PSYCHOEDUCATION AND ANXIETY BEFORE ENDODONTIC TREATMENT: CLINICAL STRATEGIES FOR THE MANAGEMENT OF FEAR IN THE LIGHT OF PSYCHOANALYSIS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602091144
Victor Andrade Ribeiro Silva1, Maria Luisa Silva de Melo2, Ubyrajara Aquino de Castro Júnior3, Lídia Geralda Alves de Almeida4, Elissa Frauches Dalla5, Juliana Reimberg de Sousa6, Pedro Augusto Dias Lima7, Ilana Furman Carracena8, Sarah Frota Loiola9, Carlos Felipe Nocrato Loiola10
Resumo
A ansiedade odontológica constitui um fator relevante no contexto do tratamento endodôntico, podendo comprometer a adesão do paciente, a condução clínica e os resultados terapêuticos. O tratamento de canal radicular é frequentemente associado à dor, desconforto e medo, mesmo diante dos avanços tecnológicos da odontologia contemporânea, o que reforça a necessidade de estratégias clínicas voltadas ao manejo emocional do paciente. Nesse contexto, a psicoeducação emerge como uma abordagem não farmacológica promissora, ao favorecer a compreensão do procedimento, a redução da percepção de ameaça e o fortalecimento do vínculo profissional-paciente. Objetivo: Analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, o papel da psicoeducação na redução da ansiedade em pacientes submetidos ao tratamento endodôntico, à luz das contribuições da psicanálise. Metodologia: Consistiu em uma revisão qualitativa da literatura, realizada nas bases de dados SciELO, Portal de Periódicos da CAPES e LILACS, contemplando publicações entre 2020 e 2025. Foram selecionados 23 estudos, incluindo ensaios clínicos, revisões sistemáticas e estudos observacionais, além de obras clássicas da psicanálise de Sigmund Freud. Resultados: Os resultados indicam que a ansiedade odontológica é multifatorial, influenciada por experiências prévias, medo da dor, condicionamento cognitivo e processos inconscientes, como resistência e antecipação ansiosa. As estratégias psicoeducativas, associadas a intervenções como musicoterapia, relaxamento, hipnose e comunicação empática, demonstraram eficácia na redução dos níveis de ansiedade e na melhoria da experiência do paciente durante o tratamento endodôntico. Conclusão: Conclui-se que a integração entre psicoeducação e compreensão psicanalítica da ansiedade representa uma abordagem eficaz e humanizada, contribuindo para a qualificação do cuidado odontológico e para melhores desfechos clínicos.
Palavras-chave: Ansiedade. Psicoeducação. Tratamento Endodôntico. Canal Radicular.
Abstract
Dental anxiety is a relevant factor in the context of endodontic treatment, and may compromise patient adherence, clinical conduct and therapeutic results. Root canal treatment is often associated with pain, discomfort and fear, even in the face of technological advances in contemporary dentistry, which reinforces the need for clinical strategies focused on the emotional management of the patient. In this context, psychoeducation emerges as a promising non-pharmacological approach, favoring the understanding of the procedure, the reduction of threat perception and the strengthening of the professional-patient bond. Objective: To analyze, through an integrative literature review, the role of psychoeducation in reducing anxiety in patients submitted to endodontic treatment, in light of the contributions of psychoanalysis. Methodology: It consisted of a qualitative literature review, carried out in the databases SciELO, CAPES Journal Portal and LILACS, contemplating publications between 2020 and 2025. Twenty-three studies were selected, including clinical trials, systematic reviews and observational studies, as well as classical works of psychoanalysis by Sigmund Freud. Results: The results indicate that dental anxiety is multifactorial, influenced by previous experiences, fear of pain, cognitive conditioning and unconscious processes such as resistance and anxious anticipation. Psychoeducational strategies, associated with interventions such as music therapy, relaxation, hypnosis and empathic communication, demonstrated effectiveness in reducing anxiety levels and improving the patient’s experience during endodontic treatment. Conclusion: It is concluded that the integration between psychoeducation and psychoanalytic understanding of anxiety represents an effective and humanized approach, contributing to the qualification of dental care and better clinical outcomes.
Keywords: Anxiety. Psychoeducation. Endodontic Treatment. Root Canal.
INTRODUÇÃO
A ansiedade odontológica é considerada um fenômeno clínico importante, sobretudo quando se trata de tratamentos endodônticos, visto que esse tipo de tratamento consiste na remoção da polpa dentária inflamada ou infectada e se encontra diretamente associado a dor, desconforto e medo, o que pode desencadear nos pacientes uma certa resistência, comprometendo o atendimento e consequentemente o desfecho clínico do tratamento. A percepção negativa sobre o tratamento endodôntico é amplamente conhecida, mesmo frente aos avanços tecnológicos que garantem maior conforto e melhor segurança a técnica (Teixeira et al., 2024).
Desse modo, estratégias de psicoeducação, com foco em informação clara, na escuta ativa e no preparo emocional do paciente vem sendo estudado e podem ser cruciais para amenizar a ansiedade prévia e contribuir para a qualificação do atendimento e sucesso do tratamento (Machado; Pinto, 2021). Ao atrelar aspectos psicológicos e clínicos, o profissional além de melhorar a experiência do paciente, intensifica também os resultados terapêuticos. No entanto, estudos que abordem especificamente o uso da psicoeducação em tratamentos endodônticos são escassos na literatura (Teixeira et al., 2024).
Sob à luz da psicanálise, principalmente através das contribuições de Freud, entende-se que a ansiedade que o paciente manifesta diante de procedimentos invasivos pode surgir de processos inconscientes conectados ao medo da dor, da perda de controle ou da invasão corporal. Na obra Inibições, Sintomas e Ansiedade (1926), Freud explica a ansiedade como um sinal psíquico que paralisa os mecanismos de defesa, trazendo impactos diretos na relação do indivíduo com experiências que o mesmo encara como ameaçadoras.
Ao atrelar essa compreensão da psicanálise à prática clínica, a psicoeducação pode contribuir no manejo da ansiedade, atuando como mediadora entre o fator angustiante e a experiência real do procedimento, permitindo que o paciente entenda e trabalhe as suas angústias e inseguranças, e crie um vínculo de confiança no profissional. Assim, o conhecimento psicanalítico se insere enquanto aliado a abordagem educativa, fomentando a compreensão dos fatores emocionais e sua influência na adesão e o êxito terapêutico.
Com base nessa questão, este estudo tem como objetivo analisar, por meio de revisão de literatura, o papel da psicoeducação no manejo da ansiedade em pacientes submetidos ao tratamento endodôntico, abrangendo os fatores ansiogênicos envolvidos, a compreensão psicanalítica da vivência do paciente e as estratégias psicoeducativas empregadas na prática endodôntica.
METODOLOGIA
Esta revisão da literatura possui uma metodologia qualitativa, sendo baseada no desenvolvimento da seguinte pergunta de pesquisa: “Como a psicoeducação pode contribuir para a redução da ansiedade em pacientes submetidos ao tratamento endodôntico?” Para isto, foram utilizadas as bases de dados eletrônica: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Portal de Periódicos da CAPES e Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) para pesquisar e identificar estudos que respondessem à pergunta norteadora desta revisão integrativa da literatura. A base de dados foi pesquisada para estudos realizados entre 2020 e 2025. Obtemos um total de 23 artigos para compor esta pesquisa. Esta revisão baseou-se em três etapas: Na primeira etapa foi o estabelecimento dos descritores para ambas as bases de dados, sendo uma com a utilização de MeSHterms (PubMed) e DeCS/MeSH (BVS). Em seguida, na segunda etapa, foram feitas uma busca avançada nas bases e análise do quantitativo dos artigos científicos presentes na íntegra. Logo em seguida, na terceira etapa, foram selecionados os artigos que se adequaram aos critérios de elegibilidade estabelecidos pelos pesquisadores. Foram utilizados quatro descritores para a composição da chave de pesquisa, sendo os seguintes (MeSH/DeCS): [(Educação de Pacientes como Assunto / Patient Education as Topic) OR (Ansiedade / Anxiety) AND (Tratamento do Canal Radicular / Root Canal Therapy) AND (Atitude Frente a Saúde / Attitude to Health)]. Em seguida, os pesquisadores selecionaram os trabalhos com análise no título e resumo, com base nos critérios de elegibilidade. Os critérios de elegibilidade foram os seguintes: artigos publicados em português e inglês; ensaios clínicos randomizados ou não randomizados; metanálise; revisões sistemáticas e artigos que se adequem à temática. Também foi utilizado o sistema de formulário avançado para busca e seleção dos artigos utilizando conector booleano “AND” e “OR”. Em seguida, artigos que preencheram os critérios de elegibilidade foram identificados e incluídos na revisão. Além disso, foram consideradas as contribuições da psicanálise de Sigmund Freud, nas obras Inibições, Sintomas e Ansiedade (1926) e Análise de uma fobia em um menino de cinco anos (O Pequeno Hans) (1909).
3 ANÁLISE DA LITERATURA
3.1 A ansiedade odontológica no contexto do tratamento endodôntico
A maioria dos procedimentos odontológicos é invasiva. Procedimentos como a aplicação de anestesia local, o levantamento de retalho de tecido mole, a extração dentária ou o tratamento de canal radicular são considerados invasivos (Al Dhelai et al., 2021). Esses procedimentos têm demonstrado aumentar a ansiedade dos pacientes. Níveis elevados de ansiedade podem resultar em complicações e, consequentemente, afetar o prognóstico do tratamento (Algarni et al., 2023).
A ansiedade é uma resposta a um perigo percebido que é desconhecido para o indivíduo (Al Dhelai et al., 2021). A ansiedade odontológica, especificamente, refere-se à reação específica de um paciente ao estresse associado ao tratamento odontológico ou à antecipação de um acontecimento desagradável durante qualquer procedimento odontológico. É uma emoção comum experimentada por pessoas em todo o mundo (Alansaari et al., 2023; Kumal et al., 2025). Pode ser definida como uma sensação de nervosismo ou apreensão associada ao tratamento odontológico e pode variar de um leve desconforto a uma forma mais grave que pode interferir no tratamento e causar sofrimento significativo ao paciente (Alansaari et al., 2023; Huynh et al., 2023). Al Dhelai et al. (2021) descreveram a ansiedade odontológica como um estado de apreensão irracional e excessiva de que algo terrível vai acontecer em relação ao tratamento odontológico; está associada à sensação de perda de controle.
Pacientes submetidos a um procedimento endodôntico podem apresentar níveis variáveis de ansiedade, resultantes de fatores relacionados e não relacionados ao próprio procedimento (Olivieri et al., 2021). Em alguns casos, essa ansiedade pode se intensificar e se transformar em fobia odontológica, fazendo com que os indivíduos evitem completamente as ameaças percebidas, neste caso, o tratamento odontológico. Como resultado, torna-se um obstáculo significativo para os pacientes na busca por cuidados de saúde bucal (Kumal et al., 2025). Pesquisas indicam que a ansiedade odontológica é um problema de saúde mental e uma preocupação de saúde pública (Alghofaily; Alsalleeh, 2022). O tratamento odontológico figura como a quinta causa mais comum de ansiedade, afetando indivíduos de todas as idades e gênero (Pandey et al., 2025). É um fenômeno comum vivenciado por muitos pacientes que frequentam clínicas de cirurgia oral e é mais prevalente em mulheres do que em homens (Alansaari et al., 2023). Globalmente, a ansiedade dentária afeta aproximadamente 15,3% dos adultos. No 12 entanto, existe uma lacuna significativa na compreensão da sua prevalência e dos fatores associados entre pacientes ambulatoriais que procuram cuidados odontológicos gerais (Al Dhelai et al., 2021; Kumal et al., 2025).
A ansiedade odontológica decorre de múltiplos aspectos, mas são influenciados principalmente por experiências de vida. Experiências contextuais e circunstâncias externas podem aumentar o risco de ansiedade (Olivieri et al., 2021). Dentre os fatores associados a ansiedade odontológica incluem experiências negativas anteriores, medo da dor e medo de perder o controle durante o tratamento. Pacientes com ansiedade odontológica são mais propensos a evitar o tratamento odontológico, o que pode levar a resultados ruins de saúde bucal (Al Dhelai et al., 2021; Alansaari et al., 2023).
Existem evidências limitadas para determinar se fatores relacionados ao paciente ou ao tratamento podem influenciar a ansiedade e o medo específicos ao tratamento de canal (Alghofaily; Alsalleeh, 2022). Dentre os fatores diretamente relacionados ao procedimento endodôntico, o condicionamento cognitivo tem sido relatado como a via de ansiedade mais comum. Os pacientes associam o tratamento de canal ao medo e à dor, e o antecipam como uma experiência negativa (Olivieri et al., 2021).
Contudo, apesar dos avanços na odontologia, muitas pessoas ainda consideram tratamentos endodônticos uma experiência extremamente desagradável (Alghofaily; Alsalleeh, 2022). Para os pacientes, esse tipo de procedimento pode ser uma experiência angustiante, perpetuada como um comportamento aprendido por condicionamento cognitivo ou influência parental. Como os pacientes consideram o tratamento odontológico estressante em geral, é importante levar em conta o estresse comparativo induzido pelo tratamento de canal em relação a outros procedimentos odontológicos, especialmente extrações, que são uma alternativa de tratamento comumente oferecida (Huynh et al., 2023).
A ansiedade pode aumentar o risco de complicações durante o tratamento, uma vez que os pacientes podem se mover ou se encolher durante os procedimentos, dificultando a realização dos procedimentos necessários pelo dentista. Ademais, a ansiedade odontológica pode estar associada a sofrimento significativo e comprometimento da qualidade de vida (Alansaari et al., 2023; Huynh et al., 2023).
Pacientes ansiosos frequentemente complicam o tratamento ao criarem um ambiente estressante, demonstrarem menor cooperação e prolongarem o tempo de atendimento. Esses pacientes também podem fornecer informações imprecisas para evitar o tratamento, o que pode resultar em diagnósticos errôneos e atrasos desnecessários (Ahmed et al., 2024; Pandey et al., 2025).
Além disso, a ansiedade odontológica está fortemente associada a emergências médicas como síncope, hiperventilação e reações alérgicas. Isso torna o reconhecimento da ansiedade ainda mais crítico, particularmente em pacientes com condições médicas preexistentes que apresentam maior risco de emergências durante o tratamento (Pandey et al., 2025).
3.2 Percepções dos pacientes sobre o tratamento endodôntico
Os pacientes que necessitam de tratamento endodôntico geralmente apresentam uma expectativa negativa em relação ao procedimento. De acordo com Alberton et al. (2020), a anestesia, as agulhas e as limas foram os fatores que mais causaram medo nos pacientes. Da Silva et al. (2024) entendem que são diversos os fatores que podem desencadear ansiedade e/ou medo ao tratamento endodôntico, sendo a dor e a anestesia causas mais recorrentes. Esses sentimentos podem ser compreendidos à luz da teoria psicanalítica de Freud, que afirma que: o medo é, portanto, por um lado, expectativa do trauma; por outro lado, uma repetição atenuada dele (Freud, 1926).
Os resultados observados no estudo de Pacheco et al. (2023) demostram que a maior parte dos pacientes possui nível alto de ansiedade prévio ao tratamento endodôntico e não acredita que seu estado emocional pode estar associado ao sucesso do tratamento. Portando, uma conduta diferenciada por parte do profissional com uma comunicação clara e empatia é fundamental para lidar com os pacientes mais ansiosos e até mesmo resistente ao tratamento endodôntico.
A psicanálise também destaca o papel da resistência, mecanismo defensivo pelo qual o indivíduo evita enfrentar experiências ou sentimentos dolorosos, como ocorre na evitação do tratamento ou na antecipação intensa de sofrimento. Esse fenômeno pode ser compreendido à luz do estudo de Freud sobre O Pequeno Hans (1909), que evidencia como o medo se desenvolve a partir da combinação de experiências reais com fantasias inconscientes e como a resistência se manifesta quando o ego busca se proteger de situações ansiógenas.
Huynh et al. (2023) discutem que para os pacientes, o tratamento endodôntico pode ser uma experiência ansiogênica perpetuada como um comportamento aprendido por 14 condicionamento cognitivo ou influência parental. Na perspectiva psicanalítica, a ansiedade que muitos pacientes apresentam frente a esse procedimento não se explica apenas pelo condicionamento aprendido ou pela influência parental direta, mas também por processos inconscientes descritos por Freud. O autor enfatizou que identificações com figuras significativas, especialmente os pais, fazem com que o indivíduo internalize atitudes, afetos e medos transmitidos no ambiente familiar. Assim, quando os pais expressam temor diante de procedimentos odontológicos, a criança pode incorporar esse medo como seu, fenômeno amplamente discutido por Freud em sua teoria das identificações e no caso clínico do Pequeno Hans. Essa antecipação ansiosa ativa mecanismos de defesa, como a resistência, que buscam proteger o ego de experiências percebidas como invasivas ou ameaçadoras. Dessa forma, a associação entre medo odontológico, influência parental e mecanismos inconscientes é fundamentada nos conceitos freudianos de identificação, transmissão psíquica e formação do medo.
O estudo de Aleid (2021) relatou uma redução significativa na ansiedade média dos pacientes após a realização do tratamento endodôntico assim como uma diferença significativa entre a dor antecipada e a dor efetivamente sentida durante o procedimento. À luz da psicanálise, isso pode ser interpretado como uma manifestação da ansiedade e do medo que antecedem situações percebidas como ameaçadoras, refletindo uma antecipação de sofrimento que muitas vezes é maior do que a experiência real. O fato de muitos pacientes não estarem preocupados com o tratamento em si, mas sim com a dor associada, evidencia a atuação da resistência psíquica, na qual o ego busca proteger o indivíduo de um desconforto esperado, mesmo que a ameaça real seja menor do que a imaginada. A experiência direta do tratamento, com dor efetivamente menor do que a antecipada, pode reduzir a ansiedade ao confrontar a expectativa com a realidade, permitindo que o paciente reajuste suas percepções de perigo e diminua a resistência relacionada ao procedimento.
Além disso, a análise de Hans mostra que o diálogo e a interpretação são essenciais para que o indivíduo reconheça e lide com seus medos, sugerindo que estratégias de acolhimento e explicação durante o tratamento odontológico podem reduzir a ansiedade e facilitar a adesão ao procedimento.
3.3 Estratégias psicoeducativas aplicadas ao tratamento endodôntico
A ansiedade odontológica é compreendida contemporaneamente como uma condição multifacetada, envolvendo componentes de traço, ligados à personalidade, e de estado, 15 situacionais e antecipatórios em relação ao tratamento (Yeung et al., 2022). Emerge como resultado da influência dos conflitos internos e reações a situações encaradas como ameaçadoras, que pode ser regulada tanto por fatores intrapsíquicos assim como dimensões contextuais do tratamento (Nascimento, 2025). Freud, em Inibição, Sintoma e Angústia (1926), evidencia a ansiedade de sinal como um mecanismo de alerta diante de perigos reais ou simbólicos, tornando possível mobilizar defesas e estratégias de enfrentamento. Procedimentos invasivos e a antecipação da dor podem reativar vivências iniciais marcadas por vulnerabilidade e dependência.
Nesse contexto, a psicoeducação auxilia na compreensão clara sobre a condição e o tratamento, favorecendo a redução da percepção do procedimento enquanto uma ameaça e viabilizando a organização de estratégias de enfrentamento (Moura et al., 2023). Assim, a combinação de intervenção educativa, vínculo terapêutico seguro e atenção às dimensões psíquicas da ansiedade reduz respostas ansiosas desadaptativas durante o atendimento odontológico.
Yeung et al. (2022) apontam que essa condição se manifesta em dimensões emocionais, físicas, cognitivas e comportamentais, e seu manejo tem sido estudado por métodos farmacológicos e não farmacológicos, especialmente em contextos de maior risco, como durante a pandemia de COVID-19. Escalas psicométricas foram desenvolvidas para avaliar seu impacto, fundamentadas tanto em teorias clássicas quanto em conceitos contemporâneos de experiência sem dor e construção de confiança no dentista.
Wang et al. (2025) relataram em seu estudo que a combinação de uma intervenção psicológica em com o método de ensino reverso, cujo objetivo é aprimorar o conhecimento sobre a doença, pode reduzir efetivamente o medo e o estigma odontológico em pacientes com doença pulpar dentária. Também melhora a resiliência psicológica, as estratégias de enfrentamento e os hábitos de comportamento em saúde, alcançando resultados significativos.
Em treze ensaios clínicos randomizados incluídos na revisão conduzida por Guo et al. (2025), a análise descritiva mostrou que as terapias artísticas sensoriais tiveram efeito na redução do índice de ansiedade, da frequência cardíaca e da pressão arterial dos pacientes. terapias artísticas sensoriais (TAS), que incluem modalidades como recursos audiovisuais, música, ioga, aromaterapia e realidade virtual, podem oferecer um método custo-efetivo e não invasivo para aliviar as respostas fisiológicas ao estresse e reduzir a ansiedade durante o tratamento odontológico. Concordando com o estudo supracitado, Teixeira et al. (2024) observaram que a intervenção musical é uma estratégia psicológica de baixo custo e boa aceitabilidade pelos 16 pacientes, sendo eficaz no controle da ansiedade odontológica e da sensação dolorosa durante os procedimentos invasivos.
Os resultados trazidos por Guimarães et al. (2023), demonstram que há um conjunto de métodos como música, hipnose, os quais podem ser escolhidos pelo cirurgião-dentista no manejo do transtorno, endo necessário que a equipe odontológica tenha conhecimento a respeito das principais formas de manejo, a fim de escolher o método mais adequado para cada caso.
Em Hoffmann et al. (2022), estratégias psicoterapêuticas comportamentais podem modificar a experiência do paciente por meio de uma abordagem minimamente invasiva, com efeitos colaterais nulos ou negligenciáveis, dependendo das características do paciente, do nível de ansiedade e das situações clínicas. Essas terapias envolvem relaxamento muscular, visualização guiada, monitoramento fisiológico, utilização de biofeedback, hipnose, acupuntura, distração e dessensibilização.
Outras estratégias são apontadas por Machado e Pinto (2021) como técnica do relaxamento o de grupos musculares para agilizar a percepção de si durante as crises; técnica de respiração pausada com ritmos sequenciais para aumentar a oxigenação do corpo, tem assumido lugar de destaque para tratamentos eficazes. Santo et al. (2025) concluíram que o reconhecimento e o enfrentamento adequado dessas emoções são fundamentais para a promoção de um cuidado odontológico mais eficaz, ético e centrado no paciente, contribuindo para a melhoria da saúde bucal e da qualidade de vida.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A ansiedade odontológica é um fenômeno multifatorial, influenciado por fatores intrapsíquicos, experiências prévias e dimensões contextuais do tratamento, podendo comprometer a cooperação do paciente, a condução do procedimento e os resultados clínicos. O tratamento endodôntico, por sua natureza invasiva, frequentemente intensifica esse estado, que se manifesta em respostas emocionais, cognitivas, comportamentais e fisiológicas.
A psicanálise oferece subsídios para compreender como medos e resistências podem se originar de experiências precoces e processos inconscientes, enquanto estratégias psicoeducativas, como musicoterapia, relaxamento, hipnose e técnicas de dessensibilização, têm demonstrado eficácia na redução da ansiedade durante o tratamento endodôntico. Assim, o manejo adequado da ansiedade, aliado à comunicação empática e à adoção de recursos terapêuticos individualizados, contribui para a otimização do cuidado odontológico e a melhoria da qualidade de vida do paciente.
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1Especialista em Endodontia pelo Centro de Treinamento em Anatomia (CTA) – Victor Andrade Ribeiro Silva vars1000@gmail.com Faculdade CTA
2Especialista em Endodontia pela Faculdade de Odontologia do Recife (FOR)
3Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela Universidade Camilo Castelo Branco
4Especialista em Endodontia pela Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE)
5Graduada do Curso Superior de Odontologia pela Centro Universitário FAESA, Campus Vitória – ES
6Graduada do Curso Superior de Odontologia pela Universidade de Santo Amaro, Campus I
7Especialista em Implantodontia pelo Instituto de Ciências Odontológicas, INCO 25 – RJ
8Graduada do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário Serra dos Órgãos Unifeso, Teresópolis – RJ
9Graduada do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Nova Iguaçu
10Graduado do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Nova Iguaçu
