MINDFUL EATING E A NUTRIÇÃO SAUDÁVEL, CONTROLE DE PESO E BEM-ESTAR EMOCIONAL

MINDFUL EATING AND HEALTHY NUTRITION, WEIGHT MANAGEMENT AND EMOTIONAL WELL-BEING

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512311307


Thais Rodrigues de Sousa1
Valéria Matos da Silva1
Saul de Melo Ibiapina Neres2
Luiz Melo Araújo3
Anna Ezilda Portela Memória Lima4
Pauliane Moura dos Santos Neres5


Resumo

A alimentação consciente, também conhecida como mindful eating, apresenta-se como uma abordagem que reúne atenção plena, princípios nutricionais e estratégias de regulação emocional, favorecendo uma relação mais harmoniosa entre a pessoa e o alimento. O presente estudo teve como finalidade examinar como essa prática influencia a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis, o manejo do peso e o bem-estar emocional em adultos. Para isso, realizou-se uma revisão integrativa da literatura, de caráter qualitativo e natureza exploratório-descritiva. As buscas foram efetuadas nas bases PubMed, SciELO e LILACS, incluindo artigos publicados entre 2020 e 2025, nos idiomas inglês e português. Os achados apontaram que o mindful eating auxilia na diminuição de episódios de compulsão alimentar, aprimora a percepção dos sinais internos de fome e saciedade e fortalece mecanismos de regulação emocional. Além disso, essa prática demonstrou favorecer a autoestima, a aceitação corporal e a redução da alimentação emocional, promovendo escolhas alimentares mais consistentes e alinhadas às necessidades individuais. Assim, conclui-se que o mindful eating configura uma estratégia eficaz e acolhedora dentro do cuidado nutricional, capaz de integrar corpo, mente e comportamento alimentar, contribuindo para a saúde integral e o bem-estar psicológico.

Palavras-chave: Mindful eating. Atenção plena. Alimentação emocional. Nutrição. Saúde mental.

1. INTRODUÇÃO

A Mindfulness, é uma prática em que o indivíduo se desprende do passado e do futuro para focar no momento presente. Essa prática foi apresentada no Ocidente por Jon Kabat-Zinn e tem como objetivo ajudar a melhorar a compreensão do próprio estado mental. A atenção plena envolve prestar atenção aos acontecimentos atuais, sem julgamentos e com uma atitude de aceitação e gentileza, tanto consigo mesmo quanto com os outros (Consta et al., 2024). Nesse contexto, compreender de que forma a prática da alimentação consciente pode favorecer a adoção de hábitos alimentares saudáveis e o controle do peso é fundamental para o nutricionista atual, cuja atuação vai além da prescrição de dietas, abrangendo também o papel de facilitador das mudanças comportamentais e do equilíbrio emocional relacionado à alimentação.

A prática de mindfulness envolve estar consciente dos pensamentos, sentimentos e sensações físicas, promovendo uma atitude aberta e compassiva. Essa prática pode ser realizada de forma formal, como meditação, ou informal, integrando a atenção plena nas atividades diárias (Lattimore, 2020; Zhang et al., 2021).

Os conceitos de alimentação consciente e intuitiva refletem comportamentos alimentares adaptativos, fundamentados na consciência do momento presente. Eles se opõem a práticas como a alimentação emocional e a compulsão alimentar, que ocorrem quando as pessoas não estão atentas às suas necessidades reais (Souza et al., 2019). A alimentação intuitiva envolve  a capacidade de ouvir os sinais do corpo, como fome e saciedade, em vez de seguir regras rígidas sobre o que comer. Esse estilo de alimentação promove um relacionamento saudável com a comida, proporcionando prazer e uma conexão positiva entre mente e corpo, em contraste com a alimentação reativa e desadaptativa (Souza et al., 2019).

A alimentação emocional, que surge em resposta a emoções negativas, pode levar ao excesso alimentar. Essa prática é frequentemente ligada a dificuldades na regulação emocional e está associada a problemas de saúde física e mental, como flutuações de peso, compulsão alimentar e sintomas depressivos. A diminuição da alimentação emocional pode facilitar a perda de peso eficaz (Lattimore, 2020). Nos últimos anos, o número de pessoas com obesidade cresceu significativamente. No entanto, a técnica mindfulness, também chamada de comer consciente, apresenta evidências consistentes para o tratamento de pessoas com sobrepeso e transtornos alimentares. Essa terapia engloba a prática da atenção plena aliada à psicologia, nutrição, autocontrole e consciência corporal (Minari et al., 2024).

Paralelamente, observa-se um aumento expressivo na prevalência de transtornos alimentares, como anorexia nervosa e bulimia nervosa, têm se tornado cada vez mais frequentes, sendo caracterizados por padrões alimentares desordenados e preocupação excessiva com o peso e a imagem corporal, gerando impactos negativos na saúde física e mental. Entre 2000 e 2018, a prevalência global desses transtornos mais que dobrou, passando de 3,4% para 7,8% da população mundial. No Brasil, segundo a OMS, aproximadamente 4,7% da população é acometida por algum tipo de transtorno alimentar, o que reforça a importância de estratégias de prevenção e de promoção de hábitos alimentares saudáveis (Organização Mundial de Saúde, 2022).

O aumento global da obesidade tem se tornado uma das maiores ameaças à saúde a longo prazo, exigindo estratégias de prevenção eficazes. As qualidades da mindful eating são pensadas exatamente para melhorar a percepção dos sinais de fome e saciedade, ajudando os indivíduos a responderem a esses sinais sem recorrer a padrões alimentares restritivos ou indulgentes (Ruth; Cassidy, 2022). De acordo com dados recentes da Organização Mundial da Saúde – OMS (2022) e da World Obesity Federation, observa-se um aumento significativo tanto na prevalência da obesidade em todo o mundo. A obesidade, atualmente reconhecida como uma epidemia global, constitui um dos principais desafios da saúde pública, sendo responsável por cerca de 2,8 milhões de mortes anuais. Em 2022, estimou-se que uma em cada oito pessoas no mundo vivia com obesidade. Aproximadamente 2,5 bilhões de adultos apresentavam excesso de peso, dos quais 890 milhões já se encontravam em condição de obesidade. Entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos, mais de 390 milhões estavam acima do peso, incluindo 160 milhões com obesidade, o que evidencia a gravidade do quadro desde as idades mais precoces.

Intervenções tradicionais para emagrecimento frequentemente falham em abordar a alimentação emocional, pois não se concentram nas necessidades emocionais dos comedores. Já as abordagens baseadas na atenção plena mostram potencial para lidar com essa questão, pois ajudam na regulação emocional e estão relacionadas a hábitos alimentares mais saudáveis, promovendo aceitação e autocompaixão. Embora intervenções de mindfulness para perda de peso apresentem resultados mistos, muitas vezes se concentram em peso e ingestão calórica, negligenciando fatores emocionais que contribuem para o comer excessivo (Lattimore, 2020).

Pesquisas recentes indicam que a prática da atenção plena pode ser eficaz no controle do peso e em comportamentos associados, como a redução da compulsão alimentar e do estresse. Uma revisão recente sobre alimentação consciente revelou que essa abordagem não apenas ajuda a controlar o peso, mas também a gerenciar desejos e evitar a ingestão excessiva de calorias (Lyzwinski et al., 2019). Ainda de acordo com Lyzwinski et al. (2019), a atenção plena envolve um estado elevado de autoconhecimento, onde se observa emoções e sensações de forma não crítica, bloqueando pensamentos que distraem do momento presente. A alimentação consciente se concentra em perceber as respostas sensoriais ao comer, como o gosto, o cheiro e a visão dos alimentos, promovendo uma pausa na alimentação quando a saciedade é sentida.

O aumento de pessoas com sobrepeso e obesidade e os riscos de saúde associados tornaram-se uma preocupação urgente nas sociedades ocidentais. Propostas recentes indicam que a atenção plena pode ajudar na regulação do peso, e os resultados iniciais são encorajadores. Estudos revelam que a prática da alimentação consciente tem sido eficaz na diminuição dos desejos alimentares, no controle das porções e na melhora do índice de massa corporal (Bal; Çelikbas; Batmaz, 2018). Além disso, abordagens em saúde pública vêm mudando o foco da perda de peso para a redução do estigma associado à obesidade, pois estratégias tradicionais não têm mostrado resultados consistentes. O sobrepeso e a obesidade continuam a ser preocupações importantes, pois estão ligados a problemas como hipertensão, depressão, diabetes e certos tipos de câncer (Sarto et al., 2022).

A alimentação, que deveria ser uma experiência prazerosa, tornou-se fonte de sofrimento para muitas pessoas com transtornos alimentares ou obesidade. Dietas restritivas e o medo de comer geram culpa e ansiedade durante, antes e depois das refeições (Minari et al., 2024). A mindful eating surge como uma ferramenta eficaz nesse contexto, promovendo uma alimentação calma e consciente, reduzindo o nervosismo e o julgamento durante as refeições. Essa técnica é composta por quatro princípios fundamentais: “saborear”, “não julgar”, “estar no momento” e “observar” (Minari et al., 2024).

Diante desse contexto, definiu-se o seguinte problema de pesquisa: Como a prática de mindful eating (alimentação consciente) pode influenciar positivamente a adoção de hábitos alimentares saudáveis e a gestão de peso em indivíduos adultos?

Parte-se de que a prática regular de mindful eating promove a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis e o controle de peso em indivíduos adultos, reduzindo a alimentação emocional e aumentando a percepção dos sinais de fome e saciedade.

Como profissional de nutrição, compreender a alimentação consciente é essencial para promover uma relação equilibrada com a comida, ajudando pacientes a desenvolverem maior atenção às suas escolhas e reduzindo comportamentos impulsivos. Essa prática permite personalizar planos alimentares, identificar gatilhos emocionais e aplicar técnicas de mindfulness, contribuindo para escolhas mais saudáveis e sustentáveis. Além disso, a atenção plena auxilia na regulação do apetite e na redução do comer automático, promovendo o equilíbrio físico e emocional (Souza et al., 2019; Bal; Çelikbas; Batmaz, 2018).

Assim, esta pesquisa tem como objetivo investigar o impacto da prática de mindful eating na adoção de hábitos alimentares saudáveis e na gestão de peso em indivíduos adultos.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Mindfulness e alimentação consciente 

A prática do mindfulness traduzida como atenção plena refere-se à capacidade de direcionar a atenção para o momento presente, de maneira intencional e sem julgamentos. Essa abordagem foi introduzida no Ocidente por Jon Kabat-Zinn e vem sendo amplamente utilizada em contextos terapêuticos e de promoção da saúde mental (Consta et al., 2024). O foco da técnica está em observar pensamentos, emoções e sensações físicas de forma consciente, cultivando atitudes de aceitação e autocompaixão.

A partir dos princípios da atenção plena, surgiu o conceito de mindful eating  ou alimentação consciente, que propõe aplicar o mindfulness ao ato de comer. Essa prática incentiva o indivíduo a perceber suas sensações corporais de fome e saciedade, bem como as respostas emocionais e sensoriais envolvidas durante as refeições (Souza et al., 2019). Dessa forma, o comer deixa de ser um comportamento automático e passa a ser uma experiência consciente, na qual o alimento é saboreado com atenção e respeito ao corpo.

De acordo com Minari et al. (2024), o mindful eating combina elementos da psicologia, da nutrição e da consciência corporal, promovendo uma relação mais equilibrada e saudável com a comida. A técnica envolve quatro pilares principais: saborear, não julgar, estar no momento presente e observar. Esses componentes favorecem uma alimentação mais calma e intuitiva, reduzindo impulsos alimentares e melhorando a percepção dos sinais internos.

Além de seus efeitos físicos, a alimentação consciente contribui também para o bem-estar emocional, pois ajuda o indivíduo a compreender os gatilhos que o levam a comer por motivos não fisiológicos, como estresse, tristeza ou ansiedade (Lattimore, 2020). Ao desenvolver maior consciência sobre as próprias emoções, o sujeito torna-se capaz de responder de maneira mais adaptativa, evitando a chamada alimentação emocional, caracterizada por comer em resposta a sentimentos negativos e não à fome real.

Estudos recentes mostram que práticas baseadas em mindfulness estão associadas à melhoria de hábitos alimentares e à adoção de comportamentos mais saudáveis (Zhang et al., 2021; Lyzwinski et al., 2019). Isso ocorre porque o indivíduo passa a reconhecer melhor os sinais corporais e as sensações que acompanham o comer, fortalecendo a autorregulação e reduzindo padrões de compulsão alimentar. Assim, o mindful eating é visto como uma estratégia eficaz para promover não apenas o controle de peso, mas também uma relação mais harmoniosa entre corpo e mente.

2.2 Mindful eating e regulação emocional 

No contexto atual, compreender os fatores que influenciam a relação das pessoas com a alimentação é essencial, especialmente no que diz respeito à alimentação emocional (EE), compreendida como uma dificuldade no processo de regulação emocional, que pode representar um obstáculo à construção de uma relação equilibrada com a comida. A EE é definida como a resposta a sentimentos negativos, como estresse, aborrecimento ou raiva, por meio do consumo excessivo de alimentos altamente calóricos e palatáveis, com o intuito de obter conforto temporário. Esse comportamento caracteriza uma forma de alimentação desordenada, podendo contribuir para o desenvolvimento da obesidade (Smith et al., 2023).

Além disso, a alimentação emocional está associada a uma série de consequências negativas, como o reganho de peso, o transtorno da compulsão alimentar, a depressão e dificuldades na regulação emocional (Sarto et al., 2023). Entre os principais gatilhos da EE em mulheres, destacam-se o tédio, a solidão, a ansiedade e o estresse. Estudos indicam que a redução desse comportamento está relacionada a maiores índices de perda de peso em pessoas com obesidade, sobretudo entre o público feminino. Estima-se que cerca de 40% dos indivíduos com obesidade apresentem episódios de alimentação emocional, o que reforça a importância de considerar esse fator em intervenções voltadas à perda de peso (Smith et al., 2023).

Nesse cenário, as intervenções baseadas em mindfulness (MBIs) têm ganhado destaque por reunirem diferentes estratégias voltadas ao manejo dos desejos e comportamentos alimentares, como aceitação, descentralização, escaneamento corporal e autocompaixão. A aceitação busca modificar a forma como o indivíduo se relaciona com seus impulsos, sem reprimi-los, reconhecendo-os como experiências momentâneas. Já a descentralização consiste em observar pensamentos e emoções como eventos transitórios, distintos do “eu”. O escaneamento corporal, por sua vez, propõe direcionar a atenção para diferentes partes do corpo, ampliando a percepção das sensações internas, enquanto a autocompaixão envolve tratar-se com gentileza, principalmente em momentos de sofrimento (Allameh et al., 2025).

Dessa forma, estratégias que incentivam a reconexão com os sinais internos de fome e saciedade têm se mostrado eficazes para reduzir episódios de alimentação emocional. A incorporação de práticas de atenção plena, princípios fundamentais das abordagens neutras em relação ao peso, permite recuperar o controle consciente sobre o comportamento alimentar, contribuindo tanto para a manutenção de um peso corporal saudável quanto para o fortalecimento do bem-estar físico e emocional (Smith et al., 2023).

De modo geral, o mindfulness baseia-se na atenção plena e deliberada às experiências, pensamentos e emoções do momento presente, com abertura e ausência de julgamento. Essa prática tem demonstrado eficácia na redução do estresse, da alimentação emocional e do consumo excessivo motivado por fatores emocionais, configurando-se como uma abordagem promissora para o enfrentamento de comportamentos alimentares desadaptativos (Allameh et al., 2025).

Complementarmente, o treinamento em meditação mindfulness (MMT) tem apresentado efeitos positivos ao aprimorar a regulação da atenção e das emoções, processos que incluem reavaliação, exposição, extinção e reconsolidação, além de favorecer o funcionamento executivo, especialmente no controle inibitório. Assim, as práticas de atenção plena mostram-se relevantes no enfrentamento da alimentação emocional, uma vez que favorecem o equilíbrio emocional e reduzem a tendência de comer em resposta a sentimentos negativos. Evidências sugerem que a evitação experiencial medeia a relação entre emoções negativas e comportamento alimentar impulsivo, reforçando a importância do mindfulness nesse processo (Lattimore, 2020).

Nesse sentido, programas específicos vêm aplicando os princípios do mindfulness e da autocompaixão aos hábitos alimentares, promovendo a chamada “alimentação consciente”. Essa prática estimula o indivíduo a apreciar os alimentos utilizando todos os sentidos, com atenção e sem julgamentos, favorecendo escolhas alimentares mais conscientes. Ao incentivar o reconhecimento das diferenças entre fome física e fome emocional, bem como a percepção dos sinais de saciedade, a alimentação consciente contribui para uma relação mais equilibrada com a comida e para a adoção de um estilo de vida mais saudável (Sarto et al., 2023).

Por fim, é importante reconhecer que a alimentação emocional é um fenômeno multifacetado, influenciado por fatores contextuais e individuais. Dessa forma, sua avaliação não deve se restringir a instrumentos unidimensionais, como o Questionário Holandês de Comportamento Alimentar ou o Questionário de Alimentação de Três Fatores. Compreender essa complexidade é fundamental para o desenvolvimento de intervenções mais eficazes e personalizadas, que considerem as dimensões emocionais, cognitivas e comportamentais envolvidas nesse padrão alimentar (Lattimore, 2020).

2.3 Nutrição e comportamento alimentar

Alimentação consciente (AC) e a alimentação intuitiva (AI) têm sido reconhecidas como abordagens alimentares mais adaptativas, que promovem uma relação equilibrada com a comida. A alimentação intuitiva refere-se à capacidade de perceber e respeitar os sinais internos do corpo, como fome e saciedade, orientando o comportamento alimentar de acordo com essas sensações fisiológicas. Esse estilo também se caracteriza pela rejeição de dietas restritivas e pela valorização da escolha de alimentos que proporcionem prazer e satisfação, permitindo que a quantidade e o momento das refeições sejam guiados pelas necessidades do organismo. Estudos anteriores indicam que a alimentação intuitiva está relacionada a menores níveis de transtornos alimentares, insatisfação corporal e psicopatologias, além de estar associada a maior autoestima e bem-estar. Ademais, quando aplicada como estratégia de intervenção, essa abordagem tem se mostrado eficaz na diminuição da restrição alimentar e do comportamento de dieta, bem como na promoção da prática de atividade física, da aceitação corporal e da melhoria da qualidade de vida (Bennett; Latner, 2022).

Nesse contexto, a combinação de intervenções baseadas em mindfulness com outras estratégias voltadas para o controle do peso ou para o tratamento de comportamentos alimentares disfuncionais têm recebido crescente atenção. No entanto, essa integração muitas vezes dificulta a identificação dos efeitos específicos da atenção plena, uma vez que programas de mudança de estilo de vida, embora eficazes para a perda de peso em curto prazo, costumam depender de práticas alimentares temporariamente restritivas. Assim, para indivíduos que enfrentam o excesso de peso, seguir um plano alimentar rígido enquanto tentam desenvolver maior consciência e presença durante as refeições pode tornar-se um processo desafiador e confuso (Moreira et al., 2024).

Entre os comportamentos alimentares disfuncionais, destaca-se a compulsão alimentar, caracterizada pela ingestão exagerada de alimentos acompanhada da perda de controle sobre o ato de comer. Embora as estimativas de prevalência variem, as evidências indicam que esse comportamento é particularmente comum entre pessoas com obesidade. Um estudo recente realizado com uma amostra da população geral constatou que quase 70% dos participantes que apresentavam episódios de compulsão alimentar eram obesos, evidenciando a forte associação entre esses dois fatores (O’Reilly et al., 2014).

Diante desse cenário, a atenção plena tem se mostrado uma abordagem promissora no tratamento da compulsão alimentar. As pesquisas sobre sua aplicação nessa área tiveram início no final da década de 1990, quando Kristeller e Hallet desenvolveram um estudo piloto com mulheres obesas diagnosticadas com transtorno da compulsão alimentar periódica, utilizando o Treinamento de Consciência Alimentar Baseado em Mindfulness (MB-EAT). Posteriormente, o método foi expandido para indivíduos obesos com ou sem o transtorno, mostrando resultados positivos. Nos últimos anos, o interesse em práticas de atenção plena e alimentação consciente tem aumentado consideravelmente, abrangendo tanto pessoas com sobrepeso ou obesidade quanto aquelas com peso dentro da faixa considerada normal (Warren; Smith; Ashwell, 2017).

3. METODOLOGIA 

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, que teve como objetivo reunir, analisar e sintetizar o conhecimento atual sobre a influência da prática de mindful eating na adoção de hábitos alimentares saudáveis e na gestão de peso em indivíduos adultos. Esse tipo de revisão permite uma compreensão ampla sobre o tema, além de identificar lacunas existentes e apontar novas possibilidades de investigação (Souza; Silva; Carvalho, 2010; Botelho; Cunha; Macedo, 2011).

A formulação do problema baseou-se na necessidade de compreender de que forma a alimentação consciente pode contribuir para a melhoria dos hábitos alimentares e para o bem-estar geral. A partir dessa reflexão, elaborou-se a seguinte questão norteadora: Como a prática de mindful eating (alimentação consciente) pode influenciar positivamente a adoção de hábitos alimentares saudáveis e a gestão de peso em indivíduos adultos? A pergunta foi estruturada segundo a estratégia PICO, em que a população (P) correspondeu a indivíduos adultos; a intervenção (I) foi representada pela prática de mindful eating; a comparação © se referiu à ausência de intervenção ou a outros métodos de alimentação; e o desfecho (O) contemplou a adoção de hábitos alimentares saudáveis e a gestão do peso corporal (Moreira, 2014).

A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados PubMed, Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). Utilizaram-se descritores em português e inglês, combinados com operadores booleanos, sendo eles: (“mindful eating” OR “alimentação consciente” OR “atenção plena”) AND (“nutrição saudável” OR “alimentação saudável” OR “dieta saudável” OR “dieta consciente”). Foram incluídos apenas artigos que continham os descritores no resumo, publicados entre 2020 e 2025, nos idiomas português ou inglês, e com acesso gratuito ao texto completo, a fim de garantir a atualidade e a relevância das publicações selecionadas.

Os critérios de inclusão adotados consideraram artigos publicados no período estabelecido, que abordassem a prática de mindful eating relacionada à alimentação saudável, ao controle de peso ou ao bem-estar emocional, desde que disponibilizados de forma integral e gratuita. Foram excluídas teses, dissertações, revisões, relatos de caso, estudos duplicados e artigos que não apresentassem relação direta com o tema.

A seleção dos estudos foi realizada em três etapas: inicialmente procedeu-se à remoção das duplicatas, seguida pela leitura dos títulos e resumos, e, por fim, pela leitura completa dos textos elegíveis. Os artigos selecionados foram organizados em uma planilha no Microsoft Excel, contendo informações sobre autores, ano de publicação, objetivos, metodologia, amostra, principais resultados e conclusões. A análise dos dados foi conduzida com base na proposta de análise de conteúdo de Bardin (2016), que envolve as etapas de leitura exaustiva, categorização e interpretação dos resultados.

Os resultados foram apresentados de forma descritiva e comparativa, ressaltando convergências e divergências entre os estudos em relação aos efeitos da prática de mindful eating sobre os comportamentos alimentares e a gestão de peso. De acordo com a figura 1.

Figura 1: fluxograma da seleção dos artigos selecionados.

Fonte: Sousa, Silva, Neres, 2025.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

As buscas nas bases de dados resultaram em um total de 1.215 artigos. A base com maior número de registros foi a PubMed, seguida por LILACS e SciELO. Após a aplicação dos filtros de inclusão texto completo, publicações dos últimos cinco anos, estudos e revisões, nos idiomas inglês e português, permaneceram 11 artigos na LILACS, 21 na PubMed e 9 na SciELO.

Na etapa de leitura inicial, foram selecionados apenas 3 artigos da LILACS, 4 da PubMed e 1 da SciELO, totalizando 8 artigos lidos integralmente. Os demais foram excluídos por não atenderem aos critérios de elegibilidade, como falta de aderência ao tema central ou por se tratarem de estudos com foco tangencial. A figura 1 apresenta o resumo da análise dos artigos incluídos. 

Quadro 1 – Resumo da análise dos artigos incluídos.

Autores e ano de publicaçãoTítuloRevistaPrincipais Achados
Allameh et al., 2025Efeitos de intervenções baseadas em mindfulness no desejo por comida em adultos: uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos controladosBMC PsychologyAnalisou 24 pesquisas sobre intervenções baseadas em mindfulness e concluiu que elas reduzem significativamente a intensidade dos desejos alimentares, mas não a sua frequência. Também observaram menor tendência à ingestão excessiva após restrição alimentar. Apesar dos resultados positivos, os autores destacam que a qualidade das evidências ainda é baixa e recomendam mais estudos para confirmar esses efeitos.
Barbosa; Penaforte; Silva, 2020Mindfulness, mindful eating e comer intuitivo na abordagem da obesidade e transtornos alimentaresRevista Eletrônica Saúde Mental Álcool e DrogasAs práticas de mindfulness, alimentação consciente e comer intuitivo promovem maior consciência corporal e emocional, reconhecimento dos sinais internos de fome e saciedade, redução da alimentação automática e emocional, valorização de escolhas alimentares autênticas e fortalecimento do autocuidado.
Bayram, 2024Relação entre alimentação consciente, alimentação intuitiva, atitudes alimentares e ortorexia nervosa em estudantes universitáriosRevista de Nutrição Alimentação consciente e ortorexia nervosa, indicando que maior atenção plena ao comer está associada a menor tendência a comportamentos obsessivos com alimentação saudável. Não foi encontrada relação significativa entre alimentação intuitiva e ortorexia. Estudantes de nutrição apresentaram maior atenção alimentar, e valores mais elevados de IMC mostraram fraca associação com maior risco de ortorexia. A alimentação consciente é apontada como fator protetor contra atitudes alimentares disfuncionais. 
Costa et al., 2022Atenção plena disposicional, regulação emocional e estresse percebido em estudantes de enfermagemRevista da escola de enfermagem da USPForam observados níveis moderados de atenção plena, regulação emocional e estresse percebido. Não houve correlação significativa entre atenção plena e regulação emocional geral, mas verificou-se relação fraca e positiva com a supressão das emoções. Idade mais elevada e sono adequado associaram-se a níveis mais altos de atenção plena, enquanto o uso de substâncias psicoativas e acompanhamento psicológico estiveram relacionados a níveis mais baixos. A atenção plena mostrou-se associada a maior equilíbrio emocional e bem-estar psicológico no contexto acadêmico.
Eaton et al., 2024Uma revisão sistemática de estudos observacionais que exploram a relação entre saúde e comportamentos alimentares não relacionados ao pesoAppetite Revisou pesquisas que analisaram a relação entre comportamentos alimentares não centrados no peso, como alimentação intuitiva e consciente, e os desfechos de saúde. Os resultados mostraram que essas práticas estão associadas a melhor bem-estar psicológico, menor estigma corporal e, em alguns casos, a indicadores físicos mais saudáveis. Os autores destacam, porém, que ainda são necessárias mais pesquisas para confirmar esses efeitos e ampliar a diversidade das amostras estudadas.
Liu et al., 2025Intervenções baseadas em mindfulness para compulsão alimentar: uma revisão sistemática e meta-análise atualizadaJournal of Behavioral Medicine Revisou pesquisas sobre intervenções baseadas em mindfulness no tratamento da compulsão alimentar. Os resultados indicaram que essas práticas reduzem a frequência dos episódios e melhoram o comportamento alimentar, embora os efeitos variem entre os estudos. Os autores concluem que a mindfulness é uma abordagem promissora, mas ainda requer mais evidências e padronização para comprovar sua eficácia a longo prazo.
Smith et al.,2023Intervenções para alimentação emocional em adultos com sobrepeso ou obesidade: uma revisão sistemática e meta-análiseInternational Journal of Environmental Research and Public HealthAnalisou 34 pesquisas sobre intervenções voltadas ao comer emocional em adultos com sobrepeso ou obesidade. Os resultados mostraram que essas estratégias, especialmente as baseadas em terapia cognitivo-comportamental, ajudam a reduzir o comer emocional e promovem uma leve perda de peso. Os autores concluem que abordar os fatores emocionais pode contribuir para o controle do peso, embora os efeitos ainda sejam modestos e necessitem de mais investigação.
Ünal et al., 2025Relação entre alimentação consciente, fome hedónica e obesidade em adultos turcosRevista de Nutrição Maiores níveis de alimentação consciente associam-se a menores índices de fome hedónica, menor ingestão calórica e menor risco de obesidade e complicações metabólicas. Mulheres e não fumadores apresentaram escores mais elevados de atenção plena ao comer. O comer consciente contribui para reduzir o impulso de comer por prazer e melhorar a regulação da fome e da saciedade, funcionando como estratégia acessível para promover hábitos alimentares equilibrados e saudáveis.

Fonte: Sousa, Silva, Neres, 2025.

O estudo de Barbosa, Penaforte e Silva (2020) aborda a utilização das práticas de mindfulness, alimentação consciente (mindful eating) e comer intuitivo como estratégias complementares na abordagem da obesidade e dos transtornos alimentares. As autoras discutem que essas práticas, ao promoverem maior consciência corporal e emocional, podem contribuir para uma relação mais equilibrada com o alimento e para o fortalecimento do autocuidado. A prática de mindfulness auxilia o indivíduo a reconhecer os sinais internos de fome e saciedade, reduzindo episódios de alimentação automática e emocional, o que favorece a autorregulação e o bem-estar físico e psicológico. Ademais, o comer intuitivo é apresentado como uma abordagem que valoriza o respeito aos sinais corporais e a rejeição de dietas restritivas, incentivando escolhas alimentares mais autênticas e sustentáveis. Dessa forma, o mindful eating e o comer intuitivo são compreendidos como estratégias comportamentais eficazes no manejo da obesidade e na prevenção de distúrbios alimentares. Em síntese, as autoras concluem que as intervenções baseadas em mindfulness representam um recurso terapêutico humanizado e acessível, voltado não apenas à perda de peso, mas à transformação da relação com o alimento e com o corpo, integrando dimensões cognitivas, emocionais e fisiológicas no cuidado nutricional.

De modo convergente, Eaton et al. (2024) realizaram uma revisão sistemática de estudos observacionais que exploraram comportamentos alimentares não centrados no peso, como alimentação intuitiva, alimentação consciente e competência alimentar, e seus desfechos em saúde física e mental. Os resultados evidenciaram associações positivas entre níveis mais elevados desses comportamentos e menor IMC, melhor qualidade da dieta, maior prática de atividade física e menor prevalência de comportamentos alimentares desordenados. Além disso, tais comportamentos correlacionaram-se com maior autocompaixão, imagem corporal positiva e melhor saúde emocional. Assim, os autores concluíram que práticas alimentares centradas na saúde, e não no peso, estão relacionadas a desfechos favoráveis em múltiplas dimensões do bem-estar, embora reforcem a necessidade de estudos longitudinais e de intervenção para confirmar essas relações.

Em consonância com essa perspectiva, o estudo de Bayram (2024) teve como objetivo analisar a relação entre alimentação consciente, alimentação intuitiva, atitudes alimentares e ortorexia nervosa em estudantes universitários. Os resultados mostraram uma correlação negativa entre alimentação consciente e ortorexia nervosa, indicando que, quanto maior o nível de atenção plena ao comer, menor a tendência a comportamentos obsessivos com alimentação saudável. Por outro lado, não foi encontrada relação significativa entre alimentação intuitiva e ortorexia. O autor observou ainda que estudantes de nutrição apresentaram maior atenção alimentar, possivelmente em função da exposição a conhecimentos específicos da área. Outro achado relevante foi a associação entre valores mais elevados de índice de massa corporal (IMC) e maior risco de ortorexia, ainda que de forma fraca. Assim, o estudo indica que a alimentação consciente pode atuar como fator protetor contra atitudes alimentares disfuncionais, favorecendo uma relação mais equilibrada com os alimentos. Apesar de limitações metodológicas, como o uso de questionários autoaplicáveis e o delineamento transversal, os resultados reforçam a importância de promover práticas de alimentação consciente no ambiente universitário como forma de prevenir comportamentos alimentares excessivamente rígidos ou obsessivos.

No que se refere aos mecanismos envolvidos no controle do comportamento alimentar, Ünal et al. (2025) analisaram a relação entre alimentação consciente, fome hedónica e obesidade em adultos turcos, com o objetivo de compreender como a atenção plena ao comer influencia o comportamento alimentar e o peso corporal. Os resultados evidenciaram que maiores níveis de alimentação consciente estão associados a menores índices de fome hedónica, menor ingestão calórica e menores riscos de obesidade e complicações metabólicas. Mulheres e não fumantes apresentaram escores mais altos de alimentação consciente, o que sugere possíveis diferenças comportamentais relacionadas ao estilo de vida. Assim, o comer com atenção plena contribui para reduzir o impulso de comer por prazer e melhorar a regulação da fome e da saciedade, configurando-se como uma estratégia eficaz e acessível para promover hábitos alimentares mais equilibrados e saudáveis. Apesar das limitações do delineamento transversal, os autores reforçam a relevância da atenção plena no comportamento alimentar como ferramenta de apoio à promoção da saúde e ao controle da obesidade.

Complementando essas evidências, Allameh et al. (2025) realizaram uma revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos controlados para investigar os efeitos de intervenções baseadas em atenção plena sobre o desejo alimentar em adultos. Os resultados demonstraram que as MBIs reduzem significativamente a intensidade do desejo alimentar e o consumo alimentar de “rebote”, sugerindo maior controle sobre os impulsos alimentares. Embora não tenha sido encontrada diferença significativa na frequência do desejo alimentar, os autores destacam que as intervenções de atenção plena são eficazes e seguras, com potencial terapêutico relevante, ainda que sejam necessários estudos de maior qualidade e duração para consolidar as evidências.

De forma semelhante, Liu et al. (2025) também conduziram uma revisão sistemática com meta-análise com o objetivo de investigar os efeitos das intervenções baseadas em atenção plena sobre episódios de compulsão alimentar. Os resultados apontaram efeitos de magnitude média a grande na redução dos episódios de compulsão, especialmente nas intervenções que incorporaram elementos da terapia comportamental dialética (DBT). Esses achados reforçam o papel das práticas de atenção plena como estratégia promissora no tratamento de compulsão alimentar, ainda que sejam recomendadas futuras pesquisas controladas e de longo prazo para confirmar causalidades e ampliar a generalização dos resultados.

No mesmo sentido, Smith et al. (2023) realizaram uma revisão sistemática com meta-análise para investigar a eficácia de intervenções voltadas ao “comer emocional” em adultos com sobrepeso ou obesidade. A análise evidenciou que tais intervenções podem reduzir episódios de comer emocional e promover discreta perda de peso, sendo a terapia cognitivo-comportamental (TCC) a abordagem mais eficaz. Os autores destacam que, embora os efeitos sejam modestos, essas intervenções apresentam potencial para melhorar a regulação emocional associada ao comportamento alimentar, recomendando-se, contudo, maior padronização dos instrumentos e acompanhamento longitudinal.

Por fim, ampliando a discussão para o contexto emocional, Costa et al. (2022) investigaram a relação entre atenção plena disposicional, regulação emocional e estresse percebido em estudantes de enfermagem. Os resultados revelaram níveis moderados de atenção plena, regulação emocional e estresse percebido, além de associações entre idade mais elevada e sono adequado com níveis mais altos de atenção plena. Por outro lado, o uso de substâncias psicoativas e o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico estiveram relacionados a níveis mais baixos dessa capacidade. Embora não tenha sido identificada correlação significativa entre atenção plena disposicional e regulação emocional geral, observou-se uma relação positiva, ainda que fraca, com a supressão das emoções, sugerindo que estudantes mais atentos tendem a controlar melhor suas reações emocionais. Dessa forma, a atenção plena pode favorecer o bem-estar psicológico e acadêmico, ao promover maior equilíbrio emocional e capacidade de lidar com as pressões cotidianas.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta revisão integrativa evidenciou que a prática da alimentação consciente (mindful eating) exerce impacto relevante na adoção de hábitos alimentares mais saudáveis, no controle do peso corporal e na melhoria do bem-estar emocional. As evidências analisadas apontaram que essa abordagem contribui para a diminuição de episódios de compulsão alimentar e de comer emocional, além de aprimorar a percepção dos sinais internos de fome e saciedade. Verificou-se também que o mindful eating favorece o desenvolvimento da autorregulação emocional, da autocompaixão e da aceitação corporal, fatores essenciais para uma relação mais equilibrada com o alimento e com o próprio corpo.

Os achados indicam que programas fundamentados em mindfulness e alimentação consciente podem ser integrados à prática clínica do nutricionista, promovendo intervenções mais empáticas, eficazes e sustentáveis. Observou-se ainda que tais práticas vão além do foco exclusivo na perda de peso, priorizando o bem-estar global e a qualidade de vida do indivíduo.

Conclui-se, portanto, que o mindful eating constitui uma estratégia terapêutica moderna e relevante, capaz de ressignificar a atuação nutricional, tornando-a mais consciente, inclusiva e humanizada. Sugere-se a ampliação de pesquisas clínicas e de longo prazo que investiguem os efeitos dessa abordagem em diferentes populações e contextos culturais, a fim de consolidar as evidências sobre sua efetividade contínua.

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1Discentes do Curso Superior de Nutrição da Christus Faculdade do Piauí Campus Piripiri. e-mail: Thaisrdsw@gmail.com, vamatos1702@gmail.com
2Docente do Curso Superior de Psicologia da Christus Faculdade do Piauí Campus Piripiri. Mestre em Psicologia do Desenvolvimento e Políticas Públicas (UNISANTOS). Orcid: 0000-0002-5760-9891 e-mail: saulneres@gmail.com
3Docente do Curso Superior de Nutrição da Christus Faculdade do Piauí Campus Piripiri. Especialista em Nutrição Esportiva – Instituto Camilo Filho. Orcid: 0000-0003-0119-4233, e-mail: luiznutricionista@hotmail.com
4Nutricionista da Secretaria Municipal de Saúde de Piripiri, Piauí Especialista em Nutrição nos Ciclos da Vida – NOVAFAPI. e-mail: nutricionistaannaportela@gmail.com
5Enfermeira, Especialista em Enfermagem Esteta, e-mail: pauliane.ms@gmail.com