REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202507271906
Paulo Cristiano Abreu de Jesus
RESUMO
A saúde mental dos estudantes tem sido um tema crescente de preocupação na sociedade contemporânea. A Educação Física Escolar, além de contribuir para o desenvolvimento motor e físico dos educandos, pode desempenhar um papel fundamental na redução da ansiedade, do estresse e na promoção do bem-estar emocional. Este artigo tem como objetivo analisar a relação entre a prática de atividades físicas no ambiente escolar e a saúde mental dos educandos, destacando estratégias pedagógicas que favorecem um ensino mais humanizado. Para isso, será realizada uma revisão bibliográfica sobre a temática, considerando estudos recentes e diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Palavras-chave: Educação Física, Saúde Mental, Ensino Escolar, BNCC, Bem-Estar.
1. INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, tem-se observado um aumento significativo dos transtornos mentais entre estudantes, tais como: ansiedade, depressão e estresse escolar. A pandemia de COVID-19 em 2020 intensificou esse cenário evidenciando a necessidade de abordagens educacionais que promovam o bem-estar dos alunos. A Educação Física Escolar, muitas vezes vista apenas como um componente voltado ao desenvolvimento motor e brincadeiras lúdicas, também pode ser um instrumento essencial para a promoção da saúde e bem-estar mental dos educandos.
A relação entre corpo e mente tem sido amplamente estudada, com evidências científicas indicando que a prática regular de atividades físicas melhora a cognição, o humor e a interação social. No contexto escolar, é fundamental que os professores de Educação Física estejam preparados para atuar de forma integrada, considerando não apenas o desenvolvimento motor, mas também a promoção do bem-estar mental dos educandos. Assim, ao adotar metodologias inovadoras, a disciplina pode contribuir significativamente para a construção de um ambiente mais saudável e acolhedor na escola.
Diante disso, este estudo investiga como o ensino humanizado da Educação Física Escolar pode contribuir para a redução do estresse e da ansiedade no ambiente escolar, favorecendo o desenvolvimento emocional dos educandos.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 EDUCAÇÃO HUMANIZADA E SAÚDE MENTAL
A humanização da educação é essencial para garantir que os estudantes se sintam acolhidos e respeitados em suas particularidades, a pedagogia humanista, segundo Freire (1996), preconiza um ensino que valoriza o diálogo e a empatia, permitindo que o aluno seja protagonista do seu aprendizado. No contexto da Educação Física Escolar, isso implica na criação de ambientes inclusivos e na adaptação das atividades às necessidades de cada estudante.
A humanização do ensino contribui para a formação de vínculos entre alunos e professores, fortalecendo a confiança e promovendo um ambiente de aprendizagem saudável. Segundo Bacich e Moran (2018), práticas pedagógicas que consideram o aspecto emocional dos estudantes favorecem não apenas o desempenho acadêmico, mas também a saúde mental, prevenindo casos de ansiedade e estresse, logo a Educação Física deve ser estruturada de maneira a integrar os princípios humanistas ao desenvolvimento físico e motor dos alunos.
2.2 O IMPACTO DA ATIVIDADE FÍSICA NA SAÚDE MENTAL
A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que a prática regular de atividades físicas está diretamente relacionada à redução de sintomas de ansiedade e depressão. Estudos indicam que exercícios físicos estimulam a liberação de endorfinas e serotonina, neurotransmissores associados ao bem-estar e à melhoria do humor. No contexto escolar, a inclusão de dinâmicas lúdicas e esportivas pode ser um diferencial para tornar a prática mais atraente e eficaz.
De acordo com Gomes (2022), estudantes que participam de atividades físicas regulares demonstram maior concentração, melhor desempenho acadêmico e menor índice de fadiga mental, logo a Educação Física Escolar pode ser vista não apenas como uma ferramenta de saúde física, mas também como um meio de melhorar o aprendizado e a retenção de informações.
Além disso, segundo Mariano, De Ataídes e Reis (2025), a prática esportiva favorece o desenvolvimento de habilidades emocionais, como o controle da frustração e a resiliência, aspectos fundamentais para o enfrentamento dos desafios do cotidiano escolar. Assim, ao promover um ambiente favorável ao desenvolvimento socioemocional, a Educação Física Escolar se torna um pilar essencial na construção do bem-estar do educando.
2.3 A EDUCAÇÃO FÍSICA NA BNCC E O DESENVOLVIMENTO SOCIOEMOCIONAL
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece a Educação Física como um componente essencial para o desenvolvimento integral do aluno. Além das competências motoras, a disciplina também visa promover habilidades socioemocionais, como trabalho em equipe, resiliência e autoconfiança. A adoção de metodologias ativas, como jogos cooperativos e atividades de conscientização corporal, pode fortalecer a relação entre a Educação Física e a saúde mental.
Nesse sentido, a BNCC enfatiza a importância da aprendizagem significativa, na qual os alunos desenvolvem habilidades não apenas motoras, mas também interpessoais, logo a Educação Física deve ser estruturada de maneira a proporcionar experiências que estimulem o respeito às diferenças e a cooperação entre os alunos, criando um ambiente inclusivo e colaborativo, levando a disciplina a contribuir para a formação de cidadãos mais empáticos e preparados para os desafios sociais.
A abordagem da Educação Física na BNCC destaca a importância da personalização do ensino, a diversificação das atividades físicas, contemplando diferentes modalidades e níveis de dificuldade, é essencial para garantir que todos os estudantes se sintam motivados e engajados nas aulas, tornando-as em um espaço de valorização da diversidade e de promoção do bem-estar coletivo.
3. METODOLOGIA
Este estudo baseia-se em uma revisão bibliográfica, com análise de artigos científicos, documentos oficiais e relatórios de organizações voltadas à educação e à saúde mental. Além disso, serão consideradas pesquisas recentes sobre os impactos da atividade física na redução do estresse e da ansiedade no ambiente escolar.
4. DISCUSSÃO E RESULTADOS
Nos estudos Professores de Educação Física relatam que estratégias como circuitos funcionais, ioga e dinâmicas colaborativas têm contribuído para um ambiente escolar mais harmonioso. Observamos que desafios tais como a falta de infraestrutura e a formação docente são aspectos que precisam ser aprimorados.
Outro ponto relevante é o papel da Educação Física no fortalecimento das relações interpessoais entre os estudantes, pois a prática de esportes coletivos e atividades colaborativas incentiva a socialização, melhora a autoestima e reduz sentimentos de isolamento, promovendo um ambiente escolar mais acolhedor. Além disso, professores que adotam uma abordagem inclusiva e diversificada nas aulas conseguem atender às diferentes necessidades dos alunos, tornando a disciplina mais acessível e envolvente.
Ademais, é importante considerar o impacto das novas tecnologias na Educação Física Escolar. Aplicativos de monitoramento físico, jogos interativos e realidade aumentada podem ser ferramentas eficazes para engajar os alunos e diversificar as metodologias de ensino, essas inovações permitem um acompanhamento mais preciso do desenvolvimento dos estudantes e estimulam a prática de atividades físicas também fora do ambiente escolar.
5. CONCLUSÃO
A Educação Física Escolar é um importante aliado na promoção da saúde mental dos estudantes. Para que esse potencial seja plenamente explorado, é necessário que professores sejam capacitados a desenvolver estratégias pedagógicas que integrem a atividade física ao bem-estar emocional dos alunos, é de fundamental importância que as instituições de ensino ofereçam suporte e infraestrutura adequada para a implementação das práticas inovadoras e do ensino humanizado. O reconhecimento da Educação Física como uma ferramenta de saúde mental pode representar um avanço significativo na qualidade da educação básica no Brasil.
Dessa forma, investir na capacitação docente e na criação de políticas educacionais que valorizem a relação entre atividade física e bem-estar emocional é essencial para a construção de um ambiente escolar mais saudável. Somente com ações concretas será possível garantir que a Educação Física cumpra seu papel integral, promovendo não apenas o desenvolvimento motor, mas também o equilíbrio emocional dos alunos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BACICH, L.; MORAN. J. (Org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. – (Coleção Leitura)
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 42. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. 213 p. ISBN 8521900058.
GOMES, André Luiz Guimarães. Atividade física regular orientada e saúde mental em estudantes e profissionais da área da saúde em tempos de pandemia de COVID-19. 2022. [85f]. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Psicologia) – Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, [FAMERP].
MARIANO, Hosana de Queiroz; DE ATAIDES, Wedna Lima; REIS, Antonina Guimarães. EDUCAÇÃO FÍSICA E ESPORTE ESCOLAR: AUTONOMIA, INCLUSÃO E BEM-ESTAR COMO ESTRATÉGIAS PARA O DESENVOLVIMENTO DOS ESTUDANTES. ARACÊ , [S. l.] , v. 1, pág. 3864–3878, 2025. DOI: 10.56238/arev7n1-229 . Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/3037 . Acesso em: 13 fev. 2025.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Diretrizes sobre atividade física e comportamento sedentário. Genebra: OMS, 2020.
