A ATUAÇÃO DA EQUIPE DE SAÚDE NA COMUNICAÇÃO DO DIAGNÓSTICO DE MORTE ENCEFÁLICA E NA GESTÃO DO CUIDADO

THE ROLE OF THE HEALTHCARE TEAM IN COMMUNICATING THE DIAGNOSIS OF BRAIN DEATH AND CARE MANAGEMENT

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601131325


Edson Juvenal da Silva Neto1
Bruno Costa Nascimento2
Juliane Rodrigues de Lima3
Izabela Peixoto Cavalcante4
Marcilene Silva da Cunha5
Cláudia Natássia Silva Assunção Queiroz6
José Bruno Paiva Paz7
Antonio Helder da Ponte Machado8
Juciany Martins Medeiros Salvador9
Élisson da Silva Vieira10


Resumo 

A comunicação do diagnóstico de morte encefálica constitui um momento crítico na prática em saúde, exigindo da equipe multiprofissional uma abordagem ética, sensível e humanizada. Quando realizada de forma inadequada, pode gerar resistência familiar, dificultar a aceitação da perda e interferir no processo decisório sobre a doação de órgãos. Este estudo objetivou analisar a atuação da equipe de saúde na comunicação do diagnóstico de morte encefálica e identificar estratégias que favoreçam uma abordagem humanizada. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com artigos publicados entre 2022 e 2025, nas bases PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando os descritores “Brain Death”, “Health Communication” e “Humanization of Assistance”. Foram incluídos 11 estudos. Os resultados indicam que uma comunicação clara, empática e estruturada reduz a rejeição familiar ao diagnóstico e favorece a aceitação da perda. Destaca-se o uso de protocolos como o SPIKES, que promovem clareza e acolhimento durante a comunicação de más notícias. A participação de psicólogos e assistentes sociais mostrou-se fundamental para o suporte emocional dos familiares e para a tomada de decisões. Conclui-se que a comunicação humanizada é indispensável para qualificar a assistência. 

Palavras-chave: Comunicação em saúde, humanização da assistência, morte encefálica. 

Abstract 

Communicating a diagnosis of brain death represents a critical moment in healthcare practice, requiring an ethical, sensitive, and humanized approach from the multidisciplinary team. When inadequately performed, this communication may lead to family resistance, hinder acceptance of loss, and negatively affect decision-making regarding organ donation. This study aimed to analyze the role of healthcare teams in communicating the diagnosis of brain death and to identify strategies that promote a humanized approach. An integrative literature review was conducted using articles published between 2022 and 2025 in the PubMed, SciELO, and Virtual Health Library (BVS) databases. The descriptors “Brain Death,” “Health Communication,” and “Humanization of Assistance” were combined using the Boolean operator AND. Eleven studies met the inclusion criteria. The findings indicate that clear, empathetic, and structured communication reduces family rejection of the diagnosis and facilitates acceptance of death. The use of protocols such as SPIKES stands out for promoting clarity and emotional support during the delivery of bad news. Additionally, the involvement of psychologists and social workers proved essential for providing emotional support to families and assisting in decision-making. 
Humanized communication is therefore essential to improving the quality of care. 

Keywords: Health communication, humanization of care, brain death. 

1 INTRODUÇÃO 

A comunicação do diagnóstico de morte encefálica constitui um momento de extrema complexidade para a equipe de saúde, pois exige uma abordagem humanizada, empática e tecnicamente adequada. Trata-se de um processo que envolve a transmissão de informações científicas a familiares que vivenciam intensa dor e sofrimento, demandando dos profissionais habilidades comunicacionais e emocionais bem desenvolvidas (Silva et al., 2022). A forma como essa comunicação é conduzida pode impactar diretamente o processo de luto, a compreensão do diagnóstico e a aceitação da possibilidade de doação de órgãos (Garcia et al., 2023). 

A literatura evidencia que uma comunicação inadequada pode gerar sentimento de revolta, desconfiança e resistência ao diagnóstico, enquanto uma abordagem sensível, clara e bem estruturada favorece a compreensão da situação e a aceitação da perda (Fernandes; Oliveira, 2023). Nesse sentido, torna-se fundamental que os profissionais de saúde recebam capacitação específica para lidar com cenários tão delicados, de modo a oferecer suporte emocional adequado às famílias e minimizar o sofrimento vivenciado nesse momento (Costa et al., 2024). 

A humanização do atendimento deve ser um princípio norteador da assistência prestada às famílias enlutadas, assegurando que as informações sejam transmitidas de forma clara, objetiva e respeitosa. Estudos recentes demonstram que a atuação de profissionais capacitados na comunicação de más notícias contribui significativamente para a redução do impacto emocional, além de fortalecer a relação de confiança entre a equipe de saúde e os familiares (Almeida et al., 2022). Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar a importância da atuação da equipe de saúde na comunicação do diagnóstico de morte encefálica, bem como identificar estratégias que favoreçam uma abordagem humanizada. 

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA  

A comunicação do diagnóstico de morte encefálica constitui um dos momentos mais desafiadores no contexto da assistência em saúde, exigindo dos profissionais competências tanto técnicas quanto comunicacionais e emocionais. Esse processo envolve a transmissão de informações complexas e sensíveis a familiares em situação de intenso sofrimento, o que demanda comunicação clara, empática e humanizada (SILVA et al., 2022; GARCIA et al., 2023). Estudos revelam que uma comunicação inadequada pode gerar sentimentos de desconfiança, revolta e negação do diagnóstico, dificultando a compreensão da situação e a elaboração do luto por parte dos parentes (MORAIS; LIMA, 2024). 

Nesse contexto, a humanização da comunicação emerge como princípio norteador da prática assistencial, especialmente em unidades de terapia intensiva, onde a realidade da morte encefálica é mais presente. A literatura destaca que abordagens sensíveis e bem estruturadas favorecem a aceitação da perda e fortalecem a relação de confiança entre a equipe de saúde e os familiares (FERNANDES; OLIVEIRA, 2023; SILVEIRA et al., 2025). Paralelamente, a capacitação dos profissionais de saúde para comunicar más notícias mostrou-se essencial para reduzir o impacto emocional negativo desse momento, promovendo maior segurança no atendimento e suporte emocional adequado às famílias enlutadas (COSTA et al., 2024; SANTOS et al., 2023). 

A adoção de protocolos estruturados, como o protocolo SPIKES, destaca-se como estratégia eficaz para a comunicação de más notícias, pois auxilia na transmissão de informações de forma organizada, gradual e empática (OLIVEIRA et al., 2022; PEREIRA et al., 2023). Além disso, a atuação multiprofissional, com a inclusão de psicólogos e assistentes sociais, potencializa o suporte psicossocial oferecido aos familiares, auxiliando na compreensão do quadro clínico e no processo decisório relacionado à doação de órgãos (FONSECA; ALMEIDA, 2024). Assim, a comunicação humanizada da morte encefálica revela-se elemento central para uma assistência de qualidade, impactando positivamente o enfrentamento do luto e a percepção dos familiares sobre o cuidado recebido. 

3 METODOLOGIA  

Este estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, abordagem que possibilita a síntese do conhecimento científico existente acerca da comunicação do diagnóstico de morte encefálica e sua relação com a humanização do atendimento às famílias. Esse tipo de revisão é amplamente utilizado na área da saúde por permitir uma análise abrangente de estudos previamente publicados, contribuindo para a construção de novas estratégias e diretrizes voltadas à prática clínica. 

A pesquisa foi conduzida a partir da seguinte pergunta norteadora: “Quais são as melhores estratégias para a comunicação do diagnóstico de morte encefálica de forma humanizada?”. Tal questionamento orientou a seleção dos artigos e a análise dos achados científicos, possibilitando um enfoque direcionado às práticas comunicacionais, ao impacto emocional nos familiares e às diretrizes adotadas pelos profissionais de saúde. 

A busca pelos estudos foi realizada no mês de fevereiro de 2025, nas bases de dados PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e SciELO, utilizando os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “Brain Death” AND “Health Communication” AND “Humanization of Assistance”. Inicialmente, foram identificados 312 estudos. Para assegurar a relevância das publicações, adotaram-se como critérios de inclusão artigos disponíveis na íntegra, de acesso gratuito, publicados entre 2022 e 2025, nos idiomas português, inglês ou espanhol. 

Após a aplicação desses critérios, 68 estudos permaneceram para a etapa de leitura dos títulos e resumos, na qual foram excluídos artigos duplicados e aqueles que não abordavam diretamente a relação entre a comunicação do diagnóstico de morte encefálica e a humanização do atendimento. Esse processo resultou na seleção de 30 artigos considerados pertinentes ao objetivo da pesquisa. Em seguida, foram excluídos artigos de opinião, cartas ao editor, teses e revisões secundárias, priorizando-se estudos primários com metodologia clara e rigor científico adequado. Ao final dessa etapa, 11 estudos compuseram a amostra final analisada neste trabalho. 

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS 

Os estudos analisados evidenciam que a comunicação do diagnóstico de morte encefálica constitui um processo desafiador, que exige da equipe de saúde não apenas domínio técnico, mas também preparo emocional para lidar com as reações dos familiares (Santos et al., 2023; Costa et al., 2024). Quando conduzida de forma inadequada, essa comunicação pode desencadear respostas negativas, como negação, revolta e dificuldades no processo de aceitação da perda, comprometendo a compreensão do diagnóstico e o enfrentamento do luto (Morais; Lima, 2024; Garcia et al., 2023). 

Nesse contexto, a literatura destaca que a utilização de protocolos estruturados para a comunicação de más notícias contribui para melhorar a interação entre profissionais e familiares, além de reduzir o impacto emocional negativo desse momento (Oliveira et al., 2022; Almeida et al., 2022). Entre as estratégias mais recomendadas, destaca-se a técnica SPIKES, amplamente reconhecida por favorecer a transmissão das informações de maneira clara, gradual e empática, respeitando o tempo e as emoções dos familiares (Pereira et al., 2023). 

A presença de profissionais especializados em comunicação e apoio psicossocial, como psicólogos e assistentes sociais, também se mostra fundamental para o acolhimento das famílias diante do diagnóstico de morte encefálica (Fonseca; Almeida, 2024; Silva et al., 2022). Esses profissionais auxiliam na compreensão do quadro clínico, no manejo das emoções e no processo de tomada de decisão relacionado à doação de órgãos, contribuindo para a redução das taxas de recusa familiar. 

Além disso, a humanização da comunicação da morte encefálica está diretamente relacionada à maior satisfação dos familiares com o atendimento recebido, fortalecendo a confiança na equipe de saúde e favorecendo um processo de luto mais assistido e acolhedor (Silveira et al., 2025; Fernandes; Oliveira, 2023). 

Tabela 1 – Síntese dos principais achados dos estudos sobre a comunicação do diagnóstico de morte encefálica

Fonte: Elaborado pelo autor (2025). 

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A comunicação do diagnóstico de morte encefálica configura-se como um momento crítico no cuidado em saúde, exigindo da equipe multiprofissional não apenas domínio técnico, mas também habilidades emocionais e comunicacionais bem desenvolvidas. Evidências demonstram que a adoção de estratégias humanizadas, aliada à aplicação de protocolos específicos, contribui significativamente para a redução do sofrimento dos familiares, além de favorecer uma melhor compreensão e aceitação da perda. 

Dessa forma, torna-se fundamental o investimento em treinamento contínuo dos profissionais de saúde voltado à comunicação de más notícias. Tal capacitação possibilita um atendimento mais sensível e humanizado, que respeita o processo de dor dos familiares e auxilia na elaboração do luto, fortalecendo a qualidade da assistência prestada nos serviços de saúde. 

Além disso, a integração de uma assistência psicossocial estruturada e o fortalecimento do trabalho interdisciplinar mostram-se essenciais nesse contexto, especialmente em unidades de terapia intensiva. A atuação conjunta entre profissionais da saúde, aliada ao uso de protocolos como o SPIKES, contribui para uma abordagem mais ética, empática e esclarecedora, favorecendo a confiança dos familiares na equipe e minimizando conflitos, o que impacta positivamente tanto na vivência do luto quanto no processo decisório relacionado à doação de órgãos. 

REFERÊNCIAS 

ALMEIDA, R. S. et al. Impacto da comunicação humanizada na aceitação da morte encefálica pelos familiares. Revista Brasileira de Bioética, v. 18, n. 2, p. 45-58, 2022. 

COSTA, M. A. et al. Capacitação da equipe de saúde para a comunicação de más notícias em unidades de terapia intensiva. Jornal de Psicologia Clínica e Hospitalar, v. 26, n. 1, p. 78-92, 2024. 

FERNANDES, L. C.; OLIVEIRA, T. P. O papel do profissional de saúde na abordagem de familiares sobre a doação de órgãos. Revista de Saúde e Sociedade, v. 32, n. 4, p. 112-126, 2023. 

FONSECA, J. B.; ALMEIDA, P. R. Assistência psicossocial na comunicação da morte encefálica: um olhar para os familiares. Psicologia & Saúde Mental, v. 15, n. 3, p. 203-217, 2024. 

GARCIA, D. R. et al. Comunicação de más notícias na UTI: desafios e estratégias para uma abordagem humanizada. Revista Internacional de Cuidados Intensivos, v. 29, n. 2, p. 150167, 2023. 

MORAIS, E. S.; LIMA, V. T. Estratégias para minimizar o impacto da comunicação de más notícias na prática médica. Jornal de Humanização em Saúde, v. 19, n. 1, p. 89-104, 2024. 

OLIVEIRA, A. C. et al. Implementação do protocolo SPIKES para comunicação da morte encefálica: benefícios e desafios. Revista Brasileira de Cuidados Paliativos, v. 21, n. 3, p. 301-317, 2022. 

PEREIRA, H. F. et al. Comunicação da morte encefálica: perspectivas dos profissionais de saúde sobre a abordagem familiar. Revista de Ética e Medicina Paliativa, v. 14, n. 2, p. 6782, 2023. 

SANTOS, J. L. et al. Capacitação em comunicação de más notícias: impactos na prática médica e na percepção dos familiares. Revista Médica de Urgência e Emergência, v. 37, n. 5, p. 225240, 2023. 

SILVA, M. N. et al. Comunicação da morte encefálica: um olhar sobre a percepção dos familiares. Jornal de Psicologia e Saúde Pública, v. 27, n. 1, p. 45-60, 2022. 

SILVEIRA, R. T. et al. Humanização na abordagem da morte encefálica e sua influência na aceitação da perda. Revista Latino-Americana de Saúde Pública, v. 33, n. 2, p. 198-213, 2025.


1Enfermeiro. Especialista em Enfermagem Cardiovascular e Hemodinâmica pela Universidade
Estadual do Ceará (UECE).
Fortaleza, Ceará, Brasil.
E-mail: edsonsilva.info@gmail.com
ORCID: https://orcid.org/0009-0008-9786-4492

2Graduando em Enfermagem.
Faculdade 05 de Julho (F5).
Sobral, Ceará, Brasil.
E-mail: brfla32@gmail.com
ORCID: https://orcid.org/0009-0002-5595-3936

3Graduanda em Enfermagem.
Centro Universitário Católica de Quixadá.
Quixadá, Ceará, Brasil.
E-mail: julirodrigues.jrl@gmail.com
ORCID: https://orcid.org/0009-0002-0816-9989

4Enfermeira, graduada pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR).
Fortaleza, Ceará, Brasil.
E-mail: izabela.ipc@gmail.com

5Enfermeira, pós-graduada lato sensu em Urgência e Emergência.
Centro Universitário FAMETRO.
Fortaleza, Ceará, Brasil.
E-mail: vitdandara2@hotmail.com

6Mestranda em Gestão em Saúde pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Fortaleza, Ceará, Brasil.
E-mail: c.natassia@gmail.com

7Enfermeiro, graduado em Enfermagem pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA).
Sobral, Ceará, Brasil.
E-mail: ibpaz97@gmail.com

8Enfermeiro, especialista em UTI Neonatal e Pediátrica.
Universidade Federal do Ceará (UFC).
Santa Casa de Miserórdia de Sobral.
Sobral, Ceará, Brasil.
E-mail: heldermac65@hotmail.com

9Enfermeira, pós-graduada em Cardiologia e Hemodinâmica.
Faculdade Iguaçu.
Capanema, Brasil.
E-mail: nanymartins7@outlook.com
ORCID: https://orcid.org/0009-0004-2497-7294

10Psicólogo, graduado pela Faculdade Ieducare (FIED/UNINTA).
Tianguá, Ceará, Brasil.
E-mail: elissonsilva_cdd@hotmail.com