SÍNDROME NEFRÍTICA VS. SÍNDROME NEFRÓTICA: UM RELATO DE CASO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202503301011


Ana Beatriz Prados Piza
Ana Clara Tadros Arruda
Livia da Silva Bovi
Karla Samara Santos Silva
Orientadora: Ana Lys Feitosa


Apresentação do caso:

T.G.S, 2 anos e 8 meses, masculino. Mãe relata que, há 5 meses, criança apresenta tosse, febre, êmese, coriza e odinofagia, sem melhora com antibioticoterapia. À internação, apresentava-se hipocorado (+/IV), com dorsalgia, anorexia, abdome ascítico e fígado palpável, sendo investigado para provável síndrome nefrítica pós-estreptocócica (SNPE). O sumário de urina revelou proteinúria (+++/IV), leucocitose (20/campo), hematúria (3/campo), hemoglobinúria, esterase leucocitária presente e bacteriúria moderada. Exames laboratoriais indicaram alterações em: hemoglobina (9.8 g/dl), leucócitos (10.300/mm³), creatinina (0.93 mg/dL), ureia (37 mg/dL), albumina (2.6 g/dL) e proteínas totais (3 g/dL). Ao segundo dia de internação, paciente evoluiu com anasarca, edema palpebral bilateral (+/IV), em pés (+++/IV) e em bolsa escrotal (++++/IV). Lipidograma revelou hipercolesterolemia (507 mg/dL) e hiperlipidemia (768 mg/dL). Ultrassom de abdome total evidenciou hepatomegalia e rins tópicos aumentados (com ecogenicidade difusamente aumentada do parênquima), líquido livre em cavidade abdominal e derrame pleural bilateral. O diagnóstico foi de síndrome nefrótica, sendo prescrito restrição hídrica, furosemida 2 mg/kg/dia, albumina 2 frascos/dia, prednisona 2 mg/kg/dia, maleato de enalapril 5 mg/dia e sinvastatina até retorno. Paciente evolui com melhora parcial do quadro, mantendo edema palpebral e ascite. Últimos exames revelaram queda da albumina (2.1 g/dL) e ureia elevada (38 mg/dL). Discussão: Devido aos sintomas e sinais de infecção recorrente, como de via aérea superior, a suspeita inicial era de SNPE. Porém, após evolução do caso e exames complementares, o paciente foi diagnosticado com síndrome nefrótica grave, condição relativamente rara para sua idade, caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, anasarca e hipercolesterolemia, entre outras repercussões renais e sistêmicas. Apesar do tratamento, exames recentes revelam persistência parcial da doença, indicando necessidade de ajustes e continuidade do cuidado para evitar novas complicações e promover a recuperação do paciente. Comentários finais: Destacam-se os desafios no diagnóstico e manejo da síndrome nefrótica pediátrica, além da necessidade de acompanhamento contínuo do paciente. A falta de uma abordagem cuidadosa poderia  ter resultado em um diagnóstico incorreto, prejudicando o prognóstico. Por fim, tornam-se cruciais pesquisas futuras para ampliar o conhecimento desta condição.

Palavras-chaves: Diagnóstico; Síndrome Nefrótica; Pediatria