IMPACT OF MULTIPROFESSIONAL FOLLOW-UP OF POSTPARTUM DEPRESSION: AN INTEGRATIVE REVIEW
IMPACTO DEL SEGUIMIENTO MULTIPROFESIONAL DE LA DEPRESIÓN POSPARTO: UNA REVISIÓN INTEGRATIVA
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202503242318
Ana Calista Rodrigues Araújo1
Maria Raquel dos Santos Amorim2
Layanne Cavalcante de Moura3
RESUMO
Objetivo: Analisar o impacto do acompanhamento multiprofissional na literatura sobre a Depressão Pós-Parto. Método: Realizou-se uma Revisão Integrativa da Literatura descritivo-exploratória com abordagem qualitativa, focando na eficácia do acompanhamento multiprofissional na Depressão Pós-Parto. As buscas ocorreram com descritores como “Depressão Pós-Parto”, “Psicoterapia” e “Impacto Psicossocial”, incluindo estudos publicados entre 2020 e 2024. A análise seguiu etapas de leitura crítica com base na análise de conteúdo. Resultado: Foram identificados 120 artigos, dos quais 7 foram incluídos na análise final. Os estudos destacaram a eficácia das intervenções psicoterapêuticas, como a terapia cognitivo-comportamental e o apoio psicossocial, na redução dos sintomas da DPP e no fortalecimento da rede de apoio. Conclusão: Intervenções psicoterapêuticas e apoio psicossocial são essenciais para a recuperação das mulheres com DPP. Mais estudos, principalmente em países de baixa e média renda, são necessários para adaptar as intervenções às diferentes realidades culturais e socioeconômicas.
DESCRITORES: Depressão Pós-Parto; Psicoterapia; Impacto Psicossocial.
ABSTRACT
Objective: To analyze the impact of multidisciplinary monitoring in the literature on Postpartum Depression. Method: An Integrative Descriptive-Exploratory Literature Review was carried out with a qualitative approach, focusing on the effectiveness of multidisciplinary monitoring in Postpartum Depression. The searches took place with descriptors such as “Postpartum Depression”, “Psychotherapy” and “Psychosocial Impact”, including studies published between 2020 and 2024. The analysis followed critical reading steps based on content analysis. Result: 120 articles were identified, of which 7 were included in the final analysis. Studies have highlighted the effectiveness of psychotherapeutic interventions, such as cognitive-behavioral therapy and psychosocial support, in reducing PPD symptoms and strengthening the support network. Conclusion: Psychotherapeutic interventions and psychosocial support are essential for the recovery of women with PPD. More studies, especially in low- and middle-income countries, are needed to adapt interventions to different cultural and socioeconomic realities.
DESCRIPTORS: Depression, Postpartum; Psychotherapy; Psychosocial Impact.
RESUMEN
Objetivo: Analizar el impacto del seguimiento multidisciplinario en la literatura sobre la Depresión Posparto. Método: Se realizó una revisión integrativa descriptiva-exploratoria de la literatura con enfoque cualitativo, centrándose en la efectividad del seguimiento multidisciplinario en la Depresión Postparto. Las búsquedas se realizaron con descriptores como “Depresión posparto”, “Psicoterapia” e “Impacto psicosocial”, incluyendo estudios publicados entre 2020 y 2024. El análisis siguió pasos de lectura crítica basados en el análisis de contenido. Resultado: Se identificaron 120 artículos, de los cuales 7 fueron incluidos en el análisis final. Los estudios han destacado la eficacia de las intervenciones psicoterapéuticas, como la terapia cognitivo-conductual y el apoyo psicosocial, para reducir los síntomas del PPD y fortalecer la red de apoyo. Conclusión: Las intervenciones psicoterapéuticas y el apoyo psicosocial son esenciales para la recuperación de las mujeres con DPP. Se necesitan más estudios, especialmente en países de ingresos bajos y medios, para adaptar las intervenciones a diferentes realidades culturales y socioeconómicas.
DESCRIPTORES: Depresión Posparto; Psicoterapia; Impacto Psicosocial.
INTRODUÇÃO
A Depressão Perinatal (DPN) definida como um transtorno psicológico no qual tem-se episódios depressivos durante o período gravídico puerperal, ou seja, na gravidez (Depressão Pré-Natal) e ou dentro de quatro semanas a 1 ano após o parto (Depressão Pós Parto). É considerado um problema significativo de saúde pública, pois esse transtorno pode desencadear à perda de interesse pela vida, queda na capacidade de raciocínio representado por declínio do pensamento e da concentração envolvendo diretamente baixa autoestima nas mães que passam por esse sofrimento (1-2).
Essa enfermidade psiquiátrica é grave devido aos efeitos deletérios generalizados e de longo alcance no recém-nascido, na família e na sociedade, estando associado a um risco aumentado de morbidade materna e da prole, bem como complicações perinatais, comprometimento do binômio mãe-filho, práticas de amamentação precárias que provocam alterações no desenvolvimento dos descendentes (3). Quando se manifesta após a gravidez, Depressão Pós Parto (DPP), as consequências são devastadoras e algumas até evitáveis, como suicídio e infanticídio, porém provocam efeitos negativos no desenvolvimento e cognição do bebê (1).
A identificação dessa DPP deve ser ágil permitindo o tratamento imediato e eficaz que envolva suporte por uma equipe multidisciplinar durante esse período perinatal associada com intervenções farmacológicas e psicoterapia (4). No caso dos psicotrópicos sua indicação volta-se aos quadros moderados a graves, enquanto a psicoterapia tem sido recomendada como tratamento de primeira linha para os quadros leves a moderados, além de ser, geralmente, a preferência das mães e familiares, devido a preocupações com os efeitos adversos das medicações em seus filhos (5).
As intervenções psicológicas podem ser realizadas por diversos métodos, entretanto, existem barreiras na sua utilização, como restrições de tempo, transporte e estigma (4,6). A necessidade de ampliar o campo de conhecimento sobre a assistência multiprofissional humanizado e sensível a atender as necessidades particulares de cada paciente com DPP, visando o desenvolvimento de uma qualificada assistência no que se refere a prevenção de riscos e agravos à saúde relacionada a esse sofrimento psíquico.
O presente estudo tem como objetivo analisar o impacto do acompanhamento multiprofissional na literatura sobre a DPP.
MÉTODO
Trata-se de uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL) do tipo descritivo-exploratória, com abordagem qualitativa (7), sobre a eficácia e o impacto do acompanhamento multiprofissional na literatura sobre a DPP. O estudo seguiu seis etapas para o seu desenvolvimento: 1) elaboração da pergunta norteadora; 2) busca ou amostragem na literatura; 3) coleta de dados; 4) análise seletiva e crítica dos estudos incluídos; 5) discussão dos resultados; e 6) apresentação da revisão integrativa (7-8).
Para esta revisão, foi elaborada a seguinte questão norteadora: “Qual o impacto do acompanhamento psicológico na depressão pós-parto?” As buscas foram realizadas entre outubro e dezembro de 2024, através da Biblioteca Virtual da Saúde (BVS), coordenada pela BIREME e composta de bases de dados, como Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Base de Dados em Enfermagem (BDENF), além da base de dados PUBMED/Medline. Os descritores utilizados em inglês e português obtidos no Medical Subject Headings (MESH) e Descritores em Ciência e Saúde (DeCS), sendo: Depressão Pós-Parto (Depression, Postpartum), Psicoterapia (Psychotherapy), Impacto Psicossocial (Psychosocial Impact), pesquisados através do operador booleano “AND”.
Os critérios de inclusão dos artigos foram: estudos primários em português, inglês e espanhol, com recorte nos últimos 05 anos (2020-2024), com vistas a elencar publicações atuais e pertinentes (7). Sendo excluídos capítulos de livros, resumos, textos incompletos, relatos e informes técnicos, estudos duplicados, editoriais, cartas e opiniões pessoais.
O nível de evidência das publicações foi avaliada de acordo com o Agency for Healthcare Research and Qua-lity (AHRQ), classificada em seis níveis, a saber: 1) Metanálise de múltiplos estudos controlados; 2) Estudos individuais com delineamento experimental; 3) Estudos com delineamento quase-experimental como estudos sem randomização com grupo único pré e pós-teste, séries temporais ou caso-controle; 4) Estudos com delineamento não-experimental como pesquisas descritivas correlacional e qualitativa ou estudos de caso; 5) Relatórios de casos ou dado obtido de forma sistemática, de qualidade verificável ou dados de avaliação de programas; 6) Opinião de autoridades respeitáveis baseada na competência clínica ou opinião de comitês de especialistas, incluindo interpretações de informações não baseadas em pesquisas (9).
Os estudos identificados foram inseridos no Mendeley (10) onde foram retiradas as duplicatas e, posteriormente, avaliados por 2 pesquisadores para minimizar o risco de viés em diferentes computadores de forma independente, a partir da leitura do título, resumo e artigos, de forma independente na Plataforma Rayyan (11).
Na interpretação dos resultados, seguiu-se a leitura com o método de análise de conteúdo de Bardin (12), permitindo identificar padrões, relações e lacunas nos estudos revisados. A interpretação dos resultados destacou a relevância do acompanhamento psicológico na saúde mental das mulheres no puerpério.
RESULTADOS
No total, 120 artigos foram encontrados. Após a retirada das duplicatas (06 artigos) e inelegibilidade pelos critérios de exclusão (23 artigos), 91 foram selecionadas para leitura de título e resumo. Ao final, 34 estudos foram para a leitura completa dos textos, sendo que destes, 07 foram incluídos na análise, por atenderam integralmente aos critérios de inclusão. O fluxograma do processo de seleção dos artigos selecionados encontra-se na Figura 1, a seguir.



Fonte: elaborado pelas autoras.
Para possibilitar a síntese e análise dos dados, os estudos selecionados foram agrupados em um quadro, reunindo informações quanto: autor(es)/ano de publicação, objetivos, método, nível de evidência e principais resultados, conforme o Quadro 1.
Quadro 1 – Distribuição das publicações incluídas segundo autor(es)/ano de publicação, objetivo, método, nível de evidência e principais resultados. Teresina, PI, Brasil, 2025.
Autor(es)/ano | Objetivo | Método/Nível de evidência | Principais Resultados |
Lenze et al./ 2020 | Desenvolver e avaliar a viabilidade e aceitabilidade de uma intervenção psicoterapêutica, chamada Psicoterapia Interpessoal para a Díade Mãe-Bebê (IPT-Dyad), para tratar a depressão perinatal. | Estudo clínico randomizados/I | O estudo destaca que o apoio conjugal e familiar é essencial para fortalecer o vínculo mãe-bebê e melhorar os desfechos do tratamento. A inclusão do contexto social e familiar pode minimizar os impactos negativos do estresse psicossocial e promover uma recuperação mais eficaz. |
Karl et al./ 2020 | Investigar o impacto prospectivo de condições de trabalho precárias e estresse psicossocial no trabalho durante a gravidez (como conflito trabalho-privacidade e desequilíbrio esforço-recompensa no trabalho) nos sintomas de DPP materna. | Estudo de coorte longitudinal prospectivo/II | O estudo identificou que o estresse relacionado a condições laborais desfavoráveis, como baixos salários e falta de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, está associado ao aumento dos sintomas de depressão pós-parto (DPP). |
Franco-Antonio et al./ 2022 | Analisar o impacto de uma bMI visando promover a amamentação no desenvolvimento de DPP e explorar os papéis mediadores/moderadores da amamentação e da autoeficácia na amamentação no efeito da intervenção no desenvolvimento de DPP. | Ensaio clínico randomizado/I | Mulheres que participaram de programas de apoio à amamentação apresentaram menores pontuações na Escala de Depressão Pós-Natal de Edinburgh (EPDS), indicando uma relação entre a prática da amamentação, o suporte psicológico e a redução dos sintomas depressivos. |
Pinheiro et al./ 2021 | Avaliar a eficácia de uma terapia cognitivo-comportamental preventiva para depressão no período pós-natal em mulheres com risco de desenvolver DPP. | Estudo de coorte, com intervenções terapêuticas/II | Protocolos de testagem para prevenir a DPP são relevantes, pois podem aliviar o sofrimento psicológico das mães e evitar consequências a longo prazo, como reincidência de transtornos de humor e impactos financeiros significativos. |
Dadhwal et al./ 2023 | Examinar a prevalência, correlatos psicossociais e fatores de risco para DPP/A na comunidade rural da Índia. | Estudo transversal/III | A presença de ansiedade em mulheres com DPP é comum e frequentemente negligenciada. Abordagens psicossociais devem tratar tanto a depressão quanto a ansiedade, considerando fontes de estresse como o ambiente familiar e conjugal. Estratégias que envolvem a família e o parceiro têm mostrado ser eficazes na redução da ansiedade e no sucesso das intervenções psicológicas. |
Garapati et al./ 2023 | Fornecer uma visão geral abrangente dos transtornos de humor pós-parto, com foco específico em insights sobre seu diagnóstico, prevenção e tratamento | Revisão da literatura/IV | A detecção e intervenção precoces são cruciais para o gerenciamento eficaz dos transtornos de humor pós-parto. A identificação oportuna dos sintomas permite uma intervenção rápida, reduzindo significativamente o potencial impacto negativo na mãe, no bebê e na família. |
Kang et al./ 2024 | Avaliar a eficácia da TPI, isoladamente ou em conjunto com terapia farmacológica e/ou outras intervenções psicológicas e psicossociais, na redução de sintomas depressivos entre mulheres diagnosticadas com DPP residentes em países de baixa e média renda. | Estudo documental/ IV | O estudo também evidencia a eficácia da Terapia Interpessoal (IPT) em países de baixa e média renda, destacando sua adaptabilidade em ambientes com recursos limitados. Focada em melhorar as relações interpessoais e fortalecer o apoio social da mulher, a IPT demonstrou sucesso na redução dos sintomas de depressão pós-parto (DPP). |
Fonte: elaborado pelas autoras.
Na pesquisa realizada, foram identificados sete artigos que abordam o impacto do acompanhamento psicológico na redução dos sintomas de depressão pós-parto. Os artigos foram distribuídos entre os anos de 2020 a 2024, sendo 2 artigos de 2020, 1 de 2021, 1 de 2022, 2 de 2023 e 1 de 2024. A discussão a seguir explorará os efeitos da terapia psicológica, com ênfase em modelos preventivos como a terapia cognitivo-comportamental, e como esses tratamentos contribuem para a melhoria do bem-estar das mulheres no pós-parto, aliviando sintomas de depressão e promovendo um ciclo de cuidado eficaz e acessível.
DISCUSSÃO
A DPP continua sendo uma condição desafiadora e prevalente no período pós-natal, afetando profundamente a saúde mental das mulheres e, consequentemente, o desenvolvimento do bebê. O acompanhamento psicológico emergiu como uma estratégia para mitigar os efeitos da DPP, especialmente quando se considera a multidimensionalidade dessa condição. A eficácia das intervenções psicoterapêuticas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia Interpessoal (IPT), além de programas de apoio social e psicoeducação, tem sido discutida na literatura atual (13).
A intervenção psicológica não apenas atua diretamente sobre os sintomas de depressão, mas também fortalece a rede de apoio emocional das mulheres. Programas psicossociais, como grupos de apoio entre pares, oferecem um espaço seguro e acolhedor para as mulheres compartilharem suas experiências, promovendo um sentimento de pertencimento e diminuindo o isolamento, um fator frequentemente exacerbado pela condição (14).
Além disso, a psicoeducação, especialmente durante a gestação ou no início do pós-parto, desempenha um papel fundamental na prevenção, ajudando as mulheres a identificarem sinais precoces de transtornos de humor e a buscar ajuda apropriada. Este enfoque proativo pode contribuir para a redução da prevalência de DPP, especialmente em populações vulneráveis, como aquelas de baixa escolaridade, como observado em outro estudo que destacou a eficácia da TCC preventiva (15). O estudo sugere que a terapia, ao focar nos fatores de risco, foi eficaz em reduzir a prevalência de DPP em mulheres com menor nível de escolaridade, o que demonstra seu potencial para ser implementada em ambientes de saúde pública com baixo custo.
O contexto psicossocial, no entanto, não pode ser negligenciado e a intervenção psicológica deve ser vista não apenas como uma ferramenta individual, mas como um processo que deve envolver o ambiente em que a mulher está inserida. O apoio conjugal e familiar tem se mostrado essencial para a eficácia do tratamento, pois fortalece o vínculo mãe-bebê e melhora os resultados do tratamento (16). Além disso, a inclusão do contexto social e familiar também pode ser determinante na promoção de uma recuperação mais eficaz, como sugere o estudo, pois a presença de um ambiente de apoio pode minimizar os impactos negativos do estresse psicossocial, frequentemente experimentado por mulheres com DPP.
Outro fator importante é a comorbidade entre a DPP e transtornos ansiosos, em que a presença de ansiedade em mulheres com DPP é bastante comum e, muitas vezes, negligenciada. Assim, as abordagens psicossociais devem ser integradas para tratar não apenas os sintomas depressivos, mas também os ansiosos, que frequentemente coocorrem (17). Esse modelo multifacetado de tratamento, que considera não apenas a depressão, mas também as diversas fontes de estresse, como o ambiente familiar e conjugal, são essenciais para uma abordagem eficaz da DPP (18). Estratégias que envolvem a família e o parceiro também têm se mostrado eficazes na mitigação dos efeitos da ansiedade, aumentando as chances de sucesso da intervenção psicológica.
A Terapia Interpessoal (IPT) mostrou eficácia em contextos de países de baixa e média renda, demonstrando a flexibilidade dessa abordagem em cenários com recursos limitados. A IPT, focada em melhorar as relações interpessoais e aumentar o suporte social da mulher, tem sido eficaz na redução dos sintomas de DPP, embora o estudo aponte limitações metodológicas, como a heterogeneidade dos estudos incluídos na análise. Isso indica a necessidade de mais pesquisas rigorosas para validar sua eficácia em diferentes contextos culturais e sociais (13).
Além disso, torna-se necessário que intervenções motivacionais, como aquelas voltadas para a promoção da amamentação, podem ter um efeito protetor contra a DPP. As mulheres que participaram de programas de apoio à amamentação mostraram menores pontuações no EPDS (Escala de Depressão Pós-Natal de Edinburgh), sugerindo uma relação entre o ato de amamentar, o apoio psicológico e a redução dos sintomas depressivos (18). Isso reforça a ideia de que o suporte psicológico deve ser combinado com práticas de autocuidado, como a amamentação, para criar um círculo virtuoso de bem-estar materno.
É fundamental considerar o impacto das condições de trabalho na DPP, pois o estresse causado por condições laborais desfavoráveis, como baixos salários e a falta de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, foi associado ao aumento dos sintomas de DPP (19). Isso coloca em evidência a necessidade de políticas públicas que considerem não apenas o aspecto psicológico da mulher, mas também o seu contexto profissional e social. Ao criar condições de trabalho mais favoráveis e ao promover políticas que ofereçam equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, é possível reduzir as pressões que contribuem para o desenvolvimento da DPP (18).
Em síntese, os estudos revisados reforçam a ideia de que o acompanhamento psicológico, com foco em intervenções psicoterapêuticas adaptadas ao contexto psicossocial das mulheres, é fundamental no tratamento e na prevenção da DPP. A personalização do tratamento, considerando fatores como o apoio social, o contexto familiar, as condições de trabalho e a presença de comorbidades como a ansiedade, sendo essencial para maximizar a eficácia do acompanhamento psicológico. Além disso, a inclusão de abordagens motivacionais e a promoção de práticas de autocuidado, como a amamentação, ampliam as possibilidades de sucesso no tratamento da DPP, proporcionando um impacto positivo não apenas na saúde mental das mulheres, mas também no vínculo mãe-bebê e nos desfechos obstétricos.
CONCLUSÕES
Em conclusão, a investigação sobre o impacto do acompanhamento multiprofissional na DPP revelou que as intervenções psicoterapêuticas, aliadas ao apoio psicossocial e à rede de apoio, têm um papel fundamental na redução dos sintomas de DPP e na recuperação das mulheres afetadas. A literatura sugere que abordagens terapêuticas integradas, que envolvem suporte psicológico, familiar e social, são fundamentais para o sucesso do tratamento. Além disso, a consideração das comorbidades como a ansiedade, deve ser parte essencial das intervenções, visto que essas condições frequentemente coexistem e impactam negativamente a saúde mental da mulher.
No entanto, a investigação também apontou lacunas importantes. Apesar das evidências positivas, a eficácia das abordagens terapêuticas ainda precisa ser mais explorada, especialmente em contextos de países de baixa e média renda. A diversidade cultural e as condições socioeconômicas exigem um olhar mais atento para adaptar as intervenções a diferentes realidades. Como também, a necessidade de políticas públicas que promovam melhores condições de trabalho e de vida para as mulheres no pós-parto.
Para futuras pesquisas, é essencial ampliar o foco na adaptação de modelos multiprofissionais para contextos específicos, levando em consideração as variáveis culturais e socioeconômicas. A investigação sobre os efeitos de programas que integrem o apoio psicológico com práticas de autocuidado, como a amamentação, e que abordem a conciliação entre vida profissional e pessoal, também representa uma área promissora.
REFERÊNCIAS
- Dama M, Van RJ. Perinatal depression: a guide to detection and management in primary care. J Am Board Fam Med. 2023.
- Xie H, et al. Effect of eHealth interventions on perinatal depression: a meta-analysis. J Affect Disord. 2024;354:10-172.
- Stewart AN, Payne JL. Perinatal depression. Psychiatr Clin North Am. 2023;4(3):447-461.
- Chen X, et al. Effectiveness of digital psychological interventions in reducing perinatal depression: a systematic review of meta-analyses. Arch Womens Ment Health. 2023;26(4):423-439.
- Cuijpers P, et al. Psychological treatment of perinatal depression: a meta-analysis. Psychol Med. 2023;53(6):2596-2608.
- Stewart AN, Payne JL. Perinatal depression. Psychiatr Clin North Am. 2023;4(3):447-461.
- Souza MT, Silva MD, Carvalho R. Integrative review: what is it? How to do it? Einstein (São Paulo). 2010;8(1):102-106.
- Ercole FF, Melo LS, Alcoforado CL. Revisão integrativa versus revisão sistemática. Rev Mineira Enferm. 2014;18(1):9-11.
- Stetler CB, et al. Utilization focused integrative reviews in a nursing service. Appl Nurs Res. 1998;11(4):195-206.
- Reichelt J. Mendeley: a Last.fm for research. Presented at IEEE Fourth International Conference on eScience; 2008. p. 327-328.
- Ouzzani M, Hammady H, Fedorowicz Z, Elmagarmid A. Rayyan—a web and mobile app for systematic reviews. Syst Rev. 2016;5(1):210.
- Bardin L. Análise de conteúdo. São Paulo, SP: Edições 70; 2016.
- Kang HK, et al. Effectiveness of interpersonal psychotherapy in comparison to other psychological and pharmacological interventions for reducing depressive symptoms in women diagnosed with postpartum depression in low- and middle-income countries: a systematic review. Campbell Syst Rev. 2024;20(2):e1399.
- Garapati J, et al. Postpartum mood disorders: insights into diagnosis, prevention, and treatment. Cureus. 2023;15(7):e42107.
- Pinheiro RT, et al. Brief cognitive behavioral therapy in pregnant women at risk of postpartum depression: pre-post therapy study in a city in southern Brazil. J Affect Disord. 2021;290:15-22.
- Lenze SN, et al. Lessons learned from a pilot randomized controlled trial of dyadic interpersonal psychotherapy for perinatal depression in a low-income population. J Affect Disord. 2020;271:286-292.
- Dadhwal V, et al. Prevalence of postpartum depression & anxiety among women in rural India: risk factors & psychosocial correlates. Indian J Med Res. 2023;158(4):407-416.
- Karl M, et al. Precarious working conditions and psychosocial work stress act as a risk factor for symptoms of postpartum depression during maternity leave: results from a longitudinal cohort study. BMC Public Health. 2020;20(1):1505.
- Franco-Antonio C, et al. A randomized controlled trial evaluating the effect of a brief motivational intervention to promote breastfeeding in postpartum depression. Sci Rep. 2022;12(1):373.
1Graduanda em Medicina pela Faculdade de Tecnologia de Teresina (CET)
Orcid: https://orcid.org/0009-0005-6537-4059
E-mail:aanacalista@gmail.com
Telefone: (86) 99500-1717
2Graduanda em Medicina pela Faculdade de Tecnologia de Teresina (CET)
Orcid: https://orcid.org/0009-0000-0560-5779
3Mestre em Saúde da Mulher pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), Médica pela Faculdade Integral Diferencial (FACID) e Docente na Faculdade de Tecnologia de Teresina (CET).
Orcid: https://orcid.org/0000-0003-2781-1076/print