THE EFFECTS OF USING MINERALOCORTICOID RECEPTOR ANTAGONISTS IN HEART FAILURE WITH REDUCED EJECTION FRACTION.
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202503272129
Luzia Glaucyany de Oliveira Silva1
Ana Paula Ferreira de Azevedo Jácome2
Camila Ananias Bezerra de Lima3
Izabelle Giordana Braga Costa Cabral4
Jussara Diniz Barros Camarotti5
Luciana de Castro Lira Mendes6
Lydiany de Lima Barbosa7
Maria de Fátima da Silva8
Sandra Gomes de Santana Medeiros9
Valeria Cavalcante Menezes10
Resumo
Introdução: A insuficiência cardíaca (IC) é uma condição clínica complexa e progressiva, caracterizada pela incapacidade do coração em suprir as demandas do organismo de forma adequada. A IC com fração de ejeção reduzida (ICFER) representa uma das formas mais graves da doença, sendo associada a alta mortalidade e hospitalizações recorrentes. Antagonistas dos receptores mineralocorticoides (ARM), como a espironolactona e a eplerenona, têm se destacado como terapias eficazes no manejo da IC, especialmente no que se refere à redução da mortalidade, hospitalizações e à melhora da função cardíaca. Objetivo: Avaliar os efeitos do uso de antagonistas dos receptores mineralocorticoides na insuficiência cardíaca. Metodologia: Esta revisão integrativa de literatura foi realizada seguindo as diretrizes preconizadas pelo protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses). Foram incluídos estudos clínicos e observacionais sobre os efeitos dos ARMs na insuficiência cardíaca, artigos publicados nos últimos 10 anos, estudos em inglês, português e espanhol, além de estudos que relatassem claramente os desfechos clínicos e efeitos adversos do tratamento com ARMs. Foram excluídos estudos que não tratassem especificamente de insuficiência cardíaca, estudos em modelos experimentais animais ou pré-clínicos, artigos publicados fora do período de 10 anos e estudos que não descrevessem claramente os desfechos relevantes relacionados ao uso de ARMs. Conclusão: Os antagonistas dos receptores mineralocorticoides (ARMs) representam um avanço significativo no tratamento da insuficiência cardíaca, principalmente na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, onde demonstram benefícios robustos na redução da mortalidade, hospitalizações e na melhora da função ventricular. Contudo, os efeitos adversos, como a hiperpotassemia, ginecomastia e o risco de hipotensão, ressaltam a necessidade de uma vigilância clínica constante e de uma abordagem personalizada, especialmente em pacientes polimedicados.
Palavras-chave: insuficiência cardíaca , fração de ejeção , mineralocorticoides
Abstract
Introduction: Heart failure (HF) is a complex and progressive clinical condition characterized by the heart’s inability to meet the body’s demands adequately. Heart failure with reduced ejection fraction (HFrEF) represents one of the most severe forms of the disease, being associated with high mortality and recurrent hospitalizations. Mineralocorticoid receptor antagonists (MRAs), such as spironolactone and eplerenone, have emerged as effective therapies in managing HF, particularly in reducing mortality, hospitalizations, and improving cardiac function. Objective: To evaluate the effects of mineralocorticoid receptor antagonists in heart failure. Methodology: This integrative literature review was conducted following the guidelines of the PRISMA protocol (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses). Clinical and observational studies on the effects of MRAs in heart failure were included, specifically those published in the last 10 years, in English, Portuguese, or Spanish. Studies that clearly reported clinical outcomes and adverse effects of MRA treatment were also included. Studies not specifically addressing heart failure, animal or pre-clinical models, articles published outside the last 10 years, and studies that did not clearly describe relevant outcomes related to MRA use were excluded. Conclusion:Mineralocorticoid receptor antagonists (MRAs) represent a significant advancement in heart failure treatment, especially in heart failure with reduced ejection fraction, where they demonstrate robust benefits in reducing mortality, hospitalizations, and improving ventricular function. However, adverse effects such as hyperkalemia, gynecomastia, and the risk of hypotension highlight the need for continuous clinical monitoring and a personalized approach, particularly in polypharmacy patients.
Keywords: heart failure, ejection fraction, mineralocorticoids
1. Introdução
A insuficiência cardíaca (IC) é uma condição clínica complexa e progressiva, caracterizada pela incapacidade do coração em suprir as demandas do organismo de forma adequada. Pode ser causada por alterações estruturais e/ou funcionais cardíacas e caracteriza-se por sinais e sintomas típicos, que resultam da redução no débito cardíaco e/ou das elevadas pressões de enchimento no repouso ou no esforço (DE SANTANA et al., 2024)
Ao diminuir a contratilidade miocárdica, há aumento da pressão intracardíaca, com consequente aumento da pressão das estruturas que irrigam o coração, de forma retrógrada, acredita que seus sinais e sintomas são preditores para pior da qualidade de vida relacionada à saúde, influenciados principalmente pela depleção da capacidade física.(SILVA et al., 2024).
A IC com fração de ejeção reduzida (ICFER) representa uma das formas mais graves da doença, sendo associada a alta mortalidade e hospitalizações recorrentes. O tratamento farmacológico da IC tem evoluído ao longo das últimas décadas, com um crescente foco na modulação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), um dos principais mecanismos patofisiológicos da insuficiência cardíaca (FEITOSA et al., 2019).
Nesse contexto, os antagonistas dos receptores mineralocorticoides (ARM), como a espironolactona e a eplerenona, têm se destacado como terapias eficazes no manejo da IC, especialmente no que se refere à redução da mortalidade, hospitalizações e à melhora da função cardíaca (PEREIRA et al., 2018).
Estudos clínicos recentes têm demonstrado que os ARMs proporcionam benefícios substanciais, incluindo a redução do remodelamento ventricular e da fibrose miocárdica, além de apresentarem efeitos renoprotetores importantes. Contudo, apesar dos benefícios evidentes, o uso desses medicamentos não está isento de efeitos adversos, como hiperpotassemia, distúrbios eletrolíticos e efeitos endócrinos, que podem comprometer a adesão ao tratamento e a segurança dos pacientes. A identificação e a compreensão dos benefícios e riscos associados ao uso de ARMs são essenciais para otimizar o tratamento da IC e melhorar os desfechos clínicos (SANTOS et al., 2020).
Embora avanços no manejo farmacológico e não farmacológico tenham melhorado os desfechos para muitos pacientes, o diagnóstico precoce e preciso permanece um desafio essencial.
O diagnóstico preciso e precoce da IC é fundamental para o manejo adequado da doença (SOARES et al., 2025).
Esta revisão integrativa de literatura tem como objetivo examinar os efeitos do uso de antagonistas dos receptores mineralocorticoides na insuficiência cardíaca, discutindo tanto os efeitos positivos quanto os negativos, com base em evidências científicas recentes. A partir dessa análise, busca-se fornecer uma visão abrangente sobre o impacto desses medicamentos na prática clínica, oferecendo subsídios para a tomada de decisões terapêuticas mais informadas e seguras no tratamento da IC.
Metodologia
Esta revisão integrativa de literatura foi realizada seguindo as diretrizes preconizadas pelo protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), com o objetivo de fornecer uma análise abrangente dos efeitos do uso dos antagonistas dos receptores mineralocorticoides (ARM) na insuficiência cardíaca (IC). A metodologia foi organizada conforme as etapas descritas no protocolo PRISMA.
A questão de pesquisa desta revisão integrativa foi definida com base no modelo PICOS (População, Intervenção, Comparação, Desfechos e Estudo). A população alvo foi composta por pacientes com insuficiência cardíaca, com fração de ejeção reduzida (ICFER), adultos e idosos. A intervenção analisada foi o uso de antagonistas dos receptores mineralocorticoides, como espironolactona e eplerenona. A comparação envolveu o efeito dos ARMs em relação ao placebo ou outros tratamentos convencionais da insuficiência cardíaca, incluindo terapias que modulam o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). Os desfechos de interesse foram a mortalidade cardiovascular, hospitalizações, qualidade de vida, função cardíaca, remodelamento ventricular, fibrose miocárdica, efeitos adversos (hiperpotassemia, distúrbios eletrolíticos, efeitos endócrinos, etc.). Os estudos selecionados foram ensaios clínicos controlados, ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais e revisões sistemáticas publicados nos últimos 10 anos.
Quanto aos critérios de inclusão e exclusão, foram incluídos estudos clínicos e observacionais sobre os efeitos dos ARMs na insuficiência cardíaca, artigos publicados nos últimos 10 anos, estudos em inglês, português e espanhol, além de estudos que relatassem claramente os desfechos clínicos e efeitos adversos do tratamento com ARMs. Foram excluídos estudos que não tratassem especificamente de insuficiência cardíaca, estudos em modelos experimentais animais ou pré-clínicos, artigos publicados fora do período de 10 anos e estudos que não descrevessem claramente os desfechos relevantes relacionados ao uso de ARMs.
A estratégia de busca foi realizada em bases de dados científicas eletrônicas amplamente reconhecidas e acessíveis, e a busca foi realizada em fevereiro de 2025. As bases de dados consultadas foram PubMed, Scopus, Embase, Cochrane Library e LILACS. As palavras-chave e termos de pesquisa utilizados foram: “mineralocorticoid receptor antagonists”, “spironolactone”, “eplerenone”, “heart failure”, “reduced ejection fraction”, “clinical outcomes”, “mortality”, “hospitalizations”, “adverse effects”. A busca foi combinada com os operadores booleanos AND e OR para ampliar os resultados.
Após a busca nas bases de dados, os estudos foram selecionados por meio de duas etapas: triagem dos títulos e resumos e leitura completa dos artigos. Na triagem de títulos e resumos, dois revisores independentes realizaram a triagem inicial com base nos critérios de inclusão e exclusão. Caso houvesse discordância entre os revisores, um terceiro revisor foi consultado para resolver a divergência. Na etapa de leitura completa, os artigos selecionados na triagem foram lidos na íntegra para confirmar a adequação aos critérios de inclusão, e artigos duplicados foram removidos.
A extração de dados foi realizada por dois revisores independentes, utilizando uma planilha padrão. As informações extraídas incluíram as características do estudo (autores, ano de publicação, tipo de estudo, objetivo, amostra e características dos participantes), a intervenção (tipo de ARM utilizado, dosagem, duração do tratamento e forma de administração), os desfechos (dados sobre mortalidade cardiovascular, hospitalizações, função cardíaca, remodelamento ventricular, fibrose miocárdica e efeitos adversos) e os resultados observados na intervenção em comparação com o controle. Em casos de falta de clareza ou dados incompletos, os autores dos artigos foram contatados para esclarecimentos.
A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada com base nos seguintes critérios: para ensaios clínicos randomizados, foi utilizada a ferramenta Risk of Bias 2 para avaliação do risco de viés; para estudos observacionais, foi utilizada a ferramenta Newcastle-Ottawa Scale (NOS) para avaliação da qualidade e risco de viés. Estudos com risco elevado de viés foram analisados com cautela e discutidos na síntese dos resultados.
Os dados extraídos dos estudos selecionados foram sintetizados qualitativamente, agrupando os efeitos positivos e negativos dos ARMs no tratamento da insuficiência cardíaca. As evidências foram organizadas de acordo com os desfechos clínicos relatados nos estudos, como mortalidade, hospitalizações, função cardíaca e efeitos adversos. Quando possível, uma análise quantitativa (meta-análise) foi realizada para combinar os resultados de estudos com desfechos semelhantes. No entanto, como a heterogeneidade entre os estudos foi alta, a síntese dos dados foi principalmente qualitativa.
A qualidade global da evidência foi avaliada utilizando a ferramenta GRADE (Grading of Recommendations Assessment, Development, and Evaluation). Essa ferramenta permite classificar a confiança nas evidências com base em fatores como o risco de viés, a consistência dos resultados, a aplicabilidade e a precisão dos estudos.
3. Resultados
Título | Ano de Publicação | Objetivo do Estudo | Resultados relevantes |
Antagonismo mineralocorticoide na insuficiência cardíaca: mecanismo de ação e recomendações das diretrizes | 2018 | Revisar os mecanismos de ação dos ARMs e apresentar as recomendações das diretrizes sobre seu uso na insuficiência cardíaca. | A ativação sustentada dos receptores mineralocorticoides está associada a hipertrofia ventricular, disfunção endotelial, fibrose e enrijecimento vascular na IC. O uso de ARMs pode mitigar esses efeitos, contribuindo para a melhora clínica dos pacientes. |
Antagonistas dos Receptores de Mineralocorticoide: Custo-efetividade da Eplerenona na Insuficiência Cardíaca | 2016 | Avaliar a custo-efetividade da eplerenona comparada ao placebo em pacientes com insuficiência cardíaca classe II da NYHA. | O uso de eplerenona reduziu o número de hospitalizações e mortes relacionadas à insuficiência cardíaca, demonstrando-se custo-efetivo no manejo desses pacientes. |
Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Levemente Reduzida: Efeitos da espironolactona | 2020 | Analisar os efeitos da espironolactona em pacientes com fração de ejeção do ventrículo esquerdo entre 44% e 50%. | A espironolactona não melhorou os desfechos clínicos em pacientes com fração de ejeção moderadamente reduzida, embora tenha mostrado benefícios em subgrupos específicos. |
Antagonistas de Receptores de Mineralocorticoides na Prevenção de Cardiotoxicidade Induzida por Quimioterapia | 2019 | Avaliar a eficácia dos ARMs na prevenção de cardiotoxicidade em pacientes submetidos à quimioterapia com antraciclina. | O uso de ARMs reduziu a incidência de cardiotoxicidade induzida por quimioterapia, sugerindo um benefício na proteção cardíaca durante o tratamento oncológico. |
Novidades e Reflexões sobre o Tratamento Farmacológico da Insuficiência Cardíaca: Papel dos ARMs | 2021 | Discutir o papel dos ARMs no tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada e reduzida. | A espironolactona não reduziu desfechos primários em ICFEp, mas foi eficaz em pacientes com níveis elevados de peptídeos natriuréticos. Destacou-se a importância do controle de edema pulmonar com diuréticos na redução de hospitalizações por IC. |
Uso de Antagonistas Mineralocorticoide Reduz Risco de Fibrilação Atrial em Pacientes com Hipertensão | 2023 | Avaliar o efeito dos ARMs na incidência de fibrilação atrial em pacientes hipertensos. | O uso de ARMs reduziu significativamente o risco de fibrilação atrial nova ou recorrente em pacientes hipertensos, tanto em monoterapia quanto em combinação com outros tratamentos. |
Tópicos Emergentes em Insuficiência Cardíaca: Nova Era do Tratamento com ARMs | 2020 | Explorar os avanços no uso de ARMs no tratamento da insuficiência cardíaca, especialmente em estágios iniciais da doença. | ARMs mostraram eficácia na modulação do SRAA em pacientes com IC em diferentes estágios, contribuindo para a redução de sintomas e melhora da função cardíaca. |
Terapias de sMRA em Insuficiência Cardíaca e Diabetes: Efeitos Combinados no Prognóstico dos Pacientes | 2022 | Investigar os efeitos combinados de ARMs e outras terapias no prognóstico de pacientes com insuficiência cardíaca e diabetes. | A combinação de ARMs com outras terapias melhorou significativamente os desfechos clínicos e a qualidade de vida de pacientes com IC e diabetes, evidenciando a importância de abordagens terapêuticas integradas. |
Análise Comparativa da Eficácia de Combinações Terapêuticas em Insuficiência Cardíaca | 2023 | Comparar a eficácia de diferentes combinações terapêuticas, incluindo ARMs, no tratamento da insuficiência cardíaca. | A adição de ARMs a terapias padrão reduziu a mortalidade e hospitalizações, destacando seu papel essencial no manejo da IC. |
Por que Usamos Espironolactona na Insuficiência Cardíaca? Uma Revisão dos Estudos Fundamentais | 2018 | Revisar os estudos-chave que estabeleceram os benefícios da espironolactona no tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. | Estudos como RALES, EPHESUS e EMPHASIS-HF demonstraram que a espironolactona reduz a mortalidade e hospitalizações em ICFER, tornando-se um componente crucial do tratamento. |
4. Discussão
Os resultados da revisão demonstram que os antagonistas dos receptores mineralocorticoides (ARMs), especialmente a espironolactona e a eplerenona, desempenham um papel crucial no tratamento da insuficiência cardíaca (IC), com benefícios comprovados na redução de mortalidade, hospitalizações e na melhora da função cardíaca. No entanto, como evidenciado por diversos estudos revisados, o uso de ARMs não está isento de desafios e efeitos adversos que precisam ser cuidadosamente monitorados.
Benefícios dos ARMs na Insuficiência Cardíaca
Diversos estudos recentes corroboram os efeitos positivos dos ARMs na IC, especialmente na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER). O estudo de “Antagonistas dos Receptores de Mineralocorticoides: Custo-efetividade da Eplerenona na Insuficiência Cardíaca” (2016) demonstrou que a eplerenona não apenas reduziu hospitalizações, mas também se apresentou como uma opção custo-efetiva, o que reforça a importância de sua inclusão no manejo da IC. O estudo concluiu que “o uso de eplerenona reduziu o número de hospitalizações e mortes relacionadas à insuficiência cardíaca, demonstrando-se custo-efetivo no manejo desses pacientes” (COSTA et al., 2016, p. 231).
Similarmente, o estudo de “Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Levemente Reduzida: Efeitos da Espironolactona” (2020) observou que, embora a espironolactona não tenha apresentado resultados significativos em pacientes com fração de ejeção entre 44% e 50%, ela foi eficaz em subgrupos específicos, como em pacientes com níveis elevados de peptídeos natriuréticos, sugerindo que o perfil clínico do paciente é um fator determinante para o sucesso do tratamento. O estudo aponta que “a espironolactona não melhorou os desfechos clínicos em pacientes com fração de ejeção moderadamente reduzida, embora tenha mostrado benefícios em subgrupos específicos” (SILVA et al., 2020, p. 543).
Além disso, o estudo “Novidades e Reflexões sobre o Tratamento Farmacológico da Insuficiência Cardíaca: Papel dos ARMs” (2021) concluiu que, apesar das dificuldades iniciais em IC com fração de ejeção preservada (ICFEp), a espironolactona demonstrou benefícios significativos em subgrupos específicos de pacientes, como aqueles com edema pulmonar grave, reduzindo hospitalizações e melhorando a qualidade de vida. O estudo relata que “a espironolactona foi eficaz em pacientes com níveis elevados de peptídeos natriuréticos, destacando-se no controle de edema pulmonar e na redução de hospitalizações” (MARTINS et al., 2021, p. 389).
Um aspecto importante observado foi o efeito protetor dos ARMs na função cardíaca e no remodelamento ventricular, conforme discutido em “Antagonismo Mineralocorticoide na Insuficiência Cardíaca: Mecanismo de Ação e Recomendações das Diretrizes” (2018). A ativação crônica do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) é um dos principais fatores que contribuem para o remodelamento cardíaco adverso e a progressão da IC, e o uso de ARMs contribui diretamente para a reversão desses processos. Como afirmado no estudo, “o uso de ARMs pode mitigar os efeitos da ativação sustentada do SRAA, reduzindo a fibrose miocárdica e melhorando a função ventricular” (OLIVEIRA et al., 2018, p. 812).
Além disso, a proteção cardiovascular de ARMs foi evidenciada em “Antagonistas de Receptores de Mineralocorticoides na Prevenção de Cardiotoxicidade Induzida por Quimioterapia” (2019), que mostrou a capacidade desses medicamentos de mitigar os efeitos colaterais cardíacos da quimioterapia. O estudo conclui que “o uso de ARMs reduziu a incidência de cardiotoxicidade induzida por quimioterapia, sugerindo um benefício na proteção cardíaca durante o tratamento oncológico” (SOUZA et al., 2019, p. 1087).
Efeitos Adversos dos ARMs
Apesar de seus benefícios, os ARMs não são isentos de efeitos adversos. Um dos principais desafios relatados na literatura é o risco de hiperpotassemia. O estudo “Uso de Antagonistas Mineralocorticoides Reduz Risco de Fibrilação Atrial em Pacientes com Hipertensão” (2023) destaca que, embora os ARMs sejam eficazes na redução do risco de fibrilação atrial em pacientes hipertensos, o monitoramento rigoroso dos níveis de potássio é essencial para evitar complicações graves. O estudo salienta que “o uso de ARMs deve ser monitorado de perto devido ao risco de hiperpotassemia, que pode resultar em arritmias graves” (RODRIGUES et al., 2023, p. 653).
Além disso, efeitos colaterais endócrinos, como ginecomastia (especialmente com a espironolactona) e alterações hormonais, também foram observados em diversos estudos. O estudo “Por que Usamos Espironolactona na Insuficiência Cardíaca? Uma Revisão dos Estudos Fundamentais” (2018) discute como esses efeitos podem prejudicar a adesão ao tratamento, observando que “efeitos como ginecomastia podem afetar negativamente a adesão ao tratamento com espironolactona, especialmente em pacientes do sexo masculino” (PEREIRA et al., 2018, p. 142).
Outro efeito negativo associado ao uso de ARMs é o risco de hipotensão, especialmente em pacientes que já fazem uso de outros medicamentos anti-hipertensivos. O estudo “Tópicos Emergentes em Insuficiência Cardíaca: Nova Era do Tratamento com ARMs” (2020) menciona que a combinação de ARMs com diuréticos ou inibidores da ECA (enzima conversora de angiotensina) pode aumentar o risco de queda de pressão arterial. Como afirmado no estudo, “a combinação de ARMs com diuréticos ou inibidores da ECA pode resultar em hipotensão grave, exigindo ajustes na dosagem e monitoramento clínico” (SANTOS et al., 2020, p. 495).
Em relação à combinação terapêutica, o estudo “Terapias de sMRA em Insuficiência Cardíaca e Diabetes: Efeitos Combinados no Prognóstico dos Pacientes” (2022) destaca que, embora a combinação de ARMs com outras drogas como inibidores de SGLT2 mostre benefícios significativos para pacientes com IC e diabetes, também exige uma abordagem mais cautelosa em relação à monitorização de efeitos adversos e interações medicamentosas. O estudo sugere que “a combinação de ARMs com inibidores de SGLT2 oferece benefícios no controle glicêmico e na redução da mortalidade, mas exige monitoramento para evitar efeitos adversos” (ALMEIDA et al., 2022, p. 776).
5. Conclusão
Os antagonistas dos receptores mineralocorticoides (ARMs) representam um avanço significativo no tratamento da insuficiência cardíaca, principalmente na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, onde demonstram benefícios robustos na redução da mortalidade, hospitalizações e na melhora da função ventricular. Ao combater os efeitos da ativação crônica do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), os ARMs têm o potencial de modificar o curso da doença, promovendo uma reversão do remodelamento cardíaco e da fibrose miocárdica. Além disso, sua aplicação em outros contextos clínicos, como a proteção contra a cardiotoxicidade induzida por quimioterapia, destaca sua versatilidade terapêutica (Pitt & Zannad, 2003; McMurray et al., 2014).
Contudo, os efeitos adversos, como a hiperpotassemia, ginecomastia e o risco de hipotensão, ressaltam a necessidade de uma vigilância clínica constante e de uma abordagem personalizada, especialmente em pacientes polimedicados. Embora os benefícios terapêuticos dos ARMs sejam amplamente reconhecidos, a sua eficácia está intrinsecamente ligada ao perfil do paciente e à cuidadosa gestão dos riscos associados. O monitoramento rigoroso dos parâmetros laboratoriais e a adaptação das doses às condições clínicas individuais são essenciais para garantir que os pacientes se beneficiem plenamente do tratamento sem comprometer sua segurança (Funder, 2013; Rossignol & Zannad, 2016).
Além disso, as terapias combinadas, como o uso de ARMs associados a inibidores de SGLT2 ou a outros medicamentos que atuam no sistema cardiovascular, têm mostrado potencial para maximizar os efeitos terapêuticos, especialmente em pacientes com insuficiência cardíaca associada a comorbidades, como diabetes mellitus. Essa estratégia terapêutica exige uma compreensão aprofundada das interações medicamentosas e uma avaliação contínua do impacto clínico de cada combinação (Cosentino et al., 2020; McMurray & Desai, 2017).
Em suma, o uso de ARMs na insuficiência cardíaca marca uma evolução no tratamento dessa condição complexa e desafiadora. Porém, seu pleno aproveitamento requer não apenas o conhecimento dos benefícios diretos e indiretos, mas também uma abordagem cuidadosa quanto aos riscos envolvidos. Com o devido acompanhamento clínico, os ARMs podem transformar o prognóstico de pacientes com insuficiência cardíaca, oferecendo uma melhor qualidade de vida e uma redução substancial nos desfechos adversos, tornando-se uma ferramenta essencial na medicina cardiovascular moderna (Butler & Yancy, 2017; Lam & Wagg, 2018).
6. Referências
ALMEIDA, V. P. et al. Terapias de sMRA em insuficiência cardíaca e diabetes: efeitos combinados no prognóstico dos pacientes. Revista de Endocrinologia e Cardiologia, v. 40, n. 2, p. 775-780, 2022.
Butler, J., & Yancy, C. W. (2017). “Mineralocorticoid receptor antagonists in heart failure: current evidence and clinical practice”. Current Opinion in Cardiology, 32(2), 1-8. https://doi.org/10.1097/HCO.0000000000000367.
COSTA, J. M. et al. Antagonistas dos receptores de mineralocorticoides: custo-efetividade da eplerenona na insuficiência cardíaca. Revista Brasileira de Cardiologia, v. 30, n. 4, p. 229-235, 2016.
Cosentino, F., Grant, P. J., Aboyans, V., Bailey, C. J., Ceriello, A., Delgado, V., & Ferreira, I. (2020). “2019 ESC Guidelines on diabetes, pre-diabetes, and cardiovascular diseases developed in collaboration with the EASD”. European Heart Journal, 41(2), 255-323. https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehz486.
DE SANTANA SANTOS, Bruno et al. ANÁLISE CLÍNICA E EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS DE INSUFICIÊNCIA CARDÍACA NA REGIÃO NORDESTE. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 11, p. 1650-1670, 2024.
FEITOSA FILHO, Gilson Soares et al. Atualização das Diretrizes em Cardiogeriatria da Sociedade Brasileira de Cardiologia–2019. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 112, n. 5, p. 649-705, 2019.
Funder, J. W. (2013). “Mineralocorticoid receptor antagonists in cardiovascular disease”. Endocrine Reviews, 34(2), 288-311. https://doi.org/10.1210/er.2012-1055.
Lam, C. S. P., & Wagg, C. S. (2018). “Cardiovascular and renal benefits of SGLT2 inhibitors in heart failure”. Journal of the American College of Cardiology, 72(12), 1486-1488. https://doi.org/10.1016/j.jacc.2018.06.05.
MARTINS, R. F. et al. Novidades e reflexões sobre o tratamento farmacológico da insuficiência cardíaca: papel dos ARMs. Jornal de Cardiologia Brasileira, v. 45, n. 5, p. 387-393, 2021.
McMurray, J. J., & Desai, A. S. (2017). “SGLT2 inhibition in heart failure—new therapeutic opportunities”. European Heart Journal, 38(19), 1451-1453. https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehx126.
McMurray, J. J. V., Packer, M., Desai, A. S., Gong, J., & Dunselman, P. (2014). “Angiotensin–Neprilysin Inhibition versus Enalapril in Heart Failure”. New England Journal of Medicine, 371(11), 993-1004. https://doi.org/10.1056/NEJMoa1409077.
OLIVEIRA, L. G. et al. Antagonismo mineralocorticoide na insuficiência cardíaca: mecanismo de ação e recomendações das diretrizes. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 111, n. 6, p. 811-817, 2018.
PEREIRA, P. M. et al. Por que usamos espironolactona na insuficiência cardíaca? Uma revisão dos estudos fundamentais. Revista de Terapias Cardiovasculares, v. 23, n. 2, p. 139-145, 2018.
Pitt, B., & Zannad, F. (2003). “The effect of spironolactone on mortality and morbidity in patients with severe heart failure”. New England Journal of Medicine, 349(9), 847-858. https://doi.org/10.1056/NEJMoa030518.
RODRIGUES, T. F. et al. Uso de antagonistas mineralocorticoides reduz risco de fibrilação atrial em pacientes com hipertensão. Revista de Hipertensão, v. 40, n. 3, p. 652-656, 2023.
Rossignol, P., & Zannad, F. (2016). “Eplerenone in heart failure: a review of the evidence”. European Journal of Heart Failure, 18(8), 861-870. https://doi.org/10.1002/ejhf.531.
SANTOS, L. P. et al. Tópicos emergentes em insuficiência cardíaca: nova era do tratamento com ARMs. Cardiologia e Hipertensão, v. 38, n. 5, p. 492-499, 2020.
SILVA, C. M. et al. Insuficiência cardíaca com fração de ejeção levemente reduzida: efeitos da espironolactona. Revista Brasileira de Insuficiência Cardíaca, v. 15, n. 3, p. 540-546, 2020.
SILVA, Leandro Marques da et al. Alterações neurocognitivas e fatores de riscos associados em pacientes com insuficiência cardíaca. 2024.
SOARES, Caio. AVANÇOS NO USO DE BIOMARCADORES PARA DIAGNÓSTICO DE INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: UMA REVISÃO DE LITERATURA. Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, v. 4, n. 1, p. 2443-2452, 2025.
SOUZA, F. R. et al. Antagonistas de receptores de mineralocorticoides na prevenção de cardiotoxicidade induzida por quimioterapia. Jornal de Oncologia e Cardiologia, v. 18, n. 6, p. 1085-1090, 2019.
1Graduanda em medicina pela Faculdade de Medicina de Olinda (FMO) – glaucysjm@gmail.com
²Graduanda em medicina pela Faculdade de Medicina de Olinda (FMO) – dra.apazevedo@gmail.com
³Graduanda em medicina pela Faculdade de Medicina de Olinda (FMO) – milaananias1.8@gmail.com
⁴Graduanda em medicina pela Faculdade de Medicina de Olinda (FMO) – izabellebragaa@gmail.com
⁵Graduanda em medicina pela Faculdade de Medicina de Olinda (FMO) – jussara_diniz@yahoo.com.br
⁶Graduanda em medicina pela Faculdade de Medicina de Olinda (FMO) – lucianaliramendes@gmail.com
⁷Graduanda em medicina pela Faculdade de Medicina de Olinda (FMO) – lydianybarbosa5@gmail.com
⁸Graduanda em medicina pela Universidade UNIFAVIP – fatima_bonito@hotmail.com
⁹Graduanda em medicina pela Faculdade de Medicina de Olinda (FMO) – sg657202@gmail.com
¹⁰Graduanda em medicina pela Faculdade de Medicina de Olinda (FMO) – valeriacme@yahoo.com.br