REABILITAÇÃO COM IMPLANTES EM PACIENTES ONCOLÓGICOS PÓS-RADIOTERAPIA: DESAFIOS E RESULTADOS 

REHABILITATION WITH IMPLANTS IN POST-RADIOTHERAPY CANCER PATIENTS: CHALLENGES AND RESULTS 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202503301846


Rafaela Silva Wilpert1, Gabriel Batista dos Santos2, Adriel Pereira Brum3, Ana Vitória de Farias Vasconcelos4, Daniela Cristina de Oliveira5, Lucio José Assis da Silva6, Obsahir Bertolino dos Santos7, Amanda de Figueiroa Silva8 


RESUMO

A reabilitação oral de pacientes oncológicos que passaram por radioterapia é um desafio na odontologia que precisa de atenção especial e um toque personalizado. Sendo assim, este estudo tem como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura sobre os principais resultados sobre reabilitação com implantes em pacientes oncológicos pós-radioterapia. Para isto, foram utilizadas as bases de dados eletrônica: U. S. National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Cochrane Library, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), além disso, foi utilizado o Google Scholar, uma biblioteca eletrônica de artigos científicos e trabalhos acadêmicos da literatura cinzenta, a fim de pesquisar e identificar estudos que respondessem à pergunta norteadora desta revisão integrativa da literatura. A reabilitação com implantes dentários em pacientes oncológicos pós radioterapia pode ser eficaz, mas depende de fatores como a dose de radiação, o tempo entre a radioterapia e a colocação do implante, e as condições do osso irradiado. Embora os implantes mostrem boas taxas de sucesso, complicações como falhas do implante e osteorradionecrose ainda são desafios. Em conclusão, a abordagem cuidadosa e personalizada é essencial para otimizar os resultados, e mais estudos são necessários para aprimorar as técnicas e aumentar a confiabilidade do tratamento. 

Palavras-chave: Reabilitação. Implantes dentários. Radioterapia. 

ABSTRACT

The oral rehabilitation of oncology patients who have undergone radiotherapy is a challenge in dentistry that requires special attention and a personalized touch. Therefore, this study aims to conduct an integrative review of the literature on the main results of rehabilitation with implants in oncology patients after radiotherapy. For this, the following electronic databases were used: U.S. National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Cochrane Library, Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences (LILACS); in addition, Google Scholar, an electronic library of scientific articles and academic papers from the gray literature, was used in order to search and identify studies that answered the guiding question of this integrative literature review. Rehabilitation with dental implants in oncology patients after radiotherapy can be effective, but it depends on factors such as the radiation dose, the time between radiotherapy and implant placement, and the condition of the irradiated bone. Although implants show good success rates, complications such as implant failure and osteoradionecrosis remain challenges. In conclusion, a careful and personalized approach is essential to optimize results, and further studies are needed to improve techniques and increase treatment reliability.

Keywords: Rehabilitation. Dental implants. Radiotherapy. 

INTRODUÇÃO 

A reabilitação oral de pacientes oncológicos que passaram por radioterapia é um desafio na odontologia que precisa de atenção especial e um toque personalizado. O tratamento do câncer, especialmente em áreas como a cabeça e o pescoço, geralmente envolve radiação, que pode causar sérios problemas nas estruturas orais e maxilofaciais. Entre as complicações, a perda de densidade óssea, alterações na circulação sanguínea e dificuldade na cicatrização são as mais comuns, o que torna a colocação de implantes dentários uma tarefa mais delicada e arriscada. Entender os obstáculos e as oportunidades na reabilitação com implantes dentários é essencial para garantir que esses pacientes tenham uma qualidade de vida melhor (Zarzar et al., 2024). 

A radioterapia, uma abordagem comum no combate a vários tipos de câncer, impacta diretamente os tecidos orais e ósseos, afetando a mastigação, a estética e até a fala. Os efeitos colaterais incluem osteorradionecrose, redução da vascularização e cicatrização mais lenta, tornando o processo de integração dos implantes dentários mais complicado em ossos que foram irradiados. Além disso, muitos pacientes que passam por tratamentos intensos de câncer acabam perdendo dentes e partes do osso, o que torna a reabilitação funcional e estética um verdadeiro desafio. Porém, reconquistar a função e a estética da boca é uma prioridade critical na odontologia após o câncer (Sriram et al., 2024). 

Entre as opções de tratamento, os implantes dentários se destacam como uma solução prática e duradoura para restaurar a mastigação e a aparência facial. Contudo, a reabilitação oral com implantes em pacientes que receberam radioterapia exige cuidados especiais para lidar com as mudanças nos tecidos afetados. O processo de osseointegração, que é quando o implante se funde ao osso, pode ser comprometido pela radioterapia, pois os ossos irradiados têm uma capacidade de cicatrização reduzida e densidade óssea menor. Por isso, escolher o momento certo para a colocação do implante e avaliar as condições do osso irradiado é fundamental para o sucesso do tratamento (Oliveira et al., 2020). 

Além dos desafios biológicos que a radioterapia impõe, o tratamento com implantes dentários em pacientes irradiados traz à tona algumas questões técnicas. A seleção do tipo de implante e da prótese ideal deve considerar a anatomia alterada do paciente, o risco de complicações após a cirurgia e a necessidade de garantir conforto e funcionalidade. Em muitas situações, pode ser necessário optar por sistemas de prótese mais avançados, como overdentures ou próteses fixas, para assegurar a estabilidade e a durabilidade do tratamento. Um planejamento detalhado, adotando uma abordagem colaborativa, é imprescindível para maximizar os resultados e atender às necessidades particulares de cada paciente (Jehn et al., 2024). 

Além disso, é importante destacar que, além das questões técnicas, a reabilitação oral tem um papel muito importante na recuperação emocional e psicológica dos pacientes oncológicos. A perda de dentes ou a dificuldade de mastigar e falar tem um impacto direto na autoestima e na qualidade de vida, muitas vezes intensificando o sofrimento emocional causado pela doença. A restauração da função oral por meio de implantes dentários pode contribuir significativamente para a reintegração social do paciente, oferecendo-lhe mais independência e confiança no cotidiano. Portanto, o impacto positivo da reabilitação odontológica vai além dos aspectos funcionais, influenciando diretamente o bem-estar psicológico do paciente (Wuster et al., 2023). 

Apesar das evidentes dificuldades, a reabilitação com implantes dentários em pacientes oncológicos pós-radioterapia tem mostrado resultados positivos em muitos casos. A evolução constante das técnicas cirúrgicas e protéticas, aliada à melhor compreensão dos efeitos da radiação no organismo, tem permitido que mais pacientes se beneficiem dessa forma de tratamento. No entanto, é evidente que ainda existem muitos desafios a serem superados, como a necessidade de estudos mais aprofundados e protocolos clínicos específicos, que possam otimizar o sucesso do tratamento e garantir melhores resultados a longo prazo (Jehn et al., 2024). A busca por inovações e soluções adaptativas é crucial para a continuidade desse progresso. Sendo assim, este estudo tem como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura sobre os principais resultados sobre reabilitação com implantes em pacientes oncológicos pós-radioterapia. 

MÉTODOS 

Esta revisão integrativa da literatura possui uma metodologia qualitativa, sendo baseada em Rother6 e Pereira et al.7, e no desenvolvimento da seguinte pergunta de pesquisa: Quais os principais resultados sobre reabilitação com implantes em pacientes oncológicos pós radioterapia? 

Para isto, foram utilizadas as bases de dados eletrônica: U. S. National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Cochrane Library, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), além disso, foi utilizado o Google Scholar, uma biblioteca eletrônica de artigos científicos e trabalhos acadêmicos da literatura cinzenta, a fim de pesquisar e identificar estudos que respondessem à pergunta norteadora desta revisão integrativa da literatura.  

Esta revisão integrativa baseou-se em cinco etapas: Na primeira etapa foi o estabelecimento dos descritores para ambas as bases de dados, sendo uma com a utilização de MeSHterms (PubMed/Cochrane Library) e DeCS (SciELO e LILACS). Em seguida, segunda etapa, foi feito a busca avançada nas bases e análise do quantitativo dos artigos científicos presentes na íntegra. Logo em seguida, na terceira etapa, foram selecionados os artigos que se adequaram aos critérios de elegibilidade estabelecidos pelos pesquisadores. Na quarta e quinta etapa, os pesquisadores formularam uma tabela descritiva sobre os autores, objetivo da pesquisa, resultados e conclusão e em seguida, desenvolvimento da discussão dos artigos científicos, a fim de responder à pergunta norteadora estabelecida no início desta metodologia. 

Foram utilizados descritores para a composição da chave de pesquisa, sendo os seguintes (MeSH/DeCS): Reabilitação/Rehabilitation; Implantes dentários/Dental Implants; Neoplasia/Neoplasms; Radioterapia/Radiotherapy. Em seguida, os pesquisadores selecionaram os trabalhos com análise no título e resumo, com base nos critérios de elegibilidade. Os critérios de elegibilidade foram os seguintes: artigos publicados em inglês, português e espanhol; relatos de casos; pesquisas laboratoriais, ensaios clínicos randomizados ou não randomizados, artigos que se adequem à temática; não houve restrição de ano de publicação. 

Também foi utilizado o sistema de formulário avançado para busca e seleção dos artigos utilizando conector booleano “AND”. Em seguida, artigos que preencheram os critérios de elegibilidade foram identificados e incluídos na revisão.  

RESULTADOS 

Os trabalhos que preencheram todos os critérios de seleção foram incluídos no estudo, os que não preencheram os critérios e/ou não se mostraram relevantes foram excluídos. Apesar do grande número de artigos encontrados na busca avançada do Google Scholar, grande parte do material não possuía correlação com a temática abordada. Os resultados por análise foram representados na Tabela 1 e estabeleceu-se a construção da Tabela 2 aos estudos selecionados, com formulação das colunas (Autor/Ano; Objetivo do estudo; Resultados e Conclusão). 

Tabela 1 – Seleção dos artigos por análise empregada e estabelecimento dos critérios de inclusão. 

Tabela 2 – Estudos detalhados em tabela de resultados

Autor/AnoObjetivo do estudoResultadosConclusão
Esposito et al. (2013)Comparar o sucesso, a morbidade, a satisfação
do paciente e a relação custo benefício do tratamento com implantes dentários realizado com e sem oxigenação hiperbárica em pacientes irradiados.
Apenas um ensaio clínico controlado, fornecendo
evidências de qualidade muito baixa, foi identificado e incluído. Treze pacientes
receberam terapia com oxigenação hiperbárica, enquanto outros 13 não. Dois a seis implantes foram colocados em
pessoas com mandíbulas
totalmente edêntulas para serem reabilitadas com overdentures com barras. Um ano após o carregamento do implante, quatro pacientes morreram de cada grupo. Um paciente, tratado com OHB, desenvolveu uma
osteorradionecrose e perdeu todos os implantes, de modo
que a prótese não pôde ser fornecida. Cinco pacientes no grupo oxigenação hiperbárica tiveram pelo menos uma falha do implante contra dois no grupo controle. Não houve diferenças estatisticamente
significativas para falhas de próteses e implantes, complicações pós-operatórias e satisfação do paciente entre os dois grupos.
Apesar da quantidade limitada de pesquisas clínicas disponíveis, parece que a terapia com
oxigenação hiperbárica em pacientes
irradiados que
necessitam de implantes dentários pode não oferecer nenhum benefício clínico
apreciável. Há uma necessidade definitiva de mais ensaios clínicos controlados para verificar a eficácia da oxigenação hiperbárica em pacientes irradiados que necessitam de implantes dentários.
Oliveira et al. (2020)Relatar um caso de aumento da
hiperdensidade da cortical óssea línguo basal pós radioterapia em região de cabeça e pescoço por meio de avaliação imaginológica.
Paciente do sexo feminino, 80 anos, procurou tratamento
odontológico com a
finalidade de reabilitação oral com implantes dentários. Na anamnese, relatou histórico de carcinoma espinocelular em regiões distintas da cavidade oral.
No exame clínico, notou-se que a paciente era edêntula total e foi solicitado um exame de tomografia computadorizada de feixe cônico. Foi observado, na
região anterior inferior, aumento da hiperdensidade da
cortical óssea línguo-basal, com osso compacto mais
espesso, achado incomum na literatura após radioterapia.
Os efeitos da radioterapia em mandíbula estão relatados na literatura. No caso clínico em questão,
detectou-se uma alteração pouco notada em pacientes submetidos à radioterapia, fazendo surgir novos questionamentos, sendo eles sobre o diagnóstico dessa modificação na estrutura óssea e
suas repercussões.
Soares et al. (2016)Relatar o uso de uma prótese obturadora
tipo overdenture para compensar a deficiência estética em um paciente previamente irradiado.
Um indivíduo do sexo masculino, 73 anos
de idade, que possuía
uma prótese sobre
três implantes dentários foi acometido de câncer no seio maxilar e assoalho da órbita.
Seis doses de cisplatina e 35 sessões de radioterapia (dose diária 1,8 Gy) foram executadas. Após a maxilectomia, apenas um implante restou na região anterior.
O tratamento consistiu de uma prótese obturadora tipo overdenture com encaixe tipo Equator. O paciente retornou um ano depois, sem
alterações estéticas e com nível de satisfação melhorado.
Entretanto, o anel borrachoide do encaixe foi trocado.
Reabilitações implantossuportadas e mucorretidas que recebem
carregamento tardio pode melhorar o prognóstico de implantes dentais em pacientes irradiados.
Este cuidado mostra que este cenário ainda requer
maior atenção da comunidade científica, na busca por meios de
prevenir e minimizar os danos causados pela radioterapia, por inovações
tecnológicas e protocolos regenerativos que potencializem a osseointegração. Com isso, a Odontologia poderá contribuir ainda mais com a melhora
da qualidade de vida de pacientes, devolvendo satisfação pessoal e autoestima.
Colet et al. (2013)Relatar o caso de um paciente submetido
a alta dose de radioterapia, após
o tratamento cirúrgico de um tumor maligno em assoalho de boca.
Foram instalados seis
implantes na região anterior de mandíbula e confeccionada uma prótese conforme
o protocolo de Brånemark.
Implantes osseointegráveis
podem ser seguramente
utilizados, tomando-se alguns cuidados especiais em relação aos efeitos adversos da ressecção e radioterapia. Melhorias na mastigação, fonação e estética facilitam a reintegração social
desses pacientes, minimizando seu desconforto e sofrimento, além de otimizar os resultados
terapêuticos e a qualidade de vida.
Shokouhi e Cerajewska (2022)Descobrir se a radioterapia nesses
pacientes afeta a sobrevida dos implantes dentários e discutir detalhes dos fatores de influência pertinentes.
Sete estudos envolvendo 441 participantes e 1502
implantes colocados em osso irradiado foram incluídos. A
metanálise indicou que a sobrevida foi
significativamente maior na mandíbula em comparação com a maxila (p = 0,04) e nos casos não irradiados em
comparação com os casos irradiados (p < 0,001). Outros fatores que mostraram uma
forte associação com a sobrevida foram a dose de radiação e o momento da cirurgia.
A reabilitação baseada em implantes é uma opção viável para pacientes com câncer de cabeça e pescoço submetidos à
radioterapia. Embora a sobrevida do implante a curto a médio prazo nesses casos seja alta, vários fatores requerem consideração cuidadosa para um resultado favorável. Mais pesquisas de alta qualidade e
ensaios clínicos randomizados são necessários neste campo.
Filho et al. (2016)Avaliar a segurança de implantes dentários colocados em osso irradiado e discutir sua viabilidade quando colocados após radioterapia (RT)A estratégia de busca resultou em 8 publicações. Um total
de 331 pacientes recebeu 1237 implantes, com uma
taxa de falha geral de 9,53%. As taxas de sucesso da osseointegração variaram entre 62,5% e 100%. O intervalo de tempo ideal entre a irradiação e o implante dentário variou de 6 a 15 meses.
O tempo de intervalo entre a RT e a colocação do implante e as doses de radiação não estão
associados a taxas significativas de falha do implante. A colocação de implantes em osso
irradiado é viável, e a RT de cabeça e pescoço não deve ser considerada como contraindicação para reabilitação dentária com implantes.
Smith et al. (2016)Comparar a taxa de sucesso de implantes
colocados em tecido ósseo humano
irradiado com a de implantes colocados
em áreas não irradiadas
Um total de 40 estudos envolvendo 2220 participantes e 9231 implantes dentários foram selecionados. A curva de sobrevida dos estudos indicou uma taxa de sobrevida de
84,3% para implantes
instalados em tecido ósseo irradiado. A metanálise indicou diferenças estatisticamente significativas (P<,001) entre as taxas de
sucesso dos itens dos
implantes colocados em áreas irradiadas e dos implantes colocados em áreas não irradiadas.
Os implantes dentários instalados na área irradiada de uma cavidade oral têm uma alta taxa de
sobrevivência, mas é necessário um monitoramento rigoroso para evitar complicações, reduzindo assim possíveis falhas.
Schiegnitz et al. (2014)Fornecer recomendações e diretrizes para a terapia com implantes dentários em pacientes com histórico de radiação na região da cabeça e pescoço.A taxa média de
sobrevivência do implante de todos os estudos examinados
foi de 83% (variação, 34-100%). A metanálise da
literatura atual (2007-2013) não revelou diferença estatisticamente significativa na sobrevida do implante entre osso nativo não irradiado e osso nativo irradiado (odds ratio [OR],
1,44; intervalo de confiança [IC], 0,67-3,1). Em contraste,
a meta-análise da literatura dos anos 1990-2006 mostrou uma diferença significativa na sobrevida do implante entre pacientes não irradiados e irradiados ([OR], 2,12; [IC], 1,69-2,65) com maior sobrevida do implante no osso não irradiado. A metanálise da sobrevida do
implante em relação à origem óssea indicou uma maior sobrevida do implante estatisticamente significativa no osso nativo irradiado em
comparação com o osso enxertado irradiado ([OR], 1,82; [CI], 1,14-2,90).
A evolução do hardware do implante e o aprimoramento das
estratégias de tratamento nos últimos anos têm afirmado os conceitos suportados por implantes dentários como uma
opção de tratamento valiosa para pacientes com histórico de
radiação na região da cabeça e pescoço.
Zarzar et al. (2024)Avaliar a eficácia dos implantes dentários
colocados em pacientes submetidos à
radioterapia para o tratamento do câncer
de cabeça e pescoço, bem como avaliar a
qualidade metodológica das revisões sistemáticas incluídas.
Foram avaliados 24.996 implantes em 5487 pacientes, com taxa de sucesso de 86,2% nos pacientes submetidos à radioterapia e de 95,2% nos pacientes não submetidos à radioterapia. Apenas uma das revisões
sistemáticas foi de alta qualidade de acordo com o AMSTAR 2.
A reabilitação oral com implantes dentários em pacientes com história de câncer de cabeça e pescoço submetidos à
radioterapia é uma terapia válida.
No entanto, dado o nível de evidência encontrado, novos estudos com melhor desenho são
necessários para proporcionar
maior confiança na decisão clínica.
Barrowman et al.(2011)Relatar a experiência clínica da colocação de implantes dentários em pacientes após ressecção de câncer bucal em um período de 15 anos. Controvérsias, incluindo o uso de implantes dentários em tecidos irradiados e o tratamento com oxigênio hiperbárico, também serão discutidas.Neste estudo retrospectivo, houve uma taxa de retenção
de 110 implantes de um total de 115 implantes colocados.
Foi encontrada uma alta taxa de retenção do implante, com
5 falhas de implantes de um total de 115 implantes colocados. Os 5 implantes com falha ocorreram em retalho ósseo livre que havia sido irradiado.
Os implantes dentários
desempenham um papel importante na reabilitação oral de
pacientes com câncer bucal. Pode haver um risco aumentado de
falha do implante no osso do retalho livre que foi irradiado.
Wüster et al. (2023)Avaliar a influência da vestibuloplastia no sucesso clínico e na sobrevida dos implantes dentários em pacientes com tumor de cabeça e pescoço.Foram avaliados 247
implantes dentários em 49 pacientes (18 mulheres e 31 homens; idade média de 63,6 anos). Durante o período de observação, 6 implantes foram perdidos. A taxa de sobrevida acumulada foi de 99,1% após 1 ano e 3 anos e 93,1% após 5 anos para pacientes sem
vestibuloplastia, em
comparação com uma taxa de sobrevida e sucesso de 100% após 5 anos em pacientes com
vestibuloplastia. Além disso, os pacientes com vestibuloplastia apresentaram taxas de reabsorção óssea
peri-implantar
significativamente menores após 5 anos (mesial: p = 0,003; distal: p = 0,001).
Este estudo demonstra uma alta sobrevida cumulativa e taxa de sucesso de implantes dentários após 5 anos em pacientes com tumor de cabeça e pescoço,
independentemente da irradiação. Pacientes com vestibuloplastia
apresentaram uma taxa significativamente maior de sobrevida do implante e reabsorção óssea peri-implantar significativamente menor após 5 anos.
Curi et al. (2018)Analisar o sucesso a longo prazo e os fatores que potencialmente influenciam o sucesso dos implantes dentários
colocados em pacientes com câncer de cabeça e pescoço submetidos à
radioterapia com dose total mínima de
50Gy durante os anos de 1995 a 2010.
Setenta e nove implantes dentários foram colocados na maxila e 90 na mandíbula. O
seguimento médio após a instalação do implante foi de 7,4 anos (variação de 0,3 a 14,7 anos). A taxa de
sobrevida global em 5 anos para todos os implantes foi de 92,9%. O sexo (P<0,001) e o tipo de aplicação da
radioterapia (P=0,005)
tiveram influência
estatisticamente significativa na sobrevida do implante. Idade, tempo de implantação após a irradiação, marca e
dimensões do implante e
oxigenoterapia hiperbárica não tiveram influência
estatisticamente significativa na sobrevida do implante.
Os implantes dentários
osseointegrados podem ser usados com sucesso na reabilitação oral de pacientes com
câncer de cabeça e pescoço com histórico de radioterapia. Fatores
de risco, como sexo e modo de administração da radioterapia, podem afetar a sobrevida do
implante.
Sriram et al. (2024)Esclarecer o impacto da ordem de tratamento oncológico na sobrevida do implante.As taxas de sobrevivência
combinadas para implantes que receberam RTX de >60 Gy foram significativamente
menores do que os implantes que receberam < 60 Gy (82,8% versus 90,1%, P = 0,035). A colocação >1 ano após a conclusão do RTX
melhorou as taxas de
sobrevivência do implante (96,8% versus 82,5%, P = 0,001). Os implantes que receberam RTX pré colocação aumentaram a
sobrevida com a pós-ablação RTX em comparação com
antes (91,2% versus 74,8%, P <0,001). Cento e setenta e sete implantes foram
colocados apenas em FFF com maior sobrevida do que os implantes colocados em FFF ou osso nativo (90,4% versus 83,5%, P = 0,035). A
radioterapia é prejudicial às taxas de sobrevivência do
implante quando administrada muito cedo, em altas doses e antes da ressecção do tumor.
A sobrevida global das próteses dentárias é aceitável, reafirmando seu papel como componente chave na reabilitação de pacientes com CCP. Considerações devem
ser feitas em relação à dosagem, tempo e localização do implante RTX para otimizar as taxas de sobrevivência e os resultados do
paciente para melhorar a funcionalidade, estética e conforto.
Pompa et al. (2015)Avaliar a sobrevida de implantes dentários colocados após cirurgia ablativa, em pacientes acometidos por câncer bucal tratados com ou sem radioterapia.A perda do implante foi dependente da posição e localização dos implantes (P = 0,05-0,1). Além disso, a sobrevida do implante dependia de o paciente ter recebido radioterapia. Esse resultado foi altamente
estatisticamente significativo (P < 0,01). Se o implante foi
carregado é outro fator altamente significativo (P <0,01) que determina a
sobrevida. Observamos
resultados significativamente
melhores quando o implante não foi carregado até pelo menos 6 meses após a colocação.
Embora o desenho retrospectivo deste estudo possa ser afetado por vieses de seleção e informação,
concluímos que um protocolo de
carregamento tardio dará a melhor chance de osseointegração do implante, estabilidade e, em última análise,
reabilitação dentária eficaz.
Jehn et al. (2024)Avaliar os resultados clínicos e a QVRSB
em oito pacientes que receberam implantes dentários específicos do
paciente e próteses implantossuportadas
após tratamento cirúrgico para câncer bucal com irradiação adicional.
Os escores da soma de um único item relativos aos eventos adversos “dificuldade
em mastigar”, “pegar
comida”, “mandíbula
dolorida”, “pontos doloridos” e “fala pouco clara” foram detectados como os piores, e as dimensões do OHIP
relacionadas à dor
demonstraram os escores mais altos (seguidos por limitação funcional,
incapacidade física e impacto psicossocial) com pior QVRSB após o tratamento da
mandíbula inferior. Os escores da soma de outras dimensões foram geralmente
mais baixos e quase
igualmente distribuídos nos pacientes. O exame clínico revelou reabilitação dentária
bem-sucedida em todos os pacientes com apenas
pequenas deficiências.
A reabilitação dentária de pacientes com câncer bucal irradiado usando implantes dentários específicos do paciente pode ser adequada, levando a uma QVRSB aceitável. No entanto, a inserção do implante na mandíbula superior parece ser mais favorável. Mais estudos sobre implantes dentários
específicos do paciente são necessários para validar os resultados atuais.
Papi et al. (2019)Avaliar como a técnica de radiação pode afetar a perda óssea da crista e a taxa de sobrevida do implante em pacientes com câncer de cabeça e pescoço tratados com radioterapia.Trinta e dois pacientes foram incluídos e um total de 113 implantes dentários colocados em osso residual irradiado. Não houve diferença estatisticamente significativa nos níveis de perda óssea da crista entre os grupos em nenhum dos intervalos (P>0,05), exceto após 6 meses (P=0,028). A taxa de sobrevida cumulativa do implante dentário foi de 94,7%. Após 24 meses, a perda óssea marginal média foi de 0,83±0,12mm no grupo TRC3D e de 0,74±0,15mm no grupo IMRT (P=0,179).Os dados sugerem que as diferentes técnicas de radiação não afetaram os resultados da
reabilitação protética
implantossuportada, em relação à perda óssea da crista e à sobrevida do implante. No entanto, estudos de
acompanhamento a longo prazo são necessários para avaliar a real influência da técnica de radioterapia nos implantes dentários.

Fonte: Elaborado pelos autores, 2025.  

DISCUSSÃO

A reabilitação com implantes dentários em pacientes oncológicos que já passaram por radioterapia apresenta desafios significativos, mas também oferece uma alternativa viável para restaurar tanto a funcionalidade quanto a estética da boca. Vários estudos têm examinado a eficácia e segurança dessa abordagem em pacientes que enfrentaram tratamento oncológico, especialmente no que diz respeito à sobrevivência dos implantes e às complicações que podem surgir devido à radioterapia. 

Pesquisas como a de Shokouhi e Cerajewska (2022) mostraram que a radioterapia pode afetar a sobrevivência dos implantes dentários, com taxas de sucesso muito mais altas na mandíbula do que na maxila. Além disso, a dose de radiação e o tempo de instalação do implante são fatores essenciais para garantir o sucesso. Implantes colocados mais de um ano após a radioterapia tendem a ter resultados melhores. Este achado é apoiado por Filho et al. (2016), que encontraram uma taxa de sucesso relativamente alta de 84-92% para implantes em osso que foi irradiado, mostrando que a reabilitação é viável, apesar dos desafios trazidos pela radioterapia. 

Além disso, estudos indicam que o intervalo entre a radioterapia e a colocação do implante desempenha um papel critical na eficácia da osseointegração. O estudo realizado por Pompa et al. (2015) sugere que a colocação tardia dos implantes, ou seja, a aplicação da prótese após um período de espera, melhora as chances de sucesso. Isso também é confirmado por Sriram et al. (2024), que observam que a instalação do implante após um ano da conclusão da radioterapia melhora significativamente as taxas de sobrevivência do implante. 

No que diz respeito aos efeitos da radioterapia sobre a estrutura óssea e a osseointegração, a técnica de radiação utilizada parece ter um impacto relevante. O estudo de Papi et al. (2019) conclui que diferentes técnicas de radiação, como TRC3D e IMRT, não causam diferenças significativas na perda óssea ou na sobrevivência dos implantes, sugerindo que, com o acompanhamento apropriado, a radiação não deve ser vista como uma contraindicação absoluta para o uso de implantes dentários. 

Embora os implantes dentários representem uma solução promissora, ainda existem preocupações com as complicações pós-operatórias. Esposito et al. (2013) analisaram o uso de oxigenoterapia hiperbárica para aumentar o sucesso dos implantes em pacientes irradiados, mas os resultados não mostraram benefícios clínicos significativos. Por outro lado, Colet et al. (2013) e Soares et al. (2016) sugerem que o uso de overdentures e sistemas de encaixe específicos pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes, reduzindo complicações e proporcionando melhores resultados funcionais e estéticos. 

Além dos aspectos clínicos, também é importante considerar a qualidade de vida dos pacientes. O estudo de Jehn et al. (2024) constatou que, apesar de algumas dificuldades como problemas na mastigação e dor na mandíbula, a reabilitação com implantes específicos levou a uma melhoria significativa na qualidade de vida. Esse resultado é semelhante ao que observaram Soares et al. (2016), que indicaram que, mesmo em situações complicadas, o uso de overdentures pode trazer uma melhoria notável na estética e na função oral. 

Embora os resultados gerais sejam animadores, é evidente que precisamos de mais estudos controlados e de longo prazo para reforçar essas evidências. O trabalho de Zarzar et al. (2024) salienta a importância de ensaios clínicos com uma metodologia mais rigorosa, já que as revisões existentes ainda mostram lacunas que precisam ser abordadas para termos uma compreensão mais aprofundada sobre os efeitos da radioterapia nos implantes dentários. 

A reabilitação com implantes dentários em pacientes oncológicos que passaram por radioterapia é uma alternativa eficaz, desde que aspectos como o tempo de colocação do implante, o tipo de radioterapia e o acompanhamento pós-operatório sejam levados em conta com atenção. Embora intervenções como a oxigenoterapia hiperbárica não tragam benefícios claros, o uso de tecnologias de reabilitação, como overdentures, tem mostrado promissoras perspectivas na melhoria da qualidade de vida desses pacientes. Contudo, estamos necessitando de mais estudos controlados e de longo prazo para refinar os protocolos de tratamento e assegurar a eficácia da reabilitação oral nesses casos. 

Além disso, esse método de tratamento demanda uma abordagem cuidadosa e personalizada, devido às alterações nos tecidos ósseos e musculares causadas pelos tratamentos anteriores. A radioterapia, em particular, pode ocasionar efeitos colaterais significativos, como a redução da vascularização óssea e mudanças nas propriedades de osseointegração, tornando o processo de colocação de implantes dentários mais desafiador. No entanto, a reabilitação com implantes dentários se mostra uma solução eficaz para restaurar a função mastigatória, a estética e a autoestima dos pacientes, proporcionando, assim, uma melhoria considerável na qualidade de vida. 

É essencial considerar o intervalo entre a radioterapia e a colocação dos implantes, uma vez que a cicatrização óssea após a irradiação pode estar comprometida. Embora a radioterapia cause alterações nos ossos irradiados, como perda de densidade e resistência, muitas vezes é possível colocar os implantes com sucesso após um período de espera que permita ao osso recuperar parte de sua integridade. O processo de osseointegração, que consiste na fusão do implante ao osso, pode ser mais lento ou até mesmo comprometido, mas com um acompanhamento adequado e cuidados pós-operatórios, muitos pacientes conseguem obter resultados satisfatórios. 

Adicionalmente, a escolha da prótese e do tipo de implante a ser utilizado influencia diretamente o sucesso da reabilitação. Os sistemas de implantes modernos oferecem uma variedade de soluções para pacientes com ossos irradiados, permitindo uma adaptação mais eficiente e um suporte adequado para as próteses. O uso de overdentures e sistemas de fixação que distribuem a pressão de maneira mais uniforme sobre os implantes pode ajudar a reduzir o risco de complicações, além de otimizar a funcionalidade da prótese. Esses cuidados, aliados a uma abordagem multidisciplinar que inclua dentistas, cirurgiões e oncologistas, são fundamentais para alcançar os melhores resultados a longo prazo. 

CONCLUSÃO 

A reabilitação com implantes dentários para pacientes oncológicos que passaram por radioterapia é uma alternativa viável e eficaz, mesmo que enfrente alguns desafios devido às mudanças ósseas e teciduais provocadas pelo tratamento. Apesar dos estudos mostrarem taxas de sucesso variadas, uma abordagem cuidadosa, pode trazer melhorias significativas na qualidade de vida desses pacientes. É fundamental continuar evoluindo as técnicas de implantes e realizar mais pesquisas clínicas para otimizar os resultados, garantindo que esses pacientes possam desfrutar dos benefícios de uma reabilitação oral duradoura e funcional. 

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1Graduada do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Iguaçu (UNIG) 

2Graduado do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário Christus 

3Discente do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Federal Fluminense 

4Discente do Curso Superior de Odontologia pela Faculdade Rebouças de Campina Grande 

5Graduada do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário Ingá, Maringá – PR 

6Discente do Curso Superior de Odontologia pela UNINASSAU, Aracaju – SE 

7Graduado do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário do Distrito Federal 

8Doutora em Saúde da Criança e do Adolescente pela Universidade Federal de Pernambuco