessidade de intervenções farmacológicas.
Esta revisão apresenta algumas limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. A quantidade de estudos com amostras amplas ainda é limitada, e há variabilidade significativa quanto às intervenções fisioterapêuticas específicas (tipo de exercício, intensidade, duração, momento de aplicação) que dificultam comparações diretas. Além disso, a maioria dos estudos foi conduzida em contextos hospitalares e com populações sem fatores de complicações, o que limita a generalização para diferentes realidades clínicas. Outro ponto relevante é a escassez de ensaios clínicos randomizados de alta qualidade, o que reforça a necessidade de novas investigações que controlem melhor as variáveis intervenientes, como a paridade, o uso de analgesia e a posição materna durante o parto. A restrição temporal e linguística também pode ter limitado o alcance das evidências incluídas.
Na prática clínica, os resultados desta revisão indicam que a atuação fisioterapêutica, por meio de exercícios respiratórios, posturais, técnicas de relaxamento e estímulo à mobilidade pélvica, pode contribuir para a redução do tempo do trabalho de parto e para uma experiência mais positiva da parturiente. Contudo, é essencial que o fisioterapeuta avalie individualmente as condições maternas, adaptando as condutas às necessidades da gestante. Recomenda-se que as equipes multiprofissionais valorizem a inserção da fisioterapia durante o parto como uma estratégia segura, e potencialmente eficaz, embora novas evidências sejam necessárias para consolidar protocolos padronizados e baseados em evidências científicas robustas.
5 CONCLUSÃO
A revisão trouxe resultados evidenciados que indicaram que as intervenções fisioterapêuticas exercem impacto positivo na redução do tempo do trabalho de parto, contribuindo para uma evolução mais eficiente e segura do processo parturitivo.
Identificou-se que a fisioterapia demonstra um papel essencial no trabalho de parto, sendo capaz de contribuir significativamente para a redução do tempo de sua duração por meio de técnicas como exercícios com bola suíça, mobilizações pélvicas, massagens, técnicas respiratórias e o uso da água morna. Além de auxiliarem na evolução do parto, essas intervenções promovem alívio da dor, redução da ansiedade e maior conforto para a gestante, reforçando a importância da atuação do fisioterapeuta na área.
Diante dos dados levantados ao longo deste trabalho, foi investigado as evidências que a mobilização pélvica é uma estratégia fisioterapêutica eficaz e de grande relevância no contexto obstétrico, especialmente durante o trabalho de parto. As evidências apontam que essa técnica contribui diretamente para o favorecimento da dilatação do colo uterino e para a facilitação da descida fetal, promovendo um alinhamento mais adequado do feto na pelve materna e estimulando contrações uterinas mais eficientes. Além disso, a mobilização pélvica proporciona maior conforto à gestante, reduz a percepção de dor, melhora a oxigenação tecidual e permite que o parto evolua de forma mais fisiológica e menos medicalizada. Com isso, destaca-se a importância da incorporação dessa técnica nos protocolos assistenciais de maternidades e centros obstétricos, bem como a necessidade de novos estudos que explorem ainda mais os efeitos positivos da mobilização pélvica, ampliando seu reconhecimento e aplicabilidade na assistência ao parto.
Verificou-se que o posicionamento adequado da pelve durante o trabalho de parto favorece o alinhamento do feto no canal de parto, melhora a eficiência das contrações uterinas e reduz o desconforto materno. Dessa forma, o uso de posturas que promovem a mobilidade pélvica mostra-se uma estratégia segura e eficaz para contribuir com a progressão fisiológica do parto e reduz intervenções desnecessárias.
Foi analisado que a deambulação durante o trabalho de parto tem se mostrado uma prática benéfica por estimular a gravidade, favorecer o encaixe fetal e aumentar a eficiência das contrações, resultando em maior evolução da dilatação uterina.
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1Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE
2Doutorado em Reabilitação e Desempenho Funcional, Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE e do Curso de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas Itacoatiara. Endereço: Av. Joaquim Nabuco, 1365, Centro | Manaus | AM | CEP: 69020-030 | (92) 3212-5000.
