AUTOCUIDADO NO CONTROLE DO DIABETES MELLITUS: REALIDADE DOS PACIENTES MARANHENSES

SELF-CARE IN THE MANAGEMENT OF DIABETES MELLITUS: THE REALITY OF PATIENTS IN MARANHÃO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511302002


Ana Elizabeth Serrão1; Carlos Eduardo Maciel Pinheiro2; Emelly Vitória Ferreira Fróes3; Elizelma Correa Pavão4; Hellen Samara Alves Froz5; Nargila Costa Fonseca6; Raynara Cristiny Meneses Araújo7; José Carlito do Nascimento Ferreira Júnior8


Resumo: 

O Diabetes Mellitus (DM) é um distúrbio metabólico caracterizado pela hiperglicemia persistente, que afeta órgãos como coração, vasos, olhos, rins e nervos. A doença resulta da ausência ou redução da ação da insulina, causando dificuldades no transporte de glicose para as células. O autocuidado é fundamental para o manejo adequado do DM, sendo essencial para o controle metabólico e prevenção de complicações. Foi realizada uma revisão narrativa qualitativa da literatura sobre práticas de autocuidado e fatores que influenciam sua adesão entre pessoas com DM no Maranhão. A busca abrangeu as bases SciELO, LILACS, Google Acadêmico e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, utilizando os termos “Diabetes Mellitus”, “autocuidado”, “prevenção” e “Maranhão”. Incluíram-se estudos originais, publicados entre 2018 e 2025, focados em DM e autocuidado, e excluíram-se duplicatas, editoriais, capítulos de livros e trabalhos fora do tema. A análise temática identificou quatro categorias principais: (1) conhecimento dos pacientes sobre DM; (2) adesão ao tratamento medicamentoso e autocuidado; (3) fatores que interferem no controle da doença; (4) estratégias educativas para promover o autocuidado e prevenir complicações. Os resultados apontaram desafios multifacetados como baixo conhecimento, baixa adesão e barreiras socioeconômicas. Intervenções multiprofissionais e educação em saúde que incentivem a participação ativa dos pacientes são essenciais para melhorar o controle glicêmico, prevenir complicações e elevar a qualidade de vida dos diabéticos no Maranhão. Investir em suporte integral ao paciente mostra-se crucial para o enfrentamento eficiente do DM na região.

Palavras-chave: Diabetes. Autocuidado. Prevenção. Tratamento. Maranhão.

Abstract:

Diabetes Mellitus (DM) is a metabolic disorder characterized by persistent hyperglycemia, affecting organs such as the heart, blood vessels, eyes, kidneys, and nerves. The disease results from the absence or reduction of insulin action, causing difficulties in glucose transport into the cells. Selfcare is fundamental for the proper management of DM, being essential for metabolic control and the prevention of complications.

A qualitative narrative review of the literature was conducted on self-care practices and factors influencing adherence among people with DM in Maranhão. The search covered the SciELO, LILACS, Google Scholar, and the Brazilian Society of Endocrinology and Metabology databases, using the terms “Diabetes Mellitus” , “autocuidado” , “prevenção”  and “Maranhão” . Original studies published between 2018 and 2025 focused on DM and self-care were included, while duplicates, editorials, book chapters, and studies outside the topic were excluded.

The thematic analysis identified four main categories: (1) patients’ knowledge about DM; (2) adherence to medication treatment and self-care; (3) factors interfering with disease control; (4) educational strategies to promote self-care and prevent complications. The results highlighted multifaceted challenges such as low knowledge, poor adherence, and socioeconomic barriers. Multiprofessional interventions and health education encouraging active patient participation are essential to improve glycemic control, prevent complications, and enhance the quality of life of diabetics in Maranhão. Investing in comprehensive patient support is crucial for the effective management of DM in the region.

Keywords: Diabetes. Self-care. Prevention. Treatment. Maranhão.

1. INTRODUÇÃO

O termo Diabetes Mellitus define um grupo de patologias crônicas de múltiplas origens, caracterizado por elevados níveis de glicose (ou açúcar) na corrente sanguínea, causando diversas alterações no coração, vasos sanguíneos, olhos, rins e nervos. Essa desordem metabólica é desencadeada devido à ausência e/ou diminuição da ação da insulina, o hormônio que transporta a glicose para o interior das células do corpo. (PAHO/OMS, 2023).

O DM (Diabetes Mellitus) possui diversas classificações, entre elas está o DM tipo 1 e o DM tipo 2, que possuem os maiores proporções de casos. O primeiro tipo, DM1, está relacionado à falência das células beta no pâncreas, em decorrência de uma ação auto imune. O segundo tipo, DM2, é deflagrado devido à resistência periférica à ação da insulina. Já as demais formas da doença podem manifestar-se por lesões anatômicas no pâncreas, seja por infecções, agressões tóxicas, compostos químicos, entre outros (SBEM, 2021).

A Federação Internacional de Diabetes (IDF) estima que, até 2045, 784 milhões de pessoas estarão vivendo com a doença, evidenciando um crescimento acelerado e suas implicações (SERRA, et al., 2023). Segundo (SAEEDI, et al., 2019), o diabetes é um grande problema de saúde pública mundial, independente do grau de desenvolvimento do País, em termos de número de pessoas afetadas, incapacitações, mortalidade prematura, custos envolvidos no controle e tratamento de suas complicações, sendo a quarta causa de morte no mundo e uma das doenças crônicas mais. 

A Organização Mundial de Saúde, propôs, no enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis, enfoque principal em quatro doenças onde o Diabetes Mellitus mereceu destaque especial e elegeu alguns fatores associados à obesidade que contribuem para o crescimento dessa doença (TOMIC, et al., 2022; OMS, 2023). 

No Maranhão, a realidade epidemiológica do Diabetes Mellitus e suas complicações é ainda mais preocupante. Segundo dados recentes, a taxa de mortalidade por diabetes no estado cresceu de 8,63 para 34,2 por 100.000 habitantes entre 2000 e 2015, superando a média nacional (OLIVEIRA NETO E AZULAY, 2020). O processo de urbanização tem provocado uma acentuada mudança nos hábitos de vida da população, podendo ser uma das causas da considerável frequência de obesidade, sedentarismo e tabagismo observado na população com DM no Maranhão. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, tais fatores podem ser importantes indutores do desenvolvimento da doença (FORTI, et al., 2019).

Para ajustes e manejo adequados da doença, se torna necessário o desenvolvimento de atividades de autocuidado, que incluem a adesão de uma alimentação saudável, prática de atividades físicas, monitorização da glicemia, cuidados com os pés, uso do medicamentos e suspensão do tabagismo, contribuindo, assim, para um controle satisfatório do Diabetes Mellitus (PORTELA, et al., 2021).

Portanto, esta pesquisa se dedica a responder a seguinte questão: Quais são os principais desafios enfrentados por pacientes diabéticos maranhenses no desenvolvimento do autocuidado para o controle da Diabetes Mellitus?

2. METODOLOGIA

Este estudo caracteriza-se como pesquisa exploratória e descritiva, com abordagem qualitativa, voltada para a análise de produções científicas sobre o Diabetes Mellitus, com ênfase nas práticas de autocuidado desenvolvidas por pacientes no estado do Maranhão. A busca foi efetuada nas bases SciELO, LILACS, Google Acadêmico e Sociedade Brasileira de Endocrinologia e

Metabologia, utilizando os descritores “Diabetes Mellitus”, “autocuidado”, “prevenção” e “Maranhão.

A busca foi efetuada nas bases SciELO, LILACS, Google Acadêmico e Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, utilizando os descritores “Diabetes Mellitus”, “autocuidado”, “prevenção” e “Maranhão”.   

Os critérios de inclusão foram: artigos científicos originais, publicados entre 2018 e 2025, descritos em português, que abordassem Diabetes Mellitus e autocuidado. Foram excluídos trabalhos duplicados, editoriais, capítulos de livros e estudos que não abordassem diretamente a temática proposta. A análise do material ocorreu por meio da técnica de análise de conteúdo, identificando desafios enfrentados e estratégias educativas relacionadas ao autocuidado.

Por se tratar de uma pesquisa bibliográfica, não foi necessária aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa, conforme Resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após uma análise temática,  emergiram quatro categorias que abrangem desde os aspectos relacionados ao conhecimento até a elaboração de estratégias de prevenção para pacientes maranhenses com Diabetes: (1) Grau de Conhecimento dos Pacientes Maranhenses sobre Diabetes Mellitus; (2) Comprometimento dos Pacientes Diabéticos com o Tratamento Medicamentoso e Adesão ao Autocuidado; (3) Fatores que impactam no controle e manejo Diabetes Mellitus no Maranhão; (4) Estratégias educativas e Intervenções para a Promoção do Autocuidado e Prevenção de Complicações do Diabetes Mellitus. A análise dessas categorias permitiu uma compreensão ampliada sobre os diversos aspectos que envolvem conhecimento e autocuidado de pacientes diabéticos no contexto maranhense.

3.1 Grau de Conhecimento dos Pacientes Maranhenses sobre Diabetes Mellitus

O conhecimento dos pacientes sobre suas próprias patologias é um fator fundamental que proporciona à equipe multiprofissional uma excelente oportunidade para melhorar a qualidade de vida desses pacientes (DIAS, et al., 2018).

Os pacientes diabéticos maranhenses apresentam, em geral, conhecimento limitado sobre a doença, com lacunas importantes acerca de tipos, exames, tratamentos e complicações, como retinopatia e pé diabético (PERREIRA, et al., 2019).

Níveis de conhecimento insatisfatórios sobre a patologia são observados em diversos estudos brasileiros e apesar dos pacientes entenderem a importância de dieta, uso de medicamentos e atividade física, o conhecimento mais detalhado da doença é insuficiente. A falta de compreensão adequada pode levar ao abandono do tratamento e aumentar os riscos de complicações agudas e crônicas (DIAS, 2018).

Pacientes com Diabetes Mellitus necessitam de conhecimentos prévios para administrar adequadamente a doença. A educação em saúde é fundamental no autogerenciamento, pois promove o aumento do conhecimento, fortalece a confiança e as habilidades do paciente. Esse processo educativo é essencial para melhorar os resultados clínicos, melhorando o controle glicêmico e a qualidade de vida (CONINGSBY, et al., 2022).

Quadro 1 – Grau de Conhecimento dos pacientes Maranhenses sobre Diabetes Mellitus:

Aspectos   Descrição
Grau de conhecimento geral  Limitado, com lacunas significativas sobre diabetes, tipos, exames, tratamentos e complicações
Impacto da falta de conhecimento  Pode levar ao abandono do tratamento e aumento do risco de complicações agudas e crônicas
Papel da educação em Saúde  Essencial para o autogerenciamento, aumento do conhecimento, fortalecimento da confiança e habilidades
Resultados esperados da educação em saúde   Melhora do controle glicêmico, prevenção de complicações e melhor qualidade de vida
Fonte: Autores, 2025.

3.2 Comprometimento dos Pacientes Diabéticos com o Tratamento Medicamentoso e Adesão ao Autocuidado 

A adesão ao tratamento medicamentoso é essencial para o controle glicêmico, porém, muitos pacientes apresentam dificuldades em seguir corretamente a prescrição, afetando negativamente o prognóstico e a qualidade de vida (PERREIRA, et al., 2023).

O tratamento dessa patologia requer consciência elevada por parte do paciente, pois, além do uso de medicamento, faz-se necessário o tratamento não medicamentoso que inclui alimentação saudável e prática de atividades físicas. (ASSUNÇAO & WELTER, 2024).

O perfil epidemiológico dos pacientes no Maranhão, mostra uma prevalência significativa da doença na população, onde 21,32% dos pacientes com diabetes eram obesos e 36,48% eram sedentários e a maioria tem idade superior a 40 anos (DIAS, et al., 2020). 

O autocuidado engloba desde a administração correta de medicamentos até hábitos de vida saudáveis, como alimentação balanceada, atividade física regular e cuidados preventivos específicos para o diabetes. A integração do suporte multidisciplinar e o acompanhamento contínuo por profissionais de saúde são condições determinantes para melhorar o compromisso dos pacientes com essas práticas no Maranhão, promovendo melhor controle da doença e reduzindo complicações hospitalares (CARDOSO & OLIVEIRA, 2023).

A adesão ao tratamento medicamentoso em pacientes diabéticos costuma ser maior do que a adesão às mudanças no estilo de vida. Isso ocorre porque o uso de medicamentos é geralmente percebido como mais simples e conveniente, demandando apenas a ingestão de uma pílula ou aplicação de insulina. Em contraste, a adoção de uma rotina de exercícios exige mais tempo, planejamento e esforço, o que torna a adesão mais desafiadora para muitas pessoas (BOTREL FZ, et al., 2021).

Exercícios aeróbicos e uma alimentação adequada exercem um impacto positivo na frequência cardíaca e no controle glicêmico, o que pode reduzir a necessidade do uso de medicação. Dessa forma, é essencial adotar um enfoque mais amplo na promoção da saúde e no controle da diabetes, que vá além do uso exclusivo da terapia medicamentosa (SANTOS AL, et al., 2020)

A falta de adesão ao tratamento também está associada a sentimentos de desmotivação, negação da doença ou medo dos efeitos colaterais dos medicamentos. No Maranhão, o suporte psicológico ainda é limitado, o que dificulta o enfrentamento da condição crônica e a manutenção do compromisso com o tratamento ao longo do tempo. O engajamento dos profissionais de saúde, aliado a intervenções que abordem aspectos emocionais, é fundamental para aumentar o comprometimento dos pacientes (SERRA, et al., 2023).

Quadro 2 – Comprometimento dos Pacientes Diabéticos com o Tratamento Medicamentoso e Adesão ao Autocuidado

Aspecto  Comprometimento dos pacientes
Tratamento medicamentoso  Alta adesão, essencial para controle da glicemia
Monitoramento glicêmico  Adesão moderada, importante para ajuste do tratamento  
Atividade física  Baixa a moderada, depende de orientação e motivação  
Suporte Acompanhamento multidisciplinar para adesão
Fonte: Autores, 2025.

3.3 Fatores que impactam no controle e manejo Diabetes Mellitus no Maranhão

 A precariedade no acesso ao tratamento do diabetes no Maranhão é um dos principais desafios enfrentados pelos pacientes diabéticos. A sobrecarga do Sistema Único de Saúde (SUS), carência de insumos básicos para monitoramento glicêmico, além da insuficiência de profissionais capacitados, comprometem a continuidade e qualidade do cuidado, ampliando as desigualdades no manejo da doença (GUIMARÃES, et al., 2019).

Estudos indicam que um número expressivo de pacientes diabéticos não segue corretamente as orientações de autocuidado e isso se deve a uma série de fatores, incluindo desconhecimento sobre a doença, dificuldades financeiras e falhas no suporte da atenção primária (TONACO et al., 2023).

O conhecimento deficiente sobre o diabetes pode estar diretamente relacionado aos baixos níveis de escolaridade dos pacientes, o que interfere negativamente na autogestão eficaz da doença. Estudos mostram que a escolaridade e o tempo de diagnóstico da doença são variáveis estatisticamente significantes para a aquisição de conhecimento e a prontidão para o autocuidado. Pacientes com baixo nível educacional enfrentam dificuldades para ler e entender prescrições médicas, o que prejudica a adesão ao plano terapêutico e aumenta os riscos à saúde (Prates et al., 2020).

A baixa escolaridade costuma se correlacionar com condições socioeconômicas desfavoráveis, que dificultam o acesso contínuo a serviços de saúde, medicamentos e insumos essenciais para o manejo adequado do diabetes, aumentando o risco de complicações da doença (FIOCRUZ, 2022).

Fatores socioeconômicos dificultam o acesso a uma alimentação adequada, medicamentos, e transporte para consultas médicas regulares. A vulnerabilidade social influencia diretamente na capacidade do paciente seguir recomendações e manter o tratamento contínuo. O custo do tratamento, neste sentido, é um dos fatores que interferem na adesão. (OLIVEIRA REM, et al., 2018).

Outro aspecto importante é o acesso desigual a serviços médicos especializados e ao acompanhamento regular, o que pode atrasar o diagnóstico de complicações comuns no diabetes, como retinopatia, neuropatia e insuficiência renal. A baixa renda também está associada a níveis mais elevados de estresse psicológico e menor adesão a hábitos de vida saudáveis, como exercícios físicos regulares, aumentando o risco de descontrole glicêmico e hospitalizações (OLIVEIRA NETO, AZULAY, 2020)

O aumento da prevalência do Diabetes Mellitus tipo 2 também está associado ao envelhecimento da população, especialmente no Maranhão, pois se associa a maiores níveis de comorbidades e limitações físicas, dificultando o manejo adequado da doença. Idosos diabéticos apresentam maior risco de complicações crônicas, como neuropatia e vasculopatia, que afetam, principalmente, os membros inferiores, o que eleva o risco de úlceras, infecções e até amputações (OLIVEIRA NETO, et al., 2020).

Além do envelhecimento populacional, estudos indicam que as mulheres representam a maior parte dos pacientes diabéticos, correspondendo a 59,3% dos casos notificados entre 2009 e 2013 no estado do Maranhão. Esse predomínio pode estar relacionado a fatores sociodemográficos e determinantes sociais que dificultam o controle da doença, como desigualdades no acesso à saúde, maior carga de responsabilidades familiares, estresse crônico e menor adesão a hábitos saudáveis. Além disso, as mulheres apresentam maior número de internações relacionadas ao diabetes em quase todas as faixas etárias, reforçando a necessidade de abordagens específicas para o gênero feminino no manejo da doença (PERREIRA, et al., 2023).

Vale ressaltar que, deficiências na infraestrutura das unidades de saúde, como a falta de equipamentos adequados para exames, insuficiência de profissionais especializados na atenção primária e dificuldades na regulação dos serviços de saúde limitam o acesso e a qualidade do atendimento médico (SILVA, et al., 2025).

A carência de insumos essenciais, especialmente a falta de insulina, tem sido um problema grave para os pacientes diabéticos no Maranhão, afetando diretamente o controle da doença. Relatos mostram falta recorrente de insulina nas redes públicas estaduais, com períodos de desabastecimento que chegam a meses, o que coloca em risco a saúde dos pacientes que dependem dessa medicação para manter o equilíbrio glicêmico. Essa escassez leva os pacientes a recorrerem a doações entre eles mesmos, causando insegurança no tratamento. Além disso, a falta de profissionais capacitados para atendimento especializado dificulta o diagnóstico precoce e o manejo adequado das complicações do diabetes, como retinopatia e neuropatia, agravando o prognóstico dos pacientes. Há demandas por maior qualificação e capacitação das equipes de saúde, além de melhor infraestrutura e condições técnicas para o atendimento dessa população (G1 GLOBO, 2024).

Tabela 3 – Fatores que impactam no Controle e Manejo do Diabetes Mellitus no Maranhão

Fatores  Descrição
Socioeconômicas  Limite de acesso, dificuldade para alimentação adequada, transporte limitado, eleva risco de descontrole glicêmico
Conhecimento e educação  Baixo nível educacional, dificuldade de compreensão e desconhecimento sobre a doença
Idade avançada e comorbidades associadas  Presença de outras doenças que causam complexidade no manejo clínico e aumento de complicações
Sexo Feminino  Maior carga de responsabilidades familiares e menor adesão a hábitos saudáveis, agravando o controle da doença.  
Carência de insumos essenciais e falta de profissionais capacitados  Dificulta o tratamento contínuo e adequado, aumentando o risco de complicações e hospitalizações.
Fonte: Autores, 2025.

3.4 Estratégias educativas e Intervenções para a Promoção do Autocuidado e Prevenção de Complicações do Diabetes Mellitus

A atenção básica, como pilar do sistema de saúde, utiliza a educação em saúde como ferramenta central para incentivar e promover hábitos saudáveis em pessoas com diabetes mellitus, especialmente no Maranhão. Os profissionais de saúde devem estar familiarizados com o público-alvo e desenvolver ações educativas participativas, que reflitam a realidade de viver com diabetes, em formatos tanto grupais quanto individuais. Estas atividades devem proporcionar interação, troca de experiências e conhecimentos entre os profissionais e os pacientes, contribuindo para ampliar a compreensão da doença e promover mudanças comportamentais que visem o controle glicêmico (BORBA, 2021). 

No Maranhão, ações específicas valorizam a participação ativa do paciente, o conhecimento individualizado, e a parceria entre paciente e profissionais de saúde, que podem incluir médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e outros. A educação busca melhorar o controle metabólico, reduzir riscos cardiovasculares, e prevenir complicações crônicas, reforçando o uso correto de medicamentos, a alimentação adequada e a prática de exercícios físicos adaptados (FREITAS, et al., 2023). 

A abordagem multiprofissional é crucial nesse contexto, pois o Diabetes Mellitus demanda cuidados que envolvem diversas áreas da saúde, como endocrinologia, nutrição, enfermagem e psicologia. A educação continuada integra essas áreas, promovendo uma cooperação eficaz entre os profissionais para um cuidado completo e personalizado, acompanhando os avanços tecnológicos e científicos relacionados ao diabetes (ALMEIDA, 2018). 

A possibilidade de compartilhar informações em grupo estimula a troca de experiências, transformando a percepção dos usuários sobre assistir palestras. Eles deixam de ser passivos e passam a participar ativamente, o que resulta em um feedback mais efetivo. Isso evidenciou o quanto as atividades de educação em saúde são mais frutíferas quando há diálogo entre os envolvidos e o uso de metodologias ativas. Dessa forma, o profissional não apenas socializa as informações, mas também pratica a escuta ativa, esclarecendo dúvidas, desmistificando crenças equivocadas e rompendo a comunicação verticalizada e unilateral. Esse processo contribui para estabelecer relações mais horizontais e colaborativas (CRUZ, et al., 2018)

Além dos encontros em grupos, que promovem o compartilhamento de experiências e o fortalecimento do suporte social entre os pacientes, é fundamental ampliar as estratégias de cuidado individualizado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as visitas domiciliares são fundamentais para oferecer um cuidado mais personalizado e acessível, sobretudo para pacientes com doenças crônicas, como o diabetes (Ministério da Saúde, 2020). A aproximação dos serviços de saúde ao ambiente domiciliar amplia o acesso ao atendimento e possibilita uma avaliação mais abrangente das necessidades do paciente, considerando aspectos sociais, familiares e ambientais que impactam diretamente o manejo da enfermidade (GOMES, et al., 2021). 

Tabela 4 – Estratégias educativas e Intervenções para a Promoção do Autocuidado e Prevenção de Complicações do Diabetes Mellitus

Estratégia/intervenção  Descrição
Educação em saúdeAtividades em grupo e individualizadas para aumentar o conhecimento e estimular o autocuidado e promover hábitos saudáveis
Educação continuada de profissionais da saúde  Cursos, oficinas e capacitações para qualificação técnica e educativa
Promoção da participação ativa por meio de grupos educativosEncontros para troca de experiências e fortalecimento do suporte social entre pacientes
Visitas domiciliares de enfermagemAcompanhamento personalizado e identificação precoce de complicações
Fonte: Autores, 2025.

4. CONCLUSÃO

A pesquisa evidenciou desafios multifacetados para o autocuidado no Diabetes Mellitus em pacientes maranhenses, incluindo baixo conhecimento, adesão limitada e barreiras socioeconômicas. A insuficiência de insumos e acesso restrito aos serviços de saúde agravam o manejo da doença, reforçando a necessidade de políticas públicas focadas no fortalecimento da atenção básica, capacitação profissional e ampliação de ações educativas. Estratégias que promovam a participação ativa dos pacientes, aliadas a intervenções multiprofissionais, são fundamentais para melhorar o controle glicêmico, prevenir complicações e aumentar a qualidade de vida desses indivíduos. Investir em educação continuada e suporte integral ao paciente é fundamental para o enfrentamento eficaz do Diabetes Mellitus no Maranhão.

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1Graduanda do curso de Enfermagem da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR) E-mail: elizaserrao21@gmail.com

2Graduando do curso de Enfermagem da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR)

3Graduanda do curso de Enfermagem da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR)

4Graduanda do curso de Enfermagem da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR)

5Graduanda do curso de Enfermagem da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR)

6Graduanda do curso de Enfermagem da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR)

7Graduanda do curso de Enfermagem da Faculdade Supremo Redentor (FACSUR)

8Graduado em Licenciatura Plena em Ciências Naturais – Biologia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Mestre em Ensino de Biologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA).