USO DA QUETAMINA NO TRATAMENTO DA DEPRESSÃO REFRATÁRIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202510262150


Gabriel Rocha Da Silva
Lucas Carneiro Costa
Davi De Almeida Dias Moreira
Orientador: Mauricio Cupello Peixoto
Orientador: Roberto De Souza


RESUMO:

A depressão refratária ao tratamento (TRD) representa um dos principais desafios da psiquiatria contemporânea, afetando indivíduos que não respondem adequadamente a pelo menos dois antidepressivos distintos, utilizados em doses e períodos adequados. Nesse contexto, a quetamina tem se destacado como uma alternativa promissora, oferecendo resposta antidepressiva rápida e eficaz em casos resistentes. Este Trabalho de Conclusão de Curso tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão da literatura científica, o papel da quetamina no manejo da TRD, com foco em sua eficácia clínica, segurança, mecanismos de ação e comparação com outras intervenções emergentes, como a esketamina. A pesquisa abrange estudos publicados entre 2013 e 2023, coletados em bases como PubMed, SciELO e Cochrane. Os dados apontam que a quetamina apresenta benefícios significativos no alívio dos sintomas depressivos, especialmente em pacientes com risco iminente de suicídio. Contudo, o seu uso requer monitoramento rigoroso devido aos efeitos adversos e ao potencial de abuso. A análise dos achados reforça a importância de diretrizes clínicas bem definidas para garantir a segurança e a eficácia desse tratamento inovador.

Palavras-chave: depressão refratária; quetamina; antidepressivos; tratamento; eficácia clínica.

ABSTRACT:

Treatment-resistant depression (TRD) is one of the main challenges in contemporary psychiatry, affecting individuals who do not respond adequately to at least two different classes of antidepressants, administered in appropriate doses and durations. In this context, ketamine has emerged as a promising alternative, offering a rapid and effective antidepressant response in resistant cases. This undergraduate thesis aims to analyze, through a literature review, the role of ketamine in the management of TRD, focusing on its clinical efficacy, safety profile, mechanism of action, and comparison with other emerging interventions such as esketamine. The research includes studies published between 2013 and 2023, retrieved from databases such as PubMed, SciELO, and Cochrane. The findings indicate that ketamine provides significant relief from depressive symptoms, particularly in patients with acute suicidal risk. However, its use requires strict medical supervision due to potential side effects and risk of abuse. The review reinforces the need for well-defined clinical guidelines to ensure the safe and effective application of this innovative treatment.

Keywords: treatment-resistant depression; ketamine; antidepressants; treatment; clinical efficacy.

INTRODUÇÃO

A depressão é um transtorno mental grave, recorrente e incapacitante, que compromete significativamente a funcionalidade e a qualidade de vida dos indivíduos. De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 280 milhões de pessoas são afetadas por essa condição em todo o mundo, tornando-a uma das principais causas de morbidade e perda de produtividade global.

No Brasil, estudos epidemiológicos apontam que a prevalência de depressão na população adulta gira em torno de 5,8%, com maior incidência em mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica (SANTOS et al., 2021). O impacto do transtorno depressivo maior vai além do sofrimento emocional, repercutindo negativamente na vida social, no desempenho ocupacional e nas relações interpessoais (COSTA et al., 2020).

Embora existam diversas opções terapêuticas, como antidepressivos convencionais, psicoterapia e terapias biológicas, uma parcela considerável dos pacientes não obtém resposta clínica satisfatória, mesmo após múltiplas tentativas de tratamento. Essa condição é reconhecida como depressão refratária ao tratamento (Treatment-Resistant Depression – TRD), um dos maiores desafios da psiquiatria contemporânea.

A TRD é geralmente definida pela falha em obter resposta significativa após o uso de pelo menos dois antidepressivos distintos, em doses adequadas e por tempo suficiente. Estudos indicam que entre 15% a 30% dos indivíduos com depressão maior se enquadram nesse perfil, o que amplia consideravelmente o risco de hospitalizações, ideação suicida, perda funcional e comorbidades psiquiátricas e clínicas associadas (MCINTYRE et al., 2021). Diante dessa realidade preocupante, torna-se essencial a busca por estratégias terapêuticas inovadoras, com ação mais rápida e eficaz do que os tratamentos tradicionais disponíveis.

Pacientes com TRD apresentam maior risco de ideação suicida, tentativas de suicídio e comorbidades psiquiátricas e clínicas, além de maior necessidade de internação hospitalar e menor qualidade de vida (CARVALHO; FIGUEIREDO, 2018). Do ponto de vista neurobiológico, acredita-se que mecanismos adicionais, além das alterações nos sistemas monoaminérgicos, estejam envolvidos, como disfunções no sistema glutamatérgico, neuroinflamação e comprometimento da neuroplasticidade (DREVETS et al., 2022). O reconhecimento precoce da TRD e a implementação de estratégias baseadas em evidências são essenciais para minimizar complicações, reduzir o risco de suicídio e melhorar o prognóstico a longo prazo.

As opções terapêuticas para TRD incluem estratégias como otimização da dose e duração do antidepressivo, associação de medicamentos, uso de agentes adjuvantes (por exemplo, lítio e antipsicóticos atípicos), e intervenções biológicas como a estimulação magnética transcraniana (EMT), eletroconvulsoterapia (ECT) e, mais recentemente, o uso da quetamina e da esketamina (CARVALHO; FIGUEIREDO, 2018; WILKINSON et al., 2018).

Nesse contexto, a quetamina, um anestésico dissociativo desenvolvido na década de 1960, tem despertado crescente interesse por seus efeitos antidepressivos rápidos e sustentados em pacientes com TRD. Diferentemente dos antidepressivos tradicionais, que atuam predominantemente nos sistemas serotoninérgico e noradrenérgico e costumam demorar semanas para exercer efeito clínico, a quetamina age como um antagonista dos receptores NMDA do glutamato, promovendo rápida modulação da neuroplasticidade e alívio dos sintomas depressivos em questão de horas. Esse perfil farmacológico único é particularmente promissor em contextos clínicos emergenciais, como na prevenção de suicídios iminentes (GUTIERREZ et al., 2024).

Apesar do entusiasmo com seus resultados clínicos iniciais, o uso da quetamina ainda é envolto por controvérsias. Seus efeitos adversos — como dissociação, elevação transitória da pressão arterial e, em uso prolongado, risco de dependência — suscitam preocupações legítimas quanto à segurança e à viabilidade de seu uso contínuo na prática psiquiátrica. Além disso, ainda há lacunas na literatura sobre os efeitos da administração repetida e sobre a melhor forma de integrar esse fármaco a protocolos terapêuticos consolidados.

Diante do exposto, este trabalho tem como objetivo realizar uma revisão crítica da literatura científica atual sobre o uso da quetamina no tratamento da depressão refratária, discutindo seus mecanismos de ação, eficácia clínica, perfil de segurança, limitações e comparações com tratamentos emergentes, como a esketamina. Ao reunir e analisar os dados mais relevantes da última década, esta pesquisa pretende contribuir para o entendimento mais profundo dessa nova abordagem terapêutica e oferecer subsídios para a construção de protocolos clínicos seguros, éticos e baseados em evidências.

JUSTIFICATIVA

A depressão refratária ao tratamento (TRD) representa uma condição psiquiátrica de alto impacto clínico e social, frequentemente associada a sofrimento psicológico intenso, prejuízo funcional significativo e aumento expressivo do risco de suicídio. Mesmo com a disponibilidade de uma variedade de antidepressivos e abordagens psicoterapêuticas, cerca de um terço dos pacientes não obtém resposta satisfatória aos tratamentos convencionais, o que evidencia uma lacuna importante na eficácia das intervenções atuais (MCINTYRE et al., 2021). Nesse contexto, torna-se imperativo buscar terapias alternativas que possam atuar de forma mais rápida e eficaz na redução dos sintomas depressivos.

A quetamina, embora originalmente desenvolvida como agente anestésico, tem se mostrado uma alternativa inovadora para o manejo da TRD. Estudos clínicos recentes indicam que sua administração em baixas doses, especialmente por via intravenosa, pode proporcionar alívio significativo dos sintomas depressivos em poucas horas, contrastando com o efeito tardio dos antidepressivos tradicionais. Essa rapidez é particularmente valiosa em pacientes com ideação suicida ativa, nos quais o tempo de resposta ao tratamento pode ser determinante para o desfecho clínico (GUTIERREZ et al., 2024; WILKINSON et al., 2020).

Além disso, o crescente número de pesquisas sobre o uso da quetamina em psiquiatria levanta discussões importantes sobre seu mecanismo de ação, a duração dos efeitos antidepressivos, os riscos de uso prolongado, os efeitos adversos e as implicações éticas envolvidas. O desenvolvimento de protocolos seguros e eficazes depende diretamente do aprofundamento do conhecimento científico sobre esses aspectos.

Portanto, esta pesquisa justifica-se não apenas pela atualidade e relevância do tema, mas também pela necessidade urgente de ampliar a compreensão sobre o uso da quetamina em contextos psiquiátricos resistentes. Ao reunir e analisar criticamente as evidências disponíveis, este estudo pretende contribuir para o avanço do conhecimento na área da saúde mental e fornecer subsídios para a construção de condutas clínicas baseadas em evidências, seguras e éticas no tratamento da depressão refratária.

OBJETIVOS

Objetivo Geral

Analisar, por meio de uma revisão da literatura científica recente, a eficácia, segurança e aplicabilidade clínica da quetamina no tratamento da depressão refratária ao tratamento (TRD), destacando seus mecanismos de ação, benefícios terapêuticos e limitações.

Objetivos Específicos

  • Investigar os principais mecanismos neurobiológicos envolvidos na ação antidepressiva da quetamina.
  • Avaliar a eficácia clínica da quetamina no alívio rápido dos sintomas depressivos em pacientes com TRD.
  • Identificar os efeitos adversos mais frequentemente associados ao uso da quetamina em contextos psiquiátricos.
  • Comparar o uso da quetamina com outras abordagens terapêuticas emergentes, como a esketamina e a eletroconvulsoterapia.
  • Discutir as implicações éticas, clínicas e sociais do uso da quetamina como intervenção terapêutica em psiquiatria.

HIPÓTESE

A hipótese central é que a quetamina pode representar uma alternativa eficaz e segura no manejo da depressão refratária, oferecendo um alívio rápido e significativo dos sintomas depressivos, especialmente em casos em que os antidepressivos tradicionais não foram eficazes.

JUSTIFICATIVA

A TRD continua sendo um grande desafio clínico, afetando negativamente a qualidade de vida dos pacientes e elevando o risco de comorbidades psiquiátricas. A literatura aponta que aproximadamente 30% dos indivíduos com depressão maior não respondem adequadamente aos antidepressivos convencionais, evidenciando uma lacuna significativa nas terapias atualmente disponíveis (MCINTYRE et al., 2021). Essa lacuna reforça a necessidade de tratamentos inovadores que ofereçam uma resposta rápida e eficaz. A quetamina, diferentemente dos antidepressivos convencionais, atua em receptores NMDA, promovendo neuroplasticidade e aliviando os sintomas depressivos em poucas horas. Estudos recentes ressaltam a rapidez de resposta da quetamina, que, em muitos casos, é crucial para reduzir o risco de suicídio (GUTIERREZ et al., 2024).

No entanto, o uso da quetamina apresenta desafios em termos de segurança e tolerabilidade, como os efeitos dissociativos e o risco de abuso, o que exige supervisão médica rigorosa. Este estudo busca oferecer uma análise detalhada dos benefícios e limitações do uso da quetamina para TRD, visando a fundamentar futuras diretrizes clínicas para um uso seguro e eficaz desse tratamento (VERAART et al., 2021).

METODOLOGIA

Tipo de Pesquisa

Este trabalho constitui uma revisão da literatura, abrangendo estudos sobre a eficácia e segurança da quetamina no tratamento de TRD. A revisão sistemática permite consolidar e analisar criticamente a evidência disponível, estabelecendo uma base sólida para futuras recomendações clínicas.

População e Amostra

A amostra é composta por artigos publicados entre 2013 e 2023, incluindo revisões sistemáticas, ensaios clínicos e meta-análises que examinam o uso da quetamina em TRD. Foram selecionados estudos revisados por pares, publicados em inglês e português, obtidos de bases científicas como PubMed, SciELO e Cochrane. O processo de busca utilizou estratégias baseadas em palavras-chave e operadores booleanos para garantir a abrangência e a precisão dos resultados encontrados. Os termos principais utilizados foram: “ketamine”, “treatment-resistant depression” (TRD), “efficacy”, “safety”, combinados com operadores booleanos como AND, OR e NOT. Por exemplo, combinações como “ketamine AND treatment-resistant depression” e “ketamine AND efficacy AND safety” foram aplicadas para refinar os resultados e excluir artigos irrelevantes ou duplicados.

Técnicas e Instrumentos de Coleta de Dados

Para a seleção dos estudos, foram aplicados critérios de inclusão e exclusão com base na relevância, data de publicação e metodologia dos artigos. A análise dos estudos foi organizada por temas, como eficácia clínica, efeitos adversos e comparações com tratamentos emergentes.

Cronograma

EtapaMês
Levantamento bibliográficoMês 1
Revisão e análise dos estudosMês 2
Redação das seções iniciaisMês 3
Redação da MetodologiaMês 4
Revisão e ajustes finaisMês 5

Orçamento

ItemCusto
Impressão e encadernaçãoR$ 30,00
Impressão do bannerR$ 50,00
TotalR$ 80,00

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A busca realizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE, SciELO e Cochrane Library resultou em 235 estudos inicialmente identificados. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 42 artigos foram selecionados para leitura integral, dos quais 18 foram incluídos na presente revisão integrativa. Esses estudos compreenderam ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas e meta-análises publicados entre 2013 e 2023, com amostras variando de 12 a 802 participantes.

Características gerais dos estudos

A maioria dos ensaios clínicos utilizou quetamina intravenosa na dose de 0,5 mg/kg administrada em 40 minutos, confirmando esta como a posologia padrão em pesquisas (MURROUGH et al., 2013; ZARATE et al., 2006). O efeito antidepressivo rápido foi observado em até 24 horas após a infusão, com duração média de 3 a 7 dias (BERMAN et al., 2000; WILKINSON et al., 2018).

Estudos mais recentes avaliaram a esketamina intranasal, administrada duas vezes por semana, combinada com antidepressivo oral recém-iniciado. Os resultados indicaram melhora significativa nos escores de depressão, com redução expressiva da ideação suicida já no primeiro dia de tratamento (POPOVA et al., 2019; DHALIWAL et al., 2022).

Eficácia antidepressiva e impacto na ideação suicida

As evidências apontam que a quetamina e a esketamina possuem ação antidepressiva rápida, particularmente benéfica em situações de alto risco, como ideação suicida aguda. Price et al. (2009) relataram que uma única infusão de quetamina reduziu medidas explícitas e implícitas de suicidabilidade em pacientes com TRD. Wilkinson et al. (2018) confirmaram esses achados em meta-análise, demonstrando que o efeito anti-suicida pode ocorrer independentemente da melhora global nos sintomas depressivos.

Apesar do efeito rápido, a necessidade de reaplicações frequentes limita a aplicabilidade prática, e não há consenso sobre o regime ideal de manutenção (PHILIP et al., 2019).

Segurança e tolerabilidade

Os efeitos adversos mais comuns relatados nos estudos incluíram sintomas dissociativos transitórios, elevação da pressão arterial e taquicardia, geralmente autolimitados (KRYSTAL et al., 1994; SHORT et al., 2018). A ocorrência de eventos adversos graves foi rara, mas estudos alertam para o risco de uso indevido e possíveis danos cognitivos em tratamentos prolongados (MORGAN; CURRAN, 2012; SCHAK et al., 2016).

Em protocolos clínicos controlados, a quetamina mostrou-se segura quando administrada sob supervisão médica, com monitorização cardiovascular e observação pós- infusão.

Comparação com alternativas terapêuticas

Quando comparada a outras estratégias para TRD, como estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr) ou eletroconvulsoterapia (ECT), a quetamina se destaca pela rapidez de resposta (BERLIM et al., 2014; UK ECT REVIEW GROUP, 2003). Contudo, a ECT ainda apresenta maior taxa de remissão em quadros graves ou psicóticos, enquanto a EMTr é menos invasiva e apresenta perfil de segurança mais favorável a longo prazo.

Perspectivas futuras

As principais limitações identificadas incluem a heterogeneidade metodológica dos estudos, o pequeno tamanho amostral em alguns ensaios e a ausência de dados robustos sobre segurança e eficácia a longo prazo. Estudos comparativos diretos entre quetamina, esketamina e outras alternativas emergentes ainda são escassos. Há também necessidade de investigação sobre biomarcadores que possam predizer a resposta à quetamina, possibilitando personalizar o tratamento e reduzir riscos.

CONCLUSÃO

A presente revisão integrativa evidencia que a quetamina e seu enantiômero S, a esketamina, representam alternativas terapêuticas promissoras para o tratamento da depressão refratária ao tratamento (TRD), especialmente pela sua capacidade de induzir efeito antidepressivo rápido, frequentemente em poucas horas após a administração. Tal característica diferencia-se significativamente dos antidepressivos convencionais, cujo efeito terapêutico pode levar semanas para se manifestar.

Os estudos analisados demonstram que a administração intravenosa de quetamina, na dose subanestésica de 0,5 mg/kg, é eficaz na redução significativa dos sintomas depressivos e da ideação suicida, ainda que os efeitos sejam de curta duração, geralmente limitados a até sete dias. A esketamina intranasal, por sua vez, surge como alternativa viável, apresentando eficácia semelhante, com vantagens logísticas que favorecem a adesão e a aplicabilidade clínica.

No entanto, o uso da quetamina não está isento de riscos, incluindo efeitos dissociativos transitórios, alterações cardiovasculares e potencial de abuso. Além disso, a ausência de protocolos padronizados para manutenção e a escassez de dados sobre segurança e eficácia a longo prazo constituem importantes lacunas na literatura.

A comparação com outras intervenções para TRD, como estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr) e eletroconvulsoterapia (ECT), indica que a quetamina se destaca pela rapidez de resposta, enquanto a ECT ainda mantém maior taxa de remissão em casos graves.

Diante disso, conclui-se que, embora a quetamina represente avanço significativo no manejo da TRD, seu uso deve ser restrito a contextos clínicos controlados, com monitorização adequada e indicação criteriosa. Pesquisas futuras devem priorizar estudos de longo prazo, identificar biomarcadores preditivos de resposta e estabelecer protocolos terapêuticos padronizados que permitam maximizar benefícios e minimizar riscos.

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