REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202601171025
Ana Elisa Tristão Fernandes Coelho
Orientadora: Isabela Araújo Oliveira
RESUMO
INTRODUÇÃO: A Atenção Primária à Saúde (APS) configura-se como porta de entrada principal do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pela promoção da saúde e oferta de cuidado universal e integral. A Educação Permanente em Saúde (EPS) apresenta-se como estratégia central para formação contínua de profissionais, contribuindo para melhoria da qualidade do atendimento e enfrentamento da pressão assistencial. OBJETIVOS: Descrever e analisar a experiência de implementação de ações de EPS com equipe multiprofissional em uma Unidade de Saúde da Família (USF) em município do estado de Goiás, visando ao aprimoramento do acolhimento e manejo das demandas imediatas no contexto da residência médica em Medicina de Família e Comunidade (MFC). METODOLOGIA: Estudo descritivo do tipo relato de experiência desenvolvido entre março e junho de 2024, fundamentado em revisão de literatura e análise de dados secundários. Foram realizadas reuniões semanais utilizando metodologias ativas como rodas de conversa e aprendizagem baseada em problemas, abordando demanda espontânea, estratificação de risco e manejo de queixas comuns. RESULTADOS: Demonstraram-se efeitos positivos na gestão das demandas, evidenciando a EPS como ferramenta que fortaleceu a APS como coordenadora do cuidado. Identificaram-se desafios como resistência profissional atribuída à sobrecarga de trabalho. DISCUSSÃO: A experiência ratifica que iniciativas locais bem estruturadas e participativas podem efetivamente reduzir a fragmentação do cuidado quando alinhadas aos princípios da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS), demonstrando viabilidade da articulação entre gestão, ensino e serviço. CONCLUSÃO: A educação permanente consolida-se como pilar essencial para qualificar a APS, ampliando a integralidade, resolutividade e contribuindo para um sistema de saúde mais equânime e acessível.
Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde. Medicina de Família e Comunidade. Educação continuada. Acolhimento. Acesso aos serviços de saúde.
ABSTRACT
INTRODUCTION: Primary Healthcare is configured as the main gateway of the Brazilian Unified Health System, responsible for health promotion and provision of universal and comprehensive care. Continuing Education in Health presents itself as a central strategy for continuous professional development, contributing to improved service quality and addressing healthcare demands. OBJECTIVES: To describe and analyze the implementation experience of Continuing Education in Health actions with a multidisciplinary team in a Family Health Unit in a municipality in the state of Goiás, aiming at improving user reception and management of immediate demands in the context of medical residency in Family and Community Medicine. METHODOLOGY: A descriptive study of experience report type conducted between March and June 2024, based on literature review and secondary data analysis. Weekly meetings were held using active methodologies such as conversation circles and problem-based learning, addressing spontaneous demand, risk stratification, and management of common complaints. RESULTS: Positive effects were demonstrated in demand management, evidencing continuing education as a tool that strengthened Primary Healthcare as care coordinator. Professional challenges were identified, such as resistance attributed to work overload. DISCUSSION: The experience confirms that well-structured and participatory local initiatives can effectively reduce care fragmentation when aligned with the principles of the National Policy for Continuing Education in Health, demonstrating the viability of articulation between management, education, and service. CONCLUSION: Continuing education consolidates itself as an essential pillar for qualifying Primary Healthcare, expanding comprehensiveness, problem solving capability, and contributing to a more equitable and accessible health system.
Keywords: Primary Health Care. Family and Community Medicine. Continuing Education. Reception. Access to Health Services.
1 INTRODUÇÃO
A Atenção Primária à Saúde (APS) configura-se como a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) para os serviços de saúde no Brasil, sendo a responsável pela promoção de saúde, prevenção de agravos e oferta de cuidado contínuo, universal, integral e equitativo à população. Sua centralidade no sistema de saúde brasileiro reside na capacidade de coordenar o cuidado e responder às necessidades dos usuários de forma resolutiva e acessível (Coutinho; Barbieri; Santos, 2015).
No âmbito da APS, os modelos de acesso à saúde são organizados, de modo geral, em demandas espontâneas e programadas. As demandas espontâneas correspondem à procura por atendimento sem agendamento prévio, frequentemente associadas a queixas agudas, aos atendimentos de urgência. Em contrapartida, as demandas programadas envolvem consultas agendadas para o acompanhamento longitudinal de condições crônicas e ações preventivas (Mendes, 2012). O acolhimento adequado às demandas, tanto as agendadas quanto as imediatas, é fundamental para garantir cuidado oportuno, qualificado e centrado no usuário (Baraldi; Souto, 2010).
Nesse contexto, o médico de família e comunidade, inserido na equipe multiprofissional da APS, desempenha papel estratégico na gestão das demandas de saúde. Ele é responsável pela coordenação do cuidado, integração das ações da equipe e promoção de uma abordagem centrada no paciente. Essa atuação é essencial para estabelecer vínculos de confiança, assegurar a continuidade do cuidado e a organização do processo de trabalho em saúde (Baraldi; Souto, 2010).
A Educação Permanente em Saúde (EPS) apresenta-se como uma estratégia central para a formação contínua dos profissionais de saúde, ao adequar as práticas assistenciais às necessidades da população e às demandas do sistema de saúde. Esse conceito enfatiza a importância do aprendizado ao longo da vida e da reflexão crítica sobre a prática profissional, sendo fundamental para enfrentamento da pressão assistencial, ao contribuir para a melhoria da qualidade do atendimento e para a satisfação dos usuários (Vidal et al., 2019).
A articulação entre a formação contínua dos profissionais de saúde, como a proporcionada pela residência em Medicina de Família e Comunidade (MFC), e a gestão das demandas na APS é essencial para o fortalecimento do SUS e para a efetividade do cuidado ofertado à população. As experiências vivenciadas nas unidades de saúde mostram-se fundamentais para a compreensão das potencialidades e dos desafios enfrentados na implementação da EPS, contribuindo para a construção de um sistema de saúde mais justo e acessível a todos (Souza; Shimizu, 2021).
Nesse sentido, a residência em MFC representa um espaço privilegiado de formação, ao integrar ensino e prática assistencial no contexto da APS, possibilitando a vivência dos desafios relacionados ao manejo das demandas e à organização do processo de trabalho. Dessa forma, a formação contínua dos profissionais de saúde é crucial para garantir a qualidade do atendimento na APS, componente central do SUS. Diante desse cenário, o presente trabalho tem como objetivo descrever e analisar a experiência de implementação de ações de EPS em uma Unidade de Saúde da Família (USF), no contexto da residência médica em MFC.
2 OBJETIVOS
Descrever e analisar a experiência de implementação de ações de EPS com a equipe multiprofissional, voltadas ao aprimoramento do acolhimento e manejo das demandas imediatas em uma USF no estado de Goiás, Brasil, que conta com a atuação de residentes em MFC, destacando os desafios relacionados à assistência à saúde frente à pressão assistencial e ao desenvolvimento de educação permanente.
3 MATERIAIS E MÉTODO(S)
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, desenvolvido em uma USF localizada em um município do estado de Goiás, na qual atua um Programa de Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade (PRMFC). A experiência refere-se ao processo de implementação de ações de EPS voltadas para o aprimoramento do acolhimento e do manejo das demandas imediatas (demanda espontânea), conduzidas por uma médica residente de Medicina de Família e Comunidade como estratégia para qualificar a assistência e reduzir a pressão assistencial observada na unidade. As atividades foram realizadas no período de março a junho de 2024.
A construção do processo educativo baseou-se em múltiplas fontes de informação. Inicialmente, foi realizada uma revisão da literatura sobre demanda espontânea na APS, acolhimento e práticas de EPS, com foco em documentos nacionais, como o Caderno de Atenção Básica n.28 (Brasil, 2021). Além disso, procedeu-se à análise de dados secundários, consistindo em registros das queixas mais recorrentes no território da USF e das lacunas de conhecimento e prática identificadas pelos profissionais da equipe multiprofissional.
Com base nesses diagnósticos iniciais, foram elaborados materiais e apresentações embasados em referencial teórico (protocolos clínicos, fluxogramas e orientações técnicas) para subsidiar as discussões e orientar a tomada de decisão clínica durante as ações educativas. As reuniões foram conduzidas em formato participativo.
4 RESULTADOS
No município de Anápolis, em Goiás, a promoção da saúde e a educação dos usuários enfrentam desafios significativos. Esses desafios são exacerbados pela pressão assistencial e pela alta demanda espontânea, exigindo uma abordagem colaborativa e eficaz da equipe multiprofissional. Esse cenário é agravado pelo modelo de acesso e gestão de agenda adotado pelo município, Modelo Agenda Tradicional, em que todas as vagas do dia são preenchidas com consultas previamente agendadas, não apresentando vagas reservadas para atendimento de urgências.
A experiência foi implementada em uma USF com horário ampliado, localizada em uma área de alta vulnerabilidade socioeconômica. A unidade contava com seis equipes de saúde, sendo três de médicos generalistas e três de residentes do PRMFC. O modelo de acesso era Tradicional, incluindo acolhimento de demandas espontâneas, o que gerava encaixes e contribuía para a sobrecarga e dificuldade de organização do trabalho.
O contexto da USF era marcado por intensa pressão assistencial, caracterizada pela elevada procura por atendimentos imediatos, baixo letramento em saúde da população adscrita, fragilidades na comunicação entre os membros equipe e barreiras para o acesso à atenção secundária. Observava-se, ainda, alta rotatividade de usuários em busca de soluções rápidas para condições agudas, frequentemente em detrimento de um cuidado integral, longitudinal e programado.
A experiência contou com a participação de uma equipe multiprofissional, composta por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, recepcionistas e estudantes, favorecendo a integração das ações no território e o compartilhamento de responsabilidades no cuidado.
Foram realizadas reuniões semanais com duração aproximada de 40 minutos, organizadas pela médica residente e supervisão local, utilizando metodologias ativas, como rodas de conversa e aprendizagem baseada em problemas, promovendo a troca de conhecimentos e fortalecendo a APS como coordenadora do cuidado. Ao longo dos encontros, foram abordados temas relacionados ao acolhimento e à organização do fluxo assistencial, incluindo:
1. Demanda espontânea e estratificação de risco;
2. Fluxo de usuários na APS;
3. Queixas comuns e manejo de condições frequentes;
4. Dengue: classificação e sinais de alarme;
5. Gastroenterite aguda: manejo em diferentes faixas etárias;
6. Infecções respiratórias e síndrome gripal: sinais de alarme e manejo clínico.
Durante a implementação da experiência, foram identificados desafios relevantes, como o pouco interesse e a resistência de alguns profissionais em participar das atividades propostas. Essa resistência pode ser atribuída, principalmente, à sobrecarga de trabalho, à dificuldade de conciliar as reuniões com a rotina assistencial, resistência às mudanças e à percepção de que as atividades educativas não dialogavam diretamente com suas atribuições.
Além disso, observou-se que, mesmo entre profissionais que participaram das capacitações, houve dificuldade na incorporação das orientações à prática assistencial. Persistiram situações como triagens de risco inadequadas, ausência de avaliações de aspectos clínicos relevantes para determinadas queixas, como a avaliação da frequência respiratória em pacientes com quadros respiratórios, encaminhamentos desnecessários à equipe médica, tanto de usuários que poderiam ser agendados para a data mais próxima quanto daqueles cujas demandas poderiam ser resolvidas pela equipe de enfermagem. Observou-se, ainda, insegurança por parte dos profissionais da equipe de enfermagem em assumir a responsabilidade pelo cuidado e pela tomada de decisão no atendimento a usuários com demandas espontâneas, o que contribui para a manutenção de fluxos centrados no encaminhamento médico, apesar dos avanços progressivos observados ao longo do progresso.
Apesar dos desafios, a experiência desenvolvida na USF apresentou efeitos positivos na gestão das demandas espontâneas, evidenciando a EPS como ferramenta transformadora e fundamental para a qualificação do processo de trabalho. As atividades contribuíram para o fortalecimento da APS como coordenadora do cuidado, ampliando a capacidade da equipe em responder de forma mais organizada, resolutiva e integrada às demandas da população.
5 DISCUSSÃO
A EPS revela-se como instrumento estratégico para o enfrentamento da pressão assistencial e para a reorganização do atendimento na APS, especialmente em contextos marcados por elevada procura espontânea, como observado na experiência desenvolvida em um município de Goiás (Moura et al., 2022). Esse cenário resulta em sobrecarrega das equipes, impactando de modo particular os médicos e os residentes em formação, que frequentemente assumem grande parte da responsabilidade assistencial (Moura et al., 2022; Bohusch et al., 2021).
Essa realidade afeta negativamente a capacidade de planejamento longitudinal do cuidado, resultando em sobrecarga principalmente para a equipe médica (Mendes, 2012). A fragilidade no entendimento do papel essencial da APS como coordenadora do cuidado agrava esse cenário, dificultando a efetividade e a resolutividade dos serviços (Brasil, 2013).
Diante desses desafios, a EPS emerge como uma estratégia crucial para qualificar o processo de trabalho e reorganizar o cuidado no cotidiano dos serviços (Brasil, 2018). De acordo com a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) e as diretrizes da APS no Brasil, essa abordagem contribui significativamente para a construção de uma atenção integral e orientada por evidências, sendo central para o enfrentamento da fragmentação do cuidado (Mendes, 2020; Gigante; Victora; Barros, 2022; Santos; Costa, 2023).
Diante dessa realidade, a EPS atua não apenas como oferta pontual de cursos, mas como um processo educativo integrado ao trabalho, capaz de problematizar rotinas, qualificar decisões clínicas e reordenar fluxos de atenção. Na USF de Anápolis, reuniões semanais curtas, conduzidas pela residente e pela supervisão, utilizaram metodologias ativas, como rodas de conversa e aprendizagem baseada em problemas, promovendo trocas interprofissionais que favorecem a construção de estratégias locais para estratificação de risco e manejo das queixas mais frequentes, contribuindo para ampliar o acesso oportuno aos serviços, sem prejuízo na continuidade do cuidado (Moura et al., 2022).
A implantação da EPS impactou diretamente a dinâmica da equipe de enfermagem, com ampliação das competências relacionadas ao acolhimento, à classificação de risco, ao manejo de problemas comuns e ao encaminhamento adequado. Esse processo possibilitou a redistribuição de tarefas entre enfermeiros, técnicos e agentes comunitários de saúde, reduzindo a sobrecarga sobre a prática médica. Essa reorganização favoreceu uma mudança na percepção do acolhimento como uma barreira ao acesso e passou a configurá‑lo como tecnologia leve capaz de ordenar prioridades e fortalecer a coordenação do cuidado na APS (Bouhusch et al., 2021; Azimirad et al., 2023).
Além disso, a EPS contribuiu para melhorias na comunicação intraequipe e para a construção coletiva de protocolos e fluxos assistenciais, fortalecendo vínculos profissionais e promovendo maior integração das ações no território. Essas mudanças organizacionais, observadas na experiência local, indicam que a formação continuada, quando alinhada às necessidades situacionais e sustentada por metodologias participativas, pode transformar o processo de trabalho e ampliar a resolutividade da APS (Moura et al., 2022; Pereira et al., 2025).
Entretanto, a literatura sobre educação continuada em cuidados familiares e comunitários aponta lacunas em competências essenciais, como a tomada de decisão baseada em evidências, a coordenação do cuidado e incorporação de tecnologias educacionais, reforçando a necessidade de abordagens sistemáticas nos programas de EPS, com objetivo de consolidar o protagonismo multiprofissional na APS (Azimirad et al., 2023). Estudos também recomendam avaliações mais robustas, com a combinação entre indicadores de processo, como mudanças em práticas, fluxos e comunicação, e indicadores de resultado em saúde, a fim de mensurar impactos sustentados das ações formativas na população atendida (Pereira et al., 2025).
Persistem, contudo, desafios para a implementação plena da EPS, incluindo a resistência inicial de parte dos profissionais, frequentemente associados à sobrecarga laboral e à percepção de baixa aplicabilidade das atividades educativas, a necessidade de maior articulação entre gestão-ensino-serviço e demanda por formatos educativos flexíveis e contextualizados. A superação desses entraves requer protagonismo da gestão local, investimento em metodologias ativas e processos de avaliação participativa que deem visibilidade aos ganhos no cotidiano do serviço (Moura et al., 2022; Pereira et al., 2025).
Nesse sentido, a EPS consolida-se como ferramenta para reorganizar fluxos de atendimento e qualificar práticas cotidianas na APS, ao ampliar competências da equipe de enfermagem e favorecer a construção coletiva de protocolos e estratégias de estratificação de risco (Moura et al., 2022; Bohusch et al., 2021). Evidências provenientes de diferentes contextos da APS em países como EUA, Suécia, Países Baixos, Canadá, Reino Unido, Japão, Sri Lanka, África do Sul, Austrália, China, Islândia e Noruega reforçam a relevância da integração ensino-serviço, do uso de metodologias ativas, da redistribuição de responsabilidade entre os profissionais e da avaliação contínua de processo e desfechos (Azimirad et al., 2023; Pereira et al., 2025).
Esses achados dialogam diretamente com a experiência desenvolvida em Anápolis-Goiás, indicando que a EPS, quando contextualizada e articulada ao trabalho, contribui para fortalecer a coordenação do cuidado, ampliar a resolutividade e reduzir a pressão assistencial na APS (Moura et al., 2022; Bohusch et al., 2021; Azimirad et al., 2023; Pereira et al., 2025).
Essa abordagem encontra respaldo nas diretrizes da PNEPS (Brasil, 2018) e nas orientações para a APS no Brasil (Brasil, 2020), que reconhecem a EPS como estratégia estruturante para integrar ensino e serviço, promover aprendizagem no trabalho e fortalecer práticas baseadas em evidências. Ao alinhar a experiência local a essas políticas, evidencia‑se que iniciativas sustentadas por metodologias participativas e pela articulação entre gestão, ensino e assistência podem contribuir para reduzir a fragmentação do cuidado e aprimorar a integralidade e a resolutividade na APS (Mendes, 2020; Gigante; Victora; Barros, 2022; Santos; Costa, 2023).
6 CONCLUSÕES
A experiência de implementação da EPS em uma UBS de Anápolis GO demonstrou potencial para qualificar o atendimento e reorganizar o processo de trabalho multiprofissional, especialmente no manejo das demandas espontâneas. A realização de reuniões participativas com metodologias ativas contribuiu para ampliar competências da equipe na estratificação de risco e no manejo de queixas frequentes, fortalecendo a APS como coordenadora do cuidado e ampliando a resolutividade dos atendimentos.
Persistem, contudo, desafios para a consolidação dessa estratégia, como a resistência de parte dos profissionais, associada à sobrecarga de trabalho e à percepção de baixa aplicabilidade das ações educativas. Esses achados evidenciam a necessidade de maior articulação entre gestão, ensino e serviço, bem como de formatos educativos flexíveis e contextualizados, capazes de dialogar com o cotidiano assistencial.
Dessa forma, a EPS reafirma-se como estratégia estruturante para o fortalecimento da APS, sobretudo quando integrada ao trabalho e alinhada às diretrizes da PNEPS. A experiência de Anápolis indica que iniciativas locais, participativas e contextualizadas, podem contribuir para reduzir a fragmentação do cuidado e aprimorar a integralidade e a resolutividade da APS.
REFERÊNCIAS
1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde: o que se tem produzido para o seu fortalecimento? Brasília: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_educacao_perma nente_fortalecimento.pdf.
2. GIGANTE, D. P.; VICTORA, C. G.; BARROS, F. C. O conceito de overdiagnosis e suas implicações para a saúde pública. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, v. 25, e220038, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-549720220038.
3. MENDES, E. V. A construção social da Atenção Primária à Saúde. Brasília: CONASS, 2020. Disponível em: https://www.conass.org.br/biblioteca/a-construcao-social-da-atencao primaria-a-saude/.
4. SANTOS, R. A. dos; COSTA, D. L. da. Educação permanente como estratégia de fortalecimento da atenção primária. Revista Ciência e Educação em Saúde, v. 9, n. 2, p. 117–130, 2023. Disponível em: https://periodicos.ces.ufcg.edu.br/periodicos/index.php/99cienciaeduc acaosaude25/article/view/521. Acesso em: 08 jun. 2025.
5. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Acolhimento e demanda espontânea: orientações para a atenção primária à saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/acolhimento_demanda_espontanea_cab28v1.pdf>. Acesso em: 02 dez. 2025.
6. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Acolhimento e demanda espontânea: queixas comuns na atenção primária à saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/acolhimento_demanda_espontanea_queixas_comuns_cab28v2.pdf>. Acesso em: 02 dez. 2025.
7. BARALDI, D. C.; SOUTO, B. G. A. A demanda do acolhimento em uma unidade de saúde da família em São Carlos, São Paulo. Arquivos Brasileiros de Ciências da Saúde, v. 36, n. 1, 2011. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/abcs/article/view/2463>. Acesso em: 02 dez. 2025.
8. COUTINHO, L. R. P.; BARBIERI, A. R.; SANTOS, M. L. M. Acolhimento na Atenção Primária à Saúde: revisão integrativa. Saúde em Debate, v. 39, p. 514-524, 2015. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/sauddeb/article/view/1039>. Acesso em: 02 dez. 2025.
9. MENDES, E. V. O cuidado das condições crônicas na atenção primária à saúde: o imperativo da consolidação da Estratégia de Saúde da Família. Brasília: OPAS, 2012. Disponível em: <https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=3288>. Acesso em: 02 dez. 2025.
10.SOUSA, A. N.; SHIMIZU, H. E. Como os brasileiros acessam a Atenção Básica em Saúde: evolução e adversidades no período recente (2012- 2018). Cienc Saúde Coletiva, v. 26, n. 8, p. 2981-2995, 2021. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/csc/article/view/166341>. Acesso em: 02 dez. 2025.
11.VIDAL, T. B. et al. Modelos de agendamento e qualidade da atenção primária: estudo transversal multinível. Rev Saúde Pública, v. 53, p. 38, 2019. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/rsp/article/view/2019>. Acesso em: 02 dez. 2025.
12.AZIMIRAD, M. et al. Examining family and community nurses’ core competencies in continuing education programs offered in primary health care settings: An integrative literature review. Nurse Education in Practice, v. 67, p. 103561, 2023. Disponível em: <https://doi.org/10.1016/j.nepr.2023.103561>. Acesso em: 02 jan. 2026.
13.PEREIRA, L. K. M. et al. Impacts of continuing education for health professionals in primary health care: a scoping review. PLoS One, v. 20, n. 12, p. e0339980, 2025. Disponível em: <https://doi.org/10.1371/journal.pone.0339980>. Acesso em: 02 jan. 2026.
14.PEREIRA, L. K. M. et al. Impacts of continuing education on Primary Health Care professionals—A scoping review protocol. PLoS One, v. 20, n. 1, p. e0312963, 2025. Disponível em: <https://doi.org/10.1371/journal.pone.03129
