REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202507141310
Cássia Ellen Araújo Assis
Ione Almeida da Silva
Vanessa Caxias Silva
Flávia Helena Cabral Silva Reis
RESUMO
A patologia provocada pelo novo coronavírus, se revelou em 2019, trata-se de um vírus de rápida disseminação, que desencadeou um problema de saúde pública internacional, sendo declarado então o estado de pandemia derivado da COVID-19. Nessa perspectiva, os profissionais de saúde possuem alta probabilidade de adquirir ou mesmo propagar a doença, por trabalharem na linha de frente do combate da pandemia, estando em grande exposição ao vírus. Assim, o problema que norteou este estudo vem fornecer: Quais as estratégias adotadas pela assistência de enfermagem para melhorar o desempenho do tratamento da COVID-19? O objetivo geral vem realizar uma análise da importância da assistência de enfermagem no tratamento do COVID-19. A metodologia adotada, trabalho de revisão bibliográfica, realizada entre meses de agosto a outubro de 2020, com inclusão de artigos sobre COVID-19 e assistência de enfermagem, publicados entre 2019 e 2020, escritos em língua portuguesa, espanhola e inglesa nas bases de dados Pubmed, BVS e Scielo. explicar que é função do profissional de enfermagem elaborar estratégias e ações para qualificar a assistência, promover a segurança dos profissionais que trabalham na oferta de cuidado aos pacientes com a COVID-19, com bom desempenho da enfermagem a partir da adaptação de padrões e protocolos de atividades, especialmente no âmbito da UTI, e que são previamente determinados pelo Ministério da Saúde e pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar.
Palavras Chaves: covid-19; cuidado; enfermagem; EPI .
ABSTRACT
The pathology caused by the novel coronavirus, revealed in 2019, involves a rapidly spreading virus that triggered an international public health problem, leading to the declaration of a pandemic state due to COVID-19. In this perspective, healthcare professionals have a high probability of acquiring or even spreading the disease as they work on the frontline of the pandemic, being greatly exposed to the virus.The problem addressed in this study aims to answer: What strategies does nursing care adopt to improve the performance of COVID-19 treatment? The overall objective is to analyze the importance of nursing care in treating COVID-19. The adopted methodology is a literature review conducted between August and October 2020, including articles on COVID-19 and nursing care published between 2019 and 2020 in Portuguese, Spanish, and English languages, retrieved from Pubmed, BVS, and Scielo databases.It is emphasized that it is the responsibility of nursing professionals to develop strategies and actions to enhance care, ensuring the safety of those working in providing care to COVID19 patients. The nursing performance is improved by adapting standards and protocols, especially in the ICU, which are predetermined by the Ministry of Health and the Hospital Infection Control Service.
Keywords: covid-19; care; nursing; epis.
1. INTRODUÇÃO
A pandemia da COVID-19 teve início em dezembro de 2019, na cidade de Wuhan, China. O vírus SARS-CoV-2 espalhou-se globalmente, manifesta-se que o vírus da covid foi transmitido de animal para humanos, influenciando milhões de pessoas e revelando a fragilidade do sistema de saúde realçando a importância da parceria internacional.
O vírus causador da doença espalhou-se rapidamente, ocorrendo crescimento acelerado de pessoas infectadas levando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar uma pandemia em março de 2020. Mediante o ocorrido, foram adotadas medidas de segurança para conter a propagação do vírus como lockdowns, uso de máscara, álcool em gel e distanciamento, acelerando assim a busca por vacinas eficazes, muitas desenvolvidas e distribuídas para conter o agravamento das doenças e disseminação do vírus.
Tornou-se contínuo também o surgimento de novos agravos da doença, em pessoas com quadro de doenças crônicas e com comorbidades, fato que instigou fortemente a reestruturação na forma como a patologia foi notificada no país. É relevante destacar nesse trabalho que o vírus em discussão apresentou distribuição em caráter mundial, podendo em muitos casos apresenta-se associado a outros patógenos respiratórios, tais como bocavírus, influenza, vírus respiratório sincicial humano e meta pneumovírus humano.
A enfermagem teve um papel fundamental diante da pandemia da COVID-19, onde os profissionais dessa área estavam na linha de frente no atendimento aos pacientes infectados pelo vírus. Perante o surto de infecções a nível mundial, estes profissionais obtiveram uma atração indescritível no processo de atendimento e prestação de serviço de maneira profissional e humanizada, oferecendo atenção e suporte emocional aos familiares das vítimas. Sendo de suma importância os profissionais da saúde estarem preparados para lidar em momentos de angústia e aflição dos familiares ao serem informados do óbito do paciente. Contudo, os profissionais da enfermagem também tiveram suas vidas impactadas, onde muitos profissionais devido ao contato direto com esses pacientes, acabaram sendo contaminados pelo vírus, alguns tendo sua vida interrompida fatalmente e outros com as complicações que a doença acomete, também se estendeu, sua jornada de trabalho, superior ao normal devido a sobrecarga de infectados, acometendo a superlotação em hospitais matrizes e hospitais de campanhas.
A relevância deste estudo consiste em evidenciar que durante a pandemia da COVID-19, os enfermeiros desempenharam um papel estratégico no combate à doença, nos cuidados de saúde e na propagação de informações corretas acerca da pandemia. Desse modo, sua atuação não se limitou apenas à assistência direta aos pacientes, mas também incluiu a administração de recursos escassos, a implementação de protocolos de segurança e a comunicação eficaz com os pacientes e seus familiares, refletindo em impacto direto na qualidade dos resultados de saúde.
No meio acadêmico, pode-se destacar que esta produção tem como fim promover discussões sobre a temática, bem como incentivar a produção de mais estudos e trabalhos sobre o assunto, levando os resultados obtidos para o ambiente de prática, fomentando transformações importantes na atuação da assistência à saúde. Eis que surge o seguinte questionamento: Quais as estratégias adotadas pela assistência de enfermagem para melhorar o desempenho do tratamento da COVID-19? O objetivo geral foi descrever a importância da assistência de enfermagem no tratamento do COVID-19.
Para estudar o problema descrito será realizada uma revisão bibliográfica, com um trabalho de natureza descritiva e qualitativa, e uso na fundamentação teórica, base de dados de trabalhos acadêmicos, artigos na internet, periódicos nacionais e/ou internacionais e livros, com publicações entre os anos de 2010 a 2023, constituindo-se elementos para a elaboração consistente deste estudo
2. COVID-19
Coronavírus humanos (HCoV) e rinovírus (HRV) são importantes causas de infecções respiratórias agudas (IRA) no mundo. A maioria das infecções causadas por estes agentes são resfriados comuns, mas complicações como sinusite, otite média e ataques de asma são frequentes (Macedo, 2002).
A Covid-19 é uma doença infecciosa causada pelo vírus SevereAcuteRespiratorySyndromeCoronavírus 2 (SARS-CoV-2), popularmente chamado de novo coronavírus, que causa manifestações clínicas leves como de um resfriado ou, em casos mais graves, evoluem para síndrome de desconforto respiratório e possui necessidade de cuidados em unidades de terapia intensiva. (Ferreira et al., 2020).
Em conformidade com Silva (2020), o novo COVID-19 foi apontado na província de Wuhan na China no ano de 2012, sendo seu alastramento ocasionado pelo intenso fluxo de pessoas promovido pelo processo de globalização. No ano vigente, de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS), decretou pela sexta vez, o estado de emergência provocado pelo COVID-19, a fim de evitar a sua possibilidade de transmissão, sendo a Europa o epicentro da transmissão deste vírus, que ocasionou em todo o globo o estado de pandemia.
No que tange as manifestações clínicas verifica-se acometimento do trato respiratório inferior, febre, calafrios, diarreia, cansaço, tosse, dentre outros. É interessante ressaltar que os indivíduos que possuem fatores de risco, tais como: cardiopatia, pneumopatia, diabetes, obesidade, hipertensão e asma, são mais propensos a ter quadros gravíssimos da doença em estudo (Quintella et al., 2020).
2.1 Características e peculiaridades
O coronavírus já é conhecido no campo científico a décadas, entretanto, o elemento que o faz novo é o simples fato deste adentrar o ciclo humano, já que, sua manifestação acontecia antes somente no ciclo animal, tendo como particularidade a alta agressividade oriundo da deficiência de informações técnicas palpáveis, a deficiência de aparato técnico para combatê-lo e a inexistência de imunidades dos indivíduos contra a cepa circulante (Quintella et al., 2020)
Segundo Estevão (2020), os primeiros casos de infecção pelo novo coronavírus de 2019 diagnosticados como uma pneumonia grave de etiologia desconhecida, apareceram em dezembro de 2019, na cidade de Wuhan, China. Mais tarde, as amostras respiratórias dos doentes mostraram a presença do coronavírus (SARS-CoV-2), identificado como o agente causador da doença COVID-19.
Assim, trata-se de um agente etiológico emergente, advindo da família do vírus ARN, com nome científico de Coronaviridae, largamente conhecido na seara científica, desde meados de 1960. Existem várias tipologias de coronavírus, sendo os mais comuns os que acometem o sistema respiratório (Oliveira, 2020).
Segundo Nobre et al. (2014), cabe inferir que as infecções respiratórias agudas (IRA) são responsáveis por grande parte dos quadros de morbidade e mortalidade que se alastram por todo o mundo. Os vírus são vistos como os agentes etiológicos basilares em IRA, assumindo a posição de patógenos centrais, ou mesmo patógenos secundários, em que prepara o hospedeiro, no caso o indivíduo, para receber as infecções bacterianas.
Strabellie, Uip (2020), afirmam que o quadro clínico da COVID-19 é semelhante aonde outras viroses respiratórias, a saber, febre, tosse geralmente seca, cansaço e, em casos mais graves (5%), dispneia, sangramento pulmonar, linfopenia grave e insuficiência renal. Em 80% dos casos, os sintomas são leves. O diagnóstico dos casos sintomáticos deve ser confirmado com a pesquisa do vírus por reação em cadeia da polimerase (PCR) de swab nasal.
O autor Dias (2020) alude que desde o ano de 2002, no momento da primeira epidemia do SARS, já deu-se início aos estudos envolvendo o coronavírus, a fim de criar uma vacina para combatê-lo, fato que justifica o avanço dos estudos para a elaboração de uma medicação ou mesmo de uma vacina em combate a essa nova epidemia. Ressalta-se ainda que, para a formulação de uma vacina são realizados inúmeros estudos e a formulação passa por pelo menos quatro etapas de pesquisa antes de ser testada nos seres humanos.
Já em relação a seu período de incubação, é possível que o COVID-19 fique em estado de latência em até 14 dias, sendo somente após esse período manifestado os sintomas, fato que colabora para a rápida propagação. A grande parcela dos pacientes acometidos por essa enfermidade se recupera, sem que haja a necessidade de administrar tratamentos mais especializados, contudo, nos quadros mais severos, cenário mais raro, poderá ser fatal (Oliveira, 2020).
A transmissão em humanos poderá acontecer por meio de contato com gotículas respiratórias, advindas de crises de tosses e espirros em pequena distância, podendo ainda ser transmitido por instrumentos contaminados pelo vírus ou mesmo pela sua propagação pelo ar, que atinge em especial, indivíduos com baixa imunidade, sendo a sua sobrevivência interligada ao meio que está inserido, ou seja, que tenha condições favoráveis a manutenção no ambiente (Nobre et al., 2014).
Desse modo, as medidas de prevenção abarcam a higienização das mãos com água e sabão, uso de álcool em gel 70%, evitar o contato das mãos sujas com olhos, boca e nariz, uso de máscaras e luvas, cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar. O diagnóstico dessa patologia poderá ser realizado através de amostras de sangue e secreção nasal, com uso dos testes sorológicos de reação em cadeia de polimerase ou mesmo de cultura viral, bem como exames de tomografia computadorizada (Oliveira, 2020).
Por outro lado, é notável que existem grandes limitações dos sistemas de saúde e de suas instalações hospitalares e profissionais a fim de atender a vertiginosa demanda. A fim de evitar o colapso de todo o sistema, e a devastação de grande parcela da sociedade, buscou-se maneiras de conter a disseminação do vírus, sendo necessário criar estratégias que alveja as conquistas do processo de globalização, como a limitação ou interrupção de voos internacionais, a troca de produtos e serviços entre os países, dentre outras medidas preventivas (Quintella et al., 2020).
2.2 Enfermagem no combate da COVID-19
No estudo de Tang, Zhao e Yu (2020) afirma que os enfermeiros que atuam na linha de frente no combate do COVID-19, em ambientes como a UTI, deverão tomar como norteador das ações, o princípio de controle de infecções, com o intuito de consolidar a cultura de segurança organizacional, que é imprescindível na prevenção de infecções cruzadas.
Assim, na busca de proteger as equipes de enfermagem e assegurar o fornecimento de uma boa assistência aos pacientes, percebeu-se mudanças na organização dos procedimentos de rotina, principalmente nos casos suspeitos ou confirmados de infecção por COVID-19. Dentre as medidas tem-se maior rigor na higienização da ambulância, na higienização da UTI e demais setores do hospital, limpeza cautelosa dos materiais e equipamentos, uso de equipamentos de proteção individual – EPIs durante os plantões, cuidados ambientais, uso de álcool em gel nas mãos diariamente, uso de água e sabão na limpeza das mãos, protocolos de cuidados no manuseio de secreções, uso ininterrupto de máscara N95 ou FFP2, dentre outras medidas (Marques et al., 2020).
Segundo Estalella, Zabalegui e Guerra (2020), deve-se focar nos treinamentos para uso correto dos equipamentos de proteção individual – EPI e tratamento de pacientes com coronavírus no ambiente de UTI. Sobreleva que a tecnologia aplicada na assistência em UTI prolonga a vida dos pacientes, porém serve como um fator de risco para a infecção hospitalar em pacientes em estado crítico acometidos pelo COVID19. É na UTI que se reúne pacientes com quadros mais graves de saúde, o que requer maior monitorização e suporte contínuo de suas funções vitais, onde já apresentam condições clínicas predisponentes para novas infecções.
A Enfermagem é diariamente deparada, no exercício da profissão, com situações conflitantes, hospitais sobrecarregados, limitação de vagas de leitos de Unidade de Terapia Intensiva, carência de equipamentos que permita a oferta de qualidade dos cuidados de enfermagem, alto nível de estresse laboral, esgotamento físico e mental por horas de trabalho, dentre outros obstáculos, que tem reflexo direto na boa performance psicológica e social do profissional. Assim, os entraves significativos e simbólicos impostos pela Covid-19 à saúde da Enfermagem pode ser classificada em limites, escassez e carências provocados pela vivência de cuidar de indivíduos com quadro de COVID-19 (Costa, 2020).
A complexidade da doença exige da enfermagem maior empenho da equipe de saúde, através dos trabalhos interdisciplinares, no intuito de aparar os cuidados do paciente e da família, perante incertezas e imprevisibilidades que marcam o período de tratamento e a instabilidade do quadro clínico do paciente. Desta forma, considera-se que a atuação da enfermagem colabora para a identificação das necessidades manifestadas pelo paciente, bem como a organização de toda a equipe de saúde em prol das melhorias do cuidado, e na oferta de satisfação de vida pautada em uma prática centrada na pessoa e não apenas nas tarefas (Silva, Alves, Santos, 2019).
Os dados das equipes de profissionais de saúde na linha de frente de atendimento de casos de COVID-19 mostram exaustão física e mental, dificuldades na tomada de decisão e ansiedade pela dor de perder pacientes e colegas, além do risco de infecção e a possibilidade de transmitir para familiares. Assim, garantir assistência médica para os profissionais de saúde e apoio psicológico são fundamentais. Da mesma forma, realizar testes diagnósticos nos sintomáticos com rapidez. (Medeiros, 2020)
Bitencourt et al. (2020) em seu trabalho assevera que, a superlotação dos hospitais, a presença de grande número de paciente em estado crítico, leva o enfermeiro a escolher quem será internado nas unidades de terapias intensivas, devido a carência de leitos, o que leva o profissional ir de encontro com todo o ensinamento adquirido em sua formação, e, em muitos casos, tem reflexo negativo nas condições psicológicas do profissional, por se sentir impotente diante da voracidade da doença.
Na UTI, o trabalho da enfermagem é complexo e agrega inúmeras necessidades para o desenvolvimento da assistência. Assim, as condições físicas, emocionais e psicológicas dos profissionais, atrelados a condição crítica dos pacientes, e o emprego de inúmeras tecnologias, exigem da enfermagem conhecimentos múltiplos, o que tem Interferência na assistência prestada, com maximização dos processos efetivos de trabalho e cuidado (Costa, 2020)
Assim, devem-se reconhecer quais os momentos prioritários de intervenção no processo de assistência da enfermagem como o período do procedimento cirúrgico, resultados do tratamento, realização de exames e demais intervenções clínicas de caráter técnico, como os cuidados na administração das terapias, que exige o uso de EPI, desprezo correto do material em locais específicos, os cuidados com a punção e extravasamento, além de suporte aos familiares, que são atividades relacionadas ao profissional de enfermagem (Souza, Garcia, Neto, 2020)
O estabelecimento do vínculo de confiança entre profissional, pacientes e familiares é essencial para o sucesso do tratamento, que é prolongado e desgastante; para isso o enfermeiro faz uso de metodologias e técnicas que podem ser aplicadas direta ou indiretamente criando um ambiente calmo e autoconfiante, estímulo da sensação de conforto, estabelecimento da empatia e promover a distração da atenção para atividades lúdicas na intenção de esquecer as dores e incômodos causados pela doença, acentuando o novo perfil do enfermeiro que a sociedade busca: um profissional que proporcione conforto, cuidado e emoção, simultaneamente, ofertados as pessoas no período de desconforto e fragilidade causada pela manifestação da doença. (Poerschke et al.,2020)
Diante desse raciocínio, percebe-se que a emprego de estratégias por parte dos enfermeiros com o propósito de efetivar o processo de humanização, apesar de todos os entraves existentes, é imprescindível para que o paciente acometido pelo COVID-19, tenha um cuidado integral, levando em consideração inclusive o papel do familiar em seu processo de recuperação (Gomes, Souza, Araújo, 2020).
3. AS ESTRATÉGIAS ADOTADAS PELA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PARA MELHORAR O DESEMPENHO DO TRATAMENTO DA COVID-19.
A enfermagem é uma profissão com características que demandam permanência integral no cuidado com o paciente, levando esse profissional a fazer parte da “linha de frente’’ no combate à Covid-19. O enfermeiro é o responsável por comandar e realizar os cuidados complexos tecnicamente, o que torna necessários maior conhecimento científico e tomada de decisão em tempo hábil. (Acioli et al., 2022).
O monitoramento e acompanhamento constante dos sinais vitais e da evolução clínica dos pacientes foram cruciais, pois através do isolamento do paciente quando necessário, pôde-se assim evitar a propagação do vírus. Também o profissional da enfermagem teve que se adequar para fornecer suporte emocional aos familiares dos pacientes acometidos pelo vírus.
Segundo Souza et al. (2021), é fundamental que os trabalhadores de enfermagem estejam engajados nas ações de prevenção, mitigação e combate relacionadas à Covid-19. Contudo, faz-se imprescindível que estes profissionais atuem em contextos laborais apropriados para o desenvolvimento do cuidado, pois do contrário, haverá elevado sofrimento psíquico e contaminação desse coletivo profissional.
Diante do exposto apresentado é notório que os profissionais da Enfermagem foram fundamentais na prevenção e controle da COVID-19 no Sistema público e privado de Saúde. Seja em procedimentos técnicos ou examinando, obtiveram contato direto com muitos dos pacientes infectados, enfrentaram longos plantões para suprir a alta demanda de casos, muitas vezes, sem acesso aos EPIs necessários.
Assim, na busca de proteger as equipes de enfermagem e assegurar o fornecimento de uma boa assistência aos pacientes, percebeu-se mudanças na organização dos procedimentos de rotina, principalmente nos casos suspeitos ou confirmados de infecção por COVID-19. Dentre as medidas tem-se maior rigor na higienização da ambulância, na higienização da UTI e demais setores do hospital, limpeza cautelosa dos materiais e equipamentos, uso de equipamentos de proteção individual – EPIs durante os plantões, cuidados ambientais, uso de álcool em gel nas mãos diariamente, uso de água e sabão na limpeza das mãos, protocolos de cuidados no manuseio de secreções, uso ininterrupto de máscara N95 ou FFP2, dentre outras medidas (Marques et al., 2020).
A citação evidencia o requisito de adaptação nos cuidados de saúde perante a pandemia de COVID-19. A ação destacada como uso de EPIs, rigor na higienização e protocolos de cuidados, expressão a relevância de preservar equipes de enfermagem e pacientes. No entanto, seria interessante avaliar como essas modificações evidenciam o ambiente de trabalho, a prevenção, eficácia e a influência emocional nas equipes, pretendendo alcançar um equilíbrio entre segurança e bem-estar.
Outro ponto importante, diz respeito ao preparo dos profissionais quanto à assistência a pacientes diagnosticados com COVID-19, pois muitos afirmam despreparo diante da nova doença e sentimento de incapacidade, visto que o tratamento é incerto e o risco de morte é elevado a depender do perfil do paciente. Portanto, o estado psicológico desses profissionais foi afetado significativamente, visto que passaram a experimentar situações adversas em seu ambiente de trabalho e convívio familiar em decorrência do novo e desconhecido problema enfrentado mundialmente. (Portugal et al., 2020)
A preocupação vital com o equilíbrio psicológico dos profissionais de saúde perante a pandemia da COVID-19. A consciência, a falta de preparo e a influência psíquica destacam desafios enfrentados pelos profissionais, refletindo nas práticas clínicas e nas esferas pessoais. No entanto, seria válido explorar abordagens para reduzir esses impactos, promovendo estratégias de enfrentamento e suporte psicológico
Já em relação as estratégias adotadas, observa-se nos estudos selecionados, que são apontadas como principais: a manutenção de um rigoroso gerenciamento do fluido de acompanhantes nas áreas de UTI, monitoramento dos aparelhos de ventilação, rigorosa higienização do ambiente e equipamentos, boa gestão dos medicamentos, adotar protocolos de isolamento do paciente, alta frequência da aplicação de substâncias saneantes, uso de EPIs e máscaras N95, seguir rigorosamente o protocolo de aspiração traqueal, dentre outras medidas.
Dos diferentes tipos de estratégias adotadas, visando superar as dificuldades vivenciadas, destacam-se as individuais, o suporte da equipe, familiar e informativo. Das estratégias individuais identificaram-se àquelas associadas à dimensão espiritual, à imaginação guiada, ao isolamento, ao exercício físico e às características do trabalho. (Borges et al., 2021).
Frente a isso, torna-se necessário implementar a humanização em seu sentido amplo, os desafios éticos, as preocupações com medidas de biossegurança, exaustão e ansiedade podem resultar em graves consequências para a enfermagem, afetando, portanto, o prognóstico e o manejo clínico dos pacientes. Sendo assim, estabelecer sistemas de suporte psicológico para profissionais que atuam na linha de frente são fundamentais para aliviar a pressão e os abalos psicológicos de enfermeiros que cuidam de pacientes acometidos pela Covid-19. (Paixão et al., 2020)
Outras estratégias adotadas pela equipe de enfermagem no combate ao vírus como medidas protetivas incluem distanciamento social, uso de máscaras, higienização frequente das mãos com água e sabão ou uso de álcool 70%, restrições de viagens, isolamento de casos confirmados e a campanha de vacinação em larga escala. Estas práticas visaram assim reduzir a propagação do vírus e proteger a saúde pública.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando o desempenho da enfermagem no combate à COVID-19, é crucial reconhecer o papel fundamental dos profissionais de enfermagem na linha de frente. Suas contribuições desempenharam um papel vital no enfrentamento da pandemia, demonstrando resiliência, dedicação e competência. No entanto, é imperativo que sejam fornecidos recursos adequados, apoio emocional e reconhecimento profissional para garantir a sustentabilidade e eficácia contínua desses esforços. Além disso, lições aprendidas durante esta crise devem orientar futuras políticas de saúde e preparação para emergências, visando fortalecer ainda mais a capacidade da enfermagem e do sistema de saúde como um todo.
Notou-se que os estudos apontam bons resultados dos pacientes com COVID-19, observados pela enfermagem a partir de melhora do desempenho com adoção de padrões e protocolos de atividades, especialmente no âmbito da UTI, e que são previamente determinados pelo Ministério da Saúde e pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar.
Assim, o grande foco dos enfermeiros, é garantir a segurança tanto dos profissionais como dos pacientes através da adoção das melhores condutas para prevenir e controlar a pandemia, em que se observa a adoção de equipamentos de proteção, onde os protocolos de isolamento, rigoroso processo de higienização hospitalar, maior cuidado com os procedimentos realizados no ambiente de UTI, como a implantação e monitoramento da ventilação mecânica, administração de medicamentos e alimentos, uso de sonda, dentre outras medidas das quais visaram amenizar a potencialidade dos efeitos adversos.
Percebe-se que são estratégias essenciais, porém ainda não se tem comprovado cientificamente, as evidências de medidas efetivas para diminuição de riscos relacionados à segurança dos equipamentos e das medidas de atendimento, em concordância com os protocolos oficiais a respeito desses cuidados. É função do profissional de enfermagem, elaborar estratégias e ações para qualificar a assistência, promover a segurança dos profissionais que trabalham na oferta de cuidado aos pacientes com a COVID-19.
Diante de todas as discussões levantadas, é possível concluir que apesar das limitações que o trabalho de UTI envolve, é necessário estimular novas reflexões nos profissionais de enfermagem que atuam nesse campo, gestores desses serviços e outros profissionais quanto à indispensabilidade de organização das competências para atuar nesse segmento, como estimular novas pesquisas acerca desse tema para melhorar as tarefas do cotidiano da UTI, ofertando mais conforto aos pacientes, com a garantia da segurança do profissional de saúde.
Em meio as considerações apresentadas são notórias que os profissionais da Enfermagem têm sido fundamentais na prevenção e controle da COVID-19, no Sistema Público e Privado de Saúde. Seja em procedimentos técnicos ou examinando, eles têm contato direto com muitos dos pacientes infectados, enfrentam longos plantões para suprir a alta demanda de casos, muitas vezes, sem acesso aos EPIs necessários.
Vale ressaltar que ao adentrar as UTIs, área de isolamento, o profissional de enfermagem era munido de (EPIs) máscaras N95, luvas de procedimentos, capote, macacão de proteção e viseiras, sendo retirada a máscara apenas após a saída, podendo ser reutilizada pelo mesmo profissional enquanto não estivesse danificada, em alinho com o período de uso determinado (4h) pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar – SCIH de cada instituição.
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