SUICÍDIO: FATORES BIOPSICOSSOCIAIS QUE INFLUENCIAM A DECISÃO DE MORTE INTENCIONAL EM JOVENS-ADULTOS

SUICIDE: BIOPSYCHOSOCIAL FACTORS THAT INFLUENCE THE DECISION TO COMMIT INTENTIONAL DEATH IN YOUNG ADULTS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301047


Walison da Silva1
Fabíolla Delfino Alves Oliveira Vinhal2


RESUMO 

O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial que afeta uma parcela significativa da população mundial, atingindo indivíduos de diferentes faixas etárias e contextos sociais, muitas vezes de forma silenciosa. Sintomas como tristeza, angústia, solidão e desmotivação são frequentemente negligenciados, inclusive no ambiente familiar. Este estudo teve como objetivo geral analisar os fatores biopsicossociais que influenciam o aumento dos casos de suicídio entre jovens-adultos brasileiros, com idades entre 15 e 29 anos, nas últimas décadas. A pesquisa, de natureza qualitativa, descritiva e exploratória, foi desenvolvida por meio de revisão bibliográfica. Os resultados indicam que fatores biológicos (alterações em áreas cerebrais relacionadas à regulação emocional), psicológicos (depressão, traumas e transtornos mentais) e sociais (pressão social, discriminação, perdas e isolamento) estão interligados e contribuem significativamente para o comportamento suicida nessa população. Conclui-se que a compreensão integrada dos aspectos biopsicossociais é fundamental para a prevenção do suicídio, sendo indispensável o desenvolvimento de políticas públicas eficazes, intervenções clínicas humanizadas e ações educativas que promovam acolhimento e escuta ativa aos indivíduos em sofrimento. 

Palavras-Chave: Suicídio. Comportamento autolesivo. Comportamento suicida. Tentativa de suicídio. Ideação suicida. 

INTRODUÇÃO 

O suicídio é um problema multifatorial e autodestrutivo que afeta grande parte da sociedade em todo o mundo, sejam eles homens, mulheres, jovens e idosos que, na maioria das vezes, agem de maneira silenciosa (Lima et al., 2018). Os sinais nem sempre são claros. Tristeza, angústia, solidão e desmotivação chegam a passar despercebidos até mesmo dentro de casa. O comportamento suicida não fatal compreende a ideação suicida, havendo ideias que encorajam o desejo de morrer, já a tentativa de suicídio consiste em lesões a si mesmo, podendo ou não resultar em um fim trágico (Braun et al., 2023). 

De acordo com Félix et al., (2019) este ato consiste em um fenômeno único desde a motivação até o óbito, sendo a tentativa de suicídio o momento mais propício a intervenções em saúde. Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2024) o suicídio é um grave problema de saúde pública em todo o mundo. Estima-se que a cada 40 segundos uma pessoa morra por suicídio no mundo, sendo de 10 a 40 tentativas de suicídio para cada morte, a depender da região no mundo (Félix et al., 2019).  

Nesse contexto, a vítima decide extinguir a própria vida como válvula de escape para uma dor íntima e psíquica consideravelmente insuportável (Ramos et al., 2019). 

Conhecer e compreender quais fatores têm contribuído para que esses casos tenham crescido, acentuadamente na última década, e quais mudanças vêm ocorrendo com este público deve ser de total importância para a criação de políticas públicas mais eficazes de prevenção.  

Neste sentido, este trabalho tem como objetivo apresentar aspectos que tenham contribuído para o aumento da ideação, tentativa e principalmente do suicídio na última década em jovens-adultos no Brasil.   

Trata-se de um tema muito relevante, principalmente na atualidade, pois de acordo com dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021), mais de 700 mil suicídios ocorreram no ano de 2019, representando um óbito a cada 100 mortes no mundo (1,3%), demonstrando um expressivo aumento de sua ocorrência na última década. Calar-se ou ficar inerte a este assunto causa mais danos que o próprio suicídio, pois faz-se necessário falar sobre este incidente, demonstrando total atenção para com essas pessoas que se encontram em um momento de vulnerabilidade (Oliveira; Farias, 2023).  

Este trabalho busca informar e conscientizar leigos, estudantes de psicologia, profissionais da área da saúde e da saúde mental, bem como, possibilitar a criação de novas políticas públicas mais eficientes, tendo em vista que são milhões de vidas que se perdem por ano em decorrência do suicídio. Tal grupo precisa ser visto através de uma ótica mais humanizada e compreensiva, levando em consideração que este fenômeno precisa urgentemente ser analisado e estudado na busca da diminuição desses óbitos.  

É importante destacar que a taxa anual de suicídio na faixa etária de jovensadultos vêm aumentando consideravelmente, são números alarmantes que a cada ano parece ter um salto gigantesco (Félix et al., 2019). Esta vem sendo nos últimos anos a segunda principal causa de morte entre jovens-adultos, especificamente de 15 a 29 anos, perdendo apenas para acidentes de trânsito (Braun et al., 2023). 

O objetivo geral é analisar os fatores biopsicossociais que influenciam a decisão de morte intencional em jovens-adultos no Brasil. E como específicos, investigar a contextualização histórica do suicídio na cultura Ocidental e Oriental, além de compreender a influência das religiões sobre o comportamento suicida; elencar fatores biopsicossociais que tenha contribuído para que o suicídio ocorra no meio de jovens-adultos com idade entre 15 e 29 anos na última década; identificar a prevalência do suicídio entre jovens-adultos; mapear estratégias de intervenção e prevenção utilizados na atualidade. 

Diante dessa pesquisa, tornou-se relevante o seguinte questionamento: Quais fatores biopsicossociais contribuem para o suicídio no meio de jovens-adultos no Brasil?  

REFERENCIAL TEÓRICO  

Conceitualização e contextualização histórica do suicídio nas mais diversas culturas 

Para renomados autores da psicologia, como Viktor Frankl (2022) e Thomas Joiner (2005), o suicídio é visto como um ato complexo e multifacetado que requer uma compreensão profunda das causas subjacentes e dos fatores de risco envolvidos. 

Viktor Frankl (2022), famoso psiquiatra e fundador da Logoterapia3, acreditava que o suicídio muitas vezes é resultado de um profundo sentimento de falta de significado na vida. Ele argumentava que os indivíduos que não encontram um propósito ou significado na existência podem sucumbir ao desespero e à falta de esperança, levando-os a considerar o suicídio como uma saída para sua dor emocional. 

Thomas Joiner (2005), psicólogo clínico de destaque e autor da obra Por que as pessoas morrem por suicídio? introduziu a teoria interpessoal do suicídio. Nesta perspectiva, o autor ressalta o papel crucial das relações pessoais na redução do risco de suicídio. Ele defende que essa tragédia ocorre devido a uma combinação de três elementos: a percepção de ser um fardo para os outros, o sentimento de solidão e a incapacidade de suportar dores físicas e emocionais. De forma complementar, a teoria enfatiza a importância de introduzir estratégias que limitem a probabilidade de suicídio, como restringir o acesso a métodos letais e a resiliência, assim como a busca por suporte. 

Na Antiguidade, as punições para o suicídio eram muito rigorosas. Em cidades como Tebas e Chipre, os mortos que se suicidavam eram negados de honras fúnebres. Na Grécia antiga, esse ato era visto como algo secreto, anormal e solitário. Em Atenas, a mão direita da pessoa era cortada e sepultada em um lugar separado do corpo. Em Esparta, o suicídio era visto como uma alternativa justificável (Lopes, 2007).  

Já em Roma, os indivíduos precisavam apresentar suas justificativas ao Senado para o desejo de suicidar-se, pois o ato não era totalmente ilegal. Assim, o suicídio era visto como uma saída digna em situações em que a pessoa era objeto de zombaria por parte de seus inimigos. Entretanto, aqueles que se enforcavam em Roma não recebiam um local de sepultamento. O suicídio entre militares e indivíduos condenados pela Justiça era desaprovado e banido com a penalidade da confiscação dos bens pelo Estado (Lopes, 2007).

Com relação ao suicídio, a filosofia estoica defendia e valorizava a ideia de tal ato, afirmando que “é aceitável morrer para quem já não deseja viver”. Os epicuristas viam o suicídio como uma parte natural da vida (Lopes, 2007). No seu livro As Dores do Mundo, Schopenhauer (2018) propôs o suicídio como a solução mais lógica para uma existência repleta de sofrimento (apud Lopes, 2007). 

Por outro lado, Santo Agostinho de Hipona, nos séculos IV e V, tinha uma visão rigorosa a respeito do suicídio. Ele negava sua aceitabilidade, independentemente das circunstâncias, argumentando que tal ato elimina a chance de arrependimento. Santo Agostinho definia o suicídio como uma “perversão repugnante” e “demoníaca”, afirmando que o mandamento “não matarás” da Bíblia também se aplicava a “não se matar”. Assim, a igreja utilizava todos os meios à sua disposição para combater o suicídio, considerando que aquele que o fizesse era um traidor da humanidade, comparado a Judas (apud Lopes, 2007). 

Conforme afirma Valdemar Augusto Angerami (apud Lopes, 2007), de concílio em concílio, o direito canónico ao suicídio se torna progressivamente mais rígido. O concílio de Arles, em 452, retoma as sanções do direito romano contra os escravos e os servidores. Em 553, o concílio de Orleans priva de funerais religiosos aqueles acusados de um crime. Em Bragues, trinta anos depois, essa sanção passa a abranger todos os casos, quaisquer que sejam os motivos ou circunstâncias. O assunto é encerrado no concílio de Toledo (693) com excomunhão dos autores de tentativas.  

Ainda na Idade Média, o indivíduo e sua vida pertenciam a Deus. O sujeito era castigado quando tentava se apoderar da vida que não lhe pertencia por meio do suicídio ou tentativas. A partir dos séculos XVI e XVII, com a Revolução Francesa, a sociedade e a Igreja tornaram-se mais tolerantes com o suicídio (Lopes, 2007).  

Segundo Lopes (2007), o suicídio foi estimulado em algumas culturas. Ainda hoje, há quem o enalteça como um ato heroico, digno dos maiores elogios e das maiores recompensas. Muitos encaram o suicídio como a única maneira de escapar de uma dor emocional insuportável. Dessa maneira, a pessoa que morre por suicídio não busca a morte, mas sim uma saída para o sofrimento. Em última análise, o suicídio não se trata apenas de morrer, mas sim de como viver. Por isso, muitas pessoas em risco de suicídio não almejam a morte, mas sim uma transformação em suas vidas, onde se sintam valorizados e amados (Lopes, 2007). 

O suicídio no cinema e na televisão 

Os filmes Close (2022) e Orações para Bobby (2009) discutem o suicídio, investigando as pressões sociais, emocionais e familiares que agravam o padecimento dos adolescentes. Close (2022) se concentra na amizade entre dois jovens, Liam e Rémi, evidenciando como a ausência de comunicação e as expectativas sociais acerca da masculinidade resultam no isolamento e, por fim, no suicídio de Rémi. 

A mãe de Bobby, em Orações para Bobby (2009), enfrenta a culpa e o luto após o suicídio do filho. O filme ressalta como a pressão, a falta de suporte e o desafio de expressar sentimentos podem sufocar os jovens, intensificando assim o seu sofrimento. 

Os dois filmes enfatizam a relevância do diálogo franco e do suporte emocional na prevenção do suicídio. Orações para Bobby também expressa uma mensagem de resiliência, com a mãe de Bobby procurando um grupo de suporte. Essas narrativas destacam a importância da empatia e do entendimento para gerir a saúde mental e evitar tragédias similares. 

O suicídio em diferentes religiões 

A religião desempenha um papel ambíguo no contexto do suicídio, pois, por um lado, oferece crenças estruturadas que podem promover o bem-estar mental e físico, além de criar uma rede de apoio social. No entanto, muitas doutrinas religiosas também contribuem para o estigma em torno do suicídio, dificultando a busca por ajuda profissional, como evidenciado pelas diferentes atitudes em várias tradições religiosas (Botega, 2015).  

Por exemplo, no judaísmo, embora o suicídio seja condenado, exceções são feitas em casos de doenças mentais ou tortura. No cristianismo, a liberdade de interpretação bíblica pode estar associada a uma maior taxa de suicídios entre protestantes, em comparação com católicos (Botega, 2015). 

No islamismo, o suicídio é amplamente condenado, levando a uma taxa mais baixa de suicídios nos países muçulmanos, embora existam grupos fundamentalistas que veem o suicídio como um ato heroico, como o caso do Hamas. Já na China antiga, o suicídio era considerado digno, especialmente entre guerreiros, como uma forma de vingança ou para desestabilizar os inimigos em combate (Botega, 2015). 

A tradição japonesa associava o suicídio a honra e dignidade, como visto no seppuku4 e no harakiri, que continuaram a ser praticados até a Segunda Guerra Mundial pelos pilotos kamikazes5 (Botega, 2015).  

Nas religiões cristãs pentecostais no Brasil, como a Assembleia de Deus e a Igreja Universal do Reino de Deus, embora o suicídio seja condenado, a atenção dada ao tema é geralmente limitada, com foco maior na cura espiritual e prosperidade material (Botega, 2015). 

Por fim, o espiritismo de Allan Kardec vê o suicídio como um grande tormento para o espírito, considerando-o um ato de falsidade e autossabotagem. A pessoa que morre por suicídio é vista como a principal vítima de sua própria escolha, refletindo a ideia de que o sofrimento resultante desse ato persiste para além da vida terrena. Essa visão também reforça a noção de que a espiritualidade pode oferecer um tipo de suporte moral, mas com uma forte crítica à decisão de tirar a própria vida (Botega, 2015). 

Ideação suicida 

O conceito de ideação suicida abrange diversas facetas: desde reflexões fugazes de que a vida não tem sentido até inquietações profundas sobre a razão de viver ou morrer. Ideias suicidas também podem surgir como resultado de estados de delírio. Pesquisas globais indicam uma oscilação na prevalência de pensamento suicida, variando de 2 a 19% ao longo da vida, sendo sempre mais comum em mulheres (Botega, 2015).

Grandes autores da psicologia, como Aaron Beck (1964), Carl Rogers (1942) e Albert Ellis (1955), têm abordado a temática do suicídio de diversas maneiras ao longo de suas carreiras. Aaron Beck (1964), criador da Terapia Cognitivo-Comportamental6, enfatiza a importância de identificar e desafiar os pensamentos distorcidos que levam a ideações suicidas. Ele acreditava que muitas vezes esses pensamentos surgem de interpretações negativas e irreais da realidade, sendo possível a mudança desses padrões de pensamento através de intervenções terapêuticas. 

Carl Rogers (1942), por sua vez, foca na importância da empatia e da aceitação incondicional na relação terapêutica. Ele defende que é fundamental para o terapeuta criar um ambiente seguro e acolhedor para que o paciente possa expressar seus pensamentos e sentimentos, inclusive aqueles relacionados à ideação suicida. Rogers acreditava que através desse processo de auto exploração e aceitação, o paciente poderia encontrar recursos internos para lidar com suas dificuldades. 

Fechando essa tríade de autores, Albert Ellis (1955), criador da Terapia Racional Emotiva Comportamentalaborda a ideação suicida como resultado de crenças irracionais e disfuncionais. Ele defende que ao identificar e confrontar essas crenças, o paciente pode desenvolver uma visão mais realista e adaptativa de suas dificuldades, reduzindo também o risco de comportamentos autolesivos. 

Comportamentos autolesivos 

Autores e teóricos da psicologia, como Marsha Linehan (1993), Judith Herman (1992) e Bessel van der Kolk (2021) têm contribuído significativamente para a compreensão dos comportamentos autolesivos, como a automutilação, ao longo de suas carreiras. 

Marsha Linehan (1993), criadora da Terapia Comportamental Dialética8 (DBT), dedicou grande parte de seus estudos à compreensão e tratamento da automutilação e outros comportamentos autolesivos. Ela enfatiza que esses comportamentos muitas vezes são utilizados como estratégias ineficazes de regulação emocional por pessoas que possuem dificuldades em lidar com emoções intensas. Linehan (1980) desenvolveu a DBT como um tratamento eficaz para ajudar esses indivíduos a aprender habilidades saudáveis de regulação emocional e a lidar de forma mais adaptativa com suas próprias emoções.

Judith Herman (1992), por sua vez, foca nas experiências de trauma e abuso como fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de comportamentos auto lesivos. Ela destaca a importância de abordar o trauma subjacente a esses comportamentos e de oferecer um espaço terapêutico seguro para que os indivíduos possam processar e curar essas experiências dolorosas. 

Bessel van der Kolk (2021) também tem contribuído significativamente para a compreensão dos efeitos do trauma no corpo e na mente. Ele destaca a importância de abordar a regulação do sistema nervoso autônomo e do corpo no tratamento de indivíduos que apresentam comportamentos autolesivos, ressaltando a conexão entre experiências traumáticas e a somatização de dor e sofrimento. 

Tentativa de suicídio  

Refere-se a qualquer comportamento suicida não fatal ou dano intencionalmente causado a si mesmo. A pessoa pode agir de forma autodestrutiva com a finalidade de morrer, seja por meio de uma tentativa de suicídio planejada ou impulsiva (Rodrigues, 2022). 

É crucial identificar se a tentativa de suicídio foi uma ação precipitada ou algo bem planejada. Isso indica a forma de comunicação interpessoal, pois existem aqueles que se organizam para evitar socorro, deixando tudo meticulosamente planejado, como cartas de despedida, por exemplo. Compreender o processo de elaboração permite uma avaliação mais aprofundada de todos os riscos e os cuidados que os familiares precisam tomar na prevenção de novas tentativas (Rodrigues, 2022). 

Por isso, é importante estar alerta ao perigo de suicídio e ao aumento da letalidade em casos de tentativas anteriores, já que o indivíduo pode intensificar a gravidade a cada tentativa (Rodrigues, 2022). 

Duas características nas tentativas de suicídio são especialmente relevantes na prática: a letalidade e o risco de repetição. A letalidade refere-se à probabilidade de resultar em consequências irreversíveis, enquanto a ocorrência de tentativas anteriores é um dos principais indicadores do risco de suicídio (Braun et al., 2023). 

A seleção dos métodos empregados em tentativas de suicídio é influenciada por uma série de elementos: a disponibilidade de métodos letais, os gostos pessoais e culturais, e a motivação por trás do comportamento autodestrutivo. Métodos não violentos, como o automedicamento e o consumo excessivo de medicamentos são mais comuns entre as mulheres. Os homens costumam recorrer a métodos extremos e letais. No Brasil, a maioria das tentativas atendidas em serviços de emergência é devido à ingestão excessiva de medicamentos ou venenos (Botega, 2015). 

Aumento do suicídio em jovens-adultos. 

Desde 1980, constatou-se um crescimento nas taxas de suicídio, alcançando 21% até o ano 2000 e 29,5% até 2006. Outros países da América Latina também têm demonstrado um crescimento: Suriname, México, Chile e Equador (Botega, 2015).  

No Brasil, o índice de suicídios pode ser visto como relativamente baixo, em comparação com outros países. Apesar disso, por sermos um país com grande população, ocupamos a oitava posição no ranking de países com maior número de mortes por suicídio. No ano de 2012, o país registrou oficialmente 11.821 suicídios, o que equivale a uma média diária de 32 óbitos (Botega, 2015). 

Em grande parte dos países, as taxas de óbitos por suicídio são de 3 a 4 vezes superiores entre homens. No Brasil, a proporção de suicídios entre homens e mulheres é de 3,8. Em outras palavras, 79% das mortes por suicídio são realizadas por homens (Botega, 2015).  

Os índices de suicídio costumam ser mais altos em indivíduos com mais de 70 anos, tanto em homens quanto em mulheres. Este modelo difere entre as nações. Por exemplo, na Nova Zelândia, o auge das taxas de suicídio ocorre entre os 25 e 34 anos de idade. No Japão, essa faixa etária varia de 55 a 64 anos (Botega, 2015).    

No Brasil, observa-se um aumento nas taxas de suicídio conforme a idade avança, especialmente entre os homens. Contudo, de 1980 a 2006, as taxas de suicídio aumentaram significativamente (30%) entre pessoas de 20 a 59 anos, em comparação com os que possuíam 60 anos ou mais (19%) (Botega, 2015).  

Chachamovich et al., (2009) afirmam que o suicídio é uma das principais causas de morte em todo o mundo, especialmente entre jovens-adultos. De maneira geral, a taxa de mortes por suicídio é mais alta nos países da Europa Oriental, enquanto mais baixa na América Central e do Sul.  

O impacto do suicídio é encoberto pelas taxas elevadas de homicídios e acidentes de trânsito, que superam em média seis e quatro vezes, respectivamente (Chachamovich et al., 2009). 

Fatores biopsicossociais que contribuem para a ocorrência de suicídio em jovens-adultos com idade entre 15 e 29 anos na última década 

Fatores biológicos 

Conforme Schmaal e Harmelen (2019), pelo menos duas áreas do cérebro demonstram funcionamento distinto em indivíduos que morreram por suicídio, ou que tiveram pensamentos ou tentativas de suicídio. Essa descoberta foi divulgada na revista científica Molecular Psychiatry, por pesquisadores das universidades de Cambridge, no Reino Unido, e Yale, nos Estados Unidos.  

A pesquisa analisou 131 artigos com mais de 12 mil participantes, todos focados em exames de imagem do sistema nervoso. Os resultados indicaram alterações estruturais, funcionais e moleculares no cérebro de pessoas com histórico de pensamentos e tentativas de suicídio. Em especial, foram observadas diferenças na interação entre duas redes neurais, sugerindo uma possível ligação com comportamentos suicidas (Schmaal; Harmelen, 2019). 

De acordo com as autoras, a primeira área do cérebro que apresenta uma atuação distinta nesses indivíduos é o córtex pré-frontal ventral, tanto medial quanto lateral. Essa região do sistema nervoso é responsável por se interligar às áreas cerebrais associadas às emoções, e, portanto, mudanças nessa rede podem resultar em pensamentos negativos excessivos e em dificuldades na regulação emocional (Schmaal; Harmelen, 2019).  

A segunda região que opera de forma diferente é o córtex pré-frontal dorsal e o sistema do giro frontal inferior. Segundo as autoras, essas áreas são cruciais para a tomada de decisão, a busca por alternativas para solucionar problemas e o controle comportamental (Schmaal; Harmelen, 2019). 

Schmaal e Harmelen (2019) destacam que mudanças na estrutura, funcionamento ou composição bioquímica de certas áreas cerebrais podem aumentar a frequência de pensamentos negativos sobre o futuro, além de dificultar o controle desses pensamentos. Essa situação pode, então, colocar o indivíduo em um cenário com maior probabilidade de suicídio. As autoras enfatizam que essas mudanças cerebrais não servem como indicadores definitivos, ou seja, não determinam quem irá ou não tirar a própria vida.  

Schmaal et al., (2019) destacam que os fatores de risco biológicos atualmente reconhecidos para o suicídio apresentam um valor preditivo limitado, e ainda não foi descoberto um marcador biológico de risco confiável.  

Para que a prevenção do suicídio seja mais efetiva, é imperativo compreender melhor os mecanismos que aumentam o risco de pensamentos e comportamentos suicidas, assim como identificar marcadores biológicos que possam ajudar a desenvolver estratégias de prevenção mais focadas, além de monitorar as respostas a essas iniciativas (Schmaal et al., 2019). 

Nos últimos dez anos, e especialmente nos cinco últimos anos, houve um aumento significativo no número de pesquisas em neuroimagem que relatam correlatos estruturais e funcionais dos circuitos cerebrais relacionados aos pensamentos e comportamentos suicidas (Schmaal et al., 2019). 

Fatores psicológicos  

Os elementos psicológicos dizem respeito a questões ligadas ao funcionamento da mente, às emoções e aos comportamentos de um indivíduo, os quais podem afetar seu bem-estar, sua saúde mental e até comportamento suicida (Lopes, 2007). 

Oliveira e Farias (2023) destacam que compreender os elementos psicológicos que levam uma pessoa ao suicídio é tão desafiador quanto identificar os motivos subjacentes a este ato. Embora seja uma ação deliberada e intencional, é possível que o indivíduo se encontre em um estado de incerteza.  

Depressão 

O distúrbio depressivo maior é caracterizado por um estado de humor deprimido ou pela falta de interesse em muitas atividades, persistindo por pelo menos duas semanas e acompanhado por, no mínimo, quatro sintomas, como desesperança, desvalia, culpa e desamparo, além de alterações no apetite e sono, fadiga, lentidão ou agitação psicomotora, redução do interesse sexual, dificuldades de concentração e raciocínio, além de pensamentos recorrentes sobre a morte, com ou sem tentativas de suicídio (Lopes, 2007). 

Transtornos psicológicos  

De acordo com Lopes (2007), uma pessoa pode atingir um nível de descontrole e perturbação mental sendo impedida de pensar com clareza. A mente se torna confusa e as emoções ficam desordenadas. Esses distúrbios podem ter origens tanto internas quanto externas, ou seja, podem ser resultantes de fatores genéticos ou de situações vividas.  

O indivíduo afetado por esse tipo de perturbação enxerga a vida com um sentimento de desespero, acreditando que a única saída para seu sofrimento é o suicídio. A pressão mental, a sobrecarga emocional e a desarmonia interna são tão intensas que, em certas situações, aqueles que optam pelo suicídio não podem ser considerados totalmente responsáveis por sua decisão (Lopes, 2007). 

Teorias psicológicas  

Sigmund Freud (1987), em seu livro Luto e Melancolia, publicado em 1917, notou que em indivíduos predispostos, o estado melancólico fazia com que a agressividade direcionada a um objeto de amor perdido se voltasse contra o próprio indivíduo. Sugeriu, assim, que a pessoa que morre por suicídio procura, inicialmente, o objeto de amor perdido e reprimido (apud Botega, 2015).  

Quem morre intencionalmente, seria capaz de anular psicologicamente a perda do objeto e se vingaria do ambiente ou da pessoa que causou seu desespero. No processo normal de luto, a maioria das pessoas chora a perda do objeto amado, enquanto o melancólico se despede de si mesmo (Botega, 2015). 

Karl Menninger (1985), mantendo-se fiel às concepções iniciais de Freud, sobre o dualismo pulsional e a ideia de que o suicídio é uma manifestação da agressividade inconscientemente introjetada, publicou, em 1938, um clássico da literatura psicanalítica sobre o suicídio: O Homem Contra Si Mesmo (apud Botega, 2015). 

Menninger (1985) explora as várias maneiras de se autodestruir. A profundidade na descrição de casos clínicos e de diversas circunstâncias da vida, muitas delas extraídas da literatura ou de notícias de jornais, torna a leitura do seu livro cativante, mesmo que, atualmente, não pensemos no suicídio apenas como a vitória de tânatos sobre Eros (apud Botega, 2015). 

Menninger (1985) defendia a existência de pelo menos três elementos distintos no comportamento suicida: o desejo de matar, o desejo de ser morto e o desejo de morrer (apud Botega, 2015). 

Desejo de matar: Toda tentativa de suicídio é, primeiramente, um crime de homicídio. O anseio de matar pode não ser apenas direcionado a um objeto interiorizado, mas também a outro indivíduo, tendo essa pessoa que suportar a dor de uma morte, numa espécie de vingança implícita (Botega, 2015).  

Desejo de ser morto: O indivíduo que nutre desejos homicidas também experimenta, de forma inconsciente, a necessidade de uma punição do ego, na mesma proporção da sua própria destruição, porém direcionada para o exterior. Por culpabilidade, o anseio de ser morto é a reação do superego ao anseio de punição (Botega, 2015).  

Desejo de morrer: Deve-se estabelecer uma diferença entre o desejo consciente de morrer e o desejo inconsciente de morrer. Por exemplo, acredita-se que exista um anseio inconsciente de não morrer naqueles que continuam vivos, mesmo após diversas tentativas de encerrar a vida. O anseio inconsciente de morrer é apenas uma possibilidade, já que podem estar ativas fantasias de nascimento e de regresso à tranquilidade do útero materno (Botega, 2015). 

Terapia Cognitivo-comportamental 

Os especialistas em saúde mental lidam frequentemente com grupos variados de indivíduos, não pelo que possuem (doenças), mas pelo que sentem ou fazem (comportamentos). Qualquer conduta que afete as habilidades de controle e escolha, contrariando assim a adaptação, pode ser vista como anormal e merecer atenção clínica. O suicídio é uma ação que envolve a decisão pessoal e as influências sociais (Botega, 2015).  

No contexto da teoria comportamental, o suicídio é visto como uma manifestação extrema de comportamento de fuga. Para evitar uma situação de grande sofrimento, o indivíduo pode optar por tirar a própria vida. Depois de uma tentativa de suicídio, acontecem alterações ambientais que podem elevar ou reduzir a chance de novos suicídios (Botega, 2015). 

Edwin Shneidman 

Edwin Shneidman (1993), popularmente reconhecido como o pai da suicidologia, desenvolveu a chamada teoria dos cinco blocos do suicídio. Nesta teoria ele destaca os cinco principais fatores que contribuem para o comportamento suicida: desejo, ideação, planejamento, preparação e execução.  

Desejo: Refere-se à presença de um sentimento intenso de desejo ou impulso de morrer, muitas vezes motivado por uma intensa dor emocional e psicológica.  

Ideação: Envolve a presença de pensamentos ou planejamentos relacionados ao suicídio, como ideias de como realizar o ato ou de que a morte seria a solução para os problemas;  

Planejamento: Refere-se à formulação de um plano concreto e detalhado para uma tentativa de suicídio, incluindo o local, o método e também o momento em que será realizado;  

Preparação: Envolve ações concretas realizadas pelo indivíduo para se preparar para o suicídio, como adquirir os meios necessários ou se despedir de familiares e amigos;  

Execução: É o ato final para concretização do suicídio. Shneidman (1993) destaca que a maioria dos suicídios é resultado de uma intensa dor psicológica e emocional, muitas vezes causada por fatores como problemas interpessoais, adversidades emocionais, traumas e transtornos mentais não tratados. 

Ele também argumentava que compreender e interromper esse processo em qualquer uma de suas fases pode ser crucial na prevenção do suicídio. A teoria dos cinco blocos do suicídio destaca a importância de abordar o comportamento suicida de forma individualizada, levando em consideração a complexidade e a intensidade do sofrimento psicológico de cada indivíduo em risco. 

Ainda utilizando-se tanto um referencial psicodinâmico quanto cognitivo, Shneidman (1993) criou o termo psychache para designar a condição psicológica de uma pessoa que está à beira da morte. É uma dor insuportável, experimentada como um turbilhão emocional, uma sensação angustiante de estar aprisionado em si mesmo, sem conseguir escapar. A psychache surge do desespero por não conseguir satisfazer as necessidades psicológicas fundamentais, tais como realização, autonomia, reconhecimento, apoio e a prevenção de humilhação, vergonha e dor (Botega, 2015). 

Durkheim: o suicídio 

Do ponto de vista sociológico, tanto o suicídio quanto as mortes resultantes de acidentes, crimes, alcoolismo e uso de drogas, são frutos da pressão e do estresse social (Botega, 2015).  

Desde o século XVII, o suicídio tem sido analisado como uma questão ética. No século XIX, começou a ser percebido como um problema social em ascensão. Em 1897, foi publicada uma obra – O Suicídio: Um Estudo Sociológico, escrito por David Émile Durkheim. O trabalho de Durkheim rompeu um paradigma: o ato suicida não mais se resumia ao âmbito pessoal e íntimo (apud Botega, 2015). 

Através de uma perspectiva moderna, ele destaca que, após a Revolução Industrial, a família, o Estado e a igreja deixaram de ser elementos de união e coesão social, não sendo encontrados substitutos para esses elementos. A combinação desses elementos ressalta, de maneira mais destacada, três tipos de suicídio, sendo esses os principais alvos de sua pesquisa: o suicídio egoísta, o suicídio altruísta e o suicídio anômico (apud Botega, 2015). 

O suicídio egoísta acontece entre indivíduos que possuem pouca ou nenhuma ligação com um grupo social, pois já não estão mais sob a influência da sociedade, da família e da religião (Botega, 2015).  

No suicídio altruísta, a existência de um indivíduo é posta em risco em prol do bem-estar de outro ou de um grupo (Botega, 2015).  

O suicídio anômico acontece entre indivíduos que vivem em uma sociedade em crise econômica, marcada por intensos conflitos entre as classes sociais e alterações na estrutura coletiva (Botega, 2015). 

Fatores sociais 

Desilusão nos relacionamentos 

Lopes (2007) afirma que muitos casos de suicídio estão ligados a questões passionais, decorrentes de relacionamentos desfeitos. Os envolvidos experimentam sentimentos intensos de perda, desvalorização, desprezo, rejeição e abandono, levando-os ao desânimo com a vida, perdendo a vontade de recomeçar e se envolver em novas relações. Quando essa base instável se desmorona, a pessoa pode entrar em desespero, a ponto de não vislumbrar outra saída que não seja a morte. 

Perdas financeiras 

Muitas pessoas sofrem com o horror da perda repentina de seus bens. Habituadas ao conforto, abundância e luxo, não se sentem motivadas a recomeçar a vida, pisando o árduo solo da pobreza. Poucas pessoas tiram a própria vida devido à pobreza que sempre experimentaram, porém muitos se desesperam diante da súbita mudança no status social (Lopes, 2007). 

Os ricos se suicidam em proporção maior do que os pobres. Nos países desenvolvidos, a taxa de suicídio é superior à dos países em desenvolvimento. O saber e o dinheiro não possuem a força necessária para libertar o ser humano do desespero (Lopes, 2007).  

Álcool  

Muitas pessoas buscam fugir da depressão, da ausência de sentido, do medo e da incerteza através do uso abusivo de álcool. Eles bebem para esquecer, recordar e aliviar as mágoas (Lopes, 2007). 

Os indivíduos bebem para escapar da realidade ou para encará-la. Bebem por prazer ou por repulsa. Bebem tanto para viver quanto para morrer. Bebem para adquirir coragem e encarar a vida como ela é ou escapar da sua dura realidade (Lopes, 2007). 

Em todas as áreas do Ocidente, aproximadamente metade das pessoas encaminhadas aos serviços de emergência dos hospitais após uma tentativa de suicídio estavam sob efeito de álcool. Os casos de suicídio entre os dependentes de álcool são mais frequentes do que entre os que não o consomem (Lopes, 2007). 

Pressão da vida moderna 

No Japão, a taxa de suicídio entre os jovens é uma das mais altas do mundo, resultado da intensa pressão familiar e social por desempenho acadêmico e sucesso profissional. Segundo a OMS, o país lidera o ranking anual de suicídios, com 24,1 casos por 100 mil habitantes, motivados por fatores como competição escolar, dificuldades no mercado de trabalho e exigências de uma sociedade rigorosa (Lopes, 2007). 

Homossexualidade   

Entre os homossexuais, um dos maiores índices de suicídio é observado. Os homossexuais morrem três vezes mais por suicídios do que os heterossexuais. Vários fatores contribuem para esse índice elevado. Mesmo que os ativistas sociais se esforcem para demonstrar a normalidade e a naturalidade da homossexualidade, não conseguem anular o intenso conflito que esse grupo vivencia (Lopes, 2007). 

O homossexual é uma pessoa que luta com sua própria mente, corpo e alma. Até mesmo as famílias mais liberais não veem o homossexualismo como uma excelente opção de vida. A simples manifestação de uma tendência homossexual em alguém da família já causa sofrimento, vergonha e dor à família. Desde a infância, os homossexuais são marcados pelo preconceito. A mesma sociedade que louva as manifestações da comunidade LGBTQIAPN+, trata os homossexuais com discriminação (Lopes, 2007). 

Radicalismo religioso 

Karl Marx se referiu à religião como “o ópio do povo”. A fé, quando usada como mecanismo de dominação, pode alienar o indivíduo da realidade social. Ela tem o poder de envenenar os indivíduos com ódio ou deturpá-los com falsidades perigosas (apud Lopes, 2007).  

Jim Jones causou o suicídio coletivo de 912 indivíduos em Jamestown, na Guiana, em 1978, ao levá-los a consumir uma substância tóxica. Centenas de indivíduos, iludidos por promessas falsas, ingeriram veneno como se embarcassem numa nave espacial em direção à felicidade eterna (apud Lopes, 2007). 

Fatores de risco e de proteção  

Chamamos de grupo de risco uma classe de indivíduos que, devido a certas características ou à exposição a circunstâncias específicas, ficam mais propensos a desenvolver uma doença ou condição clínica. A característica dos fatores de risco varia, pois a genética, elementos da história pessoal e familiar, fatores culturais e socioeconômicos, eventos estressantes, características de personalidade e distúrbios mentais são alguns dos fatores que influenciam (Botega, 2015).  

Alguns aspectos são características pessoais inalteráveis e, mesmo não sendo passíveis de intervenções clínicas ou preventivas, atuam como indicadores práticos de risco de suicídio, como sexo, histórico de abuso sexual ou tentativa de suicídio. Outros elementos, como emoções e acesso a armas letais, podem ser alterados, tornando-se foco tanto da atenção clínica direcionada a um paciente quanto das estratégias de prevenção (Botega, 2015). 

Em relação aos fatores de risco, podemos destacar três categorias principais: fatores sociodemográficos, distúrbios mentais, fatores psicossociais e outros fatores. Nas características sociodemográficas, podemos destacar a predominância do sexo masculino, jovens-adultos e idosos, estados civis de viúvo, divorciado e solteiro, homossexuais e bissexuais, ateístas, protestantes tradicionais (Botega, 2015). 

No âmbito dos transtornos mentais, podemos destacar a depressão, o transtorno bipolar, o uso excessivo e dependência de álcool e outras substâncias, a esquizofrenia, os transtornos de personalidade – especialmente o borderline, comorbidades psiquiátricas, história familiar de doença mental, falta de tratamento ativo e continuado em saúde mental, ideação suicida, tentativa de suicídio e histórico familiar de suicídio (Botega, 2015). 

No âmbito dos fatores psicossociais, podemos citar as seguintes justificativas: abuso físico ou sexual, perda ou separação dos pais durante a infância, instabilidade familiar, falta de suporte social, desemprego, aposentadoria, violência doméstica, desesperança, desamparo, bullying, baixa autoestima, instabilidade emocional, características de personalidade como impulsividade e agressividade (Botega, 2015). 

Outros elementos que também merecem destaque incluem o acesso a armas de fogo, venenos, enfermidades físicas incapacitantes, dolorosas e terminais, desinteresse pelo tratamento, agravamento ou repetição de enfermidades prévias e uma relação terapêutica frágil ou instável (Botega, 2015). 

Fatores de risco que ocorreram em um passado remoto (predisponentes) tendem a ser menos lembrados quando um suicídio acontece. Inicialmente, há uma tendência da sociedade e dos meios de comunicação buscarem o fator ou os fatores mais recentes (proximais ou precipitantes) que possam elucidar a morte (Botega, 2015).  

Em relação aos fatores de proteção, destacam-se basicamente quatro grandes grupos: personalidade e estilo cognitivo, estrutura familiar, elementos socioculturais e outros elementos. Em relação ao grupo de personalidade e estilo cognitivo, ressalta-se a adaptabilidade cognitiva, a prontidão para pedir conselhos em decisões cruciais, a abertura para ouvir experiências alheias, a capacidade de se comunicar, a capacidade de avaliar corretamente a realidade e a capacidade de resolver problemas da vida (Botega, 2015).  

Na estrutura familiar, é notável o bom relacionamento interpessoal, o senso de responsabilidade em relação à família, a presença de crianças pequenas, pais presentes e constantes, além do suporte em momentos de necessidade (Botega, 2015). 

Os jovens costumam recorrer a métodos menos letais e, frequentemente, lidam com situações de conflito interpessoal e têm menor estabilidade emocional. Os mais velhos costumam recorrer a métodos mais destrutivos na tentativa de suicídio. Tendem a ter um maior nível de intenção suicida e tendem a estar mais deprimidos – alguns exagerando no consumo de álcool (Botega, 2015). 

Geralmente, as taxas de suicídio entre pessoas viúvas, separadas e divorciadas são quatro vezes superiores às de indivíduos casados. Os solteiros têm o dobro da taxa em comparação aos casados. Embora adultos casados apresentem taxas de suicídio reduzidas, casais mais jovens correm um risco maior quando envolvidos em relações conflituosas e violentas (Botega, 2015). 

Meios de intervenções utilizados na atualidade para casos de ideação e tentativas de suicídio 

Para além do conceito convencional de ações preventivas nos níveis primário, secundário e terciário, surgiu a concepção de ações específicas voltadas para certos grupos, levando em conta suas condições de saúde e seu nível de risco para o suicídio (Botega, 2015). 

A prevenção abrangente é uma ação preventiva que abrange toda a população. Incluindo a limitação do acesso a recursos letais e soluções arquitetônicas destinadas a prevenir comportamentos suicidas (Botega, 2015). 

Na prevenção seletiva, o público-alvo é formado por pessoas que são mais propensas ao suicídio. Este grupo engloba indivíduos que enfrentam determinados distúrbios mentais e outros problemas de saúde (Botega, 2015). 

Já a prevenção indicativa é recomendada para grupos populacionais que apresentam um elevado risco de suicídio. Por essa razão, dar atenção especial a indivíduos que tentaram suicídio é uma das principais táticas na prevenção do suicídio. Apesar disso, é conhecido que, nos serviços de urgência, os casos de tentativa raramente recebem um cuidado adequado em saúde mental ou sequer são direcionados para um serviço especializado (Botega, 2015). 

Abordagem psicofarmacológica  

Valadas et al., (2021), ressalta que o suicídio está frequentemente ligado à existência de uma condição psiquiátrica, especialmente a depressão. A maior parte dos indivíduos que se suicidam procuraram serviços de saúde pouco antes de seu falecimento. A identificação e o tratamento da depressão são estratégias fundamentais na prevenção do suicídio, sendo o uso de antidepressivos uma alternativa eficiente e prática.  

Conforme Valadas et al., (2021) é crucial a combinação terapêutica com antidepressivos, benzodiazepínicos, estabilizadores de humor e até mesmo antipsicóticos.  

No tratamento com antidepressivos, são levadas em conta três etapas: a aguda, a de continuidade e a de manutenção. 

Segundo Valadas et al., (2021), a fase aguda se refere aos momentos iniciais do tratamento, quando a manifestação dos sintomas depressivos é mais intensa. Nessa etapa, a meta é eliminar o sofrimento emocional e o dano funcional. A reavaliação do paciente deve ocorrer em 3 a 4 semanas após o início do tratamento com antidepressivo, ou mais cedo em situações de suspeita de ideação suicida, se o paciente for menor de 30 anos, ou em situações de piora do quadro.  

Após a remissão dos sintomas agudos iniciais, a meta principal é evitar uma nova recaída. Segundo recomendações de Valadas et al., (2021), após a remissão dos sintomas, deve-se continuar a tomar o antidepressivo por um período de seis a nove meses, no caso de um primeiro episódio de depressão. Em pacientes com um ou mais episódios anteriores, a continuidade do tratamento deve ser de, pelo menos, dois anos. 

Abordagem psicoterapêutica  

De acordo com Valadas et al., (2021), as intervenções psicoterapêuticas podem ser adotadas no manejo de transtornos mentais, empregando a linguagem, a comunicação e a interação com um terapeuta qualificado como meios de provocar uma mudança. As psicoterapias são realizadas em contexto ambulatorial, oferecendo uma opção no tratamento de transtornos mentais que pode ser incorporada ao tratamento medicamentoso. 

Para o êxito de qualquer intervenção, é imprescindível o estabelecimento de um vínculo terapêutico. A elaboração de um plano de segurança é uma tática de base cognitiva e comportamental que deve ser implementada em todos aqueles que estão passando por pensamentos suicidas, com o objetivo de auxiliá-los a superar uma crise suicida severa (Valadas et al., 2021). 

É importante enfatizar a função da terapia breve de suporte na atuação em situações de crise. Trata-se de um método empregado para auxiliar em circunstâncias ligadas a eventos de vida desfavoráveis. Alguns componentes desta terapia de apoio são integrados em outras abordagens psicoterapêuticas (Valadas et al., 2021).  

Segundo Valadas et al., (2021), as psicoterapias podem ser incorporadas ao plano terapêutico de pacientes com risco de suicídio, contudo, não se apresentam como uma alternativa em circunstâncias de alto risco.  

Valadas e colaboradores (2021), relata que é aconselhável o uso de psicoterapia cognitivo-comportamental, terapia breve de suporte ou psicoterapia interpessoal em pessoas com histórico de comportamentos suicidas. Em situações de transtorno de personalidade borderline, a terapia comportamental dialética é a mais recomendada, com a expectativa de melhor adesão ao tratamento e diminuição dos comportamentos suicidas. 

Dutra et al., (2018) analisaram, por meio de um estudo, que uma das estratégias mais recorrentes entre os sobreviventes de um suicídio é se apegar a Deus, o que para muitos se tornou um importante suporte na recuperação. Os parentes também destacaram a importância do apoio de amigos e vizinhos na reconstrução da vida.  

A assistência dos especialistas em saúde também foi mencionada como uma estratégia, destacando o papel do psicólogo. No entanto, também houve relatos de indivíduos que optaram por se isolar. A eliminação de itens que remetiam ao ocorrido também foi mencionado como um dos métodos, como também a mudança de residência e até mesmo de cidade, para atenuar a dor e vencer a desordem existente nas famílias (Dutra et al., 2018). 

Dutra et al., (2018) defendem que o luto possui sua relevância, pois provoca uma mudança psicossocial significativa afetando áreas cognitivas, emocionais, físicas, religiosas, familiares e culturais. Segundo os autores, surgem indícios de recordações passadas, pesadelos e imagens perturbadoras do evento, especialmente durante os sonhos. Esses dados sugerem que o suicídio deixa marcas que não podem ser apagadas. 

Segundo o Instituto Alere (2024), dentre as possíveis intervenções estão: redução do preconceito, gestão de drogas, grupos de apoio para pessoas que sobreviveram a tentativas de suicídio, centros de assistência para indivíduos em situação de crise, capacitação de socorristas e capacitação para clínicos gerais, canais de suporte, assistência psicológica e de saúde mental, orientações para a imprensa; ensino acerca da saúde mental, limitação do acesso à recursos e combate ao suicídio através da internet. 

Setembro amarelo, mês de prevenção ao suicídio 

Janeiro Branco, setembro amarelo, outubro rosa, novembro azul, novembro lilás, dezembro laranja, dezembro vermelho, mas o que essas cores simbolizam e por que o calendário colorido da saúde foi estabelecido? Qual é o sentido de cada um? O calendário colorido da Saúde foi criado para alertar a população sobre o período de incidência de certas doenças e promover a prevenção e o tratamento dessas condições (Rodrigues, 2022). 

No mês de setembro de 1994, nos Estados Unidos, o adolescente Mike Emme tirou a própria vida. Ele tinha um Mustang 68 amarelo e, no dia do seu funeral, seus pais e amigos optaram por distribuir cartões envoltos em fitas amarelas com mensagens de conforto para indivíduos que possam estar lidando com questões emocionais. A iniciativa resultou em um movimento de prevenção ao suicídio, cujo emblema até hoje permanece sendo uma fita amarela (Prefeitura de Bossoroca – RS, 2021). 

Araújo (2021) destaca que a iniciativa setembro amarelo foi estabelecida em 2015 pela Associação Brasileira de Psiquiatria em colaboração com o Conselho Federal de Medicina, visando aumentar a conscientização e a prevenção do suicídio, além de desafiar o estigma e a discriminação associados às enfermidades mentais. No entanto, a ampliação da campanha para todo o mês de setembro tem gerado, nos últimos anos, um efeito oposto ao pretendido: a comercialização e a desinformação sobre comportamentos suicidas.  

Várias pessoas criticam fortemente o setembro amarelo, alegando que não é apenas em setembro que as pessoas atentam contra a própria vida e que falar sobre o tema pode estimular ou levar indivíduos a desejarem acabar com tudo. Isso pode ser um pouco incoerente, pois se fosse assim, não teríamos o outubro rosa, já que não é um tema exclusivo deste mês, mas é quando há uma maior concentração de campanhas. Com o setembro amarelo não é diferente, permite dar ênfase à questão e, através do conhecimento, auxiliar pessoas a terem uma consciência mais apurada, facilitando o encaminhamento para serviços especializados (Rodrigues, 2022).  

Ao longo do tempo, o setembro amarelo tem recebido críticas de alguns especialistas e profissionais de saúde mental, que ressaltam a mercantilização e a falta de informação precisa em torno do movimento. Muitas vezes, a campanha é explorada como uma estratégia de marketing por empresas, desvirtuando seu verdadeiro propósito de conscientização e prevenção. Ademais, há críticas sobre a generalização do assunto e a omissão das causas subjacentes do sofrimento psicológico, que frequentemente envolvem questões sociais e estruturais, como desigualdade, preconceito e a escassez de acesso a serviços de saúde mental (Araújo, 2021). 

A questão da prevenção do suicídio é um assunto que requer esclarecimento, especialmente ao analisarmos os dados epidemiológicos: cerca de 80% das mortes por suicídio no mundo acontecem em países em desenvolvimento. Nos países de alta renda, a taxa de suicídio é elevada entre populações vulneráveis e marginalizadas. 

No Brasil, os grupos que apresentam as taxas mais altas de suicídio são aqueles que enfrentam maior violência, incluindo as comunidades indígenas, negras, LGBTQIAPN+ e as pessoas idosas. Assim, fica evidente a conexão entre suicídio e violência estrutural10, o que torna a formulação de políticas de prevenção mais complexa, exigindo abordagens universais, seletivas e específicas (Araújo, 2021). 

Um dos dados imprecisos que circulam durante o setembro amarelo – disseminado por alguns “especialistas” e oportunistas – é a afirmação de que 90% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais. Esse dado, já contestado devido à sua fragilidade metodológica, originou-se de pesquisas que analisaram retrospectivamente mortes por suicídio no final dos anos 1990 e no início dos anos 2000. Essas pesquisas estão fundamentadas em uma perspectiva excessivamente medicalizada do fenômeno humano, que acaba por reduzir o suicídio a uma mera patologia (Araújo, 2021).

A disseminação irresponsável desses dados segue uma lógica mercadológica. Neste mês, testemunhamos um aumento acentuado no número de profissionais da saúde mental e da administração de empresas que oferecem soluções milagrosas para o comportamento suicida, abrangendo abordagens comportamentais, motivacionais ou farmacológicas. Alguns chegam ao ponto de prometer a erradicação total dos suicídios no Brasil, algo sem precedentes na história humana (Araújo, 2021).  

Assim, um fenômeno que é, na verdade, determinado socialmente, como o suicídio, transforma-se em tema de discursos que individualizam e patologizam, sendo reduzido a uma anormalidade a ser corrigida. Isso resulta em uma dinâmica semelhante à da Idade Média, onde o indivíduo com tendências suicidas eram vistas como alvo de culpa e expiação por seu sofrimento diabólico (Araújo, 2021). 

Nos últimos anos, a ampliação da campanha ao longo de todo o mês de setembro gerou um efeito inverso ao desejado: a comercialização e a disseminação de informações incorretas sobre o suicídio. Esse período se tornou uma “tendência de mercado”, onde tanto profissionais qualificados quanto não qualificados, influenciadores, celebridades e políticos exploram a questão social do suicídio como uma forma de se promover (Araújo, 2021). 

CVV – Centro de Valorização da Vida 

Rodrigues (2022) descreve o Centro de Valorização à Vida (CVV) como uma das organizações não governamentais mais antigas do Brasil. Estabelecido em São Paulo em 1962, presta assistência emocional e prevenção ao suicídio através do número 188, bem como através de chat, e-mail e presencialmente.  

Atualmente, aproximadamente 4 mil voluntários, distribuídos em mais de 120 locais, oferecem serviço voluntário e sem custos 24 horas por dia, 365 dias por ano, aos que desejam e necessitam expressar seus sentimentos, dores, descobertas e desafios (Rodrigues, 2022). 

O voluntário do CVV, de maneira discreta e isenta de julgamentos, escuta a pessoa que telefona com profundo respeito, aceitação, confiança e entendimento, valorizando a vida e, consequentemente, evitando o suicídio. Em um terço dos países, a juventude representa o grupo mais suscetível a riscos de suicídio segundo Rodrigues (2022). 

Morte digna: entre eutanásia, ortotanásia e distanásia 

A morte, embora natural e inevitável, desperta inúmeros dilemas quando associada à dor, sofrimento e ao prolongamento artificial da vida. Nos debates contemporâneos sobre bioética e saúde, práticas como a eutanásia, a ortotanásia e a distanásia ganham destaque por abordarem distintas formas de lidar com o fim da vida. A eutanásia refere-se ao ato intencional de provocar a morte de um paciente, com o seu consentimento, visando à eliminação de um sofrimento extremo e irremediável. A ortotanásia, por sua vez, consiste na aceitação da morte natural, sem o uso de procedimentos invasivos ou tecnologias que apenas prolonguem artificialmente a vida. Em contraste, a distanásia caracteriza-se pela manutenção obstinada da vida biológica, ainda que isso implique sofrimento adicional e sem benefícios reais ao paciente (Silva; Dall’Aglio, 2018). 

Essas práticas se conectam, ainda que indiretamente, ao debate sobre o suicídio, especialmente quando se consideram os casos em que o desejo de morrer surge como uma resposta ao sofrimento insuportável. No suicídio, a decisão é muitas vezes solitária, impulsiva e relacionada a transtornos psíquicos ou contextos de desamparo. Já a eutanásia é uma escolha regulada, mediada por critérios éticos, médicos e legais, em geral aplicada a pacientes em estágios terminais e conscientes de sua condição. Ambas, contudo, tocam na mesma questão central: o direito à autonomia sobre a própria vida e morte. O desafio ético que se impõe é distinguir entre o desejo de morrer como expressão de desespero e o desejo de morrer como uma escolha racional diante do sofrimento inevitável (Pessini; Barchifontaine, 2006). 

Nesse contexto, os cuidados paliativos surgem como uma alternativa ética e humanizada à distanásia e à eutanásia. Fundamentados no princípio do respeito à dignidade do paciente, os cuidados paliativos buscam aliviar a dor física e o sofrimento emocional, espiritual e social, sem apressar nem prolongar o processo de morte. A ortotanásia é prática compatível com esse modelo, pois permite que a morte ocorra de forma natural, sem intervenções desnecessárias, oferecendo ao paciente e à família um espaço de acolhimento, escuta e cuidado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2014), cuidados paliativos devem ser ofertados de forma integral, respeitando os valores, as crenças e os desejos da pessoa enferma, de modo a garantir uma morte digna e com qualidade (Moraes; Leite, 2021). 

Posvenção: cuidados após o suicídio 

A posvenção refere-se ao conjunto de ações realizadas após um suicídio consumado ou uma tentativa, voltadas para oferecer suporte às pessoas diretamente afetadas, como familiares, amigos e a comunidade. Essas intervenções têm como objetivo aliviar o sofrimento psíquico, prevenir o luto complicado e reduzir o risco de suicídios subsequentes entre os enlutados, que constituem um grupo vulnerável (Andriessen, 2009). A Organização Mundial da Saúde (2014) reconhece que a posvenção é uma dimensão fundamental da prevenção do suicídio, uma vez que a exposição ao suicídio de alguém próximo aumenta o risco de sofrimento emocional intenso e comportamentos autolesivos em sobreviventes. 

Entre as principais estratégias de posvenção estão o acompanhamento psicológico individual e em grupo, grupos de apoio para enlutados, ações escolares e comunitárias, além do acolhimento por equipes multiprofissionais treinadas. Intervenções como visitas domiciliares, acolhimento espiritual e orientações sobre o processo de luto também são recomendadas (Botelho et al., 2021). Além disso, o fortalecimento de redes de apoio e a redução do estigma relacionado ao suicídio são aspectos centrais para garantir um ambiente de escuta, empatia e cuidado contínuo (Minayo; Cavalcante, 2013). 

Apesar da crescente valorização da posvenção nas políticas públicas de saúde mental, muitos desafios ainda dificultam sua implementação efetiva, como a falta de recursos, a carência de profissionais capacitados e o estigma cultural que ainda envolve o suicídio (Brasil, 2023). Dessa forma, é fundamental que estratégias de posvenção sejam integradas de maneira sistemática aos programas de prevenção ao suicídio, garantindo ações coordenadas e sensíveis ao sofrimento dos enlutados. A promoção de campanhas educativas e a valorização de espaços de fala podem contribuir para que o suicídio deixe de ser um tabu e se torne uma questão de saúde pública tratada com responsabilidade, ética e compaixão. 

METODOLOGIA 

O método de pesquisa descritiva e exploratória foi empregado para descrever e investigar o tema proposto, por meio de uma análise detalhada sobre o suicídio. Foi realizada uma revisão bibliográfica extensa e detalhada, com o propósito de examinar as teorias e conceitos mais relevantes sobre o assunto (Cavalcante, 2020).  

Dentro da abordagem qualitativa podemos encontrar as pesquisas exploratórias que, como o próprio nome diz, explora um problema fornecendo informações para uma investigação mais precisa. Existem ainda os estudos descritivos que fornecem informações adicionais sobre o tema pesquisado, associando-se de forma eficaz a pesquisa exploratória (Qualibest, 2020). 

O presente trabalho buscou demonstrar dados estatísticos anuais referentes a jovens-adultos, os fatores de risco e as estratégias empregadas, combinando informações primárias (artigos), secundárias (livros, artigos de revisão) e terciárias (bibliografias, resumos). 

Para o referencial teórico foram escolhidos 10 artigos completos e dois livros: Crise Suicida: Avaliação e Manejo (Botega, 2015); Suicídio: Causas, Mitos e Prevenção (Lopes, 2007), além de sites como o próprio Scielo e o Google Acadêmico.  

Um dos critérios de exclusão de artigos foi pesquisas que haviam sido realizadas de maneira isolada em uma cidade ou região específica do Brasil, ou até mesmo fora do território nacional. Outro critério de exclusão foi estabelecido após a avaliação de alguns títulos e resumos, nos quais nada foi identificado que pudesse contribuir para o trabalho proposto ou que abordavam assuntos que um outro artigo já explanava.  

Outra questão importante foi a inclusão de artigos que abordassem a historicidade do suicídio, aspectos biológicos, psicológicos e sociais em geral no Brasil. 

DISCUSSÃO DO TCC 

Uma das constatações mais significativas desta pesquisa foi a comprovação de que, na literatura disponível, não encontra-se uma avaliação integrada dos aspectos biológicos, psicológicos e sociais ligados ao suicídio. 

Consequentemente, os artigos tratam apenas de um desses aspectos de forma isolada. Contudo, para um entendimento mais profundo e eficiente deste fenômeno, é crucial integrar esses fatores, pois estão intrinsecamente ligados e influenciam de maneira mútua a expressão deste comportamento (Frankl, 2022; Joiner, 2005). 

A medida que integra esses três fatores – biológico, psicológico e social – dentro de uma análise integrativa a pesquisa buscou contribuir de maneira significativa para esta lacuna na literatura. 

De acordo com Schmaal e Harmelen (2019) este método integrado oferece uma perspectiva mais abrangente e exata das causas e dos processos que levam ao suicídio, possibilitando estratégias mais compreensivas e eficientes para a prevenção deste incidente. 

Além disso, o estudo identificou que a maior parte dos casos encontrados estão ligados a uma determinada faixa etária – jovens-adultos de 15 a 29 anos. Isso evidencia a relevância da concentração de esforços na prevenção destinada a esta faixa etária, que está suscetível aos fatores de risco abordados. 

Pensadores como Viktor Frankl (2022) e Thomas Joiner (2005) contribuíram de forma significativa para esta visão integrada. Frankl (2022), com sua Logoterapia, argumenta que a falta de sentido na vida é um fator central para o suicídio. 

Joiner (2005), por meio da Teoria Interpessoal, sugere que o suicídio ocorre quando a pessoa se sente um fardo para os outros, está isolada e não teme a dor ou a morte. Ambos enfatizam que o suicídio não é uma escolha impulsiva, mas sim o resultado de uma combinação de fatores psicológicos e sociais. 

As ideias sobre o suicídio mudaram ao longo da história, dependendo dos valores de cada época. Na Antiguidade, algumas culturas viam o suicídio como uma forma de preservação da honra, enquanto outras o restringiam. Com o Cristianismo, especialmente a partir de Santo Agostinho, passou-se a considerá-lo um pecado grave, pois a vida era vista como um dom de Deus. 

Na Renascença e na Revolução Francesa, o sofrimento humano foi reconhecido como uma justificativa válida para o suicídio, e a autonomia individual começou a ser mais valorizada. Em certas culturas, como a japonesa, o suicídio era considerado um ato de honra e bravura. 

Constantemente, o suicídio é visto como uma tentativa de escapar de um sofrimento insuportável, não como uma procura pela morte em si, mas como um esforço para se libertar da dor emocional ou existencial. 

As perspectivas de Frankl e Joiner, aliadas à análise histórica e cultural, realçam a complexidade deste fenômeno, demonstrando a relevância de entender o suicídio não somente como uma ação individual, mas também como um espelho das circunstâncias sociais e existenciais do indivíduo. 

O suicídio é tratado de maneiras distintas pelas religiões, que influenciam a visão social e as atitudes individuais sobre a vida, a morte e o sofrimento. Essas interpretações religiosas desempenham um papel importante na prevenção do suicídio, seja por meio do apoio das comunidades religiosas ou pelas posturas adotadas diante desse ato (Botega, 2015). 

Religiões tradicionais como o Judaísmo, Cristianismo, Islã e Hinduísmo geralmente condenam o suicídio, considerando-o uma transgressão à vida e ao plano divino. No entanto, há um crescente reconhecimento do sofrimento mental, especialmente no Judaísmo e no Cristianismo (Botega, 2015). 

O Protestantismo enfatiza a liberdade individual, enquanto o Islã o vê como pecado, mas em casos extremos pode ser interpretado como martírio. O Hinduísmo considera o suicídio um obstáculo ao progresso espiritual (Botega, 2015). 

Apesar das diferenças, as religiões desempenham um papel essencial na formação moral, na saúde mental e no apoio social das comunidades (Botega, 2015). 

Contudo, as posturas religiosas em relação ao suicídio, frequentemente carregadas de julgamento e estigma, podem ser danosas, impedindo os indivíduos aflitos de procurar ajuda. A punição severa ao suicídio pode intensificar o isolamento emocional, tornando mais difícil a recuperação e o tratamento (Botega, 2015). 

Portanto, a religião tem um papel vital na prevenção do suicídio, mas é necessário que se adapte para se tornar mais inclusiva e atenta aos desafios emocionais e psicológicos enfrentados pelos indivíduos em sofrimento (Botega, 2015). 

Destarte, as religiões podem contribuir significativamente para a criação de uma sociedade mais empática e solidária, onde a saúde mental seja uma prioridade, ajudando a evitar tragédias como o suicídio (Botega, 2015). 

Nos últimos anos, o aumento da taxa de suicídio entre jovens adultos, particularmente entre 15 e 29 anos, tornou-se um problema de saúde pública urgente tanto no Brasil quanto no mundo (Braun et al., 2023; Brasil, 2024). 

A pesquisa aponta que compreender os fatores biopsicossociais envolvidos no suicídio é essencial para a criação de estratégias preventivas eficazes e para a implementação de políticas de saúde mental acessíveis. 

Segundo Botega (2015), embora a taxa de suicídios no Brasil seja inferior à de outros países, os números ainda são preocupantes, com 11.821 ocorrências em 2012, o que coloca o Brasil em oitavo lugar no ranking mundial. 

Um aspecto alarmante é a desigualdade de gênero: em que 79% dos casos são homens, o que pode ser justificado por questões culturais e sociais que inibem a expressão de sentimentos e a procura por auxílio (Botega, 2015). 

No período de 1980 a 2006, observou-se um crescimento nas taxas de suicídio entre jovens-adultos no Brasil, refletindo obstáculos como pressões acadêmicas, problemas financeiros e incertezas no ambiente laboral. 

Esses dados ao redor do mundo variam de acordo com o acesso a serviços de saúde mental e as políticas públicas implementadas. Em diversas nações, o preconceito cultural obstrui a discussão sobre o assunto, prejudicando a prevenção. 

Sob uma perspectiva biológica, progressos na neurociência indicam que certas mudanças cerebrais podem estar ligadas ao comportamento suicida. Essas mudanças cerebrais complicam o controle dos impulsos e agrava os pensamentos negativos, tornando a pessoa mais propensa ao suicídio. 

Contudo, o impacto dos elementos biológicos não é determinante por si só, sendo intensificado por elementos psicológicos e sociais. De acordo com Schmaal e Harmelen (2019), não há indicadores neurobiológicos definitivos que possibilitem a previsão com exatidão da incidência de suicídios, evidenciando a complexidade deste fenômeno. 

Do ponto de vista sociológico, o suicídio entre jovens está intrinsecamente ligado às transformações culturais e estruturais da sociedade. A avaliação de Durkheim (1996) acerca do suicídio ressalta o impacto da desintegração dos vínculos sociais e da crise de valores coletivos como elementos que favorecem o crescimento dos casos (apud Botega, 2015). 

Atualmente, as exigências para alcançar sucesso profissional, acadêmico e social têm aumentado, em grande parte devido às redes sociais, que intensificam comparações e geram sentimentos de inadequação. A busca incessante por validação digital pode diminuir a autoestima e promover o isolamento emocional (Botega, 2015). 

No contexto psicológico, os transtornos mentais são um dos fatores de risco mais significativos para o suicídio. Em particular, a depressão está frequentemente ligada a suicídios entre jovens-adultos, uma vez que gera sentimentos intensos de desespero, isolamento e ausência de perspectivas futuras. 

Segundo Lopes (2007), o transtorno depressivo maior está fortemente associado ao risco de suicídio, particularmente em pessoas que não recebem tratamento adequado. Além disso, transtornos de ansiedade, distúrbios alimentares e o abuso de substâncias psicoativas agravam o sofrimento emocional e comprometem a capacidade de enfrentar os desafios diários. 

Freud (1987) sugeriu que, no caso do suicídio, o ato é uma maneira de anular psicologicamente a perda e, simultaneamente, punir o ambiente ou a pessoa que causou o sofrimento. Portanto, a destruição de si mesmo seria uma retaliação simbólica contra o que ou quem provocou o desespero. 

Esta interpretação psicanalítica do suicídio destaca a complexidade dos processos psicológicos implicados, mostrando que o intenso sofrimento emocional pode levar à negação do próprio valor e à procura pela destruição como meio de enfrentar a dor. 

Em O Homem Contra Si Mesmo, Karl Menninger (1985) expande a visão psicanalítica do suicídio, baseando-se nas ideias de Freud (1987) sobre a introjeção da agressividade. Menninger identifica três aspectos centrais no comportamento suicida: o desejo de matar, o desejo de ser morto e o desejo de morrer. 

Ele argumenta que o suicídio é mais do que um ato de autodestruição, sendo um fenômeno complexo que envolve sentimentos de vingança, culpa e punição, além de um possível desejo inconsciente de voltar ao estado de serenidade intrauterina. 

A teoria de Menninger oferece uma compreensão mais profunda do suicídio, indo além de sua dimensão clínica e explorando aspectos psicológicos subjacentes. 

Esta visão psicanalítica ainda exerce influência na compreensão do suicídio, porém não deve ser analisada de forma isolada. Atualmente, está claro que o comportamento suicida é resultado de uma combinação de elementos biológicos, psicológicos e sociais. 

A psicanálise auxilia ao desvendar os conflitos internos do sujeito, contudo, a prevenção efetiva do suicídio requer estratégias multidisciplinares que incluam apoio emocional, tratamento psiquiátrico e políticas públicas que diminuam fatores de risco, como a marginalização social e o obstáculo ao acesso a serviços de saúde mental. 

A teoria dos “cinco blocos do suicídio”, proposta por Edwin Shneidman em 1993, oferece uma abordagem estruturada para entender o processo que pode levar ao comportamento suicida. Ela destaca momentos-chave para intervenções, tornando a prevenção mais eficaz. 

A principal importância dessa teoria é permitir a interrupção do ciclo suicida antes que se concretize. Assim, as estratégias de prevenção devem focar na identificação precoce dos sinais de risco, no tratamento de distúrbios mentais, no fortalecimento das redes de apoio e na restrição ao acesso a métodos letais. 

A sensibilização da sociedade acerca do sofrimento mental e a diminuição do preconceito ligado à saúde mental são essenciais para que mais indivíduos procurem auxílio antes de alcançarem as fases mais avançadas do processo suicida, enfatizando a importância de uma estratégia abrangente, preventiva e personalizada no combate ao suicídio de acordo com a teoria de Shneidman. 

Além disto, aspectos econômicos têm um papel fundamental no crescimento do suicídio entre jovens-adultos. A insegurança no mercado laboral, o desemprego e a ausência de possibilidades profissionais provocam frustração e insegurança, intensificando sentimentos de desespero. 

A desigualdade social e a falta de apoio da comunidade também intensificam essa circunstância, contribuindo para um período de grande fragilidade emocional na juventude. 

Dada a complexidade dos elementos que levam ao suicídio entre jovensadultos, a prevenção deve ser feita através de uma estratégia integrada e multidisciplinar. É crucial que as políticas governamentais de saúde mental assegurem o acesso simplificado a tratamentos psicológicos e psiquiátricos, bem como incentivando a formação de profissionais da saúde para reconhecer precocemente indícios de angústia emocional. 

Para entender o suicídio em jovens-adultos, é necessário um enfoque integrador que leve em conta os fatores biológicos, psicológicos e sociais ao mesmo tempo, já que esses aspectos estão interligados e afetam diretamente o comportamento suicida. Do ponto de vista biológico, pesquisas indicam mudanças notáveis em áreas do cérebro associadas à regulação emocional, como o córtex pré-frontal ventral e dorsal e o giro frontal inferior. Essas regiões estão envolvidas no controle de impulsos, na tomada de decisões e na manifestação de pensamentos negativos sobre o futuro (Schmaal & Harmelen, 2019).  

Essas mudanças podem afetar a habilidade da pessoa em lidar com frustrações e angústias diárias, principalmente quando combinadas com experiências de sofrimento psicológico intenso. O suicídio está psicologicamente ligado a condições como depressão, transtornos de personalidade e efeitos de traumas mal processados (Lopes, 2007). Ademais, pensadores como Beck (1964), Rogers (1942) e Ellis (1955) enfatizam o papel de pensamentos distorcidos, crenças disfuncionais e ausência de sentido existencial como fatores que contribuem para a ideação suicida (Botega, 2015). 

Fatores como desilusão amorosa, perdas financeiras, pressão por desempenho, homofobia e falta de apoio familiar intensificam a sensação de desamparo e solidão, principalmente em uma sociedade caracterizada pela desigualdade e marginalização de grupos vulneráveis (Lopes, 2007; Botega, 2015). A literatura indica que jovens que enfrentam adversidades sociais têm maior tendência a desenvolver depressão e impulsos autodestrutivos, especialmente quando não possuem recursos emocionais e uma rede de apoio (Oliveira; Farias, 2023).  

Portanto, levando em conta que as estruturas cerebrais alteradas interagem com crenças negativas internalizadas e contextos sociais excludentes, entende-se que o suicídio não deve ser encarado como um ato isolado ou puramente individual, mas como consequência de uma complexa combinação de vulnerabilidades. Essa abordagem multidimensional possibilita tanto um diagnóstico mais preciso quanto intervenções preventivas mais eficazes e humanizadas, que consideram a individualidade do sujeito e os contextos em que ele está inserido. 

A introdução de programas de sensibilização sobre saúde mental em escolas e universidades pode ter um impacto significativo na prevenção, motivando os jovens a procurar auxílio sem receio do preconceito social. 

Reduzir o preconceito sobre transtornos mentais é essencial para prevenir o suicídio entre jovens-adultos. Criar espaços mais seguros para que possam expressar suas emoções sem medo de julgamento, além de incentivar o diálogo sobre saúde mental e fortalecer redes de apoio, são ações chave para salvar vidas e diminuir as taxas de suicídio. 

Fatores como decepção amorosa, pressão social por sucesso, perda financeira, uso excessivo de substâncias e discriminação aumentam o risco de suicídio. A decepção amorosa pode levar à depressão e sofrimento, enquanto a pressão por êxito, especialmente entre os jovens, agrava o quadro (Lopes, 2007). 

A perda financeira também é um fator crítico, afetando principalmente aqueles acostumados a altos padrões de vida. O uso de álcool e drogas intensifica a impulsividade, tornando mais provável o comportamento suicida (Lopes, 2007). 

Além disso, a discriminação, especialmente contra a comunidade LGBTQIAPN+, resulta em taxas de suicídio significativamente mais altas, devido à marginalização e falta de apoio emocional (Lopes, 2007). 

A prevenção do suicídio requer uma abordagem integrada, com políticas públicas que ampliem o acesso à saúde mental, fortaleçam redes de apoio social e combatam o estigma sobre os transtornos psicológicos. O apoio familiar e a orientação profissional são essenciais para impedir que indivíduos em sofrimento considerem o suicídio como uma solução. 

As medidas preventivas podem ser classificadas em três etapas: primária, com foco em campanhas de conscientização e na restrição de métodos letais; secundária, voltada ao apoio psicológico e medicamentoso para pessoas em risco; e terciária, que busca evitar novas tentativas de suicídio, oferecendo apoio psicossocial intensivo a quem já passou por uma tentativa. 

O tratamento envolve a utilização de antidepressivos e estabilizadores de humor, particularmente em situações de depressão e transtorno bipolar, sendo crucial a sua combinação com métodos psicoterapêuticos. 

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) provou ser eficiente na alteração de padrões de pensamento negativos, ao passo que a Terapia Comportamental Dialética (DBT) ajuda pacientes com transtornos de personalidade borderline. Outro método importante é o plano de segurança, que reconhece indícios de perigo e cria mecanismos de suporte para situações de crise. 

O apoio social é fundamental para a recuperação de pessoas em situação de risco. O suporte de familiares, amigos e redes comunitárias pode oferecer amparo e diminuir o efeito da solidão e do isolamento. Portanto, a prevenção do suicídio exige uma ação conjunta entre a saúde pública, a psicologia e a sociedade, assegurando um ambiente de apoio e acolhimento para aqueles que experimentam dor intensa. 

Como abordado no referencial teórico, os filmes abordam o suicídio ao explorar as pressões sociais, emocionais e familiares que contribuem para esse ato. Close (2022) mostra como as expectativas sobre a masculinidade e a falta de comunicação emocional levam ao suicídio de Rémi, enquanto Orações para Bobby (2009) ilustra como a rejeição familiar devido à identidade sexual de Bobby intensifica sua dor emocional. 

Ambos os filmes destacam que o suicídio é resultado de fatores como isolamento e a falta de apoio. Eles enfatizam a importância de criar ambientes seguros para os jovens se expressarem e a necessidade de maior empatia e aceitação social para prevenir o suicídio. 

A campanha Setembro Amarelo desempenha um papel fundamental na conscientização sobre a prevenção do suicídio e na promoção da saúde mental, com foco na redução do estigma associado ao tema e na ampliação do acesso ao suporte psicológico. Iniciativas como a do Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito, são essenciais nesse contexto. 

Contudo, apesar da crescente visibilidade das campanhas, persiste a discussão sobre sua real eficácia na prevenção do suicídio, além de preocupações acerca da mercantilização da saúde mental, o que levanta questões sobre a abordagem e os impactos a longo prazo dessas ações na sociedade. 

Muitas companhias empregam o movimento como estratégia de marketing, desviando-se do propósito de oferecer suporte autêntico a quem sofre. Também, a noção de que 90% dos suicídios estão diretamente relacionados a distúrbios mentais simplifica uma questão que também engloba desigualdade social, preconceito e ausência de acesso a atendimento psicológico adequado. 

A luta contra o suicídio demanda uma abordagem multifacetada, que envolva a promoção da educação em saúde mental, o fortalecimento das redes de apoio e a garantia de acesso facilitado a serviços psicológicos (Fleck, 2016). A mudança cultural, especialmente no que diz respeito à aceitação da vulnerabilidade emocional, é um aspecto fundamental para mitigar os impactos dessa realidade (Brasil, 2019). 

Para que haja avanços significativos, é necessário que as políticas públicas priorizem a saúde mental, combatendo o estigma e criando ambientes seguros para a expressão emocional. Além disso, é crucial oferecer suporte adequado aos jovens que enfrentam momentos de crise, com ênfase na redução da solidão e no estímulo à busca de ajuda profissional (Fleck, 2016). 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O suicídio é uma questão complexa que envolve dimensões biológicas, psicológicas, sociais, culturais e espirituais, principalmente entre jovens-adultos, fatores como dificuldades interpessoais, pressão social e discriminação são determinantes, e a sociedade precisa trabalhar de forma conjunta para oferecer suporte psicológico e combater as desigualdades. Alguns autores ao longo deste trabalho ofereceram insights sobre este fenômeno, destacando a importância das relações interpessoais e das questões existenciais na ocorrência do suicídio. 

A história e as diversas religiões abordam o suicídio de formas diversas, refletindo a influência das normas sociais e espirituais, tornando essencial uma análise das interações entre o indivíduo e o contexto social e cultural. 

Há filmes como Close e Orações para Bobby que destacaram o efeito das pressões sociais, da comunicação insuficiente e da falta de apoio emocional dentro de casa, elementos esses fundamentais no crescimento dos casos de suicídio. 

Sobre a prevenção do suicídio, está exige ações diversificadas, envolvendo políticas públicas que promovam o bem-estar emocional e combatam o estigma em torno da saúde mental, além de intervenções medicamentosas, psicoterapêuticas e sociais. 

A prevenção do suicídio deve transcender iniciativas pontuais e se incorporar a políticas públicas permanentes. Estratégias eficientes englobam a expansão dos serviços de saúde mental, programas de suporte em escolas e ambientes de trabalho, bem como, a diminuição do preconceito relacionado à saúde mental. 

O trabalho colaborativo entre sistemas de saúde, comunidades e políticas públicas é essencial para detectar riscos precocemente e criar condições favoráveis à recuperação. 

Embora as campanhas de conscientização tenham papel importante na redução do estigma e no incentivo ao apoio psicológico, é necessário que sejam constantemente avaliadas quanto à sua eficácia. A mercantilização da saúde mental e a superficialidade de algumas iniciativas ainda geram desafios para que as ações preventivas sejam verdadeiramente eficazes. 

Para que haja avanços significativos, é essencial uma atuação mais ampla e coordenada entre políticas públicas, profissionais da saúde e a sociedade, com foco em estratégias que não só sensibilizem, mas também ofereçam soluções sustentáveis e inclusivas para os indivíduos em sofrimento. 

O acesso aos serviços de saúde mental, para casos desde a ideação suicida até a tentativa, apresenta desafios consideráveis devido à burocracia e à complexidade do sistema vigente. A exigência de realizar várias triagens e entrevistas, juntamente com o estigma social relacionado ao suicídio, desencoraja muitos indivíduos a procurar auxílio. Ainda que recebam atendimento, frequentemente são solicitadas atividades extras, como a participação em grupos de suporte.  

Por fim, reforça-se a importância de ampliar os espaços de diálogo e de desenvolver políticas públicas eficazes, voltadas à escuta, acolhimento e proteção dos jovens em sofrimento psíquico. Compreender o suicídio sob a ótica biopsicossocial é um passo essencial para quebrar o silêncio, reduzir o estigma e salvar vidas. 


3A Logoterapia, criada por Viktor Frankl, foca na busca de sentido e propósito na vida, baseando-se na liberdade de escolha, responsabilidade e busca por significado, promovendo resiliência e bem-estar emocional.

4Refere-se ao ritual suicida japonês reservado à classe guerreira, principalmente samurai, em que ocorre com tortura que consiste em abrir o ventre da vítima e extrair seus órgãos internos (vísceras).

5Eram pilotos da força aérea japonesa que, na Segunda Guerra Mundial, deliberadamente chocavam seus aviões, repletos de bombas, geralmente em navios da marinha americana.

6A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) auxilia na identificação e modificação de pensamentos distorcidos, tratando transtornos como depressão e ansiedade. Seu objetivo é promover habilidades para enfrentar problemas e melhorar a qualidade de vida.

7A Terapia Racional Emotiva Comportamental (TREC), desenvolvida por Albert Ellis, ajuda a identificar e substituir crenças irracionais por pensamentos saudáveis, melhorando a gestão das emoções e a resolução de problemas.

8A Terapia Comportamental Dialética (DBT), desenvolvida por Marsha Linehan, ajuda pacientes a lidar com emoções intensas, impulsividade e conflitos, combinando aceitação incondicional e a mudança de comportamentos disfuncionais e pensamentos negativos.

9James Warren “Jim” Jones foi um assassino em massa americano, fundador e líder da seita Templo do Povo entre 1955 e 1978.

10A violência estrutural é entendida como a restrição do acesso aos direitos básicos decorrente da estrutura dos sistemas econômico, social e político, tornando a vítima dessa violência mais vulnerável ao sofrimento e à morte.

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1Discente do Curso Superior de Psicologia do Centro Universitário de Desenvolvimento do Centro-Oeste Campus I. E-mail: walison820silva820@gmail.com
2Docente do Curso Superior de Psicologia do Centro Universitário de Desenvolvimento do Centro-Oeste Campus I. Professora Mestranda