EDUCAÇÃO CONSCIENTE, CULTURA MIDIÁTICA E INFÂNCIA: A INFLUÊNCIA DOS DESENHOS ANIMADOS SOB A PERSPECTIVA PEDAGÓGICA E DO DIREITO DA CRIANÇA

CONSCIOUS EDUCATION, MEDIA CULTURE, AND CHILDHOOD: THE INFLUENCE OF CARTOONS FROM THE PEDAGOGICAL AND CHILDREN’S RIGHTS PERSPECTIVE

EDUCACIÓN CONSCIENTE, CULTURA MEDIÁTICA E INFANCIA: LA INFLUENCIA DE LOS DIBUJOS ANIMADOS DESDE LA PERSPECTIVA PEDAGÓGICA Y DEL DERECHO DEL NIÑO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602052246


Betânia de Oliveira Santos


RESUMO

A cultura midiática ocupa espaço central na vivência infantil contemporânea, influenciando comportamentos, valores e processos de aprendizagem, e nesse cenário, os desenhos animados destacam-se como importantes agentes formativos, demandando uma análise crítica sob as perspectivas pedagógica e jurídica. O presente artigo tem como objetivo analisar a influência dos desenhos animados no desenvolvimento infantil, a partir dos pressupostos da educação consciente e do Direito da Criança, enfatizando a necessidade de mediação educativa e proteção legal. A pesquisa caracteriza-se como bibliográfica, de natureza qualitativa, fundamentada em estudos acadêmicos e documentos legais que tratam da infância, da mídia e da educação. Os resultados indicam que a ausência de mediação pode potencializar efeitos negativos da cultura midiática, enquanto práticas educativas conscientes, aliadas à garantia dos direitos da criança, contribuem para transformar o consumo de desenhos animados em experiências formativas e significativas. Assim, conclui-se que a integração entre educação consciente e tutela jurídica é fundamental para assegurar o desenvolvimento saudável da criança no contexto da cultura midiática.

Palavras-chave: cultura midiática. educação consciente. infância. Direito da Criança.

ABSTRACT

Media culture occupies a central place in contemporary childhood experiences, influencing behaviors, values, and learning processes. In this context, cartoons stand out as important formative agents, requiring a critical analysis from pedagogical and legal perspectives. This article aims to analyze the influence of cartoons on child development based on the principles of conscious education and Children’s Rights, emphasizing the need for educational mediation and legal protection. The research is characterized as a qualitative bibliographic study, grounded in academic literature and legal documents that address childhood, media, and education. The results indicate that the absence of mediation can intensify the negative effects of media culture, whereas conscious educational practices, combined with the guarantee of children’s rights, help transform the consumption of cartoons into meaningful and formative experiences. Thus, it is concluded that the integration of conscious education and legal protection is essential to ensure healthy child development within the context of media culture.

Keywords: media culture. conscious education. childhood. Children’s Rights.

RESUMEN

La cultura mediática ocupa un lugar central en la vivencia infantil contemporánea, influyendo en comportamientos, valores y procesos de aprendizaje. En este escenario, los dibujos animados se destacan como importantes agentes formativos, lo que exige un análisis crítico desde las perspectivas pedagógica y jurídica. El presente artículo tiene como objetivo analizar la influencia de los dibujos animados en el desarrollo infantil, a partir de los presupuestos de la educación consciente y del Derecho del Niño, enfatizando la necesidad de mediación educativa y protección legal. La investigación se caracteriza como bibliográfica, de naturaleza cualitativa, fundamentada en estudios académicos y documentos legales que abordan la infancia, los medios de comunicación y la educación. Los resultados indican que la ausencia de mediación puede potenciar los efectos negativos de la cultura mediática, mientras que las prácticas educativas conscientes, aliadas a la garantía de los derechos del niño, contribuyen a transformar el consumo de dibujos animados en experiencias formativas y significativas. Así, se concluye que la integración entre educación consciente y tutela jurídica es fundamental para asegurar el desarrollo saludable del niño en el contexto de la cultura mediática.

Palabras clave: cultura mediática. educación consciente. infancia. Derecho del Niño.

1 INTRODUÇÃO 

A infância contemporânea está profundamente inserida em um contexto marcado pela cultura midiática, no qual os desenhos animados ocupam lugar de destaque como uma das principais formas de entretenimento e socialização das crianças. Nesse cenário, torna-se necessário refletir sobre a influência desses conteúdos no desenvolvimento infantil, especialmente sob a ótica da educação consciente e do Direito da Criança.

Os desenhos animados veiculam mensagens, comportamentos e modelos simbólicos que impactam diretamente a formação cognitiva, emocional e social da criança, e tais influências não ocorrem de maneira neutra ou homogênea. Dessa forma, a educação consciente emerge como uma estratégia fundamental para orientar o consumo midiático infantil, promovendo a leitura crítica dos conteúdos e a mediação adequada por parte de adultos responsáveis, educadores e familiares.

Paralelamente, o Direito da Criança estabelece princípios e normas voltados à proteção da infância, reconhecendo a vulnerabilidade desse público frente aos meios de comunicação e à indústria cultural. Assim, a análise da influência dos desenhos animados demanda uma abordagem integrada, que considere tanto os aspectos pedagógicos quanto os dispositivos jurídicos destinados a assegurar o melhor interesse da criança.

Outrossim, a articulação entre educação consciente e tutela jurídica possibilita a construção de práticas que respeitem os direitos da criança, sem desconsiderar o potencial educativo e cultural dos desenhos animados. Quando mediados de forma adequada, esses conteúdos podem contribuir para o desenvolvimento da criatividade, da linguagem e das habilidades socioemocionais.

Diante desse contexto, o presente artigo propõe uma reflexão sobre a influência dos desenhos animados na infância, analisando o papel da educação consciente e do Direito da Criança na mediação da cultura midiática, com vistas à promoção de um desenvolvimento infantil saudável e protegido.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

O referencial teórico deste estudo apoia-se em produções acadêmicas e documentos normativos que discutem a educação consciente, a cultura midiática infantil e o Direito da Criança. A literatura evidencia que os desenhos animados constituem um dos principais meios de socialização contemporâneos, influenciando diretamente a construção de valores, comportamentos e percepções das crianças desde os primeiros anos de vida.

A educação consciente emerge como um conceito fundamental nesse cenário, ao propor uma postura crítica e mediadora frente ao consumo de conteúdos midiáticos. Sob a perspectiva pedagógica, torna-se indispensável compreender como os desenhos animados impactam o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança, bem como o papel da família e da escola na mediação dessas experiências. Paralelamente, o Direito da Criança estabelece parâmetros legais para a proteção da infância contra conteúdos que possam comprometer seu desenvolvimento integral.

Dessa maneira, o referencial teórico estrutura-se em duas seções: a primeira aborda a relação entre educação consciente, infância e cultura midiática; a segunda analisa a influência dos desenhos animados à luz dos princípios e normas do Direito da Criança.

Portanto, a crescente presença da mídia no cotidiano infantil impõe novos desafios à educação contemporânea. Nesse contexto, a educação consciente e o Direito da Criança tornam-se fundamentais para compreender e orientar a influência dos desenhos animados no desenvolvimento infantil.

2.1 Educação consciente e cultura midiática na infância

A educação consciente propõe uma postura crítica frente à cultura midiática, reconhecendo os desenhos animados como elementos formadores do imaginário infantil. Essa abordagem enfatiza o papel mediador da família e da escola na interpretação dos conteúdos consumidos pelas crianças.

Vive-se um período marcado por transformações profundas e desafios complexos, o que torna fundamental investigar novas possibilidades de integração entre o humano e o tecnológico. Essa integração envolve articular dimensões sensoriais, emocionais, racionais e éticas, bem como aproximar experiências presenciais e virtuais, promovendo conexões entre escola, trabalho e vida cotidiana (Soares; Viana; Xavier; 2016).

Nesse escopo, Soares, Viana e Xavier (2016) dialogam que uma estratégia eficaz para o desenvolvimento das práticas de leitura e de produção textual consiste em inserir os estudantes em situações reais de uso da língua, possibilitando que façam escolhas conscientes e criativas quanto aos meios mais adequados para alcançar determinados objetivos comunicativos. Torna-se, assim, imprescindível compreender a escola como um espaço legítimo de comunicação, no qual as situações escolares se configuram como oportunidades concretas de produção e de recepção de textos.

Nesse contexto, a educação digital na infância emerge como um campo fundamental de reflexão sobre os direitos das crianças na era das conexões, evidenciando a necessidade de uma mediação consciente e dialógica por parte de familiares e educadores (Muller, 2023). O desenvolvimento de estratégias pedagógicas que incorporem a análise crítica dos conteúdos midiáticos torna-se imperativo para formar cidadãos capazes de navegar criticamente no ambiente digital contemporâneo.

As mídias digitais exercem impactos significativos no processo de aprendizagem infantil, apresentando tanto contribuições quanto desafios que demandam abordagens educacionais específicas (Silva; 2011). A implementação de programas de letramento midiático nas instituições de ensino constitui uma resposta eficaz para capacitar as crianças a interpretar, analisar e produzir conteúdos de forma ética e reflexiva. Tais iniciativas promovem o desenvolvimento do pensamento crítico, habilitando os jovens aprendizes a identificarem informações falsas e compreenderem os mecanismos subjacentes à produção midiática.

A influência da cultura midiática sobre a infância nos dias atuais manifesta-se através da formação de hábitos de consumo e padrões comportamentais que requerem mediação cuidadosa (Mélo, 2023). A mediação parental ativa, caracterizada pelo acompanhamento conjunto do consumo midiático e pela problematização dos conteúdos apresentados, constitui uma das estratégias mais eficazes para minimizar os riscos associados ao uso descontrolado das tecnologias digitais. Esta prática favorece o estabelecimento de critérios avaliativos que capacitam as crianças a discernir entre conteúdos apropriados e inadequados.

Os estudos sobre educação midiática e o posicionamento de instituições especializadas revelam a necessidade premente de práticas educacionais conscientes que integrem famílias e escolas no processo de alfabetização midiática (Soares; Viana; Xavier; 2016). A formação continuada de professores para o uso crítico e criativo das mídias digitais representa um investimento estratégico na qualidade da educação, possibilitando a implementação de metodologias ativas que transformem os estudantes de receptores passivos em produtores críticos de conhecimento.

Assim, a educação consciente mostra-se essencial para transformar o consumo midiático em uma experiência educativa, minimizando impactos negativos e potencializando aprendizagens significativas no desenvolvimento infantil.

2.2 O Direito da Criança frente à influência dos desenhos animados

O Direito da Criança estabelece princípios voltados à proteção do desenvolvimento integral, considerando os riscos e benefícios da exposição aos meios de comunicação. Os desenhos animados, nesse sentido, devem ser analisados sob critérios legais que assegurem o bem-estar infantil.

No Brasil, a criança é reconhecida como sujeito de direitos em condição peculiar de desenvolvimento, o que impõe limites e responsabilidades quanto à produção, veiculação e consumo de conteúdos midiáticos, incluindo os desenhos animados (BRASIL, 1990).

A Resolução nº 163/2014 do Conanda, amplamente analisada pela doutrina nacional, reforça a vedação de práticas de comunicação mercadológica abusivas dirigidas ao público infantil, especialmente aquelas que utilizam personagens animados como estratégia de persuasão, tal, normativa dialoga diretamente com os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente, reafirmando a prioridade absoluta dos direitos da infância frente aos interesses econômicos.

Segundo Buckingham (2020), a educação para a mídia deve possibilitar que crianças compreendam, analisem e questionem criticamente os conteúdos que consomem, superando uma postura passiva diante das mensagens audiovisuais. Essa perspectiva reconhece que os desenhos animados não são neutros, pois carregam discursos, valores culturais e modelos de comportamento que influenciam a formação do imaginário infantil.

Nessa senda, Nery e Rego (2020) apontam que As séries de animação apresentam uma estrutura narrativa marcada pela fragmentação e pela descontinuidade. Essa característica decorre tanto do modo como os episódios são exibidos na televisão, geralmente de forma isolada, quanto da inserção de intervalos comerciais, que interrompem e segmentam o desenvolvimento da história. Para que o público consiga compreender plenamente essas narrativas, elas se apoiam.

No caso das produções voltadas ao público infantil, essas narrativas costumam apresentar enredos ficcionais e imaginativos, frequentemente breves e dinâmicos, com predomínio de ação e diálogos rápidos. Além disso, tais histórias são estruturadas a partir de variados esquemas lúdico-dramáticos, conforme a perspectiva de Fuenzalida, o que contribui para manter o interesse da criança e favorecer seu envolvimento com os conteúdos apresentados (Nery; Rego, 2020).

Assim, entende-se que a atuação do Direito da Criança é indispensável para garantir que a cultura midiática respeite os direitos fundamentais da infância, promovendo um ambiente seguro e adequado ao desenvolvimento humano.

3 METODOLOGIA

O presente estudo caracteriza-se como um estudo de natureza qualitativa, com abordagem bibliográfica, cujo objetivo é analisar produções acadêmicas que discutem a influência dos desenhos animados no desenvolvimento infantil, considerando a educação consciente e a cultura midiática sob a perspectiva pedagógica e do Direito da Criança. Busca-se compreender como os conteúdos midiáticos impactam a formação cognitiva e emocional das crianças e quais são as responsabilidades educacionais e jurídicas envolvidas nesse processo.

Conforme Gil (2002), a pesquisa bibliográfica baseia-se em material já elaborado, como livros e artigos científicos, possibilitando o contato direto com diferentes concepções teóricas sobre o tema investigado. Essa abordagem é adequada para estudos que visam compreender conceitos, discutir abordagens teóricas e refletir criticamente sobre fenômenos educacionais e sociais, como a relação entre mídia, infância e educação consciente.

Lakatos e Marconi (2017) destacam que a pesquisa bibliográfica permite identificar contribuições relevantes existentes na literatura, bem como lacunas que exigem aprofundamento teórico. Nesse sentido, o presente estudo buscou sistematizar e interpretar produções científicas nacionais e internacionais que abordam cultura midiática infantil, educação consciente, desenvolvimento da criança e os fundamentos legais do Direito da Criança.

O levantamento bibliográfico foi realizado por meio da consulta a artigos científicos e livros disponíveis em bases de dados acadêmicas, priorizando publicações recentes e alinhadas ao objetivo do estudo. A seleção do material considerou critérios como relevância temática, consistência teórica e contribuição para a compreensão dos impactos pedagógicos e jurídicos dos desenhos animados na infância.

O procedimento metodológico envolveu as etapas de leitura exploratória, leitura analítica e interpretação crítica. A leitura exploratória permitiu a identificação das obras mais relevantes; a leitura analítica possibilitou a organização dos conteúdos e das ideias centrais; e a interpretação crítica viabilizou a articulação dos achados teóricos com os objetivos da pesquisa, conforme orientam Lakatos e Marconi (2017).

Assim, a metodologia adotada possibilitou uma análise crítica e fundamentada sobre a influência dos desenhos animados no desenvolvimento infantil, contribuindo para o debate sobre educação consciente e a efetivação dos direitos da criança.

4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Da literatura estudada e dos dispositivos normativos evidenciou que os desenhos animados exercem influência significativa no desenvolvimento infantil, especialmente nos aspectos cognitivos, emocionais e sociais, configurando-se como importantes elementos da cultura midiática contemporânea. Os resultados indicam que tais conteúdos não podem ser compreendidos apenas como entretenimento, mas como produtos culturais que veiculam valores, padrões de comportamento e modelos simbólicos que impactam diretamente a formação do imaginário infantil.

Sob a perspectiva do Direito da Criança, constatou-se que a proteção integral constitui um eixo central para a regulação da mídia voltada ao público infantil. O Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990) reafirma a condição da criança como sujeito de direitos em peculiar fase de desenvolvimento, impondo deveres à família, à sociedade e ao Estado quanto à garantia de um ambiente seguro, saudável e livre de práticas abusivas. Nesse sentido, os desenhos animados, enquanto conteúdos amplamente consumidos pelas crianças, devem respeitar limites éticos e legais que assegurem o bem-estar infantil.

Os estudos analisados apontam que a utilização recorrente de personagens animados em estratégias de comunicação mercadológica pode induzir comportamentos de consumo precoce e acrítico, o que justifica a importância da Resolução nº 163/2014 do Conanda. Tal normativa reforça a vedação de práticas publicitárias abusivas direcionadas ao público infantil, dialogando diretamente com os princípios da prioridade absoluta e da proteção integral previstos no ECA. Os resultados demonstram que a legislação brasileira apresenta avanços significativos no enfrentamento da exploração comercial da infância, embora ainda existam desafios quanto à efetiva fiscalização e aplicação dessas normas.

No campo pedagógico, os dados evidenciam que os desenhos animados podem atuar tanto como fatores de risco quanto como potenciais aliados do desenvolvimento infantil. Conforme discutido por Buckingham (2020), a educação para a mídia emerge como estratégia fundamental para capacitar crianças a interpretar, analisar e questionar criticamente os conteúdos audiovisuais, superando uma postura passiva diante das mensagens midiáticas. Essa abordagem revela que os impactos dos desenhos animados não são determinados apenas pelo conteúdo em si, mas pela forma como são mediados por adultos e instituições educativas.

Ademais, as contribuições de Nery e Rego (2020) demonstram que as narrativas das séries de animação apresentam estrutura fragmentada e dinâmica, marcada por episódios curtos, ação intensa e diálogos rápidos. Tais características favorecem o engajamento infantil, mas também demandam atenção quanto à capacidade das crianças de elaborar criticamente os sentidos dessas narrativas. A presença de esquemas lúdico-dramáticos, conforme apontado por Fuenzalida, contribui para o envolvimento emocional das crianças, o que amplia o potencial formativo desses conteúdos, mas igualmente reforça a necessidade de acompanhamento pedagógico e familiar.

Os resultados indicam, portanto, que a ausência de mediação pode intensificar efeitos negativos da cultura midiática, como a reprodução de estereótipos, a banalização de comportamentos agressivos e a indução ao consumismo. Em contrapartida, quando inseridos em práticas educativas conscientes, os desenhos animados podem favorecer o desenvolvimento da linguagem, da criatividade, do pensamento crítico e das habilidades sociais.

Dessa forma, a discussão dos resultados evidencia que a articulação entre educação consciente e tutela jurídica da infância é indispensável para garantir que os desenhos animados contribuam positivamente para o desenvolvimento infantil. O Direito da Criança, ao estabelecer limites e responsabilidades, atua como instrumento de proteção, enquanto a mediação pedagógica possibilita a ressignificação dos conteúdos midiáticos como recursos educativos. Assim, compreende-se que somente por meio da integração entre família, escola e Estado será possível assegurar um consumo midiático responsável, alinhado ao direito da criança a um desenvolvimento pleno, digno e saudável.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo evidenciou que os desenhos animados ocupam papel central na vivência infantil contemporânea, influenciando de maneira significativa o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças. Esses conteúdos, ao integrarem a cultura midiática, ultrapassam a função de entretenimento e passam a atuar como importantes agentes formadores do imaginário infantil.

Verificou-se que os impactos dos desenhos animados não são homogêneos nem automáticos, estando diretamente relacionados à forma como são consumidos e mediados. A ausência de acompanhamento pode favorecer efeitos negativos, como a reprodução de estereótipos e comportamentos inadequados, enquanto a mediação consciente possibilita transformar esses conteúdos em experiências educativas e formativas.

A análise demonstrou que a educação consciente desempenha papel fundamental nesse processo, ao estimular uma postura crítica diante da mídia e promover a participação ativa da família e da escola na orientação do consumo infantil. Quando inseridos em práticas pedagógicas planejadas, os desenhos animados podem contribuir para o desenvolvimento da linguagem, da criatividade, da socialização e do pensamento reflexivo.

Observou-se, ainda, que a proteção da infância no contexto midiático exige a articulação entre diferentes esferas sociais, de modo a assegurar ambientes seguros e adequados ao desenvolvimento integral da criança. A responsabilidade compartilhada entre família, escola e sociedade revela-se essencial para garantir que a cultura midiática respeite as necessidades e os direitos da infância.

Conclui-se, portanto, que os desenhos animados podem constituir recursos relevantes para o desenvolvimento infantil, desde que utilizados de forma crítica, mediada e consciente. A integração entre práticas educativas responsáveis e uma cultura de cuidado com a infância mostra-se indispensável para promover o bem-estar, a aprendizagem e a formação integral das crianças em um contexto cada vez mais marcado pela presença da mídia.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília. DF.

BUCKINGHAM, David. The Media Education Manifesto. Cambridge: Polity Press, 2020.

CONANDA. Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. Resolução nº 163, de 13 de março de 2014. Dispõe sobre a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente). Brasília. DF.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017.

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NEY, P. G.; REGO, T. C. Culturas da infância: os modos como as crianças assistem e interagem com as séries de animação. EDUR, Educação em Revista, v. 36, 2020. 

SOARES, I. O.; VIANA, C.; XAVIER, J. B. Educomunicação e alfabetização midiática: conceitos, práticas e interlocuções. São Paulo, SP: ABPEducon, 2016.

SILVA, L. M. A cultura midiática e sua influência na infância nos dias atuais. Webartigos, 2011.