THE INFLUENCE OF DIET AS A RISK AND PROTECTIVE FACTOR FOR THYROID CANCER: INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW
LA INFLUENCIA DE LA DIETA COMO FACTOR DE RIESGO Y PROTECTOR DEL CÁNCER DE TIROIDES: REVISIÓN INTEGRADORA DE LA LITERATURA
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202510171228
Danielle Bezerra Veronese1
Daniella Tiana Tavares Ferreira2
Evelyn Vitória Pinheiro Brazão3
Larissa Juliana Brandão da Silva4
Jamilie Suelen dos Prazeres Campos5
RESUMO
Introdução: O câncer é visto como uma doença crônica com múltiplas causas, marcada pelo crescimento acelerado, desordenado e invasivo de células que apresentam modificações em seu material genético. Objetivo: Investigar os fatores de risco e proteção relacionados à alimentação voltada ao câncer de tireoide. Método: Trata-se de uma revisão integrativa, no qual as buscas foram realizadas nas bases de dados PubMed, IBECS, LILACS, SciELO, MEDLINE, a partir do Descritores em Ciências da Saúde: “neoplasias”, “neoplasias da glândula tireoide”, “câncer de tireoide”, “hormônio tireoidiano”, “alimentos”, “dieta” e “revisão”, nos idiomas inglês, espanhol e português, utilizando os operadores booleanos “AND” e “OR”. Resultados: O cruzamento dos descritores resultou em um total de 280 artigos, dos quais 12 artigos atenderam aos critérios de inclusão estabelecidos. Os estudos citados foram conduzidos exclusivamente com participantes diagnosticados com câncer de tireoide. No qual é fundamental o papel do nutricionista nesse cenário, pois a promoção de uma assistência holística e acolhedora, aliada a práticas alimentares e nutricionais humanizadas e a uma comunicação eficaz, pode proporcionar suporte significativo tanto para os pacientes quanto para seus familiares cuidadores, auxiliando-os no enfrentamento dos desafios associados ao cuidado. Conclusão: Os dados desta revisão destacam o papel fundamental da educação nutricional baseada em evidências na redução de fatores de risco de CT, enfatizando a relevância da nutrição como um fator central de proteção e no manejo de doenças tireoidianas.
Palavras-chave: Neoplasias da Glândula Tireoide; Comportamento Alimentar; Dieta; Nutrição; Revisão Sistemática.
ABSTRACT
Introduction: Cancer is seen as a chronic disease with multiple causes, marked by the accelerated, disordered and invasive growth of cells that present modifications in their genetic material. Objective: Investigate the risk and protective factors related to diet aimed at thyroid cancer. Method: This is an integrative review, in which searches were performed in the PubMed, IBECS, LILACS, SciELO, MEDLINE databases, using the Health Sciences Descriptors: “neoplasms”, “thyroid gland neoplasms”, “thyroid cancer”, “thyroid hormone”, “foods”, “diet” and “review”, in English, Spanish and Portuguese, using the Boolean operators “AND” and “OR”. Results: The crossing of the descriptors resulted in a total of 280 articles, of which 12 articles met the established inclusion criteria. The studies cited were conducted exclusively with participants diagnosed with thyroid cancer. The role of the nutritionist in this scenario is fundamental, since the promotion of holistic and welcoming care, combined with humanized dietary and nutritional practices and effective communication, can provide significant support for both patients and their family caregivers, helping them to face the challenges associated with care. Conclusion: The data from this review highlight the fundamental role of evidence-based nutrition education in reducing TC risk factors, emphasizing the relevance of nutrition as a central protective factor and in the management of thyroid diseases.
Keywords: Thyroid Gland Neoplasms; Eating Behavior; Diet; Nutrition; Systematic Review.
RESUMEN
Introducción: El cáncer es visto como una enfermedad crónica de múltiples causas, marcada por el crecimiento acelerado, desordenado e invasivo de células que presentan modificaciones en su material genético. Objetivo: Investigar los factores de riesgo y protectores relacionados con la dieta dirigida al cáncer de tiroides. Método: Se trata de una revisión integradora, en la que se realizaron búsquedas en las bases de datos PubMed, IBECS, LILACS, SciELO, MEDLINE, utilizando los Descriptores en Ciencias de la Salud: “neoplasias”, “neoplasias de la glándula tiroides”, “cáncer de tiroides”, “cáncer de tiroides”, hormona”, “comida”, “dieta” y “revisión”, en inglés, español y portugués, utilizando los operadores booleanos “AND” y “OR”. Resultados: El cruce de descriptores arrojó un total de 280 artículos, de los cuales 12 artículos cumplieron los criterios de inclusión establecidos. Los estudios citados se realizaron exclusivamente con participantes diagnosticados con cáncer de tiroides. En este escenario, el papel del nutricionista es fundamental, ya que la promoción de una atención holística y acogedora, combinada con prácticas dietéticas y nutricionales humanizadas y una comunicación efectiva, puede brindar un apoyo significativo tanto a los pacientes como a sus cuidadores familiares, ayudándolos a enfrentar los desafíos. asociado con el cuidado. Conclusión: Los datos de esta revisión resaltan el papel fundamental de la educación nutricional basada en evidencia en la reducción de los factores de riesgo de CT, enfatizando la relevancia de la nutrición como factor protector central y en el manejo de las enfermedades de la tiroides.
Palabras clave: Neoplasias de la glándula tiroides; Comportamiento alimentario; Dieta; Nutrición; Revisión sistemática.
INTRODUÇÃO
O câncer é visto como uma doença crônica com múltiplas causas, marcada pelo crescimento acelerado, desordenado e invasivo de células que apresentam modificações em seu material genético1.
O câncer de tireoide (CT) é mais comumente encontrado em mulheres com idades que variam de 20 a 50 anos2. Essa predisposição se deve ao fato de que esse grupo é mais suscetível ao desenvolvimento de anomalias, como nódulos, influenciados pelo estrogênio, um hormônio feminino que promove a multiplicação das células da tireoide. Essa doença representa aproximadamente 1% de todas as neoplasias malignas, sendo a mais comum entre os tumores endócrinos malignos3.
O CT se origina a partir de células C neuroendócrinas ou de células foliculares que geram T4 e tireoglobulina, resultando em tumores que podem ser classificados como diferenciados ou indiferenciados4. Em 2018, o mundo registrou 567 mil novos casos de câncer de tireoide, representando 3% do total de diagnósticos de câncer e colocando essa doença na nona posição global. Ao todo, foram contabilizados aproximadamente 141 mil casos novos e 35.575 mortes devido ao câncer de tireoide. No Brasil, naquele ano, houve 748 mortes causadas por essa enfermidade, com 239 homens e 509 mulheres entre os falecidos3.
Os indícios e manifestações englobam nódulos na região do pescoço, edema, dor, alteração na voz, dificuldades para deglutir, complicações respiratórias e tosse4. A redução de peso e a desnutrição são os distúrbios nutricionais mais comuns e estão ligados a uma queda na eficácia do tratamento, além de comprometerem o sistema imunológico. Isso resulta em uma deterioração da qualidade de vida do paciente, tornando-o mais vulnerável a complicações após cirurgias, além de aumentar a morbidade e a mortalidade, o tempo de hospitalização e os gastos hospitalares1.
Embora o estado nutricional desempenhe um papel crucial no tratamento de pacientes com câncer, apenas 30% a 60% desses indivíduos recebem intervenção nutricional apropriada, seja por meio de orientação dietética, suplementos orais, nutrição enteral ou parenteral5.
Nesse contexto, torna-se imprescindível, desde o diagnóstico e ao longo de todo o tratamento, a atuação de uma equipe multidisciplinar, com destaque para o nutricionista, a fim de promover uma alimentação adequada. Recomenda-se que a assistência nutricional ao paciente oncológico seja personalizada, abrangendo desde a avaliação do estado nutricional e o cálculo das necessidades específicas até a implementação da terapia nutricional (TN), com o propósito de prevenir ou corrigir deficiências, bem como reduzir a perda de peso, utilizando estratégias como alimentação oral, enteral ou parenteral1.
A TN engloba intervenções voltadas para a manutenção do equilíbrio metabólico ou a recuperação do estado nutricional do indivíduo, sendo que esta deverá ser conduzida com base em critérios específicos, considerando o estágio da doença, os possíveis efeitos colaterais do tratamento e as respostas metabólicas individuais de cada paciente6.
Desse modo, este trabalho apresenta uma relevante contribuição para o avanço do conhecimento sobre o papel essencial da alimentação no cuidado a pacientes com câncer de tireoide, favorecendo a disseminação de informações para o meio científico e a sociedade. Diante disso, o estudo tem por objetivo investigar os fatores de risco e proteção relacionados à alimentação voltada ao câncer de tireoide.
MÉTODO
Revisão integrativa, método que resume a literatura existente empírica ou teórica para fornecer uma compreensão mais abrangente de um fenômeno particular7. A revisão foi elaborada seguindo as seis etapas propostas por Mendes, Silveira e Galvão8: i) identificação do tema e seleção da questão de pesquisa; ii) estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão para seleção das amostras; iii) identificação dos estudos pré selecionados e selecionados; iv) categorização; v) análise e interpretação dos resultados; e vi) apresentação da revisão.
Para auxiliar na identificação de tópicos-chave e na formulação da questão norteadora, foi utilizado o acrônimo PICo em que “P” referiu-se à população do estudo (mulheres com câncer de tireoide); “I”, à intervenção estudada ou à variável de interesse (influência da alimentação); “C”, ao controle (conhecimento produzido); e “O”, desfecho – Outcome (buscar na literatura científica o conhecimento sobre a influência da alimentação nesses pacientes). Para nortear a pesquisa, elaborou-se a seguinte questão: “Qual o papel da alimentação perante as necessidades de mulheres com câncer de tireoide?”.
As buscas foram realizadas nos meses de setembro e dezembro de 2024, nas bases de dados National Library of Medicine (PubMed), Índice Bibliográfico Español en Ciencias de la Salud (IBECS), Literatura Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) a partir dos Descritores em Ciências da Saúde/ Medical Subject Headings (DeCS/ MeSH): “neoplasias”, “neoplasias da glândula tireoide”, “câncer de tireoide”, “hormônio tireoidiano”, “alimentos”, “dieta” e “revisão”, nos idiomas inglês e português, utilizando os operadores booleanos “AND” e “OR” adotados para a estratégia de busca a partir de critérios de inclusão e exclusão.
Para a seleção dos documentos que compuseram a presente revisão, foram utilizados alguns critérios de elegibilidade (inclusão e exclusão). Em se tratando dos critérios de inclusão, citam-se: artigos originais publicados e indexados nos referidos bancos de dados nos últimos 10 anos (2014-2024), que estavam disponíveis integralmente e de forma gratuita, publicados na língua portuguesa, inglesa ou espanhola e que estavam associados ao objetivo do estudo.
Foram excluídos os artigos em duplicidade nas bases de dados, além de estudos de revisão. Realizadas a análise e a seleção dos artigos científicos, a partir da leitura dos resumos e, posteriormente, do texto na íntegra, elaborou-se um quadro com os dados coletados e as informações abordadas de cada artigo, no qual foi registrado o detalhamento dos resultados encontrados.
Para a organização dos dados a serem analisados, foi elaborado um formulário para registro de conteúdos extraídos dos artigos selecionados, compreendendo autor/ano/país, tipo de estudo/periódico, objetivo e principais resultados. Concluídas as buscas, deu-se início à análise das informações obtidas nos artigos selecionados. Posteriormente, procedeu-se à aproximação dos dados com a literatura correlata ao tema a fim de cumprir a última etapa do percurso metodológico estabelecido nesta pesquisa, ou seja, a apresentação da revisão integrativa.
Tratando-se dos aspectos éticos e legais relacionados à pesquisa científica, por se tratar de uma revisão integrativa da literatura, não se fez necessário a submissão a um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), entretanto, foram respeitados os critérios éticos e legais relativos à autoria dos trabalhos incluídos nesta revisão.
RESULTADOS
CARACTERIZAÇÃO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA
O cruzamento dos descritores resultou em um total de 280 artigos, dos quais 12 artigos atenderam aos critérios de inclusão estabelecidos (Quadro 1). O fluxograma mostrando o caminho percorrido para a seleção das publicações seguiu o modelo de recomendação do Preferred Reporting Items for SystematicReview and Meta-Analyses (PRISMA)9(Figura 1).
Entre os artigos selecionados, foi possível observar uma predominância da língua coreana, embora tenham sido consultados artigos nos idiomas inglês, espanhol e português. Os países de publicação dos artigos foram: Itália (3), Irã (2), Estados Unidos (1), Polônia (1) e Brasil (1).
O ano de publicação predominante foi 2021 com quatro artigos, o que mostra um aumento da produção científica relacionada ao tema ao longo dos anos
Quadro 1. Descrição dos artigos selecionados com detalhamento do autor/ano/país, tipo de estudo/periódico, objetivo e principais resultados.
| Autor/Ano/País | Tipo de estudo/Periódico | Objetivo | Principais resultados |
| Gwizdak et al., 2024. Polônia | Caso-controle / Nutrients | Avaliar hábitos alimentares e conhecimentos sobre nutrição no contexto da saúde da tireoide entre mulheres com distúrbios da tireoide, com foco na influência do nível educacional nesses aspectos. | As mulheres com educação superior tinham significativamente mais probabilidade de entender o papel da proteína e dos carboidratos no gerenciamento da saúde da tireoide. Isso sugere a necessidade de esforços educacionais personalizados, particularmente para as mulheres com níveis mais baixos de educação, para melhorar o gerenciamento dietético de distúrbios da tireoide. |
| Nguyen et al., 2023. Coreia | Corte prospectivo / Front. Nutr. | Investigar a associação entre hábitos alimentares e risco de câncer de tireoide em uma população coreana. | Sugerem que consumir leite e/ou laticínios 5 ou mais dias por semana e ter uma duração de refeição maior que 10 min podem ser fatores de proteção contra TC, especialmente em indivíduos com idade ≥ 50 anos, mulheres e não fumantes. |
| Zocche; Pescador, 2023. Brasil | Abordagem descritiva e quantitativa / Research, Society and Development. | Investigar e comparar a incidência de câncer de tireoide em mulheres brasileiras com idades entre 40 e 49 anos, destacando especificamente o estado do Paraná em relação ao território nacional. | A análise criteriosa dos registros hospitalares revela que a predominância do câncer de tireoide é notável entre mulheres, representando aproximadamente 78,7% dos casos diagnosticados no estado do Paraná. |
| Barrea et al., 2022. Itália | Estudo piloto / Frente. Nutr. | Investigar a associação entre a adesão à dieta mediterrânea e a presença de doença nodular da tireoide em uma grande coorte de população adulta, fornecendo informações detalhadas sobre itens alimentares de dieta mediterrânea únicos em pacientes com presença de nódulos da tireoide. | Demonstrou que a baixa adesão à dieta mediterrânea está associada à presença de doença nodular tireoidiana e, em particular, àquelas com alto risco de malignidade. |
| Schubart et al., 2021. EUA | Caso-controle / Jacobs Institute of Women’s Health | Elucidar possíveis fatores de risco para câncer de tireoide em uma grande coorte de mulheres. | Sugere que o aumento do risco de câncer de tireoide pode estar associado com uma variedade de indicadores de anos reprodutivos mais longos. O Nurses’ Health Study II forneceu novos insights sobre os riscos hormonais associados ao câncer de tireoide. |
| Kim et al., 2021. Coreia | Caso-controle / Endocrinology and Metabolism | Avaliar os efeitos da ingestão de iodo, da função tireoidiana e seus efeitos combinados no risco de câncer papilar de tireoide e microcarcinoma papilar de tireoide. | A ingestão excessiva de iodo usando UIC ajustado por creatinina e altos níveis de T4 livre pode ter um efeito sinérgico no PTC e PTMC. Considerar tanto a ingestão de iodo quanto a função da tireoide é importante para avaliar o risco de PTC e PTMC. |
| Song; Huang; Park, 2021. Coreia | Estudo de coorte / Cancers | Identificar polimorfismos de nucleotídeo único de genes relacionados à diferenciação celular e inflamação para influenciar a incidência de câncer de tireoide e determinar interações com estilos de vida em uma coorte de hospital de grande cidade. | Mulheres com um PRS alto associado à diferenciação celular e inflamação estavam em risco elevado de câncer de tireoide. Energia diária, algas marinhas e ingestão de álcool interagiram com PRS para risco de câncer de tireoide. |
| Zamora-Ros et al., 2021.Itália | caso-controle / The American Journal of Clinical Nutrition | Avaliar as relações entre as concentrações sanguíneas de 36 polifenóis e o risco de câncer de tireoide no EPIC (European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition). | As concentrações de polifenóis no sangue não foram associadas principalmente ao risco diferenciado de câncer de tireoide em mulheres, embora levante a possibilidade de que altas concentrações sanguíneas de ácidos cafeico, 3,4-di-hidroxifenilpropiônico e ferúlico possam estar relacionadas a um menor risco de câncer de tireoide papilar. |
| Fiore et al., 2020. Itália | Caso-controle / Food and Chemical Toxicology | Investigar a relação entre hábitos alimentares e câncer de tireoide. | Hábitos alimentares parecem modificar o risco de carcinoma da tireoide. Uma dieta com consumo limitado de alimentos ricos em amido, produtos ricos em sal, gordura e açúcar e um maior consumo de vegetais crucíferos/não crucíferos, leite e laticínios e frutos do mar pode ser protetora contra o câncer de tireoide. |
| Sangsefidi et al., 2019. Irã | Caso-controle /Clinical Nutrition ESPEN | Avaliar a associação entre os principais padrões alimentares e o risco de câncer diferenciado de tireiode. | Padrão alimentar ocidental aumenta significativamente a probabilidade de câncer diferenciado de tireiode. Mas os padrões alimentares tradicionais, transicionais e saudáveis não tiveram nenhuma associação com o mesmo. |
| Rezaei et al., 2019. Irã | Caso-controle / Environmental Science and Pollution Research | Avaliar os níveis de metais traço Fe, Cr, Co, Cd, Cu, Ni, Hg, Zn e Pb em indivíduos saudáveis e pacientes com doença da tireoide (hipertireoidismo, hipotireoidismo e câncer). | Descobertas sugerem que metais tóxicos como Pb, Cd e Cr podem aumentar o risco de desenvolver hipotireoidismo e câncer de tireoide, mas mais pesquisas são necessárias para avaliar os potenciais mecanismos de toxicidade de Pb, Cd e Cr. |
| Cho; Lee; Kim, 2016. Coreia | Caso-controle / Nutr Res Pract. | Investigar o papel dos nutrientes no risco de câncer de tireoide em mulheres coreanas entre outubro de 2007 e julho de 2014. | Possível efeito protetor do cálcio no risco de desenvolvimento do câncer de tireoide. |

Figura 1. Fluxograma de busca de artigos nas bases de dados
Fonte: Adaptado de PRISMA9.
DISCUSSÃO
Os estudos citados foram conduzidos exclusivamente com participantes diagnosticados com câncer de tireoide. No qual, se torna evidente um aumento significativo em sua incidência ao longo dos anos, como demonstra uma pesquisa de Schubart et al.10 com 116.429 enfermeiras, com idades entre 25 e 42 anos, para investigar fatores de risco modificáveis associados ao câncer de tireoide. Dentre as participantes, foram identificados 620 casos da doença. A pesquisa analisou fatores reprodutivos e hormonais, incluindo idade da menarca e da menopausa, paridade, uso de anticoncepcionais orais e terapia hormonal pós-menopausa.
Os resultados sugeriram que um risco aumentado de câncer de tireoide está associado a indicadores de maior duração da vida reprodutiva. Especificamente, mulheres que atingiram a menopausa aos 45 anos ou mais apresentaram maior risco em comparação àquelas que entraram na menopausa mais cedo. Além disso, uma idade mais avançada no momento do primeiro parto também foi correlacionada a um maior risco de câncer de tireoide10.
Atrelado a isso, no Brasil, o estudo de Zocche; Pescador4buscou analisar e comparar a incidência de câncer de tireoide em mulheres brasileiras com idades entre 40 e 49 anos, com ênfase no estado do Paraná em relação ao panorama nacional. Os dados foram obtidos a partir dos registros hospitalares de câncer disponíveis no tabulador do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Os resultados revelaram que, no Paraná, as mulheres representam aproximadamente 78,7% dos casos diagnosticados, uma proporção semelhante à média nacional, onde 81,7% dos casos são identificados em mulheres. Com essa consistência nas estatísticas, os autores sugeriram que esses padrões epidemiológicos relevantes demandam investigação mais aprofundada.
Os estudos apresentados evidenciam uma conexão importante entre fatores reprodutivos e hormonais e o risco de câncer de tireoide, destacando a relevância da duração da vida reprodutiva e da idade no primeiro parto como potenciais indicadores de risco. A pesquisa conduzida por Schubart et al.10 é significativa, pois explora fatores modificáveis e oferece insights valiosos para estratégias de prevenção. Contudo, é crucial considerar a influência de outros fatores, como predisposição genética e ambientais, que não foram amplamente discutidos.
No contexto brasileiro, o estudo de Zocche; Pescador4corrobora os achados internacionais ao destacar o papel preponderante das mulheres no perfil epidemiológico do câncer de tireoide. A semelhança dos dados entre o estado do Paraná e a média nacional reforça a necessidade de investigações que explorem as razões subjacentes para esse predomínio feminino e possíveis fatores regionais.
Atualmente, há um conjunto substancial de evidências científicas que destacam a nutrição como um elemento essencial no manejo terapêutico do CT. Uma análise conduzida por Fiore et al.11 com 106 pacientes diagnosticados com câncer de tireoide na Itália analisou a relação entre hábitos alimentares e o risco da doença, utilizando dados coletados por meio do Questionário de Avaliação do Estilo de Vida. Os resultados indicaram que o consumo de alimentos ricos em amido, doces, sal, gordura, carnes e produtos cárneos, bem como chá e refrigerantes à base de cola, foi associado a um aumento no risco de câncer de tireoide. Em contrapartida, a ingestão de vegetais, leite e derivados, frutos do mar e a manutenção de uma hidratação adequada (1–2 litros de água por dia) apresentaram efeito protetor. Contudo, apenas cerca de um quarto da amostra alcançou o consumo diário recomendado de água.
Um caso-controle com 309 participantes, incluindo 41 pacientes com câncer diferenciado de tireoide e 268 controles, avaliou a relação entre padrões alimentares e o risco dessa doença. Os dados dietéticos foram coletados por meio de um Questionário de Frequência Alimentar (QFA) validado, enquanto índices antropométricos também foram analisados. Os padrões alimentares foram classificados como ocidental, tradicional, de transição e saudável, com base em 31 grupos alimentares definidos por similaridade de nutrientes e evidências relacionadas ao câncer de tireoide. Os resultados indicaram que o padrão alimentar ocidental aumenta significativamente o risco de câncer diferenciado de tireóide, enquanto os demais padrões não apresentaram associação significativa12.
Em contrapartida, a investigação realizada por Barrea et al.13 com 794 pacientes italianos atendidos em uma unidade de endocrinologia buscou investigar a relação entre a adesão à dieta mediterrânea e a presença de doença nodular da tireóide. Os participantes foram classificados em cinco categorias, sendo analisadas as variáveis atividade física, tabagismo, parâmetros antropométricos e adesão à dieta mediterrânea. A análise detalhada das respostas do questionário revelou que pacientes com doença nodular da tireoide apresentaram menor consumo de alimentos característicos da dieta mediterrânea, como azeite de oliva extravirgem, vegetais e peixes, e maior consumo de alimentos não mediterrâneos, como carnes vermelhas e processadas, além de manteiga, em comparação com aqueles sem a condição.
Esses achados evidenciam o papel crucial da educação nutricional baseada em evidências na redução do risco de câncer de tireoide, reforçando a importância da nutrição como um fator central na prevenção e manejo de doenças tireoidianas, incluindo o CT. Com isso, ainda se destaca a necessidade de intervenções nutricionais baseadas em evidências para promover hábitos alimentares saudáveis como parte de estratégias preventivas e terapêuticas eficazes. No entanto, é importante destacar algumas limitações metodológicas, como o uso de questionários autorrelatados, que podem introduzir vieses de memória e imprecisões. Além disso, as diferenças culturais e regionais nos hábitos alimentares podem limitar a generalização dos resultados.
Uma análise realizada por Song; Huang; Park14 com adultos e idosos coreanos, teve como objetivo identificar variantes genéticas associadas ao risco de câncer de tireoide e examinar suas interações com os estilos de vida, em uma coorte hospitalar de uma grande cidade. Diversas variáveis foram analisadas, incluindo medidas antropométricas e bioquímicas, questionários semiquantitativos de frequência alimentar e padrões dietéticos. Os resultados indicaram que o risco de câncer de tireoide foi significativamente maior em mulheres em comparação aos homens. Em relação à ingestão alimentar, observou-se uma associação entre uma dieta rica em macarrão e carne e a presença de câncer de tireoide, enquanto uma dieta equilibrada mostrou resultados positivos no combate à doença.
A análise de Song; Huang; Park14 é relevante ao explorar a associação entre variantes genéticas e padrões alimentares, mostrando que dietas ricas em macarrão e carne podem estar associadas a um risco aumentado. Contudo, a ausência de uma análise mais detalhada dos mecanismos genéticos limita a compreensão das interações observadas.
Já um estudo de coorte prospectivo com 13.973 participantes investigou a associação entre hábitos alimentares e o risco de câncer de tireoide em uma população coreana. Os dados foram coletados por meio de um questionário do Centro de Prevenção e Detecção do Câncer do NCC, abrangendo 12 itens sobre os hábitos alimentares do último ano. Os resultados indicaram que indivíduos acima de 50 anos, mulheres e não fumantes apresentaram menor risco de câncer de tireoide ao consumirem leite e laticínios pelo menos cinco vezes por semana. Além disso, durações de refeição superiores a 10 minutos também estiveram associadas a um risco reduzido. Esses achados sugerem que aspectos dietéticos, como ingestão de nutrientes e frequência alimentar, podem influenciar o desenvolvimento da doença15.
Com isso, isso reforça a influência protetora de uma dieta equilibrada, especialmente rica em leite e laticínios, além de destacar a importância de práticas alimentares adequadas, como durações de refeição superiores a 10 minutos. Embora robusto, o uso de um questionário com apenas 12 itens pode restringir a abrangência das variáveis dietéticas avaliadas.
Um caso-controle com 226 participantes investigou a influência de nutrientes no risco de câncer de tireoide em mulheres coreanas. A ingestão nutricional foi avaliada por meio de um questionário de frequência alimentar validado. Os resultados indicaram que um consumo elevado de cálcio esteve associado a um risco reduzido de câncer de tireoide, enquanto não foram identificadas associações significativas entre outros nutrientes e o risco da doença. Essa associação foi modulada por fatores como idade, índice de massa corporal (IMC) e ingestão calórica total16. Portanto, é enfatizada a relevância do consumo de cálcio como fator protetor, embora a falta de associações significativas para outros nutrientes sugira a necessidade de investigações mais aprofundadas, especialmente considerando a influência de fatores como idade e IMC.
Uma investigação caso-controle envolvendo 785 mulheres italianas avaliou a associação entre as concentrações plasmáticas de 36 polifenóis e o risco de câncer de tireoide. Os resultados indicaram que, de forma geral, as concentrações sanguíneas de polifenóis não apresentaram uma relação significativa com o risco de câncer de tireoide. Contudo, o estudo sugeriu que concentrações elevadas de ácidos cafeico, 3,4-dihidroxifenilpropiônico e ferúlico podem estar associadas a um menor risco de câncer de tireoide papilar, destacando potenciais efeitos protetores específicos17. Contudo, é evidente a sua contribuição para o entendimento sobre o potencial papel dos polifenóis na proteção contra o câncer de tireoide papilar, embora a ausência de uma associação significativa para a maioria dos polifenóis sugira que outros fatores moduladores precisam ser considerados. Além disso, o foco em compostos específicos, como ácidos cafeico e ferúlico, destaca a necessidade de estudos mais amplos para elucidar os mecanismos envolvidos.
Portanto, uma outra investigação com 297 mulheres entre 18 e 45 anos, diagnosticadas com distúrbios da tireoide, investigou hábitos alimentares e conscientização nutricional, destacando o impacto do nível educacional no conhecimento e nas práticas alimentares. Foram analisados dados demográficos, comorbidades, hábitos de hidratação e compreensão sobre nutrientes essenciais para a saúde da tireoide. Os resultados mostraram que mulheres com educação superior demonstraram maior entendimento sobre o papel da proteína e dos carboidratos no controle da tireoide. Além disso, aquelas que consultaram nutricionistas apresentaram conhecimento significativamente maior em comparação às que buscaram informações online, destacando a importância do aconselhamento nutricional profissional e baseado em evidências18.
Com isso, é notável uma maior conscientização nutricional entre mulheres com educação superior e evidencia o impacto positivo de intervenções educacionais e do aconselhamento profissional. Contudo, o estudo também aponta a persistência de lacunas na disseminação de informações confiáveis, destacando a necessidade de estratégias mais amplas para promover a educação nutricional baseada em ciência.
No entanto, alguns elementos podem ocasionar o efeito reverso, como a pesquisa desenvolvida por Rezaei et al.19 os autores investigaram a presença e a relação de elementos tóxicos e essenciais selecionados em 110 pacientes diagnosticados com hipertireoidismo, hipotireoidismo e câncer de tireoide, comparando os resultados com os de um grupo controle. O estudo concluiu que determinados elementos podem contribuir para a desregulação endócrina e limitar a capacidade de reparo do DNA.
Observou-se que concentrações elevadas de chumbo foram associadas a um maior risco de hipotireoidismo e câncer de tireoide. Além disso, níveis elevados de cádmio e cromo foram correlacionados com um aumento na probabilidade de ocorrência de hipotireoidismo, hipertireoidismo e câncer de tireoide19. Por isso, a identificação desses metais tóxicos como potenciais disruptores endócrinos e agentes que contribuem para a desregulação tireoidiana aponta para a necessidade de políticas públicas que visem reduzir a exposição a esses elementos em populações vulneráveis. Contudo, o impacto desses metais pode variar individualmente, indicando a necessidade de estudos que explorem variações genéticas e metabólicas.
Em complemento, um caso-controle com 500 indivíduos, entre 20 e 80 anos, investigou os efeitos da ingestão de iodo, da função tireoidiana e de sua interação no risco de câncer papilar de tireoide e microcarcinoma papilar de tireoide. Os resultados revelaram uma associação significativa entre o consumo excessivo de iodo e o desenvolvimento dessas condições. Além disso, o estudo destacou a relevância de avaliar os efeitos combinados da ingestão de iodo e da função tireoidiana como um fator determinante no risco de câncer papilar de tireoide e microcarcinoma papilar de tireoide.
Desta forma, evidencia-se o papel dual do iodo, que, embora essencial para a saúde tireoidiana, pode contribuir para o risco de câncer tireoidiano quando consumido em excesso. Este achado ressalta a relevância de se estabelecer limites adequados de ingestão, especialmente em populações com predisposição genética ou exposição ambiental significativa.
Portanto, é fundamental assegurar que os pacientes com câncer de tireoide recebam cuidados integrais e humanizados, considerando seu contexto individual, dinâmicas familiares e relações interpessoais. O papel do nutricionista nesse cenário é essencial, pois a promoção de uma assistência holística e acolhedora, aliada a práticas alimentares e nutricionais humanizadas e a uma comunicação eficaz, pode proporcionar suporte significativo tanto para os pacientes quanto para seus familiares cuidadores, auxiliando-os no enfrentamento dos desafios associados ao cuidado.
Uma limitação identificada no estudo é o número reduzido de pesquisas brasileiras sobre a influência dos nutrientes no manejo do câncer de tireoide. No entanto, essa limitação não compromete a qualidade da análise, dado o suporte robusto de estudos internacionais incluídos na discussão. Ainda assim, destaca-se a necessidade de mais investigações nacionais sobre o tema, contribuindo para a ampliação do conhecimento científico e o aprimoramento das práticas de atendimento nutricional voltadas a essa população.
CONCLUSÃO
Os dados desta revisão destacam o papel fundamental da educação nutricional baseada em evidências na redução de fatores de risco de CT, enfatizando a relevância da nutrição como um fator central de proteção e no manejo de doenças tireoidianas.
Além disso, um consumo elevado de polifenóis, ácido cafeico, 3,4-di hidroxifenilpropiônico e ácido ferúlico parece estar relacionado a uma redução no risco de CT devido seus potenciais efeitos protetores. As análises também revelam que as mulheres têm uma probabilidade significativamente maior de desenvolver CT em relação aos homens.
Mais estudos precisam investigar as mudanças no nível de hormônio da tireoide causadas por fatores alimentares que afetam a função da tireoide.
REFERÊNCIAS
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1Centro Universitário do Pará, Belém/PA,
dandanveronese@gmail.com;
ORCID: https://orcid.org/0009-0002-3475-7661
2Centro Universitário FAVENI Belém/PA,
daniellatiana@hotmail.com,
ORCID: https://orcid.org/0009-0001-4851-3345
3Centro Universitário do Pará Belém/PA
evelynbrazao442@gmail.com
ORCID: https://orcid.org/0009-0000-8098-4000
4Centro Universitário do Pará Ananindeua/PA
larissabrandao03@gmail.com
ORCID: https://orcid.org/0009-0009-7167-4540
5Docente do Centro Universitário do Estado do Pará Belém/PA
jamilie.campos@prof.cesupa.br
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1996-294X
