EFFECTS OF AIR POLLUTION ON THE CARDIORESPIRATORY HEALTH OF RESIDENTS OF VOLTA REDONDA/RJ
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202503251839
Dayana Miranda da Silva1
Luiz Gabriel da C.B. Lopes2
Thais Côrrea Ibañez3
RESUMO
Este estudo visa analisar a relação entre a poluição do ar e as doenças cardiorrespiratórias na cidade de Volta Redonda, RJ, considerando o impacto do crescimento industrial local na saúde da população. A poluição atmosférica, reconhecida por sua contribuição para problemas cardiovasculares e respiratórios, é um tema de grande relevância, especialmente em cidades com intensa atividade industrial, como Volta Redonda. O problema central deste estudo questiona se os poluentes atmosféricos da região estão agravando as condições de saúde dos moradores. A metodologia adotada foi um estudo transversal analítico com 204 participantes, realizado de janeiro a março de 2025. Os resultados confirmaram que a poluição do ar está, de fato, relacionada ao aumento de doenças cardiorrespiratórias na cidade. A percepção negativa da qualidade do ar, associada à alta incidência de doenças entre os participantes, evidencia a necessidade de ações mitigadoras, como a redução das emissões de poluentes da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Além disso, destaca-se a urgência de políticas públicas voltadas para a saúde da população e a promoção de campanhas educativas sobre os riscos da poluição atmosférica, já que muitos participantes demonstraram falta de conscientização sobre os efeitos específicos da poluição.
Palavras-chave: Poluição. Hospitalização. Doenças cardiorrespiratórias.
ABSTRACT
This study aims to analyze the relationship between air pollution and cardiorespiratory diseases in the city of Volta Redonda, RJ, considering the impact of local industrial growth on public health. Atmospheric pollution, recognized for its contribution to cardiovascular and respiratory problems, is a topic of great relevance, especially in cities with intense industrial activity, such as Volta Redonda. The central issue of this study questions whether the atmospheric pollutants in the region are worsening the health conditions of the residents. The methodology adopted was an analytical cross-sectional study with 204 participants, conducted from January to March 2025. The results confirmed that air pollution is indeed related to the increase in cardiorespiratory diseases in the city. The negative perception of air quality, combined with the high incidence of diseases among participants, highlights the need for mitigating actions, such as reducing emissions from the Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Furthermore, the urgency of public policies focused on public health and the promotion of educational campaigns on the risks of atmospheric pollution is emphasized, as many participants showed a lack of awareness about the specific effects of pollution.
Keywords: Pollution. Hospitalization. Cardiorespiratory diseases
RESUMEN
Este estudio tiene como objetivo analizar la relación entre la contaminación del aire y las enfermedades cardiorrespiratorias en la ciudad de Volta Redonda, RJ, considerando el impacto del crecimiento industrial local en la salud pública. La contaminación atmosférica, reconocida por su contribución a los problemas cardiovasculares y respiratorios, es un tema de gran relevancia, especialmente en ciudades con intensa actividad industrial, como Volta Redonda. La cuestión central de este estudio plantea si los contaminantes atmosféricos de la región están agravando las condiciones de salud de los residentes. La metodología adoptada fue un estudio transversal analítico con 204 participantes, realizado entre enero y marzo de 2025. Los resultados confirmaron que la contaminación del aire está, de hecho, relacionada con el aumento de enfermedades cardiorrespiratorias en la ciudad. La percepción negativa de la calidad del aire, junto con la alta incidencia de enfermedades entre los participantes, resalta la necesidad de acciones mitigadoras, como la reducción de las emisiones de la Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Además, se destaca la urgencia de políticas públicas enfocadas en la salud de la población y la promoción de campañas educativas sobre los riesgos de la contaminación atmosférica, dado que muchos participantes mostraron falta de conciencia sobre los efectos específicos de la contaminación.
Palabras-clave: Contaminación. Hospitalización. Enfermedades cardiorrespiratorias
1. INTRODUÇÃO
A poluição do ar pode afetar a saúde humana de diversas formas, contribuindo para o aumento da incidência e gravidade de várias doenças. Fatores como a ação dos ventos, a umidade do ar, a temperatura e o tempo de permanência das impurezas na atmosfera desempenham um papel significativo, potencializando efeitos tóxicos e prejudiciais tanto para os indivíduos quanto para o meio ambiente (FERNANDES et al., 2010). Dessa forma, abordar esse tema é essencial, pois envolve questões de grande relevância para a saúde pública e para a preservação do ecossistema.
De acordo com Pamplona (2016), a poluição do ar é caracterizada pela liberação de poluentes na atmosfera, causando impactos negativos tanto à saúde humana quanto a outros seres vivos e ao meio ambiente. Além disso, a presença de substâncias tóxicas no ar resulta em sérios danos não apenas para os indivíduos que respiram esse ar contaminado, mas também para o ecossistema. Nesse sentido, Anselme e Routledge, citados por Bezerra (2016), discutem os elevados níveis de material particulado na atmosfera e sua relação com o aumento significativo do número diário de óbitos e das internações hospitalares por problemas cardiovasculares. Nesse contexto, afirmam que: “Estudos realizados nos EUA têm demonstrado associações entre as variações diárias na poluição do ar e os problemas cardiovasculares, baseando-se nas admissões hospitalares” (EVO, 2010, p. 7).
Além disso, pesquisas adicionais indicam que o aumento das partículas de poluição do ar também está correlacionado com um aumento da mortalidade por falência cardíaca, infarto do miocárdio, bem como uma maior incidência de arritmias destacando, assim, os graves impactos da poluição atmosférica na saúde humana (ANSELME et al., 2007; ROUTLEDGE et al.,2005 apud BEZERRA, 2016, p. 24).
Com base nisso, o pneumologista Gilmar Zonzin, em uma entrevista para a revista Correio Sul Fluminense, explicou como os gases poluentes afetam a saúde das pessoas que o inalam diariamente ao afirmar que:
“O nosso sistema respiratório possui uma forma de retirar o excesso de poluentes de dentro dele, porém quando essa carga de poluição excede o limite que o organismo consegue retirar, acaba gerando um fenômeno chamado antracose, que é o depósito de material enegrecido nos pulmões, semelhante a uma pessoa que fuma” (CORREIO SUL FLUMINENSE, 2023), explicou o especialista.
Em sua obra, Leão (2018) fala sobre os promissores estudos de Pinheiro (2014) mencionando que o autor ”encontrou associação positiva entre a poluição atmosférica e a mortalidade por doenças respiratórias e cardiovasculares, demonstrando que os riscos se estendem à mortalidade e não apenas à elevação no número de internações” (LEÃO, 2018, p.12).
Vale ressaltar que estudos epidemiológicos realizados na metade do século passado já confirmaram a relação entre a poluição atmosférica e suas implicações na saúde. Dessa forma, pacientes e pessoas idosas com doenças cardiorrespiratórias pré-existentes são mais vulneráveis a uma evolução mais grave da condição quando comparados à população saudável (GOUVEIA et al., 2006; ALSELME, 2007 apud PAMPLONA, 2016, p. 24-25).
Sabe-se que, na região do Médio Vale do Rio Paraíba do Sul fluminense, o rápido crescimento da cidade de Volta Redonda foi impulsionado pela instalação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), situada no centro da cidade e que opera de forma integrada nos setores de siderurgia, mineração, logística, cimento e energia (CSN, 2022).
Atualmente, a companhia é considerada a maior siderúrgica da América Latina e possui grande influência socioeconômica na região, contribuindo para o desenvolvimento local por meio da oferta de empregos, serviços e outras benfeitorias. No entanto, sendo uma empresa de grande porte, sua atuação envolve a emissão de gases como material particulado (MP), óxidos de enxofre (SOx) e óxidos de nitrogênio (NOx) na atmosfera local (CSN, 2022).
Em entrevista ao Portal G1, em 2023, o pesquisador da Fiocruz, Marcelo Moreno, afirmou existir uma relação entre a emissão de gases da CSN e o aumento de casos de doenças respiratórias na cidade de Volta Redonda: ‘A gente já tem estudos que mostram que a poluição do ar agride a saúde do feto. Então, a gente vai ter crianças nascidas com baixo peso, nascidas prematuramente. Isso já está comprovado’, comentou o pesquisador (TRIGUEIRO, 2023). Dessa maneira, constata-se que os componentes expelidos pela companhia são considerados responsáveis por provocar o aumento de casos de doenças respiratórias no município.
Para exemplificar a magnitude dessa questão, é importante destacar que, segundo dados do IBGE, embora Volta Redonda tenha um IDH de 0,77 e Barra do Piraí de 0,73, a diferença entre esses índices é pequena. No entanto, os números de óbitos por doenças respiratórias entre as duas cidades são expressivamente distintos: enquanto Barra do Piraí registrou 82 mortes por essas condições em 2023, Volta Redonda teve 519 óbitos de acordo com dados coletados pelo Datasus. Essa discrepância significativa pode ser atribuída, em grande parte, à presença da CSN em Volta Redonda, que, através da emissão de poluentes, contribui diretamente para o agravamento das condições respiratórias da população, um fator ausente em Barra do Piraí.
Diante disso, o interesse global por esse tema tem crescido significativamente, merecendo atenção não apenas dos profissionais de saúde, mas também dos gestores públicos.
Isso ocorre porque a questão está intimamente relacionada à necessidade de desenvolver políticas públicas que promovam a saúde, previnam doenças e proporcionem uma melhor qualidade de vida para a população, como destacado por Fernandes et al. (2010) .
Portanto, este estudo parte da hipótese de que a poluição do ar exerce um papel significativo no desenvolvimento de doenças cardiorrespiratórias entre os moradores de Volta Redonda, cidade onde está situada a Companhia Siderúrgica Nacional.
Considerando o crescimento industrial da região e suas possíveis consequências para a qualidade de vida da população, torna-se essencial investigar de que maneira a poluição atmosférica afeta a saúde local. Assim, busca-se analisar a relação entre a poluição do ar e a incidência de doenças cardiorrespiratórias, reunindo evidências que possam fortalecer essa hipótese e contribuir para o entendimento dos impactos ambientais e sociais decorrentes da atividade siderúrgica.
2. METODOLOGIA
A metodologia adotada consiste em um estudo transversal analítico, de abordagem quantitativa e qualitativa, realizado com 204 moradores de Volta Redonda-RJ, entre outubro de 2024 a março de 2025. A amostra populacional selecionada apresentou como critério de inclusão idade igual ou superior a 40 anos, de ambos os sexos e como critérios de exclusão moradores de outras cidades e indivíduos menores de 40 anos que foram excluídos objetivando-se garantir a homogeneidade da amostra em relação às faixas etárias, uma vez que a prevalência de comorbidades cardiorrespiratórias tende a aumentar com o avanço da idade, o que pode influenciar diretamente os resultados da pesquisa. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário online ( Anexo A), aplicando-se os critérios de inclusão e exclusão já mencionados.
Os dados coletados foram analisados de forma qualitativa e quantitativa, com os resultados apresentados em gráficos e tabelas. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE: 77836723.8.0000.5237) e seguiu as diretrizes da Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.
Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), estando cientes dos objetivos, procedimentos, riscos e benefícios da pesquisa. O estudo seguiu os princípios éticos estabelecidos na Declaração de Helsinki (1964, revisada em 1975, 1983, 1989, 1996 e 2000), e todos os procedimentos envolvendo seres humanos foram aprovados pelo Comitê de Ética local, em conformidade com as legislações vigentes.
Assim, a pesquisa analisou a relação entre poluição do ar e as doenças cardiorrespiratórias entre os participantes, com foco na análise estatística dos dados obtidos.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A pesquisa foi aplicada a moradores de Volta Redonda/RJ, totalizando em 204 (duzentos e quatro) participantes. Dentro desse montante foram descartados os participantes cuja idade fosse inferior a 40 anos e os que não residiam na cidade de Volta Redonda/RJ, obtendo-se ao final um total de 114 (cento e quatorze) participações válidas.
A análise dos dados coletados via Google Forms foi realizada com o auxílio da planilha eletrônica Google Sheets, onde as respostas foram tabuladas e organizadas em gráficos para facilitar a interpretação.
Tabela 1 – Frequência e Percentual das Características da Amostra
VARIÁVEL | CATEGORIA | FREQUÊNCIA | PERCENTUAL (%) |
Sexo | Feminino | 75 | 65 ,81% |
Masculino | 39 | 34,19% | |
Faixa etária | Idade que mais se repetiu: 43 anos | 11 | 9,65% |
Idade que menos se repetiu: 63 anos | 1 | 0,88% | |
Considera o impacto da poluição no ar na saúde cardiorrespiratória. | Sim | 113 | 99,12% |
Não | 1 | 0,088% | |
Acredita que há conscientização sobre os riscos da poluição. | Sim | 21 | 18,42% |
Não | 93 | 81,58% | |
Considera que a poluição do ar tem impacto negativo na sua qualidade de vida. | Sim | 113 | 99,12% |
Não | 1 | 0,88% | |
Morador que já buscou atendimento hospitalar. | Sim | 85 | 74,56% |
Não | 29 | 25,44% |
Fonte: Autor (2025)
3.1 Perfil dos participantes em relação a Comorbidades e à faixa etária.
Gráfico 1

Fonte: Autor (2025)
A amostra da pesquisa foi composta por 34,19% de homens e 65,81% de mulheres, com maior concentração de participantes do sexo feminino, conforme mostrado na tabela anterior ( Tabela 1) . Considerando que os participantes com menos de 40 anos foram excluídos do estudo, a Tabela 1 apresenta a distribuição dos participantes a partir dos 40 anos. Diante disso, observa-se que a maioria dos participantes têm 43 anos, representando 9,65% da amostra e apenas um tem 63 anos, representando 0,88% da amostra.
Com base nessa informação, observa-se que a amostra representada no Gráfico 1 é composta principalmente por pessoas em uma faixa etária intermediária, provavelmente no início de possíveis comorbidades, visto que a pesquisa excluiu participantes com menos de 40 anos. Além disso, a presença de apenas um participante com 63 anos indica que a amostra é predominantemente composta por indivíduos mais jovens, possivelmente refletindo uma menor prevalência de doenças associadas à idade mais avançada dentro deste grupo específico.
Nesse contexto, a análise dos dados revela que a faixa etária entre 40 e 50 anos é a mais afetada por doenças respiratórias, destacando a maior vulnerabilidade desse grupo à poluição atmosférica e seus impactos na saúde cardiorrespiratória. Além das doenças respiratórias, observa-se uma incidência elevada de outras comorbidades, como diabetes e hipertensão arterial, especialmente entre pessoas na faixa etária de 40 a 60 anos. Esses achados sugerem que, além da exposição à poluição do ar, fatores relacionados ao envelhecimento e à presença de condições pré-existentes contribuem significativamente para o aumento da prevalência dessas doenças. Esse cenário reforça a importância de políticas públicas focadas na prevenção e no manejo de doenças respiratórias e cardiovasculares, especialmente em faixas etárias mais vulneráveis.
3.2 Exposição à Poluição do Ar
Quando questionados sobre a percepção da qualidade do ar em Volta Redonda, no que se refere ao impacto negativo da poluição do ar na qualidade de vida do participante, cerca de 99,12% dos respondentes indicaram que consideram a incidência de persistência da poluição tenha um impacto negativo à sua qualidade de vida. Este resultado reforça os dados de estudos anteriores que apontam altos níveis de poluentes atmosféricos na região.
Em sua obra, Fernandes explica que existem duas categorias imprescindíveis de poluentes atmosféricos que prejudicam a qualidade do ar: compostos voláteis e material particulado. Os compostos voláteis compõem-se de gases que são dissipados de várias fontes ou gerados na atmosfera a partir de substâncias presentes no meio ambiente.
Por outro lado, o material particulado (MP) é uma mistura de partículas de diferentes tamanhos, que podem se apresentar em formas líquidas ou gasosas e permanecer suspenso no ar. Além disso, o MP é composto por metais pesados e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, sendo considerado o poluente mais prejudicial à saúde humana (FERNANDES et al., 2010).
A percepção negativa da qualidade do ar coincide com os dados de monitoramento ambiental que indicam a presença de partículas nocivas, como Material Particulado (MP), Óxidos de Nitrogênio (NOx) e Enxofre (SOx), emitidos pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). (FIGUEIREDO, 2020).
3.3 Incidência de Doenças em moradores de Volta Redonda.
Gráfico 2

Fonte: Autor (2025)
A pesquisa também investigou a incidência de doenças cardiorrespiratórias entre os participantes. O Gráfico 2 mostra que cerca de 21,93% e 12,28% dos respondentes declararam ter sido diagnosticados com doenças respiratórias e cardiovasculares, respectivamente, entre os moradores da cidade de Volta Redonda/RJ.
A relação direta entre a poluição atmosférica e a saúde da população é clara, com estudos indicando que a exposição prolongada a poluentes está associada ao aumento de hospitalizações e à mortalidade por doenças como asma, bronquite, enfisema e infarto do miocárdio (ARBEX, 2012, p. 647). Nesse contexto, observa-se a proporção em que a poluição atmosférica contribui para um alto índice de sintomas cardiorrespiratórios.
3.4 Busca por atendimento
Além do mais, a busca por atendimento hospitalar é um indicador importante no impacto da poluição na saúde. De acordo com a Tabela 1 foi possível verificar se os moradores estão buscando atendimento hospitalar com mais frequência. Isso sugeriu um impacto direto da poluição na qualidade de vida e na saúde pública, além de possíveis sobrecargas aos serviços de saúde. (OLIVEIRA, 2020).
3.5 Relação Etilismo e Tabagismo com Comorbidades
Gráfico 3

Fonte: Autor (2025)
Gráfico 4

Fonte: Autor (2025)
Outrossim, ao analisar a relação entre etilismo, tabagismo e comorbidades, é essencial compreender como esses fatores contribuem para a saúde dos moradores de Volta Redonda/RJ, especialmente aqueles que apresentam condições preexistentes. O Gráfico 3 revela que 18,42% dos participantes não etilistas sofrem de doenças respiratórias, enquanto apenas 3,51% dos etilistas apresentam a mesma condição. Esses dados indicam que o consumo de álcool não está significativamente correlacionado à presença de comorbidades respiratórias, sugerindo que fatores ambientais, como a poluição do ar, desempenham um papel mais relevante no desenvolvimento dessas doenças.
No que diz respeito ao tabagismo, o Gráfico 4 mostra que cerca de 22,1% dos não fumantes apresentam doenças respiratórias, 14,9% sofrem de outras comorbidades e 10,5% têm hipertensão arterial sistêmica. Esses índices relativamente altos entre os não fumantes sugerem que o tabagismo não é o principal fator associado às comorbidades, apontando para a influência de outros fatores, como a poluição atmosférica, na ocorrência dessas condições.
Portanto, os dados analisados reforçam a ideia de que fatores ambientais, em particular a poluição do ar, são determinantes mais significativos na incidência de comorbidades em Volta Redonda, quando comparados ao consumo de álcool e tabagismo. Isso destaca a necessidade de se concentrar em políticas públicas de controle da poluição para melhorar a saúde da população local.
3.6 Considerações dos participantes
Diante do exposto, observa-se que a Tabela 1 revela uma ampla maioria de 99,12% dos participantes, que afirmam que a poluição do ar impacta negativamente sua saúde cardiovascular e respiratória. Apenas 0,088% dos entrevistados indicaram não perceber esse impacto. Esses dados indicam uma percepção quase unânime sobre a influência da poluição do ar na saúde, particularmente no que se refere às doenças cardiovasculares e respiratórias.
Além disso, a Tabela 1 aponta que 81,58% dos participantes afirmam não ter consciência sobre os riscos da poluição do ar, enquanto 18,42% reconhecem os efeitos prejudiciais dessa poluição. Embora quase todos os participantes reconheçam o impacto da poluição na saúde, a maioria (81,58%) acredita que ainda há uma grande parte da população que carece de conscientização sobre os riscos específicos relacionados à poluição atmosférica.
Com base nesses dados, é possível concluir que, embora haja um reconhecimento generalizado sobre o impacto da poluição do ar na saúde, especialmente nas condições cardiovasculares e respiratórias, ainda há uma lacuna significativa em relação à conscientização da população.
Isso sugere que, além de adotar medidas para mitigar os efeitos da poluição, é urgente implementar programas de educação e sensibilização pública para informar os moradores sobre os riscos específicos da poluição e as formas de proteção. A melhoria na conscientização pode ser um passo crucial para fortalecer a prevenção e reduzir o impacto das doenças associadas à poluição atmosférica.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados confirmam que a poluição do ar, intensificada pelas emissões da CSN, contribui para o aumento das doenças cardiorrespiratórias em Volta Redonda. A alta prevalência de comorbidades e a percepção negativa da qualidade do ar reforçam a necessidade de medidas urgentes, como a redução de poluentes e políticas públicas voltadas à saúde.
Além disso, a falta de informação sobre os impactos da poluição destaca a importância de campanhas educativas e monitoramento ambiental. Novos estudos são essenciais para aprofundar a compreensão do problema e embasar estratégias eficazes de controle da poluição, visando à melhoria da qualidade de vida da população.
REFERÊNCIAS
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Anexo A ( Questionário)
1 ª) Qual o seu sexo?
- Feminino
- Masculino
- ª) Qual a sua idade?
- ª) É natural de Volta Redonda?
- Sim
- Não
4 ª) É morador de Volta Redonda?
- Sim
- Não
- ª) Etilismo (Alcoolismo) – Quantas vezes por semana?
- ª) Tabagismo – Quantos maços por dia?
- ª) Possui alguma doença/comorbidade?
- Hipertensão arterial sistêmica
- Insuficiência cardíaca
- Infarto agudo do miocárdio
- Diabetes
- Doença respiratória
- Outros
- Não
8ª) Conhece alguém em sua família ou comunidade que tenha problemas de saúde cardiovascular ou respiratória?
- Sim
- Não
9ª) Considera que a poluição do ar possui impacto negativo na sua qualidade de vida?
a) Sim
b) Não
10ª) Você já buscou atendimento médico ou tratamento para problemas de saúde cardiovascular ou respiratório?
- Sim
- Não
11ª) Acredita que o pó de ferro predispõe doenças?
- Sim
- Não
12ª) Acredita que a poluição do ar gerada na cidade de Volta Redonda-RJ influencia e impacta de forma prejudicial nas doenças cardiovasculares e respiratórias?
a) Sim
b) Não
13ª) Você acredita que há conscientização suficiente na comunidade sobre os riscos da poluição da CSN para a saúde cardiovascular e respiratória?
a) Sim
b) Não
14ª) Quais medidas você acredita que as autoridades locais deveriam implementar para enfrentar esse problema?
1UniFOA, Centro Universitário de Volta Redonda, Volta Redonda, RJ.
2UniFOA, Centro Universitário de Volta Redonda, Volta Redonda, RJ.
3UniFOA, Centro Universitário de Volta Redonda, Volta Redonda, RJ.