DOENÇA DE ALZHEIMER E O PAPEL DA ENFERMAGEM

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202508261417


Lucelia Cristina de Matos Vienc1
Ana Julia Branco Fernandes2
Orientadora: Prof. Dra.  Raphaella Rosa Horst Massuqueto3


Resumo

DOENÇA DE ALZHEIMER E O PAPEL DA ENFERMAGEM: Baseado em conhecimento técnico sobre o tema em questão, o presente trabalho visa, por meio de consulta literária existente, apresentar os conhecimentos e práticas focadas na Área de Saúde relativas à Doença de Alzheimer (DA), frente a atuação da Equipe de Enfermagem no contexto dessa doença. Inicialmente o objetivo principal girava em torno do entendimento da doença propriamente dita, entretanto, tendo em vista que a Doença do Alzheimer carece de vasta literatura, justamente em decorrência que esta doença permanece em estudo constante, passando por constantes mutações e adequações de seus conceitos, uma vez que novas descobertas, tanto conceituais quanto comportamentais sobre tratamento x pacientes, são uma frequente realidade sobre o tema, a pesquisa literária encontrada se mostrou muito limitada, demonstrando assim a grande necessidade de promover mais e mais estudos sobre essa doença que não só carece de referência literária, mas igualmente carece de divulgação de dados dos estudos já realizados, conforme foi amplamente constatado no âmbito de pesquisa realizada no presente estudo. Com isso, claramente o presente estudo conclui que os conceitos relativos à Doença de Alzheimer não se tratam de conceitos definidos e imutáveis, e sim conclui-se que a doença, ora em estudo, encontra-se em constante estudo, visto que estes conceitos se mostram em constante mutação. Nesse sentido, após a compreensão quanto a necessidade de se promover a ampliação dos estudos do tema em questão, o trabalho em questão vislumbrou a importância em relação ao papel da Enfermagem e a sua importância nos cuidados com o doente e no tratamento da doença. Assim, diante do estudo realizado, conclui-se a importância em relação ao trabalho de frente realizado pelos profissionais de Enfermagem, que realizam um trabalho de grande relevância, fundamental no tratamento e avanço nos estudo científicos que possam, quem sabe, resultar no caminho para melhores resultados no tratamento dessa que é uma doença que acomete não só o paciente, como também, a todos os familiares do enfermo, almejando em um futuro próximo, pela busca da cura da doença.

Palavras-chave: Doença de Alzheimer; Saúde, Enfermagem.

Abstract

Alzheimer’s Disease and the Role of Nursing: Based on technical knowledge about the subject in question, this work aims, through existing literature review, to present knowledge and practices related to the Health Area concerning Alzheimer’s Disease (AD), focusing on the Nursing Team’s role in the context of this disease. Initially, the main objective revolved around understanding the disease itself; however, given that Alzheimer’s Disease lacks extensive literature—primarily because it remains under constant study, undergoing ongoing changes and adjustments in its concepts—new discoveries, both conceptual and behavioral, regarding treatment and patients, are a frequent reality in this field. The literature review found was quite limited, highlighting the significant need to promote more studies on this disease, which not only lacks comprehensive references but also requires better dissemination of data from existing research, as extensively observed in the current study. Therefore, it is clear that the concepts related to Alzheimer’s Disease are not fixed or immutable; rather, the disease is in a state of continuous study, with its concepts constantly evolving. Recognizing the importance of expanding research on this topic, this work emphasizes the critical role of Nursing in patient care and treatment. Consequently, based on the study, it is concluded that the work carried out by Nursing professionals is of great relevance and fundamental in the treatment process and in advancing scientific research that may, perhaps, lead to better outcomes in managing this disease—one that affects not only the patient but also their family members. The goal is, in the near future, to find a cure for Alzheimer’s.

Keywords: Alzheimer’s Disease; Health, Nursing

1Introdução 

O aumento da população idosa está acelerado no Brasil, atualmente segundo o IBGE a população brasileira idosa é de  22 milhões de pessoas, e a estimativa  é de que no ano de 2060 a população alcance 73 milhões de idosos (60 anos ou +) (SILVA, Stefanni. 2021). O corpo humano passa a se degenerar com o passar do tempo, os estímulos cerebrais tendem a diminuir, podendo facilitar o acometimento pelo Alzheimer, outros fatores ligados a idade e ao surgimento da DA são: sedentarismo, baixa escolaridade, sexo feminino, comorbidades como HAS (hipertensão arterial sistêmica), DM (diabete Melitus) e alimentação (SANTOS, Camila de Souza dos. 2020)

O papel do enfermeiro no tocante ao Alzheimer costuma ser mais abrangente tendo em vista se tratar de uma doença que mina as capacidades neurológicas e físicas do paciente. Além do paciente é preciso que haja uma interação com os familiares e com todos aqueles que fazem parte da vida do paciente. O doente que tem Alzheimer terá alterações de humor e de comportamento, então aqueles que estão ao seu redor tem que estar cientes dessas condições. Faz-se necessário compreender que, quanto mais a doença evolui, mais as capacidades neurológicas e físicas regridem. Com base nos estudos, a capacitação dos cuidadores e familiares é o papel do enfermeiro, ao auxiliar os cuidados e manejo com o paciente. (DE ARAÚJO SILVA, Eunice. et al. 2021).

O cuidado de assistência de enfermagem está ligado a aceitação da doença pelo familiar e pelo portador, no uso correto da medicação prescrita pelo médico assistente do paciente, na adaptação de nova rotina nos cuidados diários, assim como na escuta ativa e no acompanhamento cognitivo com ações básicas que estimulem o paciente. (DE ARAÚJO SILVA, Eunice. et al. 2021). 

Diante do exposto o objetivo  deste estudo foi analisar o papel da enfermagem na assistência e no cuidado ao paciente com Doença de Alzheimer, destacando a importância da capacitação dos cuidadores e familiares diante do avanço da população idosa no Brasil.

2 – Metodologia 

A pesquisa foi executada nas bases de dados PubMed e Google Acadêmico e Scielo, visando artigos científicos que tivessem relação com o tema de interesse de estudo. Os critérios de inclusão foram os artigos publicados em até 7 anos, (2019-2025), nas línguas português, espanhol e inglês. Os artigos encontrados foram selecionados conforme título, objetivo e resultados, e após análise criteriosa 9  foram usados para embasar a discussão desta pesquisa, Foram excluídos: Estudos que não tinham relação direta com a prática da enfermagem no contexto da Doença de Alzheimer, trabalhos duplicados em bases distintas e artigos de opinião, editoriais ou resumos sem acesso ao texto completo. Utilizando descritores combinados com operadores booleanos, como: “Doença de Alzheimer” AND “enfermagem”, “cuidados de enfermagem” AND “idoso”, “capacitação de cuidadores” AND “Alzheimer”, a triagem dos estudos foi feita inicialmente pela leitura dos títulos e resumos. Em seguida, os artigos que atenderam aos critérios foram lidos na íntegra. Após a leitura completa, os dados relevantes foram extraídos.

Como forma de embasamento teórico e estatístico, também foram consultadas fontes institucionais e bases confiáveis, tais como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Organização Mundial da Saúde (OMS), o portal do Governo Federal (GOV), a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e a base Index.

3 – Resultados e Discussão

O Alzheimer atualmente é uma realidade para muitos, porém, não se apresenta como um mal desconhecido como era no passado. Antes se dizia que a pessoa estava ficando ‘’caduca’’, às vezes nem se procurava um tratamento por se achar que isso era coisa da idade e que, portanto, não tinha remédio ou cura. O diagnóstico da Doença de Alzheimer é essencialmente clínico, sendo o diagnóstico diferencial com outras causas de demência, em geral, difícil. Por sua evolução insidiosa, comprometendo inicialmente a memória, a Doença de Alzheimer é muito confundida com uma condição benigna e frequente entre idosos, ou seja, o declínio cognitivo naturalmente associado à idade. (DE ARAÚJO SILVA, Eunice. et al. 2021).

Doença de Alzheimer (DA) é uma das mais preocupantes que existe pelo simples fato de não possuir cura. Possivelmente a faixa etária que mais se preocupa com Alzheimer são os idosos, pois é comum que esse mal atinja a esta classe. Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2023) “Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória, comprometimento progressivo das atividades de vida diária e uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais”.

Os sintomas abrangem a diminuição  progressiva de memória além de outras perdas cognitivas o que irá reduzir sensivelmente a qualidade de vida do doente. Desta forma há que se entender que essa doença compromete não só a vida do doente como também das pessoas que os rodeiam. A doença instala-se quando o processamento de certas proteínas do sistema nervoso central começa a dar errado. Surgem, então, fragmentos de proteínas mal cortadas, tóxicas, dentro dos neurônios e nos espaços que existem entre eles. Como consequência dessa toxicidade, ocorre perda progressiva de neurônios em certas regiões do cérebro, como o hipocampo, que controla a memória, e o córtex cerebral, essencial para a linguagem e o raciocínio, memória, reconhecimento de estímulos sensoriais e pensamento abstrato (BRASIL, 2023).

Há que se dizer que esse paciente morre um pouco a cada dia sem a perspectiva de cura. Diante disso o papel do Enfermeiro é gerenciar os cuidados para fornecer maior autonomia ao paciente e conforto, com foco nas principais necessidades do paciente. O auxílio ao enfrentamento é apenas uma das etapas do cuidado, já que as necessidades do paciente partem do âmbito fisiológico, medicamentoso, mental e familiar que devem ser levadas em consideração pela sua importância na rotina de cuidados. A estimulação cognitiva do paciente com DA é essencial para manter as funções operantes por mais tempo, trazendo benefícios como autonomia e autoestima. Demonstrando a importância  “Os cuidados de enfermagem em pacientes portadores da doença de Alzheimer estão interligados na constante educação continuada ao idoso acometido e seus familiares a respeito da patologia” (DE ARAÚJO SILVA, Eunice. et al. 2021).

Os fatores que contribuem para a Doença de Alzheimer que foram descritos no artigo ‘Fatores associados à demência em idosos’ ‘(SANTOS, Camila de Souza dos. et al. 2020) foram elencados com informações de atividades que aparentemente protegem contra a doença. Desta forma observa-se que um alto nível educacional e exercícios físicos regulares, ao longo da vida parecem proteger contra a doença. 

Concomitante a isso há que se discorrer sobre o papel da Enfermagem em todo esse processo. Os cuidados de enfermagem para pacientes com Alzheimer envolvem ações que promovem a segurança, a autonomia e o bem-estar do indivíduo, incluindo a adaptação do ambiente, a comunicação adequada e o suporte emocional, além de monitorar sinais de complicações e orientar os familiares sobre o manejo da doença. (FRANCO, A. S. J. G; Lima. et al.  2023)

A Doença de Alzheimer costuma evoluir para vários estágios de forma lenta e inexorável, ou seja, não há o que possa ser feito para barrar o avanço da doença. A partir do diagnóstico, a sobrevida média das pessoas acometidas por Alzheimer oscila entre 8 e 10 anos. O quadro clínico costuma ser dividido em quatro estágios: Estágio 1 (forma inicial): alterações na memória, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais; Estágio 2 (forma moderada): dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos. Agitação e insônia; Estágio 3 (forma grave): resistência à execução de tarefas diárias. Incontinência urinária e fecal. Dificuldade para comer. Deficiência motora progressiva; Estágio 4 (terminal): restrição ao leito. Mutismo. Dor à deglutição. Infecções intercorrentes ( Ministério da Saúde, 2023).

4 – Considerações  Finais

Alzheimer é uma doença neurodegenerativa irreversível, pelo menos atualmente. É possível que no futuro tenhamos a cura. Todavia, enquanto essa cura não vem, faz-se preciso estar atento às diversas formas de tratamento da doença. A pauta é uma só: se não há cura, é preciso reduzir ao máximo as dificuldades e o sofrimento do paciente. Neste trabalho procurou-se esmiuçar o Alzheimer sempre visando uma melhor compreensão da doença para manejá-la de forma correta, sempre tendo como objetivo final a integridade física e mental dos doentes.

Desta forma não se pode ter um conceito pronto sob o risco de que o mesmo venha sofrer alterações por novas descobertas. Por enquanto, o que se tem de certo é que quanto mais a doença avança, mais o paciente vai apresentando perdas neurológicas e físicas para o profissional da enfermagem essa situação se apresenta como uma oportunidade de aumentar a competência de seu trabalho que já é grande. Estar ao lado de pessoas com Alzheimer é, para o enfermeiro, um desafio constante. Como essa é uma doença que não traz prejuízos só ao paciente, mas também aos seus familiares, torna-se necessário que o enfermeiro esteja apto para enfrentar todas as situações. Uma tarefa que se apresenta como árdua, mas que esse profissional dedicado aos cuidados, consegue realizar. Muito, por sua competência profissional, mas também por sua capacidade de adaptar-se às diversas situações, sempre visando o bem-estar de seus pacientes. 

5 – Referências bibliográficas. 

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Doença de Alzheimer. Publicado em 10/Fev./2023. Disponível na Internet em <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/alzheimer>. Acesso em 16/Fev./2025
  2. CALIMAN, Giovana Tormena; OLIVEIRA, Rúbia Maria Weffort de. Novas perspectivas no tratamento da doença de Alzheimer. In. Iniciação Científica Cesumar, [S. l.], v. 7, n. 2, p. 141–162 Publicado em 2007. Disponível na Internet em <https://periodicos.unicesumar.edu.br/index.php/iccesumar/article/view/112>. Acesso em 16/Fev./2025.
  3. DE ARAÚJO SILVA, Eunice; DA SILVA, Elizete Cordeiro; DE  SOUZA FERREIRA, Luzia. Cuidados de enfermagem em idosos diagnosticados com a doença de Alzheimer. Revista Brasileira Interdisciplinar de Saúde- ReBIS, v.3, n.3,2021
  4. FRANCO, A. S. J. G; Lima, P. N; PASSOS, S. G. de. Cuidados de Enfermagem com o idoso portador de Alzheimer. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, Brasil, São Paulo, v. 6, n. 13, p. 1842-1855, 2023.   DOI:10.55892/jrg.voi.13.793. Disponível em: https://revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/793. Acesso em: 6 ago. 2025.
  5. MENDES, Kátia De Souza; SILVEIRA, Rosângela Cristina da; GALVÃO, Cristina Maria. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto & Contexto – Enfermagem, v. 30, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/tce/a/FQ7JYqkskSRTJZmzms3ybbg/?lang=pt. Acesso em: 6 ago. 2025.
  6. SANTOS, Camila de Souza dos; BESSA, Thaissa Araujo de; XAVIER, André Junqueira. Fatores associados à demência em idosos. Ciência & Saúde Coletiva; v. 25, p. 603-611, 2020.
  7. SASS, Ellen Christina ; RISCHIOTO, Julia De Souza. O Papel do Enfermeiro na Assistência ao Paciente Portador da Doença de Alzheimer. In. TCC. Amparo-SP: UNISEPE, 2023.
  8. SILVA, S. F. P.; ARAÚJO, A. H. I. M. de; MENDES, M. I. de O. I. . ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE PORTADOR DE ALZHEIMER: UMA REVISÃO DA LITERATURA. Revista JRG de Estudos Acadêmicos , Brasil, São Paulo, v. 4, n. 8, p. 67–78, 2021. DOI: 10.5281/zenodo.4568424. Disponível em: https://revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/212. Acesso em: 30 jul. 2025.

1enf-luceliavienc@camporeal.edu.br
2enf-anafernandes@camporeal.edu.br
3Professora e orientadora.