A INFLUÊNCIA DA DIETA MEDITERRÂNEA RICA EM MICRONUTRIENTES E ANTIOXIDANTES E SUA AÇÃO NA FASE DE TRATAMENTO E CONTROLE DOS SINTOMAS DA ENDOMETRIOSE – UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

THE INFLUENCE OF THE MEDITERRANEAN DIET RICH IN MICRONUTRIENTS AND ANTIOXIDANTS AND ITS ACTION IN THE TREATMENT AND CONTROL OF ENDOMETRIOSIS SYMPTOMS – A SYSTEMATIC REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202603051758


Helda Pastana da Rocha¹
Msc. Carla Acatauassú Ferreira²
Simone do Socorro Fernandes Marques³
Jamilie Suelen dos Prazeres Campos


Resumo

O presente estudo se configura como uma Revisão Sistemática da Literatura, realizada no segundo semestre de 2025, um delineamento de pesquisa que permite a busca, a avaliação e a síntese criteriosa de evidências científicas, apresentando uma abordagem qualitativa destinada a sintetizar resultados de pesquisas sobre um tema de forma sistemática, ordenada e abrangente. A endometriose é uma condição inflamatória crônica que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, caracterizada pela presença de tecido endometrial fora do útero, causando dor pélvica, infertilidade e outros sintomas. Os tratamentos convencionais incluem cirurgias e terapias hormonais, mas podem ter efeitos colaterais e não garantem alívio total dos sintomas. Nesse cenário, cresce o interesse por estratégias complementares, como a alimentação, especialmente a dieta mediterrânea, reconhecida por suas propriedades anti-inflamatória e antioxidantes. Rica em frutas, vegetais, peixes, azeite de oliva extra virgem, grãos integrais e ervas, e pobre em alimentos ultraprocessados, carnes vermelhas e açúcares, essa dieta fornece compostos bioativos, que combatem o estresse oxidativo e modulam a inflamação e o sistema imune. Estudos preliminares, indicam que a adesão à dieta mediterrânea pode reduzir a dor pélvica e a dispareunia em mulheres com endometriose. Apesar de resultados promissores, são necessários estudos mais amplos e com maior rigor metodológico para confirmar sua eficácia. O acompanhamento nutricional individualizado também favorece a adesão e os benefícios da dieta.

Palavras-chaves: Endometriose. Dieta Mediterrâneo. Micronutrientes. Antioxidantes. Inflamação.

1. INTRODUÇÃO

Atualmente, diversas evidências científicas atribuem benefícios à Dieta do Mediterrâneo, sobretudo no que se refere à prevenção e ao manejo de doenças cardiovasculares. Entretanto, estudos recentes têm ampliado o interesse por esse padrão alimentar no contexto de doenças inflamatórias crônicas, como a endometriose. Essa patologia afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva e caracteriza-se pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, especialmente nos ovários, tubas uterinas e cavidade pélvica, estando associada à dor crônica, inflamação e redução da qualidade de vida (LAMCEVA et al., 2023)

O tratamento convencional da endometriose envolve, de modo geral, intervenções cirúrgicas associadas ao uso de terapias hormonais e analgésicas (COSTA et al., 2023). No entanto, tais abordagens nem sempre promovem alívio completo dos sintomas ou apresentam viabilidade a longo prazo, principalmente em função de efeitos colaterais. Diante disso, cresce o interesse por estratégias complementares capazes de modular os principais mecanismos fisiopatológicos da doença, como a inflamação crônica e o estresse oxidativo.

A literatura científica aponta que o desenvolvimento da endometriose resulta de interações complexas entre vias imunológicas, inflamatórias e hormonais, além da influência de fatores ambientais e genéticos. Nesse cenário, os padrões alimentares ganham relevância, uma vez que a dieta é reconhecida como um fator modificável capaz de influenciar essas vias (NOORMOHAMMADI et al., 2025).

Entre os padrões alimentares estudados, destaca-se a dieta mediterrânea, tradicionalmente adotada por populações da região do Mediterrâneo. Caracterizada pelo consumo elevado de frutas, vegetais, peixes, azeite de oliva extravirgem, grãos integrais e ervas, associada à redução de alimentos ultraprocessados, carnes vermelhas e açúcares, essa dieta tem demonstrado potenciais efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios (RIZZO et al., 2022). Estudos preliminares indicam redução da dor e melhora da qualidade de vida, embora sejam necessários ensaios clínicos randomizados mais robustos para consolidar essas evidências. Ressalta-se, ainda, a importância da individualização das intervenções nutricionais, considerando as necessidades específicas de micronutrientes de cada paciente.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Endometriose no Brasil

A endometriose é a doença feminina do século XX, já conhecida desde o século XVII. É definida como uma patologia crônica recorrente, devido a alocação patológica de tecido endometrial funcional, além dos limites da cavidade uterina e miométrica (COSTA et. al., 2023). Caracteriza-se como uma doença inflamatória crônica marcada por dor pélvica, fadiga e impacto significativo na qualidade de vida (CIRILLO et al., 2023). Segundo as autoras, a condição afeta mulheres em idade reprodutiva no mundo e apresenta alta heterogeneidade clínica, podendo variar desde quadros assintomáticos até dor pélvica incapacitante. Isso reforça a necessidade de terapias complementares que atuem nos mecanismos inflamatórios e oxidativos envolvidos na fisiopatologia da doença.

A endometriose é caracterizada por um estado inflamatório persistente, associado ao aumento da produção de espécies reativas de oxigênio (ERO), ativação exacerbada do fator nuclear kappa B (NF-κB) e elevação de citocinas pró-inflamatórias, como TNFα, IL-6 e IL-1β. Esses mesmos mediadores inflamatórios são amplamente discutidos por Nani et al. (2021) como elementos-chave na obesidade, reforçando a existência de vias fisiopatológicas compartilhadas entre ambas as condições. Evidências recentes apontam que disfunções no sistema imunológico desempenham papel central na patogênese da doença, especialmente no microambiente imunológico do endométrio eutópico e das lesões ectópicas. Estudos demonstram que mulheres com endometriose apresentam um desequilíbrio na resposta imune, marcado por um perfil pró-inflamatório persistente, com alterações quantitativas e funcionais de células inmunológicas como macrófagos, células dendríticas, linfocitos T reguladores e células natural killer (VALLVÉ-JUANICO; HOUSHDARAN; GIUDICE, 2019).

No Brasil, esta condição de natureza crônica e progressiva afeta cerca de 10% das mulheres em idade fértil, e constitui uma das principais causas de internações ginecológicas no país. O processo inflamatório crônico provocado pela endometriose pélvica, envolve uma síndrome complexa relacionada ao ciclo do estrogênio no organismo feminino, alterando o comportamento do tecido endometrial com suas células mesenquimais anormais, levando ao extravasamento retrógrado para a cavidade abdominal inferior. Todo esse processo desencadeia fatores hormonais, neurológicos e imunológicos e acentuam os sintomas.

A atenção à endometriose tem ganhado destaque no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil, que registra aumento expressivo na busca por atendimento, refletindo maior conscientização da população e aprimoramento do acesso aos serviços. Na Atenção Primária à Saúde (APS), observou-se crescimento de 30% nos atendimentos relacionados ao diagnóstico da doença entre 2022 e 2024, passando de 115.131 para 144.977 registros. Apenas entre 2023 e 2024, foram realizados mais de 260 mil atendimentos, reforçando o papel fundamental da APS no reconhecimento inicial dos sintomas e no encaminhamento adequado das pacientes (BRASIL, 2024).

De acordo com Quadros et al., 2024, os resultados apontaram 56.867 internações por endometriose no Brasil, durante o período analisado. As regiões com maiores índices foram sudeste com 43,35%, seguida pelo nordeste com 25,95%. A maioria das internações ocorreram de forma eletiva, representando 76,56%, enquanto as de urgência representaram 23,43%. As faixas de idade predominantes foram de 40 a 49 anos, relação cor/raça, as mulheres pardas foram mais acometidas com 44,45%, seguidas das brancas com 35,40%. Os dados refletem a desigualdade regional e socioeconômica no acesso ao diagnóstico e tratamento da endometriose no território brasileiro.

Quadros também define o padrão ouro para o diagnóstico da doença são os exames de laparoscopia, ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética. Contudo, a demora no diagnóstico e a carência de profissionais qualificados dificultam o manejo da endometriose e impactam de forma significativa a qualidade de vida, bem estar emocional e produtividade laboral das mulheres. Os estudos epidemiológicos mostram a necessidade de políticas públicas voltadas para a detecção precoce, capacitação de profissionais de saúde, distribuição equitativa de recursos hospitalares e aprimoramento de estratégias de prevenção do tratamento da doença no Brasil.

O tratamento para a endometriose é definido de acordo com a gravidade dos sintomas, disseminação da doença e locais de implantação, idade e a vontade da paciente em gestar. São usados medicamentos anti inflamatórios não esteroidais, medicamentos de supressão ovariana: progestágenos, contraceptivos orais combinados (COCs), inibidores de aromatase (IA), entre outros. E quando os sintomas perduram ou prevalecem efeitos adversos dos fármacos, indica-se tratamento cirúrgico (COSTA et al., 2023). Apesar de ser considerada uma doença benigna, necessita de atenção aos riscos e complicações, sendo indispensáveis, pois se não forem tratados, podem levar à morte.

Diante disso, observa-se que a endometriose tem recebido atenção crescente tanto em âmbito clínico quanto em políticas públicas, revelando um contexto de fortalecimento do cuidado integral às mulheres. O aumento no número de atendimentos, às novas tecnologias incorporadas e a ampliação das opções terapêuticas refletem esforços contínuos para melhorar o diagnóstico, reduzir a dor e aprimorar a qualidade de vida das pacientes, tornando a doença um tema central no campo da saúde da mulher (BRASIL, 2025).

2.2 Dieta do mediterrêneo e o tratamento da endometriose

Compreender os elementos que historicamente compõem a dieta mediterrânea, torna-se fundamental para interpretar sua aplicação contemporânea. E esta dieta se consolidou nas últimas décadas como um dos padrões alimentares mais estudados no mundo, devido à sua relação com benefícios cardiometabólicos, neuroprotetores e ambientais. Godos et al. (2024, p. 2) apontam que o interesse científico e social por esse padrão se intensificou pelo fato de a dieta “combinar benefícios à saúde com elevada palatabilidade”, além de ser reconhecida como patrimônio cultural imaterial pela UNESCO em 2010.

A literatura científica tem demonstrado que fatores dietéticos exercem influência significativa sobre a fisiopatologia e o risco de desenvolvimento da endometriose. Mazza et al.(2023) destacam que muitas mulheres recorrem a estratégias não farmacológicas,  como mudanças no estilo de vida e na alimentação, com objetivo de aliviar sintomas e melhorar o bem estar. Esse aspecto é particularmente relevante, considerando que a endometriose é uma condição inflamatória crônica e estrogêniodependente, na qual processos oxidativos e respostas imunológicas exacerbadas desempenham papel central. Nos últimos anos, ela também tem apontado o papel da alimentação como potencial modulador da inflamação e do estresse oxidativo, ambos centrais na progressão da endometriose. O estudo de Cirillo et al. (2023) propõe avaliar especificamente a influência da Dieta Mediterrânea sobre a percepção da dor e parâmetros oxidativos em mulheres diagnosticadas com a doença.

Embora os tratamentos médicos e cirúrgicos sejam utilizados de forma ampla, muitas mulheres recorrem a estratégias não farmacológicas,  como mudanças no estilo de vida e na alimentação com objetivo de aliviar sintomas e melhorar o bem estar. Nesse sentido, o estudo transversal feito por  Mazza et al. (2023), o qual foi realizado por meio de um questionário online aplicado a 4.078 mulheres italianas com diagnóstico autorreferido de endometriose, cujo dados  abrangeram características sociodemográficas, informações clínicas, hábitos alimentares e o impacto dos sintomas da doença na vida diária. Os resultados demonstraram que 66,44% das participantes relataram mudanças nos hábitos alimentares após o diagnóstico. Dentre as principais estratégias adotadas pelas entrevistadas estão dieta anti-inflamatória que representou 8%, dieta mediterrânea 7,1%, dieta isenta de glúten 15%, cetogênica 4%. Além do aumento de consumo de frutas, vegetais, cereais integrais, leguminosas e peixes, e a exclusão ou redução do consumo de alimentos considerados pró inflamatórios, laticínios, produtos à base de soja, gorduras saturadas, açúcares simples e alimentos fritos.

Evidências recentes indicam que a microbiota intestinal exerce papel relevante na fisiopatologia da endometriose, especialmente por sua influência nos processos inflamatórios e no metabolismo estrogênico. Nesse contexto, estratégias nutricionais que promovam o equilíbrio da microbiota intestinal emergem como abordagens complementares promissoras no manejo da endometriose (MARTIRE et al., 2025).

Hábitos  alimentares  ricos  em  antioxidantes,  fibra,  ácidos  graxos poliinsaturados e compostos bioativos apresentam potencial de reduzir processos inflamatórios sistêmicos, o que pode exercer impactos positivos na progressão da endometriose. Além de grande parte das mulheres diagnosticadas com a doença, adotarem algum tipo de modificação dietética com o intuito de amenizar sintomas como dor e desconforto pélvico, reforçando a percepção de que a alimentação desempenha papel terapêutico complementar (ABULUGHOD et al., 2024)

Nesse sentido, a Dieta Mediterrânea se destaca como uma estratégia nutricional potencialmente benéfica para mulheres com endometriose, ao favorecer a ingestão de alimentos com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, como frutas, hortaliças, azeite de oliva, peixes e oleaginosas. Conforme observado no estudo CADIMED, a redução de fontes específicas de gordura saturada e a substituição por ácidos graxos insaturados contribuem para a modulação de marcadores inflamatórios e metabólicos, mecanismos que podem atuar de forma semelhante na atenuação da progressão da endometriose (CHÁVEZ-ALFARO et al., 2025).

Outro aspecto relevante refere-se ao alto consumo de compostos bioativos presentes na dieta mediterrânea, como polifenois, ácidos graxos monoinsaturados e ômega-3, reconhecidos por sua ação antioxidante e anti-inflamatória. Esses nutrientes podem reduzir a produção de citocinas pró-inflamatórias e espécies reativas de oxigênio, processos diretamente implicados na dor e na progressão das lesões endometrióticas. Embora o estudo de Bruna-Mejias et al. (2025) tenha como foco a síndrome metabólica, os mecanismos fisiológicos descritos são semelhantes aos envolvidos na endometriose, permitindo uma extrapolação teórica consistente.

A dieta mediterrânea é um hábito alimentar saudável que enfatiza o consumo de frutas, vegetais e azeite, além de limitar o consumo de carne, de acordo com a figura 01. Estudos anteriores demonstraram que a adesão diária à dieta mediterrânea tem um efeito positivo sobre doenças cardiovasculares, diabetes, artrite, câncer e apneia obstrutiva do sono, e também está associada a uma redução significativa da mortalidade total.

Figura 01: Pirâmide da Dieta do Mediterrânio. Disponível em:https://oldwayspt.org/product/mediterranean-diet-pyramid-poster/ Acesso em: 13/11/2025

Tehrani et al. (2025)  investigou os efeitos da dieta mediterrânea suplementada com azeite de oliva sobre marcadores inflamatórios sistêmicos. O azeite é o pilar fundamental da Dieta Mediterrânea. O oleocantal é um componente minoritário do azeite com forte atividade anti-inflamatória. De Roos B et al. apud Tsigalu, 2020, estudaram os efeitos de um produto derivado do azeite, denominado extrato de alperujo (rico em compostos bioativos, principalmente polifenois), na função plaquetária. Como as plaquetas são essenciais na hemostasia, cicatrização de feridas e respostas inflamatórias, concluíram que o extrato de alperujo pode proteger contra a adesão e ativação plaquetária e possivelmente apresentar propriedades anti-inflamatórias.

Outro componente frequentemente associado à dieta, é o vinho tinto, consumido com moderação, especialmente durante as refeições. Para os autores, a evidência científica aponta que a ingestão habitual e moderada “está associada à redução do risco cardiovascular” (GODOS et al., 2024, p. 6), muito em função de polifenois como o resveratrol. Todavia, os autores ressaltam limitações metodológicas importantes nas pesquisas que avaliam o consumo de álcool, o que reforça a necessidade de investigações futuras sobre padrões de consumo e não apenas sobre quantidades.

No geral, a pesquisa reforça de forma robusta a importância de padrões alimentares antiinflamatórios e equilibrados como parte das estratégias de prevenção e manejo da endometriose. A adoção da Dieta Mediterrânea se destaca como abordagem nutricional eficaz, tanto por sua composição rica em compostos bioativos quanto por seu caráter protetor frente às vias moleculares envolvidas na doença. Assim, recomenda-se a ampliação de estudos longitudinais e intervenções clínicas para aprofundar a compreensão dos mecanismos envolvidos e confirmar tais associações em diferentes populações. Por exemplo, um estudo prospectivo de Marziali, 2023, demonstrou que a adoção da dieta mediterrânea por seis meses resultou em significativa diminuição da intensidade da dor pélvica, dispareunia e disfunções urinárias ou intestinais, bem como reduziu marcadores de estresse oxidativo.

3.  METODOLOGIA

O presente estudo se configura como uma Revisão Sistemática da Literatura, um delineamento de pesquisa que permite a busca, a avaliação e a síntese criteriosa de evidências científicas, apresentando uma abordagem qualitativa destinada a sintetizar resultados de pesquisas sobre um tema de forma sistemática, ordenada e abrangente. A obtenção de dados se deu a partir de artigos publicados em revistas científicas disponibilizados em bases indexadoras como: Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), Pubmed, Science Direct , Literatura Latinoamericana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Google Acadêmico e Scientific Electronic Library Online (SCIELO).

As palavras-chaves utilizadas para a pesquisa foram: Endometriose, Dieta mediterrânea, Micronutrientes, Antioxidantes e Inflamação. Foi proposta, para avaliação, a classificação de seis níveis de evidências provenientes das pesquisas. Essa classificação considera abordagem metodológica do estudo, o delineamento de pesquisa empregado e o seu rigor (Quadro 1).

Quadro 1 – Nível de Evidências Oxford Centre for Evidence-Based Medicine.

 Natureza do Estudo
Nível IEvidências oriundas de revisão sistemática ou metaanálise de todos relevantes ensaios clínicos randomizados controlados ou provenientes de diretrizes clínicas baseadas em revisões sistemáticas de ensaios clínicos randomizados controlados.
Nível II  Evidências derivadas de pelo menos um ensaio clínico randomizado controlado bem delineado.
Nível III  Evidências obtidas de estudos quase-experimentais, como ensaio clínico não randomizado, grupo único pré e pósteste, séries temporais ou caso-controle.
Nível IV  Evidências originárias de estudos não experimentais, como pesquisa descritiva, correlacional e comparativa, pesquisas com abordagem metodológica qualitativa e estudos de caso.
Nível V  Evidências  oriundas de dados de avaliação de programas, dados obtidos de forma sistemática.
Nível VI  Evidências a partir de opiniões de especialistas, relatos de experiência, consensos, regulamentos e legislações.

Fonte: University of Oxford, 2011

Neste estudo foram incluídos artigos originais completos disponibilizados na íntegra, gratuitos, publicados no período de 2018 a 2025, em língua portuguesa, inglesa e espanhol; e preferencialmente, com delineamento observacional, clínico, controlado e randomizado, de acordo com o tema da pesquisa.

Foram excluídos da pesquisa, artigos incompletos e indisponíveis, publicados antes do ano de 2019; bem como, aqueles que se encontraram em qualquer outro idioma que não os supracitados no estudo. Além disso, os artigos que estavam duplicados, com metodologias inconsistentes, resumos de anais e congressos, monografias, teses, revisões.

A seleção dos estudos seguiu as recomendações do PRISMA. Inicialmente, foram identificados 593 artigos, nas bases de dados PubMed, Scielo, Scopus e Google acadêmico. Após a remoção de duplicatas, 200 estudos foram submetidos a triagem por leitura de títulos e resumos, dos quais 125 foram excluídos por não atenderem aos critérios de inclusão. Os artigos restantes (n=75) foram avaliados na íntegra, sendo excluídos 50 por motivos como inadequação ao tema, período fora do recorte temporal e ausência de dados relevantes. Ao final, 25 estudos foram incluídos na revisão, como demonstra a figura abaixo.

Figura 02 – Fluxograma do processo de seleção dos estudos segundo PRISMA

Fonte: elaborado pela autora, 2026

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

O cruzamento dos descritores definidos para esta revisão sistemática resultou em um total de 200 identificados nas bases de dados consultadas. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 25 artigos foram considerados elegíveis e incluídos para análise final, por apresentarem relação direta com o tema deste estudo. Ademais, em relação ao idioma das publicações, observou-se a predominância de artigos em língua inglesa, o que evidencia a concentração da produção científica nessa comunidade acadêmica. Quanto ao período de publicação, os anos entre 2022 a 2025, destacando-se como os mais representativos, indicando um aumento no interesse científico pelo tema nesse intervalo temporal.

No que se refere ao delineamento metodológico, a maioria dos estudos incluídos correspondeu a 21 estudos, demonstrando uma tendência da literatura em investigar a temática por meio de abordagens empíricas e experimentais. Os países com maior número de publicações foram Estados Unidos da América e países europeus, refletindo os principais centros de pesquisa voltados à nutrição e à saúde da mulher.

A análise das produções científicas revelou que os estudos concentram-se principalmente na avaliação dos efeitos de micronutrientes, compostos antioxidantes e padrões alimentares da dieta mediterrânea sobre processos inflamatórios em diversas doenças, incluindo a endometriose. Dessa forma, o conjunto das evidências selecionadas fornece uma base relevante para compreender o potencial dessa abordagem nutricional no apoio ao tratamento e controle dos sintomas da doença.

A tabela abaixo, apresenta os artigos selecionados a partir dos critérios definidos na metodologia, e os resultados serão analisados e discutidos.

Tabela 1 – Caracterização dos artigos selecionados para análise sobre a influência da dieta do mediterrâneo no tratamento de doenças, as quais podem ser tratadas e controladas a partir de dieta rica em micronutrientes e antioxidantes.

Autores TítuloIdioma AnoRevistaObjetivoMetodologiaEPrincipais resultados
ARMOUR, Mike; SINCLAIR, Justin; CHALMERS, K. Jane; SMITH, Caroline A. Self- management strategies amongst Australian women with endometriosis: a national online survey.Inglês  2019BMC Compleme ntary and Alternative MedicineDeterminar a prevalência de uso, segurança e efetividade autorreferida das estratégias de automanejo em mulheres com endometrioseEstudo transversal com questionário online aplicado a 484 mulheres (18–45 anos) com diagnóstico confirmado por laparoscopia; análise estatística descritiva e inferencial (p < 0,05)  IVOs resultados demonstraram que metade das mulheres da pesquisa, relatou  que, realizar modificações alimentares, incluindo dietas, como a do Mediterrâneo, vegana, sem glúten, e FODMAP. A efetividade autorreferida das mudanças alimentares apresentou média de 6,4, em escala de 0 a 10, para redução da dor, posicionando-se entre as estratégias melhores avaliadas.
LIU, Eniao et al, Effects of omega-3 Polyunsaturate d fatty acids on endometriosis.Inglês  2025Science DirectAvaliar o papel das mudanças alimentares conforme o padrão da dieta Mediterrânea, na percepção da dor em mulheres com endometriose e sua relação com estresse oxidativo.Estudo próprospectivo com intervenção alimentar (perfil de estudo humano)VOs resultados demonstram que os ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 (PUFAs alfa -3) podem reduzir a resposta inflamatória em pacientes com endometriose,  especificamente diminuindo os níveis de citocinas pró inflamatórias como TNF-alfa, IL6 e IL-1,indicando potenciais  benefícios  clínicos em suas propriedades antiinflamatórias.
CIRILLO, M. et al. Mediterranean diet and oxidative stress: A relationship with pain perception in endometriosis. Inglês  2023    International Journal      of Molecular SciencesAvaliar o papel  das mudanças alimentares de acordo com o padrão da Dieta Mediterrânea (MD) na percepção da dor em mulheres com endometriose, bem como investigar a relação entre essa dieta e marcadores de estresse oxidativo.Estudo prospectivo longitudinal com acompanhamento ao longo do tempo.VAumentos no escore de adesão à Dieta Mediterrânea foram associados a melhorias nos marcadores de estresse oxidativo e, por sua vez, à redução de sintomas dolorosos.   
MAZZA, Elisa et al. The impact of endometriosis on dietary choices and activities of everyday life: a cross-sectional study.Inglês 2023Frontiers in Nutrition, LausanneDemonstrar o impacto de diferentes  intervenções dietéticas sobre os sintomas e a qualidade de vida de pacientes com endometrioseEstudo transversal com coleta de dados por meio de um inquérito online (online survey) aplicado a mulheres italianas com diagnóstico prévio de endometriose.VO estudo revelou uma mudança nos hábitos alimentares, com aumento no consumo de vegetais, frutas (10%), cereais, leguminosas (6,6%) e peixe (4,5%), enquanto houve redução no consumo de laticínios (18,4%), alimentos à base de soja (6,7%) e gorduras saturadas (8%). As mudanças nos hábitos alimentares correlacionaram-se com os estágios da endometriose e com a qualidade de vida diária.
NOORMOHAM MADI, M. Mediterranean diet adherence and healthy diet indicator might decrease odds of endometriosis.Inglês 2025Scientific ReportsInvestigar a associação entre a adesão à dieta mediterrânea e o IDH com a probabilidade de endometriose em mulheres iranianas.Estudos quaseexperimen tais, como ensaio clínico não randomizado, grupo único pré e pós-teste, séries temporais ou casocontrole.IIOs resultados deste estudo demonstraram claramente que uma maior adesão à dieta mediterrânea esteve associada a uma redução de 94% na probabilidade de endometriose, e um IDH mais elevado esteve associado a uma redução de 95% na probabilidade.
SCAVONE, M.;GIZZI, C.; ALBINO E. Relationship between Symptoms in women with Endometriosis and lifestyles: a Qualitative Interview Study.Inglês  2022The EuroBiotec h JournalAnalisar a relação entre estilo de vida (IMC, atividade física, sono e alimentação) e sintomas em mulheres com endometriose . Estudo observacional, transversal, de abordagem qualitativa, realizado por meio de questionário  online aplicado a 735 mulheres italianas com diagnóstico de endometriose.   IVObservou-se associação entre dieta próinflamatória (leite, açúcar, carnes processadas, álcool) e a piora da dor em pacientes com endometriose, contudo, atividade física regular e alimentação equilibrada, associaram-se à redução dos sintomas.
YOUDEFLU,  S.; JAHANIAN SADATMAHAL LEH, A.; KAZEMNEJAD,  A. The association of food consumption and nutrient intake with endometriosis risk in Iranian women: A case-control study.Inglês 2019Internation al Journal of Reproducti ve BioMedicin eAvaliar a relação entre consumo alimentar e ingestão de nutrientes com o risco de endometrioseEstudo casocontrole com 156 mulheres (78 com endometriose confirmada por laparoscopia e 78 controle). Avaliação dietética por Questionário de Frequência alimentar (FFQ) validado com 147 itens. Análise por regressão logística ajustada para idade, IMC, ingestão energética e renda.    IVMaior consumo de proteína (especialmente animal) ácidos graxos monoinsaturados, EPA, DHA, fibras solúveis, associouse à menor chance de endometriose. Maior consumo de vegetais (principalmente amarelos), frutas, leguminosas,laticíni os,carne vermelha, batata e óleo líquido mostrou associação protetora. Consumo de batata frita associou-se ao aumento do risco 
ROSHAN ZADEH, G et al. The relationship between dietary micronutrients and endometriosis: A case-control studyInglês 2023Internation al Journal of Reproducti ve BioMedicin eAnalisar             a relação entre ingestão             de micronutrient es e risco de endometriose por meio de delineamento caso-controle com confirmação diagnóstica laparoscópica .Estudo observacional analítico do tipo caso-controleIVOs resultados contribuíram para fortalecer a hipótese de que padrões alimentares ricos em micronutrientes antioxidantes e moduladores hormonais, como a Dieta Mediterrânea, podem exercer papel relevante na prevenção e no manejo da endometriose.
MOLINA N.M et al. Endometrial whole metabolome profile at the receptive phase: influence of Mediterranean Diet and infertility.Inglês 2023Frontiers in Endocrinol ogyDemonstrar que o padrão da Dieta Mediterrânea tem desempenha do um papel benéfico no manejo da endometriose e na fertilidade.Estudo transversalIVOs resultados demonstram que adesão à dieta mediterrânea pareceu estar associada ao perfil metabolômico endometrial de forma dependente do estado de saúde do útero, entre esses metabólitos, os lipídios constituíram a maior parte, com predominância de ácidos graxos poliinsaturados
ROSHANZADE H, G et al. The relationship between dietary micronutrients and endometriosis: A case-control study.Inglês 2023Revista Internacion al de Reproduçã o BiomédicaInvestigar a relação entre micronutrient es da dieta e o risco de endometriose .Estudo de casocontroleIVA análise dos dados mostrou               uma relação significativa entre micronutrientes como potássio (OR: 0,74; IC: 0,56-0,99; p = 0,01), cálcio (OR: 0,70; IC: 0,52-0,94; p = 0,003), e também entre as vitaminas C (OR: 0,70; IC: 0,520,94; p = 0,02), B2 (OR: 0,73; IC: 0,550,98; p = 0,01) e B12 (OR: 0,71; IC: 0,530,95; p = 0,02) com a endometriose, de modo que aquelas que                consumiam menos micronutrientes apresentavam maior risco de desenvolver endometriose.

NE: nível de evidência. Fonte: autores da pesquisa

Levando em consideração os resultados obtidos pelos autores acima citados, constatouse que, a dieta do mediterrâneo é um grande aliado ao tratamento de diversas patologias, dentre estas, a endometriose. O estudo de Roshanzadeh et al. (2023) analisa a relação entre ingestão de micronutrientes e risco de endometriose por meio de delineamento caso-controle com confirmação diagnóstica laparoscópica. Os autores identificam associação inversa entre maior consumo de cálcio, potássio, vitaminas B2, B6, B12, vitamina C e betacaroteno e a ocorrência da doença. Esses resultados sugerem que a ingestão inadequada desses micronutrientes pode estar relacionada ao aumento do risco de desenvolvimento da endometriose.

A dieta mediterrânea é reconhecida por seu elevado teor de compostos antioxidantes, ácidos graxos monoinsaturados (principalmente do azeite de oliva, fibras, vitaminas e polifenois), os quais possuem propriedades anti inflamatórias e moduladoras do estresse oxidativo. Considerando que a endometriose é uma condição inflamatória  crônica dependente de estrogênio, a modulação desses mecanismos pode representar uma estratégia terapêutica complementar relevante. De acordo com Molina et al. (2023), as alterações no metaboloma endometrial estão relacionadas a fatores de infertilidade, especialmente em mulheres com endometriose, e que a dieta mediterrânea parece influenciar esse perfil de maneira dependente do contexto uterino, apoiando a hipótese de que padrões alimentares saudáveis podem contribuir como estratégia complementar no manejo da endometriose e na promoção de um microambiente endometrial mais favorável.

Evidências adicionais corroboram o papel benéfico da dieta mediterrânea e de componentes anti-inflamatórios na modulação da inflamação e na redução da dor associada à endometriose. A literatura contemporânea destaca que o desenvolvimento da patologia envolve interações complexas entre vias imunológicas, inflamatórias e hormonais, além de fatores ambientais e genéticos. Nesse contexto, o estudo de padrões alimentares têm ganhado relevância, uma vez que a dieta é reconhecida como um fator modificável capaz de modular tais vias fisiopatológicas (NOORMOHAMMADI et al.,2025).

Os resultados de pesquisas realizadas demonstram que a dieta pode desempenhar um papel importante no tratamento, controle e até mesmo na prevenção da endometriose, com alguns estudos demonstrando que ela pode influenciar positivamente a percepção da dor em mulheres com endometriose. A doença envolve processos inflamatórios. Embora os tratamentos médicos e cirúrgicos sejam utilizados de forma ampla, muitas mulheres recorrem a estratégias não farmacológicas,  como mudanças no estilo de vida e na alimentação com objetivo de aliviar sintomas e melhorar o bem estar. Nesse sentido, o estudo transversal feito por  Mazza et al.(2023), o qual foi realizado por meio de um questionário online aplicado a 4.078 mulheres italianas com diagnóstico autorreferido de endometriose, cujo dados  abrangeram características sociodemográficas,informações clínicas, hábitos alimentares e o impacto dos sintomas da doença na vida diária. Os resultados demonstraram que 66,44% das participantes relataram mudanças nos hábitos alimentares após o diagnóstico.

A presente revisão sistemática evidencia que a Dieta Mediterrânea, por sua composição rica em micronutrientes e antioxidantes, apresenta potencial relevante como estratégia auxiliar no tratamento e no controle dos sintomas da endometriose. Os estudos analisados, em consonância com o objetivo proposto, apontam que vitaminas antioxidantes, minerais como zinco e selênio, além de ácidos graxos mono e poli-insaturados, exercem papel fundamental na modulação do ambiente inflamatório, do estresse oxidativo e da resposta imunológica, processos intimamente relacionados à fisiopatologia da endometriose. Observa-se que, a adoção contínua desse padrão alimentar pode contribuir para o equilíbrio hormonal e para a redução da intensidade da dor e da progressão das lesões, impactando positivamente a qualidade de vida das mulheres acometidas.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir desta revisão sistemática, conclui-se que, a dieta mediterrânea se configura como uma estratégia nutricional complementar relevante no manejo da endometriose, ao atuar sobre mecanismos fisiopatológicos centrais da doença, especialmente a inflamação crônica e o estresse oxidativo. A adoção desse padrão alimentar demonstra potencial para modular respostas imunológicas e inflamatórias envolvidas na progressão da patologia, alinhando-se ao objetivo de investigar a influência da alimentação no controle da endometriose.

Os compostos antioxidantes e anti-inflamatórios característicos da dieta mediterrânea contribuem para a proteção celular e para a redução de processos inflamatórios sistêmicos, ampliando sua aplicabilidade clínica. Evidencia-se que, a individualização das intervenções nutricionais é essencial para otimizar os efeitos terapêuticos, considerando as necessidades específicas de micronutrientes de cada paciente. Assim, a dieta mediterrânea se apresenta como uma abordagem promissora no suporte ao tratamento convencional da endometriose, reforçando a importância da nutrição como ferramenta adjuvante no cuidado integral da mulher. No entanto, reconhece-se a necessidade de estudos clínicos randomizados com maior robustez metodológica para consolidar sua efetividade e orientar recomendações nutricionais baseadas em evidências.

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1Helda Pastana da Rocha, Bacharel em Nutrição, Universidade da Amazônia (Rod. BR 316, 3000, Ananindeua – PA), e-mail: heldarocha60@gmail.com

2Msc. Carla Acatauassu, Mestra em Ciências Aplicadas a Pediatria, Universidades Federal de São Paulo, Especialista em nutrição clínica pelo Centro Universitário são camilo – SP e-mail: carla.moura@prof.cesupa.br