TRANSFORMADORES DE CORRENTE E DE POTENCIAL: UMA ANÁLISE E APLICAÇÕES NA MEDIÇÃO INDIRETA EM SISTEMAS ELÉTRICOS

CURRENT AND POTENTIAL TRANSFORMERS: ANALYSIS AND APPLICATIONS FOR INDIRECT MEASUREMENT IN ELECTRICAL POWER SYSTEMS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202509141232


Valfredo de Souza Costa Junior1
Jonk Jones de Castro Vinente2


Resumo

O presente artigo analisa a relevância dos transformadores de corrente e de potencial aplicados à medição indireta em sistemas elétricos de potência, destacando seu papel fundamental para a precisão das medições, a confiabilidade das operações e a segurança das instalações. O estudo tem como objetivo examinar as principais características construtivas e funcionais desses dispositivos, bem como identificar suas vantagens, limitações e possíveis fontes de erro. Para tanto, adota-se uma metodologia qualitativa baseada em revisão bibliográfica de artigos científicos, normas técnicas internacionais e documentos especializados, complementada por uma análise comparativa dos parâmetros mais relevantes à prática da medição indireta. A pesquisa evidencia que a utilização de transformadores de corrente e de potencial permite reduzir riscos operacionais, proteger equipamentos sensíveis e assegurar a integridade dos profissionais envolvidos em ambientes de alta tensão. Os resultados obtidos indicam que tais dispositivos, quando adequadamente dimensionados e aplicados, contribuem de forma significativa para a confiabilidade e eficiência energética dos sistemas elétricos. Conclui-se que o aprofundamento teórico e prático sobre esses instrumentos não apenas fortalece a base acadêmica necessária à formação de engenheiros e técnicos, mas também promove avanços na operação e no monitoramento das redes elétricas, favorecendo a evolução do setor diante das novas demandas de modernização e sustentabilidade.

Palavras-chave: Transformadores de corrente. Transformadores de potencial. Medição indireta. Sistemas elétricos de potência.

1 INTRODUÇÃO

A medição de grandezas elétricas é uma atividade essencial para o funcionamento seguro e eficiente dos sistemas de potência, especialmente em contextos onde a confiabilidade energética é fator determinante para o desenvolvimento econômico e social. O uso de técnicas de medição indireta tem ganhado relevância à medida que a complexidade das redes elétricas cresce e novas tecnologias são incorporadas. Segundo Oliveira & Santos (2019), a medição indireta se mostra indispensável diante de tensões e correntes elevadas, pois permite a obtenção de dados precisos sem comprometer a segurança dos profissionais e a integridade dos equipamentos. Nesse cenário, os transformadores de corrente (TC) e os transformadores de potencial (TP) assumem papel central, uma vez que viabilizam a adequação dos valores elétricos para níveis compatíveis com instrumentos de medição e proteção.

Estudos recentes têm ressaltado que a confiabilidade das medições está diretamente associada à qualidade e ao correto dimensionamento dos transformadores de instrumentação. De acordo com Carvalho et al. (2020), falhas nos TCs e TPs podem gerar erros sistemáticos que afetam o desempenho de relés de proteção, provocando desligamentos indevidos e comprometendo a estabilidade do sistema elétrico. Além disso, Silva, Lima & Andrade (2021) destacam que a crescente demanda por eficiência energética exige dispositivos cada vez mais precisos e adaptados a diferentes condições de operação. A incerteza relacionada às margens de erro, somada aos custos de manutenção e substituição desses equipamentos, reforça a necessidade de pesquisas que avaliem criticamente suas aplicações práticas e suas limitações.

No contexto brasileiro, a preocupação com a confiabilidade da medição elétrica se intensifica diante da expansão do setor elétrico e da integração de fontes renováveis à matriz energética. Conforme Pereira & Costa (2022), os sistemas de potência têm se tornado mais complexos, exigindo a modernização de técnicas de monitoramento e a utilização de transformadores de instrumentação de alto desempenho. Tais desafios envolvem não apenas aspectos técnicos, mas também questões regulatórias, uma vez que normas nacionais e internacionais, como as da IEC e do IEEE, estabelecem parâmetros rigorosos para garantir a qualidade da medição. A ausência de estudos aprofundados sobre a aplicação prática de TCs e TPs em cenários específicos compromete a elaboração de políticas e práticas voltadas à segurança e à eficiência operacional do setor.

Diante desse cenário, emerge a seguinte problematização: de que maneira os transformadores de corrente e de potencial contribuem para a medição indireta em sistemas elétricos de potência, considerando suas características técnicas, suas limitações e suas aplicações práticas? Essa questão central orienta a presente pesquisa, cujo objetivo é analisar o papel desses dispositivos na medição indireta, com foco na precisão, na confiabilidade e na segurança das medições. Além disso, busca-se identificar as vantagens e limitações do seu uso, bem como discutir suas contribuições para o monitoramento e proteção das redes elétricas. Justifica-se a escolha do tema pela sua relevância acadêmica e prática, visto que o aprofundamento sobre a utilização de TCs e TPs favorece a formação de profissionais mais capacitados e contribui para a evolução do setor elétrico frente aos novos desafios de modernização e sustentabilidade.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Transformadores de Corrente e de Potencial: Conceitos e Funções

Os transformadores de corrente (TCs) e de potencial (TPs) constituem-se em elementos indispensáveis para medições indiretas em sistemas elétricos, permitindo a adequação de níveis de grandezas elétricas a faixas compatíveis com instrumentos de medição e proteção. De acordo com Tenbohlen & Jagers (2016), esses dispositivos funcionam como intermediários entre o sistema de potência e os equipamentos de monitoramento, assegurando confiabilidade nas leituras e maior segurança operacional. O TC é projetado para reproduzir em escala a corrente primária, enquanto o TP converte tensões elevadas em valores secundários proporcionais, viabilizando a utilização em medidores, relés e analisadores. Sua aplicação se tornou essencial em redes elétricas modernas, em que as condições de operação são cada vez mais exigentes e a confiabilidade das medições influencia diretamente a continuidade do fornecimento e a proteção contra falhas.

Pesquisas recentes têm demonstrado que a precisão dos TCs e TPs está diretamente associada à sua construção e ao cumprimento das normas internacionais de desempenho. Segundo Singh & Singh (2017), pequenas variações nos parâmetros construtivos, como relação de espiras, qualidade do núcleo e isolação, podem introduzir erros de fase e magnitude que comprometem a interpretação das grandezas medidas. Esse fator é particularmente relevante em ambientes industriais e concessionárias de energia, onde o monitoramento rigoroso das variáveis é indispensável para a segurança e eficiência. Além disso, a necessidade de medições precisas se intensifica em sistemas automatizados e integrados a redes inteligentes, em que qualquer imprecisão pode repercutir em falhas na proteção ou distorções no faturamento de energia elétrica.

Outro aspecto relevante no estudo dos TCs e TPs é a sua durabilidade e confiabilidade em longo prazo. De acordo com Bartley (2018), falhas nesses transformadores de instrumentação estão entre as principais causas de acidentes e interrupções no fornecimento de energia, especialmente quando submetidos a sobrecargas ou condições extremas de operação. O autor destaca que a manutenção preventiva e a utilização de equipamentos de alta qualidade reduzem significativamente a probabilidade de falhas críticas. A confiabilidade desses dispositivos é, portanto, não apenas uma exigência técnica, mas também um requisito de segurança para profissionais que atuam em campo. Dessa forma, compreender os conceitos e funções desses equipamentos é essencial para fundamentar estudos que busquem aperfeiçoar a medição indireta e a proteção de sistemas elétricos.

2.2 Medição Indireta e sua Relevância nos Sistemas de Potência

A medição indireta em sistemas de potência surgiu como resposta à necessidade de monitorar grandezas elétricas em níveis de tensão e corrente que inviabilizam a medição direta por motivos de segurança e operacionalidade. De acordo com Altuve & Schweitzer (2016), a medição indireta permite o monitoramento eficiente de redes de média e alta tensão por meio da utilização de transformadores de instrumentação, que reduzem os valores a níveis compatíveis com equipamentos de medição e proteção. Essa prática é amplamente utilizada em concessionárias de energia e sistemas industriais, pois viabiliza tanto o controle do consumo quanto a avaliação da qualidade da energia entregue. A confiabilidade desses processos é indispensável para a estabilidade das redes e para a correta atuação de sistemas de proteção.

Estudos mais recentes mostram que a medição indireta também desempenha papel fundamental na modernização dos sistemas elétricos. Segundo Phadke & Thorp (2017), a utilização de técnicas indiretas de medição contribui para a implementação de sistemas de automação avançados, incluindo redes inteligentes (smart grids). A integração de TCs e TPs em sistemas SCADA e PMU (Phasor Measurement Units) proporciona monitoramento em tempo real, o que amplia a capacidade de resposta a falhas e distúrbios na rede elétrica. Nesse sentido, a medição indireta deixou de ser apenas uma prática tradicional para se tornar um dos pilares da transformação digital do setor elétrico, contribuindo diretamente para a melhoria da confiabilidade, segurança e eficiência energética.

Além da aplicação em monitoramento e automação, a medição indireta possui relevância econômica e regulatória. Conforme Ribeiro, Lima & Oliveira (2020), as concessionárias dependem da precisão das medições indiretas para realizar faturamentos justos e evitar perdas comerciais decorrentes de erros de medição. A literatura destaca que falhas em TCs e TPs podem gerar impactos significativos na receita das distribuidoras e comprometer a confiança dos consumidores no sistema de tarifação. Esse cenário reforça a necessidade de pesquisas que analisem as condições de operação desses equipamentos, as margens de erro admitidas pelas normas técnicas e as estratégias para mitigação de falhas. A confiabilidade da medição indireta, portanto, não se restringe a aspectos técnicos, mas possui implicações diretas na regulação e sustentabilidade econômica do setor elétrico.

2.3 Avanços Tecnológicos e Estado da Arte em Transformadores de Instrumentação

Os avanços tecnológicos na fabricação de transformadores de instrumentação têm impulsionado melhorias significativas na precisão e na confiabilidade das medições. Segundo Kezunovic et al. (2018), a introdução de transformadores ópticos e eletrônicos representa uma revolução nesse campo, uma vez que esses dispositivos oferecem respostas dinâmicas mais rápidas, maior imunidade a interferências eletromagnéticas e integração direta com sistemas digitais. Esses avanços estão alinhados às demandas da Indústria 4.0 e da digitalização das redes elétricas, onde a medição precisa é requisito essencial para garantir o funcionamento coordenado de sistemas complexos. A literatura mostra que a adoção desses novos dispositivos tem crescido principalmente em países com alta penetração de fontes renováveis.

Outro aspecto tecnológico relevante está relacionado à utilização de novos materiais e técnicas de isolamento. De acordo com Apostolov (2019), pesquisas em engenharia de materiais têm viabilizado o desenvolvimento de transformadores mais compactos, duráveis e menos suscetíveis a falhas térmicas. O autor ressalta que o uso de materiais dielétricos avançados e tecnologias de monitoramento em tempo real tem aumentado a confiabilidade operacional e reduzido custos de manutenção. Essas inovações vêm sendo aplicadas principalmente em ambientes de alta criticidade, como subestações de transmissão e parques eólicos, nos quais a precisão e a continuidade das medições são fundamentais para a estabilidade do sistema.

A evolução das tecnologias digitais também influencia diretamente o estado da arte dos TCs e TPs. Conforme Zhou, Guo & Zhang (2020), a integração com sistemas baseados em inteligência artificial e machine learning possibilita a análise preditiva do desempenho desses equipamentos, antecipando falhas e otimizando o planejamento de manutenção. Essa abordagem representa um avanço em direção à automação total das medições, reduzindo a intervenção humana e aumentando a confiabilidade. O estado da arte, portanto, aponta para um cenário em que transformadores de instrumentação não são apenas dispositivos passivos de medição, mas componentes ativos de redes elétricas inteligentes, capazes de interagir com sistemas digitais complexos.

2.4 Problematização e Lacunas de Pesquisa

Apesar dos avanços tecnológicos, ainda persistem desafios relevantes na utilização de TCs e TPs em medições indiretas. De acordo com Ghosh & Ledwich (2017), um dos principais problemas está relacionado aos erros de saturação e às distorções introduzidas em condições de sobrecarga. Esses fatores comprometem a precisão das medições e afetam a atuação de sistemas de proteção, podendo ocasionar desligamentos indevidos ou falhas na detecção de curtos-circuitos. A literatura aponta que esse problema é agravado em sistemas com grande variabilidade de cargas e presença de harmônicos, condições cada vez mais comuns em redes modernas.

Outro desafio diz respeito à durabilidade e confiabilidade em ambientes adversos. Segundo Villarroel et al. (2019), transformadores de instrumentação instalados em regiões de alta umidade, temperaturas extremas ou forte poluição ambiental apresentam taxas mais elevadas de falhas. A falta de programas consistentes de manutenção preventiva e a utilização de equipamentos fora das normas técnicas contribuem para aumentar a vulnerabilidade desses sistemas. Essa realidade evidencia a necessidade de estudos que abordem não apenas o desempenho técnico, mas também a adaptação dos equipamentos às condições ambientais específicas de cada região.

Além dos aspectos técnicos, há lacunas de pesquisa relacionadas à padronização e à regulação do uso dos TCs e TPs. Conforme Martínez, Álvarez & Ruiz (2021), ainda existem divergências entre as normas internacionais (IEC e IEEE) e a aplicação prática em países em desenvolvimento, onde os recursos para aquisição de equipamentos de ponta são limitados. Essa discrepância gera dificuldades para concessionárias e indústrias, que precisam equilibrar custos e conformidade regulatória. Nesse sentido, torna-se imprescindível o desenvolvimento de estudos que proponham soluções economicamente viáveis, sem comprometer a confiabilidade das medições. Essa lacuna justifica a presente pesquisa, cujo objetivo é analisar de forma crítica os TCs e TPs, contribuindo para a compreensão de seus limites e potencialidades.

3 METODOLOGIA

A presente pesquisa adota uma abordagem qualitativa e descritiva, fundamentada em revisão bibliográfica e análise documental de artigos científicos, normas técnicas e manuais especializados sobre transformadores de corrente (TC) e de potencial (TP). Foram consultadas bases de dados acadêmicas como IEEE Xplore, ScienceDirect, Scielo e Google Scholar, priorizando publicações entre os anos de 2015 e 2025, a fim de garantir a atualização dos conceitos e práticas estudadas. A escolha por essa metodologia justifica-se pela relevância de reunir e sistematizar o conhecimento existente, permitindo a identificação das principais características construtivas, funcionais e de aplicação desses dispositivos. O processo de coleta de dados incluiu também a análise de normas internacionais, como as estabelecidas pela IEC e pelo IEEE, que regulamentam a fabricação, utilização e desempenho dos TCs e TPs, assegurando maior rigor científico e técnico ao estudo.

Além da revisão bibliográfica, a metodologia envolveu a realização de uma análise comparativa entre os transformadores de corrente e de potencial, considerando aspectos como precisão na medição, confiabilidade, limitações técnicas e aplicações práticas em sistemas elétricos de potência. Essa análise foi desenvolvida a partir de parâmetros encontrados na literatura e em documentos técnicos de fabricantes reconhecidos no mercado, de modo a garantir a validade das informações. Para organizar os resultados, foram elaboradas tabelas e quadros comparativos que sintetizam as vantagens e desvantagens de cada dispositivo na medição indireta. Essa estratégia possibilita não apenas apresentar os dados de forma clara, mas também oferecer ao leitor uma visão crítica sobre as diferentes possibilidades de utilização dos TCs e TPs em cenários diversos, desde redes de baixa até alta tensão.

Por fim, a metodologia contempla a discussão dos resultados com base em estudos de caso relatados na literatura técnica e em documentos institucionais de empresas do setor elétrico. Esses estudos foram selecionados por sua relevância prática, permitindo relacionar a teoria ao cotidiano da operação de sistemas elétricos. A análise das aplicações reais dos TCs e TPs busca evidenciar como esses dispositivos contribuem para a segurança, eficiência energética e confiabilidade das medições, ao mesmo tempo em que se reconhecem suas limitações e desafios. Assim, a metodologia proposta não apenas descreve os procedimentos adotados, mas também garante a consistência necessária para que o trabalho possa ser avaliado criticamente pela comunidade científica e, consequentemente, aceite para publicação em periódicos da área de Engenharia Elétrica.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os resultados obtidos a partir da revisão bibliográfica e documental evidenciam que os transformadores de corrente (TCs) e de potencial (TPs) continuam sendo elementos indispensáveis para a medição indireta em sistemas elétricos de potência, sobretudo em ambientes de média e alta tensão. Observou-se que, ao reduzir valores de corrente e tensão a níveis seguros, esses dispositivos asseguram a integridade dos instrumentos de medição, aumentam a confiabilidade do monitoramento e ampliam a proteção das redes. Estudos como os de Singh & Singh (2017) e Bartley (2018) confirmam que a eficiência operacional está diretamente vinculada à precisão desses transformadores, visto que erros de saturação ou de fase podem comprometer tanto a qualidade das medições quanto o desempenho dos sistemas de proteção. Esse dado reforça a necessidade de padronização normativa e de manutenção preventiva como fatores decisivos para a continuidade do fornecimento de energia.

A análise também mostrou que a medição indireta ultrapassa os limites técnicos e assume relevância socioeconômica, pois garante confiabilidade nos processos de tarifação e justiça no relacionamento entre consumidores e concessionárias. Ribeiro, Lima & Oliveira (2020) destacam que falhas em TCs e TPs podem provocar distorções na arrecadação das distribuidoras, gerando prejuízos financeiros e perda de credibilidade. Além disso, a dependência desses dispositivos se intensifica em contextos de redes inteligentes e na integração de fontes renováveis, como apontam Phadke & Thorp (2017) e Domínguez-García et al. (2021), em que a rapidez no monitoramento e a precisão das grandezas medidas são essenciais para evitar oscilações de frequência, desequilíbrios e até blecautes. Nesse sentido, a discussão evidencia que a modernização dos sistemas elétricos passa, inevitavelmente, pela atualização tecnológica dos transformadores de instrumentação.

Outro ponto discutido refere-se aos avanços recentes no estado da arte, sobretudo com o surgimento de transformadores ópticos e eletrônicos, que oferecem maior precisão, menores perdas e integração direta com sistemas digitais. Kezunovic et al. (2018) e Zhou, Guo & Zhang (2020) ressaltam que tais tecnologias estão alinhadas às demandas da Indústria 4.0, ao passo que Apostolov (2019) evidencia que o uso de novos materiais e sistemas de monitoramento em tempo real tem reduzido falhas e custos de manutenção. Entretanto, os altos custos ainda limitam a disseminação dessas inovações em países em desenvolvimento, como reforçam Martínez, Álvarez & Ruiz (2021), criando um cenário de coexistência entre transformadores convencionais e digitais. Assim, a discussão aponta que, embora haja um caminho promissor rumo à digitalização completa das medições, persistem desafios técnicos, econômicos e regulatórios que precisam ser superados para que a utilização de TCs e TPs atinja seu potencial máximo de contribuição à segurança, confiabilidade e eficiência dos sistemas de potência.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente pesquisa permitiu analisar de forma crítica o papel dos transformadores de corrente (TCs) e de potencial (TPs) na medição indireta em sistemas elétricos de potência, destacando suas funções, limitações e avanços tecnológicos. O estudo evidenciou que esses dispositivos são indispensáveis para a segurança de operadores e equipamentos, pois possibilitam a redução de tensões e correntes a valores compatíveis com os instrumentos de medição e proteção. Ao mesmo tempo, verificou-se que a confiabilidade das medições está diretamente vinculada à qualidade construtiva e ao atendimento das normas técnicas, reforçando a importância de práticas de manutenção preventiva e atualização tecnológica. Dessa forma, foi possível confirmar os objetivos iniciais de compreender os conceitos fundamentais, avaliar vantagens e limitações e identificar as aplicações práticas desses transformadores no setor elétrico.

As análises apresentadas também mostraram que a medição indireta vai além do aspecto técnico, assumindo relevância econômica e social. A confiabilidade nos processos de tarifação, a transparência no relacionamento entre consumidores e concessionárias e a proteção dos sistemas contra falhas estão diretamente associadas ao desempenho de TCs e TPs. Observou-se que falhas nesses dispositivos podem comprometer a estabilidade do fornecimento e gerar impactos econômicos significativos. Além disso, a discussão demonstrou que a medição indireta é um recurso indispensável para o avanço de redes inteligentes e para a integração de fontes renováveis à matriz energética, o que coloca os transformadores de instrumentação como elementos centrais na modernização e sustentabilidade dos sistemas de potência.

Por fim, cabe destacar que, embora avanços tecnológicos recentes, como transformadores ópticos e eletrônicos, tenham ampliado as possibilidades de medição com maior precisão e integração digital, ainda existem barreiras a serem superadas, especialmente de ordem econômica e regulatória. O cenário atual é marcado pela coexistência entre equipamentos convencionais e soluções digitais de alto custo, o que evidencia a necessidade de pesquisas futuras que proponham soluções mais acessíveis e adaptadas à realidade de países em desenvolvimento. Conclui-se que o aprofundamento do conhecimento sobre TCs e TPs contribui não apenas para a formação acadêmica e técnica de engenheiros e pesquisadores, mas também para o fortalecimento de práticas seguras, eficientes e sustentáveis no setor elétrico, assegurando confiabilidade às medições e resiliência às redes de energia.

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1 Discente do Curso Superior de Engenharia Elétrica da Coordenação de Engenharia Campus Nilton Lins Parque das Laranjeiras e-mail: 21003570@uniniltonlins.edu.br
2 Docente do Curso Superior de Engenharia Elétrica da Coordenação de Engenharia Campus Nilton Lins Parque das Laranjeiras. Mestre em Engenharia Elétrica. e-mail: jonk.vinente@uniniltonlins.edu.br